SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.23 issue4Characterization of Risk Factor Criminal Behavior in ConvictsTo apologize: Categories and Effects on Three Types of Interpersonal Relationships author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Psico-USF

On-line version ISSN 2175-3563

Psico-USF vol.23 no.4 Campinas Oct./Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-82712018230412 

ARTIGOS

Adolescentes Materialistas Brasileiros Estão Satisfeitos com suas Vidas?

Are Brazilian Materialistic Adolescents Happy With Their Lives?

Adolescentes Materialistas Brasileños; están satisfechos con sus vidas?

Fernanda Palhares1 

Lia Beatriz de Lucca Freitas1 

Doralúcia Gil da Silva1 

Claudia Hofheinz Giacomoni1 

1Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS

Resumo

Em nossa sociedade, os valores materiais têm apresentado grande importância. Estudos apontam que a valorização demasiada dos bens materiais (materialismo) pode influenciar negativamente o desenvolvimento dos indivíduos. Este estudo investiga os níveis de materialismo e sua relação com os níveis de satisfação de vida em adolescentes de escolas públicas e privadas de Porto Alegre. Participaram deste estudo 128 adolescentes, de 11 a 18 anos (M = 13,80; DP = 1,74), sendo 75% do sexo feminino. Utilizaram-se as escalas EVM (Materialismo) e EMSVA (Satisfação de vida adolescência). Os resultados indicam uma correlação inversamente proporcional significativa entre os níveis de materialismo e de satisfação com a família (r = -0,550, p < 0,001) e com a escola (r = -0,436, p < 0,001). De acordo com a literatura, esses adolescentes mostram-se mais suscetíveis ao adoecimento e a prejuízos acadêmicos. Sugere-se que, em futuros estudos, utilizem-se também entrevistas com os participantes.

Palavras-chave: valores; qualidade de vida; adolescência

Abstract

In our society, material values have been of great importance. Studies point out that too much appreciation of material goods (materialism) can negatively influence the development of individuals. This study investigates the levels of materialism and its relation with the levels of life satisfaction in adolescents of public and private schools in Porto Alegre. Participants included a total of 128 adolescents, aged 11 to 18 years (M = 13.80, SD = 1.74), 75% female. Two scales were administrated: EVM (Materialism) and EMSVA (Adolescence life satisfaction). The results indicated a significant inverse correlation between levels of materialism and family satisfaction (r = -0.550, p <0.001) and school (r = -0.436, p <0.001). According to the literature, these adolescents are more susceptible to illness and academic losses. We suggest that further studies use interviews with the participants.

Keywords: Values; quality of life; adolescence

Resumen

En nuestra sociedad los valores materiales han revelado gran importancia. Estudios señalan que exceso de apreciación de bienes materiales (materialismo) puede influir negativamente en el desarrollo de los individuos. Este estudio investiga los niveles de materialismo y su relación con los niveles de satisfacción con la vida de adolescentes en escuelas públicas y privadas. Participaron del estudio 128 adolescentes, de 11-18 años (M = 13,80; DP = 1,74) siendo el 75% de sexo femenino. Fueran utilizadas las escalas EVM (materialismo) y EMSVA (satisfacción de vida de los adolescentes). Los resultados indican una correlación inversamente proporcional significativa entre los niveles de materialismo y satisfacción con la familia (r = -0,550, p <0,001) y con la escuela (r = -0,436, p <0,001). De acuerdo a la literatura, esos adolescentes se muestran más susceptibles a las enfermedades y a los perjuicios académicos. Se sugiere que, en futuros estudios, se utilicen también entrevistas con los participantes.

Palabras-clave: valores; calidad de vida; adolescencia

Introdução

A adolescência é um período de transição, no qual a formação da identidade e a preparação para o ingresso na sociedade adulta se destacam como pontos principais (Bloss, 1996). Nesse momento do ciclo vital, as questões materiais podem assumir grande relevância e direcionar as metas e ambições futuras dos jovens (Goldberg, Gorn, Peracchio, & Bamossy, 2003).

Nas últimas décadas, a importância que os indivíduos concedem aos valores materiais vem aumentando. Twenge e Kasser (2013) realizaram um estudo longitudinal entre os anos 1976 e 2007, envolvendo cerca de 15.000 adolescentes escolares a cada ano. Os resultados apontam para um crescimento da apreciação pelo dinheiro, por obter bens materiais e por ter um emprego muito rentável.

No campo da Psicologia, Kasser (2002) definiu o materialismo como a valorização da aquisição e do acúmulo de bens materiais além daquilo que seria necessário para atender às necessidades humanas básicas. Já Richins (2004) define materislismo como “a importância atribuída à posse e aquisição de bens materiais para alcançar os principais objetivos de vida e estados desejáveis” (p. 210).

O materialismo, contudo, pode envolver dois sentidos distintos e possuir aspectos tanto positivos quanto negativos. Csikszentimihalyi e Rochberg-Halton (1978) distinguiram dois tipos de materialismo: (a) instrumental e (b) terminal. O primeiro caracteriza-se por uma forma mais positiva, no qual a aquisição de bens materiais possui a finalidade de facilitar ou melhorar a qualidade de vida das pessoas, estando mais relacionado ao contexto. No segundo tipo, as metas se fixam nas aquisições, nas posses dos bens e não nos bens em si. Os bens materiais são utilizados como símbolo de sucesso, status e são muitas vezes usados para gerar admiração e inveja, de onde surge seu caráter negativo. Em estudos realizados no Brasil, encontram-se também referências às diferenças entre materialismo instrumental e terminal, seguindo as mesmas propostas de outros países (e.g., Garcia, 2009; Santos & Fernandes, 2010).

Alguns autores sugerem que os adolescentes são afetados pelo materialismo terminal e consumo na medida em que são alvo de estratégias de marketing que transmitem valores materiais como importantes para uma vida feliz (Chaplin & John, 2007; Eren, Eroglu, & Hacioglu, 2012).

Todavia, adolescentes que internalizam mais os valores materiais costumam apresentar mais baixa autoestima e estresse (Chaplin & John, 2007; Jiang, Zhang, Ke, Hawk, & Qiu, 2015). Adolescentes mais preocupados com posses materiais apresentam maiores dificuldades escolares e menores índices de aproveitamento, acarretando prejuízos em seus projetos de vida futuros (Goldberg et al., 2003; King, 2018; King & Datu, 2017). Esses jovens são também menos motivados a aprender e geralmente o fazem visando algum retorno imediato, por exemplo, receber reconhecimento externo, evitar parecer incompetente ou menos competente que os colegas (Ku, Dittmar, & Banerjee, 2014). Adolescentes menos preocupados com as posses materiais tendem a se envolver com a escola e com os estudos, de forma a atingir metas que servirão de norte para suas vidas adultas, com foco no desenvolvimento de suas competências (King, 2018).

Os prejuízos no desenvolvimento de crianças e adolescentes associados à ênfase no materialismo extremo - querer ter mais do que querer ser - tem levado vários pesquisadores a investigar se a posse de bens materiais está relacionada a uma maior satisfação de vida, componente cognitivo do bem-estar subjetivo. Segundo Diener (2006), a satisfação de vida corresponde à avaliação que os indivíduos fazem a respeito da vida que levam, a qual pode considerar diferentes domínios, tais como família e amizades. Esse autor destaca que é mais adequado fazer essa avaliação a partir de parâmetros elencados pelo próprio indivíduo como importantes para a sua satisfação de vida. Isso aponta para a relevância de utilizarem-se medidas específicas de satisfação de vida para adolescentes.

Estudos indicam que adolescentes que atribuem grande destaque aos valores materiais tendem a se sentir menos satisfeitos com suas vidas (Dittmar, Bond, Hurst, & Kasser, 2014; Manolis & Roberts, 2012). Atualmente, pesquisas realizadas em diferentes países têm-se dedicado a estudar o materialismo, a satisfação de vida e outras variáveis relacionadas a ela entre adolescentes, de modo a entender melhor a associação entre tais construtos (Chen, Yao, & Yan, 2014; Dittmar et al., 2014; Yang, Fu, Yu, & Lv, 2018) e verificar a estabilidade da associação inversa entre as variáveis.

Nesse sentido, ressalta-se que as avaliações da satisfação de vida com adolescentes realizadas em diferentes países, ainda que com os mesmos instrumentos, devem ser comparadas e interpretadas com cautela devido a variações culturais e linguísticas a respeito do construto (Casas, Alfaro et al., 2015). Da mesma forma, tais questões devem ser consideradas em estudos sobre os valores materiais (Chaplin & John, 2007; Dittmar et al., 2014; Twenge & Kasser, 2013). Assim, os resultados de pesquisas com os jovens realizados em países orientais e ocidentais devem ser interpretados, observando possíveis restrições culturais. Ademais, sabe-se que dentro de um mesmo país podem ser observados distintos contextos sociais que também influenciam na avaliação dos referidos fenômenos (Casas et al., 2015).

Um survey realizado via internet com questionários analisou o comportamento de compra compulsiva e a relação entre os níveis de autoestima, de materialismo, de estresse e de prazer entre adolescentes brasileiros (Medeiros, Diniz, Costa, & Pereira, 2015). Os resultados mostraram que o estresse, o materialismo e o prazer em comprar influenciam a compra compulsiva. Na mesma linha, Lins e Poeschl (2015) testaram um modelo de mediação do materialismo entre o prazer nas compras e as compras por impulso em adolescentes brasileiros e portugueses. Os resultados indicaram que altos níveis de materialismo se relacionam diretamente com o prazer em comprar e a compra por impulso.

Resultados de uma metanálise de 175 estudos transversais e correlacionais que utilizaram questionários, indicaram correlações negativas, de fracas a moderadas, entre materialismo e satisfação de vida (Dittmar et al., 2014). Desse modo, aponta-se a necessidade de avaliar tais fenômenos em conjunto na adolescência, considerando esta como uma fase de diversas mudanças biopsicossociais e crucial ao desenvolvimento social. Além disso, é na adolescência que o jovem se torna capaz de construir uma escala pessoal de valores, a qual guiará suas metas e objetivos futuros (Prestes, Castro, Tudge, & Freitas, 2014).

Pesquisa realizada na França com 984 adolescentes escolares com uso de escalas discutiu a relação do apoio dos pais e dos pares com a autoestima, as tendências de materialismo e crenças éticas de consumo (Gentina, Shrum, Lowrey, Vitell, & Rose, 2016). O estudo apresenta um modelo em que o apoio dos pais e dos pares se mostrou como mediador positivo na autoestima e sentimentos de poder, os quais estão relacionados a menores níveis de materialismo e maiores níveis de crenças éticas de consumo. Os autores apontam o apoio dos pais e dos pares como importantes para reduzir atos não éticos, promovendo comportamentos pró-sociais e menos materialismo, e chamam atenção para a relevância da satisfação com a família (a qual é uma dimensão da satisfação de vida) e na inter-relação com os valores materialistas.

No contexto oriental, Ku (2015) testou o papel da satisfação de vida no materialismo em longo prazo em amostra de 516 jovens chineses. Os resultados mostraram a relação negativa entre a satisfação de vida e o materialismo tanto entre os adolescentes mais novos quanto os mais velhos. O autor discute que adolescentes mais novos e de níveis socioeconômicos mais baixos relataram maiores níveis de materialismo, mostrando a influência do fator idade na questão dos valores materiais.

Outro estudo chinês verificou a conexão causal entre materialismo, rejeição entre pares e autoestima (Jiang et al., 2015). A pesquisa apontou a autoestima como mediadora entre a rejeição entre pares e o materialismo. Além disso, a rejeição entre pares aumenta os níveis de materialismo, por meio da redução implícita da autoestima, o que sugere implicações do materialismo em dimensões da satisfação de vida, no caso, a satisfação com o grupo de pares.

A relação entre valores materialistas, rejeição dos pais e autoestima também foi testada em estudo com amostra de 593 adolescentes chineses que responderam a questionários (Fu, Kou, & Yang, 2015). Os dados evidenciaram não haver diferenças nas variáveis estudadas quanto ao sexo dos participantes, os quais relataram baixos níveis de materialismo. A rejeição parental mostrou-se positivamente relacionada a valores materialistas, sendo essa relação moderada pela autoestima. Desse modo, observa-se a influência da autoestima e da família nos valores materiais, sendo que essas variáveis também estão significativamente relacionadas à satisfação de vida, como mostra um estudo brasileiro (Segabinazi, Giacomoni, Dias, Teixeira, & Moraes, 2010).

O papel mediador da satisfação de necessidades básicas psicológicas e sua relação com materialismo e bem-estar foram investigados em estudo com adolescentes chineses (Chen et al., 2014). Os dados indicaram a importância de considerar o bem-estar psicológico e subjetivo e o poder interpretativo da satisfação das necessidades psicológicas, bem como da cultura chinesa na inter-relação entre materialismo e bem-estar, demonstrando mais uma vez a associação entre tais variáveis.

Embora não haja consenso entre os pesquisadores sobre o desenvolvimento de hábitos materialistas na adolescência, sabe-se que eles estão presentes e representam uma parte influente na formação de uma escala pessoal de valores (e.g., Chan, 2013; Chaplin & John, 2007; Goldberg et al., 2003) a qual guia o estabelecimento de metas e objetivos futuros (Souza, 2012).

No contexto brasileiro, a maior parte dos estudos sobre valores materiais em jovens foram realizados na área de administração e marketing e visam conhecer os perfis desses consumidores (Medeiros et al., 2015; Ladeira, Santini, & Araujo, 2016). Todavia, há evidências de que o exagerado apreço pelos valores materiais pode trazer prejuízos à vida dos adolescentes (e.g., Chaplin & John, 2007; Jiang et al., 2015; Ku et al., 2012). Na literatura, pode-se observar conforme nos estudos anteriormente citados (Chen et al., 2014; Dittmar et al., 2014; Gentina et al., 2016), mais especificamente, uma série de estudos realizados em outros países (por exemplo, China, EUA, França) que indicam a existência de uma relação inversamente proporcional entre o materialismo e a satisfação de vida. Nesse sentido, torna-se relevante a proposição de pesquisas com adolescentes brasileiros, na área da Psicologia, de modo a contribuir com o entendimento de quais aspectos podem ser positivos ou não para o seu desenvolvimento.

Assim, realizou-se um estudo cujo objetivo foi investigar os níveis de materialismo e sua relação com os níveis de satisfação de vida em adolescentes de escolas públicas e privadas de Porto Alegre. Consideraram-se as variáveis sexo, faixa etária e tipo de escola ao examinar tais relações, tendo em vista que muitas pesquisas têm destacado a sua importância (e.g., Chaplin & John, 2007; Ku, 2015, Twenge & Kasser, 2013).

Método

Participantes

Participaram deste estudo 128 adolescentes, de 11 a 18 anos (média de idade = 13,80; desvio padrão = 1,74), sendo 75% do sexo feminino. Os participantes cursavam entre a 5ª série do ensino fundamental e o 3º ano do ensino médio, em escolas de Porto Alegre. Em relação ao grau de instrução dos pais: (a) 43,8% possuíam nível superior completo, (b) 18% nível médio completo, (c) 13,3% fundamental completo, (d) 6,3% fundamental incompleto, (e) 10,2% eram analfabetos e (f) 8,4% não informaram. A composição da amostra foi feita por conveniência, em duas escolas públicas e uma escola particular de Porto Alegre, sendo 75,8 % dos participantes de escola pública.

Instrumentos

Ficha de Dados Sociodemográficos. Ficha criada a partir do critério Brasil (ABEP, 2012), tem a finalidade de coletar informações sobre o participante e seus pais.

Escala de Valores Materiais - Forma Abreviada. Tradução da Materialism Value Escale - Short Form (Richins, 2004) composta de 12 itens em formato de escala Likert de cinco pontos (1 - discordo totalmente; 5 - concordo totalmente). A escala apresenta 12 itens divididos em três dimensões: sucesso (quatro itens), centralidade (cinco itens) e felicidade (três itens). As dimensões se referem à: (a) sucesso definido pela posse de bens materiais (ex.: “Eu admiro as pessoas que possuem casas, carros e roupas caras”), (b) centralidade nas aquisições (ex.: “Comprar coisas me dá muito prazer”), e (c) aquisições como busca da felicidade (ex.: “Eu seria mais feliz se eu pudesse comprar mais coisas”). A escala foi traduzida e validada para este estudo por uma das autoras e contou com a autorização prévia da autora da escala original. O alfa de Cronbach para a escala como um todo foi de 0,81.

Escala Multidimensional de Satisfação de Vida para Adolescentes - EMSVA (Segabinazi et al., 2010). Escala composta por 52 itens que avaliam sete dimensões da satisfação de vida de adolescentes: família (10 itens, ex.: “Eu fico feliz quando minha família se reúne”), self (nove itens, ex.: “Eu sou alegre”), escola (seis itens, ex.: “Eu me sinto bem na minha escola”), self comparado (seis itens, ex.: “Meus amigos se divertem mais que eu”), não violência (seis itens, ex.: “Brigo muito com meus amigos”), autoeficácia (sete itens, ex.: “Consigo expressar minhas ideias”) e amizade (oito itens, ex.: “Meus amigos gostam de mim”). Possui escala Likert de cinco pontos, variando de 1 (nem um pouco) a 5 (muitíssimo). No estudo original (Segabinazi et al., 2010), encontrou-se uma adequada consistência interna da escala (α = 0,93).

Delineamento e Procedimentos

Este é um estudo de levantamento do tipo correlacional com delineamento transversal (Shaughnessy, Zechmeister, & Zechmeister, 2012). Realizou-se contato com cinco escolas particulares e seis escolas públicas para convidá-las a participar da pesquisa, sendo as escolas escolhidas por conveniência. Desse total, somente uma escola particular e duas escolas públicas aceitaram participar. Às escolas participantes, foi apresentado o projeto assim como o termo de autorização da direção da escola, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para pais e responsáveis, o termo de assentimento para adolescentes e os instrumentos a serem utilizados. A coleta de dados foi realizada de forma coletiva em salas próprias da escola. No momento da coleta, os estudantes foram informados que poderiam, a qualquer momento, desistir de sua participação. Nenhum participante declinou da pesquisa. A instrução foi de que respondessem os instrumentos selecionando a alternativa melhor os definisse.

Análise dos Dados

Em primeiro lugar, realizou-se, com o auxílio do programa G* Power, o cálculo de poder amostral para determinar o alcance do efeito estatístico obtido. Em segundo lugar, executou-se a análise dos dados por meio do uso do pacote estatístico SPSS versão 20. Utilizou-se uma análise de correlação de Pearson entre a EVM e a EMSVA, a fim de constatar a relação entre os fatores das duas escalas. A normalidade dos dados de cada escala foi inicialmente avaliada usando-se o Kolgomorov-Smirnov test, o qual demonstrou ser normalmente distribuída. A seguir, submeteram-se as correlações que se mostraram significativas a análises de regressão múltipla tendo como preditoras as variáveis sociodemográficas (sexo, idade a e tipo de escola) e os escores da escala de materialismo e, como variáveis critério, as dimensões da satisfação de vida.

Considerações Éticas

Os princípios éticos da pesquisa foram criados a fim de resguardar os direitos de bem-estar e dignidade dos participantes. Conforme esta orientação, o estudo em questão seguiu as diretrizes e normas da Resolução número 466/2012 do Ministério da Saúde, bem como a Resolução n. 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia, que trata dos mesmos aspectos anteriormente citados, atentando para sua observação.

A direção das escolas assinou o termo de autorização da direção da escola. Os pais ou responsáveis dos adolescentes participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e os jovens assinaram o Termo de Assentimento. Após a aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da UFRGS, (protocolo: 2013/660), foram contatadas escolas públicas e privadas da cidade de Porto Alegre, no ano de 2014. Os objetivos do trabalho foram esclarecidos aos participantes, bem como a seus pais ou responsáveis legais, assim como foi assegurado o direito de escolher participar ou não deste estudo e se de se retirar deste a qualquer momento, sem qualquer prejuízo ou penalização.

Resultados

Inicialmente calculou-se o poder da amostra por sexo, grupo etário e tipo de escola. O poder da amostra por grupo etário e por tipo de escola foi considerado bom com valores acima de 90%. Entretanto, na amostra dividida por sexo dos participantes, o poder ficou em 31,33% indicando nível médio de efeito.

Realizaram-se correlações entre as três dimensões da EVM e as sete dimensões da EMSVA. Os resultados indicaram uma correlação inversamente proporcional entre o fator Felicidade da EVM e os fatores Família (r = -0,442, p < 0,001) e Escola (r = -0,245, p < 0,001) da EMSVA. O nível de materialismo dos participantes foi obtido dividindo-se o valor total de materialismo da amostra em quartis. O quartil inferior agrupa os participantes com níveis baixos de materialismo com escores iguais ou inferiores a 27 (28% da amostra). No segundo quartil, estão os participantes com níveis médios de materialismo com escores entre 28 e 31 (52% da amostra). Por fim, o quartil superior reúne os participantes que apresentam níveis altos em materialismo com escores iguais ou superiores a 32 (20% da amostra). As correlações mais significativas (p < 0,05) entre os níveis de materialismo e os níveis de satisfação de vida foram encontradas em relação aos participantes do quartil superior da escala EVM, altos em materialismo. Nesse grupo, os resultados apontam para correlações inversamente proporcionais mais robustas (considerados valores acima de r = 0,40) entre Felicidade (pela aquisição de bens materiais) e a satisfação com a família e com a escola. A Tabela 1 mostra estas correlações.

Tabela 1 Correlação entre as Dimensões das Escalas EVM e EVMSA por Níveis de Materialismo 

Níveis de Materialismo Dimensões EVM Dimensões EMSVA
Família Self Escola Self Comparado Não Violência Autoeficácia Amizade
Baixo Sucesso -0,094 -0,076 -0,201 -0,078 -0,199 -0,104 -0,083
Centralidade 0,024 0,057 0,129 -0,235 0,384* -0,138 0,044
Felicidade -0,383* -0,147 -0,018 -0,038 -0,189 -0,145 -0,320
Médio Sucesso -0,077 -0,090 0,008 -0,084 -0,160 -0,150 -0,184
Centralidade 0,380* 0,153 0,089 0,177 0,143 0,317 0,367
Felicidade -0,262 0,019 -0,198 -0,036 0,092 -0,241 -0,151
Alto Sucesso -0,171 0,027 -0,107 -0,061 -0,013 0,077 -0,107
Centralidade -0,400* 0,038 0,039 0,088 -0,270 0,264 0,100
Felicidade -0,550** -0,258 -0,436** -0,282 -0,382* -0,420* -0,262

Nota. **p > 0,001 *p > 0,05 n = 128.

Além disso, buscou-se investigar a influência das variáveis sociodemográficas sexo, idade dos participantes e tipo de escola nos resultados encontrados. Tais variáveis foram incluídas no cálculo de correlação e o resultado não indicou correlação significativa com as dimensões da EVM e EMSVA.

Considerando as correlações encontradas, foram realizadas análises de regressão simples tendo como variáveis dependentes as dimensões Família e Escola da EMSVA e como variável preditora a dimensão Felicidade da EVM. Utilizou-se o método Enter. O ajuste do modelo foi verificado por meio do teste de Hosmer-Lemeshow. A Tabela 2 mostra os resultados dos modelos de regressão que tiveram maior percentual de variância explicada e tiveram significância estatística associada significativas (p < 0,05). Felicidade é responsável por 30% da variância de satisfação com a família e por 19% da satisfação com a escola.

Tabela 2 Regressão Linear entre as Dimensões Família e Escola (EMSVA) e a Dimensão Felicidade (EVM) 

Felicidade
Variáveis Dependentes β R R² Ajustado
Família -1,658 0,550 0,302** 0,280
Escola -0,709 0,436 0,190* 0,165

Nota. **p > 0,001 *p > 0,05 n = 34.

Discussão

Neste estudo, buscou-se conhecer a relação entre os níveis de materialismo e os níveis de satisfação de vida em adolescentes de escolas públicas e privadas da cidade de Porto Alegre. A literatura indica a existência de uma correlação inversamente proporcional entre materialismo e satisfação de vida nesse período do desenvolvimento (Chaplin & John, 2007; Goldberg et al., 2003; Kasser, 2002). Os dados obtidos contribuem para compreender qual a relação entre a valorização excessiva das posses materiais e a satisfação de vida na adolescência.

No presente estudo, não se encontrou valores significativos das variáveis sociodemográficas sobre a correlação entre as escalas EVM e EMSVA. De acordo com a literatura, não existe consenso sobre a influência das variáveis sexo, idade do participante e tipo de escola os níveis de materialismo (Ku, 2015; Momo & Costa, 2010).

Os indivíduos com altos níveis de materialismo apresentaram uma correlação inversamente proporcional entre Felicidade e Família, ou seja, no presente estudo os adolescentes que buscam nas compras um estado de felicidade tendem a sentir-se menos satisfeitos com suas relações familiares. A literatura indica que adolescentes satisfeitos com sua vida reportam relações familiares estruturadas, com foco na boa comunicação entre seus membros (Levin, Dallago, & Currie, 2012; Oberle, Schoonert-Reichl, & Zumbo, 2011). Um bom e positivo funcionamento familiar resulta em melhores índices de satisfação de vida em todos os membros do núcleo familiar e essa relação tende a manter-se estável em outras dimensões da vida do adolescente e perdurar até durante a vida adulta (Gentina et al., 2016). Embora muitas pesquisas enfatizem o papel da autoestima e da relação do grupo de pares como significativos para uma melhor satisfação com a vida, é no relacionamento familiar que está a base para a percepção de bem-estar de adolescentes (Chaplin & John, 2010; Crede, Wirthwein, McElvany, & Steinmayr, 2015). Dessa forma, evidencia-se o papel relevante da satisfação com a família para os adolescentes, uma vez que esta funciona como primeira rede de apoio social (Segabinazi et al., 2012).

De acordo com Chaplin e John (2010), os pais e o grupo de pares são importantes fontes de suporte emocional e psicológico e auxiliam no aumento da autoestima em adolescentes. Em um ambiente familiar desfavorável a autoestima dos filhos por vezes sofre prejuízos. A falta de incentivo, segurança e compreensão dos pais podem gerar sentimentos de inadequação nos filhos, os quais tendem a encontrar nas posses materiais a recompensa por sentimentos ruins e uma forma de aumentar sua estima e atingir o status almejado em outros grupos sociais (Blásquez & Bonás, 2013; Crede et al., 2015). Além disso, estudos destacam que os níveis de materialismo dos pais influenciam diretamente os níveis de materialismo dos filhos, ou seja, se a criança cresce em um ambiente no qual os adultos utilizam aquisições e posses como sinônimos de satisfação de vida, elas têm uma maior chance de repetir esse modelo (Blásquez & Bonás, 2013; Chia, 2010).

Além do ambiente familiar, o contexto escolar contribui para a formação e desenvolvimento de crianças e adolescentes, sendo a escola, geralmente, um dos primeiros ambientes socializadores do qual o indivíduo participa. A relação que o adolescente estabelece com a escola pode auxiliar ou prejudicar a realização de um projeto de vida pessoal (Bindah & Othman, 2012; Fu et al., 2015).

Nesse sentido, o presente estudo indica uma correlação negativa entre altos níveis de materialismo e a satisfação com a escola. Esse resultado aponta na mesma direção daqueles estudos (Goldberg et al., 2003; Ku et al., 2012) que constataram uma associação entre um exacerbado apreço pelos valores materiais e prejuízos na vida escolar. Esses prejuízos, por sua vez, parecem estar relacionados a expectativas seja em relação à aprendizagem (Ku et al., 2014) seja à educação de forma geral. Segundo Henderson-King e Mitchell (2011), os adolescentes mais materialistas veem na sua educação uma oportunidade de ganhar independência, uma chance de estabelecer bons relacionamentos e também uma fonte de estresse. Em contrapartida, os alunos menos materialistas tendem a ver a sua educação como um momento preparatório para suas carreiras, oportunidade de obter independência, explorar direções futuras, obter crescimento pessoal e aprender habilidades que possam fazer a diferença para o mundo.

Por fim, destaca-se que as avaliações com adolescentes de satisfação de vida e de valores materiais estão associadas a questões culturais conforme cada país, o que deve ser considerado ao verificar os resultados aqui descritos e compará-los aos realizados em outras realidades.

Considerações Finais

Este estudo buscou conhecer a relação entre os níveis de materialismo e de satisfação de vida em adolescentes e os resultados indicaram correlações inversas entre materialismo e satisfação com a família e com a escola. Considerando os resultados aqui relatados e as contribuições dos estudos da área, aponta-se as implicações da associação inversa entre valorização extrema de bens materiais e satisfação de vida. Tais dados denotam que o materialismo não está associado a uma melhor avaliação da própria vida pelo adolescente. Sabe-se que a satisfação com a vida varia de acordo com cada etapa do ciclo vital. Nesse sentido, esses achados ajudam a complementar a definição da satisfação de vida específica para adolescentes. Assim como podem servir como subsídios para o planejamento de intervenções que visem à promoção de aspectos positivos entre os jovens, tais como a satisfação de vida. Alguns estudos (e.g., Bausert, Froh, Bono, Rose-Kornick, & Rose, 2018; Tsang, Carpenter, Roberts, Frisch, & Carlisle, 2014) indicam que fomentar o desenvolvimento da gratidão produz uma redução do materialismo extremo e colaboram com melhor satisfação de vida. Esses resultados podem contribuir também para o investimento no desenvolvimento de valores que não se limitem aos materiais, auxiliando adolescentes a pensar sobre seu futuro.

Com relação às limitações deste estudo, aponta-se a falta de pareamento da amostra por sexo, grupo etário e tipo de escola. Apesar de não ter sido possível obter amostras pareadas, somente a amostra por sexo apresentou um baixo poder. Nesse sentido, controlar melhor a distribuição dos participantes pode resultar em dados mais robustos.

Em relação aos instrumentos utilizados, durante a aplicação das escalas, alguns participantes expressaram suas dúvidas em relação ao conteúdo de algumas afirmações. Essas dúvidas podem ter resultado em dificuldades na resposta de alguns itens e, por consequência, influenciado os resultados finais.

Uma sugestão para estudos futuros é que se utilize, além das escalas, algum tipo de entrevista na qual o participante possa discorrer mais profundamente sobre os tópicos abordados. Dessa forma, estudos com delineamento qualitativo integrado aos dados obtidos por meio das escalas poderiam complementar os resultados e trazer uma análise mais contextual dos fenômenos da satisfação de vida e do materialismo entre os adolescentes, contribuindo para o avanço da compreensão de tais construtos.

Referências

Bausert, S., Froh, J. J., Bono, G. Rose-Kornick, R., & Rose, Z. (2018). Gratitude in adolescence: Determinants and effects on development, prosocial behavior, and well-being. Em J. R. H. Tudge, & L. B. L. Freita, L (Eds.), Developing gratitude in children and adolescents (pp. 135-153). Cambridge: Cambridge University Press. [ Links ]

Bindah, E. V., & Othman, M. N. (2012). Age and gender differences associated with family communication and materialism among young urban adult consumers in Malaysia: A one-way analysis of variance (ANOVA). International Journal of Academic Research in Business and Social Sciences, 2(11), 228-246. Recuperado de http://www.hrmars.com/admin/pics/1303.pdfLinks ]

Blásquez, J. F. D., & Bonás, M. C. (2013). Influences in children’s materialism: A conceptual framework. Young Consumers, 14(4), 297-311. Recuperado de http://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.1108/YC-03-2013-00346Links ]

Bloss, P. (1996). Transição Adolescente: Questões desenvolvimentais. Porto Alegre: Artes Médicas. [ Links ]

Casas, F., Alfaro, J., Sarriera, J. C, Bedin, L., Grigoras, B., Bălţătescu, S., & Sirlopú, D. (2015). El bienestar subjetivo en la infancia: Estudio de la comparabilidad de 3 escalas psicométricas en 4 países de habla latina. Psicoperspectivas, 14(1), 6-18. Recuperado de http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-69242015000100002Links ]

Casas, F., Sarriera, J. C., Alfaro, J., González, M., Bedin, L., Abs, D., & Valdenegro, B. (2015). Reconsidering life domains that contribute to subjective well-being among adolescents with data from three countries. Journal of Happiness Studies, 16(2), 491-513. Recuperado de http://link.springer.com/article/10.1007/s10902-014-9520-9Links ]

Chaplin, L. N., & John, D. R. (2007). Growing up in a material world: Age differences in materialism in children and adolescents. Journal of Consumer Research, 34, 480-493. doi: 10.1086/518546 [ Links ]

Chen, Y., Yao, M., & Yan, M. (2014). Materialism and well-being among chinese college students: The mediating role of basic psychological need satisfaction. Journal of Health Psychology, 19, 1232-1240. doi: 10.1177/1359105313488973 [ Links ]

Chia, S. C. (2010). How social influence mediates media effects on adolescents’ materialism. Communication Research, 37, 400-419. doi: 10.1177/0093650210362463 [ Links ]

Crede, J., Wirthwein, L., McElvany, N., & Steinmayr, R. (2015). Adolescents’ academic achievement and life satisfaction: The role of parents’ education. Frontiers in Psychology, 6(52), 1-8. [ Links ]

Csikszentimihalyi, M., & Rochberg-Halton, E. (1978). Reflections on materialism. The University of Chicago Magazine, 70(3), 6-15. [ Links ]

Diener, E. (2006). Guidelines for national indicators of subjective well-being and ill-being. Applied Research in Quality of Life, 1, 151-157. doi: 10.1007/s11482-006-9007-x [ Links ]

Dittmar, H., Bond, R., Hurst, M., & Kasser, T. (2014). The relationship between materialism and personal well-being: A meta-analysis. Journal of Personality and Social Psychology, 107, 879-924. doi: 10.1037/a0037409 [ Links ]

Eren, S. S., Eroglu, F., & Hacioglu, G. (2012). Compulsive buying tendencies through materialistic and hedonic values among college students in Turkey. Procedia - Social and Behavioral Sciences, 58, 1370-1377. doi: 10.1016/j.sbspro.2012.09.1121 [ Links ]

Erikson, E. H. (1972). Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar. [ Links ]

Fu, X., Kou, Y., & Yang, Y. (2015). Materialistic values among chinese adolescents: Effects of parental rejection and self-esteem. Child & Youth Care Forum, 44, 43-57. doi: 10.1007/s10566-014-9269-7 [ Links ]

Garcia, P. A. O. (2009). Escala brasileira de valores materiais. (dissertação de mestrado não publicada). Universidade de Brasília, Brasília. [ Links ]

Gentina, E., Shrum, L. J., Lowrey, T. M., Vitell, S. J., & Rose, G. M. (2016). An integrative model of the influence of parental and peer support on consumer ethical beliefs: The mediating role of self-esteem, power, and materialism. Journal of Business Ethics, 11, 1-14. doi: 10.1007/s10551-016-3137-3 [ Links ]

Goldberg, M. E., Gorn, G. J., Peracchio, L. A., & Bamossy, G. (2003). Understanding materialism among youth. Journal of Consumer Psychology, 13, 278-88. doi: 10.1207/S15327663JCP1303_09 [ Links ]

Henderson-King, D., & Mitchell, A. A. (2011). Do materialism, intrinsic aspirations, and meaning in life predict student’s meaning of education? Social Psychology of Education, 11, 119-134. doi: 10.1007/s11218-010-9133-z [ Links ]

Jiang, J., Zhang, Y., Ke, Y., Hawk, S. T., & Qiu, H. (2015). Can’t buy me friendship? Peer rejection and adolescent materialism: Implicit self-esteem as a mediator. Journal of Experimental Social Psychology, 58, 48-55. doi: 10.1016/j.jesp.2015.01.001 [ Links ]

Kasser, T. (2002). The high price of materialism. Cambridge: The MIT Press. [ Links ]

King, R. B. (2018). Materialism is detrimental to academic engagement: Evidence from self-report surveys and linguistic analysis. Current Psychology, 37, 1-8. doi:10.1007/s12144-018-9843-5 [ Links ]

King, R. B., & Datu, J. A. D. (2017). Materialism does not pay: Materialistic students have lower motivation, engagement, and achievement. Contemporary Educational Psychology 49, 289-301. doi:101016/j.cedpsych.2017.03.003 [ Links ]

Ku, L. (2015). Development of materialism in adolescence: The longitudinal role of life satisfaction among chinese youths. Social Indicators Research, 124, 231-247. doi: 10.1007/s11205-014-0787-3 [ Links ]

Ku, L., Dittmar, H., & Banerjee, R. (2014). To have or to learn? The effects of materialism on British and Chinese children’s learning. Journal of Personality and Social Psychology, 106, 803-821. doi: 10.1037/a0036038. [ Links ]

Ladeira, W. J., Santini, F. O., & Araujo, C. F. (2016). Materialistic behavior in adolescents and children: A meta-analysis of the antecedents and consequences. Revista de Administração Contemporânea, 20, 610-629. doi: 10.1590/1982-7849rac2016150151 [ Links ]

Levin, K. A., Dallago, L., & Currie, C. (2012). The association between adolescent life satisfaction, family structure, family affluence and gender differences in parent-child communication. Social Indicators Research, 106, 287-305. doi: 10.1007/s11205-011-9804-y [ Links ]

Lins, S. L. B., & Poeschl, G. (2015). O papel do materialismo como mediador entre o prazer nas compras e a compra por impulso. Psico, 46, 57-67. doi: 10.15448/1980-8623.2015.1.16864 [ Links ]

Manolis, C., & Roberts, J. A. (2012). Subjective well-being among adolescent consumers: The effects of materialism, compulsive buying, and time affluence. Applied Research in Quality of Life, 7, 117-135. doi: 10.1007/s11482-011-9155-5 [ Links ]

Medeiros, F. G., Diniz, I. S. F. N., Costa, F. J., & Pereira, R. C. F. (2015). Influence of stress, materialism and self-esteem in adolescent compulsive buying. Revista de Administração Contemporânea, 19, 137-157. doi: 10.1590/1982-7849rac20151553 [ Links ]

Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. (2012, 12 de dezembro). Resolução n. 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova as diretrizes e normas para pesquisa envolvendo seres humanos [Guidelines and standards for research involving human subjects]. Diário Oficial da União, seção 1. Recuperado de http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdfLinks ]

Momo, M., & Costa, M. V. (2010). Crianças escolares do século XXI: Para se pensar um a infância pós-moderna. Cadernos de Pesquisa, 40, 965-991. doi: 10.1590/S0100-15742010000300015 [ Links ]

Prestes, A. C., Castro, F. M. P, Tudge, J. R. H., & Freitas, L. B. L (2014). Desenvolvimento de valores em crianças e adolescentes. Leopoldianum, 40(110), 25-36. [ Links ]

Oberle, E., Schonert-Reichl, K. A., & Zumbo, B. D. (2011). Life satisfaction in early adolescence: Personal, neighborhood, school, family, and peer influences. Journal of Youth and Adolescence, 40, 889-901. doi: 10.1007/s10964-010-9599-1 [ Links ]

Richins, M. L. (2004). The material values scale: Measurement properties and development of a short form. Journal of Consumer Research, 31, 209-219. doi: 10.1086/383436 [ Links ]

Santos, C. P., & Fernandes, D. V. D. H. (2010). A socialização de consumo e a formação do materialismo entre os adolescentes. Revista de Administração Mackenzie, 12, 169-203. doi: 10.1590/S1678-69712011000100007 [ Links ]

Segabinazi, J. D., Giacomoni, C. H., Dias, A. C. G., Teixeira, M. A. P., & Moraes, D. A. O. (2010). Desenvolvimento e validação preliminar de uma escala multidimensional de satisfação de vida para adolescentes. Psicologia: Teoria e Pesquisa 26, 653-659. doi: 10.1590/S0102-37722010000400009 [ Links ]

Segabinazi, J. D., Zortea, M., Zanon, C., Bandeira. D. R., Giacomoni, C. H., & Hutz, C. S. (2012). Escala de afetos positivos e negativos para adolescentes: Adaptação, normatização e evidências de validade. Avaliação Psicológica, 11(1), 1-12. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712012000100002Links ]

Shaughnessy, J. J., Zechmeister, E. B., & Zechmeister, J. S. (2012). Metodologia de pesquisa em psicologia. Porto Alegre: AMGH Editora Ltda. [ Links ]

Tsang, J., Carpenter, T. P., Roberts, J. A., Frisch, M. B., & Carlisle, R. D. (2014). Why are materialists less happy? The role of gratitude and need satisfaction in the relationship between materialism and life satisfaction. Personality and Individual Differences, 64, 62-66. doi: 10.1016/j.paid.2014.02.009 [ Links ]

Twenge, J. M., & Kasser, T. (2013). Generational changes in materialism and work centrality, 1976-2007: Associations with temporal changes in societal insecurity and materialistic role modeling. Personality and Social Psychology Bulletin, 39, 883-897. doi: 10.1177/0146167213484586 [ Links ]

Yang, Z., Fu, X., Yu, X., & Lv, Y. (2018). Longitudinal relations between adolescents’ materialism and prosocial behavior toward family, friends, and strangers. Journal of Adolescence, 62, 162-170. doi: 10.1016/j.adolescence.2017.11.013 [ Links ]

Recebido: 03 de Janeiro de 2018; Revisado: 22 de Março de 2018; Aceito: 03 de Maio de 2018

Contato com as autoras: Ramiro Barcelos, 2600, sala 118 Porto Alegre-RS, Brasil CEP: 90035-002

Sobre as autoras: Fernanda Palhares é psicóloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui especialização em Avaliação Psicológica (UFRGS) e atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (UFRGS), no qual participa do LAPEGE - Laboratório de Psicologia e Epistemologia Genética. E-mail: ferzinha.palhares@gmail.com

Lia Beatriz de Lucca Freitas é doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, realizou pós-doutorado e estágio sênior na University of North Carolina at Greensboro, nos EUA, é professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordenadora do LAPEGE - Laboratório de Psicologia e Epistemologia Genética do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRGS, membro do Developing Gratitude Research Group e bolsista de produtividade do CNPq. E-mail: lblf@ufrgs.br

Doralúcia Gil da Silva é psicóloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui especialização em Psicologia Clínica e mestrado em Psicologia (UFRGS). Atualmente é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia (UFRGS) e atua como psicóloga hospitalar no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) na linha materno infantil. E-mail: doralu.gil@gmail.com

Claudia Hofheinz Giacomoni é psicóloga, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professora do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Coordena o NEPP - Núcleo de Estudos em Psicologia Positiva. E-mail: giacomonich@gmail.com

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons