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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692On-line version ISSN 1806-9940

Rev Bras Med Esporte vol.21 no.3 São Paulo May/June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1517-86922015210302174 

Artigos de Revisão

Programas de exercício na prevenção de lesões em jogadores de futebol: uma revisão sistemática

Exercise programs in the preventing injuries in football players: a systematic review

Programas de ejercicio en la prevención de lesiones en los jugadores de fútbol: una revisión sistemática

Ana Cruz-Ferreira 1   2  

António Marujo 1  

Hugo Folgado 1   2  

Paulo Gutierres Filho 3  

Jorge Fernandes 1   2  

1Universidade de Évora, Departamento de Desporto e Saúde, Escola de Ciências e Tecnologia, Évora, Portugal.

2Centro de Investigação de Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD), Évora, Portugal.

3Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física, Brasília, DF, Brazil.

RESUMO

Dentre as lesões ocorridas em jogadores de futebol, as lesões dos isquiotibiais são as mais frequentes. Programas de exercício que previnam o seu aparecimento e diminuam a sua recorrência e severidade são de extrema importância para os fisioterapeutas, treinadores e jogadores. Conhecer as evidências científicas sobre a eficácia de programas de exercício na prevenção de lesões dos isquiotibiais, em jogadores de futebol masculino. Os estudos foram selecionados para revisão em diferentes bases de dados. Para avaliar a qualidade metodológica dos estudos e a força de evidência dos resultados utilizou-se a escala da Base de dados de Evidência em Fisioterapia (PEDro) e o sistema de classificação Melhor Síntese de Evidência, respectivamente. Os programas de exercício utilizados foram: força concêntrica e excêntrica; força excêntrica Nordic Hamstrings; The FIFA 11+; e elasticidade. As variáveis estudadas foram a incidência de lesões, a incidência de novas lesões, a recorrência de lesões, a severidade das lesões e o risco de lesão. O programa de força concêntrica e excêntrica e o programa de força excêntrica Nordic Hamstrings parecem ser os mais eficazes na redução da incidência das lesões e da incidência de novas lesões dos isquiotibiais, respetivamente (evidências limitadas). O programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstring não é eficaz na diminuição do risco de lesão (evidências limitada) e na melhoria da severidade das lesões (evidência moderada). O programa The FIFA 11+ não é eficaz na redução da incidência das lesões (evidência limitada). Há evidências contraditórias nas variáveis restantes.

Palavras-Chave: esportes; masculino; avaliação de programas e projetos de saúde

ABSTRACT

Hamstrings injuries are one of the most frequent injuries in football players. Exercise programs leading to lower levels of injury, diminishing their recurrence and severity are extremely important for coaches, physical therapist and players. To recognize the scientific evidence of the effectiveness of exercise intervention programs in the prevention of hamstring injuries, in male football players. Different studies were selected for revision from several databases. To evaluate the methodological quality of these studies we used the Physiotherapy Evidence Database (PEDro) and determined the strength of the evidence using the best evidence synthesis grading system. The used exercise programs where based in concentric and eccentric strength, the eccentric strength exercise Nordic Hamstrings, The FIFA 11+, and flexibility exercises. The variables studied were: the incidence, the incidence of new injuries, recurrence of injuries, the severity, and the risk of injuries. The concentric and eccentric strength program and the Nordic Hamstrings program seem to be the most effective in reducing the incidence of injuries and the incidence of new injuries, respectively (limited evidence). The Nordic Hamstrings program does not reduce the risk of injuries (limited evidence) and does not improve the level of severity of the injuries (moderate evidence). The FIFA 11+program does not reduce the incidence of injuries (limited evidence). There are contradictory evidences on the other variables.

Key words: sports; male; program evaluation

RESUMEN

De entre las lesiones ocurridas en jugadores de fútbol, las lesiones de los isquiotibiales son las más frecuentes. Los programas de ejercicio que prevengan su aparición y disminuyan su recurrencia y severidad son de extrema importancia para los fisioterapeutas, entrenadores y jugadores. Conocer las evidencias científicas sobre la eficacia de programas de ejercicio en la prevención de lesiones de los isquiotibiales, en jugadores de fútbol masculino. Los estudios fueron seleccionados para revisión en diferentes bases de datos. Para evaluar la calidad metodológica de los estudios y la fuerza de evidencia de los resultados se utilizó la escala de Base de datos de evidencia en fisioterapia (PEDro) y el sistema de clasificación Mejor Síntesis de Evidencia, respectivamente. Los programas de ejercicio utilizados fueron: fuerza concéntrica y excéntrica; fuerza excéntrica Nordic Hamstrings; The FIFA 11+; y elasticidad. Las variables estudiadas fueron la incidencia de lesiones, la incidencia de nuevas lesiones, la recurrencia de lesiones, la severidad de las lesiones y el riesgo de lesión. El programa de fuerza concéntrica y excéntrica y el programa de fuerza excéntrica Nordic Hamstrings parecen ser los más eficaces en la reducción de la incidencia de las lesiones y de la incidencia de las nuevas lesiones de los isquiotibiales, respectivamente (evidencias limitadas). El programa de ejercicio de fuerza excéntrica Nordic Hamstrings no es eficaz en la disminución del riesgo de lesión (evidencias limitadas) y tampoco en la mejora de la severidad de las lesiones (evidencia moderada). El programa de The FIFA 11+ no es eficaz en la reducción de la incidencia de las lesiones (evidencia limitada). Hay evidencias contradictorias en las restantes variables.

Palabras-clave: deportes; masculino; evaluación de programas y proyectos de salud

INTRODUÇÃO

O futebol é o esporte mais popular no mundo, com 265 milhões de jogadores1. O futebol é uma modalidade coletiva, exigente, tanto a nível tático como a nível físico2, caraterizando-se pelo intenso contato físico, movimentos curtos, rápidos e não contínuos, tais como aceleração, desaceleração e mudanças rápidas de direção3. Os jogadores de futebol treinam no seu limite máximo, ficando susceptíveis a várias lesões4.

O aumento da popularidade deste esporte, trouxe consigo, um avanço considerável no número de lesões dos seus jogadores5. Nos jogadores de futebol masculino profissional, as lesões musculares representam 31% de todas as lesões. Mais de 92% das lesões musculares acontecem nos membros inferiores, sendo que a maior percentagem ocorre nos isquiotibiais (37%)6. As lesões dos isquiotibiais representam cerca de 12% a 16% de todos as lesões relacionados com o futebol6 - 8. Esta lesão ocorre normalmente durante uma rápida aceleração ou desaceleração e/ou uma rápida mudança de direção, durante a corrida em velocidade máxima ou durante um salto7. Uma lesão nos isquiotibiais requer longos períodos de reabilitação, incapacitando os jogadores de participar em treinos/jogos durante mais de 90 dias9. As lesões nos isquiotibiais são, ainda, caraterizadas por uma elevada taxa de recorrência (12% a 31%)7 , 10. As recorrências das lesões exigem um maior tempo de repouso de atividade comparativamente com as primeiras lesões6. São apontados diversos fatores de risco para as lesões dos isquiotibiais, nomeadamente: as lesões anteriores, a força e a elasticidade dos isquiotibiais, a estabilidade do core, a arquitetura dos músculos e a fadiga11.

Existem estudos científicos que investigam os efeitos de programas de exercício na incidência de lesões em jogadores de futebol4 , 12 - 14. Revisões sistemáticas sobre esta temática revestem-se de um caráter fundamental por sintetizarem a evidência científica disponível sobre a eficácia das intervenções, ajudando os fisioterapeutas15 - 17, pesquisadores, treinadores e jogadores no desenvolvimento da sua atuação. Neste âmbito, existem revisões sistemáticas sobre os efeitos de programas de exercício de prevenção de lesões em geral, em jogadores de futebol do gênero feminino18 e ambos os gêneros19. Igualmente, existem revisões sistemáticas em lesões específicas, como por exemplo, no joelho de atletas20; no ligamento cruzado anterior em atletas do gênero feminino21; e nos isquiotibiais de indivíduos fisicamente ativos7. Contudo, não existe nenhuma revisão sistemática sobre o efeito de programas de exercício, em jogadores de futebol masculino, na prevenção de lesões dos isquiotibiais. É plausível a hipótese de que programas de exercício, nomeadamente os específicos na força e na elasticidade muscular dos isquiotibiais, no equilíbrio e na estabilidade do core, melhorem as lesões nos isquiotibiais de jogadores de futebol masculino.

Dada a crescente produção científica sobre os programas de exercício na prevenção de lesões dos isquiotibiais de jogadores de futebol, reveste-se de importância e torna-se pertinente a realização de uma revisão sistemática, cujo objetivo é conhecer as evidências científicas sobre a eficácia de programas de exercício na prevenção de lesões dos isquiotibiais, em jogadores de futebol masculino.

MÉTODO

Seguiram-se as recomendações PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis), na medida em que estas clarificam a redação das revisões sistemáticas22.

Os estudos foram selecionados para revisão no dia 24 de abril de 2014, após pesquisa nas seguintes bases de dados: Web of Science (1995 até 2014), Science Direct, PEDro, Scielo, MEDLINE (1950 até 2014), Lilacs, CINHAL (1937 até 2014) e Cochrane Central Register of Controlled Trials. Os termos de pesquisa utilizados foram Injury Association Football, Injury Football Player, Injury Soccer e Lesões Futebol, filtrado nos campos de título e resumo. A estratégia de busca para todas as bases de dados foi a seguinte "Injury Association Football" OR Injury Football Player" OR "Injury Soccer" OR "Lesões Futebol". Foi, também, realizada uma pesquisa manual nas listas das referências dos artigos que cumpriram os critérios de inclusão.

Os critérios de inclusão foram os seguintes: publicados em periódicos com revisão por pares; escritos em língua inglesa e portuguesa; serem ensaios clínicos com processo de randomização, com grupo controle, em jogadores de futebol do gênero masculino, em pelo menos um dos grupos; terem grupo de controle inativo e/ou grupo(s) de programas de exercício; recorrerem a um programa de exercício de prevenção de lesões dos isquiotibiais, em pelo menos um dos grupos; e investigarem variáveis que avaliam a eficácia das intervenções na prevenção de lesões dos isquiotibiais.

Após a leitura independente de todos os resumos e títulos, foram selecionados os estudos que cumpriam todos os critérios de inclusão (estudos potencialmente incluídos) e excluídos os que não satisfaziam estes critérios. Posteriormente, os artigos potencialmente incluídos foram classificados em excluídos e incluídos. Dois autores (ACF e AM) fizeram esta seleção e um terceiro revisor (JF) foi consultado sempre que não houve concordância entre ambos.

Nos estudos incluídos foi retirada a seguinte informação: autores; ano de publicação; participantes; programa de exercício; variáveis dependentes; e resultados. À semelhança do que sucedeu no ponto anterior, dois autores extraíram os dados, recorrendo-se à apreciação de um terceiro revisor sempre que foi necessário.

Os dois autores (ACF e AM) avaliaram, de forma independente, a qualidade de cada estudo experimental, através da escala da Base de Dados de Evidência em Fisioterapia (PEDro)23, tendo sido consultado um terceiro autor (JF) sempre que não existiu consenso. Esta avaliação é fundamental nas revisões sistemáticas, pois as variações dos ensaios podem afetar as conclusões sobre as provas existentes24 , 25.

Os resultados de estudos anteriores revelam que a confiabilidade na escala PEDro é aceitável25. A escala parece ter credibilidade suficiente para o seu uso em revisões sistemáticas de estudos experimentais controlados de fisioterapia24. A escala PEDro é constituída por 11 ítens, nomeadamente critério de elegibilidade, distribuição aleatória, distribuição oculta, grupos idênticos no início do estudo, participantes cegos, terapeuta cego, avaliador cego, desistências, intenção de tratamento, comparação entre grupos e medidas de precisão e variabilidade 17. Os ítens cumpridos são classificados com o valor 1 e os não satisfeitos com o valor 0. A pontuação final é o somatório do ítens entre 2 e 11, pois o ítem 1 (critério de elegibilidade) como está relacionado com a validade externa não é utilizado para calcular o valor da escala PEDro. A avaliação final pode variar entre 0 e 10, sendo que o valor mais elevado corresponde a uma maior qualidade metodológica.

Como a escala PEDro não estabelece valores de corte, optamos por considerar que, estudos com uma pontuação PEDro inferior a cinco tinham baixa qualidade e os com uma pontuação igual ou superior a cinco tinham elevada qualidade26.

Análise estatística

Analisamos a força de evidência científica, através da melhor síntese de evidência (BES)27, que é uma alternativa à meta-análise. A escala de BES realiza uma análise qualitativa, onde a qualidade exerce um papel mais relevante que a quantidade28, tendo sido utilizado por outros autores26.

O BES classifica a força de evidência dos resultados dos estudos tendo como base o número de estudos, a existência ou não de resultados contraditórios e a qualidade dos mesmos27 , 28. Assim, são definidos quatro níveis de evidência: evidência forte, resultante de vários estudos de grande qualidade; evidência moderada, resultante de um estudo de grande qualidade e um ou mais estudos de baixa qualidade; evidência limitada, resultante de um estudo de grande qualidade ou vários estudos de baixa qualidade; e evidência contraditória, proveniente de um estudo de qualidade baixa ou de resultados inconclusivos29.

RESULTADOS

Na pesquisa foram encontrados 1910 estudos, nas seguintes bases de dados. Após a primeira seleção, através da leitura do resumo e do título, foram excluídos 1892, ficando 23 estudos considerados potencialmente incluídos na presente revisão. Cinco estudos cumpriram os critérios de inclusão, dos quais quatro foram identificados nas bases de dados Web of Science (n=2)30 , 31 e PEDro (n=2)32 , 33, tendo um estudo identificado através de pesquisa manual8 (figura 1).

Figura 1. Diagrama do processo de seleção dos artigos. 

A classificação da escala de PEDro obtida variou entre quatro e seis pontos (média - 5; mediana e moda - 5). Obtivemos quatro estudos com uma qualidade metodológica elevada, onde um estudo teve a pontuação de seis31 e três obtiveram a pontuação de cinco30 , 32 , 33. Apenas um estudo teve uma qualidade metodológica baixa com uma classificação quatro8. Todos os estudos cumpriram os ítens relacionados com a estatística, sendo eles a comparação entre os grupos e as medidas de precisão e de variabilidade. Já os critérios menos satisfeitos foram os que estavam relacionados com a distribuição oculta, onde apenas um estudo satisfez o critério31, e o ser cego para o estudo, em que nenhum estudo cumpriu o critério. No primeiro caso significa que o indivíduo que determinou a elegibilidade dos participantes, desconhecia em que grupo estes seriam inseridos. No segundo caso, ou seja o ser cego para estudo, os participantes não conheciam em que grupo estavam inseridos, e o(s) terapeuta(s) e os avaliador(es) ignoravam o grupo em que os participantes foram incluídos (tabela 1).

Tabela 1. Descrição dos estudos selecionados 

Estudo/ Pontuação da escala de PEDro Programa de exercício Variável- chave Resultado das variáveis-chave
Askling et al., (2003)33

Escala PEDro=5
Duração: 10 meses.
Fase 1 – pré-temporada; 10 semanas:16 sessões.
Fase 2 – temporada de competição; 35 semanas.
Programa de exercício de força concêntrica e excêntrica: supervisionado nas 2 primeiras semanas; com aparelhos.
Após 15 minutos de aquecimento.
Cada sessão - 4 series de 8 repetições; as primeiras 4 series como aquecimento, com um período de descanso entre serie de aproximadamente 1 minuto + programa habitual de treino.
GC: programa habitual de treino.
Incidência das lesões; GE: diminuiu o número de incidência de lesões (p<0.05).

GC: não houve diferenças.
Arnason et al., (2008)8


Escala PEDro=4


2001
GE 1: Programa de exercício de elasticidade - aquecimento com alongamentos + exercício de elasticidade (3X por semana na pré-temporada;
1-2X na temporada) + programa habitual de treino
GE 2: programa de exercício de força excêntrica Nordic hamstring + aquecimento com alongamentos + exercício de elasticidade (3X por semana na pré-temporada; 1-2X na temporada) + programa habitual de treino.
GC 1: programa habitual de treino.

2002
GE 1 e 2: Programa de exercício  força excêntrica Nordic hamstring - aquecimento com alongamentos (5 semanas aumento gradual da carga; 3 series de 12, 10 e 8 repetições, 3 X por semana na pré-temporada; 3 series de 12, 10 e 8 repetições, 1 a 2 X durante a temporada) + programa habitual de treino.
GC 2: programa habitual de treino.
Incidência de lesões;

Recorrência de lesões;

Severidade de lesões.
Programa de exercício de elasticidade:
não houve diferença na incidência (p=0.22) e na recorrência  e na severidade de lesões (p=0.85).
Programa de força excêntrica Nordic hamstring: diminuiu a incidência de lesões (p=0.001). Não houve diferenças na recorrência
Na (p=0.47). e severidade de lesões (p=0.88).
GC: não houve diferenças na incidência, recorrência  e severidade de lesões.
Engebretsen et al., (2008)32


Escala PEDro=5
Duração: 3 meses.
Programa de exercício  força excêntrica Nordic hamstring - durante 10 semanas:
1ª Semana: 1 sessão – 2 séries de 5 repetições;
2ª Semana: 2 sessões – 2 séries de 6 repetições;
3ª Semana: 3 sessões – 3 séries de 6 a 8 repetições;
4ª Semana: 3 sessões – 3 séries de 8 a 10 repetições;
5ª à 10ª semana: 3 sessões – 9 séries de 12,10 e 8 repetições;
Até ao final da época: 1 sessão – 3 séries de 12, 10 e 8 repetições.
+ programa habitual de treino.
GC: programa habitual de treino.
Incidência das lesões;

Risco de lesão;
GE e GC (alto risco): não houve diferenças na incidência (p=0.50) e no risco de lesão (p=0.17).
Petersen et al., (2011)31


Escala PEDro=6
1ª Fase
Duração: 27 sessões em 10 semanas
GE: Programa de exercício  força excêntrica Nordic hamstring
1ª Semana: 1 sessão – 2 séries de 5 repetições;
2ª Semana: 2 sessões – 2 séries de 6 repetições;
3ª Semana: 3 sessões – 3 séries de 6 a 8 repetições;
4ª Semana: 3 sessões – 3 séries de 8 a 10 repetições;
5ª à 10ª semana: 3 sessões – 9 séries de 12,10 e 8 repetições; + programa habitual de treino.
GC: programa habitual de treino.
Fase 2
GE: Programa de exercício força excêntrica Nordic hamstring
11ª ou mais semanas: 1 sessão – 3 séries de 12,10 e 8 repetições + programa habitual de treino.
GC: programa habitual de treino.
Incidência de lesões;

Incidência de novas lesões;

Recorrência de lesões;

Severidade de lesões;

GE diminuiu a incidência de lesões (P<0.001), de novas lesões (p=0.034) e recorrência de lesões (p=0.003). Não houve melhorias na severidade das lesões (p=0.16).
GC não houve diferenças
Beijsterveldt et al., (2012)30


Escala PEDro=5
Duração: 9 meses.
2x semana (pelo menos); 10 a 15 minutos na fase do aquecimento.
Programa de exercício The11” - 10 exercícios de treino excêntrico nos músculos da coxa, de treino propriocetivo, de estabilização dinâmica e pliométrico).
GC: programa habitual de treino.
Incidência de lesões; GE e GC: não houve diferenças na incidência das lesões (p>0.05).

GE = Grupo experimental; GC = Grupo controle.

Características dos estudos

O estudo mais antigo foi de 200333 e o mais recente de 201230.

O registro de lesões mais frequente realizou-se antes da intervenção e durante a mesma31 , 33. Askling et al. 33 realizaram os registros durante a época anterior e em duas fases distintas durante a intervenção: a fase 1, de janeiro a março; e a fase 2, de março a outubro. Arnason et al. 8 registraram as lesões durante dois anos antes da intervenção (1999 e 2000) e durante a mesma (2001 e 2002). Por sua vez, Peterson et al. 37 adoptaram o mesmo desenho de estudo, ou seja igual período de tempo de registros antes e durante a intervenção, no entanto o tempo de registro é de 12 meses. Os restantes estudos efetuaram o registro de lesões durante a intervenção em fases diferentes, de janeiro a março36 e de setembro a maio30 , 32. A duração das intervenções variou entre os três32 e os doze meses8 , 31. O número das amostras variou entre 233 e 100 equipes de futebol8, sendo que os estudos de Beijsterveldt et al.30, Engebretsen et al.32 e Peterson et al. 31 tiveram uma amostra com 23, 31 e 50 equipes, respetivamente. As equipes eram das principais ligas da Suécia33, da Islândia, da Noruega8 , 32, da Dinamarca e da Holanda30. Somente em dois estudos30 , 31 é que participaram jogadores de ligas amadoras de alto nível.

Todos os estudos, à exceção de um8, recorreram somente a um programa de exercício como forma de intervenção, para além do treino habitual, que compararam com um grupo controle que praticava o seu treino habitual. Uma outra investigação recorreu a um programa de elasticidade e um programa de força excêntrica Nordic Hamstrings, tendo sido comparados com um grupo controle8. Assim, foram cinco os programas de exercício utilizados: força concêntrica e excêntrica; força excêntrica Nordic Hamstrings; The FIFA 11+; e elasticidade. O programa de força excêntrica Nordic Hamstrings consiste em um exercício que se realiza por pares, onde o atleta que realiza o exercício coloca-se de joelhos, com o corpo reto em extensão, e o outro segura-lhe os pés. O atleta deixa-se cair até ao chão em um movimento longo, tentando resistir ao movimento para a frente recorrendo à contração dos músculos isquiotibiais, para maximizar a carga na fase excêntrica. Na fase concêntrica, o atleta usa as mãos para empurrar e voltar à posição inicial, minimizando a carga49. Relativamente ao programa The FIFA 11+, este inclui dez exercícios que incidem na estabilidade do core, no treino excêntrico dos músculos da coxa, no treino propriocetivo, estabilização dinâmica e pliométrico30 (tabela 1).

Efeitos dos programas de exercício

Foram investigadas cinco variáveis dependentes nos estudos, sendo elas a incidência de lesões 8 , 30 , 31 , 33, a incidência de novas lesões 31, a recorrência de lesões 8 , 31, a severidade das lesões 8 , 31 e o risco de lesão 32.

No que diz respeito à variável incidência de lesões, os programas de exercício de força concêntrica e excêntrica33 e o de força excêntrica Nordic Hamstrings 8 , 31 promoveram efeitos positivos nesta variável (diminuiu a incidência de lesões). Ao contrário, nos programas de exercício de elasticidade8, de The FIFA 11+ 30 e de força concêntrica e excêntrica Nordic Hamstrings de Engebretsen et al. 32, não se observaram diferenças. O programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstrings 31 diminuiu a recorrência de lesões, contudo no programa de elasticidade8 não houve alterações nesta variável. O programa de exercício de elasticidade8 diminuiu a severidade das lesões, já no de força excêntrica Nordic Hamstring 8 , 31 não foram observadas diferenças. Por último, as variáveis dependente incidência de novas lesões 37, e risco de lesão 31 , 32 foram investigadas cada uma somente por um estudo, no qual o programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstring diminuiu a incidência de novas lesões 31 e não provocou alterações no risco de lesão 32 (tabela 2).

Tabela 2. Qualidade metodológica, efeitos dos estudos e força de evidência do resultados. 

Estudo Programa de exercício Variável dependente Efeito do programa de exercício na variável dependente Qualidade metodológica do estudo Força da evidência do efeito da variável dependente
Askling et al., (2003)33 Força concêntrica e excêntrica Incidência de lesões Positivo Elevada Evidência limitada
Beijsterveldt et al., (2012)30 The FIFA 11+ Incidência de lesões Não houve diferenças Elevada Evidência limitada
Petersen et al., (2011)31 Força excêntrica Nordic Hamstrings Incidência de lesões Positivo Elevada Evidência contraditória
Arnason et al., (2008)8 Positivo Baixa
Engebretsen et al., (2008)32 Não houve diferenças Elevada
Petersen et al., (2011)31 Recorrência de lesões Positivo Elevada Evidência contraditória
Arnason et al., (2008)8 Não houve diferenças Baixa
Petersen et al., (2011)31 Severidade de lesões Não houve diferenças Elevada Evidência moderada
Arnason et al., (2008)8 Não houve diferenças Baixa
Petersen et al., (2011)31 Incidência de novas lesões Positivo Elevada Evidência limitada
Engebretsen et al., (2008)32 Risco de lesão Não houve diferenças Elevada Evidência limitada

Há evidências moderadas que o programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstring não promove alterações na severidade das lesões. No entanto, existem evidências limitadas que este programa diminui a incidência de novas lesões, mas não surte efeito no risco de lesão. Existem, igualmente, evidências limitadas que o programa de exercício de força concêntrica e excêntrica diminui a incidência de lesões e o programa The FIFA 11+ não provoca qualquer alteração nesta variável. Nas restantes variáveis investigadas há evidências contraditórias sobre os seus resultados nos diferentes programas de exercício (tabela 2).

DISCUSSÃO

Encontramos uma evidência moderada na utilização do programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstring relativamente à severidade das lesões, onde não houve alterações. Observa-se uma evidência limitada no programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstrings na diminuição da incidência de novas lesões, não provocando modificações no risco da lesão. Igualmente, existem evidências limitadas, que suportam o uso dos programas de exercício de força concêntrica e excêntrica na redução da incidência de lesões e do The FIFA 11+ na ausência de alterações desta variável. Não foram encontradas quaisquer evidências, nas restantes variáveis e programas de exercício utilizados.

A qualidade metodológica dos estudos foi elevada. Estes resultados eram esperados pois os estudos são recentes, com exceção de um estudo publicado em 2003. No entanto, esperava-se que a sua média fosse superior a 5 pontos. Estes resultados corroboram com outras revisões sistemáticas sobre a prevenção de lesões de jogadores de futebol, onde a qualidade dos estudos é elevada e é apresentada como crucial para conhecer a eficácia dos programas de exercício8 , 32.

Os ítens da escala PEDro mais satisfeitos foram a comparação entre os grupos e as medidas de precisão e variabilidade, demonstrando rigor na análise estatística, seguido dos ítens desistência, distribuição aleatória e grupos idênticos no início do estudo. Nos dois primeiros ítens apenas um estudo teve uma taxa de desistência superior a 15% e não realizou uma distribuição aleatória8. O ítem desistência é difícil de cumprir pois os estudos experimentais podem ter elevadas taxas de desistência devido ao desinteresse dos participantes26. Contudo, o fato das amostras dos estudos serem de jogadores de ligas profissionais e amadoras de alto nível poderá explicar o reduzido número de desistências observadas nos estudos. A maioria dos estudos, mais concretamente 80%, realizaram uma comparação entre os grupos no início do estudo. Apenas dois estudos cumpriram o critério intenção de tratamento 8 , 32 e um estudo satisfez o critério de distribuição oculta 31. No primeiro caso, no ítem intenção de tratamento, quando este é cumprido aumenta a potência estatística dos testes, garantindo a validade externa do estudo e, deste modo, métodos aleatórios de distribuição dos sujeitos deverão ser utilizados26. No segundo caso significa que o indivíduo que determinou a elegibilidade dos participantes desconhecia em que grupo estes seriam inseridos. Nenhum estudo satisfez os ítens que estão relacionados com o desconhecimento experimental, ou seja os participantes, os terapeutas e os avaliadores não sabem quais os objetivos das investigações. Este último ítem é difícil de alcançar por parte dos participantes e dos terapeutas em estudos experimentais que envolvam programas de exercício50.

Esperava-se que a maioria dos programas de exercício adotados nos estudos contemplassem exercícios de força (concêntrica e excêntrica, excêntrica Nordic Hamstrings e The FIFA 11+), uma vez que estes têm sido recomendados como medida para prevenir as lesões dos isquiotibiais7 , 51. Os músculos isquiotibiais realizam a extensão do quadril e a flexão do joelho, sendo que a força nestes músculos se eleva com o aumento da velocidade. Geralmente, as lesões dos isquiotibiais acontecem na fase final da corrida, quando aumenta a força excêntrica dos músculos52. A falta de força muscular dos isquiotibiais53 e os desequilíbrios musculares54 , 55 têm sido apontado como fatores de risco para o aparecimento de lesões neste músculo. Inclusive, alguns autores defendem que existem vantagens de incluir exercícios com ações musculares excêntricas em regime de treino de força para alcançar bons resultados8 , 33.

A elasticidade insuficiente dos músculos isquiotibiais também é apontada como um fator para o aparecimento de lesões8 , 11 , 53 , 56 , 57, clarificando a existência de programas de intervenção que se centrem neste trabalho. O aquecimento e os alongamentos devem ser implementados antes da atividade física, sendo que os alongamentos deverão ser realizados 15 minutos antes da atividade, de modo a ter mais benefícios58. Contudo, a literatura apresenta resultados controversos relativamente à associação entre a elasticidade dos isquiotibiais e o risco da lesão11.

É interessante constatar que o programa The FIFA 11+ engloba exercícios de estabilidade do core. Recentemente, a estabilidade do core tem sido associada às lesões dos isquiotibiais59 , 60. Contudo a escassez de estudos experimentais sobre esta temática, exige futuras investigações11.

Uma recente revisão sistemática concluiu que os programas de intervenção, utilizados na prevenção de lesões em jogadores de futebol feminino, englobam exercícios de força, elasticidade, pliométricos, agilidade e equilíbrio. Nos estudos incluídos na presente investigação não existiram programas de intervenção que incluíssem exercícios de equilíbrio e de agilidade. Esta diferença dever-se-á, provavelmente, ao fato deste estudo ser específico de lesões nos isquiotibiais, enquanto que na revisão de Lerch, Cordes et al. 8 , 32 não há uma restrição da localização das lesões.

Existe evidência limitada que o programa de exercício de força concêntrica e excêntrica33 diminui a incidência de lesões, pois só um estudo de elevada qualidade investigou os efeitos deste programa de exercício nesta variável. O programa The FIFA 11+ obteve, igualmente, evidência limitada, na incidência de lesões, na medida em que apenas um estudo30 de elevada qualidade realizou este tipo de intervenção nesta variável, onde não obteve diferenças em relação ao grupo controle.

O programa de força excêntrica Nordic Hamstrings foi utilizado em vários estudos8 , 31 , 32 em diversas variáveis, nomeadamente a incidência de lesões 8 , 31 , 32, a recorrência de lesões, a severidade de lesões 8 , 31, a incidência de novas lesões 31 e o risco de lesão 32. No que diz respeito à severidade de lesões, há evidências moderadas que o programa de força excêntrica Nordic Hamstrings não promove alterações, pois esta variável foi investigada em dois estudos, um de elevada qualidade31 e outro de baixa qualidade8. A incidência de novas lesões 31 e risco de lesão 32 foram analisadas em apenas um estudo, apesar das suas elevadas qualidades metodológicas, a evidência dos seus resultados é limitada. Isto é, existem evidências limitadas que a força excêntrica Nordic Hamstrings diminui a incidência de novas lesões 31 e não provoca alterações no risco da lesão 32. Relativamente à incidência de lesões, há evidências contraditórias acerca dos resultados obtidos, porque embora tenha sido pesquisada em vários estudos, os seus resultados são consensuais. Dos três estudos que investigaram os efeitos do programa de exercício de força excêntrica Nordic Hamstrings na incidência de lesões 8 , 31 , 32, dois obtiveram resultados positivos nestas variáveis8 , 31 e no outro não houve diferenças32. Estes resultados contraditórios dever-se-ão provavelmente ao tempo de intervenção que no estudo em que não se observaram alterações32 é inferior aos outros dois estudos que tiveram resultados positivos8 , 31.

O programa de exercício de elasticidade foi utilizado apenas no estudo de Arnason et al. 8, onde investigou os seus efeitos na incidência de lesões, na recorrência de lesões e na severidade de lesões. Houve evidências contraditórias nos resultados destas variáveis porque a qualidade metodológica do estudo é baixa.

Também Beijsterveldt et al. 8 , 32 encontraram resultados contraditórios na sua revisão sistemática que, segundo os autores, poderão estar relacionados com as diferenças entre os estudos incluídos, nomeadamente na amostra, no programa de intervenção e na assiduidade dos jogadores.

São várias as limitações desta revisão sistemática, nomeadamente: a heterogeneidade da duração e frequência do programa de exercício e dos critérios na avaliação das variáveis (ex: tempo de registros, definição de lesão e sua severidade); o número reduzido de estudos experimentais com grupo controle conduzidos em jogadores de futebol do gênero masculino; a inexistência de desenhos de estudos com follow-up, com o intuito de determinar os efeitos duradouros dos programas de exercício; a obrigatoriedade de classificar os ítens da escala PEDro como satisfeitos só quando são claramente referidos no estudo que o ítem foi cumprido, podendo no entanto, existir casos em que os ítens foram satisfeitos sem terem sido reportados; e a inviabilidade de realizar uma meta-análise, dada a heterogeneidade clínica e estatística.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, o programa de força concêntrica e excêntrica, comparativamente aos restantes, parece ser o mais eficaz na redução da incidência das lesões dos isquiotibiais, em jogadores de futebol masculino. Por sua vez, o programa de força excêntrica Nordic Hamstrings parece ser, de igual modo, eficiente na diminuição de incidência de novas lesões. Há evidências limitadas sobre estas conclusões.

Os programas de exercício de força excêntrica Nordic Hamstring não é eficaz na diminuição do risco de lesão (evidências limitada) e na melhoria da severidade das lesões (evidência moderada). Do mesmo modo, o programa de The FIFA 11+ não é eficaz na redução da incidência das lesões (evidência limitada). Nas restantes variáveis e programas de exercício utilizados as evidências científicas foram contraditórias.

Futuramente, mais estudos de alta qualidade metodológica que investiguem a eficácia dos programas de exercício na prevenção de lesões dos isquiotibiais de jogadores do gênero masculino devem ser realizados para que sejam encontradas evidências científicas fortes e, se possível quantificá-las através de uma meta-análise, de modo a auxiliar os fisioterapeutas, treinadores e jogadores nas tomadas das suas decisões.

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

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Recebido: 13 de Setembro de 2014; Aceito: 20 de Janeiro de 2015

Correspondence: Departamento de Desporto e Saúde, Universidade de Évora. Rua Reguengos de Monsaraz, 44, Évora, Portugal. 7005-399. anacruzferreira@gmail.com

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