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Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

Print version ISSN 1516-8484

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.25 no.1 São José do Rio Preto Jan./Mar. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-84842003000100002 

EDITORIAL

 

Qualidade de vida em pacientes submetidos ao transplante alogênico de medula óssea

 

Quality of life in patients submitted to allogeneic bone marrow transplantation

 

 

Cármino A. Souza

Professor titular de Hematologia FCM Unicamp - SP

Endereço para correspondência

 

 

Neste fascículo da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Doro MP e colaboradores da Universidade Federal de Curitiba, grupo liderado pelo Prof. Ricardo Pasquini, apresentam um interessante trabalho sobre Qualidade de Vida (QV) em pacientes adolescentes submetidos ao transplante alogênico de medula óssea (TMO).

O trabalho discute o comprometimento do procedimento na QV e salienta a importância do seguimento de longo prazo no sentido do entendimento dos vários momentos da evolução do paciente associados à QV. Os comprometimentos físico,1-3 socioeconômico2 e psicológico3-4 são freqüentemente associados à piora da QV, nestes pacientes. Em termos globais, não há uma definição consensual sobre o que poderia se denominar "Qualidade de Vida". No que se refere à QV ligada à saúde, inúmeros autores procuraram definir o que se pode entender como QV.

Em 1996, a Organização Mundial de Saúde, através da definição de vários domínios, criou a WHOQOL,5 que define QV como "a percepção do indivíduo, no seu contexto, afetado pela saúde física, seu estado psicológico, nível de independência, relações sociais e salientadas nas características do ambiente".

Nos anos recentes, vem crescendo de maneira acentuada o interesse sobre QV ligada ao TMO. Inúmeros autores demonstram que pacientes submetidos ao TMO sofrem significante impacto em todas as dimensões analisadas, como conseqüência do tratamento agressivo realizado. Estes efeitos podem ser de curto prazo3 ou tardios.6-7 Yano (2000)8 demonstrou a piora da QT em pacientes com GVHD crônica em sua forma extensa. Chiodi (2000)9 não conseguiu demonstrar que a terapia imunossupressora após o TMO possa exercer influência negativa na QV.

O nosso grupo publicou em 200210 um estudo de QV comparando as duas fontes de células progenitoras, sangue periférico ou medula óssea, e suas influências na QV. Com as limitações de um pequeno estudo randomizado, nossos dados sugerem pior QV em pacientes que receberam o TMO utilizando as células progenitoras do sangue periférico (CPP). Nós associamos estes achados à freqüência e severidade da GVHD crônica, mais freqüentemente associada ao transplante com CPP.

Finalmente, podemos dizer que melhorar a QV pode ser considerado um dos mais importantes objetivos de curto e longo prazo relacionados ao TMO, particularmente, ao alogênico. Estudos como os aqui apresentado são muito relevantes para melhorarmos nossas condições de assistência e acompanhamento dos pacientes submetidos ao TMO.

 

Referências Bibliográficas:

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8. Yano K, Kanie T, Okamoto S, et al. Quality of life in adult patients after stem cell transplantation. Int J Hematol 2000; Apr, 71 (3): 283-289.        [ Links ]

9. Chiodi S, Spinelli S, Ravera G, et al. Quality of life in 244 recipients of allogeneic bone marrow transplantation. Br J Haematol, 2000; 110:614-619.        [ Links ]

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Endereço para correspondência
Cármino A Souza
Hemocentro de Campinas - Cidade Universitária Zeferino Vaz - Distrito de Barão Geraldo
Caixa Postal 6198; CEP: 13083-970 - Campinas-SP - Brasil
Fax: (19) 3788-8600 - Tel: (19) 3788-8729
E-mail: carmino@unicamp.br

Recebido: 22/01/03
Aceito: 22/02/03