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Machado de Assis em Linha

versão On-line ISSN 1983-6821

Machado Assis Linha vol.10 no.21 São Paulo mai./ago. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1983-6821201710215 

ARTIGOS

UMA FONTE ALEMÃ PARA "O CASAMENTO DO DIABO" DE MACHADO DE ASSIS

A GERMAN SOURCE FOR "O CASAMENTO DO DIABO" BY MACHADO DE ASSIS

DIEGO DO NASCIMENTO RODRIGUES FLORES1 

1Universidade Federal do Espírito Santo Vitória, Espírito Santo, Brasil

Resumo

A partir da informação de que "O casamento do Diabo", em tradução de Machado de Assis, foi "imitado do alemão", o que é contestado por Jean-Michel Massa e Gondin da Fonseca com o argumento de que Machado despistava e ludibriava o público uma vez que à época o escritor não sabia alemão, buscamos e encontramos uma versão alemã da canção "Satan Marié", de Gustave Nadaud, que pode ter sido utilizada por Machado de Assis para, com provável auxílio de Henrique Fleiuss, compor "O casamento do Diabo". Assim, compararemos os três textos com o intuito de demonstrar que Machado, ao que tudo indica, foi honesto ao apresentar o texto como "imitação do alemão".

Palavras-Chave: Machado de Assis; Gustave Nadaud; O casamento do Diabo; tradução

Abstract

Based on the information that "O casamento do Diabo" (The Devil’s Wedding), translated by Machado de Assis, was "imitated from the German", which is contested by Jean-Michel Massa and Gondin da Fonseca, who argue that Machado misled and deceived the public since he did not know German at the time, we searched for and found a German version of the song "Satan Marié" by Gustave Nadaud which may have been used by Machado, likely aided by Henrique Fleiuss, to write "O casamento do Diabo." Thus, we will compare the three texts to demonstrate that Machado was, after all, honest when presenting the text as "imitated from the German".

Key words: Machado de Assis; Gustave Nadaud; O casamento do Diabo; translation

Publicado em 29 de março de 1863 na Semana Ilustrada, "O casamento do Diabo" é um caso um tanto peculiar na produção de Machado. Esse poema seria uma imitação de uma canção francesa de Gustave Nadaud, "Satan Marié". O texto, pequeno e despretensioso, é uma canção satírica em que o Diabo, enfadado, resolve se casar. Para levar a empreitada adiante, disfarça-se cortando os chifres, as unhas e o rabo. Contrariando os conselhos do narrador da canção, o Diabo toma para si uma esposa humana que acabará por traí-lo, o que ficamos sabendo somente ao fim, quando ao Diabo não voltam a crescer nem a cauda, nem as unhas, mas somente os chifres.

O poema foi publicado anonimamente naquela data, e acompanhado da indicação de que se tratava de uma "imitação do alemão", idioma que Machado de Assis desconhecia naquele momento – conforme ele mesmo afirma anos mais tarde em uma nota em Falenas – e do qual não poderia, sozinho, ter traduzido ou imitado. Como Gondin da Fonseca e Jean-Michel Massa não acreditaram na honestidade de Machado, supondo que ele imitara do francês e não do alemão, pretendemos demonstrar aqui que há indícios que sugerem o contrário, sobretudo um texto em alemão que pode ter servido de fonte para Machado de Assis.

Gondin da Fonseca, em Machado de Assis e o hipopótamo, explica a gênese da imitação informando que Gustave Nadaud – autor de "Satan Marié" – era o grande cancionista da época, e essa composição estava entre suas mais célebres cançonetas. Para justificar o interesse de Machado de Assis pela cançoneta, Gondin da Fonseca escreve: "Já sabemos ser o diabo um dos vários símbolos utilizados pelo Inconsciente de Machado de Assis para a evocação da lembrança paterna. Assim, não poderia deixar de lhe ferir especialmente a atenção a curiosíssima letra de 'Satan Marié'".1 A transcrição completa do texto francês da canção é então apresentada, seguida pela avaliação de Gondin da Fonseca:

A mulher do Diabo, que lhe pôs os chifres, chamava-se Inês, exatamente como a mulher de Francisco José de Assis, – mãe-substituta de Dom Casmurro. Levado por impulso inconsciente, ele traduziu a poesia de Nadaud (muito mal) publicando-a na Semana Ilustrada (Rio, 29-3-63) sem a assinar e sob o título "O casamento do Diabo (imitação do alemão)". Despistamento ingênuo, pois Nadaud se tornara, desde 1850, cançonetista celebérrimo. Em todo o caso, quem desconhecesse a letra francesa ficaria na ignorância de que a mulher do Diabo era Inês (Agnès): ele teve o cuidado de não a nomear. O original da sua deplorável tradução foi adquirido, no Rio, pelo Sr. José Carlos de Macedo Soares, que o conserva.2

Quando recolhe o texto no volume Dispersos de Machado de Assis, Jean-Michel Massa, também acreditando que Machado teria induzido o público a acreditar em algo que não era verdade ao publicar o texto como "imitação do alemão", atribui tal comportamento ao esnobismo de Machado:

Gustave Nadaud (1820-1893) a publié de 1849 à 1882 un recueil de Chansons qu’il a sucessivement enrichi d’oeuvres nouvelles. C’est dans la deuxième edition, celle de 1852, qu’apparaît pour la première fois le Satan Marié (B.N. Paris Ye 28387). Cette chanson sera reproduite dans les autres éditions. Ainsi ce poème n’est pas imité de l’allemand! Pourquoi Machado de Assis le déclare-t-il ? Snobisme ou goût de la supercherie. Il faut préférer la seconde hypothèse car les chansons de Nadaud, qui était le successeur de Béranger, devaient être alors aussi connues en France qu’au Brésil.3

Talvez tivesse mais sorte no seu comentário se procurasse uma versão em alemão da canção de Gustave Nadaud em que Machado houvesse se baseado, apostando mais na honestidade do nosso escritor do que no seu suposto preciosismo. Devemos considerar, contudo, que, se tentou fazê-lo, não obteve sucesso, uma vez que à época não se dispunha das facilidades com que contamos hoje no acesso à informação. Em Machado de Assis tradutor Massa explica o seguinte a respeito do poema:

"O casamento do Diabo" é apresentado como uma "imitação do alemão". Ora, o texto brasileiro segue verso a verso uma obra francesa, "Satan Marié", do cancionista francês Gustave Nadaud. Não conseguimos explicar o que impeliu Machado de Assis a induzir em erro o público brasileiro sugerindo um conhecimento do alemão. Nadaud era famoso, e suas canções eram quase tão conhecidas como as de Béranger.4

A respeito dessa tradução, Raimundo Magalhães Júnior esclarece que a "publicação foi anônima e, na época, ninguém deve ter suspeitado de que se tratava de obra de Machado de Assis. Nem se ficaria sabendo disso se não houvesse sido preservado o original, com a inconfundível caligrafia de Machado de Assis".5 Consultamos o original, preservado em formato digital pela Biblioteca do Senado, e verificamos que não só a caligrafia, como a assinatura do autor ao fim do poema, cujo título é acompanhado de "imitado do alemão", atestam a autoria.6

É peculiar, portanto digno de investigação, que a cançoneta tenha sido publicada anonimamente como "imitação do alemão" quando na verdade é uma versão bastante livre de "Satan Marié" de Gustave Nadaud. Embora Gondin da Fonseca e Jean-Michel Massa tenham sido os primeiros a tecer comentários a respeito do anonimato e da aparentemente falsa indicação quanto ao texto-fonte, é Magalhães Júnior quem apresenta dados mais sóbrios que poderão explicar a relativa liberdade da tradução que analisaremos em seguida e, consequentemente, a escolha do termo "imitação" para apresentá-la. Eis a explicação do biógrafo:

Provavelmente o editor da Semana Ilustrada, o hanoveriano Henrique Fleiuss – que naquele princípio de ano inaugurava suas oficinas próprias no largo de São Francisco de Paula, não longe da rua do Rosário, em que tinha sua redação o Diário do Rio de Janeiro, onde a pequena revista foi impressa de dezembro de 1860 a fevereiro de 1863 – lera aquela canção traduzida para a sua língua, em alguma publicação alemã e, como a achara divertida, deve ter rascunhado uma tradução literal em prosa para que Machado de Assis, ágil pena a seu serviço, a transformasse em versos. Machado, que a esta altura não havia estudado alemão, não poderia ter escrito tal imitação sem a ajuda de seu patrão e amigo. Fez, certamente, obra apressada, sobre um texto que era a tradução de uma tradução.7

Henrique Fleiuss, apontado por Magalhães Júnior como colaborador neste caso, foi um alemão que fixou residência no Rio de Janeiro, onde fundou a Semana Ilustrada em dezembro de 1860, uma publicação simples, de apenas oito páginas, quatro de texto e outras quatro de gravuras, que sobreviveu até 1875.8 À Semana Ilustrada juntar-se-iam nomes hoje consagrados como Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva e, é claro, Machado de Assis, ora assinando com seu próprio nome, ora sob pseudônimo. O ano de 1860 marca, inclusive, a entrada formal de Machado de Assis para a imprensa, primeiramente no Diário do Rio de Janeiro9 e, ao fim do ano, estreia também na Semana Ilustrada de Fleiuss, onde permaneceu até que o periódico fosse descontinuado. Além disso, não se sabe muito do tipo de relacionamento ou mesmo amizade que Machado possa ter estabelecido com Fleiuss. A julgar, contudo, pelos retratos de Machado de Assis desenhados por Fleiuss e estampados na Semana Ilustrada em novembro e dezembro de 1864, ano da publicação de Crisálidas, com e sem o característico pince-nez, e principalmente pelo tempo em que trabalharam juntos e colaboraram com o trabalho um do outro,10 é de se supor que houvesse algum grau de amizade entre eles.

Em 1863, ano em que saiu "O casamento do Diabo", Machado de Assis já era autor de dezenas de poemas publicados em periódicos, inclusive na Semana Ilustrada, alguns dos quais seriam aproveitados no seu primeiro volume de poesia, Crisálidas. Sob a perspectiva da recriação11 de textos poéticos estrangeiros, Machado também já dera seus primeiros passos: temos a imitação de Cowper, "Minha mãe", a tradução de "Souvenirs d’exil", de Ribeyrolles, e outras de autores que incluem Lamartine, Alexandre Dumas Fils, Alfred de Musset, André Chénier e Mme. Émile de Girardin, por exemplo, mas sempre a partir do francês.12 Considerando que o primeiro poema publicado por Machado data de 1854, temos um autor que já somava quase uma década de publicações.

Machado, que a biografia de Magalhães Júnior retrata como um homem modesto, correto e completamente avesso a qualquer esnobismo, sempre foi sincero quanto ao conhecimento que tinha de outros idiomas quando traduzia. Assim também foi descrito por Amaral Tavares em crítica a Crisálidas publicada no Diário do Rio de Janeiro em 16 de novembro de 1864: "Se em algum indivíduo da raça humana encarnou-se a modéstia, foi decerto em Machado de Assis".13 Suas traduções de Crisálidas e Falenas, por exemplo, quando feitas de obras escritas em línguas que o autor desconhecia e utilizando o francês como língua intermediária, vêm acompanhadas de notas explicando o procedimento adotado, como fizera com "Alpujarra": "Não sei como corresponderá ao original; eu servi-me da tradução francesa do polaco Cristiano Ostrowsky";14 e mais tarde com "Os deuses da Grécia" em tom categórico, afirmando: "Não sei alemão; traduzi estes versos pela tradução em prosa francesa de um dos mais conceituados intérpretes da língua de Schiller".15

Não haveria, portanto, razão para mentir no caso de "O casamento do Diabo", menos ainda por esnobismo, já que o texto foi publicado anonimamente. Quanto à escolha pelo anonimato, Magalhães Júnior explica que Machado de Assis, trabalhando como censor do Conservatório Dramático, talvez não se sentisse confortável vendo seu nome atrelado a um texto cômico tão extravagante. Assim, por acreditarmos na sinceridade de Machado de que se tratava, de fato, de uma "imitação do alemão", buscamos uma versão alemã da canção de Nadaud, na tentativa de corroborar a hipótese de Magalhães Júnior, e encontramos uma que satisfaz os critérios.

A versão alemã que localizamos da canção chama-se "Des Teufels Hochzeit" que, em tradução literal, nos dá exatamente "O casamento do Diabo", o mesmo título da versão de Machado, enquanto o texto francês, literalmente, se traduziria como "Satã Casado", dado que de imediato nos deixou em alerta. Além disso, pudemos confirmar que a referência à versão "Des Teufels Hochzeit" que encontramos no site da Bibliothèque Nationale de France fora traduzida no século XIX, pela condessa Wilhelmine Gräfin Wickenburg-Almasy, poeta que viveu entre 1845 e 1890, e posteriormente musicada por Oscar Strauss.16 A poeta, nascida na Hungria, foi levada à Áustria pelo pai ainda bem jovem, onde foi educada e começou a escrever e publicar poesia,17 tendo sido particularmente ativa durante a década de 1860. As datas coincidem, portanto, e reforçam a tese de que esta pode ter sido a versão que Fleiuss consultou e traduziu em prosa livre para que Machado devolvesse à forma poética. Infelizmente, não temos como comprovar de maneira irrefutável esta tese, uma vez que não encontramos nenhuma informação a respeito das condições em que essa versão alemã foi produzida e publicada. Vejamos o texto da tradução de Wickenburg-Almasy:

Des Teufels Hochzeit18

Einst wars dem Teufel verdrießlich zumut:

Zum Zeitvertreib

Will ich nun sehen, wie Buße tut,

Und nehm ein Weib!

Und hab ich mir erst Genüge getan,

Dann fang ich mein Leben von vorne an!

Satan, sieh zu!

Das Weib ist klüger als du!

Er griff zum Dolch und hieb sich schlau

Mit raschem Schnitt

Die Borsten ab und Schwanz und Klau,

Die Hörner mit!

Und blies sich selber mit vielem Geschick

Die Funken aus im sprühenden Blick.

Satan, sieh zu!

Das Weib ist klüger als du!

Dann zieht er aus voll Adel fürwahr

Und Anmut und Geist,

Und sucht nach Schönheit, nach Tugend sogar,

Doch nach Geld zumeist –

Und findet ein Mädchen, das zugleich

So jung als schön, so sittsam als reich.

Satan, sieh zu!

Das Weib ist klüger als du!

Zum Hochzeitsfest führt er am Arm

Die schöne Braut,

Zur Kirche drängt sich ein gaffender Schwarm,

Als man ihn traut.

O Mädchen, was sagst du, wenn du erkannt,

Daß du dem Teufel gereicht deine Hand?!

Satan, sieh zu!

Das Weib ist klüger als du!

Die Zeiten wanderten allgemach

Im alten Tanz,

Ihm wuchsen nicht Borsten, noch Klauen nach

Und nicht der Schwanz.

Sein Auge blieb glanzlos Jahr um Jahr,

Nur eins kam wieder: – das Hörnerpaar!

Satan, sieh zu!

Das Weib ist klüger als du!

A versão de Wickenburg-Almasy, ao contrário do poema de Machado, de fato segue bem de perto o texto francês de Nadaud, mantendo as mesmas cinco estrofes e o esquema de rimas ABABCCDD, e com pouquíssimas divergências semânticas, perfeitamente justificáveis quando se trata de traduzir um texto literário. Comparemos com o texto francês, de Nadaud:

Satan Marié

Satan dit un jour: Je commence

A m'ennuyer.

Je veux, pour faire pénitence,

Me marier.

Quand j'aurai passé mon envie,

Je veux recommencer ma vie.

Satan, crois-moi.

La femme est plus fine que toi.

Avec sa dague rouge et bleue.

Il coupa tout,

Griffes et poils, cornes et queue,

Jusques au bout.

Il éteignit les étincelles

Qui jaillissaient de ses prunelles.

Satan, crois-moi,

La femme est plus fine que toi.

Il prend figure, esprit, noblesse,

Et va partout

Cherchant beauté, grâce, sagesse,

Argent surtout.

Il avise une jeune fille

Sage, bien en dot et gentille.

Satan, crois-moi,

La femme est plus fine que toi.

Avec Agnès sa fiancée

Il est uni.

La foule à l'église est pressée ;

Tout est fini.

Que va dire Agnès déplorable,

Quand elle connaîtra le diable?

Satan, crois-moi,

La femme est plus fine que toi.

Un an, puis deux ans se passèrent;

Ne changeait pas.

Griffes ni poils ne repoussèrent,

Ni queue, hélas!

Ses yeux restaient tristes et mornes ;

Rien ne reparut… que les cornes.

Satan, crois-moi,

Ta femme est plus fine que toi.19

A imitação de Machado, ao contrário do que afirmou Massa, não segue verso a verso o texto francês, uma vez que há diversas supressões, acréscimos e alterações, embora seja perfeitamente possível estabelecer que existe uma relação entre os textos. Vejamos o de Machado:

O casamento do Diabo

(Imitação do alemão)

Satã teve um dia a ideia

De casar. Que original!

Queria mulher não feia,

Virgem corpo, alma leal.

Toma um conselho de amigo,

Não te cases, Belzebu;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu.

[…]

Cortou unhas, cortou rabo,

Cortou as pontas, e após

Saiu o nosso Diabo,

Como o herói dos heróis.

Toma um conselho de amigo,

Não te cases, Belzebu;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu.

Casar era a sua dita;

Corre por terra e por mar,

Encontrou mulher bonita

E tratou de a requestar.

Toma um conselho de amigo,

Não te cases, Belzebu;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu.

Ele quis, ela queria,

Puseram mão sobre mão,

E na melhor harmonia

Verificou-se a união.

Toma um conselho de amigo,

Não te cases, Belzebu;

Que a mulher, com ser humana

É mais fina do que tu.

Passou-se um ano, e ao Diabo

Não lhe cresceram por fim,

Nem as unhas, nem o rabo…

Mas as pontas, essas sim…

Toma um conselho de amigo,

Não te cases, Belzebu;

Que a mulher, com ser humana

É mais fina do que tu.20

De imediato, observamos diversas alterações que Machado faz no texto: ao contrário das cinco estrofes originais, o texto passa a ter doze, já que Machado divide as oitavas em quadras, separando o estribilho das demais estrofes; o esquema de rimas, consequentemente, também muda, para ABAB nas estrofes principais, e ABCB no estribilho. A métrica também é diferente, pois enquanto no texto francês temos, alternadamente, versos de oito e quatro sílabas, Machado escolhe exclusivamente o verso de sete sílabas. Curiosamente, embora os esquemas de estrofes, metro e rima sejam diferentes, o manuscrito de Machado, o texto de Nadaud e a versão alemã têm exatamente os mesmos quarenta versos o que poderia indicar que Machado pelo menos viu ou ouviu o texto da canção em língua estrangeira antes de escolher uma disposição diferente para o poema. Por outro lado, a versão publicada em A Poesia Completa pela Edusp segue o texto estabelecido por Jean-Michel Massa em Dispersos de Machado de Assis, que contém doze estrofes e quarenta e oito versos, indicando que o tradutor reviu o texto antes da publicação, acrescentando-lhe uma estrofe e um estribilho que não constam do texto francês ou alemão. Massa cita como fonte do texto que publica o número 120 da Semana Ilustrada de 29 de março de 186321, a mesma citada pela Bibliografia de Machado de Assis, de Galante de Sousa22. Não encontramos o texto de “O casamento do diabo” no número 120 da Semana Ilustrada preservado pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional para confrontar as versões. De todo modo, essas alterações só permitem que aceitemos a afirmação de Massa de que Machado "segue verso a verso uma versão francesa" se adotarmos uma visão bem ampla e generalista do que significa seguir "verso a verso".

Quanto ao conteúdo, as alterações são várias também, geralmente envolvendo diversas omissões e acréscimos. Se compararmos a primeira estrofe da versão de Machado com o texto de Nadaud, também fica difícil entender as afirmações de Massa a respeito dos procedimentos de Machado quando, na verdade, pouco há de semelhante em uma e outra:

Satã teve um dia a ideia

De casar. Que original!

Queria mulher não feia,

Virgem corpo, alma leal.

Satan dit un jour : Je commence

A m'ennuyer.

Je veux, pour faire pénitence,

Me marier.

Quand j'aurai passé mon envie,

Je veux recommencer ma vie.

As falas em primeira pessoa no texto francês simplesmente desaparecem na versão de Machado, que escolhe narrar tudo em terceira pessoa. Da informação original, somente a vontade de casar permanece no texto imitado. Não há referência, no poema de Nadaud, ao fato de a futura esposa precisar ser bonita, virgem ou leal. Estas são todas criações de Machado. É somente na terceira estrofe do texto francês que descobrimos que o Diabo buscava "beauté, grâce, sagesse,/ Argent surtout" – "beleza, graça, sabedoria/ Sobretudo dinheiro" –, o que mais se aproxima do que Machado escreve. No texto de Machado a fala do Diabo também desaparece, o que o distancia do poema francês. Se, todavia, compararmos o primeiro verso do texto de Machado com o da versão alemã, "Einst wars dem Teufel verdrießlich zumut" – algo como "um dia, o Diabo estava triste" e decide, portanto, se casar –, verifica-se que há neste mais em comum com o texto de Machado, considerando-se que ambos apresentam as mesmas omissões. Ou seja, no poema francês, Satanás é sujeito ativo, que fala por quase toda a estrofe, enquanto no texto alemão e no de Machado a narrativa é mais distante.

Outras alterações do tipo são facilmente identificáveis por todo o poema de Machado. Sabemos que nessa época seu francês já alcançara níveis louváveis e, a julgar pelas outras traduções que praticou a partir do francês, não haveria motivo para se distanciar tanto do texto de Nadaud se o tivesse lido na língua original, nem era este procedimento comum,23 o que faz com que a marca pessoal de Machado de Assis nessa tradução fique bastante clara. Nos trechos reproduzidos abaixo, a concisão do poeta brasileiro é aparente:

Ele quis, ela queria,

Puseram mão sobre mão,

E na melhor harmonia

Verificou-se a união.

[…]

Passou-se um ano, e ao Diabo

Não lhe cresceram por fim,

Nem as unhas, nem o rabo…

Mas as pontas, essas sim…

Avec Agnès sa fiancée

Il est uni.

La foule à l'église est pressée;

Tout est fini.

Que va dire Agnès déplorable,

Quand elle connaîtra le diable?

[…]

Un an, puis deux ans se passèrent;

Ne changeait pas.

Griffes ni poils ne repoussèrent,

Ni queue, hélas!

Ses yeux restaient tristes et mornes ;

Rien ne reparut… que les cornes.

Os versos de Machado são mais curtos, sintéticos. A personagem Agnès, esposa do Diabo, a "Inês" de que falava Gondin da Fonseca, simplesmente desaparece no texto em português, o tradicional casamento na igreja fica simplesmente sugerido, e a multidão se apertando desaparece, assim como a pergunta a Agnès sobre o que pensaria se soubesse que estava se casando com o Diabo. Mas ao verificarmos que o texto em alemão também omite o nome "Agnès", traduzindo somente por "bela noiva" – "Die schöne Braut", em alemão –, entenderemos perfeitamente o motivo da omissão e fica ainda mais evidente que, ao apresentar o texto como "imitação do alemão", Machado estava sendo, de fato, honesto.

A proximidade com o alemão também é visível na estrofe seguinte: no texto francês passa-se "um ano, depois dois anos", enquanto no poema de Machado somente um ano se passa. No texto em alemão este verso é traduzido por "Die Zeiten wanderten allgemach", ou "Os dias passavam aos poucos", o que é igualmente distante do texto francês. Além disso, Machado elimina completamente a referência aos olhos "tristes e mornos" do Diabo, presente tanto no texto francês quanto no alemão, que diz que "os olhos permaneceram sem brilho ano após ano" ("Sein Auge blieb glanzlos Jahr um Jahr"). Assim, parece-nos bastante provável que Machado teve, de alguma forma, acesso ao texto alemão, e a teoria do biógrafo Magalhães Júnior sobre a ajuda de Fleiuss intermediando a leitura do idioma parece perfeitamente plausível.

Por fim, o estribilho é dos mais afetados: enquanto no texto de Nadaud e na versão alemã ele ocupa somente dois versos, Machado escolheu uma estrofe de quatro versos. A elas acrescenta nos três primeiros versos informação que não existe no texto de Nadaud: dirige-se a Belzebu, e não a Satanás, embora praticamente sinônimos e, evidentemente, para facilitar a rima; aconselha-o que não se case; por fim, enfatiza o lado "humano" da mulher, enquanto o texto francês, muito mais sucinto, simplesmente faz o alerta de que a mulher é mais "fina" do que o Diabo:

Toma um conselho de amigo,

Não te cases, Belzebu;

Que a mulher, com ser

[humana,

É mais fina do que tu.

Satan, crois-moi,

La femme est plus

fine que toi.

Enquanto Machado realiza essas alterações, a versão alemã é praticamente uma tradução literal da francesa: "Satan, sieh zu!/ Das Weib ist klüger als du!" ("Satã, olhe!/ A mulher é mais esperta do que você!"). É curioso, no entanto, que Machado escolha o adjetivo "fina", tão próximo ao adjetivo "fine" de Nadaud, não só no significado, mas sonoramente. Seria uma coincidência? É possível acreditar que sim, uma vez que encontramos mais semelhanças com o texto alemão do que com o francês, como as mencionadas anteriormente, mas seria ingênuo acreditar somente nessa possibilidade. Poder-se-ia argumentar que isso, por si só, não justifica a predileção pelo texto alemão sobre o francês, nem podemos nos desfazer por completo da hipótese de que Machado tinha conhecimento do texto francês enquanto escrevia sua imitação, se considerarmos as informações que obtivemos a respeito da popularidade de Nadaud.

Após consulta na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, encontramos poucas referências ao nome de Nadaud nos anos anteriores a "O casamento do Diabo" no Rio de Janeiro. Em 1858, por exemplo, há anúncios da representação de Des bêtises, no Diário do Rio de Janeiro, no Correio Mercantil e no Courrier du Brésil. Mas é importante notar que no mesmo ano de 1858, a edição de 30 de maio do Jornal do Comércio anuncia uma "representação extraordinária" de algumas obras, entre elas "Satan Marié".24 Esta é a única referência a "Satan Marié" que encontramos em periódicos do Rio de Janeiro em todo o século XIX no acervo consultado. Vale lembrar que entre os anos de 1858 e 1859 Machado colaborava no Correio Mercantil e no Paraíba, neste mesmo ano de 1858 conheceu Charles Ribeyrolles, de quem traduziu "Souvenirs d’exil"25 e já era relativamente conhecido no meio jornalístico. É de se supor, portanto, que Machado possa, de fato, ter conhecido pessoalmente a canção de Nadaud naquela representação de 1858 ou, pelo menos, dela ouvido falar.

Contudo, devemos ressaltar ainda mais um detalhe a respeito do estribilho, detalhe um tanto definitivo em favor da tese de que Machado produziu seu poema a partir do alemão: no texto francês, o verso "La femme est plus fine que toi" ("A mulher é mais fina do que tu", em tradução literal) se repete por toda a canção, mas somente enquanto o Diabo não se casa. Uma vez casado, esse verso, que também encerra a canção, muda de "La femme" para "Ta femme est plus fine que toi" ("Tua mulher é mais fina do que tu", em tradução literal). O que ocorre no texto de Machado é um pequeno equívoco: o conselho faz sentido durante todo o poema, mas encerrar o texto com o conselho para não se casar na última estrofe depois de o Diabo já estar casado e traído pela mulher soa no mínimo estranho. Talvez tenha sido distração, ou talvez o equívoco seja produto da leitura do texto alemão, que também simplesmente repete o estribilho, "Satan, sieh zu! / Das Weib ist klüger als du!" ("Satã, olhe!/ A mulher é mais esperta do que você!"), sem alterá-lo no último verso para "Tua mulher" como no texto francês. Devemos considerar também que a distração pode ter sido produto do texto autógrafo, que abrevia o estribilho em "Toma um conselho, etc.", verificável somente no manuscrito preservado, em vez de repetir todo o trecho, embora a semelhança com o texto alemão fale mais alto. Portanto, não seria de todo equivocado acreditar que, ao reproduzir tal equívoco do texto da condessa, Machado nos tenha deixado a prova de que não estava enganando o público ao publicar o texto como "imitação do alemão".

Machado de Assis, afinal, como o diabo do ditado popular, está nos detalhes. Uma obrinha tão despretensiosa quanto esta, publicada anonimamente em um periódico há mais de um século, teria facilmente se perdido. Há um pequeno acréscimo, finamente machadiano, no estribilho que nos permite estabelecer um brevíssimo paralelo, embora instigante, com um conto que publicará duas décadas mais tarde em Histórias sem data. Diz o terceiro verso do estribilho de Machado que "a mulher, com ser humana,/ É mais fina do que tu". Esta pequena frase destacada, "com ser humana", não encontra correspondente no texto francês ou alemão. Isto é puramente Machado: ao fazer esse acréscimo, está dizendo que não é só a mulher, em sua condição feminina, que é mais fina do que o Diabo, mas que em sua condição humana é capaz de superá-lo nos seus ardis. Essa pequena frase sequer se justifica por questões de rima, uma vez que aparece no único verso de todo o poema que não rima com nenhum outro. Acréscimo claramente intencional e autoral. Sendo parte do estribilho, é uma ideia que se reforça por todo o poema. O Diabo, o pai da mentira, da enganação, mestre ardiloso, é ludibriado e chifrado pela esposa humana.

Ora, não é este o mesmo tema que move, em igual tom de fábula, o conto "A igreja do Diabo"? O conto começa, assim como o poema, com uma ideia do Diabo: no poema, "Satã teve um dia a ideia/ De casar", enquanto no conto referido nos é dito que "Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja".26 Em ambos o Diabo toma suas providências e acredita ter alcançado seu objetivo, quando, na verdade, a natureza humana, ou "a eterna contradição humana"27 nas palavras de Deus (ou de Machado), consegue ser ainda mais imprevisível e ardilosa do que o próprio Diabo. Evidentemente, não há como afirmar que reescrever e imitar a cançoneta "O casamento do Diabo" foi o que motivou Machado a escrever o conto "A igreja do Diabo", mas é inegável que a partir da comparação entre ambos o que surge, nos detalhes, é o Machado de Assis que conhecemos, investigador da natureza humana.

Mesmo em uma imitação como essa, Machado de Assis se revela preocupado não só com os aspectos formais do texto, reconfigurando poeticamente o que pode ter sido uma tradução prosaica de Fleiuss, embora distante da forma poética de origem, mas com o funcionamento autônomo do poema enquanto tal, com a manutenção do conteúdo e tema da obra, fazendo as intervenções que julga necessárias para alcançar o efeito desejado. Igualmente importante é notar que o Machado imitador, reescritor ou tradutor, em seus acréscimos, deixa ver, com sua liberdade ao imitar o texto, seja ele o francês ou o alemão, traços comuns à sua produção mais tardia, o que nos faz pensar que mesmo textos tão despretensiosos como esse podem, de fato, nos mostrar que há linearidade em sua produção, que traços do Machado de Assis da maturidade estão presentes em textos supostamente menores.

Referências

ASSIS, Machado de. A poesia completa: edição anotada: recepção crítica. Organização e fixação dos textos de Rutzkaya Queiroz dos Reis. São Paulo: Nankin/Edusp, 2009. [ Links ]

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1 FONSECA, Machado de Assis e o hipopótamo, p. 63.

2 Idem, p. 64-65.

3 MASSA, Dispersos de Machado de Assis, p. 514.

4 MASSA, Machado de Assis tradutor, p. 27.

5 MAGALHÃES JÚNIOR, Vida e obra de Machado de Assis: Ascensão, p. 240.

6 A versão digitalizada do original autógrafo de Machado encontra-se disponível no site da Biblioteca do Senado: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/140962/000586081_1.pdf?sequence=15.

7 MAGALHÃES JÚNIOR, cit., p. 242-243.

8 MASSA, A juventude de Machado de Assis, p. 529.

9 Idem, p. 242.

10 O periódico de Fleiuss publicou poemas e traduções de Machado, ajudando a divulgar sua produção.

11 Como o termo "tradução" pode ser interpretado de maneira muito restrita, utilizamos "recriação" na tentativa de abarcar tanto as traduções no sentido mais estrito do termo como as imitações mais livres de Machado.

12 Mesmo a imitação de Cowper, autor inglês, foi feita com base em um texto em prosa francês, conforme demonstraremos em nossa tese.

13 ASSIS, A poesia completa, p. 648.

14 Idem, p. 329.

15 Idem, p. 364.

17 Informação encontrada no site A Digital Library of Works by German-Speaking Women.

18 NADAUD, Des Teufels Hochzeit.

19 NADAUD, Chansons de Gustave Nadaud, p. 136-137.

20 ASSIS, A poesia completa, p. 492-494.

21 MASSA, Dispersos de Machado de Assis, p. 174-175.

22 SOUSA, Bibliografia de Machado de Assis, p. 370.

23 Até abril de 1863, Machado já tinha traduzido ou imitado e publicado em periódicos pelo menos sete textos poéticos do tipo. Até o presente estado de nossa tese de doutorado em que estudamos as traduções poéticas de Machado de Assis, podemos afirmar que, de modo geral, ao transpor diretamente do francês, as alterações mais significativas limitam-se ao plano formal, preterindo os alexandrinos clássicos em favor de decassílabos, heroicos ou sáficos, alterando a estrofação, esquemas de rimas, mas mantendo-se tão próximo quanto possível do seu conteúdo semântico.

24 Cf. CAFÉ Cantante: Salão do Paraíso. Jornal do Comércio, 30 maio 1858, p. 4.

25 Esta tradução, não listada por Jean-Michel Massa em Machado de Assis tradutor, mas recolhida em Dispersos de Machado de Assis, ou por Eliane Ferreira em Para traduzir o século XIX: Machado de Assis, que a confunde com "A Ch. F., filho de um proscrito", que não é uma tradução, será analisada e explicada em nossa tese de doutorado Machado de Assis, poeta-tradutor, orientada pelo Prof. Dr. Raimundo Carvalho, com defesa prevista para março de 2020.

26 ASSIS, Histórias sem data, p. 57.

27 Idem, p. 65.

Sites consultados

A Digital Library of Works by German-Speaking Women. Disponível em: http://sophie.byu.edu/node/3309. Acesso em: 28 nov. 2016.

Catalogue de la Bibliothèque Nationale de France. Disponível em: http://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb43285771j. Acesso em: 28 nov. 2016.

Recebido: 17 de Fevereiro de 2017; Aceito: 05 de Maio de 2017

DIEGO DO NASCIMENTO RODRIGUES FLORES é formado em Letras-Inglês e mestre em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com a dissertação Machado de Assis, tradutor de Hugo. Atualmente, é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras da Ufes, sob orientação do Prof. Dr. Raimundo Nonato Barbosa de Carvalho, estudando as poesias traduzidas por Machado de Assis. E-mail: dgnrflrs@gmail.com.

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