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Revista Brasileira de Saúde Ocupacional

Print version ISSN 0303-7657On-line version ISSN 2317-6369

Rev. bras. saúde ocup. vol.41  São Paulo  2016  Epub Dec 12, 2016

http://dx.doi.org/10.1590/2317-6369000121615 

Comunicação breve

Capacidade para o trabalho de cirurgiões-dentistas da atenção básica: prevalência e fatores associados

Work ability of primary care dentists: prevalence and associated factors

José Mário Nunes da Silvaa 

Lúcia de Fátima Almeida de Deus Mouraa 

aUniversidade Federal do Piauí, Programa de Pós-Graduação em Ciências e Saúde. Teresina, PI, Brasil.

Resumo

Objetivo:

avaliar os fatores associados à capacidade para o trabalho de cirurgiões-dentistas.

Métodos:

a amostra foi constituída por 167 cirurgiões-dentistas vinculados à Estratégia Saúde da Família. Foram aplicados questionários sobre a capacidade para o trabalho, dados sociodemográficos, caraterísticas relacionadas ao trabalho, aspectos de saúde autorreferidos, estilo de vida e fadiga. Na análise univariada utilizou-se a estatística descritiva; na bivariada, o teste Qui-quadrado de Pearson, e, na multivariada, a regressão de Poisson.

Resultados:

46,7% da amostra mostrou capacidade inadequada para o trabalho, sendo as variáveis independentes associadas: sexo feminino (RP=1,12; IC95%: 1,01-1,23), limpeza não adequada (RP=1,14; IC95%: 1,01-1,29), ambiente úmido (RP=1,35; IC95%: 1,15-1,59), ambiente de trabalho com muito barulho (RP=1,10; IC95%: 1,01-1,30), tarefas repetitivas e monótonas (RP=1,36; IC95%: 1,20-1,55), insatisfação com sono (RP=1,15; IC95%: 1,05-1,25), estado de saúde regular (RP=1,25; IC95%: 1,10-1,41), apresentar de uma a quatro morbidades diagnosticadas (RP=1,14; IC95%: 1,04-1,26), cinco ou mais morbidades (RP=1,52; IC95%: 1,38-1,70) e níveis altos de percepção de fadiga (RP=1,15; IC95%: 1,04-1,26).

Conclusão:

A amostra estudada apresentou incapacidade para o trabalho, que foi associada a fatores sociodemográficos, características do trabalho, aspectos de saúde e altos níveis de fadiga.

Palavras-chave: saúde do trabalhador; fadiga/epidemiologia; odontólogos; condições de trabalho; estudos transversais

Abstract

Objective:

to evaluate the factors associated with the dentists' ability to work.

Methods:

the sample consisted of 167 dentists' linked to the Estratégia Saúde da Família [Family Health Strategy]. We handed out questionnaires about work ability, sociodemographic data, work-related characteristics, self-reported health aspects, lifestyle, and fatigue. We used descriptive statistics in univariate analysis; Pearson's chi-squared test in the bivariate, and, Poisson regression in the multivariate.

Results:

46.7% of the sample showed inadequate work ability, with the following associated independent variables: women (PR = 1.12; 95%CI: 1.01-1.23), inadequate cleaning (PR= 1.14; 95%CI: 1.01-1.29), humid environment (PR = 1.35; 95%CI: 1.15-1.59), very noisy work environment (PR = 1.10; 95%CI: 1.01-1.30), repetitive and monotonous tasks (PR = 1.36; 95%CI: 1.20-1.55), dissatisfaction with sleeping (PR = 1.15; 95%CI: 1.05-1.25), regular health state (PR = 1.25; 95%CI: 1.10-1.41), having from one to four diagnosed morbidities (PR = 1.14; 95%CI: 1.04-1.26), five or more morbidities (PR = 1.52; 95%CI: 1.38-1.70), and high levels of fatigue perception (PR = 1.15; 95%CI: 1.04-1.26).

Conclusion:

The studied sample showed incapacity to work, which was associated with demographic factors, work characteristics, health aspects , and high levels of fatigue.

Keywords: occupational health; fatigue/epidemiology; dentists; working conditions; cross-sectional studies

Introdução

Estudos têm demonstrado como diferentes tipos de ocupações podem afetar a saúde de trabalhadores1), (2. O exercício da odontologia enquadra-se nas categorias profissionais que mais sujeitam os seus praticantes a se exporem a múltiplos fatores de risco para o desenvolvimento de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Dentre esses fatores, destaca-se a manutenção prolongada de posturas estáticas, atividades repetitivas, longas jornadas de trabalho, ambiente de trabalho mal projetado, estresse e manejo de materiais químico e biológico3), (4), (5.

A prevalência de distúrbios musculoesquelético em cirurgiões-dentistas (CDs) varia de 61% a 96,9%6), (7), (8, fato que provoca elevados índices de absentismo, incapacidade temporária ou permanente para o trabalho com reflexos negativos na qualidade dos serviços prestados à população e na capacidade para o trabalho desses profissionais1), (5), (8.

A Capacidade para o trabalho é a resultante das condições de saúde do trabalhador - inclusive suas capacidades físicas e mentais - em relação às demandas físicas, mentais e sociais que o trabalho apresenta, podendo ser mantida ou restaurada, se medidas preventivas e terapêuticas forem tomadas em relação ao trabalhador9), (10. Dessa forma, diferentes categorias profissionais têm sido pesquisadas quanto à sua capacidade para o trabalho no decorrer dos anos, por exemplo, trabalhadores de indústrias têxteis com diferentes turnos11, trabalhadores de enfermagem10), (12, trabalhadores da área administrativa13, eletricitários14, motoristas de ônibus15, bombeiros16, professores17 e trabalhadores em geral18.

Entretanto, no que concerne aos cirurgiões-dentistas, os estudos atuais têm sido focados principalmente em disfunções ergonômicas ou de biossegurança1), (8), (19, não sendo detectadas - seja na literatura nacional ou internacional - pesquisas que analisem a capacidade para o trabalho e sua associação com aspectos organizacionais nessa categoria profissional. Assim, esta pesquisa tem por objetivo avaliar os fatores associados à capacidade para o trabalho de CDs que trabalham na Estratégia Saúde da Família (ESF).

Métodos

Foi realizado um estudo epidemiológico de corte transversal. Fizeram parte da pesquisa cirurgiões-dentistas vinculados à ESF no município de Teresina, Piauí, no período de janeiro a março de 2014.

Como critério de inclusão no estudo, os CDs participantes deveriam estar em exercício profissional no período da coleta de dados e aceitar participar da pesquisa. Os CDs que não estivessem realizando atividades assistenciais diretas (trabalhando em atividade administrativa ou afastados do trabalho por qualquer motivo) foram excluídos da pesquisa.

A amostra foi do tipo probabilística aleatória simples, considerando um total de 220 CDs na ESF trabalhando no período pesquisado. O cálculo da amostra foi estimado mediante uma prevalência de 50% para as variáveis relacionadas ao desfecho, margem de erro de 5% para um intervalo de confiança de 95%, efeito do desenho de 1,020, totalizando uma amostra ideal para o desenvolvimento do estudo de 140 CDs. A amostra foi aumentada em 20%, pressupondo uma taxa de não resposta de 10% e mais 10% para controlar fatores de confusão, resultando em uma amostra final de 167 cirurgiões-dentistas.

Antes da aplicação dos instrumentos de coleta, foi realizado um estudo piloto com 10 CDs não pertencentes à ESF para testar e avaliar o método proposto para o estudo; os participantes envolvidos no estudo piloto não foram incluídos como sujeitos da pesquisa no estudo principal.

O levantamento dos dados é apresentado a seguir:

A capacidade para o trabalho foi avaliada por meio do Índice de Capacidade para o trabalho (ICT)9, traduzido e validado para o Brasil21, que permite avaliar a capacidade para o trabalho a partir da percepção do próprio trabalhador, obtido a partir de dez questões sintetizadas em sete dimensões. A pontuação varia de 7 a 49 pontos.

Para a construção da variável desfecho capacidade inadequada para o trabalho, foi usado o ponto de corte sugerido por Kujala et al.22 de acordo com a idade do trabalhador. Para indivíduos com idade entre 18 e 34 anos (valor inferior a 40 pontos) e a partir de 35 anos (valor inferior a 37 pontos). O coeficiente de confiabilidade interna (alfa de Cronbach) dos itens foi 0,79.

As variáveis independentes para o estudo foram agrupadas em cinco blocos de informações:

  1. Sociodemográfico: sexo; faixa etária; estado civil e renda familiar mensal.

  2. Ocupacionais: local, regime e tempo de trabalho, jornada diária e semanal. No que se refere à organização do trabalho, foi aplicado um questionário autorizado e adaptado de Vasconcelos et al.10 referente à estrutura organizacional e ambiente físico do trabalho com respostas que variam de: sempre ou muito frequente, às vezes pouco frequente ou pouquíssimo frequente ou nunca.

  3. Estilo de vida: prática de atividade física; consumo de álcool; fumo e estado nutricional segundo o índice de massa corporal.

  4. Aspectos de saúde autorreferidos: satisfação com sono, estresse, estado de saúde, além da quantidade de morbidades referidas com diagnóstico médico obtida através do ICT.

  5. Fadiga: foi utilizado o questionário de percepção de fadiga23, adaptado e validado para o português11, composto por 30 questões de múltipla escolha com escore variando de 30 até 150 pontos, correspondendo a menor e maior fadiga respectivamente. Os escores compreendidos entre 30 e 72 foram considerados baixa fadiga, e acima de 72, alta fadiga (corte pelo terceiro quartil). O coeficiente alfa de Cronbach foi de 0,93.

Os dados foram organizados e tabulados utilizando o Microsoft Excel versão 2010 para Windows e as análises estatísticas foram feitas por meio do SPSS versão 18.0 para Windows (SPSS Inc. Chicago, IL 60606, EUA).

Na análise univariada foram aplicados os procedimentos de estatística descritiva. Na análise bivariada para associar a capacidade inadequada para o trabalho e as variáveis sociodemográficas relacionadas ao trabalho, aspectos de saúde autorreferidos, estilo de vida e fadiga, foi utilizado o teste Qui-quadrado de Pearson (χ²).

Para a construção do modelo final foi realizada uma análise multivariada por meio da regressão de Poisson com variância robusta dos erros-padrão24 com todas as covariáveis de interesse que apresentaram p<0,20 na análise bivariada. Calcularam-se as razões de prevalência brutas e ajustadas com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), utilizando-se um modelo hierárquico no qual as variáveis de interesse foram ordenadas segundo sua precedência sobre o desfecho de interesse25 e significância obtida pelo teste de Wald para heterogeneidade. Em todas as análises realizadas foi utilizado um nível de significância de 5%.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) com o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 22135013.8.0000.5214. Todos os participantes da pesquisa assinaram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme o que preconiza a resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

Resultados

Observou-se na amostra uma amplitude de variação etária de 23,0 a 68,0 anos e que nesta a maioria dos cirurgiões-dentistas era do sexo feminino, na faixa etária de 23-39 anos, com idade média 40,3 anos (dp=10,7), predominantemente casado (a)/união estável; e com renda familiar maior que 10 salários mínimos (47%). Quanto ao estilo de vida dos CDs, a maioria praticava algum tipo de atividade física, não era tabagista, não consumia bebida alcoólica e possuía estado nutricional eutrófico, com índice de massa corporal médio de 24,0 kg/m² (dp=3,0) (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição das variáveis sociodemográficas, estilo de vida e ocupacionais dos cirurgiões-dentistas da ESF de Teresina, Piauí, 2014 

Variáveis n %
Sociodemográficas
Sexo
Masculino 72 43,1
Feminino 95 56,9
Faixa etária
23-39 anos 96 57,5
≥40 anos 71 42,5
Média=40,3
Desvio-padrão=10,7
Estado civil
Não casado (a) 66 39,5
Casado (a)/União estável 101 60,5
Renda familiar (em SM)
4├ 5 11 6,6
5├ 10 77 46,1
≥10 79 47,3
Estilo de vida
Pratica atividade física?
Sim 117 70,1
Não 50 29,9
Fuma?
Sim 4 2,4
Não 163 97,6
Consome bebida alcoólica?
Sim 48 28,7
Não 119 71,3
Estado nutricional (IMC kg/m2)
Eutrófico 117 70,1
Excesso de peso 50 29,9
Média=24,0
Desvio-padrão=3,0
Ocupacionais
Local de trabalho
Apenas serviço público (UBS) 62 37,1
Serviço público (UBS) e privado 105 62,9
Tempo de trabalho (UBS)
Até 10 anos 114 68,3
≥10 anos 53 31,7
Média=8,9
Desvio-padrão=9,0
Jornada de trabalho diária (em horas)
4├ 8 45 26,9
8├ 10 105 62,9
≥10 17 10,2
Média=7,8
Desvio-padrão=2,4

Legenda: SM - salário mínimo (R$ 720); IMC - índice de massa corporal; UBS - unidade básica de saúde; ESF - Estratégia Saúde da Família.

A Tabela 1 mostra que maioria dos CDs possuía mais de um vínculo empregatício e tempo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde menor que 10 anos, com média de 8,9 anos (9,0). A jornada de trabalho prevalente no estudo situou-se entre 8 e 9,9 horas diárias, porém a média da amostra foi de 7,8 horas (dp=2,4).

A Tabela 2 apresenta aspectos relacionados ao ambiente físico e à organização do trabalho relatados pelos CDs.

Tabela 2 Distribuição das características relacionadas ao ambiente físico e à organização de trabalho dos cirurgiões-dentistas da ESF de Teresina, Piauí, 2014 

Variáveis investigadas* Sempre ou muito frequente Pouco frequente Pouquíssimo frequente ou nunca
n % n % n %
Limpeza adequada 74 44,3 52 31,1 41 24,6
Iluminação satisfatória 86 51,5 51 30,5 30 18,0
Sistema de refrigeração adequado 57 34,1 61 36,6 49 29,3
Ambiente úmido 18 10,8 52 31,1 97 58,1
Muito barulho no ambiente de trabalho 58 34,7 54 32,3 55 33,0
Ambiente de trabalho com odor desagradável 23 13,8 60 35,9 84 50,3
Ambiente organizado 71 42,5 63 37,7 33 19,8
Materiais necessários à realização dos procedimentos são suficientes 26 15,6 76 45,5 65 38,9
Equipamentos utilizados estão adequados aos procedimentos assistenciais 46 27,6 53 31,7 68 40,7
Ritmo de trabalho excessivo 21 12,6 84 50,3 62 37,1
Número suficiente de Auxiliares de Saúde Bucal 140 83,8 14 8,4 13 7,8
Tarefas repetitivas e monótonas 68 40,8 52 31,1 47 28,1
Dificuldade de comunicação entre a chefia e a equipe 33 19,8 62 37,1 72 43,1
Chefia apoia o crescimento profissional 41 24,6 52 31,1 74 44,3
Autonomia para tomar decisões 72 43,1 60 35,9 35 21,0

*Adaptado de Vasconcelos et al.10. Legenda: ESF - Estratégia Saúde da Família.

Uma parte expressiva dos CDs relatou estar insatisfeita com o sono e considerou seu estado de saúde como regular, a maioria se sente estressada às vezes. A média do escore de percepção de fadiga foi de 60,8 pontos (dp=16,1), variando entre 32,0 e 103,0 pontos e 26,3% tiveram alto nível de fadiga (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição relativa aos aspectos de saúde e percepção de fadiga dos cirurgiões-dentistas da ESF de Teresina, Piauí, 2014 

Variáveis n %
Aspectos de saúde*
Satisfação com sono
Muito insatisfeito (a) 11 6,6
Insatisfeito (a) 40 24,0
Nem insatisfeito (a)/Nem satisfeito (a) 42 25,1
Satisfeito (a) 67 40,1
Muito satisfeito (a) 7 4,2
Estresse autorreferido
Sempre 4 2,4
Frequentemente 25 15,0
Às vezes 98 58,6
Raramente - -
Nunca 40 24,0
Estado de saúde
Muito ruim - -
Ruim - -
Regular 30 18,0
Bom 113 67,6
Muito bom 24 14,4
Percepção de fadiga**
Baixa 123 73,7
Alta 44 26,3

*Adaptado de Vasconcelos et al.10; **Questionário de percepção de fadiga. Legenda: ESF - Estratégia Saúde da Família.

O ICT, na amostra pesquisada, teve média de 38,1 pontos (dp=6,3), variando de 18,0 a 49,0 pontos. Após a categorização proposta por Kujala et al.22, observou-se que 53,3% dos indivíduos foram considerados como tendo capacidade para o trabalho adequada e 46,7% inadequada. Foram observados altos valores do ICT nas sete dimensões aferidas pelo instrumento, em proporções expressivas da amostra (Tabela 4).

Tabela 4 Pontuação do Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT) segundo suas dimensões 

Dimensões Variação do escore Pontuação (%)
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Capacidade para o trabalho comparada com a melhor de toda vida 0-10 - - - - 2,4 4,2 5,4 16,8 26,9 25,7 18,6
Capacidade para o trabalho em relação às exigências físicas 0-10 - - 0,6 0,0 1,2 1,2 7,2 21,0 37,1 16,8 15,0
Número de doenças atuais diagnosticadas pelo médico 1-7 22,8 25,1 16,8 - 15,0 - 20,4
Perda estimada para o trabalho por causa de doenças 1-6 0,0 2,4 7,2 25,1 35,9 29,3
Faltas ao trabalho por doenças no último ano (12 meses) 1-5 0,0 3,0 13,2 38,3 45,5
Prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a 2 anos 1,4 ou 7 3,6 19,2 77,2
Recursos mentais 1-4 0,0 11,4 47,9 40,7

Os resultados das análises bivariadas mostraram que houve associação significativa entre a incapacidade para o trabalho com o sexo dos participantes (p=0,038), ambiente úmido (p=0,044), tarefas repetitivas e monótonas (p<0,001), satisfação com o sono (p<0,001), estresse autorreferido (p=0,029), estado de saúde autorreferido (p=0,005), morbidades por diagnóstico médico (p<0,001) e percepção da fadiga (p<0,001).

As variáveis que não obtiveram significância estatística na análise bivariada, mas que obtiveram um p<0,20 e foram inseridas na análise múltipla, foram: tempo de trabalho (p=0,080), limpeza adequada (p=0,181), sistema de refrigeração adequado (p=0,111), muito barulho no ambiente de trabalho (p=0,172), ambiente de trabalho com odor desagradável (p=0,081), ritmo de trabalho excessivo (p=0,076), número de auxiliar de saúde bucal suficiente (p=0,105), praticar atividade física (p=0,056), consumo de bebida alcoólica (p=0,116). Gênero, faixa etária e tempo de trabalho foram tomados como variáveis de controle no modelo.

A Tabela 5 apresenta o modelo final da análise múltipla hierarquizada, onde se observa que dentre as variáveis sociodemográficas relacionadas à capacidade inadequada para o trabalho; apenas a variável gênero mostrou-se associada: RP=1,12.

Tabela 5 Modelo final para os fatores associados à capacidade inadequada para o trabalho dos cirurgiões-dentistas da ESF de Teresina, Piauí, 2014 - estimativas de razão de prevalências obtidas mediante regressão de Poisson 

n ICT inadequado RP bruta RP ajustada
n % RP IC95% RP IC95%
Sociodemográficas
Sexo
Masculino 72 27 37,5 1,0 1,0
Feminino 95 51 53,7 1,12 1,01-1,24 1,12 1,01-1,23
Faixa etária
23-39 anos 96 42 43,8 1,0 1,0
≥40 anos 71 36 50,7 1,05 0,95-1,16 1,05 0,94-1,16
Relacionadas ao trabalho*
Tempo de trabalho (UBS)
Até 10 anos 114 48 42,1 1,0 1,0
≥10 anos 53 30 56,6 1,10 0,99-1,23 1,03 0,91-1,17
Limpeza adequada
Sempre ou muito frequente 74 34 45,9 1,0 1,0
Pouco frequente 52 29 55,8 1,07 0,94-1,22 1,00 0,87-1,16
Pouquíssimo frequente ou nunca 41 15 36,6 1,14 0,99-1,31 1,14 1,01-1,29
Ambiente úmido
Pouquíssimo frequente ou nunca 97 48 49,5 1,0 1,0
Pouco frequente 53 18 34,6 0,90 0,80-1,01 0,84 0,74-0,94
Sempre ou muito frequente 18 12 66,7 1,12 0,93-1,29 1,35 1,15-1,59
Muito barulho no ambiente de trabalho
Pouquíssimo frequente ou nunca 55 20 36,4 1,0 1,0
Pouco frequente 54 28 51,9 1,11 0,98-1,27 1,09 0,95-1,27
Sempre ou muito frequente 58 30 51,7 1,11 0,98-1,26 1,10 1,01-1,30
Tarefas repetitivas e monótonas
Pouquíssimo frequente ou nunca 47 10 21,3 1,0 1,0
Pouco frequente 52 24 46,2 1,20 1,05-1,40 1,17 1,02-1,35
Sempre ou muito frequente 68 44 64,7 1,36 1,21-1,53 1,36 1,20-1,55
Aspectos de saúde**
Satisfação com sono
Satisfeito (a)/Muito satisfeito (a) 74 19 25,7 1,0 1,0
Nem insatisfeito (a)/Nem satisfeito (a) 42 25 59,5 1,27 1,23-1,43 1,13 1,02-1,25
Muito insatisfeito (a)/Insatisfeito (a) 51 34 66,7 1,33 1,19-1,48 1,15 1,05-1,25
Estado de saúde
Bom/Muito bom 137 57 41,6 1,0 1,0
Regular 30 21 70,0 1,20 1,07-1,34 1,25 1,10-1,41
Morbidade referida com diagnóstico médico
Nenhuma 34 03 8,8 1,0 1,0
1-4 doenças 87 34 39,1 1,28 1,14-1,43 1,14 1,04-1,26
5 ou mais 46 53,6 89,1 1,74 1,57-1,92 1,52 1,38-1,70
Fadiga***
Baixa 123 38 30,9 1,0 1,0
Alta 44 40 90,9 1,46 1,35-1,58 1,15 1,04-1,26

Legenda:

RP: razão de prevalência, IC95%: Intervalo de confiança. ESF - Estratégia Saúde da Família.

*Ajustada para variáveis sociodemográficas

**Ajustada para variáveis: sociodemográficas, relacionada ao trabalho e estilo de vida

***Ajustada para variáveis: sociodemográficas, relacionada ao trabalho, estilo de vida e aspectos de saúde.

Obs.: Dados em negrito representam razões de prevalência e intervalos de confiança estatisticamente significativos.

Em relação às variáveis relacionadas ao trabalho (Tabela 5), os fatores independentes associados foram: limpeza não adequada (RP=1,14), ambiente úmido (RP=1,35), ambiente de trabalho com muito barulho (RP=1,10), tarefas repetitivas e monótonas (RP=1,36) e às vezes repetitivas e monótonas (RP=1,17).

As variáveis relativas aos aspectos de saúde (Tabela 5) que se mostraram associadas no modelo final foram: não está insatisfeito nem satisfeito com seu sono (RP=1,13), está insatisfeito ou muito insatisfeito com sono (RP=1,15) e considera seu estado de saúde regular (RP=1,25). Em relação às morbidades referidas, relatar uma a quatro doenças (RP=1,14) e cinco ou mais (RP=1,52) estiveram associados à capacidade inadequada para o trabalho.

O modelo final (obtido por meio dos desvios residual e de Pearson) mostrou aderência à curva normal com variação de −2 a 2, presença de poucos outliers e grau de liberdade próximo ao desvio de Pearson. Esses aspectos indicam bom ajuste do modelo na análise final.

Discussão

Os resultados da pesquisa mostraram que houve uma alta prevalência de capacidade inadequada para o trabalho entre a amostra estudada (46,7%), corroborando outros estudos realizados no Brasil e no mundo com diferentes categorias profissionais10), (12), (17), (18), (26), (27.

Na presente pesquisa, apenas a variável sociodemográfica sexo apresentou associação com a capacidade inadequada para o trabalho. A perda de capacidade para o trabalho em mulheres foi 12% mais prevalente que em homens. Esses resultados foram concordantes com pesquisas de outros autores10), (28), (29. Uma das explicações possíveis dessa relação é que, mesmo com todas as mudanças advindas da inserção das mulheres no mercado de trabalho, elas não deixaram de exercer a responsabilidade tradicional do cuidado das tarefas domésticas e filhos, acumulando múltiplos papéis e aumentando a sobrecarga de trabalho30), (31.

Vale ressaltar que as cargas de trabalho impostas aos CDs, o desconforto físico, um posto de trabalho mal projetado sob o ponto de vista ergonômico e a má postura são fatores determinantes para o surgimento de doenças de origem ocupacional nesses profissionais, incomodando, e, algumas vezes, até incapacitando o seu desempenho profissional1), (3), (4), (32.

A limpeza não adequada do ambiente de trabalho na presente pesquisa esteve associada a um aumento de 14% na prevalência de capacidade inadequada para o trabalho. Esse achado está supostamente relacionado às inúmeras evidências de que um ambiente de trabalho limpo é essencial tanto para a prática odontológica segura para os pacientes quanto para a sanidade da equipe de saúde bucal. É notório que diversos procedimentos clínicos e cirúrgicos rotineiros dessa atividade favorecem a exposição de seus trabalhadores a uma grande variedade de micro-organismos potencialmente patogênicos presentes em fluidos corporais dos pacientes (sangue, saliva e secreções do trato respiratório alto)33), (34.

Estudo de Bernardo et al.35 mostrou uma alta prevalência de estafilococos patogênicos no ambiente odontológico, sendo que algumas dessas bactérias se encontravam resistentes à maioria dos antibióticos utilizados. Barreto et al.36 afirmam, ainda, que aerossóis contaminados por bactérias podem transpor as barreiras fixas do ambiente odontológico, e que esses aerossóis são rotineiramente gerados pelos instrumentos de alta rotação e aparelhos ultrassônicos utilizados pelos CDs.

Um ambiente de trabalho com muito barulho foi responsável por um aumento de 10% na prevalência de perda da capacidade para o trabalho dos CDs. Essa é outra característica da organização de trabalho desses profissionais, que geralmente trabalham em um ambiente com alta tendência a ruídos, tais como os provenientes de motor de alta rotação, compressor, sugadores de saliva, além de ar condicionado - fontes emissoras que, somadas, podem levar o profissional a um comprometimento da audição e de suas atividades ocupacionais37), (38.

A umidade, nesta pesquisa, esteve associada a uma perda de 35% na capacidade para o trabalho, fato que corrobora os estudos de Karvala et al.39), (40. Os autores demonstraram que a presença de umidade no ambiente de trabalho esteve diretamente associada a uma capacidade pobre para o trabalho, e como consequência, 13% dos participantes relataram mudança de emprego e diminuição na qualidade de vida.

Tarefas repetitivas e monótonas estiveram associadas a um aumento de 36% na prevalência de capacidade inadequada, e tarefas às vezes repetitivas e monótonas, a um aumento de 17% na mesma capacidade. A literatura sobre a relação entre tarefas repetitivas e monótonas com comprometimento da saúde dos trabalhadores é vasta, principalmente porque são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças ocupacionais. Logo, os resultados obtidos neste estudo mostram congruência com evidências apontadas nos demais1), (2), (3), (4), (5), (6.

Quanto às variáveis relativas aos aspectos de saúde, não estar insatisfeito nem satisfeito com seu sono foi responsável por um aumento de 13% na prevalência de capacidade inadequada, enquanto estar muito insatisfeito ou insatisfeito com o sono foi responsável por 15% de aumento, resultados que se assemelham a outras pesquisas16), (17), (26), (41.

Cirurgiões-dentistas que consideraram o seu estado de saúde regular tiveram capacidade para o trabalho diminuída em 25% quando comparados aos que relataram estado de saúde bom/muito bom. Os resultados da presente pesquisa são compatíveis com estudos de Vedovato e Monteiro17 e Vries et al.42, os quais relatam que a percepção geral de saúde está diretamente associada à capacidade para o trabalho.

No que tange à relação entre a presença de morbidades e capacidade para o trabalho, Gustafsson e Marklund18 verificaram que a presença de doenças está intimamente relacionada a uma baixa capacidade para o trabalho.

Observou-se, no estudo, que o relato de cinco ou mais doenças pelos CDs aumentou em 52% a prevalência de capacidade inadequada para o trabalho em relação aos que referiram não ter nenhuma doença. Vasconcelos et al.10 também encontraram essa relação, constatando que a capacidade para o trabalho foi 48% menor nos profissionais da enfermagem que relataram três ou mais doenças, quando comparados aos trabalhadores que não referiram nenhuma doença.

Outro resultado importante encontrado no estudo foi que 26,3% dos CDs possuíam níveis de fadiga elevados, e que a perda de capacidade para o trabalho foi 15% mais prevalente nesses indivíduos quando comparados aos que apresentaram níveis mais baixos; esse resultado está em consonância com estudos de Vasconcelos et al.10, que encontraram um aumento de 2,37 vezes na prevalência, e de Fisher et al.43, que também relataram essa associação com profissionais da enfermagem.

Esses resultados podem ser explicados pelo fato de a fadiga diminuir a habilidade dos indivíduos de realizar suas tarefas habituais, pois ela altera o estado de alerta e vigilância, causando danos sociais e psicológicos e comprometendo a capacidade para o trabalho43), (44), (45.

Esse é um fato que merece destaque, pois profissionais com níveis elevados de fadiga se tornam mais propensos a não realizarem suas atividades profissionais de maneira adequada, o que pode comprometer a saúde bucal da população por eles assistida. Em se tratando de um estudo transversal, os resultados aqui encontrados dizem respeito apenas ao período analisado, não sendo possível estabelecer relação de causa e efeito.

Outras duas potenciais limitações em estudos deste tipo devem ser consideradas: o chamado "efeito do trabalhador sadio" e a possibilidade de viés introduzido pelo autorrelato de algumas variáveis. Entretanto, quanto a essa última, opõe-se o argumento de que instrumentos de autoavaliação de aspectos de saúde têm sido utilizados em inquéritos populacionais por sua praticidade, alta validade e confiabilidade12), (17.

Deve ser considerada, também, a utilização do ICT como um indicador de avaliação e acompanhamento da capacidade para o trabalho desses profissionais, permitindo, assim, a identificação oportuna dos fatores que a afetam e subsidiando as medidas corretivas pertinentes.

Conclusão

A pesquisa demonstrou que grande parte da população estudada apresentou capacidade inadequada para o trabalho, sendo os fatores independentes associados: sexo, limpeza não adequada, ambiente úmido, muito barulho no ambiente de trabalho, tarefas repetitivas e monótonas, a não satisfação com o sono, estado de saúde regular, presença de morbidade e níveis elevados de fadiga.

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1Este trabalho é baseado na dissertação de mestrado de José Mário Nunes da Silva intitulada "Capacidade para o trabalho de cirurgiões-dentistas da Estratégia Saúde da Família", defendida em 2014 no Centro de Ciências e Saúde da Universidade Federal do Piauí.

O trabalho não foi apresentado em reunião científica.

Received: July 30, 2015; Revised: July 18, 2016; Accepted: July 18, 2016

Contato: José Mário Nunes da Silva E-mail: zemariu@hotmail.com

Os autores declaram não haver conflitos de interesse e que o trabalho não foi subvencionado.

Contribuição de autoria Silva, J.M.N.: participou da concepção, delineamento, análise e interpretação dos dados, da redação e da aprovação final da versão a ser publicada. Moura, L.F.A.D.: da concepção, delineamento, da redação e revisão crítica do artigo e da aprovação final da versão a ser publicada.

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