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Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso

On-line version ISSN 2176-4573

Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso vol.6 no.1 São Paulo Aug./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S2176-45732011000200002 

ARTIGOS

 

O, 5 mm: a nova edição brasileira de problemas da poética de Dostoiévski

 

0.5 mm: the new brazilian edition of problems of Dostoevsky's poetics

 

 

Adriana Pucci Penteado de Faria e Silva

Professora da Universidade Federal da Bahia - UFBA, Salvador, Bahia, Brasil; appucci@uol.com.br

 

 


RESUMO

Neste artigo, retomo brevemente a história da recepção de Problemas da poética de Dostoiévski, de Mikhail Bakhtin, no Brasil, estabelecendo alguns paralelos com aspectos da recepção da obra na Itália, na França e nos Estados Unidos, para, então, descrever os acréscimos da nova edição brasileira e analisar, considerando a relevância da obra para os estudos da linguagem, algumas modificações efetuadas pelo tradutor Paulo Bezerra na quarta edição da obra, lançada em 2008.

Palavras-chave: Recepção; Problemas da poética de Dostoiévski; Tradução


ABSTRACT

In this article I briefly review the history of the Brazilian reception of Mikhail Bakhtin's Problems of Dostoevsky's Poetics, establishing a few parallels with aspects of this work's reception in Italy, France, and the United States in order to describe the additions made to the new Brazilian edition and, considering the relevance of this work to Language Studies, analyze some changes proposed by translator Paulo Bezerra in its 4th edition, published in 2008.

Key words: Reception; Problems of Dostoevsky 's Poetics; Translation


 

 

Introdução

No filme 21 gramas, de Alejandro Gonzalez Inarritu (roteiro de Guillermo Arriaga), questões sobre a vida e a morte das personagens são tecidas sobre o suporte metafórico de um experimento real de "pesagem da alma": em 1907, o médico americano Duncan MacDougall, de Massachusets, teria pesado o corpo de seis pessoas em estado terminal antes e após a morte, constatando que entre os dois momentos todas perdiam 21 gramas, medida que, para ele, indicaria o peso da alma.

A quarta edição brasileira de Problemas da poética de Dostoiévski (doravante PPD), de 2008, ganha alguns miligramas e 0,5 milímetros em relação à primeira, publicada em 1981. Os bakhtinianos, acostumados a tratar forma, conteúdo e material como aspectos constitutivos do sentido de uma obra, logo suspeitam: há nova alma na nova edição de 2008, mantida integralmente na quinta edição de 2010.

Meus objetivos nestas reflexões são dois: a) retomar brevemente a história da recepção de PPD no Brasil, estabelecendo alguns paralelos com aspectos da recepção da obra na Itália, na França e nos Estados Unidos, para, então, descrever os acréscimos da nova edição brasileira e b) levantar, considerando a relevância da obra para os estudos da linguagem, algumas modificações efetuadas por Paulo Bezerra na nova edição, em que se destaca o cuidado de manter aspectos linguísticos/discursivos nas traduções diretas do russo de trechos de Dostoiévski analisados por Bakhtin. Nas edições anteriores, havia, por vezes, um descompasso entre as análises de Bakhtin relativas à linguagem de algumas passagens de obras de Dostoiévski e esses trechos em português retirados de traduções das obras citadas disponíveis no mercado.

Para atingir meu primeiro objetivo, trago algumas características das edições publicadas nos países indicados, como a presença ou não de um prefácio, e procuro indicar o lugar de publicação de PPD em relação ao lançamento da obra sobre Rabelais e de Marxismo e filosofia da linguagem nos idiomas em questão. Elegi essas obras por constituírem as primeiras a serem divulgadas no Ocidente e por terem sido inicialmente recebidas como pertencentes a duas correntes do pensamento bakhtiniano e do Círculo: reflexões sobre a linguagem (Marxismo e filosofia da linguagem) e estudos literários. Sustento, como Brait (2009), que PPD é uma obra que interessa a ambas as vertentes. Para descrever e analisar alguns aspectos de PPD de 2008/2010 e atingir meu segundo objetivo, conto com indicações do próprio tradutor no prefácio da obra e com o aparato teórico-metodológico de inspiração bakhtiniana.

 

1 Questões de literatura e de língua: vicissitudes da recepção de PPD

A obra PPD, em sua versão de 1963, encontra-se traduzida em diversas línguas, muitas vezes em mais de uma edição num mesmo idioma. A recepção do livro em cada país /idioma inseriu-se numa cadeia discursiva particular1.

Na França, PPD é entregue ao público em 1970, em tradução de Isabelle Kolitchef, com o prefácio de Julia Kristeva intitulado Une poétique ruinée. Há também em francês, do mesmo ano, a tradução de Guy Verrer, lançada em Lausanne, Suíça. Nesta, não há prefácio, mas um texto na contracapa em que o tradutor traz breves notas bibliográficas sobre o pensador russo e ressalta a originalidade dos estudos bakhtinianos sobre Dostoiévski do ponto de vista dos estudos culturais e literários.

O prefácio de Kristeva faz parte do capítulo inaugural da recepção das ideias de Bakhtin e do Círculo no Ocidente. Em nenhum país, nem mesmo na União Soviética, conheceu-se a obra de Bakhtin na sequência em que ela foi produzida. A esse respeito, afirma Fiorin:

No Ocidente, Bakhtin começa a ser conhecido a partir de 1967, quando Julia Kristeva, uma búlgara que estudava na França, publica uma apresentação de suas obras sobre Dostoievski e Rabelais, na revista Critique: "Bakhtin, o discurso, o diálogo, o romance". Em 1968, aparece, em italiano, uma tradução da primeira das duas obras e, em inglês, uma tradução da segunda. Em 1970, ambas são publicadas em francês. Também no Ocidente não se publicou sua obra na ordem em que foi elaborada (2010, p.206).

Kristeva, com Todorov, teve o mérito de colaborar para a divulgação das ideias bakhtinianas no Ocidente. No entanto, suas leituras e comentários sobre o teórico russo são pautados pela atmosfera da pequena temporalidade de sua recepção, o que fez com que a autora introduzisse na divulgação do pensamento de Bakhtin noções estranhas à própria obra do pensador, como a de intertextualidade. Paulo Bezerra, no prefácio à nova edição de PPD, explica que Kristeva "manterá sempre a visão de Bakhtin como estruturalista" (2011, p. XIII). Bezerra afirma que a estudiosa dá um enfoque linguístico ao livro de Bakhtin sobre Dostoiévski e critica esse enfoque por basear-se numa concepção de língua saussureana, de modo algum compatível com o dialogismo.

Mesmo com esse cunho estruturalista que dá o tom ao prefácio de Kristeva, ao público francófono a obra PPD apresenta-se como um estudo profundo sobre questões literárias, assim como a obra de Bakhtin sobre Rabelais, traduzida para o francês também em 1970. Apenas sete anos mais tarde, em 1977, surge uma tradução de Marxismo e filosofia da linguagem para o francês (Paris, les editions de Minuit, com tradução de Marina Yaguello e prefácio de Roman Jakobson). No Brasil, como exporei adiante, inverte-se essa ordem de lançamento das traduções das obras do Círculo, o que faz com que Bakhtin (Volochinov) seja conhecido antes como filósofo da linguagem.

Em ensaio no qual comenta textos essenciais para a compreensão da circulação e da recepção de PPD, Brait nos lembra que

Problemas da poética de Dostoiévski e A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais são obras que formaram o nome de Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895-1975) no contexto das reflexões literárias contemporâneas. A partir do final dos anos 1980, linguistas e analistas de discurso, reintegrando sujeito e linguagem, descobriram, em ambos, elementos de interesse para os estudos do discurso em geral e, especialmente, para a concepção dialógica da linguagem (2009, p. 45-46).

O papel da Itália na circulação da obra PPD foi preponderante. De fato, segundo Brait (2009), uma editora italiana, a Einaudi, contatou Bakhtin demonstrando interesse na publicação da reedição da obra sobre Dostoiévski, em 1961. Esse contato foi decisivo para que o autor reelaborasse e publicasse a segunda versão de PPD.

Em língua italiana, existem as traduções das duas edições/obras de Bakhtin sobre Dostoiévski. O livro PPD, em sua versão de 1963, foi traduzido para o italiano por G. Garritano e publicado pela Einaudi em 1968, sem prefácio ou introdução dos editores ou do tradutor. Foi a primeira obra de Bakhtin a ser lançada em língua italiana.

Em 1997, "a publicação em italiano do livro de Bakhtin sobre Dostoievski na edição de 1929 completa o projeto da tradução italiana dos textos de Bakhtin e seu Círculo da década de 1920"2 (PONZIO, 2010, p.5). Com Apresentação de Augusto Ponzio e um ensaio de Margherita de Michiel sobre as variações entre as edições de 1929 e 1963 como prefácio, a edição italiana é emblemática dos esforços de um grupo de pesquisadores para resgatar a filosofia que permeia toda a obra de Bakhtin e de seu Círculo.

De Michiel ressalta no prefácio que a edição de 1929 é fundamental para a compreensão da edição de PPD de 19633. Entre as diferenças, destaca que o texto de 1929 é anterior aos estudos de Bakhtin sobre a teoria do romance e configura-se como uma monografia sobre a produção estética de Dostoiévski, com maior detalhamento analítico sobre questões da linguagem do autor de Crime e castigo. Além da eliminação do linguajar sociológico que caracteriza a obra de 1929, PPD de 1963 traz considerações sobre a teoria da carnavalização (no quarto capítulo, adicionado na reedição) e tem como foco, para de Michiel, o estudo sobre o lugar de Dostoiévski na história do gênero romance.

A obra de 1963 não propõe uma análise que prescinda da materialidade linguística e é de grande interesse, como já afirmei com Brait (2009), para os estudos da concepção dialógica da linguagem. A tradução italiana de Marxismo e filosofia da linguagem, primeira obra traduzida para o português, é de 1976. A cada aparecimento de uma obra de Bakhtin e de seus colaboradores em determinada língua, os pesquisadores que nela se debruçam sobre os estudos dialógicos têm o desafio de rever sua compreensão das obras até então disponíveis e das noções teóricas que as embasam. Isso acontece porque a retomada, a reelaboração de conceitos expostos em estudos anteriores e a própria contradição são aspectos inerentes à produção de conhecimento do pensador russo e a desordem na divulgação da obra acentua a dificuldade para quem se empenha em dialogar com Bakhtin e o Círculo. Como lembra de Michiel,

No Ocidente, o primeiro a adquirir fama foi o Bakhtin "carnavalescorevolucionário dos anos quarenta. Diante desse pano de fundo apareceu o livro de Dostoiévski que foi, na verdade, concebido na década de 1920. Os três modelos do "eu" bakhtiniano - "dialógico", "carnavalesco", "arquitetônico" - não chegaram a nós, portanto, por via de uma tradução na ordem correta. Apenas agora podemos reconstruí-los em sua integralidade [...] (1997, p.51).4

Pesquisadores brasileiros, nativos num idioma que não ocupa tradicionalmente lugar central em estudos discursivos, usufruem, para o bem e para o mal, da recepção das obras de Bakhtin e do Círculo em diversos idiomas.

Em inglês, a divulgação das obras de Bakhtin sobre Dostoiévski tem início por PPD de 1963 (Problems of Dostoevski's Poetics), pela editora Ardis, em 1973, numa tradução de R. William e Rotsel que, segundo Emerson (2006), tinha sérios problemas e está esgotada. A segunda tradução foi feita por Caryl Emerson e publicada em 1984. Antes disso, fragmentos dos textos bakhtinianos sobre Dostoiévski são publicados em inglês: em Dostoevski and Gogol, de 1979, os autores Priscilla Meyer e Stephen Rudy revisam parte do segundo capítulo daquela primeira tradução e a publicam; em 1971, Richard Baltazar e I. R. Titunik vertem ao inglês um trecho da obra bakhtiniana de 1929 e o inserem num volume dedicado à literatura russa, Readings in Russian Poetics.

Rabelais and his World (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento) havia sido publicado, em 1968, com tradução direta do russo de Hélène Iswolsky. Marxism and the Philosophy of Language surge em 1973, com tradução de Ladislav Matejka e I. R. Titunik.

A versão em inglês de 1984 traz uma introdução de Wayne C. Booth que apresenta a obra de Bakhtin inserida na cadeia discursiva dos estudos literários, mais precisamente nas discussões da crítica literária sobre os embates entre forma, conteúdo e ideologia. Booth confere a Bakhtin um lugar de destaque por superar os limites de tais discussões e ressalta que, na esfera de produção da obra, considerando-se as duas elaborações dos estudos sobre o escritor russo, Bakhtin dialoga com uma crítica que está longe da unanimidade sobre Dostoiévski que impera por ocasião de sua recepção no Ocidente no final do século XX. O teor dessa apresentação mostra como a recepção de PPD nos Estados Unidos concentra-se na esfera dos estudos literários.

O prefácio de Emerson que se segue a essa introdução tem início com acenos à história das duas edições dos estudos de Bakhtin sobre Dostoiévski, passando pela importante redescoberta da obra de 1929, em 1950, por um grupo de estudantes de Moscou, fato que foi preponderante para a decisão de Bakhtin de reelaborar e reeditar a obra. Em seguida, a estudiosa discorre sobre os desafios de se traduzir Bakhtin, um autor que parece "modelar sua sintaxe no enunciado, não na frase", que "cria novas palavras" e que "dá nova serventia"5 a velhas palavras (2006, p. xxxix/xxxv). A tradutora ainda, nas páginas finais, relata seu esforço para manter tal sintaxe, respeitar as repetições e os "mares de nomes abstratos e categorias reiteradas para falar do já dito" e as imagens "vibrantes e repentinas "que trazem os novos conceitos na obra (2006, p.xxxv).

Embora a tradutora busque o rigor na tradução da entonação apreciativa do texto, os trechos das obras de Dostoiévski citados por Bakhtin são retirados de traduções disponíveis das obras em língua inglesa e há uma lista dessas obras nas advertências iniciais do livro (2006, p. xii).

Nas edições em francês e italiano que citei, não pude localizar referência ao aproveitamento de traduções consagradas da obra de Dostoiévski na edição do livro de Bakhtin, o que parece indicar que os trechos foram traduzidos diretamente do russo, a partir do próprio texto bakhtiniano.

A primeira edição brasileira de PPD, traduzida da terceira edição russa, foi lançada em 1981 com tradução de Paulo Bezerra, sem prefácio ou apresentação dos editores ou do tradutor no corpo de livro. Nas orelhas do livro, já há o texto que se mantém até a edição atual (2008/2010), em que Bezerra apresenta a obra como um estudo em que se defendem teses, como a polifonia e o dialogismo. Mostra Bakhtin como um pensador abrangente, multidisciplinar, não restrito ao âmbito da crítica literária:

Não estamos diante de um simples livro de crítica literária, estamos diante de um livro de teses. Nele encontramos as teses do romance polifónico, da dialogia, da carnavalização da literatura, uma inovadora concepção dos gêneros literários e sua transformação na obra de Dostoiévski. Todas essas questões se assentam sobre um fundo mais amplo, de abrangência multidisciplinar: o problema do diálogo como fundamento do pensamento criativo e da própria criação (BEZERRA, 1981, orelha da obra).

Em 1997, a mesma editora, a Forense Universitária, lança nova edição de PPD, revista e ampliada. Mantém-se o texto das orelhas do livro e há o acréscimo de notas na contracapa e de um importante prefácio de Paulo Bezerra.

O texto da contracapa dessa edição, mantido até a atual, não leva a assinatura do tradutor e subentende-se como assinado pelos editores. Nele, o pensamento bakhtiniano é apresentado com foco em sua inserção na crítica literária e na proposta metodológica inovadora para a construção das teses propostas.

O prefácio do tradutor, no entanto, não deixa dúvidas: PPD é um estudo que interessa a um campo muito mais amplo do que apenas o da crítica literária. Bezerra ressalta que a segunda edição é produzida num momento em que as ideias de Bakhtin e do Círculo já eram conhecidas em nosso país por traduções de diversos títulos a partir dos originais russos e por uma série de estudos sobre os pensadores:

Esta segunda edição já encontra o nome de Bakhtin amplamente consagrado no meio universitário brasileiro graças à publicação de outras obras fundamentais como Marxismo e filosofia da linguagem (já em quarta edição), A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais (já em segunda edição), Questões de literatura e de estética (em segunda edição), todos editados pela Hucitec, São Paulo, e A estética da criação verbal, Martins Fontes. Paralelamente, a obra de Bakhtin foi objeto de estudo em vários livros, como Saudades do Carnaval, de José Guilherme Merquior (Ed. Forense, 1972), Uma introdução a Bakhtin, de Carlos Alberto Faraco, Cristóvão Tezza, Elisabeth Brait, Luís Roncari e Rosse Marye Bernardi (Ed. Hatier, Joinvile, 1988), Turbilhão e semente, de Boris Schnaiderman (Duas Cidades, 1983). [...] Além desses estudos, já se produziu um grande número de dissertações e teses acadêmicas que se baseiam nas teorias bakhtinianas [...] (1997, p. VI).

Em relação às outras obras citadas por Bezerra, lembro que em 1979, portanto também antes da primeira edição de PPD em português (1981), Marxismo e filosofia da linguagem já havia sido lançado no Brasil, em tradução de Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira, a partir da edição francesa de 1977 (cf. SOUZA, 2003).

Quanto aos trechos de obras de Dostoiévski inseridos no texto de PPD, a edição brasileira de 1 997 reproduz os excertos de traduções já consagradas. Bezerra indica sempre em notas de rodapé a fonte da tradução para o português, como se pode ver nas seguintes, notas, entre outras:

- 1. F.M. Dostoiévski. O Sonho de um Homem Ridículo. Edições de Ouro, Rio de Janeiro. s/data de edição, p.152. (p.150)

-1. F. M. Dostoiévski. Crime e Castigo. Ed José Olympio, Rio de Janeiro, 1951, pp. 291-291. (p. 170)

-1 F. M. Dostoiévski. Pobre Gente. Tradução de Oscar Mendes. Cia José Aguillar Editora, Rio de Janeiro, 1975, pp. 13-14. (p. 209)

- F. M. Dostoiévski. Memórias do Subsolo. Tradução de Boris Schnaiderman. Ed. José Olympio, Rio de Janeiro, 1962, p. 143. (p.230)

Bezerra, já em 1 997, mostra-se descontente com o descompasso entre o que diz Bakhtin das palavras de Dostoiévski e as palavras de Dostoiévski enunciadas por seus tradutores. Assim, temos essa marca da subjetividade e da postura do tradutor em algumas notas, como em: " Leia-se 'indiferente'. As palavras grifadas estão consoantes ao texto de Bakhtin" (p. 142), ligada ao seguinte trecho, ao termo importância:

Em seguida surge o tema da indiferença absoluta a tudo o que há no mundo, tema muito característico da menipeia cínica e estóica: "...esta imensa melancolia que se apoderou da minha alma, após uma circunstância infinitamente acima de mim, a saber: minha convicção, doravante bem firmada de que aqui embaixo tudo é sem importância" (p. 152).

O tradutor/enunciador incomoda-se pelo fato de Bakhtin, em russo, comentar o tema da indiferença em passagens da obra O homem do subsolo e a marca lexical não estar explícita na tradução disponível me português. Esse tipo de marca discursiva prenuncia as mudanças que ocorrerão na quarta edição em português de PPD.

 

2 PPD de alma nova: as edições de 2008 e 2010

Nos onze anos que separam a segunda da quarta edição brasileira de PPD, muito se publicou de Bakhtin e o Círculo, sobre Bakhtin e o Círculo e novas traduções das obras de Dostoiévski surgiram em português. Destaca-se nessa grande oferta de títulos a tradução a partir do russo publicada em 2003 de Estética da criação verbal, feita por Paulo Bezerra para a editora Martins Fontes, que substitui a edição anterior a partir de francês, de 1992, com tradução de Maria Ermantina Galvão G. Pereira.

Estética da criação verbal é uma coletânea póstuma de escritos de Bakhtin inéditos até sua primeira publicação russa, em 1979. Nessa obra, há dois textos que estão relacionados diretamente a PPD: A respeito de Problemas da obra de Dostoiévski e Reformulação do livro sobre Dostoiévski. Esses textos foram incluídos a partir da quarta edição brasileira de PPD, de 2008, entre o texto integral da obra e a conclusão de Bakhtin. Discursivamente, portanto, embora nomeados "adendos", são apresentados dentro do corpo da obra e não como complementos a ela.

A escolha dos editores resgata o lugar de textos que, segundo Bezerra, são essenciais, pois "com eles os conceitos-chave do livro ganham mais consistência e clareza" (BEZERRA, 2008, p.VII). Bakhtin nunca os preparou para publicação, e os títulos com que se apresentaram ao público em Estética da criação verbal foram dados por um dos organizadores dos manuscritos de Bakhtin, Vadim Kójnov (cf. BEZERRA 2008). Em português, para a edição de 2008, são renomeados: A respeito de Problemas da obra de Dostoiévski passa a À guisa de comentários e Reformulação do livro de Dostoiévski a Esboço de Reformulação de PPD.

À guisa de comentários trata da obra de 1929, Problemas da obra de Dostoievski. Nesse texto, Bakhtin explica questões metodológicas que o levaram a dar maior peso, em 1929, à obra de Dostoiévski em seus aspectos aparentemente internos e prescindir de análises históricas mais elaboradas. A prioridade é aparente, pois não há aspecto estético que prescinda do histórico e do social, como explica o pensador russo:

A presente análise baseou-se na convicção de que toda obra é interna, imanentemente sociológica. Nela se cruzam forças sociais vivas, avaliações sociais vivas penetram cada elemento de sua forma. Por isso a análise puramente formal deve tomar cada elemento da estrutura artística como ponto de vista da refração de forças sociais vivas, como um cristal artificial cujas facetas foram construídas e lapidadas a fim de refratar determinados raios de avaliações sociais, e refratá-los sob um determinado ângulo. [...] Até hoje a obra de Dostoiévski tem sido objeto de um enforque, de uma interpretação ideológica estreita; seus exegetas têm-se interessado mais pela ideologia que encontrou expressão imediata nas proclamações do romancista (ou melhor, de suas personagens). Até hoje está quase inteiramente por ser revelada a mesma ideologia que lhe determinou a forma artística, a sua construção romanesca de excepcional complexidade e totalmente nova (BAKHTIN, 2008, p.312).

As colocações de Bakhtin nesse trecho indicam uma preocupação que pode explicar a mudança de título entre as obras de 1929 e 1963. De fato, a substituição de obra por poética parece favorecer o entendimento de que, para Bakhtin, não há obra isolada de atos éticos, estéticos e ideológicos.

Em Esboço de reformulação de PPD encontra-se um texto em que há "aspecto de rascunho" em várias passagens (BAKHTIN, 2008, p.318, em nota de BEZERRA). Bakhtin apresenta uma série de aspectos que ambiciona aprofundar ou inserir na reformulação de sua obra. Segundo os editores russos de Estética da criação verbal,

[...] o conteúdo do plano é mais amplo que o aprimoramento do livro. Toda uma série de temas aqui esboçados e reformulações encontradas ficou fora do livro (por exemplo, formulações acerca dos tipos de pessoas a partir de sua relação com um valor superior, a linha da crítica do enfoque psicanalítico de Dostoiévski, os modos de expressão do homem 'do corpo ao discurso' [...] a comparação com A montanha mágica de Thomas Mann e obras de outros romancistas ocidentais) (KAGAN et. al., 2003,p. 445).

Essa escolha de junção desses textos à obra de Bakhtin sobre Dostoiévski de 1963 reflete a postura atual dos pesquisadores da obra do pensador russo e do Círculo, que se traduz na busca pela compreensão da poética de Bakhtin construída no conjunto de sua obra, e não em textos isolados, categoria alheia a uma abordagem dialógica. Materialização máxima dessa tendência é a edição, na Rússia, das obras completas de Bakhtin e do Círculo, em que se têm editado, em diversos volumes, conjuntos de livros, artigos, escritos inéditos e entrevistas que, em diálogo, contribuam para o estudo de um tema.6

 

3 A Bakhtin o que é de Dostoiévski: restituições na tradução de alguns trechos citados

Uma das mudanças mais importantes apresentadas na nova edição de PPD é o cuidado na tradução dos trechos de obras de Dostoiévski citados por Bakhtin. Como já expus, Bezerra desde a edição anterior enunciava-se descontente com a falta de relação entre o que Bakhtin parecia querer ressaltar de alguns trechos de Dostoiévski e o que podia mostrar a tradução desses trechos para o português, retirada de obras já disponíveis no mercado brasileiro.

Na segunda edição, Bezerra optou pela tradução indireta das seguintes obras: Gente pobre, O duplo, Crime e castigo, O idiota e Os irmãos Karamazov. O tradutor explica a decisão de modificar essa situação:

[... ] ao trabalhar com PPD em meus cursos de graduação e pósgraduação, percebi que o tipo de linguagem desses romances em tradução indireta criava dificuldade para a compreensão do sentido profundo dos diálogos entre as personagens na perspectiva do dialogismo, quintessência da teoria bakhtiniana do discurso. Esse desencontro da tradução indireta com o original é especialmente aberrante em O Duplo, obra publicada em conjunto com Gente Pobre (com o titulo de Pobre Gente) pela Companhia José Aguilar Editora (Rio de Janeiro, 1975). Nessa edição, além das aberrantes deturpações do original, a tradução é tão distante da linguagem original que não passa de uma pálida descrição do discurso dostoievskiano, a tal ponto que se torna impossível detectar a presença das palavras de uma personagem abrindo fissuras na consciência da outra, essência da interação dialógica que Bakhtin descobriu em Dostoiévski (BEZERRA, 2008, p. VI).

Na nova edição de PPD, portanto, o leitor recupera a essência do diálogo entre Bakhtin e a obra de Dostoiévski. Passagens emblemáticas dessa modificação encontram-se no capítulo V, no item 2, intitulado O discurso monológico do herói e o discurso narrativo nas novelas de Dostoiévski.

Ao discorrer sobre a atitude do herói diante da palavra do outro, Bakhtin identifica na primeira obra de Dostoiévski, Gente pobre, características que seriam desenvolvidas posteriormente. O pensador russo escolhe um trecho de uma fala de Diévuchkin dirigida a uma interlocutora ausente, Várienka Dobrossiélova. Para Bakhtin, as palavras do enunciador respondem às supostas respostas de sua interlocutora ausente, que lhe penetram o discurso. O direcionamento à palavra alheia manifesta-se por evasivas, por interrupções, por uma "inibição do discurso" (BAKHTIN, 2008, p. 236).

Na segunda edição de PPD, temos como parte do trecho citado de Dostoiévski para a análise desses fenômenos:

"Eu vivo na cozinha, ou, para melhor dizer... já deve calcular: contíguo à cozinha há um quarto (a cozinha é muito limpa, muito clara e ajeitadinha) - um quartinho muito pequeno, um cantinho muito discreto... ou, para melhor dizer, deve sê-lo; a cozinha é grande e tem três janelas. Paralelamente ao tabique colocaram-me um biombo, de maneira que assim se fez um quartinho, um número supra numerário, como costuma dizer-se. Tudo muito espaçoso e cômodo, até tenho uma janela, e o mais importante é que, como lhe digo, está tudo muito confortável. [...]" (BAKHTIN, 2008, p.206, aspas no original).

Nessa tradução, podemos individuar a presença de um interlocutor no início do trecho, no sujeito oculto do verbo dever ("já deve calcular"). A partir daí, podemos inferir o fenômeno a que Bakhtin alude, por exemplo, na parentética em que o enunciador parece antecipar-se a qualquer objeção ao fato de viver na cozinha, exaltando as qualidades desse espaço.

No entanto, uma comparação com a nova tradução proposta por Bezerra mostra que há, no texto russo, uma demora maior para que o enunciador transforme a cozinha em quarto. No exemplo anterior, o termo cozinha é citado duas vezes antes que a palavra quarto seja introduzida, e o termo que qualifica o quarto ("contíguo") aparece mesmo antes da segunda recorrência de cozinha.

Se essa mudança lexical está relacionada à antecipação das objeções do outro, então vemos na tradução direta do texto de Dostoiévski que as supostas réplicas desse outro aparecem de maneira muito mais intensa, o que prolonga essa transformação do signo ideológico cozinha:

Eu moro na cozinha, ou seria bem mais correto dizer assim: aqui ao lado da cozinha (mas, preciso lhe dizer, a nossa cozinha é limpa, clara, muito boa) existe um quartinho, pequeno, um cantinho modesto... isto é, para dizer melhor ainda, a cozinha é grande, tem três janelas de sorte que ao longo da parede transversal há um tabique, de maneira que isso resulta como que em mais um cômodo, um quarto extranumerário; tudo amplo, confortável, tem até janela, e tudo, numa palavra, tudo confortável. [...] (BAKHTIN, 2008, p.236).

Outro trecho de Dostoiévski que sofreu significativa mudança na tradução é uma passagem de O duplo7, também no quinto capítulo de PPD, em que Bakhtin analisa o discurso de Goliádkin, apontando para uma simulação de independência e tranquilidade Pode-se ler na segunda edição:

"Ao descer do carro diante de um edifício de cinco andares da Rua Litéinaia, perguntava a si mesmo, tomado de um movimento de dúvida.

- Será boa hora? Chegarei a tempo? Quererá ele receber-me? Venho só consultá-lo sobre um assunto de meu interesse. Não há nisto nada de mais, nada de censurável. É como se não tivesse nada de particular a fazer e ao passar por aqui, pelo consultório, tivesse me lembrado de subir. Ele não poderá estranhar isso, nem supor que haja algum motivo oculto em minha visita.

Absorto nessas reflexões, Goliádkin subia devagar as escadas, retendo a respiração para dar descanso ao coração que tinha o maior hábito de palpitar com maior intensidade sempre que ele entrava em casa estranha" (BAKHTIN, 1997, p. 214).

Na edição de 2008, a tradução direta do russo é a seguinte:

Será que pensando bem tudo isto está certo? - continuou o nosso herói, descendo da carruagem à entrada de um prédio de cinco andares na rua Litêinaia, onde mandou parar seu carro - será que tudo isso está certo? Será decente? Será oportuno? De resto, que importa? continuou ele, subindo a escada, tomando fôlego e segurando as batidas do coração, que tinha o hábito de bater em todas as escadas alheias - que importa? Ora, vou tratar de assunto meu e nisso não há nada de censurável... Seria uma tolice eu me esconder. Darei um jeito de fazer de conta que vou indo, que entrei por entrar, que estava passando ao lado... E ele verá que é assim que deve ser" (BAKHTIN, 2008, p. 244).

A tradução indireta parece destruir o ritmo criado pelas intercalações entre a voz do narrador e da personagem, levando ao parágrafo inicial e ao final a descrição da cena e deixando a voz de Goliádkin resguardada entre eles. A forma escolhida por Dostoiévski, pelo que a tradução direta de Bezerra indica, foi justamente a de intercalar as vozes, o que em O duplo pode criar um sentido específico, já que há uma contaminação do discurso do narrador pelo discurso do herói que se acentua ao longo da obra.

O importante trabalho de Bezerra não pode ser com justiça apresentado em poucas páginas. Os exemplos trazidos indicam o teor da reelaboração da tradução, mas podem apenas indicar que PPD merece, em português, nova e atenta leitura.

 

À guisa de conclusão

Procurei nestas reflexões indicar o sentido dos milímetros adicionais da edição brasileira de PPD de 2008. Com a retomada de alguns aspectos da recepção da obra no Ocidente, quis mostrar que as modificações propostas pelo tradutor e pela editora inserem-se numa postura de recepção do livro por parte dos estudiosos: a de entender as obras de Bakhtin como partes de um conjunto em que conceitos se constroem, aprofundam e modificam. Nesse conjunto, não faz sentido uma distinção nítida entre estudos de língua e de literatura, entre o ético e o estético.

O leitor de Bakhtin e seu Círculo em português ganhou importantes cinco milímetros, mas faltam-lhe ainda medidas essenciais, como a tradução direta do russo de Marxismo e filosofia da linguagem e o lançamento do livro de 1929 sobre Dostoiévski. Com o evento das obras completas em russo, outras ausências em português serão sentidas, o que deve levar a novos esforços no sentido de preparar e divulgar as publicações nesse idioma. A cada publicação, como aconteceu com a nova edição de PPD, o leitor poderá conhecer novos sentidos na poética bakhtiniana e conferir nova serventia a conceitos que julgava já familiares.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em 30/07/2011
Aprovado em 22/09/2011

 

 

1 Para mais detalhes sobre a tradução das obras de Bakhtin e seu Círculo no Ocidente ver Brait e Campos (2009).
2 Tradução minha do original em italiano.
3 Para uma descrição detalhada do corpo das duas obras e análise de seus temas, ver Brait, 2009.
4 Tradução minha do original italiano.
5 Traduções minhas do original em inglês.
6 Para detalhamento dos volumes previstos e editados, ver GRILL0, 2009.
7 N.E. Reiterando as preocupações de Paulo Bezerra com as traduções, apontadas neste artigo, ver sua tradução de O duplo, em edição que inclui os desenhos de Alfred Kubin (BEZERRA, 2011).