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Brazilian Journal of Poultry Science

Print version ISSN 1516-635XOn-line version ISSN 1806-9061

Rev. Bras. Cienc. Avic. vol.2 no.2 Campinas May/Aug. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-635X2000000200004 

Ação Isolada ou Combinada de Ácidos Orgânicos e Promotor de Crescimento em Rações de Frangos de Corte

Isolated or combinated Action of Organic Acids and Growth Promoter in Broilers Rations

 


Autor(es) / Author(s)

Garcia RG*
Ariki J
Moraes VMB
Kronka SN
Borges SA
Murata LS
Campos VA

Correspondência / Mail Address

Rodrigo Garófallo Garcia

Depto Produção e Exploração Animal / Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia -UNESP 18610 – 000 - Botucatu - SP - Brasil

E-mail: garofallo@fca.unesp.br

Unitermos / Keywords

ácido propiônico, ácido fórmico, apramicina, frangos de corte, promotor de crescimento

propionic acid, formic acid, apramicin, broilers chicken, growth promoter

Observações / Notes

Pesquisa Financiada pela FAPESP
*Parte do trabalho de graduação do primeiro autor.

RESUMO

O experimento teve como objetivo verificar a ação da apramicina (10 ppm) e dos ácidos fórmico + propiônico (0,0; 0,1 e 0,2%) no desempenho de frangos de corte sexados. A mistura dos ácidos orgânicos foi de 1:1. O delineamento foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 3 x 2 (apramicina x ácidos orgânicos x sexos), com 4 repetições de 45 aves por parcela, totalizando 2.160 pintos Cobb de 1 dia. As aves receberam ração à vontade. Na fase inicial, a adição da apramicina (10 ppm) e 0,1% dos ácidos orgânicos, isoladamente, melhorou o ganho de peso das aves. A adição conjunta dos produtos não promoveu ganho acumulado. Na presença da apramicina, a adição dos ácidos orgânicos piorou a conversão alimentar. Nas fases final e total, os dados de desempenho não apresentaram diferenças significativas. O rendimento de carcaça foi prejudicado com a adição conjunta da apramicina e 0,1% dos ácidos orgânicos.

 

ABSTRACT

A trial was carried out to study isolated or combined effect of Apramicin (10ppm) and formic + propionic acids (0.0; 0.1 and 0.2%) supplementation in broilers diets. Acids mixtures were blended in a 1:1 ratio. A completely randomized design was utilized in a 2 x 3 x 2 factorial scheme (apramicim x organic acids x sex) with 4 replicates of 45 birds per experimental unit, with 2160-day-old Cobb chicks. Birds were fed "ad libitum". In the initial phase, the supplementation of apramicin and organic acids (0.1%) alone, increased (p<0,05) body weight gain. Combined supplementation did not promote an accumulative effect. However, apramicin in the presence of organic acids supplementation decreased feed efficiency. In the final and total phases, broilers performance parameters were not affected by treatment. Combined supplementation of apramicin and organic acids (0,1%) decreased carcass yield.


 

INTRODUÇÃO

Os ácidos orgânicos e os antibióticos têm sido utilizados como aditivos de rações animais para melhorar o desempenho das aves. A acidificação dos alimentos tem potencial para controlar bactérias, podendo melhorar o crescimento e a eficiência alimentar, eliminando microrganismos que competem por nutrientes. Benefício semelhante é atribuído aos antibióticos; entretanto, os acidulantes não deixam resíduos na carcaça e não promovem o aparecimento de bactérias resistentes (Miller, 1987).

Os ácidos orgânicos possuem poder bacteriostático e bactericida gram-negativo, in vitro, desde que presentes em quantidades suficientes de moléculas ácidas dissociadas e que haja contato com a bactéria por tempo adequado (Salmond et al., 1984; Young & Foegeding, 1993). As hipóteses que sustentam o uso dos ácidos orgânicos se relacionam com o efeito inibidor do desenvolvimento de fungos nas matérias-primas e rações, proliferação de enterobactérias e como potencializador, aumentando a disponibilidade dos nutrientes para as aves (Penz et al.,1993). Os ácidos propiônico e fórmico, associados ou não, têm mostrado boa ação no controle de enterobactérias (Berchieri & Barrow, 1996).

Os antibióticos são agentes antimicrobianos, produzidos por bactérias ou fungos, que, adicionados às dietas, podem melhorar o crescimento e a conversão alimentar das aves, e prevenir, abrandar ou controlar doenças (Potter, 1971). Vários autores têm relatado resultados positivos do uso de avilamicina, avoparcina, virginamicina, bacitracina de zinco e nitrovin sobre o desempenho de frangos de corte (Ariki et al., 1986; Miller, 1987; Bartov, 1992; Belay & Teeter, 1994; Pijsel, 1996). Com relação à apramicina, não foi encontrada na literatura referência de sua utilização como promotora de crescimento.

Muitas empresas avícolas adicionam às rações tanto ácido orgânico, quanto o antibiótico, como promotores de crescimento, surgindo então, a dúvida da necessidade ou não, da suplementação conjunta dos aditivos. Com isso, o trabalho teve por objetivo verificar os efeitos da apramicina e dos ácidos propiônico e fórmico sobre o desempenho e rendimento de carcaça de frangos de corte.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Aviário Experimental da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP – Campus de Jaboticabal. Foram utilizados 2.160 pintos de corte sexados, da linhagem Cobb, com um dia de idade. O delineamento foi inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 2 x 3 x 2 (níveis de apramicina x níveis de ácidos orgânicos x sexos), com 4 repetições de 45 aves por parcela. O antibiótico foi utilizado nos níveis de 0 e 10 ppm. A mistura dos ácidos propiônico e fórmico foi de 1:1, sendo adicionada nos níveis de 0,0; 0,1 e 0,2% da ração.

As rações (Tabela 1) à base de milho e farelo de soja foram formuladas segundo o National Research Council (NRC, 1994). A partir de 41 dias até o abate (45 dias), os produtos testados foram retirados das rações. As rações não continham nenhuma outra droga, com finalidade bactericida, fúngica ou promotora de crescimento, para evitar interferências no experimento.

 

 

A análise estatística foi realizada segundo Banzatto & Kronka (1995) e as médias comparadas pelo teste de Tukey (5%). Os índices analisados foram: ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar, mortalidade e rendimento de carcaça.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No período de 1 a 21 dias de idade das aves, a análise conjunta dos tratamentos, isolando os efeitos principais da presença da apramicina e ácidos orgânicos (fórmico + propiônico) não revelou efeito sobre o ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade. Entretanto, machos apresentaram melhor desempenho (p<0,01) que as fêmeas.

Na análise do desdobramento das interações (Tabela 2), foram isolados os efeitos dos dois aditivos. Nessas condições, nas rações sem adição dos ácidos orgânicos, o ganho de peso aos 21 dias de idade foi superior (p<0,05) com a suplementação da apramicina, sendo este aumento, da ordem de 4,8%. Para a conversão alimentar, na ausência dos ácidos orgânicos, apesar da apramicina melhorar em 5,6%, a diferença não foi significativa. Anteriormente, Jensen & Jensen (1992) obtiveram resultados semelhantes, em que as aves apresentaram maiores valores de ganho de peso quando ingeriram ração com avoparcina. O mesmo resultado não foi obtido por Khan et al. (1992) e Cavazzoni et al. (1993), onde as aves não apresentaram melhora nos seus índices produtivos.

 

 

De forma semelhante, a adição dos ácidos orgânicos (0,1%) nas dietas que não continham a apramicina, promoveu um ganho de peso de 2,1% superior (p>0,05). Esses resultados indicaram que até 21 dias, tanto o antibiótico como a associação dos ácidos orgânicos (0,1%) foram eficazes na melhora do ganho de peso, sem, entretanto, mostrar um efeito acumulado durante todo período de criação (Tabela 3). A adição de ácidos orgânicos também melhorou a conversão alimentar em 4,3% (p>0,05). Apesar de não terem sido demonstradas razões conclusivas para a melhora na performance de frangos, vários autores sugeriram que as possíveis formas de ação dos ácidos orgânicos são as alterações no pH intestinal, ativação das enzimas proteolíticas, melhora na produção de sais biliares e modificação na microflora intestinal, resultando em maior e melhor absorção de nutrientes (Waldroup & Patten, 1988).

 

 

Nas fases de crescimento, final e total, os dados de desempenho estudados não foram significativos, além de não haver efeito acumulado com a adição dos produtos (Tabela 3). Não houve diferenças significativas no rendimento de carcaça das aves quando se adicionou apramicina ou os ácidos orgânicos ou entre sexos. Waldroup et al. (1991) utilizaram em seus trabalhos o ácido fumárico e constataram que não houve efeito desse ácido sobre o rendimento de carcaça das aves.

Com o desdobramento das interações (Tabela 2), observou-se que com a adição de 0,1% dos ácidos orgânicos, e na presença da apramicina, ocorreu uma redução significativa no rendimento de carcaça, quando comparada com a adição de 0,0 e 0,2% dos ácidos orgânicos.

 

CONCLUSÕES

Na fase inicial de criação (1 a 21 dias), a apramicina (10 ppm) e a associação dos ácidos fórmico + propiônico (0,1%) melhoram a taxa de crescimento, quando adicionados na ração.

Não houve efeito combinado entre os ácidos orgânicos e a apramicina na fase total.

Nas fases de terminação e total, os ácidos orgânicos e a apramicina não apresentaram efeito sobre o desempenho dos frangos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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