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Alea : Estudos Neolatinos

versión impresa ISSN 1517-106X

Alea vol.12 no.2 Rio de Janeiro jul./dic. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-106X2010000200001 

Editorial

 

 

O presente volume organizou-se sobretudo a partir do debate entre a literatura e outros domínios da estética e das ciências humanas.

No primeiro artigo, num recorte amplo, em que passa por Darwin, Kafka, e Coetzee, Márcio Seligmann-Silva associa o debate em torno da animalidade ao tema biopolítico da compaixão, transitando entre a literatura, a ciência e a política. Em seguida, três textos reconstituem, sob um viés eminentemente teórico, diferentes movimentos da crítica literária. Jaime Ginzburg discute com Adorno, na interface com a sociologia, o papel do crítico literário, com forte ênfase nos critérios de qualidade que deveriam nortear a produção acadêmica. Leda Tenório da Motta relê, sob a perspectiva do "neutro" – tema do penúltimo curso de Roland Barthes no Collège de France –, o conceito de "grau zero". Alberto Pucheu, por sua vez, explora, com Deleuze e Baudelaire, a produtiva tensão entre uma crítica filosófica e uma crítica poética da literatura.

Rodrigo Lopes de Barros passeia entre várias referências teóricas – entre as quais a noção agambeniana de museificação – para ler no conto Un arte de hacer ruinas de Antonio José Ponte a cidade de Havana como um museu em ruínas. Vanessa Costa e Silva Schmitt e Robert Ponge propõem uma reflexão sobre a medicina do século XVI a partir da leitura de A Obra em Negro, de Marguerite Yourcenar.

Na sequência, dois textos se voltam para a relação entre a literatura e outras artes. Júlio Diniz confronta com sutileza vários textos de Mário de Andrade, explorando especialmente os textos sobre a música e procurando desvendar como sua prática de escrita se aproxima de uma metodologia etnográfica. Marcelo Diego reflete, com apoio em Agamben, sobre as relação entre cinema e literatura, especulando em particular sobre o uso da poesia de Leopardi na criação de Vaghe Stelle dell'Orsa, de Visconti. Concluindo a série de artigos, João Queiroz explora com Haroldo de Campos as relações entre a semiótica e a tradução.

Encerram o volume quatro resenhas, em panorama representativo de nosso esforço para abarcar as diversas faces da reflexão contemporânea na área de Letras: um livro recém-lançado de Agamben, inédito em português; uma dissertação de mestrado em literatura portuguesa, defendida na UFRJ; uma coletânea de textos sobre a literatura do Québec; e, finalmente, um pequeno volume de ensaios de Fabio Durão.

 

Os Editores