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Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso

On-line version ISSN 2176-4573

Bakhtiniana, Rev. Estud. Discurso vol.11 no.3 São Paulo Sept./Dec. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/2176-457329434 

EDITORIAL

Editorial

Beth Brait* 

Maria Helena Cruz Pistori** 

Bruna Lopes-Dugnani*** 

Orison Marden Bandeira de Melo Júnior**** 

*Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP, São Paulo, São Paulo, Brasil; Universidade de São Paulo - USP, São Paulo, São Paulo, Brasil; bbrait@uol.com.br

**Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP, São Paulo, São Paulo, Brasil; mhcpist@uol.com.br

***Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Serra Talhada, Pernambuco, Brasil; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP, São Paulo, São Paulo, Brasil; blopesdugnani@gmail.com

****Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil; junori36@uol.com.br

A Boris Schnaiderman (in memoriam)

É com destaque para a matéria final que iniciamos a apresentação deste terceiro número de 2016: a entrevista com Boris Schnaiderman, que recentemente nos deixou (18/05/2016). Realizada por Geraldo Tadeu Souza (UFSCar), no dia 18 de dezembro de 2008, foi publicada no livro Bakhtin, dialogismo e polifonia (BRAIT, B. (org.) São Paulo: Contexto, 2009, p.225-239, texto com edição, introdução e notas da organizadora). É por meio dessa entrevista, do diálogo que aí se realiza, que a voz de Boris Schnaiderman hoje ressoa em Bakhtiniana, concretizando a homenagem ao homem reconhecidamente pautado pela ética e pela generosidade, e dedicado à estética intercultural. Foi ele um dos precursores de Bakhtin no Brasil, como se pode constatar nas primeiras disciplinas que o mencionam na Área de Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade de São Paulo, já na década de 1970. As referências bibliográficas mapeadas na entrevista demonstram a maneira como o pensamento bakhtiniano mereceu a atenção e divulgação de Boris Schnaiderman. Por tudo que ele representou para a cultura brasileira, este número de Bakhtiniana reconhece nele o grande intelectual que, dentre tantas contribuições culturais, também esteve próximo do pensamento bakhtiniano. E por isso, com muito afeto, dedica-lhe esse número.

A literatura, a obra bakhtiniana e do Círculo e, especialmente a noção de dialogismo, se destacam nos artigos deste volume. De um ponto de vista mais teórico, Adail Sobral (UCPel) e Karina Giacomelli (UFPEL) retomam a recém-publicada tradução do Prefácio de Patrick Sériot a Marxismo de filosofia da linguagem, de Volochínov, para discutir novos aspectos da obra, sua relevância e possíveis interpretações. Mas diferentes diálogos são propostos para a compreensão de fenômenos literários, de artes plásticas, e mesmo do sincretismo religioso.

Quatro artigos abordam especialmente o fenômeno literário: Tatiana Bubnova (UNAM) - O tiro de Pushkin e O duelo de Conrad: diálogo transversal em um território pós-moderno - retoma a perspectiva dialógica e polifônica que se estabelece entre as obras de Pushkin e Conrad e estabelece inter-relações que se fundamentam na intersubjetividade e nas atitudes sociais das obras; Donald Wesling (UCSanDiego/California) - Bakhtin, Pushkin e a cocriatividade daqueles que compreendem, também se volta a Alexandr Pushkin, ao explicitar o conceito de "criatividade"/ "cocriatividade" em Bakhtin, buscando mostrar como essa noção bakhtiniana contribui para a interpretação da poesia como arte verbal; João Carlos de Carvalho (UFAC), em Dialogismo e barroquismo na ficção latino-americana no século XX, retoma a dialogia bakhtiniana, aliada ao barroquismo, para a compreensão da origem e desenvolvimento da prosa e do romance no Ocidente, particularmente da importante literatura de ficção na América Latina do século XX; e, em A captura de Dom Casmurro por uma crítica disposta entre o romance e a microssérie, Alexandre de Assis Monteiro (IFAM) e Luiz Antonio Mousinho (UFPB) trazem Dom Casmurro em diálogo com a teleficção e com a fortuna crítica.

A produção do sentido nas artes plásticas, em práticas culturais e no começo da vida é buscada em outros três artigos: Érika Sabino de Macêdo (UFES) e Priscila de Souza Chisté (IFES) examinam a obra do artista plástico Rubens Gerchman, sugerindo uma possibilidade de leitura dos trabalhos do artista a partir dos conceitos de dialogismo e polifonia; José Gatti (UFSC) - Dialogismo e sincretismo: (re)definições - propõe discussão bastante relevante para compreendermos a noção de sincretismo religioso e sincretismo na análise de práticas culturais, dentro do contexto teórico sugerido pelo dialogismo; e Nadja Maria Vieira (UFAL) - Ética e estética na produção de sentidos no começo da vida: considerações sobre a simultaneidade do passado e futuro no presente - realiza um estudo que explora alguns pressupostos conceptuais bakhtinianos da análise literária em situações cotidianas de produção de sentidos na interação de uma díade mãe-bebê.

Sem recorrer ao arcabouço teórico do Círculo, há outros três artigos: de Thiago Martins Prado (UNEB), Esboços para um complexo de Polônio, que articula características da personagem shakespeariana Polônio, em Hamlet, a do conselheiro no romance Gertrudes e Cláudio, de John Updike; de Carla Almeida e Luisa Massarani (FIOCRUZ) e Ildeu de Castro Moreira (UFRJ), Representações da ciência e da tecnologia na literatura de cordel analisa 50 cordéis, observando como essas formas populares de comunicação abordam o universo científico e o desenvolvimento tecnológico; enfim, predominantemente teóricas são as reflexões de Maria Rosa Duarte de Oliveira (PUC/SP), amparadas em Alan Badiou, Giorgio Agamben e Roland Barthes, em A palavra poética no ter-lugar da língua: estética, ética e política, em que a autora tece especulações acerca da natureza e da função da palavra poética do ponto de vista da relação que estabelece entre o estético, o ético e o político.

Como sempre, cumprimos também o objetivo de difundir obras significativas em nossa área, todas publicadas em 2015. Dessa forma, Jean Carlos Gonçalves (UFPR) e Marcelo Cabarrão Santos (SEED-PR) nos apresentam a obra de Dick McCaw, Bakhtin and Theatre: Dialogues with Stanislavsky, Meyerhold and Grotowski; Renata Coelho Marchezan (UNESP) comenta Estudos discursivos à brasileira: uma introdução, organizado por R. Baronas; Isabel Roboredo Seara (Universidade Nova de Lisboa) faz uma apreciação de Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas, última obra de Ingedore Koch.

É com satisfação que constatamos que, mais uma vez, a ciência discursiva brasileira e internacional encontra-se representada nesses artigos e resenhas. Este número apresenta três autores de universidades internacionais (UNAM - México, UCSanDiego - Estados Unidos da América, e Universidade Nova de Lisboa - Portugal); e autores de diferentes estados da federação: Acre (UFAC), Amazonas (IFAM), Alagoas (UFAL), Paraíba (UFPB), Espírito Santo (UFES/IFES), Rio de Janeiro (UFRJ e Fundação Oswaldo Cruz); São Paulo (PUC-SP), Paraná (UFPR e SEED-PR) e Santa Catarina (UFSC).

Agradecemos, mais uma vez, o auxílio que temos recebido do MCTI/CNPq/MEC/CAPES e da PUC-SP, por meio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e, muito especialmente, por meio do Plano de Incentivo à Pesquisa (PIPEq) / Publicação de Periódicos (PubPer-PUCSP) - 2015, na edição do periódico Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso, na certeza da produtividade acadêmica e científica da leitura.

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