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Revista CEFAC

On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.14 no.3 São Paulo May/June 2012 Epub Dec 08, 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462011005000135 

Efetividade de um programa de aprimoramento vocal para professores

 

Effectiveness of a vocal improvement program for teachers

 

 

Karen Fontes LuchesiI; Lucia Figueiredo MourãoII; Satoshi KitamuraIII

IFonoaudióloga; Mestre e Doutoranda em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
IIFonoaudióloga; Docente do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas; Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo
IIIMédico do Trabalho; Docente do Departamento de Medicina Preventiva e Social (Área de Saúde do Trabalhador), Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas; Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: analisar parâmetros fonoarticulatórios de professores, pré e pós-programa de aprimoramento vocal.
MÉTODO: um programa de aprimoramento vocal foi oferecido numa escola estadual do município de Campinas, São Paulo, Brasil. Treze professores aceitaram participar do programa. Devido ao critério de exclusão, apenas cinco foram selecionados para as análises. Os sujeitos foram previamente submetidos à avaliação laringológica. Foram realizados 12 encontros semanais de 1 hora e 30 minutos na própria escola. No primeiro e no último encontro os sujeitos gravaram três "frases-veículo". As gravações foram submetidas à análise perceptivo-auditiva (para avaliação do pitch, da modulação e da articulação) e acústica (para avaliação da freqüência fundamental, da extensão de freqüência e dos dois primeiros formantes). Os dados foram submetidos à análise estatística.
RESULTADOS: mesmo com o pequeno número de sujeitos, os resultados do presente estudo, revelaram ampliação significante da extensão de freqüência, indicando maior uso deste recurso expressivo pós-aprimoramento, além do aumento estatisticamente significante de F1 nas vogais /i/ e /u/ pós-intervenção, sugerindo melhora no ajuste articulatório.
CONCLUSÕES: não foram observadas modificações no pitch, modulação e articulação avaliados por meio da análise perceptivo-auditiva, bem como da freqüência fundamental pós-intervenção.

Descritores: Voz; Docentes; Saúde do Trabalhador; Treinamento da Voz; Prevenção de Doenças


ABSTRACT

PURPOSE: to analyze and correlate teachers' vocal and articulation parameters in a pre and post vocal improvement program.
METHOD: a vocal improvement program was offered to a fundamental education state school, located in Campinas, São Paulo, Brazil. Thirteen teachers agreed to take part in the program, however, due to the exclusion criterion, only five "subjects" were selected for the analysis. Teachers were previously submitted to a laryngologist evaluation. Twelve weekly meetings of one and a half hour each were held in the school. In the first and the last meetings, the teachers made a three sentence-vehicle recording, which were submitted to a perceptual evaluation (pitch, modulation and articulation) and an acoustic analysis (fundamental frequency, the frequency length and two first formants' assessment). Data were submitted to statistic analysis.
RESULTS: even with a small number of subjects, the results of this study, suggest significant expansion in the frequency extension and a statistically significant increase of F1 in the post-intervention vowels / i / and / u /.
CONCLUSIONS: there were no changes in pitch, modulation and articulation measured through perceptual analysis, and fundamental post-intervention frequency.

Keywords: Voice; Faculty; Occupational Health; Voice Training; Disease Prevention


 

 

INTRODUÇÃO

O freqüente aparecimento de alterações vocais em professores tem levado pesquisadores a destacar a grande importância das intervenções de caráter preventivo1-19. Dentre estas ações, estão as intervenções educativas voltadas para os cuidados com a voz e à adequação fonoarticulatória, visando uma produção vocal mais saudável. Apesar do alto índice de alterações vocais em professores, poucos estudos avaliaram e discutiram intervenções desenvolvidas para prevenir e tratar a disfonia nesses profissionais. Os estudos realizados com este intuito observaram melhora na qualidade e nos sintomas vocais pós-intervenção2-4,10,14 .

Pesquisas realizadas nos últimos dez anos observam que a falta de conhecimento sobre a fonação, o despreparo vocal e as condições de trabalho são fatores bastante relevantes para a instalação de alterações vocais e o afastamento de muitos professores de seus trabalhos5,6,13,16.

O objetivo do presente artigo foi analisar parâmetros, vocais e articulatórios de professores, pré e pós-programa de aprimoramento vocal.

 

MÉTODO

Um programa de aprimoramento vocal foi oferecido numa escola estadual de ensino fundamental ciclo I (antigas 1ª. a 4ª. série), com 26 professores, situada no Distrito de Saúde Leste do município de Campinas, estado de São Paulo, Brasil. Utilizou-se como critério de inclusão ser professor da escola e ter concordado com a participação. Foi estabelecido como critério de exclusão a participação em menos de 65% (8/12) dos encontros. Treze professores aceitaram participar do programa, no entanto, devido ao critério de exclusão apenas cinco foram selecionados para as análises.

Com o objetivo de conhecer as condições laríngeas dos sujeitos, esses foram previamente submetidos a uma avaliação laringológica no Hospital das Clínicas da Unicamp, na Área da Otorrinolaringologia. Os cinco professores selecionados para participar do estudo, consentiram em submeter-se à avaliação laringológica (Tabela 1).

Tanto os professores com alteração quanto os professores sem alteração laríngea puderam participar do programa de aprimoramento vocal.

Baseado na disponibilidade dos professores foram organizados dois grupos de 6 e 7 sujeitos. Foram realizados 12 encontros semanais de 1 hora e 30 minutos, na biblioteca e na sala de vídeo da escola, todos coordenados pela mesma fonoaudióloga. Os encontros abordaram itens reconhecidos como fundamentais para uma fonoarticulação adequada e saudável1,3,20, a saber: noções de anatomia e fisiologia fonatória, saúde vocal (hábitos e cuidados), respiração, coordenação pneumofonoarticulatória, tensão fonatória, articulação, velocidade e modulação da fala, ressonância, projeção vocal, expressividade verbal e não-verbal, aquecimento e desaquecimento vocal. Cada encontro abordou de um a dois desses itens, que foram desenvolvidos em aulas expositivas com utilização de recursos áudios-visuais, apresentação oral, diálogo entre os participantes, dinâmicas de grupo e aplicação de técnicas vocais (Figura 1).

Preconizou-se a realização das técnicas vocais nos encontros e no cotidiano dos sujeitos. Foi entregue aos sujeitos material impresso com breve explanação sobre os assuntos abordados e descrição das técnicas vocais utilizadas.

No primeiro encontro dos grupos os participantes responderam a um formulário com os dados: idade, tempo de profissão, formação acadêmica, carga horária semanal e queixa vocal (caso houvesse). No primeiro e no último encontro os sujeitos gravaram três frases-veículo: "eu quero um /pa'papa/ legal pra mim", "eu quero um /pa'pipa/ legal pra mim" e "eu quero um /pa'pupa/ legal pra mim". Estas foram utilizadas como veículo para palavras-alvo criadas de modo que as vogais, vértices do triângulo vocálico (/a/, /i/, /u/), estivessem sempre em posição tônica e precedidas pela oclusiva /p/. Tanto na pré quanto na pós-intervenção os sujeitos foram orientados a ler as frases de maneira espontânea.

Apesar do número reduzido de sujeitos, as análises foram baseadas em 150 amostras de fala, pois consistiram em cinco repetições de três frases por cinco sujeitos em dois momentos, pré e pós-intervenção.

A fala dos sujeitos foi registrada pelo software livre Praat (www.praat.org) a uma taxa de amostragem de 44100 Hz. Utilizando notebook Toshiba com placa de som externa "Móbile Pré" da marca M-áudio, em sala silenciosa da própria escola, com microfone unidirecional da marca Shure a, aproximadamente, 10 cm de distância da boca.

O mesmo material de fala foi submetido à análise perceptivo-auditiva e acústica. Para a análise perceptivo-auditiva, três fonoaudiólogos especialistas em voz pela mesma instituição, com prática clínica em voz de 12 a 15 anos, avaliaram individualmente os parâmetros: pitch, modulação e articulação. Os especialistas receberam as amostras distribuídas em arquivos randomizados, sem a identificação dos sujeitos ou do momento em que foram gravados. Foram orientados a marcar um traço vertical cruzando uma escala analógica visual, ou seja, uma linha horizontal de dez centímetros com limites à direita e à esquerda, onde melhor representasse a sua percepção para cada item avaliado (Figura 2). A extremidade esquerda foi caracterizada como "inadequada" (valores próximos de zero) e a direita, como "adequada" (valores próximos de 10). Posteriormente, foi encontrado um correspondente numérico (em centímetros) para cada parâmetro avaliado utilizando-se de uma régua milimétrica. Para obter um valor comum aos três avaliadores, foram calculadas as médias e os desvios-padrão dos correspondentes numéricos.

A análise acústica foi realizada por meio do software Praat e teve por objetivo analisar os parâmetros: freqüência fundamental (f0), extensão de freqüência e os dois primeiros formantes. Para medir a freqüência fundamental e os formantes, selecionaram-se as vogais tônicas das palavras-alvo. Sendo que, para delinear o início e o fim das vogais, tomou-se por base o aparecimento e o desaparecimento do padrão formântico, principalmente do primeiro (F1) e do segundo formante (F2). Obteve-se a média da freqüência fundamental e dos dois primeiros formantes de cada vogal. Para calcular a extensão de freqüência foram medidos os pontos máximos e mínimos de freqüência das frases inteiras e calculada a diferença entre estes valores.

Os parâmetros fonoarticulatórios avaliados neste estudo foram selecionados com o intuito de estabelecer um paralelo entre a análise perceptivo-auditiva e a análise acústica, no qual o pitch corresponde à sensação psicofísica da freqüência fundamental, a modulação à extensão de freqüência e a articulação aos dois primeiros formantes (que correspondem, respectivamente, à movimentação vertical e horizontal da língua21.

Procurou-se selecionar aspectos que pudessem ser modificados mesmo em professores sem alteração vocal. Baseado no pressuposto de que na população sem alterações laríngeas o mais importante é melhorar aspectos da produção fonoarti-culatória, destacando-se a importância da articulação, modulação e projeção vocal para a produção de uma voz saudável e expressiva. Houve a preocupação em selecionar para a avaliação parâmetros que haviam sido tema dos encontros da intervenção, que pudessem ser analisados perceptiva e acusticamente, intencionando a complementação. Não puderam ser selecionados parâmetros como loudness ou parâmetros de perturbação da onda sonora devido à falta de tratamento acústico no local de coleta.

Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) (CEP Nº484/2007). Todos os sujeitos que concordaram em participar deram sua anuência assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para caracterizar a distribuição dos dados foi empregada uma análise estatística descritiva. Devido ao número de amostras de fala analisadas (150), os dados foram apresentados por meio das médias e dos desvios-padrão dos valores obtidos para cada aspecto avaliado. Verificou-se a normalidade na distribuição dos dados pela aplicação do teste de Kolmogorov-Smirnov. Para a comparação dos valores obtidos pré e pós-intervenção de cada sujeito foi aplicado o teste t de Student para amostras pareadas. A fim de quantificar o grau de relação entre os resultados da avaliação perceptivo-auditiva e da avaliação acústica foi calculado o coeficiente de correlação de Pearson. Foi considerada a probabilidade (p) menor que 0,05 para indicar significância estatística.

 

RESULTADOS

Treze professores aceitaram participar do programa, no entanto, devido ao critério de exclusão apenas cinco foram selecionados para as análises (Tabela 1).

É importante levar em consideração que os resultados aqui apresentados são válidos apenas para a população estudada e que não podem ser generalizados devido ao número insuficiente de sujeitos considerados para análise. A presença de altos valores de desvio padrão para os parâmetros analisados (Tabelas 2 e 3) pode ser explicada por essa razão.

Os resultados das análises perceptivo-auditiva e acústica pré e pós-intervenção foram apresentados nas Tabelas 2 e 3, respectivamente.

Na avaliação perceptivo-auditiva observou-se o aumento das médias pós-intervenção dos três parâmetros avaliados, e a diminuição do desvio-padrão dos parâmetros modulação e articulação pós-intervenção. No entanto, não houve significância estatística para as diferenças pré e pós-intervenção em nenhum dos parâmetros (Tabela 2).

Em relação à análise acústica, houve um aumento da média de f0 para as vogais /i/ e /u/ e uma redução sistemática dos desvios-padrão pós-intervenção das três vogais. No entanto, o tamanho da amostra não permitiu nenhuma conclusão de aumento ou diminuição de f0 para nenhuma vogal. Aumento estatisticamente significante foi observado na extensão de freqüência e no primeiro formante das vogais /i/ e /u/ pós-intervenção (Tabela 3).

Apesar da utilização de frases-veículo sem conteúdo semântico, ao observar os espectros das frases (Figuras 3, 4, 5, 6 e 7), nota-se que os sujeitos conferiram rica modulação à leitura.

Não houve correlação estatisticamente significante entre a avaliação perceptivo-auditiva e a análise acústica.

Optou-se por considerar os próprios sujeitos como controle de si mesmos. Desta forma, foram automaticamente consideradas variáveis como: sexo, idade, tempo de profissão, quantidade de horas/aula semanais, quantidade média de alunos nas salas que ministram aula por período, nível de ensino por período, condições acústico-ergonômicas das salas de aula, atividade extraclasse, atividade de lazer que envolva uso vocal, entre outras.

 

DISCUSSÃO

O programa desenvolvido pelo presente estudo teve como principal objetivo o aprimoramento vocal e não o tratamento de alterações vocais. No entanto, houve adesão de professores com queixas vocais e/ou alterações laríngeas, o que tornou a intervenção preventivo-terapêutica. Após a participação no programa, os três sujeitos com alterações laríngeas foram encaminhados para terapia fonoaudiológica.

A baixa adesão de professores a estudos longitudinais é também observada por outros autores3,6,14. Apesar do número elevado de professores e da alta incidência de alterações vocais nessa classe profissional, a adesão a programas preventivos de longo prazo acaba sofrendo influência de diversos fatores, como por exemplo, não ter tempo hábil para participar de intervenções por trabalhar em mais de uma escola.

Além disso, a literatura revela que infelizmente a maioria dos professores apenas busca ajuda, quando a alteração vocal está impactando negativamente na sua atuação6. Professores que participaram de um grupo terapêutico realizado na Finlândia14 relataram como principal motivo para a não participação na intervenção, a ausência de alteração vocal. Pesquisadores acreditam que cursos de aprimoramento vocal deveriam ser oferecidos durante a formação profissional, para motivar e proporcionar uma maior participação3,14. Vale lembrar que mesmo sem queixa, alterações vocais e/ou laríngeas podem estar presentes22, e por isso a atenção à saúde vocal é de extrema importância para esta classe profissional.

Dada a importância da articulação precisa e das variações de freqüência e intensidade para a atuação vocal do professor, elegeram-se os parâmetros articulação, freqüência fundamental e modulação de freqüência para as análises pré e pós-programa.

De acordo com a literatura23, os sujeitos apresentaram medidas de f0, tanto pré quanto pós-intervenção, dentro do esperado para a população feminina brasileira, e pitch com média acima de nove na escala analógica visual. Desse modo, não era esperada mudança nestes parâmetros. A medida de f0, número de vibrações por segundo produzidas pelas pregas vocais, para mulheres é de 205 Hz, podendo variar entre 150 e 250 Hz23. Na literatura há relato de variações de f0, aumento e diminuição, em sujeitos pós-tratamento de disfonia funcional, mas todas se mantiveram dentro da faixa de normalidade24.

Apesar da utilização de frases-veículo sem conteúdo semântico, ao observar os espectros das frases, nota-se que os sujeitos conferiram rica modulação à leitura. O valor médio da modulação na escala analógica visual foi maior que oito, com aumento pós-intervenção, além da ampliação significante da extensão de freqüência, o que indica maior uso deste recurso expressivo pós-aprimoramento. Segundo a literatura, uma voz com modulação rica auxilia na transmissão da mensagem, diminui a probabilidade de fadiga vocal25 e permite maior facilidade no aprendizado do conteúdo escolar. De acordo com uma pesquisa realizada na Inglaterra, a voz do professor interfere no desempenho dos alunos, principalmente nas habilidades de compreensão, análise e síntese auditiva12.

Os valores de F1 e F2 encontrados neste estudo estão dentro do esperado. A literatura registra na vogal /a/ para mulheres valores de F1 e F2 próximos de 956 Hz e 1634 Hz, respectivamente. Para a vogal /i/, valores próximos de 425 Hz e 2984 Hz, e para a vogal /u/, valores próximos de 462 Hz e 1290 Hz22.

Com relação à articulação, os resultados mais significantes deste estudo se referem ao aumento de F1 para duas (/i/, /u/) das três vogais analisadas (/a/, /i/, /u/). Tendo em vista que a articulação da fala consiste no processo de ajustes motores dos órgãos fonoarticulatórios, e que F1 corresponde à movimentação da língua no plano vertical, sendo influenciado pela elevação e pelo abaixamento da mandíbula21, o aumento de F1 indica maior abertura de boca, sugerindo melhora no ajuste articulatório pós-intervenção. A literatura mostra que a principal ferramenta de articulação para aumentar F1 é o abaixamento da mandíbula, quanto maior este abaixamento, maior F126. Acredita-se que o aumento da movimentação da língua para baixo mostrou-se mais evidente nas vogais /i/ e /u/ pois, no plano vertical a língua se posiciona baixa para a vogal /a/ e alta para as vogais /i/ e /u/.

Um aumento na abertura de boca pós-grupo de orientação e terapia vocal com professores2 e outros profissionais27 também foi observado na literatura. É importante destacar que uma fala com intensidade vocal, freqüência e articulação adequada, favorece a compreensão do aluno e diminui o esforço laríngeo10. Estudo recente, realizado no Brasil com professores, mostrou relação significante entre rouquidão e abertura de boca limitada28.

Atribui-se importância aos resultados encontrados, principalmente, ao considerar que os itens modulação e articulação, foram focalizados em apenas um e dois encontros da intervenção, respectivamente (ANEXO I). Mesmo com um pequeno número de casos analisados (5), foram observados resultados positivos e de impacto no uso profissional da voz.

Correspondência: entre avaliação perceptivo-auditiva e análise acústica foi encontrada por pesquisadores para alguns parâmetros de perturbação da onda sonora29. No entanto para os parâmetros avaliados neste estudo não pôde ser observada correspondência significante.

Destaca-se como prováveis limitações do estudo o número pequeno de sujeitos participantes, o não treinamento dos fonoaudiólogos avaliadores para a realização da análise acústico-perceptiva e a baixa sensibilidade dos parâmetros fonoarticulatórios selecionados.

 

CONCLUSÕES

Os resultados do presente estudo, mesmo com um pequeno número de sujeitos, sugerem ampliação significante da extensão de freqüência e aumento estatisticamente significante de F1 nas vogais /i/ e /u/ pós-intervenção.

Não foram observadas modificações no pitch, modulação e articulação avaliados por meio da análise perceptivo-auditiva, bem como da freqüência fundamental pós-intervenção.

Acredita-se que, o programa desenvolvido pode melhorar o uso profissional da voz. Logo, é valido aprofundarem-se os estudos, procurando aplicar este programa com um número maior de sujeitos, culminando com a adoção de programas preventivos desta natureza dentro da política de desenvolvimento profissional de professores. Só assim, os professores terão o tempo, a motivação e a dedicação necessários para aderirem a um programa preventivo desta natureza.

 

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Endereço para correspondência:
Karen Fontes Luchesi
Av. Tessália Vieira de Camargo, nº 126
Cidade Universitária, Campinas - SP - Brasil
CEP: 13083-887
E-mail: karenluchesi@yahoo.com.br

Recebido em: 29/11/2010
Aceito em: 29/05/2011

 

 

Conflito de interesses: inexistente
Trabalho realizado na Universidade Estadual de Campinas. Artigo baseado na dissertação de mestrado de Karen Fontes Luchesi, "Desenvolvimento de um programa de aprimoramento vocal numa escola de ensino fundamental do município de Campinas: estudo de caso", apresentada à Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas em 2008.