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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.31 no.3 suppl.0 Viçosa May/June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982002000600030 

Mandioca e Resíduos das Farinheiras na Alimentação de Ruminantes: pH, Concentração de N-NH3 e Eficiência Microbiana1

 

Lúcia Maria Zeoula1, Saul Ferreira Caldas Neto2, Antonio Ferriani Branco1, Ivanor Nunes do Prado1, Augusto Ortega Dalponte3, Marcos Kassies3, Fábio Luiz Fregadolli4

 

 


RESUMO - O objetivo do presente trabalho foi avaliar a concentração de N-NH3, o pH do líquido ruminal e a eficiência de síntese microbiana de rações que continham diferentes fontes energéticas: milho (MI), milho + casca de mandioca desidratada (MC), raspa de mandioca (RM) e farinha de varredura de mandioca (FV). Foram utilizados quatro novilhos da raça Holandesa (270 kg), portadores de cânulas ruminal e duodenal, distribuídos em um delineamento Quadrado Latino 4x4. A cinza insolúvel em ácido foi utilizada como indicador do fluxo duodenal e fecal. Não houve efeito das rações experimentais no pH ruminal. No entanto, menor concentração de N-NH3 foi observada para a ração com FV. O fluxo duodenal de matéria orgânica e nitrogênio e a composição química das bactérias ruminais não foram influenciados pelas rações experimentais. A maior eficiência microbiana aparente foi obtida para a ração com FV. Nas condições do presente experimento a FV, possivelmente apresentou uma melhor sincronização com a fonte protéica (farelo de soja), diminuindo a perda de nitrogênio na forma de N-NH3 e aumentando a eficiência microbiana.

Palavras-chave: casca de mandioca desidratada, farinha de varredura de mandioca, novilhos, milho, raspa de mandioca

Cassava and Cassava By-products on Ruminants Feeding: pH, Ammonia Concentration and Microbial Efficiency

ABSTRACT - The objective of this paper was evaluate ammonia concentration, pH of ruminal liquid and microbial synthesis efficiency in diets with different energetic sources: corn (CO), corn/cassava hulls (CC), cassava root (CR) and cassava by-product flour (CB). Four Holstein steers (270 kg) were used, in a 4 X 4 Latin Square design. The marker utilized for determination of duodenal and fecal flow was the acid insoluble ash. There was not effect in the ruminal pH of the experimental diets, however smaller ammonia concentration was observed to the diet with CB. The organic matter and nitrogen flow to duodenum and chemical composition of ruminal bacteria were not influenced by experimental diets. The higher apparent microbial efficiency was obtained to CB diet. In the conditions of the present experiment the CB possibly presented better synchronization with the protein source (soybean meal), decreasing the loss of nitrogen under N-NH3 form and increasing the microbial efficiency.

Key Words: cassava by-product flour, cassava hulls, corn, steers, cassava root


 

 

Introdução

A atividade dos microrganismos ruminais permite que os ruminantes utilizem carboidratos estruturais como fonte energética e nitrogênio não-protéico como fonte protéica. De acordo com Sniffen & Robinson (1987), a proteína microbiana pode fornecer de 40 a 80% dos requerimentos de aminoácidos dos ruminantes. Também, segundo o NRC (1996), a proteína sintetizada pelos microrganismos microbianos pode atender até 100% das exigências de bovinos de corte.

Dessa forma, para se obter maior produção em ruminantes, é necessária a maximização da eficiência microbiana e para se obter este resultado é de grande importância o conhecimento das características ruminais que influenciam a atividade microbiana. O crescimento microbiano pode ser influenciado pela disponibilidade dos nutrientes que compõem as exigências nutricionais dos microorganismos do rúmen como carboidratos, amônia, peptídeos, aminoácidos, enxofre e ácidos graxos de cadeia ramificada (Sniffen et al., 1993).

A proteína dietética que é hidrolisada no rúmen gera peptídeos e aminoácidos, que por sua vez podem sofrer desaminação liberando N-NH3 no rúmen, assim como ocorre com a uréia endógena e dietética (Van Soest, 1994). Estes aminoácidos podem ser utilizados para a síntese de proteína microbiana, contudo grande parte dos microrganismos utiliza a amônia ruminal para a síntese de seus aminoácidos. Desta forma a concentração de amônia ruminal (N-NH3) tem um papel fundamental na maximização da eficiência microbiana.

Embora a concentração de N-NH3 requerida para máxima eficiência microbiana ainda não seja bem conhecida, Roffer & Satter (1975) observaram que a concentração de 5 mg N-NH3/100 mL de líquido ruminal, foi suficiente para se obter um máximo crescimento microbiano in vitro. De acordo com o NRC (1985), as exigências de N-NH3 estariam relacionadas à disponibilidade de substratos, à taxa de fermentação e à produção microbiana. Também Erdman et al. (1986) sugeriram que a concentração mínima de N-NH3 para o máximo crescimento microbiano aumentaria com a fermentabilidade da ração. De acordo com Russell et al. (1991), quanto maior for a degradabilidade da proteína da dieta, maior será a produção de N-NH3 ruminal e provavelmente maiores serão as perdas urinárias de compostos nitrogenados na forma de uréia.

A sincronização entre as fontes de carboidratos (que fornecem energia e esqueletos carbônicos para os microrganismos) e de nitrogênio, pode acarretar uma maximização da eficiência microbiana e uma diminuição da perda de nitrogênio na forma de N-NH3. O aumento na eficiência microbiana permitiria um aumento na disponibilidade de proteína microbiana para ser absorvida no intestino e utilizada pelos animais.

Nocek & Russel (1988) observaram que o aumento na taxa de degradação das fontes de carboidratos de 0,04 para 0,25/h aumentou a produção de biomassa microbiana de 0,26 para 0,37 g bactéria/g de carboidratos. Contudo, para a dieta com menor disponibilidade de nitrogênio no rúmen, a quantidade de nitrogênio foi insuficiente para suportar a máxima eficiência microbiana.

Stokes et al. (1991), em ensaio in vitro, observaram aumento linear na produção de proteína microbiana na medida que a quantidade de carboidratos não estruturais na dieta aumentou de 25 para 54%.

Aldrich et al. (1993) obtiveram aumento no fluxo de proteína microbiana para o duodeno em vacas alimentadas com uma fonte de amido de alta degradabilidade ruminal (milho reconstituído) combinada com uma fonte de nitrogênio de alta degradabilidade (farelo de soja e canola) em comparação a dietas com uma fonte de amido (milho moído) e uma de nitrogênio (farinha de sangue) de baixa degradabilidade ruminal.

O pH ruminal também influencia o crescimento microbiano, principalmente dos microrganismos fibrolíticos. Ocorrendo redução significativa na digestão da fibra com pH abaixo de 6,2 (Grant & Mertenz, 1992).

A fermentação de amido e açúcares promove a diminuição no pH ruminal, devido a maior produção total de ácidos graxos voláteis (AGV) e principalmente devido a maior produção de propionato pela via do ácido láctico, que pode se acumular no rúmen, reduzindo a digestão da fibra (Van Soest, 1994). Além disso, a maior inclusão de concentrado na dieta diminui a ruminação e, conseqüentemente, o tamponamento através da saliva.

Carvalho et al. (1997), trabalhando com níveis crescentes de concentrados em dietas de zebuínos, observaram diminuição linear do pH ruminal, em função do nível de concentrado. Ladeira et al. (1999) também constataram que o aumento dos níveis de concentrado na ração (25 a 75%) diminuiu o pH ruminal (6,83 a 5,51), apresentando decréscimo linear em função do tempo, para cada nível de concentrado.

Segundo o NRC (1985), a composição dos microrganismos varia com a fase do crescimento microbiano, a disponibilidade de nutrientes e o tipo de microrganismos. De acordo com revisão de Clark et al. (1992), os valores médios da composição bacteriana são: 77,5% de MO, 7,71% de N e 7,78% de purinas.

De acordo com Sniffen & Robinson (1987), o fluxo de microrganismos para o intestino delgado depende do crescimento microbiano, da reciclagem microbiana dentro do rúmen, das taxas de passagem de líquidos e sólidos, da taxa e extensão da digestão dos alimentos, da extensão da associação microbiana à digestão ruminal e a ação dentro dos grupos de microrganismos.

Ladeira et al. (1999) verificaram que o aumento no nível de concentrado causou efeito quadrático sobre a eficiência microbiana, sendo que a eficiência máxima estimada de 28,6 g de N-Mic/kg de matéria orgânica degradada no rúmen (MODR) foi para 48,8% de concentrado. Desta forma, o efeito de fontes energéticas com diferentes degradabilidades ruminais pode alterar as condições de pH e concentração de N-NH3 no líquido ruminal e, conseqüentemente, afetar a produção microbiana.

O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito das fontes energéticas: milho, raspa de mandioca, farinha de varredura de mandioca e casca de mandioca sobre a concentração de N-NH3 e pH no líquido ruminal, fluxos de MO e nitrogênio microbiano e não-microbiano para o duodeno e a eficiência de síntese microbiana.

 

Material e Métodos

O experimento foi realizado na Fazenda Experimental de Iguatemi, no período de maio a setembro de 1998 e as análises químicas foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal pertencentes ao Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá.

Foi utilizado quatro bovinos, machos, castrados, da raça Holandesa, com peso vivo inicial médio de 270 kg submetidos à intervenção cirúrgica para a implantação de cânulas no rúmen e duodeno (tipo T simples). Os animais foram mantidos em baias individuais cobertas.

As diferentes fontes energéticas utilizadas foram: milho (MI), raspa de mandioca integral desidratada (RM), casca de mandioca desidratada (CM) e farinha de varredura (FV). A mandioca integral picada e seca ao sol foi denominada de raspa de mandioca. A casca de mandioca desidratada foi oriunda da desidratação ao sol das cascas e pontas de mandiocas residuais do processo de descascamento que ocorre durante a produção de farinha de mandioca. A farinha de varredura é o resíduo da limpeza das farinheiras, sendo composto principalmente de farinha suja. O volumoso utilizado foi a silagem de milho e a fonte protéica, o farelo de soja. A composição química dos alimentos pode ser observada na Tabela 1.

As rações foram formuladas visando a substituição total do milho por raspa de mandioca e farinha de varredura e a substituição parcial do milho pela casca de mandioca desidratada, sendo calculadas de acordo as exigências do NRC (1988) e de forma a serem isoprotéicas (14% PB) e com níveis semelhantes de energia. A relação volumoso:concentrado foi de 40:60, com menor proporção de concentrado para a ração com milho, de forma a permitir um nível de energia semelhante entre as rações. Pelo mesmo motivo, o nível de substituição do milho pela casca de mandioca desidratada foi de 50% (devido ao menor valor energético da casca de mandioca em relação às outras fontes energéticas). O fornecimento de ração foi restrito de forma a atender 140% da exigência de energia líquida de mantença dos animais (consumo de 2% do peso vivo). Os animais receberam diariamente 50 g de sal mineral, obtido com a mistura 1:1 de sal com um suplemento mineral comercial. A composição percentual e química das quatro rações experimentais é apresentada na Tabela 2.

As rações foram fornecidas aos animais duas vezes ao dia, em duas porções iguais, pela manhã (8 h) e à tarde (16 h), sendo o volumoso e o concentrado misturados no cocho. As baias e as cânulas dos animais eram limpas e lavadas duas vezes ao dia.

Cada período experimental (4) teve a duração de 22 dias, sendo 15 dias para adaptação dos animais e sete dias de coleta. Durante o período de coleta, em cada período experimental, foram amostrados cerca de 200 mL de digesta duodenal, com intervalo de 12 horas e um incremento de 2 horas entre dias consecutivos, num total de 12 amostras por animal.

Após o período de coleta, as amostras de alimento e digestas duodenais foram secas em estufa a 55o C por 96 horas, moídas (1 mm) individualmente e misturadas em quantidades iguais, com base no peso seco, para formar amostras compostas de digesta por animal e para cada ração.

O fluido ruminal (70 mL) foi coletado via cânula ruminal, nos tempos 0 (que antecedia a alimentação) 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 16 horas após a alimentação da manhã. Todavia, como o fornecimento da ração era realizado duas vezes ao dia, 8 e 16 horas (intervalo de 8 horas entre a alimentação da manhã e da tarde), o tempo de coleta de líquido a partir das 10 horas após a alimentação da manhã (8 horas) representa 2 horas após a alimentação da tarde (16 horas) e assim sucessivamente para os tempos posteriores. O pH foi determinado imediatamente após a coleta. Aproximadamente 50 mL de fluido ruminal foram acidificados com 1 mL de ácido sulfúrico 1:1 e armazenados a -20o C para posterior determinação da concentração de nitrogênio amoniacal (N-NH3).

No último dia de cada período foram realizadas duas coletas de conteúdo ruminal (2 h antes e 2 h depois da alimentação manhã). Em cada coleta uma amostra de 1,5 Kg foi misturada a 500 mL de solução 0,9% de NaCl, homogeinizada em liquidificador, coada com uma fralda dobrada quatro vezes e o filtrado armazenado a -20oC para ser processado de acordo com Cecava et al. (1990).

As amostras de digesta duodenal e conteúdo ruminal dos animais foram analisadas para determinação da matéria seca (MS), matéria orgânica (MO) e proteína bruta (PB). As determinações de MS, MO, PB foram feitas de acordo com as metodologias descritas por Silva (1990). A cinza insolúvel em ácido (CIA) foi utilizada como indicador interno para determinação dos fluxos diários de matéria seca no duodeno. A determinação da CIA foi feita de acordo com a metodologia descrita por Van Keulen & Young (1977).

A concentração de purinas nas bactérias do rúmen e na digesta duodenal foi determinada pelo procedimento descrito por Ushida et al. (1985), com algumas modificações propostas por Bohnert et al. (1998) que são: 1) 15 minutos após o início da primeira incubação os tubos foram retirados do banho-maria e agitados, voltando para o banho-maria para terminar o período de incubação restante; 2) a segunda incubação foi aumentada para 30 minutos; 3) o pelet foi lavado com 10 mL de 0,005N H2SO4/0,005M AGNO3; 4) a incubação final foi aumentada para 45 minutos.

O fluxo total de N microbiano para o duodeno (g/dia) foi estimado pela divisão da razão N: purinas bactéria pela razão N: purinas digesta duodenal e multiplicando este quociente pelo fluxo total individual de N. A eficiência de síntese microbiana foi também expressa em g de N microbiano/kg de MO verdadeira degradada no rúmen (MOVDR) que por sua vez foi calculada pela equação = ingestão de MO (g/dia) ¾ [ MO duodenal (g/dia) ¾ MO microbiana (g/dia)].

Utilizou-se um delineamento experimental em quadrado latino 4 x 4, com quatro períodos e quatro tratamentos, para comparar os valores de eficiência microbiana. As análises estatísticas das variáveis estudadas foram interpretadas, no Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (UFV, 1983), por meio de análise de variância. As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey, adotando-se o nível de 5% de significância.

O modelo estatístico utilizado foi:

em que: Yijk = observação do efeito do tratamento k, no período j, no animal i, m = média geral, Ai = efeito do animal i (i = 4 animais), Pj = efeito de período j (j = 4 períodos), Ck = efeito da ração k; k = 1(MI); 2 = (MC); 3 (RM) e 4 (FV) e eijk = erro aleatório associado a cada observação.

Para os valores observados de pH e N-NH3 no líquido ruminal, os tratamentos foram dispostos em esquema de parcelas subdivididas e os tempos de amostragem, como subparcelas. Foi utilizada a análise de regressão para as concentrações de pH e N-NH3 do líquido ruminal em função do tempo após a alimentação da manhã (0, 2, 4, 6 e 8 horas) para cada tratamento.

 

Resultados e Discussão

Os valores de pH do líquido ruminal observados em função das rações experimentais nos tempos de 0, 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 16 horas após a alimentação da manhã, podem ser verificados na Figura 1. Deve-se ressaltar que a ração era fornecida duas vezes ao dia às 8 e às 16 horas, portanto, o tempo de coleta de líquido de rúmen, para determinação do pH e N-NH3, a partir das 10 horas após a alimentação da manhã (8 horas) representa 2 horas após a alimentação da tarde (16 horas) e assim sucessivamente para os tempos posteriores. Não houve diferença para o pH do líquido ruminal, nos tempos observados, para as rações experimentais. Os menores valores de pH foram observados nos tempos de 2 a 4 horas após a alimentação (manhã e tarde). Também Londoño et al. (1997), Carvalho et al. (1997) e Carvalho et al. (1998) observaram valores mínimos de pH entre 2 e 4 horas após a alimentação.

 

 

Os valores de pH variaram em média de 5,7 (12 horas após a alimentação da manhã) a 6,8 (0 horas ou antes da alimentação da manhã). Verificou-se que os menores valores de pH 5,4 e 5,7 são observados para as rações com FV e RM, respectivamente, entre o período de 2 e 4 horas após o fornecimento da ração às 16 h. Os menores valores de pH observados após a alimentação fornecida às 16 h estão, possivelmente, relacionados com a diferença entre os horários de alimentação. Como as rações não foram fornecidas em tempos eqüidistantes, a alimentação da tarde ocorria 8 horas após a alimentação da manhã, enquanto a diferença entre a alimentação da tarde e a alimentação da manhã seguinte era de 16 h. Dessa forma, o ambiente ruminal após a alimentação da tarde ainda apresentava um efeito residual da alimentação da manhã.

Valores de pH inferiores a 6,0 podem acarretar numa diminuição da atividade dos microrganismos fibrolíticos (Coelho da Silva & Leão, 1979). Sendo que o efeito do pH sobre as bactérias celulolíticas, parece ser devido à toxicidade dos ácidos graxos voláteis (AGV) quando em pH baixo e à diminuição do pH intracelular impedindo a atividade de certas enzimas. Uma das teorias atuais destes efeitos é a do desacoplamento, que é baseada na teoria quimiostática. Quando o pH é baixo existe uma maior quantidade de AGV na sua forma protonada (não dissociada) no rúmen, estas formas protonadas atravessariam a membrana das bactérias e liberariam o próton devido à variação do pH. O ânion que permanece associado com a membrana é difundido para fora da célula devido ao gradiente eletroquímico, onde é novamente protonado, continuando assim o ciclo (Russel & Wilson, 1996). Desta forma, a bomba de prótons utilizada para produzir um dos gradientes eletroquímicos utilizados para o transporte ativo secundário de várias substâncias (Russel et al., 1990) fica comprometido, diminuindo a absorção de nutrientes pelas bactérias e conseqüentemente diminuindo a atividade fibrolítica no rúmen.

Não foi observada diferença entre a digestibilidade da FDN nas rações experimentais (Caldas Neto et al., 2000), concordando assim com a ausência de diferença no pH ruminal entre as rações experimentais.

Devido às características físico-químicas dos grânulos de amido da mandioca em relação ao milho (ausência de pericarpo, ausência de matriz protéica, maior teor de amilopectina), a mandioca apresenta uma maior degradabilidade ruminal do amido quando comparada ao milho (Zeoula et al., 1999a). Caldas Neto et al. (2000) também observaram maior digestibilidade ruminal do amido das rações contendo RM e FV em relação às rações contendo milho (MI e MC). Dessa forma, poder-se-ia esperar que as rações contendo RM e FV acarretassem menor valor de pH no líquido ruminal, o que não se observou. A ausência de efeito pode estar relacionada com o fornecimento restrito de alimento, o qual pode ter permitido que a capacidade de tamponamento do rúmen, oriunda do fornecimento de nível semelhante de volumosos entre as dietas (visto que o pH ruminal apresenta grande correlação com o nível de fibra efetiva na dieta), mantivesse valores de pH semelhantes entre as rações.

Marques (1999), utilizando rações semelhantes à do presente experimento, no confinamento de novilhas mestiças, observou maior valor do coeficiente de digestibilidade aparente da fibra em detergente neutro (FDN) para a ração com RM e MC e menor valor para a ração com FV. Todavia, os consumos das rações eram ad libitum e foram superiores aos 2% PV do presente experimento, o que pode ter acarretado diferenças no pH do líquido ruminal entre as rações e ter resultado nas diferenças na digestibilidade da FDN. Além disto, Marques (1999) observou diminuição no consumo de MS e a ocorrência de abscessos no fígado dos animais, que receberam rações contendo FV, indicando assim a possibilidade de ocorrência de menor pH do líquido ruminal para esta ração.

Na Tabela 3, podem ser observadas as equações de regressão para os valores de pH e os valores de máximo e mínimo estimados para as rações experimentais.

As concentrações de pH do líquido ruminal comportaram-se de forma quadrática em função do tempo após a primeira alimentação, para todas as rações experimentais.

Os valores máximos estimados de pH ruminal, para todas as rações, ocorrem no tempo zero hora (antes da alimentação) enquanto os valores mínimos estimados foram de 4,1 a 5,1 horas após a alimentação da manhã, variando em relação aos dados observados no experimento que indicam o tempo de mínimo como sendo 2 horas após a alimentação da manhã.

As curvas de concentração de nitrogênio amoniacal (N-NH3) no líquido ruminal em função das rações experimentais nos tempos de 0, 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 16 horas após a alimentação da manhã podem ser verificadas na Figura 2.

 

 

As maiores concentrações (P<0,05) de N-NH3 no líquido ruminal foram observadas nos períodos entre 2 a 4 horas após a alimentação (manhã e tarde), concordando com os valores obtidos por McCarthy et al. (1989), sendo que os valores obtidos no período após a alimentação da tarde foram ligeiramente superiores. Os valores de N-NH3 no líquido ruminal variaram em média de 5,0 mg/100 mL (antes da alimentação da manhã) até 12,5 mg/100 mL (2 horas após a alimentação da tarde).

As menores concentrações (P<0,05) de N-NH3 no líquido ruminal foram observadas para a ração com FV, não ocorrendo diferença entre as demais rações. A concentração média de N-NH3 no líquido ruminal para a ração contendo FV foi de 5,2 mg/100 mL de líquido de rúmen e o valor mínimo de 4,4 mg/100 mL (antes da alimentação da manhã). Este resultado está de acordo com o baixo valor do coeficiente de digestibilidade ruminal da proteína bruta observado na ração contendo farinha de varredura, talvez indicando uma menor perda de nitrogênio no rúmen na forma de N-NH3 (Caldas Neto et al., 2000).

As concentrações de N-NH3 no líquido ruminal para as quatro rações foram superiores ao valor de 5 mg N-NH3/100 mL de líquido ruminal observado por Roffler & Satter (1975) como valor mínimo para que a concentração de N-NH3 não fosse limitante para o crescimento microbiano. Contudo, as concentrações de N-NH3 no líquido ruminal foram inferiores as observadas por diversos autores para rações com fontes de N de rápida degradação ruminal (McCarthy et al., 1989, Herrera-Saldana et al., 1990; Zeoula et al., 1999b).

Na Tabela 4, podem ser observadas as equações de regressão para os valores de N-NH3 no líquido ruminal e os valores de máximo e mínimo para as rações experimentais.

As concentrações de N-NH3 do líquido ruminal se comportaram de forma quadrática em função do tempo após a primeira alimentação, para todas as rações experimentais.

As maiores concentrações estimadas de N-NH3 no líquido ruminal ocorreram entre 3,5 a 4 horas após a alimentação, com exceção para a ração com FV que ocorreu 2,7 horas após a alimentação. Também Carvalho et al. (1997) estimaram que a maior concentração de N-NH3 no líquido ruminal ocorreu 2,9 horas após a alimentação.

As concentrações mínimas de acordo com as equações de regressão ocorreram 8 horas após a alimentação da manhã, apesar dos dados obtidos demonstrarem o ponto de mínimo como sendo o de 0 horas (antes da alimentação).

Os valores de composição química das bactérias ruminais podem ser observadas na Tabela 5.

 

 

Não foi observada diferença nos teores de MS, MO, compostos nitrogenados (%MS e %MO) e RNA das bactérias ruminais para as rações experimentais. De acordo com Russel et al. (1992), a composição química das bactérias ruminais pode ser influenciada por diversos fatores tais como alterações na taxa de crescimento, na fase de crescimento e nos meios de crescimento. Rações ricas em amido e açúcar de alta degradabilidade podem aumentar rapidamente a quantidade de microrganismos fermentadores de carboidratos não-estruturais e se não houver redução do pH ruminal, ocorrerá aumento na produção microbiana. Todavia, o acúmulo de ácido láctico nestas dietas pode acarretar uma queda no pH ruminal e alterar a ecologia microbiana (Sniffen & Robinson, 1987). Assim, as rações experimentais possivelmente não acarretaram variações nestes parâmetros. Esta ausência de efeito das rações sobre a composição das bactérias também corrobora a ausência de diferença nos valores de pH entre as rações, pois valores de pH diferentes poderiam indicar diferença entre as populações das diversas espécies de microrganismos, o que poderia resultar em diferença na composição bacteriana devido às rações.

Os valores de MS e MO das bactérias ruminais foram semelhantes aos citados na revisão de Valadares Filho (1995) de 89,2% MS e 84,6% MO e aos obtidos por Valadares et al. (1997), enquanto os teores de MO foram inferiores ao valor médio obtido por Carvalho et al. (1997), de 92,90%, e superiores ao valor citado por Clark et al. (1992), de 77,5%.

Segundo Valadares Filho (1995), estas variações no teor de MO das bactérias ruminais podem ocorrer devido à utilização da solução salina, no processo de isolamento das bactérias ruminais, a qual poderia alterar o teor de matéria mineral (MM) da digesta ruminal, diminuindo assim o teor de MO das bactérias ruminais.

Os teores de nitrogênio e RNA das bactérias ruminais foram inferiores àqueles citados por Clark et al. (1992) de 7,7% de N e 7,3% de RNA, Valadares Filho (1995) de 7,1% de N e 8,6% de RNA, Carvalho et al. (1997) de 8% de N e Valadares et al. (1997) de 8% de N. Todavia, os valores de N, se encontram dentro da amplitude citada por Van Soest (1994), de 5,0 a 12,4%, e da faixa de variação citada por Valadares Filho (1995), de 5,2 a 8,7%.

As ingestões de matéria orgânica (MO) e nitrogênio (N), os fluxos para o duodeno de MO, MO microbiana, N total, N microbiano e N não microbiano (NNM), as digestões ruminais aparente e verdadeira da MO, e a eficiência de síntese microbiana aparente e verdadeira podem ser observadas na Tabela 6.

Não foi observada diferença nos níveis de ingestão de MO e N pelos animais entre as rações, concordando com o fato de que as rações eram isoprotéicas e de consumo restrito.

O fluxo diário de MO para o duodeno também não variou entre as rações experimentais, acarretando uma ausência de efeito sobre o fluxo de matéria orgânica aparentemente degradável no rúmen (MOADR) (g/dia e % do ingerido), que foi semelhante entre as rações. Contudo, a ração com FV obteve o maior (P<0,05) fluxo para o duodeno de MO bacteriana, sendo superior as rações contendo milho (MI e MC) e igual à ração contendo RM. Os maiores fluxos ocasionaram maior valor (P<0,05) de matéria orgânica verdadeiramente degradável no rúmen (MOVDR) (g/dia e % do ingerido) para as rações com RM e FV, que foram superiores as rações com milho (MI e MC).

Todavia, Fregadolli et al. (2000) não observaram interação das fontes de amido (casca de mandioca e milho) e de N (levedura e farelo de algodão+farinha de carne e ossos) para o fluxo de MO microbiana para o duodeno, obtendo um fluxo médio de 2.148 g de MO microbiana/dia. No entanto, as rações com casca de mandioca apresentaram (P<0,13) fluxo de MO microbiana para o duodeno 10% maior do que as rações com milho, 2.262 e 2.034 g/dia, respectivamente (Fregadolli et al., 2000).

O fluxo diário de compostos nitrogenados para o duodeno não variou entre as rações experimentais, porém ocorreu maior (P<0,05) fluxo de N bacteriano para a ração com FV e menores fluxos para as rações com milho (MI e MC) enquanto, que a ração com RM não diferiu das demais. Conseqüentemente, as rações com MI e MC obtiveram maiores valores de fluxo de nitrogênio não microbiano (NNM) chegando ao duodeno.

Contudo apesar de não ocorrer diferença no fluxo de nitrogênio total no duodeno, também não foi observada diferença na degradabilidade ruminal da proteína bruta das rações experimentais (Caldas Neto et al., 2000). Desta forma, a ração contendo FV, pode ter apresentado um maior fluxo de proteína verdadeira para o duodeno, enquanto as rações contendo MI e MC apresentaram um maior fluxo de N-NH3 para o duodeno.

Os valores de fluxo duodenal de N microbiano foram inferiores aos obtidos por diversos autores (Carvalho et al., 1997, Valadares et al., 1997, Ladeira et al. 1999), porém no presente experimento os animais estavam em regime de restrição alimentar. Firkins et al. (1986), trabalhando com novilhos, observaram que com a ingestão restrita a 90% do consumo voluntário ocorreu um maior fluxo de N-Mic (710 g/dia) do que animais com ingestão restrita a 60% do consumo voluntário (470 g/dia).

Diversos trabalhos na literatura indicam um aumento no fluxo de N microbiano quando o milho é substituído por uma fonte de amido mais degradável no rúmen. Spicer et al. (1986), trabalhando com novilhos, observaram que a substituição do milho pela cevada (amido de alta degradabilidade) acarretou aumento de 38% no fluxo de N microbiano para o duodeno. Também Herrera-Saldana et al. (1990), trabalhando com vacas da raça Holandesa, observaram o efeito da fonte de amido, para rações com milho ou cevada. O amido da mandioca apresentou maiores valores de degradabilidade e digestibilidade ruminal que o amido do milho (Perreira, 1987; Nocek & Tamminga, 1991; Holzer et al., 1997; Pires, 1999; Zeoula, 1990; Zeoula et al., 1999a, b), o que pode ter contribuído para os resultados obtidos para as rações com RM e FV. Todavia, Fregadolli et al. (2000), avaliando efeito da interação e efeito das fontes de amido e N, não observou diferença no fluxo de nitrogênio microbiano para o intestino, obtendo um fluxo médio de nitrogênio microbiano (N-Mic) para o duodeno de 148,9 g/dia.

Os maiores fluxos de MO e N bacteriano obtidos para as rações que contém amido de mandioca em maior proporção (RM e FV), indicaram uma maior produção de biomassa microbiana, possivelmente devido a maior digestão verdadeira de MO observada nestas rações, o que pode ter acarretado uma maior disponibilidade energética e de esqueletos carbônicos para os microrganismos sintetizarem seus aminoácidos. Além disto, quando se aumenta a disponibilidade de carboidratos não-estruturais para os microrganismos, sem que ocorra alteração no pH, como aconteceu no presente experimento, visto que as rações com RM e FV não acarretaram diferença no pH ruminal em comparação com as rações com milho (MI e MC), existe a tendência de aumento da produção microbiana.

O maior valor (P<0,05) de eficiência microbiana aparente (expresso em g N microbiano/ kg MOADR) foi obtido para a ração contendo farinha de varredura, concordando com maior valor de fluxo de N microbiano para o duodeno. Esta maior eficiência também está de acordo com os menores níveis de digestibilidade ruminal da PB e N-NH3 no líquido ruminal, indicando uma utilização mais eficiente de nitrogênio no rúmen para a ração com FV. Apesar de não ocorrer diferença no fluxo de compostos nitrogenados para o duodeno, não se pode afirmar que não houve vantagem da maior eficiência microbiana para FV, visto que uma maior parte do nitrogênio que escapou para o duodeno nas rações com MI e MC pode ser N-NH3, devido à maior concentração de N-NH3 no líquido ruminal para estas rações.

Os valores de eficiência microbiana aparente para todas as rações foram inferiores aos observados por Carvalho et al. (1997) e Valadares et al. (1997) para níveis semelhantes de concentrado e proteína bruta na dieta, respectivamente, sendo os valores semelhantes aos obtidos por Ladeira et al. (1999).

A eficiência microbiana verdadeira, expressa em g N microbiano/ kg MOVDR, não diferiu entre as rações experimentais.

 

Conclusões

Rações compostas com fontes de amido com diferenças na degradabilidade ruminal, milho, mandioca e resíduos das farinheiras (casca de mandioca e farinha de varredura) não acarretaram diferenças no pH ruminal, mas sim na concentração de N- NH3, sendo menor para a ração com farinha de varredura.

O maior valor de eficiência microbiana aparente (expresso em g Nitrogênio microbiano/ kg de matéria orgânica degradada no rúmen) foi observado para a ração com farinha de varredura, indicando que esta fonte energética possivelmente apresentou uma melhor sincronização com a fonte protéica (farelo de soja), diminuindo a perda de nitrogênio na forma de N-NH3 e aumentando a eficiência microbiana.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 19/01/01
Aceito em: 13/12/01

 

 

1 Professor do Departamento de Zootecnia ¾ PPZ/UEM. Av. Colombo, 5790, CEP 87020-900, Maringá/PR. E.mail: lmzeoula@uem.br; afbranco@uem.br; inprado@uem.br

2 Aluno de Doutorado ¾ PPZ/UEM ¾ Professor Cesumar/PR. E.mail: caldas@wnet.com.br

3 Zootecnista ¾ UEM.

4 Aluno de Doutorado ¾ UNESP/Jaboticabal.

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