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Revista Brasileira de Zootecnia

On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.39 no.10 Viçosa Oct. 2010

https://doi.org/10.1590/S1516-35982010001000015 

MONOGÁSTRICOS

 

Avaliação técnica e econômica da matriz nutricional da enzima fitase em rações contendo farelo de girassol para poedeiras comerciais1

 

Technical and economical evaluation of the nutritional matrix of phytase enzyme diets with sunflower meal for laying hens

 

 

Otto Mack JunqueiraI; Rosemeire da Silva FilardiII; Elaine Cristina LigeiroI; Elenice Maria CasartelliI; Sarah SgavioliI; Vinícius AssuenaI; Karina Ferreira DuarteI; Antonio Carlos de LaurentizII

IDepartamento de Zootecnia, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal - UNESP
IIDepartamento de Biologia e Zootecnia, Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira - UNESP

 

 


RESUMO

Cento e oitenta poedeiras comerciais Isa Brown, com 60 semanas de idade, foram distribuídas em delineamento inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 2 × 2, com dois níveis de fitase (0 e 500 ftu/kg de ração) e dois de farelo de girassol (4 e 8%), totalizando cinco dietas, avaliadas com seis repetições de seis aves. As dietas foram formuladas a partir de uma ração controle, à base de milho e farelo de soja, isenta de fitase e farelo de girassol, valorizando na formulação das dietas a matriz nutricional da fitase. O período experimental foi dividido em quatro ciclos de 28 dias cada. A matriz nutricional preconizada para fitase permitiu o atendimento pleno das exigências das aves, mesmo quando as dietas foram formuladas com níveis nutricionais reduzidos, isso quando desconsiderados os nutrientes presentes na matriz nutricional da enzima, de acordo com recomendação da empresa produtora. A adição de fitase na dieta reduz a excreção de fósforo pelas aves e melhora os parâmetros econômicos. A inclusão de farelo de girassol no nível de 8% prejudica a produção de ovos, mas não afeta os demais parâmetros de desempenho e qualidade dos ovos.

Palavras-chave: aditivo, alimentos alternativos, análise econômica


ABSTRACT

One hundred and eighty Isa Brown laying hens at 60 weeks of age were arranged in a completely randomized design in a 2 × 2 factorial scheme, with two levels of phytase (0 and 500 ftu/kg ration) and two levels of sunflower meal (4 and 8%) totalizing five diets, evaluated with six replicates with six birds. Diets were formulated from a control ration based on corn and soybean meal free from phytase and sunflower meal, valuing the nutritional phytase matrix in diets formulation. The experimental period was divided in four 28-day cycles. The nutritional matrix suggested for phytase completely met the requirement by hens, even when diets were formulated with reduced nutritional levels when the nutrients present in the enzyme nutritional matrix were not considered accordingly to recommendations by the manufacturer. Addition of phytase in the diet reduces excretion of phosphorus by the birds and it improves the economical parameters. Inclusion of sunflower meal at 8% level negatively affects egg production, but it does not affect the other performance parameters and egg quality.

Key Words: additive, alternative foods, economical analysis


 

 

Introdução

O farelo de girassol, subproduto da indústria de óleo vegetal, apesar de possuir uma proteína rica em aminoácidos sulfurados, apresenta algumas limitações quanto à utilização em rações para aves, como baixos teores de lisina e treonina e alta concentração de fibra, o que, de acordo com Stringhini et al. (2000), além de contribui para seu baixo valor de energia metabolizável (1.777 kcal EM/kg), diminui o aproveitamento dos nutrientes, prejudicando o desempenho e piorando a conversão alimentar das aves.

Diversos estudos foram desenvolvidos com o intuito de melhorar a utilização de farelo de girassol em rações para frangos, entretanto, trabalhos com o uso de farelo de girassol em rações para poedeiras em fase de produção são escassos e os resultados variam muito (Karunajeewa et al., 1989; Serman et al., 1997; Casartelli et al., 2006).

Na formulação de rações com alimentos alternativos, como o farelo de girassol, a utilização da enzima fitase pode ter custo/benefício favorável. De acordo com Cromwell (1991), a fitase é uma enzima que atua nas ligações do grupo fosfato do fitato, liberando o fósforo e outros minerais que fazem parte dessa molécula. Além de melhorar a disponibilidade do fósforo, o uso dessa enzima melhora também a disponibilidade de outros minerais, como magnésio, manganês, cobre, ferro e zinco. Como os monogástricos não sintetizam a enzima fitase, a eficiência no aproveitamento do fósforo de origem vegetal por esses animais é baixa.

Entretanto, os benefícios da adição de fitase em rações para poedeiras precisam ser mais amplamente estudados, uma vez que a maior parte dos trabalhos existentes na literatura restringe-se à inclusão de fitase em rações para frangos de corte ou à sua inclusão em rações formuladas principalmente com milho e farelo de soja (Keshavarz, 2003; Bess et al., 2006; Viana et al., 2009). Além disso, em estudos com poedeiras, geralmente a matriz nutricional da fitase não é considerada no momento de formulação das rações. A matriz nutricional da enzima indica a quantidade de nutrientes (energia, proteína, cálcio, fósforo e aminoácidos) que será liberada quando a fitase é acrescentada à ração.

Este trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar técnica e economicamente a utilização de fitase e sua matriz nutricional em rações contendo farelo de girassol para poedeiras comerciais.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Avicultura da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP - Campus de Jaboticabal e foi dividido em quatro períodos de 28 dias, perfazendo um total de 112 dias.

As instalações utilizadas foram galpões convencionais de postura (3 m de largura e 2 m de pé-direito) compostos internamente por gaiolas de arame galvanizado com quatro compartimentos de 25 × 40 × 40 cm, distribuídas lateralmente em dois andares, distantes 0,80 m do piso. O comedouro utilizado foi o tipo calha galvanizada, percorrendo toda extensão frontal das gaiolas, e o bebedouro do tipo copo plástico.

Foram utilizadas 180 poedeiras comerciais da linhagem Isa Brown com 60 semanas de idade (em primeiro ciclo de postura), alojadas em gaiolas convencionais de arame galvanizado (100 × 40 × 40 cm). Inicialmente, as aves foram selecionadas de acordo com o peso corporal (1940 ± 60 g) para uniformização do lote e, por um período de quatro semanas, a produção foi controlada individualmente para posterior redistribuição nas parcelas para equalização da produção (81 ± 6%).

O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × 2, com dois níveis de fitase na dieta (0 e 500 ftu kg/ração) e dois de farelo de girassol (4 e 8%), totalizando cinco dietas e seis repetições de seis aves, avaliadas em 30 parcelas. As dietas foram compostas a partir de uma ração controle, à base de milho e farelo de soja, e foram formuladas para ser isonutritivas - com exceção daquelas contendo fitase, cujos níveis de fósforo total foram reduzidos (Tabela 1) - e atender às recomendações mínimas de Rostagno et al. (2005).

Assim, as dietas podem ser descritas como: controle, formulada com milho e farelo de soja, sem adição de fitase; 4% de farelo de girassol, sem adição de fitase; 8% de farelo de girassol, sem adição de fitase; 4% de farelo de girassol + 500 ftu/kg de ração e valorização da matriz nutricional de fitase; 8% de farelo de girassol + 500 ftu de fitase/kg de ração e valorização da matriz nutricional de fitase.

A enzima fitase, obtida comercialmente, foi a Natuphos 10.000G, marca registrada da empresa BASF, obtida pela fermentação com fungos do grupo Aspergillus niger, contendo atividade inicial mínima declarada pelo fabricante de 10.000 ftu/g. A matriz nutricional da fitase foi 2959% de proteína bruta (158% de lisina, 53% de metionina+cistina e 171% de treonina), 697.056 kcal/kg de energia metabolizável aparente, 2192% de cálcio e 2521% de fósforo disponível. Desta forma, considerou-se que a fitase contribuiu com 35 kcal de energia metabolizável aparente, 0,15% de proteína, 0,11% de cálcio, 0,13% de fósforo, 0,003% de metionina + cistina 0,008% de lisina e 0,0085% de treonina. Desconsiderando a contribuição da fitase, as dietas apresentam níveis nutricionais reduzidos.

O farelo de girassol utilizado apresentou 91,5% de matéria seca, 31% de proteína bruta, 19,2% de fibra bruta, 1,54% de extrato etéreo, 0,45% de cálcio e 1,02% de fósforo total. Ao final de cada período, o desempenho das aves foi avaliado com base nos dados de consumo de ração (g/ave/dia), produção de ovos (%), massa de ovos (g), peso dos ovos (g) e conversão alimentar (kg de ração/kg de ovo).

Os parâmetros de qualidade dos ovos foram avaliados durante os dois últimos dias de cada período, quando foram coletados aleatoriamente três ovos por repetição para determinação de espessura de casca (mm), unidades Haugh e porcentagem de casca. A gravidade específica (g/cm3) foi determinada com todos os ovos íntegros produzidos nas últimas 24 horas dos dois dias de avaliação, adotando-se o procedimento de soluções de NaCl, de acordo com recomendação de Moreng & Avens (1990). Entre as soluções, a densidade variou de 1,065 a 1,100 g/ cm3 com gradiente de 0,005 entre as medidas.

Ao final do experimento foi realizado um ensaio de metabolismo para quantificar os teores de fósforo e nitrogênio nas excretas de poedeiras comerciais. O método utilizado foi o de coleta total de excretas. O ensaio teve duração de cinco dias. Foi adicionado 1,0% de óxido férrico em todas as rações, no primeiro e no último dia, como marcador do início e do término da coleta das excretas. A água e a ração foram fornecidas à vontade durante todo o período experimental. Ao término do período, as amostras de cada parcela, assim como de cada ração utilizada, foram enviadas ao laboratório para quantificação dos teores de matéria seca, fósforo e nitrogênio, de acordo com as metodologias descritas por Silva (2002).

Ao término do experimento, foi realizada também uma avaliação econômica. Para os custos de produção, foi considerado apenas o custo com a ração, uma vez que todos os outros custos foram os mesmos para todas dietas experimentais. O custo da ração para produzir uma dúzia de ovos ou um quilograma de ovos foi determinado considerando a quantidade de ração necessária para a produção de uma dúzia ou de um quilograma de ovos e o preço por quilograma de ração. O custo das rações foi determinado considerando a composição das rações e o preço dos ingredientes obtidos em junho de 2008.

Com exceção dos dados econômicos, os demais dados obtidos foram submetidos à análise de variância, pelo procedimento General Linear Model (GLM) do programa SAS® (SAS Institute, 2002), e as médias foram comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.

 

Resultados e Discussão

Para todos os parâmetros de desempenho (Tabela 2), o contraste fatorial vs controle não foi significativo (P>0,05). Entretanto, a interação entre os níveis de farelo de girassol e os de fitase influenciou (P<0,05) a massa de ovos. Dentro dos níveis de farelo de girassol, os níveis de adição de fitase somente tiveram influência no desempenho das aves quando o nível de farelo de girassol foi de 8%, assim a adição de fitase (500 ftu/kg de ração) determinou maior massa de ovos em relação à ausência da enzima.

 

 

Os níveis de farelo de girassol, no entanto, tiveram efeito apenas na ausência de fitase (Tabela 2), e, no nível de 4% de farelo de girassol, a massa de ovos foi maior que no nível de 8%. Esses resultados acomprovam que a adição de fitase favoreceu a utilização do nível mais alto de farelo de girassol (8%), podendo ter disponibilizado nutrientes contidos no milho e/ou farelo de girassol.

Os níveis de farelo de girassol influenciaram (P<0,05) apenas a produção de ovos, que foi maior nas aves que receberam as dietas contendo 4% de farelo de girassol em comparação àquelas alimentadas com a ração com 8% desse ingrediente, correspondendo a uma produção de 82,38 e 79,00%, respectivamente. Neste experimento, a diminuição na produção de ovos com a adição de 8% de farelo de girassol contraria os resultados obtidos por Serman et al. (1997) e Casartelli et al. (2006). Por outro lado, a ausência de efeito dos níveis de farelo de girassol sobre os demais parâmetros de desempenho está de acordo com o observado por Serman et al. (1997) e Casartelli et al. (2006) quando utilizaram, respectivamente, até 24 e 12% de farelo de girassol.

Os níveis de fitase influenciaram (P<0,05) apenas o consumo de ração, que foi maior nas aves que receberam dietas com fitase. Resultado similar foi obtido por Borrmann et al. (2001), que relataram que o consumo de ração em aves alimentadas com rações com baixo nível de fósforo disponível (0,18% Pd) e com fitase foi superior ao obtido com uma dieta controle (0,36% Pd e sem adição de fitase). Por outro lado, Viana et al. (2009), também avaliando a matriz nutricional da enzima fitase, porém de origem bacteriana, em rações para poedeiras, não observaram efeito sobre o consumo de ração.

Neste estudo, o maior consumo de ração pode ter sido determinado pela menor disponibilização de energia que a considerada na formulação das dietas quando valorizada a matriz fítica. Apesar de a fitase afetar o consumo de ração, o mesmo não ocorreu para a conversão alimentar.

As demais características de desempenho não apresentaram variações significativas (P>0,05) entre os níveis de fitase. Esses resultados estão de acordo com Bess et al. (2006), que não constataram diferenças significativas na porcentagem de postura em matrizes de corte alimentadas com rações com valorização plena da matriz nutricional da fitase, ou seja, com níveis nutricionais reduzidos, em comparação com as aves que receberam ração convencional com níveis nutricionais adequados e sem fitase.

De forma similar, Liu et al. (2007) e Viana et al. (2009) também constataram que a adição de fitase e a utilização de sua matriz nutricional em rações com níveis reduzidos de fósforo para poedeiras não afetaram a produção de ovos, o peso do ovo e a conversão alimentar por dúzia de ovos. Assim como nesses dois estudos, a matriz nutricional preconizada para fitase permitiu o atendimento das exigências das aves, de modo que, mesmo aquelas alimentadas com as rações com níveis nutricionais reduzidos não tiveram o desempenho comprometido.

Para todas as variáveis de qualidade dos ovos (Tabela 3) o contraste fatorial vs controle não foi significativo (P>0,05). Da mesma forma, os parâmetros de qualidade dos ovos não apresentaram diferenças (P>0,05) entre os níveis de farelo de girassol e níveis de adição de fitase. O mesmo foi observado para a interação entre estes fatores (níveis de farelo de girassol vs. níveis de fitase).

 

 

Para unidade Haugh e a espessura da casca, Casartelli et al. (2006) também não encontraram efeito negativo da inclusão de até 12% de farelo de girassol em rações para poedeiras de 41 semanas de idade. Entretanto, esses autores avaliaram a porcentagem de casca e a gravidade específica dos ovos e verificaram efeito cúbico dos níveis de farelo de girassol (0, 4, 8 e 12%). Por outro lado, Karanajeewa et al. (1989) avaliaram o aumento na inclusão de farelo de girassol (até 18,97%) em rações para poedeiras e não observaram efeito sobre a gravidade específica, mas notaram diminuição na unidade Haugh com o aumento dos níveis desse subproduto na ração.

Para os níveis de fitase, os resultados obtidos para qualidade externa da casca do ovo, medida pela gravidade específica, estão de acordo com relatos de Bess et al. (2006), que não observaram efeito negativo de rações com baixos níveis nutricionais e contendo fitase sobre a gravidade específica dos ovos, o que comprova que a matriz nutricional preconizada para fitase atendeu plenamente às exigências das aves.

Embora não tenha avaliado a matriz nutricional da fitase, Keshavarz (2003) também não encontrou diferenças na gravidade específica dos ovos de poedeiras alimentadas com rações contendo 0,10% de fósforo disponível e fitase (300 ftu/kg de ração) em comparação a uma ração controle contendo 0,45% de fósforo disponível e sem suplementação de fitase. Da mesma forma, efeito positivo da fitase também foi observado por Fireman et al. (1999), que avaliaram poedeiras de 25 semanas de idade alimentadas com rações contendo fitase (300 e 600 ftu/kg) e verificaram que a fitase corrigiu os efeitos adversos na qualidade externa do ovo (gravidade específica e a deposição de cálcio na casca) provocados pelo aumento da inclusão do farelo de arroz (0, 20 e 40%).

Por outro lado, Vieira & Bertechini (2001) avaliaram poedeiras de segundo ciclo alimentadas com rações à base de farelo de soja, milho e farelo de arroz (8%) contendo 0,16% de Pd e com fitase (100, 200, 300 e 400 ftu/kg) e verificaram efeito positivo da fitase sobre a qualidade da casca apenas com o nível de 100 ftu/kg de ração. Os autores relataram que à medida que aumentou o nível de fitase, diminuiu a gravidade específica dos ovos, fato que atribuíram à maior disponibilização de fósforo fítico, que prejudicou a qualidade dos ovos. Uma explicação para o decréscimo na gravidade específica dos ovos seria a menor exigência de fósforo em poedeiras de segundo ciclo, entretanto, o mesmo não foi observado para espessura e porcentagem de casca.

Os resultados obtidos para qualidade interna dos ovos estão de acordo com os relatados por Jalal & Scheideler (2001), que não observaram diferenças significativas para unidade Haugh quando avaliaram poedeiras de 40 a 60 semanas de idade alimentadas com rações contendo fósforo disponível nos níveis de 0,25; 0,15; e 0,10% e com fitase (250 e 300 ftu/kg de ração) em comparação a aves que receberam a ração convencional com 0,35% de fósforo disponível. Portanto, é necessário o conhecimento pleno da matriz nutricional que a fitase poderá disponibilizar para a ave como forma de evitar inadequado fornecimento de nutrientes e obter ótimo desempenho e qualidade dos ovos.

O contraste fatorial vs. controle foi significativo (P<0,01) para a ingestão de fósforo (Tabela 4). As aves alimentadas com a dieta controle apresentaram maior ingestão de fósforo.

A ingestão e a excreção de fósforo foram afetadas (P<0,01) pela inclusão de fitase (Tabela 4). As aves alimentadas com as dietas de baixos níveis nutricionais e com fitase ingeriram menor quantidade de fósforo (357,50 mg/ave.dia) em comparação àquelas alimentadas com as dietas com níveis nutricionais normais e isentas de fitase (495,16 mg/ave.dia). Consequentemente, o menor teor de fósforo excretado (338,16 mg/ave.dia) foi observado para as aves alimentadas com rações contendo fitase em relação àquelas alimentadas com rações sem fitase (406,33 mg/ave.dia), como resultado de uma redução de 17% no teor de fósforo excretado. Esse resultado se deve, principalmente, à diminuição de 48% do fosfato bicálcico na formulação das dietas quando valorizada a matriz fítica, ou seja, a quantidade de fósforo fítico que a fitase disponibiliza dos ingredientes de origem vegetal.

Os resultados obtidos para excreção do fósforo estão de acordo com os obtidos por Keshavarz (2003), que não notou comprometimento do desempenho das aves, porém observou redução mais expressiva na excreção de fósforo (50 e 56%, respectivamente) quando reduziram em até 67 e 78% os níveis de fosfato bicálcico e suplementaram as dietas com fitase (300 ftu/kg).

De acordo com Simons et al. (1990), a redução da suplementação de fósforo inorgânico e o aumento do uso do fósforo fítico pelo animal com o uso de fitase, além de diminuir de 20 a 30% a excreção do fósforo, proporciona redução significativa dos custos de alimentação.

Os níveis de farelo de girassol afetaram significativa-mente a ingestão e excreção de fósforo e nitrogênio. O nível mais alto de farelo de girassol proporcionou às aves o maior ingestão de fósforo e nitrogênio (460,66 mg/ave.dia e 2,22 g/ave.dia, respectivamente) e, conseqüentemente, o maior teor de fósforo e nitrogênio nas excretas (407,16 mg e 1,28 g, respectivamente), provavelmente porque o farelo de girassol possui valor de fósforo disponível e proteína superior ao considerado na formulação da dieta.

Para as variáveis analisadas, não foram observadas interações significativas entre os níveis de farelo de girassol e os de fitase, exceto para ingestão de nitrogênio. As aves alimentadas com o menor nível de farelo de girassol e sem suplementação de fitase apresentaram menor ingestão de nitrogênio (P<0,05) em comparação àquelas alimentadas com as demais dietas.

O menor nível de farelo de girassol (4%), independente-mente da inclusão de fitase, apresentou menores custos em comparação ao de 8% (Tabela 5). A utilização de 4% de farelo de girassol representa redução de 1,63% no custo da ração se comparada à de 8%, considerando, nesse caso, a ausência de fitase. O aumento no custo, quando utilizado o nível mais alto de inclusão de farelo de girassol (Tabela 1), está relacionado diretamente ao aumento na do nível de óleo de soja e lisina sintética, em decorrência dos baixos teores de energia metabolizável e lisina presentes no farelo de girassol. Segundo o NRC (1994), o farelo de girassol com casca possui 1.543 kcal EM/kg e 1,00% de lisina em 90% de matéria seca.

 

 

A adição de fitase nas rações, dentro dos mesmos níveis de farelo de girassol, reduziu todos os custos avaliados (Tabela 5). No nível de 4% de farelo de girassol, a adição de fitase determinou redução de 6,40; 3,97 e 4,64% nos custos de ração, no custo de produção por kg e no custo de produção por dúzia, respectivamente. No maior nível de farelo de girassol, a adição de fitase na ração reduziu em 6,65; 12,06 e 10,10% o custo de ração, o custo de produção por kg e o custo de produção por dúzia, respectivamente. Os menores custos decorrentes da inclusão do farelo de girassol e da fitase se devem à menor quantidade de óleo de soja e de fosfato bicálcico adicionados à ração quando considerado o valor da matriz da fitase na formulação das rações (Tabela 1).

As dietas com 4% e 8% de farelo de girassol e com adição de fitase (Tabela 5) determinaram redução em todos os parâmetros econômicos em relação à dieta controle, apresentando custos de ração, de produção por kg e de produção por dúzia mais baixos que os da dieta controle, em decorrência da menor inclusão de óleo de soja, fosfato bicálcico e metionina na ração. A menor inclusão do óleo de soja e fosfato bicálcico deu-se em virtude da valorização da matriz fítica na ração, enquanto a menor quantidade de metionina sintética deveu-se principalmente, ao fato de o farelo de girassol possuir proteína rica em aminoácidos sulfurados.

 

Conclusões

A matriz nutricional preconizada para fitase permite atendimento pleno das exigências das aves e garante o desempenho e a qualidade dos ovos, mesmo quando se utilizam rações com níveis nutricionais reduzidos. Além disso, promove decréscimo de 17% na excreção de fósforo pelas aves e redução de todos os parâmetros econômicos avaliados. A inclusão de 4% de farelo de girassol, além de não prejudicar o desempenho e a qualidade dos ovos, independentemente da inclusão da fitase, tem custos inferiores aos da suplementação no nível de 8%.

 

Referências

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Recebido em 12/2/2009 e aprovado em 5/10/2009.

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: rosefilardi@bio.feis.unesp.br
1 Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

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