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Educação e Pesquisa

Print version ISSN 1517-9702On-line version ISSN 1678-4634

Educ. Pesqui. vol.45  São Paulo  2019  Epub May 09, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/s1678-4634201945188850 

SEÇÃO: ARTIGOS

A circulação de referências na revista Educar em Revista e o campo educacional brasileiro (2000-2010)

Jaime Cordeiro1 
http://orcid.org/0000-0003-4926-6590

Daniele de Moraes Fabbri2 
http://orcid.org/0000-0003-3235-0761

Jackson de Oliveira Souza3 
http://orcid.org/0000-0002-3162-8832

1 - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo , SP , Brasil . Contato: jfcordeiro@usp.br.

2 - Colégio Dante Alighieri , São Paulo , SP , Brasil . Contato: danielemfabbri@hotmail.com.

3- Rede municipal de ensino de São Paulo, SP, Brasil. Contato: jackinnet@gmail.com.

Resumo

O presente estudo examina os artigos publicados no período entre 2000 e 2010 por uma das principais revistas pedagógicas brasileiras, Educar em Revista , editada pelo Setor de Educação da UFPR. O objetivo é caracterizar o conjunto dos autores que publicam nesse periódico, suas afinidades e redes de relações, de modo a obter indícios que ajudem a configurar o atual estado do campo educacional brasileiro, cada vez mais caracterizado pela cultura da performatividade, fundada em uma intensa competição. A hipótese principal é a de que a investigação dos artigos publicados nos principais periódicos brasileiros pode oferecer elementos significativos para compreender a estruturação e a dinâmica do campo educacional na linha proposta por Bourdieu. No exame dos artigos foram mobilizados procedimentos metodológicos em que é dada uma atenção particular aos referentes externos presentes nos artigos. Também são recolhidas informações presentes nas suas referências bibliográficas, registrando-se livros, artigos de revista, teses e dissertações e outras fontes ali mencionadas. Isso completa-se pelo levantamento de informações biográficas e curriculares dos autores. No exame de Educar em Revista constatou-se uma mudança do perfil da publicação, já que ela apresentava, no intervalo entre 2000 e 2005, um forte caráter endógeno, o que foi corrigido nos últimos anos do período estudado, no sentido de maior adequação aos critérios de avaliação dos periódicos utilizados pela Capes. Percebe-se que tanto os editores quanto os autores que publicam na revista procuram se ajustar às novas características do campo, cada vez mais marcado pela performatividade e pela competição.

Palavras-Chave: Imprensa pedagógica; Campo educacional; Brasil

A circulação de referências na revista Educar em Revista e o campo educacional brasileiro (2000-2010)

Estudos recentes têm descrito e analisado as mudanças ocorridas no campo científico nos últimos anos e que também afetam o campo educacional brasileiro. A característica mais evidente e que mais tem recebido atenção é a afirmação da chamada cultura da performatividade, fundada em um clima de intensa competição, que expressa a permeabilidade do campo científico às exigências e características do mercado ( BALL, 2005 ; MOREIRA, 2009 ; KUHLMANN, 2015). Nesse sentido, destaca-se a competição entre pesquisadores, instituições e grupos de pesquisa e periódicos especializados, que acaba se expressando por meio de uma competição entre artigos científicos, chegando-se até mesmo a definir-se esse gênero textual como uma verdadeira mercadoria acadêmica ( CASTIEL; SANZ-VALERO, 2007 ; ZUIN; BIANCHETTI, 2015 ; KUHLMANN JR., 2014; OLIVEIRA; CATANI, 2011 ). Ao mesmo tempo, o número e a qualidade das publicações, especialmente de artigos nos periódicos especializados de maior prestígio, têm-se tornado os critérios definidores do sucesso e da legitimidade dos agentes do campo universitário em geral e do campo educacional em particular, bem como da avaliação da qualidade dos programas de pós-graduação ( MEADOWS, 1999 ; HORTA; MORAES, 2005 ; MOREIRA, 2009 ). Embora a Capes se valha de um conjunto muito amplo de critérios para a atribuição das notas de mérito no processo trienal de avaliação da pós-graduação no país, o que acaba pesando na definição da excelência acadêmica desses programas são os indicativos de produtividade e publicação de artigos.

Nesse sentido, investigar os artigos publicados nos principais periódicos brasileiros nos últimos anos pode oferecer elementos significativos para compreender a estruturação e a dinâmica do campo educacional nesse período. 4 São aqui apresentados os primeiros resultados de uma investigação que se tem ocupado de um amplo conjunto de periódicos nacionais especializados em educação, classificados com o mais alto conceito (A1) no ranking Qualis produzido pela Capes nas suas últimas edições. O projeto mais geral ocupa-se da coleta e da análise de dados de sete periódicos gerais de educação publicadas no Brasil e que recebem sistematicamente o conceito A1 no Qualis: Cadernos de Pesquisa, Educação e Pesquisa, Educação & Sociedade, Educação em Revista, Educar em Revista, Ensaio e Revista Brasileira de Educação . Tais revistas são respectivamente editadas por ou vinculadas a: Fundação Carlos Chagas; Cedes – ligado à Universidade Estadual de Campinas-SP; Fundação Cesgranrio; Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped); Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal do Paraná (UFPR). Encontram-se vinculadas, direta ou indiretamente, portanto, a duas importantes fundações privadas dedicadas à pesquisa na área educacional e a quatro dos principais Programas de Pós-Graduação em Educação no país.

Neste estudo, é discutido o material obtido pelo exame dos artigos publicados entre os anos de 2000 e 2010 em um desses periódicos, Educar em Revista , vinculado à Universidade Federal do Paraná e ao seu Programa de Pós-Graduação.

Considerações metodológicas

No exame das revistas selecionadas como fontes deste projeto são mobilizados procedimentos metodológicos derivados de uma corrente dos estudos comparados em educação ( SCHRIEWER, 1998 ; SCHRIEWER; KEINER, 1992 ; CARVALHO; CORDEIRO, 2002 ). Neles é dada uma atenção particular aos referentes externos presentes nos artigos estudados, bem como se recolhem as informações presentes nas referências bibliográficas, registrando-se os livros, os artigos de revista, as teses e dissertações, bem como as outras fontes ali mencionadas.

O processo de coleta e de tratamento dessas informações é orientado por um protocolo de pesquisa que permite a construção de um amplo banco de dados e que prevê o registro de informações relativas ao tipo de artigo, grau de ensino tratado no texto, temática principal, caráter do texto e unidade geopolítica de análise, para constatar a presença ou ausência de propósitos de comparação. Ao mesmo tempo, são coligidas as informações disponíveis a respeito dos autores dos artigos, instituição a que estão vinculados, título acadêmico com que se apresentam etc. Tais informações serão completadas posteriormente por meio do outro grupo de fontes a serem examinadas, os currículos dos pesquisadores disponíveis na Plataforma Lattes do CNPq.

O que se pretende com isso é verificar o funcionamento de algumas propriedades do campo educacional que se incorporam nos agentes do campo e nos modos como eles as mobilizam e as ponderam, com diferentes valorações, de acordo com a teoria geral dos campos desenvolvida por Pierre Bourdieu em diversas de suas obras, em particular em Homo academicus (2011). Algumas das propriedades possíveis de identificar são aqui apresentadas esquematicamente:

• Veículos de publicação (as revistas e seu peso na produção acadêmica)

- Participação do autor na equipe ou no conselho editorial

• Formação inicial dos autores dos artigos

- Tipo de instituição: pública ou privada

- Formação em Pedagogia ou em outras áreas

• Formação no nível da Pós-graduação

- Programa e universidade

- Orientador(es)

• Posição institucional e carreira

- Vínculo profissional a universidade ou instituição de pesquisa

Atividades de orientação e relação de orientados

- Cargos ocupados na universidade e nos demais órgãos da gestão universitária e acadêmica

- Participação em grupos de pesquisa

- Situação como bolsista do CNPq

- Outros financiamentos recebidos

- Pós-doutorado e outros estágios

- Índices de circulação internacional

• Referências mobilizadas nos artigos

- Autores

- Livros

- Artigos de periódicos

- Outras fontes

Esse conjunto de propriedades permite melhor compreender as trajetórias descritas pelos agentes, as posições ocupadas, os vínculos e alianças estabelecidos, as redes de filiação e afinidade, os alinhamentos teóricos etc. Diferentemente de outros tipos de trabalhos que têm utilizado como fontes a produção acadêmica veiculada nos periódicos especializados, a investigação, ainda em desenvolvimento, pretende compor um quadro analítico da circulação de referências no campo educacional brasileiro, bem como da constituição das redes de afinidades nesse mesmo campo, por meio da participação dos pesquisadores nacionais nos periódicos mais importantes da área e das relações estabelecidas no âmbito da pós-graduação e nos projetos coletivos de pesquisa que se vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos. O exame da produção e do funcionamento dessas redes de afinidades pode oferecer um quadro bem mais aprofundado das relações que se estabelecem entre os agentes no setor do campo universitário que se ocupa da pesquisa educacional, permitindo melhor compreender os mecanismos efetivos de filiação intelectual, transmissão do saber e conversão e reconversão dos capitais específicos desse campo.

Histórico e apresentação de Educar em Revista

Educar em Revista é um periódico editado pelo Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tem periodicidade quadrimestral desde 2009. Em outros momentos da sua trajetória, no entanto, essa periodicidade variou. Um esboço do ciclo de vida da revista foi publicado no número 50 (MACHADO JR.; BENCOSTTA, 2013). Nesse texto, remonta-se a sua origem à antiga Revista de Educação , que teve dois números em 1977 e 1978. Em 1981, a revista voltou a ser editada, mas já com outro título, Educar – Revista do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná , que circulou com periodicidade anual até 1989. Voltou a ser publicada em 1993, já com o título atual. Manteve-se com apenas uma edição anual até o número 16, de 2000. Até 2008, passou a circular semestralmente, assumindo desde 2009 a periodicidade quadrimestral que é mantida até os dias atuais.

Ao longo de todo o período aqui examinado (2000–2010) vieram a público 23 números regulares e mais quatro números intitulados como especiais, que totalizaram 383 artigos. Esses textos distribuem-se entre dossiês temáticos definidos pelo Conselho Consultivo e artigos diversos selecionados pelo Comitê Editorial (MACHADO JR.; BENCOSTTA, 2013). Esses 383 artigos foram escritos por 544 autores. 5 Nota-se, portanto, uma dispersão de autores, sendo que apenas 29 chegaram a publicar 2 ou até 3 artigos. Desses, 15 deles tinham como vínculo institucional a UFPR, cujo Setor de Educação edita a revista. 88% dos artigos foram produzidos por autores brasileiros, sendo o restante por autores estrangeiros, destacando-se Portugal (12), Espanha (7), Argentina (6) e Chile (5) como os principais países de origem.

Quanto à vinculação institucional desses autores, percebe-se a presença significativa de pesquisadores ligados à própria UFPR (22,5%), seguidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (5,8%) e pelas três universidades públicas paulistas (USP, Unicamp e Unesp), com pouco mais ou pouco menos de 4% cada, totalizando 13% do número de autores. Essa distribuição explica-se, em parte, pela história e pela origem da publicação, que foi lançada com o propósito de divulgar a produção interna dos docentes e discentes da universidade que a edita, implicando o forte caráter endógeno do seu conteúdo durante parte do período estudado. No entanto, ao longo dos anos, a revista procurou se adequar aos critérios vigentes na área das publicações científicas e alcançar melhores posições no ranking Qualis , elaborado pela Capes, de modo a atingir o nível A1, o maior daquela classificação. Para tanto, uma das exigências é a diversidade e pluralidade de origem institucional dos autores de artigos publicados. Na pesquisa aqui exposta, pôde-se constatar que a proporção de autores da UFPR que tiveram artigos publicados em Educar em Revista diminuiu de 31,5%, no período entre 2000 e 2005, para 17%, no período entre 2006 e 2010.

Ao longo do período completo, no entanto, é possível constatar a já assinalada presença na Revista de pesquisadores vinculados à UFPR (quase um quarto dos autores de artigos), além de uma grande participação de autores de outras instituições universitárias paranaenses. Apenas três Estados – Paraná (30,8%), São Paulo (18,5%) e Rio Grande do Sul (10,1%) – concentram quase 60% dos autores dos artigos publicados na revista. Tal distribuição regional coincide em alguma medida com a localização dos principais programas de Doutorado em Educação no país, se a esses Estados também forem somados Rio de Janeiro (6,1%) e Minas Gerais (com 5,2%), que ainda se distribuem muito desigualmente no território nacional, embora isso venha se amenizando com a criação de novos programas em todas as principais universidades públicas.

Dentre os autores principais que eram vinculados à UFPR, constata-se que a maioria (quase 78%) realizou sua pós-graduação em apenas quatro universidades: na própria UFPR (28%), na USP, na PUC-SP e na Unicamp (somando essas últimas os outros 50%). A realização da pós-graduação em um desses quatro programas se reduz a cerca de 36% para os autores principais que não são vinculados à UFPR.

O banco de dados produzido para a pesquisa permite o registro de até três autores por artigo. Foram registrados 263 artigos com apenas um autor; 78 escritos em colaboração entre dois autores; e 42 com três autores. Reitera-se nessa revista a presença do trabalho individual como uma característica da produção educacional brasileira, e mesmo da área de humanidades em geral, como é assinalado por Ortiz (2004) . É importante assinalar que dos 29 autores que publicaram mais de um artigo no período (2 ou 3 no máximo), 15 deles eram vinculados à UFPR.

Quanto à nacionalidade, 336 artigos foram produzidos por autores brasileiros (quase 88%), sendo que entre os autores estrangeiros, destacam-se portugueses (12 artigos), espanhóis (7), argentinos (6) e chilenos (5). Em termos de distribuição regional, registraram-se 53% de autores vinculados a instituições de pesquisa da Região Sul, 34,5% da Região Sudeste, e cerca de 11,5% distribuídos igualmente entre as Regiões Nordeste e Centro-Oeste, não se registrando nenhum autor vinculado à Região Norte. Tal quadro explica-se, provavelmente, pela concentração e desigual distribuição dos recursos materiais, institucionais e humanos dedicados à pesquisa educacional no país entre as diversas regiões do país, em consonância com as fortes desigualdades econômicas regionais.

A investigação deteve-se sobre as referências mobilizadas nos artigos, classificadas em artigos de revista, livros, teses e dissertações, documentos eletrônicos e outras (que não se encaixavam nas demais modalidades e que incluem legislação e textos publicados em anais de eventos científicos entre outros).

Considerando-se que a maioria das referências dos artigos foi retirada de livros e de artigos de revista, a análise se concentrará sobre essas duas modalidades, embora outras considerações relevantes pudessem ser feitas também quanto ao uso das teses e dissertações e a presença relativa das instituições em que foram produzidas. Percebe-se na Tabela 1 que o principal tipo de fonte mobilizada são os livros (mais de 63% do total). Embora cada vez mais se valorizem os artigos de revista como o principal veículo de circulação do conhecimento científico e como fonte principal para os pesquisadores, parece continuar prevalecendo nas ciências sociais, em geral, e nos estudos educacionais, em particular, o recurso aos livros como meio privilegiado de expressão e de acesso ao conhecimento produzido. Renato Ortiz, ao abordar as diferenças entre ciências sociais e ciências da natureza, comenta essa distinção:

Tabela 1 – Tipos de referências mobilizadas nos artigos 

Modalidade de referência Total
Artigos de revista 1310
Livros 4286
Teses e dissertações 322
Documentos eletrônicos 262
Outras 554
Total 6734

Fonte: elaboração dos autores.

O contraste entre ciências sociais e naturais pode ser ainda melhor trabalhado. Diversos estudos mostram que nessas últimas as revistas são consideradas documentos “primários”, veículo das “informações de primeira mão”. A revista é o meio por excelência da ciência em andamento; situa-se na fronteira, na brecha que se instala entre o que se sabe e o que está para ser conhecido. Os pesquisadores e as equipes de laboratório a privilegiam em contraposição ao livro, considerado um manual informativo, suporte secundário na elaboração de novas teorias e descobertas. […] Em contrapartida, para as ciências sociais o livro é o suporte privilegiado; mesmo os artigos são longos, ao contrário dos textos curtos (às vezes curtíssimos) das ciências naturais. Não se trata meramente de uma questão de prestígio (ele existe nas “humanas” e nas “exatas”), mas aqui a ideia de informação possui uma outra relevância. Ela é parte integrante de um conjunto teórico e explicativo, sendo que, muitas vezes, esse arcabouço interpretativo é mais importante do que os dados veiculados (o que não significa dizer que a informação seja irrelevante). As ciências sociais são mais interpretativas do que informativas, requerem tempo de amadurecimento e análise. ( ORTIZ, 2004 , p. 16-17).

Os artigos de revista

Ao examinar as referências a artigos de revista mobilizadas nos 383 artigos de Educar em Revista , percebe-se que a grande maioria delas provém de publicações brasileiras. Em relação à nacionalidade dos autores desses artigos citados, eles também são brasileiros em sua maioria, conforme se pode ver a seguir.

Tabela 2 – Referências a artigos de revista por nacionalidade da revista 

Nacionalidade Total %
Brasil 774 59,1
EUA 225 17,2
Reino Unido 67 5,1
Holanda* 61 4,7
Espanha 44 3,4
França 37 2,8
Portugal 25 1,9

(Menções com mais de 1% do total)

Fonte: elaboração dos autores.

*A forte presença da Holanda como referência importante nessa tabela explica-se pelo grande número de publicações científicas do grupo Elsevier , que tem sua sede em Amsterdã. Diversas dessas revistas, no entanto, têm sua origem em centros de pesquisa e universidades localizadas em outros países europeus ou da América do Norte.

Tabela 3 – Referências a artigos de revista por nacionalidade do autor do artigo 

Nacionalidade do Autor Total %
Brasil 693 53,1
EUA 212 16,2
França 70 5,4
Reino Unido 47 3,6
Espanha 44 3,4
Canadá 36 2,8
Portugal 35 2,7
Argentina 22 1,7
Austrália 22 1,7
Alemanha 18 1,4
Suíça 14 1,1

(Menções com mais de 1% do total)

Fonte: elaboração dos autores.

Sendo 88% dos artigos de Educar em Revista escritos por autores brasileiros, pode-se dizer que, pelo menos por essa amostra, os intelectuais que realizam estudos educacionais no país tendem a ler preferencialmente revistas e autores também brasileiros. Isso parece revelar uma característica do nosso campo educacional, que produz pesquisas voltadas para o exame da realidade nacional, com base em bibliografia preferencialmente nacional. Isso se reiterou quando se constatou na pesquisa que 204 dos 383 artigos estudados (53%) se detinham sobre situações específicas da educação brasileira, enquanto outros 139 (36%) tratavam de temas gerais da educação não localizados especificamente em um país. Apenas os restantes 40 artigos (quase 11%) examinavam situações educativas de outros países, seja isoladamente, seja em comparação com o Brasil.

A abertura ao estrangeiro, no entanto, é relativamente ampla quando se citam artigos de revistas. Os Estados Unidos e, secundariamente, a França e o Reino Unido, aparecem como importantes modelos de referência. As revistas mais utilizadas como fontes dos textos investigados são, em sua maioria, as publicações brasileiras de maior prestígio ou mais bem avaliadas, além de alguns periódicos estrangeiros. A Tabela 4 relaciona aquelas que receberam pelo menos 10 menções.

Tabela 4 – Revistas com maior número de menções 

Revista Nacionalidade Menções Qualis
Educação & Sociedade Brasil 71 A1
Cadernos de Pesquisa Brasil 52 A1
Revista Brasileira de Educação Brasil 39 A1
Journal of Educational Psychology EUA 27 n/c
Psicologia: reflexão e crítica Brasil 20 A1
Cadernos do Cedes Brasil 17 A2
Reading and Writing: An Interdisciplinary Journal EUA 16 n/c
Educação e Pesquisa Brasil 14 A1
Journal of Experimental Child Psychology Holanda 14 n/c
Educar em Revista Brasil 13 A1
Reading Research Quarterly EUA 13 A1
Teoria & Educação Brasil 13 n/c
Psicologia: Teoria e Pesquisa Brasil 12 A2
Em Aberto Brasil 11 B2
Applied Psycholinguistics Reino Unido 10 n/c
History and Theory EUA 10 n/c

n/c = não consta do Qualis consultado (2010)

Fonte: elaboração dos autores.

Os livros

Nos artigos coletados foram feitas 4286 referências a livros. Dentre elas, predominam livros de autores brasileiros, seguidos por franceses e estadunidenses, conforme se vê a seguir.

Tabela 5 – Referências a livros por nacionalidade do autor 

Nacionalidade do Autor Total %
Brasil 1874 43,7
França 546 12,7
EUA 378 8,8
Reino Unido 211 4,9
Espanha 208 4,9
Portugal 192 4,5
Alemanha 157 3,7
Suíça 134 3,1
Rússia 93 2,2
Itália 73 1,7
Argentina 69 1,6
Canadá 61 1,4

(Menções com mais de 1% do total)

Fonte: elaboração dos autores.

Em comparação com as referências a artigos de revista, a distribuição da nacionalidade dos autores mencionados é muito semelhante, constando autores dos mesmos países entre os mais citados. Entre os artigos de revista, por ordem, foram mencionados autores dos seguintes países: Brasil (com pouco mais da metade das referências), Estados Unidos (cerca de 16%), França (5,4%), Reino Unido e Espanha (ambos em torno de 3,5%), nessa ordem. No caso dos livros, ocorrem algumas alterações: Brasil tem menos de 45% das referências, a França passa a ter quase 13%, os Estados Unidos têm 8,8% e o Reino Unido e a Espanha aparecem com quase 5% cada um. Ainda parece precipitado indicar as razões dessa variação, pois seria preciso situar melhor o contexto e as maneiras como essas menções são feitas para poder perceber o que isso pode significar em termos da estrutura e da organização do campo educacional brasileiro no período estudado.

Aparentemente os intelectuais brasileiros buscam suas referências intelectuais em um conjunto de autores de um grupo mais ou menos reduzido de países. Nos dois grupos de materiais mais citados, livros e artigos de revista, Estados Unidos, França, Reino Unido e Espanha totalizam em torno de 30% das referências. Se isso for somado às citações de autores brasileiros, o total alcança entre 75 a 80% das referências mobilizadas nos artigos.

Voltando aos livros, apesar de mais da metade dos citados ter sido escrita por autores estrangeiros, trata-se de livros lidos preferencialmente em traduções e em edições brasileiras, como se pode constatar a seguir:

Tabela 6 – Referências a livros por país de publicação 

País de publicação Livros %
Brasil 2934 68,5
EUA 279 6,5
Portugal 269 6,3
França 217 5,1
Espanha 187 4,4
Reino Unido 148 3,5
Argentina 69 1,6

(Menções com mais de 1% do total)

Fonte: elaboração dos autores.

Reforça-se assim a percepção já exposta de que os intelectuais brasileiros da área educacional tendem a ler autores brasileiros ou, quando leem os estrangeiros, o fazem em traduções para o português. A frequência aos idiomas estrangeiros não parece ser uma característica dominante desse grupo de pesquisadores que publicam artigos em Educar em Revista . Essas constatações ainda precisam ser situadas em um quadro mais amplo para se poder entender o seu real significado. Será preciso efetivar uma análise mais detida para perceber os modos como são mobilizadas essas referências internacionais: quando e em que contexto aparecem menções a determinados autores e em que idioma? Isso depende em alguma medida da temática abordada? Por outro lado, seria possível afirmar que o campo das pesquisas educacionais no Brasil tem algum tipo de fechamento em torno de questões de pesquisa exclusiva ou predominantemente voltadas para o contexto nacional? Como entender, então, os esforços de internacionalização que vêm sendo induzidos e estimulados pelas instâncias de avaliação e de financiamento das pesquisas acadêmicas nos últimos anos e que vêm favorecendo o aumento da circulação dos pesquisadores brasileiros no ambiente acadêmico internacional?

As 4286 referências a livros se distribuem entre 2602 autores diferentes, sendo que 2061 deles são referidos apenas uma vez e 290 apenas duas vezes. Há, portanto, uma dispersão muito grande, sendo que apenas alguns poucos autores são citados mais reiteradamente. Aqueles cujos livros computaram mais de 10 referências aparecem na Tabela a seguir.

Tabela 7 – Referências a livros por autor 

Autor Menções
FREIRE, P. 61
PIAGET, J. 60
FOUCAULT, M. 52
MORIN, E. 42
VYGOTSKY, L. S. 29
BAKHTIN, M. 28
BOURDIEU, P. 27
PERRENOUD, P. 24
SAVIANI, D. 23
ADORNO, T. 22
NÓVOA, A. 20
GIROUX, H. 17
BRUNER, J. 16
SANTOS, Boaventura de Sousa 16
LISPECTOR, Clarice 15
DEMO, Pedro 15
PIMENTA, Selma Garrido 14
FREUD, S. 14
ORLANDI, Eni 14
MARX, K. 14
FRIGOTTO, Gaudêncio 13
GENTILI, Pablo 12
BACHELARD, G. 12
GRAMSCI, A. 12
LEFF, Enrique 12
MARCUSE, H. 11

Fonte: elaboração dos autores.

Trata-se de um conjunto restrito de 26 autores, sendo apenas sete deles vinculados ao campo educacional brasileiro. 6 Dentre os brasileiros, há pelo menos dois de grande influência e que são autores de referência no contexto brasileiro: Paulo Freire (também com destaque internacional) e Dermeval Saviani.

Quanto aos estrangeiros, nota-se a presença de autores clássicos das ciências sociais ou das humanidades, tais como Foucault, Morin, Bourdieu, Adorno, Marcuse, Marx, Freud, Bachelard e Gramsci. Em termos dos autores mais ligados aos estudos educacionais, também se mencionam clássicos como Piaget e Vygostky, bem como alguns outros que têm estado muito presentes nos debates contemporâneos, como Nóvoa, Perrenoud, Giroux e Bruner.

Quanto aos livros mais citados, há também uma relativa dispersão. Mostram-se a seguir os que obtiveram pelo menos cinco menções.

Tabela 8 – Livros com pelo menos 5 referências 

Autor Título Referências
ADORNO, T. Educação e emancipação 10
ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento 6
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem 7
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal 6
BARDIN, Laurence Análise de conteúdo 6
FORQUIN, Jean-Claude Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar 5
FOUCAULT, M. Microfísica do poder 10
FOUCAULT, M. Vigiar e punir 5
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia 16
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido 15
LEFF, Enrique Epistemologia ambiental 5
MORIN, Edgar Os sete saberes necessários à Educação do futuro 7
SANTOS, Boaventura de Sousa Um discurso sobre as ciências 6
SAVIANI, Dermeval Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações 7
TARDIF, Maurice Saberes docentes e formação profissional 7
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente 8
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem 6

Fonte: elaboração dos autores.

Imagina-se que será possível, na continuidade da pesquisa, examinar o contexto em que aparecem essas menções e que usos se fazem desses livros. Que tipo de menção é feita? O livro é usado como referência teórica, como inspiração metodológica ou apenas são feitas referências tópicas com a finalidade de, em alguma medida, elevar o prestígio do autor do artigo ao citar autores que possam agregar capital simbólico?

Outro aspecto que se registrou, mas do qual ainda não se puderam retirar todas as consequências para a compreensão do atual estado do campo educacional brasileiro, diz respeito às editoras que publicaram os livros mencionados pelos autores dos artigos de Educar em Revista aqui examinados. Há um conjunto de editoras que vêm se ocupando de publicar a maioria das obras relativas à temática educacional no Brasil. Imagina-se que será possível realizar outro tipo de levantamento para perceber quais autores são preferencialmente publicados nesta ou naquela editora. Há preferências ligadas à instituição universitária de origem ou aos grupos de pesquisa? Ainda não é possível adiantar conclusões a respeito, só marcar essa como uma questão a ser investigada proximamente. A título de exemplo, adiantam-se os números obtidos até agora, com a distribuição por editora cujos livros alcançaram pelo menos 20 citações.

Tabela 9 – Livros com mais de 20 citações agrupados por editora 

Editora Local de Publicação Total
Cortez São Paulo 208
Vozes Petrópolis 175
Artmed Porto Alegre 150
Paz e Terra Rio de Janeiro 100
Martins Fontes São Paulo 74
Papirus Campinas 69
Zahar Rio de Janeiro 61
Ática São Paulo 52
DP&A Rio de Janeiro 51
Autêntica Belo Horizonte 49
Autores Associados Campinas 49
Companhia das Letras São Paulo 44
Editora da Unesp São Paulo 42
Brasiliense São Paulo 41
Hucitec São Paulo 37
Anped Caxambu 36
PUF Paris 32
Cambridge University Press Cambridge 31
Civilização Brasileira Rio de Janeiro 27
Porto Editora Porto 26
Loyola São Paulo 26
Editora da Unicamp Campinas 24
Graal Rio de Janeiro 23
Casa do Psicólogo São Paulo 22
Bertrand Brasil Rio de Janeiro 20
Editora da USP São Paulo 20

Fonte: elaboração dos autores.

Nota-se nessa relação a presença de apenas três editoras estrangeiras. No Brasil, a maior concentração se dá em editoras de São Paulo e do Rio de Janeiro, o que certamente se relaciona com a estrutura do mercado editorial brasileiro, mas também coincide, em alguma medida, com a desigual distribuição do capital simbólico e dos recursos materiais no campo universitário do país. Em que medida uma dimensão se relaciona com a outra e se reforçam mutuamente? Também é importante notar a presença nessa lista das editoras universitárias ligadas às três universidades públicas paulistas.

Considerações finais

Educar em Revista apresenta-se no campo educacional brasileiro como uma publicação vinculada ao Setor de Educação da UFPR e tem funcionado parcialmente como veículo de circulação das pesquisas realizadas no âmbito daquela universidade, como era o seu propósito inicial. No entanto, no período entre 2000 e 2010, que recobre 27 números da Revista, nota-se uma redução do seu caráter endógeno (22,5% do total dos autores principais pertencem à UFPR, sendo que nos primeiros cinco anos do período eles chegavam a 31%). Ao mesmo tempo há uma progressiva abertura a autores provenientes de outras instituições nacionais (65,2% dos autores). No entanto, essa abertura é grande também para autores de outras instituições do próprio Estado do Paraná, que somam no total do período 30,8% dos autores principais. Mais do que apenas um veículo importante da produção científica da UFPR, a Revista abriga parte da produção das demais instituições paranaenses – outras instituições federais, universidades estaduais, a PUC-PR, diversas instituições privadas de ensino superior e até mesmo estabelecimentos de ensino médio. Em seguida aos autores do Paraná, aparecem aqueles ligados a instituições dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, em particular das universidades públicas, federais ou estaduais, além da PUC-SP e da PUC-RS.

Quanto aos autores estrangeiros, eles compunham apenas 5,4% entre 2000 e 2005 e passaram a totalizar 15,8% no período entre 2006 e 2010 (na média do período inteiro, eles representam 12,3% do total), o que parece corroborar os esforços e iniciativas desenvolvidos nos últimos anos no sentido da internacionalização do campo científico brasileiro. Essa alteração do perfil institucional dos autores selecionados para publicar na revista se relaciona, certamente, com as mudanças que vêm ocorrendo nos critérios de avaliação da Capes e que vêm induzindo transformações nas áreas da pesquisa, da publicação dos resultados e da circulação dos intelectuais pelo campo ( OLIVEIRA; CATANI, 2011 ).

Questões importantes a serem ainda levantadas dizem respeito à relevância desse periódico e da sua posição no campo educacional brasileiro. Embora a Capes, ao elaborar o ranking das publicações científicas nacionais, advirta que o Qualis é um instrumento destinado apenas a subsidiar a avaliação dos diversos Programas de Pós-Graduação do país que aquele órgão realiza periodicamente, é indiscutível o efeito desse tipo de classificação na orientação do funcionamento das revistas, ao estabelecer padrões que acabam por se generalizar ( CAPES, 2016 ).

Tendo conseguido atingir o mais alto conceito nessa classificação para a área de Educação (A1), o periódico Educar em Revista passa a fazer parte de um seleto conjunto de publicações que adquirem o poder de induzir demandas temáticas para as pesquisas, estabelecer possibilidades de definição da trajetória dos pesquisadores que a elas se dirigem, produzir posições de prestígio no campo, ao abrir vagas no seu corpo editorial e no seu conselho etc. As maneiras como esses agentes comportam-se e se desempenham no âmbito específico da sua atuação acabam tendo consequências importantes para todos os demais agentes do campo, tal como é comentado por Castiel e Sanz-Valero:

Nosso ponto de vista ressalta que no âmbito da publicação científica a comercialização da pesquisa científica se manifesta pela progressiva mercadorização do objeto “artigo científico”. Como foi discutido antes, há uma dimensão importante neste sentido diante das transações para entrar-se no “mercado” das comunidades científicas fortes. Neste caso, quais são as negociações entre autores, editores, revisores para além de obedecer aos “aspectos técnico-científicos” no juízo de um artigo, isto é, elementos extracientíficos e seus limites biblioéticos nas ações e concessões que pesquisadores permitem fazer para publicar seus artigos e para aceitar os de outrem? Colocar como referência bibliográfica trabalhos publicados no mesmo periódico onde se tenta publicar? Não consultar as fontes bibliográficas ao copiá-las das referências de outros autores? ( CASTIEL; SANZ-VALERO, 2007 , p. 3048).

O que representa, então, para os diversos autores que enviam os seus artigos para essa revista, conseguir ser nela publicado? O que significa, por outro lado, para o próprio periódico Educar em Revista a decisão de publicar um determinado autor e rejeitar outros tantos, para além dos critérios técnico-científicos de praxe? Na medida em que mais e mais se estabelecem medidas de controle para evitar que um determinado autor envie o mesmo trabalho para diversas revistas, a decisão de submeter um artigo para apreciação de um periódico implica a exclusão de outras possibilidades e o ingresso em um processo de avaliação que pode ser mais ou menos moroso.

Em que medida as características internas, o conteúdo e as ações do corpo editorial de uma publicação como Educar em Revista interferem na qualidade e no conteúdo dos artigos que a ela são submetidos? E em decorrência disso, como uma publicação periódica desse tipo, ao alcançar esse status , induz demandas temáticas, orientações teóricas ou opções metodológicas que acabam por orientar a produção científica na área da educação? Até que ponto alguém que queira publicar nesse periódico pode ignorar o tipo de produção que é ali publicado ou o conjunto de referências teóricas que são mais frequentes nos seus artigos?

A continuidade desta pesquisa procurará tentar responder essas e outras questões que poderão oferecer um quadro mais claro do complexo conjunto de ações e relações que se travam entre os diversos agentes do campo educacional brasileiro. Para tanto, o estudo dos artigos das revistas terá de se somar ao trabalho com as informações curriculares dos autores que os produzem, bem como dos editores e demais agentes que decidem sobre a sua publicação. Algumas dessas questões são as seguintes:

Quem são os agentes que se mobilizam nas disputas em torno da legitimidade científica e das decisões de caráter prático em relação às questões educacionais? Qual a formação desses agentes que publicam nas revistas de maior prestígio? Quais as relações entre eles? Como estão estabelecidos os alinhamentos entre eles, que se expressam de modo explícito por meio de preferências teóricas e escolha de autores e modelos de referência, mas que resultam de um conjunto de relações pessoais, decisões estratégicas e afinidades? Quais são essas linhas de força que definem a atual situação do campo educacional brasileiro, com base nas redes de afinidades e preferências e nos percursos de formação e pós-graduação? Quais são as referências teóricas que têm circulado na produção dos estudos em educação no Brasil na última década?

Algumas dessas respostas começaram aqui a ser delineadas, ou pelo menos já foi possível ter mais clareza de por onde caminhar para poder obtê-las.

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4- A expressão campo educacional recobre definições distintas, com pelo menos duas acepções: uma que engloba todas as ações, disputas e conflitos de poder em torno das questões da educação; outra, mais restrita, que recobre o espaço social da universidade e da produção acadêmica que incide sobre os temas e problemas educacionais. Aqui a expressão é tomada nessa última acepção (Cf. BOURDIEU, 1983 , 2011 ).

5- Foram registrados no banco de dados até três coautores e isso totaliza os 544 aqui assinalados. Em relação ao restante das informações relativas a autores, foram utilizados apenas os 383 autores principais (o primeiro nome citado no artigo).

6- Pablo Gentili, embora argentino, está vinculado a uma universidade brasileira e aqui desenvolve o seu trabalho. Clarice Lispector, que teve 15 livros mencionados, não foi considerada nesse total, não por ter nascido em outro país, já que se trata apesar disso de uma autora brasileira, mas porque as referências a suas obras são muitas vezes apenas alusivas e não diretamente ligadas aos temas abordados nos artigos.

Recebido: 07 de Dezembro de 2017; Aceito: 26 de Junho de 2018

Jaime Cordeiro é professor doutor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Atua nas áreas de didática, história da educação e educação comparada. Lidera o grupo de pesquisa Pedagogias Multiplicadas: estudos do campo educacional brasileiro e das relações entre mídia e educação, cadastrado no CNPq.

Daniele de Moraes Fabbri é graduada em pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP). Fez iniciação científica durante a graduação e é professora de educação infantil no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo.

Jackson de Oliveira Souza é graduado em história pela Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP), professor da rede municipal de São Paulo e graduando em pedagogia pela FEUSP.

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