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Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.27 no.1 Rio de Janeiro jan./mar. 2019  Epub 21-Fev-2019

https://doi.org/10.1590/1414-462x201900010089 

Artigo Original

Associação entre a qualidade de vida relacionada à saúde bucal e a capacidade para o trabalho de técnicos administrativos em educação: um estudo transversal

Association between oral health-related quality of life and work ability of technical-administrative in education: a cross-sectional study

Pamella Valente Palma1 
http://orcid.org/0000-0003-0070-2769

Isabel Cristina Gonçalves Leite2 
http://orcid.org/0000-0003-1258-7331

Rosangela Maria Greco3 

1 Programa de Pós-graduação em Saúde, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora - Juiz de Fora (MG), Brasil.

2 Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora - Juiz de Fora, (MG), Brasil.

3 Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Juiz de Fora - Juiz de Fora, (MG), Brasil.


Resumo

Introdução

Trabalhadores ativos constituem uma parcela importante da população que demanda os serviços de saúde. O estudo da relação entre saúde bucal e trabalho visa à melhoria da qualidade de vida e do desempenho profissional.

Objetivo

associar a capacidade para o trabalho com a qualidade de vida relacionada à saúde bucal de técnicos administrativos em educação de uma instituição de ensino superior de Minas Gerais.

Método

estudo transversal com 833 funcionários, com os quais foram coletados dados de identificação, socioeconômicos, demográficos, autopercepção e morbidade em saúde bucal. O impacto da saúde bucal na qualidade de vida foi avaliado pelo Oral Health Impact Profile (OHIP-14), e a capacidade de trabalho, pelo Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT). Os dados foram analisados pelos testes Mann-Whitney e coeficiente de correlação de Spearman.

Resultados

83% dos entrevistados possuíam ótima ou boa capacidade para o trabalho. Houve correlação positiva e significativa da autopercepção da saúde bucal com a autopercepção da saúde geral (p < 0,001) e negativa com o ICT (p = 0,026). Na análise de regressão, ICT total permaneceu significativo para o domínio dor física do OHIP-14.

Conclusão

capacidade para o trabalho foi associada ao domínio dor física. Condições sociodemográficas e de autopercepção também impactaram na qualidade de vida associada à saúde bucal.

Palavras-chave:  saúde bucal; qualidade de vida; saúde do trabalhador; avaliação da capacidade de trabalho; odontologia do trabalho

Abstract

Background

Active workers constitute an important part of the population that demand health services. The study of the relationship between oral health and work aims to improve quality of life and professional performance.

Objective

to associate the work ability and oral health-related quality of life of technical-administrative personnel in education of a higher education institution in Minas Gerais.

Method

cross-sectional study with 833 employees. Collected identification data, socioeconomic and demographic, self-perception and morbidity in oral health. The impact of oral health on quality of life was assessed by the Oral Health Impact Profile (OHIP-14) and the ability to work by the Work Capability Index (WAI). Data analyzed by the Mann-Whitney test and Spearman's correlation coefficient.

Results

83% of respondents had great or good ability to work. Positive and significant correlation of self-perception of oral health with self-perception of general health (p <0.001), and negative correlation with CTI (p = 0.026). In the regression analysis, total WAI remained significant for the physical pain domain of OHIP-14.

Conclusion

ability to work was associated with the physical pain domain. Sociodemographic and self-perception conditions also impacted the quality of life associated with oral health.

Keywords:  oral health; quality of life; occupational health; work capacity evaluation; occupational dentistry

INTRODUÇÃO

O estudo da relação entre saúde bucal e trabalho trata de promover, preservar e recuperar a saúde bucal de populações inseridas nos mais diversos tipos de trabalho, o que contribui para a melhora de sua qualidade de vida e de trabalho 1 . É necessária a análise da população adulta economicamente ativa, exposta não só aos principais fatores etiológicos comuns das doenças bucais, mas também aos riscos do próprio ambiente de trabalho 2 .

A perda da capacidade do trabalho está diretamente relacionada aos determinantes do processo saúde-doença, implicando o perfil dos trabalhadores, o quadro epidemiológico e as práticas de saúde voltadas para essa parcela da população 2 . Sendo assim, a capacidade de trabalho pode estar associada com alguns fatores, como a idade, o sexo, o nível socioeconômico, o grau de escolaridade e o estilo de vida (fumo, ingestão de bebidas alcoólicas e prática de atividade física) 3 .

A Organização Mundial de Saúde, em 1995, definiu a qualidade de vida como sendo

[...] a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações 4 .

Os indicadores subjetivos têm sido cada vez mais utilizados nas pesquisas, valorizando as dimensões sociais da saúde, em vez de enfatizar somente os indicadores clínicos. Essa abordagem, extensiva à área da saúde bucal, permite planejar políticas públicas e melhorar o acesso aos serviços 5 .

Entretanto, os estudos na literatura sobre a qualidade de vida relacionada à saúde, realizados na população geral de adultos que não apresentam nenhuma patologia específica, são insuficientes. A maioria da população é formada por adultos que necessitam de serviços de saúde; são trabalhadores ativos que possuem peculiaridades epidemiológicas. Dessa forma, sua condição de saúde e de bem-estar, além de alterações no padrão de comportamento e estilo de vida, pode proporcionar um impacto econômico e social 6 .

Desse modo, este estudo tem por objetivo associar a capacidade para o trabalho com a qualidade de vida relacionada à saúde bucal de técnicos administrativos em educação de uma instituição de ensino superior de Minas Gerais.

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal, realizado por censo com abordagem da categoria dos técnicos administrativos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), uma universidade pública sediada em Juiz de Fora (MG), com um campus avançado em Governador Valadares (MG). A instituição posiciona-se como um polo científico e cultural de uma região de mais de 3 milhões de habitantes. O público-alvo deste estudo são os servidores ocupantes do cargo de técnicos em administração, em um total de 1.291 funcionários, quando da pesquisa. Desse total, o assistente em administração totaliza 424 servidores (32,8%). A atuação deles acontece em unidades acadêmicas e administrativas e representa a diversidade dos ambientes de trabalho dessa instituição.

O cargo de técnico em administração é uma função na qual a exigência de escolaridade é diversa, havendo servidores no nível A (ensino fundamental incompleto, cargos em extinção) até nível E (nível superior completo). As atividades desse cargo concentram-se em dar suporte administrativo e técnico nas diferentes áreas da universidade e, inclusive, assessorar as atividades de ensino, pesquisa e extensão 7 .

Foram incluídos aqueles funcionários técnico administrativos efetivos da universidade, em exercício ativo da função. Foram excluídos os que estavam em situação de afastamento do trabalho por qualquer motivo de licença ou que tivessem sido cedidos a outra instituição ou transferidos de outro órgão público.

Para a coleta de dados, todos os pesquisadores foram treinados previamente. O instrumento de coleta foi o mesmo utilizado em um estudo prévio 8 relativo ao “I Inquérito sobre condições de trabalho e de vida dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora”. No presente estudo, foram utilizados os dados sobre autopercepção de saúde geral, morbidade em saúde bucal e de autopercepção em saúde bucal, qualidade de vida em saúde bucal, Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT), dados de identificação e socioeconômicos.

Todos os sujeitos na amostra responderam ao Oral Health Impact Profile (OHIP-14), desenvolvido por Slade e Spencer, em 1994, em versão validada e adaptada para o português do Brasil 9 . O questionário proposto mede a limitação, o desconforto e a incapacidade atribuída à condição bucal.

O questionário (OHIP), traduzido para o português como “Perfil do Impacto da Saúde Oral”, integra duas perguntas para cada uma das sete dimensões: limitação funcional, dor física, desconforto psicológico, incapacidade física, incapacidade psicológica, incapacidade social e desvantagem social.

O escore final do OHIP-14 total pode alcançar 70 pontos (cada domínio apresenta duas questões, cada qual com pontuação máxima de 5 pontos, portanto 10 por domínio, de um total de 7 domínios). Para a análise descritiva do OHIP, para cada dimensão, este teve suas respostas dicotomizadas: com impacto para as respostas “frequentemente” e “sempre” e sem impacto para as respostas “às vezes”, “raramente” e “nunca”.

As questões estão organizadas de modo que os participantes indiquem, segundo uma escala tipo de Likert contendo cinco categorias de resposta, com que frequência experienciaram cada um dos problemas, dentro de um período de referência de 12 meses. As categorias de resposta e respectivas cotações são: quase sempre = 5; algumas vezes = 4; poucas vezes = 3; raramente = 2; nunca = 1.

O ICT é um instrumento traduzido, adaptado e validado para o Brasil, em forma de questionário, com questões objetivas para serem respondidas pelo próprio trabalhador 10 . Para responder às questões, é importante que este possua escolaridade mínima da quarta série do ensino fundamental, recomendação dada por viabilizar a melhor compreensão das questões. O instrumento é formado por sete itens, cada um com uma ou mais questões. O índice de cada indivíduo varia de um escore de 7 a 49 pontos e é determinado com base nas respostas dadas às várias questões sobre as exigências físicas e mentais do trabalho, o estado de saúde e os recursos do trabalhador 11 .

No presente estudo, o ICT foi dicotomizado 8 em: reduzida capacidade para o trabalho (7 a 36 pontos) e boa capacidade para o trabalho (37 a 49 pontos).

Os dados foram digitados no programa SPSS 19.0 e depois foram submetidos a testes estatísticos: no caso de variáveis contínuas, o padrão de normalidade foi avaliado pelo teste Kolmogorov-Smirnov e indicou que a distribuição dos dados não seguia padrão de normalidade, por isso foi utilizado um teste não paramétrico (Mann-Whitney para variáveis dicotômicas). Para analisar a correlação entre OHIP-14 e ICT, o coeficiente de correlação de Spearman foi usado. Foi realizada regressão linear múltipla reunindo aquelas variáveis que foram significativas (p < 0,05) na análise bivariada, tendo o OHIP-total como variável dependente, e o ICT, como variável independente, controlado por características socioeconômicas e demográficas, autopercepção de saúde bucal e necessidade de tratamento. A multicolinearidade entre as variáveis foi avaliada pelo Variance Inflation Factor (VIF). O nível de significância estatística admitido foi de 5%.

Todos os pacientes elegíveis foram convidados a participar e, ao concordarem, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A presente pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da UFJF (Parecer nº 224/2010) e aprovada por ele.

RESULTADOS

Os dados foram coletados de junho de 2013 a agosto de 2014. A população-alvo do estudo era composta por 1.291 funcionários, dos quais 102 se enquadraram nos critérios de exclusão. Então, foram abordados 1.189 indivíduos, mas 95 se recusaram a participar e 261 não retornaram com o instrumento, totalizando, assim, uma população de estudo de 833 funcionários. A análise dos dados mostrou boa confiabilidade interna do OHIP (alfa de Cronbach = 0,92).

A amostra de técnicos administrativos foi constituída predominantemente por homens (51,5%), brancos (67%), casados ou em união estável (62,7%), com média de idade de 45,1 anos (desvio-padrão = 11). Quanto à escolaridade, a maioria possuía pós-graduação concluída (54,4%). Em relação à renda familiar, 45,8% tinham renda familiar entre R$ 3.940,00 e R$ 7.880,00.

No que se refere à autopercepção sobre seu estado de saúde geral e bucal, 51,8% e 50% dos entrevistados, respectivamente, classificaram como boa. Além disso, 52,6% afirmaram necessitar de tratamento atualmente. Sobre a presença de odontalgia nos últimos seis meses, 84,3% afirmaram que não apresentaram episódios. A maioria dos técnicos administrativos relatou visita ao cirurgião-dentista a menos de um ano (64,6%), para check-up (49,7%) e ter utilizado o serviço particular (73,7%). Com relação à situação da dentição autorreferida, 90,4% afirmaram ser dentados superior e inferior.

Quanto à classificação do ICT, 40% dos entrevistados apresentaram ótima capacidade para o trabalho.

Foi verificada correlação positiva e significativa da autopercepção da saúde bucal com a autopercepção da saúde geral (p < 0,001) e negativa da autopercepção da saúde bucal com o ICT (p = 0,026).

Em relação à frequência de impacto de cada domínio do OHIP-14 ( Tabela 1 ), os domínios dor física (6,5%) e desconforto psicológico (6,3%) apresentaram o maior impacto.

Tabela 1 Distribuição dos técnicos administrativos em educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, de acordo com a frequência do impacto, por domínios do OHIP-14, Juiz de Fora, 2018  

Dimensão de saúde bucal Com impacto n (%) Sem impacto n (%)
Limitação funcional 20 (2,4) 803 (97,6)
Dor física 54 (6,5) 771 (93,5)
Desconforto psicológico 52 (6,3) 773 (93,7)
Incapacidade física 23 (2,8) 801 (97,2)
Incapacidade psicológica 30 (3,6) 795 (96,4)
Incapacidade social 8 (1,0) 816 (99,0)
Desvantagem social 9 (1,1) 814 (98,9)

Nota: OHIP = Oral Health Impact Profile

O presente estudo não encontrou associação do OHIP-14 total com sexo (p = 0,435) ou com estado civil (p = 0,270). As variáveis idade, cor da pele autodeclarada e escolaridade foram estatisticamente significativas tanto para o OHIP-14 total (p < 0,001) como para todos os domínios (p < 0,05) ( Tabela 2 ).

Tabela 2 Média, desvio-padrão e p-valor (Mann-Whitney) das variáveis sociodemográficas, por domínios e para OHIP-14 total dos técnicos administrativos em educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2018  

Variável* Médias por domínio do OHIP (dp) Total
1 2 3 4 5 6 7
Sexo
Masculino 9,48 8,78 8,93 9,35 9,24 9,63 9,62 65,03
(1,39) (1,61) (1,68) (1,44) (1,42) (1,21) (1,15) (8,30)
Feminino 9,46 8,66 8,69 9,28 9,12 9,63 9,62 64,46
(1,60) (1,88) (1,93) (1,60) (1,62) (1,39) (1,42) (10,0)
p-valor 0,623 0,931 0,090 1,00 0,408 0,252 0,031 0,435
Idade
≤ 45 anos 9,78 8,93 9,12 9,57 9,43 9,81 9,79 66,43
(0,78) (1,44) (1,40) (1,09) (1,08) (0,79) (0,94) (5,91)
> 45 anos 9,22 8,55 8,57 9,10 8,98 9,48 9,48 63,39
(1,85) (1,94) (2,05) (1,77) (1,78) (1,59) (1,50) (10,95)
p-valor <0,001 0,009 <0,001 <0,001 0,001 0,002 <0,001 <0,001
Estado civil
Solteiro/viúvo/divorciado 9,37 8,49 8,65 9,19 9,09 9,57 9,57 63,93
(1,85) (2,04) (2,03) (1,80) (1,70) (1,57) (1,54) (10,96)
Casado ou união estável 9,49 8,83 8,89 9,37 9,23 9,65 9,61 65,09
(1,31) (1,55) (1,67) (1,35) (1,39) (1,13) (1,17) (8,01)
p-valor 0,817 0,032 0,267 0,505 0,349 0,561 0,532 0,270
Cor da pele autodeclarada
Branca 9,64 8,91 9,00 9,48 9,33 9,77 9,76 65,89
(1,09) (1,49) (1,54) (1,16) (1,21) (0,88) (0,80) (6,72)
Não branca 9,13 8,33 8,42 8,98 8,88 9,34 9,32 62,41
(2,06) (2,13) (2,21) (2,03) (1,99) (1,86) (1,91) (12,49)
p-valor <0,001 0,001 <0,001 0,001 0,011 <0,001 0,003 <0,001
Escolaridade*
Até médio completo 8,88 8,29 8,42 8,92 8,85 9,22 9,18 61,75
(2,45) (2,56) (2,27) (2,19) (2,11) (2,12) (2,13) (13,79)
Superior + pós-graduação 9,64 8,84 8,93 9,43 9,28 9,74 9,74 65,61
(1,02) (1,55) (1,64) (1,24) (1,29) (0,91) (0,88) (7,12)
p-valor <0,001 0,004 0,006 0,001 0,053 0,001 <0,001 <0,001

* Excluídos não respondentes (sexo = 7; escolaridade = 9; estado civil = 13; cor de pele = 11; idade = 29)

Nota: OHIP = Oral Health Impact Profile. dp = desvio padrão

As variáveis saúde geral autopercebida, saúde bucal autopercebida e necessidade percebida de tratamento odontológico foram estatisticamente significativas com o OHIP-14 total (p < 0,001 para cada uma dessas variáveis) e com todos os domínios (p < 0,01) ( Tabela 3 ).

Tabela 3 Média e p-valor (Mann-Whitney) das variáveis de autopercepção, por domínios e para OHIP-14 total dos técnicos administrativos em educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2018  

Variável* Médias por domínio do OHIP (dp)
1 2 3 4 5 6 7 Total
Saúde geral autopercebida
Muito boa + boa 9,56 8,84 8,92 9,41 9,26 9,69 9,67 65,36
(1,32) (1,60) (1,67) (1,36) (1,43) (1,16) (1,21) (8,21)
Moderada a ruim 8,99 7,91 8,03 8,63 8,68 9,27 9,23 60,79
(2,03) (2,00) (2,35) (2,18) (1,89) (1,74) (1,73) (12,07)
p-valor 0,008 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,001 0,002 <0,001
Saúde bucal autopercebida
Muito boa + boa 9,72 9,07 9,22 9,57 9,49 9,79 9,77 66,63
(1,00) (1,42) (1,41) (1,19) (1,21) (1,01) (1,09) (7,00)
Moderada a ruim 8,75 7,68 7,52 8,52 8,26 9,18 9,11 59,02
(2,18) (1,98) (2,21) (2,04) (1,91) (1,75) (1,72) (11,47)
p-valor <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001
Necessidade percebida de tratamento odontológico atualmente
Sim 9,28 8,23 8,31 9,01 8,82 9,47 9,39 62,52
(1,66) (1,88) (2,05) (1,81) (1,78) (1,53) (1,60) (10,47)
Não 9,71 9,28 9,36 9,65 9,60 9,83 9,85 67,29
(1,12) (1,21) (1,26) (0,99) (0,97) (0,83) (0,77) (5,86)
p-valor <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001
ICT
Ótimo + bom 9,43 8,87 8,78 9,26 9,12 9,57 9,64 65,18
(1,59) (1,86) (1,90) (1,66) (1,65) (1,47) (1,46) (6,55)
Moderado + baixo 9,48 8,01 8,00 9,41 9,30 9,70 8,74 64,37
(1,46) (1,31) (1,62) (1,15) (1,18) (0,97) (1,05) (10,16)
p-valor 0,566 0,048 0,036 0,631 0,479 0,673 0,040 0,082

* Excluídos não respondentes (autopercepção de saúde geral = 1; autopercepção de saúde bucal = 11; necessidade de tratamento = 12; ICT = 45)

Nota: OHIP = Oral Health Impact Profile. ICT = Índice de Capacidade para o Trabalho. dp = desvio padrão

Sobre o ICT, não foi encontrada associação significativa neste estudo com o OHIP-14 total, mas, nos domínios dor física, desconforto psicológico e desvantagem social, é possível observar essa associação (p < 0,05).

A Tabela 4 apresenta o resultado da análise de regressão. A respeito do domínio dor física, as variáveis que permaneceram significativas após o ajuste foram: cor da pele, estado civil, autopercepção de saúde bucal, necessidade percebida de tratamento odontológico atualmente e ICT total. Essas variáveis justificam 48% da variabilidade desse domínio.

Tabela 4 Modelo de regressão linear múltipla: preditores do OHIP dos técnicos administrativos em educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, 2018  

OHIP-14 Dor física Desconforto psicológico Desvantagem social
r2 ajustado 0,312 0,482 0,496 0,325
Variáveis Β IC 95% p β IC 95% p Β IC 95% p β IC 95% p
Sexo (masculino) -0,17 -0,36; 0,02 0,081
Escolaridade (fundamental incompleto) 0,07 -0,003; 0,052 0,05 -0,02; 0,182 0,04 -0,04; 0,308 0,11 0,06; <0,001
0,78 0,12 0,11 0,17
Idade -0,07 -0,11; 0,048 -0,01 -0,02; 0,179 -0,01 -0,02; 0,288 -0,01 -0,01; 0,046
-0,001 0,01 0,01 -0,00
Cor da pele (branco) -0,10 -3,31; 0,002 -0,28 -0,51; 0,013 -0,32 -0,56; 0,012 -0,29 -0,48; 0,004
-0,78 -0,06 -0,07 -0,09
Estado civil (casado ou em união estável) -0,24 -0,46; 0,034
-0,02
Autopercepção de saúde geral -0,47 -1,28; 0,253 -0,12 -0,28; 0,122 -0,13 -0,30; 0,153 -0,08 -0,22; 0,274
(muito boa) 0,34 0,03 0,05 0,06
Autopercepção de saúde bucal -0,40 -5,21; <0,001 -0,70 -0,86; <0,001 -0,99 -1,14; <0,001 -0,33 -0,45; <0,001
(muito boa) -3,73 -0,55 -0,84 -0,21
Necessidade percebida de tratamento odontológico atualmente 1,36 0,18; 0,024 0,46 0,23; <0,001 0,34 0,09; 0,007 0,15 -0,04; 0,128
(sim) 2,53 0,58
ICT total -0,06 -0,21; 0,081 0,02 0,01; 0,051 0,01 -0,02; 0,057 0,01 -0,03; 0,087
0,01 0,03 0,02 0,04

Nota: OHIP = Oral Health Impact Profile. ICT = Índice de Capacidade para o Trabalho

Para o domínio desconforto psicológico, após o ajuste, as variáveis que se mantiveram significativas foram cor da pele, autopercepção de saúde bucal e necessidade percebida de tratamento odontológico atualmente, que explicam quase 50% da variabilidade desse item.

Escolaridade, idade, cor da pele e autopercepção de saúde bucal continuaram significativas em relação ao domínio desvantagem social. Esse modelo traduz 32% da variabilidade do referido domínio.

DISCUSSÃO

Este estudo associou a qualidade de vida relacionada à saúde bucal com a capacidade para o trabalho de técnicos administrativos em educação de uma instituição superior de ensino em Minas Gerais. O ICT manteve-se associado ao OHIP no domínio dor física, controlado por variáveis sociodemográficas e de autopercepção. Características de cor de pele, escolaridade, idade, autopercepção de saúde bucal e necessidade percebida de tratamento odontológico permaneceram no modelo final para o OHIP-14.

Como limitações do estudo, tem-se uma taxa de resposta de 70% da população proveniente das perdas decorrentes da falta de retorno do questionário por alguns entrevistados. A análise do perfil dos que não devolveram os questionários é semelhante ao dos incluídos no estudo no que se refere a variáveis demográficas e níveis de ocupação. Uma vez que as percepções de saúde e de desvantagem social são influenciadas pelo contexto social, cultural e político em que estão inseridas, é possível que essa amostra de trabalhadores não reflita a população adulta brasileira, já que se trata de uma amostra com alto nível de escolaridade, bom padrão socioeconômico e acesso aos serviços de saúde, diferente do padrão habitual de um trabalhador brasileiro 12 . No entanto, os resultados apontam aspectos importantes no contexto do universo no qual foram obtidos, qual seja, servidores públicos com atividades-meio vinculados à área da educação.

No presente estudo, a prevalência do sexo masculino foi de 51,5%, o que foi semelhante a outros estudos com trabalhadores do setor industriário 13-15 . Os técnicos estudados apresentavam bons hábitos de higiene, e destacou-se o padrão de uso de flúor condizente com o preconizado na atualidade 16 .

Sobre a variável referente à necessidade percebida de tratamento, a maior parte da população relatava necessitar de tratamento odontológico atualmente, embora tenha relatado visita ao cirurgião-dentista a menos de um ano, no serviço particular e por motivo de check-up. Essa característica é corroborada por outro estudo transversal com amostras representativas das populações adultas americana e australiana 17 . O padrão diferenciado de acesso a serviços pode ser justificado pelo alto nível socioeconômico dos entrevistados de ambos os estudos 12 . Na literatura, também se observa a relação entre a desigualdade social e a saúde bucal e conclui-se que indivíduos que vivem em áreas de privação possuem experiências, percepções e comportamentos mais negativos em saúde quando comparados àqueles de áreas mais privilegiadas 18 .

Sobre a diferença do gênero em relação ao impacto da saúde bucal na qualidade de vida, foi observado maior impacto no sexo feminino, o que condiz com os resultados da literatura 19 . Isso pode ser justificado pelo fato de as mulheres terem uma capacidade maior na percepção dos agravos e nas limitações impostas por eles. As diferenças cognitivas, biológicas e psicológicas entre homens e mulheres são relacionadas à construção social e psicológica, intimamente conectadas 20 .

Da mesma maneira como no presente estudo, associação independente da escolaridade com o OHIP foi identificada em trabalhadores administrativos de uma indústria têxtil de São Paulo 21 . Esse estudo identificou que, após ajuste pela capacidade para trabalho e nível de escolaridade, as variáveis sexo e idade perderam sua significância.

A autopercepção de saúde bucal e geral foi alta no presente estudo, caracterizado por uma amostra com média de idade superior a 45 anos, brancos e com pós-graduação. Indivíduos americanos não brancos tiveram pior autopercepção de saúde bucal, maiores sintomas e problemas relacionados aos dentes do que os declarados brancos. Além disso, quanto mais jovem e com menor nível de escolaridade, percebeu-se maior negligência bucal acumulada, e, dessa forma, os sujeitos dariam menor prioridade à saúde bucal 22 . Por outro lado, quanto mais velho é um trabalhador, as exigências do trabalho tendem a ser mais percebidas, podendo afetar diretamente sua saúde e sua produtividade no ambiente de trabalho 23 . Da mesma forma, um estudo canadense apontou que a faixa etária de 45 a 65 anos tem piores indicadores de qualidade de vida relacionada à saúde bucal em comparação com os idosos 24 .

A autopercepção da saúde bucal foi correlacionada positivamente e de forma significativa com a autopercepção de saúde geral, assim como outros estudos 8,12 . Também se correlacionou com o ICT, semelhante a estudos prévios com industriários 13,21 . Essa associação entre melhor condição da capacidade para o trabalho e melhor qualidade da saúde, tanto física quanto mental, evidencia a integralidade da saúde 25 .

O desgaste decorrente das exigências do trabalho desencadeia respostas fisiológicas crônicas e agudas, reações psicológicas e comportamentais, reduzindo a capacidade para o trabalho e desenvolvendo doenças relacionadas ao trabalho. Nesse contexto, sujeitos que exercem atividades laborais com maior exigência mental tendem a ter sua capacidade para o trabalho mais preservada do que aqueles que têm exigências mais físicas 25 .

Em um estudo com indivíduos com dor cervical, foi relatado que trabalhadores que estavam mais expostos a exigências físicas e duradouras provocavam estresse nos sistemas cardiovascular e musculoesquelético, o que estava relacionado a um maior grau de incapacidade ou desvantagem 26 . Essa poderia ser uma explicação para a associação encontrada no presente estudo entre a capacidade para o trabalho e o domínio dor física do OHIP-14, mesmo após ter sido controlada por variáveis sociodemográficas e de autopercepção.

As evidências sugerem que a qualidade de vida relacionada à saúde é multidimensional, incluindo dimensões físicas, sociais, psicológicas, desvantagens ou limitações, sendo o OHIP capaz de mensurá-las 27 . Esse indicador contribui para melhor esclarecer o “impacto social” das doenças bucais e pode ser útil para planejar ações para a saúde bucal dos trabalhadores. Além disso, essa abordagem permite identificar o presenteísmo, em que, apesar de não se afastar de sua atividade laboral, o desempenho, a segurança e o bem-estar do empregado são reduzidos 28 .

O estado de saúde bucal também pode ser afetado pelas consequências das exigências e das circunstâncias do trabalho. Na verdade, tanto as circunstâncias do ambiente de trabalho quanto o estado de saúde bucal podem reduzir a capacidade de trabalho, o que significa que, quanto maior o tempo em que o trabalhador estiver exposto a algumas circunstâncias desfavoráveis, mais sua capacidade de trabalho será afetada 21,29 .

A capacidade para o trabalho foi associada independentemente com a autopercepção de saúde bucal, particularmente no domínio dor física, o que justificaria ações de promoção, proteção e recuperação de saúde bucal dirigida a trabalhadores. Essa evidência reforça a importância das práticas de saúde bucal como componente de programas de saúde ocupacional, a fim de integrar ações de vigilância. Informações educativas sobre a saúde bucal no ambiente de trabalho, assim como exames periódicos, também são de extrema importância não só para monitorar a saúde e o bem-estar, mas para integrar atividades ocupacionais e cuidados de saúde.

Trabalho realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora – Juiz de Fora (MG), Brasil.

Fonte de financiamento: A autora Isabel Cristina Gonçalves Leite é bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (processo 301101/2016-7). Este trabalho foi realizado durante a vigência da bolsa de estudos financiada pela CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação de Brasil – nível Mestrado de Pamella Valente Palma.

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Recebido: 21 de Março de 2018; Aceito: 19 de Novembro de 2018

Endereço para correspondência: Pamella Valente Palma – Departamento de Saúde Coletiva, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Av. Barão do Rio Branco, 2721/903 – Centro – CEP: 36010-012 - Juiz de Fora (MG), Brasil – Email: pamellavalente@hotmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar.

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