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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.12 no.4 Niterói July/Aug. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922006000400007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Perfil dietético, estado nutricional e prevalência de obesidade centralizada em praticantes de futebol recreativo

 

Perfil dietético, estado nutricional y prevalencia de obesidad centralizada en practicantes de fútbol recreativo

 

 

Luciano Meireles de PontesI; Maria do Socorro Cirilo de SousaII; Roberto Teixeira de LimaIII

IMestrando, Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
IIProfessora Adjunta do Departamento de Educação Física, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
IIIProfessor Adjunto do Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo do estudo foi avaliar o perfil dietético, estado nutricional e a prevalência de obesidade centralizada (OC) em praticantes de futebol recreativo.
MÉTODOS: Amostra: 40 indivíduos (38,6 ± 7,4 anos) do gênero masculino. Para a avaliação do consumo habitual (CH), foi utilizado um questionário quantitativo de freqüência alimentar. O estado nutricional foi avaliado por meio do índice de massa corporal (IMC). A OC foi definida como circunferência abdominal (CIRCAB) superior a 102cm.
RESULTADOS: Predomínio de indivíduos da classe social "B" (80,0%), brancos (67,5%), casados (62,5%) e funcionários públicos (52,5%). As médias mostraram: massa corporal de 77,2 ± 11,8kg, estatura de 1,71 ± 0,1m, IMC de 26,4 ± 3,1kg/m2, CIRCAB de 92,3 ± 8,8cm, CH de 2.623,2 ± 438,5kcal. As proporções de nutrientes foram de 48,2 ± 5,7% de carboidratos, 17,6 ± 2,4% de proteínas, 34,9 ± 4,2% de lipídeos totais, 568,2 ± 112,7mg de colesterol e 20,2 ± 6,1g de fibras dietéticas. No estado nutricional, 35,0% são eutróficos, 52,5% apresentam sobrepeso e 12,5% são obesos. Em relação ao padrão de obesidade, 12,5% apresentam gordura centralizada. Entre as correlações observou-se forte associação entre CIRCAB x IMC (r = 0,91) e CIRCAB x massa corporal (r = 0,88).
CONCLUSÃO: Os futebolistas devem ser orientados sobre a importância da adequação nutricional para melhora da qualidade da vida e do desempenho esportivo, fato relacionado com as proporções de nutrientes encontrados, que evidenciaram reduzida ingestão de carboidratos e alta ingestão de proteínas e colesterol dietético. O estado nutricional mostrou valores prevalentes de sobrepeso e obesidade. A OC mostrou-se evidente, fato preocupante devido à associação desse padrão de obesidade com várias doenças crônicas não-transmissíveis.

Palavras-chave: Obesidade. Avaliação nutricional. Atividade física.


RESUMEN

El objetivo de este estudio ha sido el de evaluar el perfil dietético, estado nutricional y la prevalencia de la obesidad centralizada (OC) en practicantes de fútbol recreativo.
MÉTODOS: Muestra: 40 individuos (38,6 ± 7,4 años) del género masculino. Para la evaluación del consumo habitual (CH), fue utilizado un cuestionario cuantitativo de la frecuencia alimentar. El estado nutricional fue evaluado mediante el Índice de Masa Corporal (IMC). La OC fue definida como la circunferencia abdominal (CIRCAB) superior a 102cm.
RESULTADOS: Predominio de individuos de clase social "B" (80,0%), blancos (67,5%), casados (62,5%) y funcionarios públicos (52,5%). Las medias mostraron: masa corporal de 77,2 ± 11,8kg, estatura 1,71 ± 0,1m, IMC 26,4 ± 3,1kg/m2, CIRCAB 92,3 ± 8,8cm, CH 2623,2 ± 438,5kcal y las proporciones de nutrientes fue 48,2 ± 5,7% carbohidratos, 17,6 ± 2,4% proteínas, 34,9 ± 4,2% lípidos totales, 568,2 ± 112,7mg colesterol y 20,2 ± 6,1g fibras dietéticas. En el estado nutricional, 35,0% son eutróficos, 52,5% presentan sobrepeso y 12,5% son obesos. En relación al padrón de obesidad, 12,5% presentan grasa centralizada. Entre las correlaciones se observó una fuerte asociación entre CIRCAB X IMC (r = 0,91) y CIRCAB X masa corporal (r = 0,88).
CONCLUSIÓN: Los futbolistas deben ser orientados sobre la importancia de la adecuación nutricional para mejorar la calidad de vida y el desempeño deportivo, hecho éste relacionado con las proporciones de nutrientes encontrados que evidenciaron reducida ingestión de carbohidratos y alta ingestión de proteínas y colesterol dietético. El estado nutricional mostró valores de prevalencia de sobrepeso y obesidad. La OC se mostró evidente, hecho bastante preocupante debido a la asociación de este padrón de obesidad con varias enfermedades crónicas no transmisibles.

Palabras-clave: Obesidad. Evaluación nutricional. Actividad física.


 

 

INTRODUÇÃO

A saúde é modernamente entendida não apenas como o estado de "ausência de doenças", mas, numa perspectiva mais holística, é considerada como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizada num contínuo, com pólos positivos e negativos, em que, no pólo positivo estão os comportamentos relacionados à saúde e no pólo negativo, os comportamentos de risco e a morte(1). Com o avanço tecnológico, as pessoas em geral vêm-se tornando mais sedentárias e negligenciando vários fatores relacionados à melhor condição de saúde. No Brasil, as mudanças demográficas, socioeconômicas e epidemiológicas ao longo do tempo permitiram que ocorresse a denominada transição nos padrões nutricionais, com a diminuição progressiva da desnutrição e o aumento do sobrepeso e obesidade(2). Esse fato vem-se tornando um dos maiores problemas de saúde das sociedades contemporâneas. O excesso de gordura está relacionado ao surgimento de várias doenças, principalmente pelo avanço de forma rápida e progressiva sem diferenciar raça, sexo, idade ou nível social. Considerando as informações da OPAS(3), a obesidade tem crescido de forma assustadora em diversos países industrializados e em desenvolvimento, o que tem tornado o controle da quantidade de gordura uma das principais preocupações da saúde coletiva. Dessa maneira, cada vez mais a obesidade vem chamando a atenção da comunidade científica, por mostrar-se uma doença grave, multifacetada e de genética complexa(4).

A deposição de gordura na região abdominal caracteriza a obesidade centralizada, que vem sendo considerada como um grave fator de risco cardiovascular. Vários estudos(5,6) realizados em países europeus mostram que o aumento da obesidade abdominal tem sido maior do que os esperados aumentos seculares dos índices de massa corpórea(7). Dessa forma, esse padrão de obesidade exerce papel fundamental no desenvolvimento de múltiplos distúrbios metabólicos, incluindo dislipidemias(8), resistência à insulina(9), diabetes do tipo 2(10) e síndrome metabólica(11), todos os fatores levando ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. De acordo com dados obtidos na Pesquisa de Saúde Nacional e Exame da Nutrição(12), 86,0% dos indivíduos com obesidade abdominal provavelmente terão, também, pelo menos, outro fator de risco cardiovascular. Nesse contexto, reconhecimento das vantagens de bons hábitos alimentares e da prática de atividade física regular vem despertando enorme atenção de diversos especialistas.

Atualmente, uma prática esportiva com alta adesão popular é o futebol. Muitas dimensões socioculturais relevantes integram a sua prática; uma das mais abrangentes relacionadas a esse desporto é a do esporte popular, com princípios como uso do tempo livre e ludicidade, assim como o de proporcionar bem-estar e lazer a seus praticantes. Os adeptos dessa atividade física em maioria jogam o futebol apenas com caráter de lazer e socialização. Esses futebolistas amadores apresentam características de sedentarismo, principalmente porque não almejam na prática futebolística o rendimento atlético. Considerando a mundialização dos distúrbios nutricionais e o elevado aumento da obesidade centralizada, a questão que objetivou a produção deste estudo foi avaliar o perfil dietético, estado nutricional e a prevalência de obesidade centralizada em praticantes de futebol recreativo.

 

MÉTODOS

A população estudada foi constituída por funcionários e visitantes da área de esportes do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (CEFET). A amostra envolveu 40 indivíduos com idade entre 26 e 57 anos, praticantes de futebol amador. Os indivíduos foram selecionados pelo método probabilístico a partir da listagem de inscritos na instituição. Para o tamanho da amostra recorreu-se aos cálculos propostos por Richardson et al.(13).

Para melhor caracterizar os participantes da pesquisa, optou-se por coletar informações sociodemográficas referentes ao nível social, recorrendo-se aos critérios propostos pela Associação Nacional de Empresas de Pesquisa(14), perfil étnico, estado civil e perfil profissional; para tanto foi utilizado um questionário estruturado previamente testado contendo perguntas fechadas.

Perfil dietético – Para a avaliação do consumo dietético habitual, foi utilizado um Questionário Quantitativo de Freqüência Alimentar (QQFA), seguindo-se a estrutura citada por Viebig e Valero(15). Esse método compõe-se de 11 categorias de alimentos (sopas e massa, carnes e peixes, leguminosas e ovos, arroz e tubérculos, leite e derivados, cereais matinais, vegetais e molhos); o sujeito responde considerando o número de vezes que consome o alimento, a unidade de tempo (por dia, semana, mês e ano) e o tamanho da porção (pequena, média, grande e extragrande). A análise estimatória desse instrumento foi processada no software DyetSys versão 4.01.

Indicadores antropométricos – Para mensurar a massa corporal (MC) e a estatura (EST), foi utilizada uma balança digital Camry (capacidade de 150kg e divisão em 100g) e um estadiômetro portátil Sanny (200cm). Para avaliação do estado nutricional foi utilizado o índice de massa corporal (IMC) calculado a partir da divisão da MC pela EST (em metros) ao quadrado. Para a classificação do IMC foram seguidos os pontos de corte propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS)(16), em que: IMC inferior a 18,5kg/m2 representa "baixo peso"; IMC entre 18,5 e 24,9kg/m2, "eutrofia"; IMC entre 24,9kg/m2 e 29,9kg/m2, "sobrepeso"; e IMC superior a 30,0kg/m2, "obesidade". Para a análise da obesidade centralizada optou-se por medir a circunferência abdominal (CIRCAB) em centímetros com uma fita inelástica modelo Sanny (resolução de 150cm), no ponto médio entre a crista ilíaca e a face externa da última costela. A obesidade abdominal foi considerada para valores superiores a 102cm, conforme as Diretrizes Internacionais da OMS(17).

Os procedimentos para coleta de dados iniciaram-se com o contato, seguido de autorização da direção do CEFET para a realização do estudo nas instalações da instituição. Em seguida, os indivíduos selecionados para o estudo foram informados dos procedimentos, dos possíveis desconfortos, riscos e benefícios do estudo, antes de assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, segundo as normas para realização de Pesquisa em Seres Humanos e atendendo aos critérios da Ética da Pesquisa em Saúde, conforme determina a Resolução 196 do Conselho Nacional de Saúde de 1996(18). Na seqüência, realizou-se a antropometria e foram respondidos os questionários sociodemográfico e de avaliação dietética. As avaliações foram realizadas por um mesmo avaliador et al., devidamente treinados e com os mesmos instrumentos validados e calibrados. A análise dos dados processou valores percentuais, média, mínimo, máximo, desvio-padrão e correlações entre pares de variáveis mediante o teste r de Pearson, sendo utilizado o software SPSS versão 13.0. Fixou-se o valor de p < 0,05 para o nível de rejeição da hipótese de nulidade.

 

RESULTADOS

A tabela 1 descreve características sociodemográficas dos futebolistas estudados. Observou-se predomínio de indivíduos da classe social "B", de predominância étnica branca, casados e com perfil profissional de funcionários públicos.

 

 

A tabela 2 apresenta a distribuição dos valores de média, desvio-padrão (DP), valores mínimos e máximos da antropometria e consumo alimentar. Nota-se que os futebolistas apresentaram IMC médio superior ao dos níveis classificatórios de eutrofia (entre 18,5 e 24,9kg/m2). Quanto à medida da cintura, foi verificada média inferior aos valores de risco (superior a 102cm).

 

 

A tabela 3 mostra a distribuição relativa do estado nutricional. Não houve baixo peso entre os estudados. Observa-se alta prevalência de sobrepeso (52,5%) e obesidade (12,5%). Em relação ao padrão de obesidade, 12,5% apresentam gordura centralizada (andróide).

 

 

Entre as correlações (tabela 4) observou-se forte associação entre CIRCAB e IMC (r = 0,91; p = 0,000) e CIRCAB e massa corporal (r = 0,88; p = 0,000). Entre CIRCAB e índices dietéticos evidenciaram-se relações positivas, porém de baixo poder (r < 0,50); verificou-se ação inversa entre CIRCAB e consumo de fibras.

 

 

DISCUSSÃO

Considerando os dados publicados no Atlas do Esporte no Brasil, durante o ano de 2003, aproximadamente 30 milhões de brasileiros praticavam o futebol com caráter recreativo(19). Sendo assim, constatando-se o fenômeno quantitativo de adesão a essa prática, surgem inúmeras questões relacionadas ao aperfeiçoamento e maior qualidade dessa atividade física de lazer. Com relação aos aspectos dietéticos, algumas pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de investigar possíveis relações entre alimentos e nutrientes da dieta com o estado nutricional da população(15). Dessa maneira, para que essas associações possam ser bem investigadas é fundamental estudar a dieta pregressa ou "habitual", que caracteriza o consumo alimentar durante um longo período de tempo(20,21).

Para análise das proporções do consumo alimentar, optou-se por seguir às Dietary Reference Intakes (DRI's) para adultos(22). O consumo energético habitual neste estudo mostrou média inferior à de outras publicações com futebolistas apresentados por Guerra et al.(23), que varia entre 3.341 e 3.969kcal. A ingestão de carboidratos mostrou-se abaixo do recomendado para praticantes de atividade física. Para desportistas, uma dieta pobre em carboidratos compromete a tolerância ao exercício, assim como a capacidade de adaptação ao treinamento físico a longo prazo(24). A ingestão de proteínas mostrou valores superiores aos das DRI's. Tal consumo resulta no aumento da oxidação dos aminoácidos, diminuindo a sua retenção, em detrimento da oxidação de lipídeos. No consumo de lipídeos dos jogadores estudados, observou-se ingestão de 34,9% do valor energético habitual. Esses índices estão dentro das recomendações para uma dieta saudável, porém mostram-se superiores aos valores relativos estipulados para praticantes de exercícios físicos. Almeida e Soares(25), em recente publicação, citam que o consumo de gorduras na dieta não deve ser superior a 30,0% do valor energético total, já que a contribuição dos lipídeos para o desempenho da atividade física é somente como energia de reserva. O excesso de lipídeos na dieta possivelmente contribuirá para a ingestão excessiva de energia (calorias)(26) e, por conseguinte, no desenvolvimento da obesidade(27), justificando as recomendações gerais para que a maioria das pessoas reduza a gordura dietética total. Essa situação é de alerta, já que expõe esses indivíduos ao sobrepeso e obesidade.

O consumo de colesterol também apresentou médias elevadas, superiores às das recomendações dietéticas, e o consumo de fibras dietéticas foi abaixo do mínimo recomendado, tendo mostrado correlação negativa com a obesidade abdominal. Esse perfil é preocupante, já que, a elevada ingestão de colesterol e reduzido consumo de fibras estão associados a maior ocorrência de doenças crônicas não-transmissíveis, tais como distúrbios intestinais, câncer, diabetes e hipertensão(28).

O estado nutricional dos indivíduos deste estudo aponta para uma condição de desequilíbrio nutricional, fato relacionado à alta prevalência de sobrepeso (52,5%) e obesidade (12,5%) encontrada nos futebolistas. A freqüência de sobrepeso encontrada na amostra é superior à de outros estudos epidemiológicos publicados no Brasil(29). Lollio e Latorre(30) encontraram 26,9% de sobrepeso em homens adultos. Gigante et al.(31) encontraram 21,0% de obesidade e aproximadamente 40,0% de sobrepeso. Ell et al.(32) publicaram valores de 27,8% de sobrepeso e 6,4% de obesidade em indivíduos do gênero masculino. Nos Estados Unidos, a prevalência de obesidade em homens é de 27,5%(33); no Brasil, segundo dados do inquérito nacional de 1997(29), a prevalência está em torno de 12,4% para as mulheres e 7,0% para os homens. Alguns autores(2,29) relatam que o crescente aumento do sobrepeso e obesidade é fruto da transição nutricional, a qual assola tanto os países desenvolvidos, como os países em desenvolvimento, e que essa condição nutricional é preocupante porque freqüentemente se associa com a presença da hipertensão arterial sistêmica, resistência à insulina e síndrome metabólica.

Em relação ao padrão de obesidade, optou-se neste estudo por considerar valores perimétricos da CIRCAB superiores a 102cm como obesidade tipo andróide ou centralizada. Em vários ensaios clínicos e pesquisas de epidemiologia em nutrição, esse indicador antropométrico para distribuição abdominal da gordura vem sendo utilizado(34,35). As correlações entre gordura abdominal evidenciaram relações positivas com a antropometria, tendo apresentado associações mais fortes com o IMC e massa corporal. Zamboni et al.(36), em estudo com indivíduos adultos e idosos, encontraram correlação entre CIRCAB e IMC similar à verificada neste estudo. Sampaio e Figueiredo(37) publicaram valores correlacionais de r = 0,93 entre CIRCAB e IMC. Outras pesquisas envolvendo homens adultos realizadas por Armellini et al.(38) e Richelsen e Pederson(39) encontraram associações entre CIRCAB e IMC que variaram de r = 0,76 a r = 0,94, mostrando excelente relação estatística entre essas variáveis. Os índices dietéticos, com exceção das fibras, mostraram correlação positiva, porém baixa, com a gordura abdominal. Esse fato pode ser atribuído possivelmente aos vieses do método de avaliação do consumo alimentar que, no caso do utilizado nesta amostra, dependeu do relato individual, e também ao pequeno tamanho da amostra, que se tornou uma das limitações do presente estudo.

 

CONCLUSÃO

Considerando o perfil dietético, os futebolistas amadores devem ser orientados sobre a importância da adequação nutricional para melhora da qualidade da vida e do desempenho esportivo, fato relacionado com as proporções de nutrientes encontradas neste estudo, que evidenciaram reduzida ingestão de carboidratos e alta ingestão de proteínas e colesterol dietético. O estado nutricional mostrou valores prevalentes de sobrepeso e obesidade. A obesidade centralizada mostrou-se evidente nos futebolistas investigados, fato preocupante devido à associação desse padrão de obesidade com várias doenças crônicas não-transmissíveis. Por fim, este estudo sugere que a participação em práticas de jogos seja associada concomitantemente com orientação nutricional, para melhora nos hábitos alimentares, seguindo proporções balanceadas de nutrientes, ajustadas à condição nutricional de cada indivíduo, na perspectiva da melhora da qualidade de vida.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Nutrição da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e ao Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (CEFET/PB).

 

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Endereço para correspondência:
Luciano Meireles de Pontes
Rua Juvenal M. da Silva, 894, Manaíra
58038-511 – João Pessoa –PB
Tel.: (83) 3246-1448
E-mail: mslucianomeireles@superig.com.br

Recebido em 5/11/05. Versão final recebida em 26/4/05. Aceito em 26/4/05.

 

 

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.