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Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso

On-line version ISSN 2176-4573

Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso vol.10 no.1 São Paulo Jan./Apr. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/2176-457320692 

Artigos

O ensino de literatura em língua inglesa no curso de Letras: uma abordagem dialógico-pragmática

Orison Marden Bandeira de Melo Júnior* 

*Universidade Federal Rural de Pernambuco- UFRPE, Garanhuns, Pernambuco, Brasil; junori36@uol.com.br

RESUMO

Este artigo objetiva participar das discussões sobre o ensino de literatura em língua inglesa (LLI) no cotidiano da sala de aula do Curso de Letras. Para tal, discute os desafios propostos pelas DCN de Letras, bem como a realidade do professor que trabalha com um número pequeno de horas de LLI na matriz curricular e um número alto de alunos com conhecimento limitado dessa língua estrangeira. A partir da concepção dialógica de linguagem e da possibilidade de cooperação entre áreas de conhecimento, apresentamos uma proposta de trabalho entre a ADD e a Pragmática, mostrando as consonâncias e as dissonâncias entre as duas áreas. Além disso, apresentamos parte da análise do conto Her Sweet Jerome, de Alice Walker, feita por alunos que apontaram para a possibilidade de a Pragmática, nesse contexto de trabalho de LLI com alunos com conhecimento limitado dessa língua estrangeira, ser um passo inicial para uma análise dialógica dos textos literários.

PALAVRAS-CHAVE: Ensino de literatura em língua inglesa; ADD; Pragmática; Cooperação

Introdução

Professores de literatura em língua inglesa nos cursos de Letras, em geral, encontram grandes desafios para a sua atuação no cotidiano da sala de aula. Por um lado, as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Letras apontam para a necessidade de o egresso ter uma visão crítica das teorias que refletem os estudos linguísticos e literários fundamentadores da sua formação profissional, a partir da concepção de língua e literatura como prática social, concebendo "a diferença como valor antropológico e como forma de desenvolver o espírito crítico frente à realidade" (DCN, 2001, p.31). Por outro, há a realidade de os projetos pedagógicos dos cursos de licenciatura dupla (Português/Inglês) privilegiarem os conteúdos relacionados à Língua Materna (LM), relegando os de Língua Estrangeira (LE) a um espaço muito pequeno na grade curricular (PAIVA, 2005). Somados a esses fatores (o idealizado pelas diretrizes e o real dos projetos pedagógicos), encontram-se os discentes que adentram o curso de Licenciatura, ou seja, o de formação de professores, com conhecimento limitado da Língua Inglesa (LI).

A partir desse contexto, este artigo objetiva apresentar parte da discussão feita na nossa pesquisa de doutorado, cuja tese Análise de texto literário em Língua Inglesa no curso de Letras: uma perspectiva dialógico-pragmática (MELO JR, 2014) fundamentou-se na concepção dialógica de linguagem do Círculo, que, segundo Brait, em Tradição, permanência e subversão de conceitos nos estudos da linguagem (2013), entende o dialogismo como "condição de linguagem" (p.110). Em outro texto, História e alcance teórico-metodológico, Brait (2012a)explica que as reflexões em torno dos conceitos de dialogismo, texto, enunciado, discurso, autoria, leitor, imagem "formam uma rede coerente" (p.89), permitindo, dessa forma, como aponta Adail Sobral, em Ético e estético: na vida, na arte e na pesquisa em Ciências Humanas (2010), a sua caracterização como "uma das principais bases do Círculo sobre as categorias do teórico, do ético e do estético" (p.105). Nessa esteira do pensamento, para Geraldo Souza, em Introdução à teoria do enunciado concreto do Círculo Bakhtin/Volochinov/Medvedev (2002), a dimensão dialógica é a base concreta de conceitos, como enunciado, comunicação (verbal, social, ideológica, dialógica, artística), interação verbal e situação.

Entretanto, uma análise de textos literários a partir dessa rede coerente de conceitos, não descarta a análise dos elementos materiais do texto. Essa orientação dupla é percebida em diversos momentos na obra do Círculo, mas gostaríamos de apontar dois deles. O primeiro encontra-se em O discurso em Dostoiévski (BAKHTIN, 2010), em que o autor russo propõe a criação da Metalinguística, ou seja, de um estudo "- ainda não constituído em disciplinas particulares definidas – daqueles aspectos da vida do discurso que ultrapassam – de modo absolutamente legítimo – os limites da linguística" (p.207). Entretanto, para ele, as pesquisas no campo da Metalinguística não podem ignorar a Linguística; pelo contrário, devem aplicar os resultados apresentados por ela. Brait, em seu texto Análise e teoria do discurso (2010a), afirma que isso não indica que a Metalinguística cai no estruturalismo, pois as relações dialógicas são extralinguísticas. Entretanto, para se abordar o discurso na perspectiva bakhtiniana é imperioso ver a relação entre elementos internos e externos do discurso/enunciado como dialética e bivocal. Brait (2010a) confirma, assim, a preocupação do autor russo de se encontrarem caminhos teóricos, metodológicos e analíticos para o estudo da linguagem na sua bivocalidade constitutiva.

O segundo momento está em Discourse in life and discourse in poetry: questions of sociological poetics (VOLOSHINOV, 1983a)1. Nesse ensaio, o autor já aponta para uma 'metodologia' ao afirmar que uma análise sociológica se inicia com a materialidade da obra, mas não se confina a ela, tendo em vista que, durante a leitura, iniciada pelo grafema, o leitor é levado a outros fatores verbais, como articulação, imagem sonora, entonação, significado, e, a partir deles, para além dos limites dessa materialidade.

É importante a lembrança de que uma pesquisa voltada à literatura a partir dessa perspectiva foi feita por William Cereja, em sua obra Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura (2005), escrita a partir da sua tese de doutorado, intitulada Uma proposta dialógica de ensino de literatura no ensino médio (2004). Entretanto, apesar da importância da pesquisa de doutorado de Cereja (2004), uma mera 'aplicação' da sua tese no contexto de ensino de literatura em Língua Inglesa não responderia às necessidades desta pesquisa, tendo em vista que, muitas vezes, os alunos não adentravam o contexto discursivo dos textos literários [contos da autora Alice Walker, em sua obra In Love & Trouble: Stories of Black Women(2001)] por não conseguirem dar o primeiro passo em direção ao campo puramente linguístico.

Entretanto, por ser o texto em prosa "um fenômeno pluriestilístico, plurilíngue e plurivocal" (BAKHTIN, 2002, p.73), um trabalho puramente sintático, a partir de um objetivismo abstrato (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2010), que priorizasse a "sinalidade" e, consequentemente, a mera identificação dos signos, não levaria os alunos a sair dessa abstração e a compreender a verdadeira substância da língua, que, segundo Bakhtin/Volochínov, é constituída "pelo fenômeno social da interação verbal, realizada por meio da enunciação ou das enunciações (2010, p.127; grifo do autor)".

Com isso em mente, pensamos que os estudos da Pragmática pudessem auxiliar nesse desafio, já que vários estudos dessa área do conhecimento são voltados à literatura. Escolhemos, então, o pragmaticista holandês Jacob Mey, leitor das obras do Círculo, que define a pragmática, em Pragmatics: an Introduction (2007), como o estudo do uso da língua na comunicação humana determinada por condições sociais. O autor adiciona que o interesse da área não é apenas o produto final, ou seja, a língua, mas todo o processo de produção de língua.

Decidimos, então, verificar como essas duas áreas do conhecimento poderiam auxiliar o aluno de Letras que, no cotidiano das aulas de literatura em língua inglesa (americana, por exemplo), é desafiado a analisar textos em seus originais, mesmo com conhecimento limitado dessa LE. É importante a menção de que o trabalho com essas duas áreas seguiu o princípio de cooperação apresentado por Bakhtin, que, em Apontamentos de 1970-1971 (2003a), legitima a cooperação entre áreas de estudo por meio do conhecimento das suas zonas de fronteira; o autor não defende o ecletismo, mas as demarcações benevolentes de suas fronteiras.

Foi a partir, então, desse princípio que a pesquisa se constituiu, ou seja, a de verificar as contribuições de duas áreas do conhecimento, a saber, a Pragmática e a Análise dialógica do discurso (ADD), que, em cooperação, poderiam auxiliar o aluno a analisar textos literários em língua inglesa, tarefa indispensável para esse aluno de Letras e futuro professor de Língua Inglesa e Literatura em Língua Inglesa.

A partir dessas considerações, este artigo será dividido em duas partes. Na primeira, mostraremos as conclusões tiradas na pesquisa sobre os pontos de consonância e dissonância entre a Pragmática e a ADD, buscando identificar essa cooperação e, na

segunda, apresentaremos um exemplo de análise feita pelos alunos do conto Her Sweet Jerome da autora Alice Walker (2001), em um exercício de análise literária criado a partir dessa cooperação.

1 Pragmática e ADD: consonâncias e dissonâncias

Entendemos que o ponto de partida comum entre as duas áreas de conhecimento é a visão da língua enquanto uso e não enquanto sistema apenas. Como vimos, Mey (2007) entende a Pragmática como o estudo do uso da língua, que é determinado por condições sociais. Semelhantemente, a Análise Dialógica do Discurso, que tem como objeto de estudo o discurso, definido por Bakhtin (2010, p.207) como "a língua em sua integridade concreta e viva", não se restringe à língua como objeto da Linguística. É importante a menção de que, na versão inglesa da obra bakhtiniana, usa-se, na definição de discurso, o substantivo totalidade (totality) em vez de integridade, o que permite pensar nesse todo do processo de produção de língua.

Outra consonância entre os autores é que eles não descartam o uso dos estudos linguísticos em suas análises. Para Verschueren (1999 apud MEY, 2007), a Pragmática não pode ser considerada um componente adicional dos estudos linguísticos; segundo Mey (2007), uma visão/perspectiva pragmática enfatiza todas as áreas da Linguística, incluindo, também, a Psicolinguística, a Sociolinguística, etc. Essa perspectiva, para o pragmaticista, serve como um 'guarda-chuva' para os vários componentes e áreas da Linguística, expandindo (e não reduzindo) o seu horizonte epistemológico. Como já apontamos, apesar da ênfase de Bakhtin (2010) ser o enunciado concreto, que inclui todos os elementos de produção e recepção da língua, também não descarta os elementos puramente linguísticos em suas análises; pelo contrário, o filósofo russo asserta que as análises de discursos, mesmo situadas na Metalinguística, devem aplicar os resultados de análises puramente linguísticas.

Nesse sentido, tanto na Pragmática quanto na ADD, há a preocupação com os estudos dos diferentes discursos (diretos, indiretos e indiretos livres) inscritos nos textos quer literários ou não. Bakhtin/Volochínov, na terceira parte de Marxismo e filosofia da linguagem (2010), intitulada Para uma história das formas de enunciação nas construções sintáticas, declara que o grande erro de se estudar os discursos de outrem pela perspectiva puramente sintática é de dissociá-lo do seu contexto narrativo. Semelhantemente, Mey, em When voices clash(2000), na busca pela vocalidade do texto, ou seja, pelas vozes dos diferentes agentes envolvidos na narrativa (autor, narrador e personagens), afirma que a análise dos discursos deve ser pragmática, pois nem sempre a sintaxe (consecutio temporum), em especial no discurso indireto livre, é obedecida, devendo o leitor, em cooperação com o autor, buscar identificar, pragmaticamente, as diferentes vozes encontradas no texto.

É importante a menção, ainda, sobre esse mesmo tema, de que Mey (2000) utiliza os termos normalmente encontrados na literatura (discurso direto, indireto e indireto livre), apesar de não ficar restrito aos elementos sintáticos dessa construção, tendo em vista que a sua busca é pela vocalidade do texto. O que interessa ao autor é a verificação das vozes e do efeito que elas causam no leitor, o que permite a asserção de ser vocalidade um conceito pragmático. Esse efeito não deve ser visto apenas pela presença de uma reação do leitor à obra (ou às vozes), mas pela cooperação ativa entre os interlocutores. Isso leva a outro ponto de consonância entre as áreas, ou seja, a participação ativa do leitor no processo de leitura.

No entanto, antes dessa análise, é necessário apontarmos que Bakhtin/Volochínov (2010) embasa conceitos pilares da sua filosofia da linguagem no princípio da alteridade, percebido tanto no conceito de interação verbo-social (face a face ou não) quanto na sua exposição dos diferentes discursos e suas variantes, permitindo-nos outra conclusão: apesar de o foco dos autores ser diferente [Mey busca a vocalidade do texto e o seu efeito ativo em seus leitores e Bakhtin/Volochínov, o dialogismo constitutivo dos enunciados por meio dos discursos de outrem e sua manifestação nos diferentes tipos de discurso], os autores analisam os discursos direto, indireto e indireto livre de forma linguístico-discursiva.

Voltando à posição ativa do leitor no ato de leitura e compreensão, Mey (2000, 2007) declara que ele está longe de ser um ouvinte passivo, pois é seu espírito criativo que participa da obra em um processo ativo de recriação. A leitura, vista pelo pragmaticista como um ato pragmático, é uma atividade colaborativa, por meio da qual o leitor, ao entrar em uma obra literária, torna-se um coautor, que, apesar dos limites do texto, possui liberdade (concedida pelo próprio texto) para construir um universo literário consoante com as condições contextuais do próprio leitor. É importante, entretanto, a lembrança de que essa liberdade é submetida a um 'contrato' entre o autor e o leitor por meio do qual a perspectiva do autor e a do leitor sobre o texto literário entra em cooperação e entendimento mútuo.

Semelhantemente, Bakhtin, em vários momentos da sua obra, aponta para a necessidade de se perceber o leitor como participante ativo do processo de compreensão, que, para ele, envolve não apenas o reconhecimento e o entendimento do significado reprodutível dos elementos dados em um texto (quer literário ou não), mas também do seu sentido (significado contextualizado), o que implica uma atitude ativo-dialógica por parte do leitor. Para Bakhtin (2003c, p.271), o "esquema de processos ativos de discurso no falante e de respectivos processos passivos de recepção e compreensão do discurso no ouvinte", em contextos discursivos reais, é considerado ficção científica, pois o ouvinte/leitor, ao compreender, passa a ocupar uma posição ativa de responsividade, que tanto pode ter um efeito imediato (como o cumprimento de uma ordem) ou retardado (como o discurso cultural escrito). Diante disso, é possível entender a asserção do autor russo de que a "compreensão é sempre dialógica" (BAKHTIN, 2003d, p.316), ressoando, assim, a definição da compreensão genuína como sendo sempre uma forma de diálogo em Marxismo. Se a compreensão, para Bakhtin (2003d), é caracterizada pela responsividade, ela passa a ser entendida, subsequentemente, pelo juízo de valor. Como o enunciado pleno (por exemplo, um conto) é uma unidade de comunicação discursiva, o seu sentido está relacionado a valor (verdade, beleza, etc.), requerendo, por parte do leitor, responsividade da compreensão. O filósofo russo declara que essa compreensão responsiva decorre da própria natureza da palavra, que busca ser ouvida, não se limitando à compreensão imediata, mas tornando-a ilimitada.

Percebemos que, semelhantemente a Mey (2000), para o Círculo esse número ilimitado de possibilidades da palavra, do enunciado ou do discurso não foge à orientação semântico-ideológica da língua. É possível encontrar, na própria 'metodologia' da compreensão apresentada por Bakhtin (2003b), os dois primeiros elementos a serem analisados: a percepção do signo físico e a compreensão do seu significado. Significado, para o Círculo, difere de sentido. Brait (2012b) explica a diferença desses dois termos para a ADD: significado é o conjunto de potencialidades que a língua prevê e sentido, o significado pleno, dependente do contexto, da situação, dos interlocutores, das esferas de comunicação, dos discursos que se confrontam e das relações dialógicas, requerendo uma compreensão responsiva. Em Marxismo e filosofia da linguagem (2010) há uma relação semelhante: significação e tema. A significação é composta de elementos linguísticos reiteráveis e idênticos; o tema, ao contrário, é individual e não reiterável, pois ele "se apresenta como a expressão de uma situação histórica concreta que deu origem à enunciação" (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2010, p.133). É por essa razão que o tema é considerado, pelo autor, como um estágio superior da significação, que é vista apenas como uma potencialidade, ou seja, como uma possibilidade de significar dentro de um tema concreto. No entanto, é importante a lembrança de que, assim como Mey (2000) defende a focalização, Bakhtin/ Volochínov (2010, p.134) declara que "não há tema sem significação, e vice-versa", pois o tema se apoia em certa estabilidade de significação; sem essa estabilidade, o tema perde o seu sentido.

O tema do enunciado concreto é, para o Círculo, portanto, assim como o próprio enunciado, único, pois está relacionado à própria situação de enunciação, que é única. Concluímos que essa noção de enunciado único, constituído de elementos verbais e não verbais, aproxima as duas áreas do conhecimento, mas, ao mesmo tempo, a própria concepção de enunciado as distancia, tendo em vista que, para o Círculo, o enunciado é definido como um elo na cadeia de comunicação. Existe, na ADD, uma preocupação ímpar de verificar os elos precedentes de um determinado enunciado que estabelecem relações de diálogo com ele. Essa visão dialógica da língua permeia todos os cantos da ADD, tornando-a divergente da Pragmática, que não busca essas relações em suas análises, mas limita-se ao contexto da enunciação.

Para o Círculo, assim como se busca a relação dialógica entre os elos dos enunciados, uma análise dos gêneros do discurso não pode prescindir da busca pelos elementos da sua archaica, ou seja, dos elos precedentes que são conservados e renovados devido à sua plasticidade. Diante disso, em uma análise dialógica (da literatura), o analista precisa levar em conta, de acordo com Brait (2010a), quatro aspectos: (1) a materialidade do texto/discurso; (2) o gênero a que ele pertence; (3) a tradição das atividades nas quais esse texto/discurso está inserido, e (4) as esferas de produção, circulação e recepção do texto/discurso, verificando as relações dialógicas que ele estabelece com outros discursos e sujeitos. O trabalho com a materialidade do texto/discurso deve englobar o campo semântico do texto, suas organizações sintáticas micro e macro, e as marcas e as articulações enunciativas.

Ademais, consideramos que Mey (2000), apesar de fazer análises literárias a partir da Pragmática Literária, não levou em consideração, nesse estudo, a relação das obras com os gêneros aos quais pertencem. Não houve, também, nenhuma explicação sobre a relevância do estudo dos gêneros (mesmo que fossem os tradicionais gêneros literários) para a sua área de especialização. A palavra gênero é mencionada apenas duas vezes nessa obra dedicada aos estudos literários, o que pressupõe a não preocupação epistemológica do autor com esse conceito, criando, assim, uma grande lacuna entre as duas áreas de conhecimento.

Essas dissonâncias epistemológicas entre a ADD e a Pragmática confirmam que, de fato, um "ecletismo" entre áreas do conhecimento seria "mortal para a ciência (se a ciência fosse mortal)" (BAKHTIN, 2003a, p.372). Entretanto, com base em fronteiras bem demarcadas, reconhecemos que os trabalhos já realizados no campo da Pragmática muito poderiam auxiliar nesse estudo, em especial devido ao fato de que há várias obras que visam à prática de conceitos, como pressupostos, implicaturas, atos de fala, entre outros, no cotidiano da sala de aula.2

Confirmada a possibilidade de trabalho cooperativo entre a ADD e a Pragmática, passaremos à apresentação da análise dialógico-pragmática do conto Her Sweet Jerome (WALKER, 2001) feita por alunos do curso de Letras (Português/Inglês) de uma universidade particular em São Paulo.

2 Análise do conto Her Sweet Jerome (WALKER, 2001)

Antes da apresentação do conto e da análise feita pelos alunos, é importante a menção de que a pesquisa foi feita em três fases. Na primeira, três contos da obra In Love & Trouble: Stories of Black Women (WALKER, 2001) foram trabalhados a partir dos conceitos da Pragmática. Na segunda, mais três contos da mesma obra foram analisados a partir dos conceitos da ADD e, na terceira, outros três contos foram trabalhados a partir de conceitos da ADD e da Pragmática. Foi exatamente nessa terceira fase que os alunos analisaram o conto Her Sweet Jerome.

Alice Walker, romancista, contista, poeta, ensaísta e, também, ativista, formada na Sarah Lawrence College, no estado de Nova York, na época dos movimentos dos direitos civis dos afro-americanos, recebeu o prêmio Pulitzer pela sua obra mais conhecida, A cor púrpura, publicada em 1982. Há um tema recorrente em toda a obra de Walker: o feminismo negro, que ela chamou de womanism (GILYARD; WARDI, 2004). Segundo a obra African American Literature (1998), Walker afirmou, em uma entrevista, que estava comprometida a explorar "[...] as opressões, as insanidades, as lealdades e os triunfos da mulher negra" (p.541)3, o que é percebido no conto analisado pelos alunos.

Her Sweet Jerome narra a história de uma mulher negra que é dona de um salão de beleza localizado atrás da funerária do pai. Casou-se com o professor Jerome Franklin Washington III, que não mostra muita afeição por ela; no entanto, a despeito disso, ela sente orgulho do seu casamento, já que pode sustentar a casa sem ter de depender do dinheiro do pai. Certa vez, em seu salão, a protagonista ouve rumores de que seu marido a estava traindo. Em vez de confrontar o marido sobre as fofocas, ela passa a procurar pela amante. Anda com armas na bolsa e, muitas vezes, as pessoas a veem, intimidando alguma mulher com uma faca em sua garganta. Ela se torna obcecada por essa busca da amante do marido a tal ponto que para de trabalhar. Certa vez, ao seguir o marido a uma reunião da qual ele participava frequentemente, ela o vê conversando com um grupo de homens e consegue ouvir algumas frases que não entende muito bem, como "mercado de escravos", "destruição violenta", "unir-se à revolução". De volta à casa, faz uma busca no quarto por alguma pista da amante. Sob a cama deles, encontra alguns livros e, a partir dos títulos, percebe que a amante do marido não é uma mulher, mas uma causa, ou seja, uma revolução dos negros americanos contra a opressão dos brancos. Muito perturbada, ela põe fogo aos livros, mas o fogo fica entre ela e a porta do quarto, a porta de saída.

Esse é o enredo do conto com o qual alunos de Letras (com conhecimento limitado da Língua Inglesa) tiveram contato durante um curso extracurricular a eles oferecido. Eles estudaram os conceitos de pressuposto, implicatura e dêiticos da Pragmática e os de palavra, enunciado, discurso, compreensão e dialogismo da ADD. Após esse estudo, foi feita a leitura do conto com os alunos, que, subsequentemente, passaram a responder ao exercício de análise literária, em que perguntas a partir desses conceitos eram articuladas.

Como exemplo, apresentaremos três perguntas do exercício que eram subdivididas em duas outras: uma feita a partir de um conceito da Pragmática e a outra, da ADD.

Pergunta 1a. O que se pressupõe com a oração "He was beating her black and blue" 4 (p.26)?

Pergunta 1b. Diante do conceito de palavra/enunciado, o que se pode compreender sobre a posição da mulher apresentada neste conto de Alice Walker?

Pergunta 2. Leia a oração "other times, when he didn't bother to look up from his books and only muttered curses if she tried to kiss him good-bye, she did not know whether to laugh or cry"5(p.27). Agora, responda às perguntas abaixo.

2a. A quem se referem os dêiticos he, his, she e him?

2b. O fato do dêitico she não ter nome no enredo, remete a que tipo de discurso subjacente ao conto?

Pergunta 3. Leia a oração "some days she would get out of bed at four in the morning after not sleeping a wink all night, throw an old sweater around her shoulders, and begin the search"6(p.29). Agora, responda às perguntas abaixo.

3a. O que se subtende com a palavra search dentro do contexto do conto?

3b. Pensando na bivocalidade da palavra como seu elemento constitutivo, como é possível compreender, ideologicamente, esse tipo de "search"?

A Pergunta 1a pediu que os alunos pressupusessem, mesmo que não entendessem a expressão "black and blue" (cor das marcas, contusões, etc.), que o uso do passado contínuo não se referia apenas àquele momento do enredo, mas ao fato de o marido da personagem constantemente bater nela. Dentre os alunos que conseguiram identificar o pressuposto a partir do tempo verbal, um deles escreveu7:

Pressupõe-se que ela já apanhava a algum tempo, ela disfarçava com maquiagens coloridas. É possível pressupor que "ele" (Jerome) sempre bateu em sua esposa, antes mesmo de se casarem8.

A Pergunta 1b partiu da reflexão feita na Pergunta 1a, mas extrapolou os limites do enredo, indo ao campo discursivo, pois buscou uma discussão sobre a posição da mulher negra refratada no conto, apontando para a vida de submissão dessa mulher diante de uma sociedade machista (quer negra ou branca). Dentre os alunos que mostraram ter compreendido o enunciado (bakhtinianamente falando), um deles escreveu:

Total submissão ao homem, que não podia se intrometer nos negócios particulares além de ser espancada e não ter o direito de escolha.

A Pergunta 2a está relacionada aos dêiticos de pessoa e pediu que os alunos identificassem, no enredo, a referência a he, his, she e him, encontrados na oração dada. É importante a menção de que o estudo dos dêiticos de pessoa vai além do simples estudo dos pronomes sujeito e objeto, pois, segundo Mey (2007), os dêiticos (de pessoa, de lugar e de tempo) permitem a determinação de um ponto de vista (quer do enunciador, quer do enunciatário) que ajuda o entendimento tanto de contextos pragmáticos quanto da narratologia literária. Todos os alunos responderam que os dêiticos he, his e him referiam-se a Jerome e o dêitico she, à protagonista, como é visto no exemplo abaixo:

Os dêiticos he, his e him referem-se ao personagem Jerome. O dêitico she refere-se à personagem principal do conto.

A partir dessa pergunta, na Pergunta 2b, os alunos precisaram explicar, discursivamente, a razão pela qual o dêitico she não ter, como referência, uma personagem cujo nome se dava a conhecer. Dentre os alunos que explicaram que o fato de a protagonista não ter nome remetia ao discurso da suposta inferioridade da mulher, tornando-se mais forte ainda devido ao fato de ela ser mulher negra, encontramos a seguinte resposta:

Ao mesmo tempo que "she" remete-se a esposa de Jerome, estende-se as mulheres negras, que viviam a submissão, que sofriam agressões e quantas delas que sofriam caladas, remete a uma situação social voltada para a mulher negra.

A Pergunta 3a pediu que os alunos escrevessem o que se subentendia com a palavra search, já que o contexto imediato da oração não permitia essa compreensão. Dentre os alunos que afirmaram ser a busca pela suposta amante do marido, encontramos a resposta abaixo:

No conto, dentro do contexto, a palavra search quer dizer procura, sair pelo meio da noite para procurar, achar a amante do marido.

A partir do entendimento do que seria esse search no enredo do conto, a Pergunta 3b foi ao encontro da compreensão ideológica dessa busca a partir do conceito de palavra, que, em sua função social, é analisada a partir do seu elemento material e do seu conteúdo ideológico. Ademais, por ser histórica, fora de um enunciado vivo, ela perde o seu sentido, ficando relegada ao seu significado de dicionário (VOLOSHINOV, 1983b). É em O discurso no romance que Bakhtin (2002) introduz a ideia de palavra bivocal: aquela que é constituída de duas vozes, de dois sentidos e de duas expressões, dialogizadas internamente, e essa "dialogização interna do discurso romanesco exige a revelação do contexto social concreto" (BAKHTIN, 2002, p.106). Dentre os alunos, para quem esse search não se limitava à busca subentendida no conto, ou seja, a busca pelo marido (e sua amante), mas à necessidade de a mulher descobrir o seu papel e o seu lugar na sociedade, tendo em vista que ela não era somente uma busca física, mas a busca pela própria identidade, encontrada na pessoa do marido, um aluno escreveu:

Search é a busca da mulher pelo marido, não só no sentido físico, mas no sentido de que ela busca uma identidade para si nesse marido.

Por meio desses exemplos, foi possível notar que a articulação entre as perguntas permitiu, sem ecletismo, que os alunos refletissem sobre aspectos pragmáticos e discursivos. De fato, em nossa pesquisa, percebemos que foi exatamente nessa terceira fase que os alunos, além de darem um maior número de respostas coerentes, apropriaram-se dos conceitos estudados no cotidiano da sala de aula, como é possível ver nas afirmações abaixo, em que os alunos escrevem sobre a importância de terem participado da pesquisa:

Uma experiência rica que só vem a somar tanto no desenvolvimento profissional quanto o desenvolvimento pessoal, sobre a ampliar a visão sobre os diálogos que existem por trás dos enunciados.

Ajudaram muito, tanto no desenvolvimento da minha competência discursivo-enunciativa da língua inglesa quanto nas análises, estudadas neste semestre, de obras norte americana e inglesa.

Outra observação importante é que esses alunos, mesmo com conhecimento limitado da língua inglesa, passaram não só a ter outra visão sobre os discursos subjacentes aos enunciados estudados, como levaram esse conhecimento para outras aulas que tinham naquele semestre. Esses fatores nos levam, então, a fazer algumas considerações, que apresentaremos na próxima seção.

Considerações finais

Esta pesquisa configurou-se como uma tentativa de não fechar os olhos para as dificuldades que se apresentam em aulas de literatura em Língua Inglesa, quando os futuros professores dessa língua entram em cursos de licenciatura em inglês com conhecimento limitado dessa LE. Essa realidade concreta trouxe (e continua a trazer) desafios tanto para o professor que, por razões conceituais, não trabalha a literatura a partir de traduções das obras literárias estudadas em sala de aula, quanto para os alunos, que tiveram a permissão para entrar em um curso de licenciatura em Língua Inglesa com defasagens de conhecimento dessa LE.

Diante disso, esta pesquisa não se posicionou (e não se posiciona) como um produto acabado, fixo, ou como uma "fórmula" para análises bem sucedidas de textos literários por alunos com conhecimento limitado da LI, mas como um processo constante de diálogo com outras pesquisas voltadas ao ensino de literatura em Língua Inglesa no Brasil, ensino esse que possui as suas especificidades e desafios.

Nesse momento, entretanto, esta pesquisa chegou a algumas conclusões que podem servir de norte para outras pesquisas voltadas ao ensino de literatura em língua inglesa no cotidiano da sala de aula:

  • (1) Foi possível perceber que o estudo dos conceitos da Pragmática e da ADD possibilitou uma melhor compreensão e análise de textos literários escritos em Língua Inglesa por alunos com conhecimento limitado dessa língua estrangeira. Por não ficar apenas no campo discursivo, foi possível também afirmar que o conhecimento dessas duas áreas ajudou o aluno a desenvolver o próprio conhecimento de Língua Inglesa: a Pragmática por trabalhar elementos mais pontuais linguisticamente (Micropragmática) e a ADD por não descartar os componentes linguísticos de qualquer análise discursiva.

  • (2) Ainda foi possível delinear outra afirmação: ao trabalhar os elementos linguísticos pelo viés da Pragmática, por não ser o seu foco a língua abstraída do seu contexto de produção, o aluno, com conhecimento limitado da LE, conseguiu dar um salto mais tranquilo para o nível do discurso, o que seria, possivelmente, mais difícil tivesse sido o trabalho linguístico feito pelo seu viés estrutural somente.

Esta pesquisa apresentou-se, portanto, como um enunciado científico que não se alimenta da "ilusão de completude" (CASTRO, 2008, p.296). Já declarava Medviédev (2012) que "um trabalho científico nunca finaliza: onde acaba um, continua outro. A ciência é uma unidade que nunca pode ser finalizada" (p.194). Esperamos, portanto, ser este trabalho uma contribuição para pesquisas voltadas ao ensino de literatura em língua inglesa, a fim de que o trabalho ora iniciado, na cooperação entre a Pragmática e a ADD, possa auxiliar atuais e futuros alunos de licenciatura em LI a melhor analisarem textos literários escritos nessa LE, tendo em vista que, como afirma Brait, "línguas e literaturas formam uma parceria inquestionável, nata, atestada pela cumplicidade firmada entre criadores, criações e diferentes estudos da linguagem" (2010b, p.15).

1Apesar de já termos uma versão em Português, publicada pela editora Pedro & João Editores, optamos por usar a versão em língua inglesa, feita a partir do russo. No que se refere à versão em português, os próprios editores afirmam ter a sua tradução sido feita, no caso desse ensaio especificamente, a partir da versão em italiano.

2Entre elas, destacamos a obra Pragmatics: Language Workbook (PECCEI, 1999).

3Texto original: […] the oppressions, the insanities, the loyalties, and the triumphs of the black woman.

4As orações nesses exercícios eram tiradas do original do conto. Nesse caso, nossa tradução da oração é "Ele estava batendo nela a ponto de deixar marcas".

5Nossa tradução: "outras vezes, quando ele nem se importava em tirar os olhos dos livros e apenas rogava pragas baixinho se ela tentasse lhe dar um beijo de despedida, ela ficava sem saber se ria ou chorava".

6Nossa tradução: "alguns dias, depois de não conseguir dormir a noite toda, ela saía da cama às 4 da manhã, colocava um suéter velho ao redor dos ombros e iniciava a busca".

7A fim de que o artigo não se torne longo, daremos exemplo de uma resposta somente. Outros exemplos de resposta podem ser encontrados na própria tese, em que apresentamos respostas potencialmente coerentes (com o enredo e com os discursos subjacentes) e respostas potencialmente incoerentes.

8As respostas dos alunos foram transcritas de forma fiel, ou seja, não foram feitas correções de possíveis incoerências gramaticais nelas encontradas.

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Recebido: 21 de Setembro de 2014; Aceito: 04 de Março de 2015

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