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Revista Brasileira de Educação

versão impressa ISSN 1413-2478versão On-line ISSN 1809-449X

Rev. Bras. Educ. v.11 n.32 Rio de Janeiro maio/ago. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782006000200001 

EDITORIAL

 

 

Este número da Revista Brasileira de Educação é aberto por um importante artigo de Daniel Thin, da Faculdade de Antropologia e Sociologia da Universidade Lumière Lyon 2, na França, confrontando as lógicas socializadoras das famílias das camadas populares e em contraposição às lógicas socializadoras da escola.

Segue o artigo de Nadir Zago, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, apresentando resultados de pesquisa sobre o percurso de estudantes das camadas populares na universidade.

O terceiro artigo, elaborado por Marilia Pontes Sposito e dois de seus bolsistas, faz um balanço das iniciativas públicas voltadas para o atendimento de jovens, a partir de ampla pesquisa sobre "Juventude e poder local", realizada em 74 municípios de nove regiões metropolitanas.

O quarto artigo, "Docência na universidade, cultura e avaliação institucional: saberes silenciados em questão", elaborado por Maria Isabel da Cunha, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), explora o impacto do Exame Nacional de Cursos (o "provão") sobre as formas de atuação dos professores, a partir de pesquisa com entrevistas realizadas com alunos, professores e coordenadores de doze instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul.

Dando continuidade ao conjunto, seguem os textos: de Danilo R. Streck, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNISINOS, discutindo o possível reencontro das iniciativas da chamada educação popular com a dimensão pública dos governos, explorando não só a atual produção brasileira como também a produção disponível em outros países da América Latina, sobre o tema; de Elizabeth Macedo, da Faculdade de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), abordando o currículo como espaço-tempo de fronteira cultural; de Rosanne Evangelista Dias e Rozana Gomes de Abreu, a primeira do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a segunda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ, sobre os discursos do mundo do trabalho presentes nos livros didáticos do ensino médio; e de Isabel Cristina de Moura Carvalho, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Luterana do Brasil, atualmente em estágio de pós-doutorado no Center for Iberian and Latin American Studies da University California San Diego, a respeito das transformações na esfera pública e a ação ecológica, da perspectiva da educação e da política em tempos da modernidade; de Ana Maria R. Gomes, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, que aborda o processo de escolarização entre os Xakriabá, explorando alternativas de análise na perspectiva da antropologia da educação.

Os dois textos que completam esse conjunto de artigos foram discutidos inicialmente em sessões do Grupo de Trabalho de História da Educação, realizadas nas duas últimas reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), e posteriormente transformados em artigos. Constituem-se em contribuições significativas, o primeiro, de Francisco José Calazans Falcon, para o entendimento da relação entre história cultural e história da educação, e o segundo, de Luiz Felipe Baêta Neves, para o estudo da relação entre história intelectual e história da educação.

Destaque especial deve ser dado ao artigo "As dimensões da qualidade dos periódicos científicos e sua presença em um instrumento da área de educação", de Piotr Trzesniak, publicado no Espaço Aberto deste número. Por exigência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), como um dos subsídios para a avaliação dos programas de pós-graduação, cada área deve realizar anualmente uma avaliação de seus periódicos e classificá-los no Qualis. Em nossa área, um primeiro levantamento dos periódicos existentes foi realizado em 1992, no bojo do projeto de pesquisa Avaliação e perspectivas da área de educação 1982-1991, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e realizado pela ANPEd, e depois atualizado em 2001, novamente pela ANPEd em colaboração entre a Associação Brasileira de Tecnologia da Educação, com o apoio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Nesses dois momentos, foi fundamental a assessoria da Fundação Carlos Chagas, por intermédio da Biblioteca Ana Maria Popovick.

Por solicitação da Comissão de Avaliação da área, a elaboração do primeiro Qualis dos periódicos em educação foi assumida pela ANPEd, em 2001, tomando como base o segundo levantamento referido. Ainda com a colaboração da ANPEd foi feito um segundo Qualis, em 2003, seguindo-se complementações assumidas pelas próprias comissões de avaliação que se sucederam. Para a elaboração do primeiro Qualis, foi adaptado um instrumento criado pela área de psicologia para avaliar seus periódicos; esse instrumento foi progressivamente revisto e aperfeiçoado, inclusive para contemplar os periódicos de divulgação.

Essa exigência da CAPES motivou várias iniciativas nas instâncias da área de educação produtoras de periódicos. Em primeiro lugar, para adequá-los às normas e buscar melhor qualidade, o que provocou uma sensível melhora em muitos deles. Em segundo lugar, propiciou a retomada das reuniões de editores, suspensas há anos, de um lado, na forma de "conversas", em momentos reservados nas últimas reuniões anuais da ANPEd; de outro, pela realização de "oficinas" de trabalho para os editores, promovidas pela ANPEd e apoiadas pelo INEP. Foram realizadas duas oficinas, uma em Campo Grande, sediada pela Universidade Dom Bosco, em 2003, e outra em Natal, sediada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2005.

Nesta última, foram discutidos com os editores presentes os diversos modelos e os diferentes enfoques de avaliação de periódicos. O artigo que está sendo publicado neste número da Revista é, por uma parte, uma síntese daquelas exposições e discussões; de outra parte, analisa detalhadamente o instrumento utilizado pela ANPEd na elaboração do Qualis. Sua importância e atualidade estão, por assim dizer, em abrir a "caixa-preta" da avaliação de periódicos e em apontar caminhos para que se consiga chegar a avaliar efetivamente a qualidade deles. Espera-se possa vir a ser complementado, em futuro próximo, com uma análise da disseminação e da utilização desses periódicos.

Pretende-se caminhar para a institucionalização de um Fórum de Editores de Periódicos da Área de Educação, bem como a criação de um "domínio", tipo Datacenter, que abrigue nossos periódicos. Para tanto, espera-se contar com o apoio da ANPEd, mediante a garantia de um espaço no portal da ANPEd, e do INEP, depositário dos periódicos impressos e, espera-se, coordenador de um sistema de intercâmbio entre eles.

 

Osmar Fávero
Editor-chefe

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