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Audiology - Communication Research

versão On-line ISSN 2317-6431

Audiol., Commun. Res. vol.20 no.4 São Paulo out./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2015-1571 

Revisão de Literatura

Instrumentos de rastreio para disfagia orofaríngea no acidente vascular encefálico

Tatiana Magalhães de Almeida1 

Paula Cristina Cola1 

Leandro de Araújo Pernambuco2 

Hipólito Virgílio Magalhães Junior3 

Roberta Gonçalves da Silva1 

1Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Marília (SP), Brasil

2Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal da Paraíba – UFPB – João Pessoa (PB), Brasil

3Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil

RESUMO

Objetivo:

Identificar os parâmetros presentes nos instrumentos de rastreio para a disfagia orofaríngea no acidente vascular encefálico, publicados na literatura.

Estratégia de pesquisa:

Para a seleção dos estudos, foram utilizados os descritores: transtornos de deglutição, acidente vascular cerebral, rastreio, screening, avaliação e disfagia. Foram consultadas as bases de dados MEDLINE, Embase, LILACS, SciELO e biblioteca Cochrane.

Critérios de seleção:

Foram selecionados artigos em inglês, português e espanhol, publicados até dezembro de 2014, cuja abordagem metodológica referisse instrumentos de rastreio para a disfagia orofaríngea, elaborados para indivíduos adultos com acidente vascular encefálico. Os parâmetros utilizados nos diferentes instrumentos de rastreio foram agrupados por igualdade e/ou semelhança. Foi realizada análise descritiva e calculada a frequência dos parâmetros encontrados.

Resultados:

Foram encontrados 688 artigos e, após consideração dos critérios de inclusão e exclusão, 23 artigos foram efetivamente analisados. Dos 20 instrumentos encontrados, 90% utilizaram algum tipo de oferta via oral no rastreio para a disfagia, sendo a maioria, a água. Foram encontrados 19 parâmetros distintos, não relacionados à oferta de alimento e 12 parâmetros relacionados à oferta de alimento.

Conclusão:

Não há consenso, entre os estudos, sobre os parâmetros mais sensíveis e específicos para compor o método de rastreio para disfagia orofaríngea na população com acidente vascular encefálico.

Descritores: Transtornos de deglutição; Programas de rastreamento; Acidente vascular cerebral; Deglutição; Diagnóstico

INTRODUÇÃO

A disfagia orofaríngea é frequente em pacientes com acidente vascular encefálico (AVE). Sabe-se que está associada a complicações da saúde geral do indivíduo, podendo causar pneumonia, desidratação, desnutrição e prorrogar o tempo de internação hospitalar, além de aumentar os custos com o cuidado da saúde(1). Assim, a identificação precoce da disfagia é de extrema importância, a fim de minimizar as consequências adversas à saúde do paciente com AVE(2,3).

Iniciou-se, então, nos últimos anos, uma mobilização visando o rastreio da disfagia orofaríngea. Segundo a American Speech-Language-Hearing-Association (ASHA), o rastreio para disfagia é um procedimento de investigação da deglutição, que classifica se o indivíduo passa ou falha e, portanto, verifica se há necessidade de avaliação abrangente da função de deglutição, ou de encaminhamento para outros profissionais e/ou serviços médicos(4). Assim, o rastreio se difere da avaliação clínica da deglutição, pois esta visa avaliar a biomecânica da deglutição e definir o diagnóstico específico de disfagia orofaríngea, bem como condutas quanto à via de alimentação. Apesar do crescente número de pesquisas na área, ainda não há consenso na literatura sobre quais parâmetros devem compor o melhor instrumento de rastreio para a disfagia orofaríngea no AVE, sendo encontradas divergências entre os instrumentos publicados(2). Alguns desses instrumentos utilizaram métodos indiretos, sem a oferta de alimento, havendo variabilidade nesses parâmetros. Outros empregaram, além de parâmetros indiretos, o uso de alimentos que também variaram quanto às consistências. Portanto, devido à ausência de consenso sobre qual deve ser o instrumento de rastreio para disfagia orofaringea no AVE, tornou-se relevante investigar a variabilidade dos parâmetros incluídos nesses instrumentos.

OBJETIVO

O objetivo deste estudo de revisão de literatura foi identificar os parâmetros presentes nos instrumentos de rastreio para a disfagia orofaríngea, na população com acidente vascular encefálico.

ESTRATÉGIA DE PESQUISA

A revisão da literatura foi realizada com delimitação das seguintes etapas: identificação do problema com formulação da pergunta de investigação; estabelecimento de palavras-chave; determinação dos critérios de inclusão e exclusão dos artigos; seleção dos artigos e definição das informações a serem extraídas. A pergunta que subsidiou a revisão foi: “quais os parâmetros que devem compor um instrumento de rastreio para a disfagia orofaríngea na população com AVE?”

Foi realizado o levantamento da literatura internacional publicada nos idiomas inglês, português e espanhol, utilizando-se as bases de dados MEDLINE, Embase, LILACS, SciELO e biblioteca Cochrane. Os descritores baseados no DeCS e termos livres utilizados para a pesquisa foram: transtornos de deglutição, acidente vascular cerebral, rastreio, screening, avaliação e disfagia, em combinações variadas, visando maior número de estudos. As referências bibliográficas dos artigos selecionados foram analisadas para verificar outros estudos que pudessem ter sido omitidos na busca eletrônica inicial.

CRITÉRIOS DE SELEÇÃO

Foram incluídos artigos cuja abordagem metodológica referisse instrumentos de rastreio para a disfagia orofaríngea, elaborados para pacientes adultos com AVE. As publicações até dezembro de 2014, com textos disponíveis na íntegra, foram analisadas. Foram excluídas as publicações que não eram compatíveis com o tema abordado, os estudos de revisão de literatura, os que se repetiram nas bases de dados e os que não citavam diretamente os parâmetros do instrumento de rastreio (Figura 1).

Figura 1 Etapas da revisão da literatura 

ANÁLISE DOS DADOS

Os textos completos e relevantes para a revisão foram analisados e, posteriormente, foram extraídos os seguintes dados: autores, ano de publicação, número de sujeitos, profissionais que administraram os instrumentos, testes utilizados, medidas psicométricas e, também, todos os parâmetros utilizados nos diferentes instrumentos de rastreio no AVE, que foram agrupados por igualdade e/ou semelhança. Foi realizada a análise descritiva e calculada a frequência dos parâmetros encontrados.

RESULTADOS

Inicialmente, foram encontrados 688 artigos. Após consideração dos critérios de inclusão e exclusão, 23 artigos foram efetivamente analisados, sendo que, nestes artigos, foram encontrados 20 instrumentos diferentes(526) (Quadro 1).

Quadro 1 Estudos selecionados 

Artigos selecionados População Profissional que administrou Testes utilizados Medidas psicométricas/conclusões dos estudos
1. DePipo et al. (1992)(5) n=44 Fase de reabilitação do AVE Fonoaudiólogos Teste com água Sensibilidade para água: 76%
Especificidade para água: 59%
Sensibilidade para líquidos espessados: 94%
Especificidade para líquidos espessados: 30%
Sensibilidade e especificidade para aspiração laringotraqueal estabelecida por meio da videofluoroscopia.
2. DePippo et al. (1994)(6) n=139 Fase de reabilitação do AVE Fonoaudiólogos Itens indiretos (questionário) e teste com água Realizada comparação do instrumento com o desenvolvimento de pneumonia, obstrução de via aérea e morte.
Risco de desenvolver complicações foi 7,65 maior nos indivíduos que falharam do que nos indivíduos que passaram.
3. Smithard et al. (1996, 1997, 1998)(1,7,8) n=94 Fase aguda - até 24horas do diagnóstico do AVE Médicos e Fonoaudiólogos Itens indiretos e teste com água Sensibilidade: 47% fonoaudiólogo
70% médico
Especificidade: 86% fonoaudiólogo
66% médico
Confiabilidade variou entre médico e fonoaudiólogo κ = (0,24-0,79)
Sensibilidade e especificidade para a disfagia. Comparação estabelecida por meio da videofluoroscopia. Não definiram quais critérios consideraram para determinar a presença da disfagia no exame.
4. Daniels et al. (1997)(9) n=59 Fase aguda - até 5 dias após o diagnóstico do AVE Fonoaudiólogos Itens indiretos e teste com água Sensibilidade: 92%
Especificidade: 67%
2 de 6 características clinicas
Comparação estabelecida por meio da videofluoroscopia.
Sensibilidade e especificidade para aspiração e penetração laringotraqueal e não para disfagia.
A presença da aspiração e penetração laringotraqueal bem como a severidade foram classificadas de acordo com a frequência das penetrações/aspirações e quantidade das consistências aspiradas observadas no exame.
5. Hinds e Wiles (1998)(10) n=115 Fase aguda- até 72 horas do diagnóstico do AVE Médicos Itens indiretos (questionário) e teste com água Sensibilidade: 97%
Especificidade: 69%
Comparação baseada em características clinicas sugestivas de disfagia, como: necessidade de intervenção fonoaudiólogica, modificação da dieta, complicações respiratórias e morte.
6. Westergren et al. (1999)(11) n=160 Fase aguda Enfermeiros Itens indiretos e teste com leite processado (consistência espessa) e água Os autores concluíram que 77% dos sujeitos foram identificados com disfagia. A confirmação do diagnóstico foi realizada pela avaliação clinica da deglutição. Não relataram o que consideraram na avaliação clinica para determinar a presença da disfagia.
7. Perry (2001)(12) n=123 Fase aguda Enfermeiros
Fonoaudiólogos
Médicos
Itens indiretos e teste com água Sensibilidade: 97%
Especificidade: 90%
Valor preditivo positivo (VPP): 0,92
Valor preditivo negativo (VPN): 0,96
Comparação baseada em indicadores clínicos, como relatos de dificuldade de deglutição descritos pela equipe, encontrados nos prontuários dos pacientes.
8. Massey e Jedlicka (2002)(13) n=25 Fase aguda- até 48 horas do diagnóstico do AVE Enfermeiros Itens indiretos e teste com água Sensibilidade: 100%
Especificidade: 100%
Comparação baseada em dados clinicos do prontuário, que indicavam ou não a presença de disfagia. A disfagia foi determinada pela necessidade de terapia fonoaudiológica, necessidade de adaptação de dieta e infecção pulmonar.
9. Nishiwaki et al. (2005)(14) n=61 Pacientes com diagnóstico de AVE variando de 1 mês até mais de 3 meses do diagnóstico do AVE Médicos
Fonoaudiólogos
Itens indiretos e teste com água Os resultados foram comparados com a videofluoroscopia, que determinou a disfagia por: alteração na fase oral (lentificação, escape ou incoordenação) ou alteração na fase faríngea (aspiração, atraso na resposta faringea e resíduo). A aspiração foi definida como uma entrada de alimento abaixo das pregas vocais.
Indicaram que apenas a variável tosse e mudança na qualidade vocal foram significantemente associadas com a aspiração, com sensibilidade de 72% e especificidade de 67%
10. Trapl et al. (2007)(15) n=50 Fase aguda- até 24 horas do diagnóstico do AVE Fonoaudiólogos
Enfermeiros
Itens indiretos e teste com múltiplas consistências: líquido espessado, líquido e sólido Fonoaudiólogo:
Sensibilidade: 100%
Especificidade: 50%
VPN: 100%
Enfemeiro:
Sensibilidade: 100%
Especificidade: 69%
VPN:100%
Sensibilidade e especificidade para a presença de aspiração laringotraqueal estabelecidas por meio do exame de nasofibroscopia.
11. Turner-Lawrence et al. (2009)(16) n=84 Fase aguda- até 24 horas do diagnóstico do AVE Médicos Itens indiretos (questionário) e teste com água Sensibilidade: 96%
Especificidade: 56%
Confiabilidade: 97%
Comparação estabelecida por meio de avaliação clinica da deglutição. Consideraram a disfagia como necessidade de adaptação da dieta, após avaliação do fonoaudiólogo.
12. Bravata et al. (2009)(17) n=101 Não relata a fase de AVE Enfermeiros Itens indiretos e não refere especificamente as consistências, mas relatam sinais após a deglutição. Compararam o instrumento com O NIHSS. Relataram 29% de sensibilidade e 84% de especificidade para detectar a disfagia, que foi considerada como anormalidade na deglutição com sólido e/ou líquido; alterações como atraso na fase oral não foram consideradas disfagia.
ONIHSS, quando comparado à avaliaçãofonoaudiológica, teve uma sensibilidadede de 79% e uma especificidadede de 68%
Concluiu-se que o NIHSS teve melhores característicaspara o rastreio da disfagia do que o instrumento elaborado.
13. Courtney e Flier (2009)(18) Não foi aplicado –––––––––– Itens indiretos e teste com múltiplas consistências: purê de maçã, suco e bolacha Estudo relata apenas a importância da implementação de instrumentos de rastreio e não cita as medidas psicométricas.
14. Martino et al. (2010)(19) n=311 108 pacientes na fase aguda e 208 na fase de reabilitação do AVE Enfermeiros Itens indiretos e teste com água Sensibilidade: 91,3% e VPN: 93,3% na fase aguda do AVE e 89,5% nas fases de reabilitação.
Especificidade: 67%
Confiabilidade: coeficiente de correlação interclasse 92%
Sensibilidade e Especificidade determinadas para disfagia, que foi considerada qualquer alteração na fisiologia da deglutição, incluindo a aspiração, sendo o diagnóstico determinado por 4 fonoaudiólogos na análise da videofluoroscopia.
15. Antonios et al. (2010)(20) n=150 Fase aguda- até 89 horas do diagnóstico do AVE Médicos Itens indiretos Sensibilidade: (Neurologista 1: 92%, Neurologista 2: 87%), Especificidade: (Neurologista 1: 86,3%, Neurologista 2: 84,2%)
VPP: (Neurologista 1: 79,4%, Neurologista 2: 75,8%)
VPN (Neurologista 1: 95,3%, Neurologista 2: 92%)
Confiabilidade: κ=0,76
Sensibilidade e especificidade para disfagia, que estava presente se o score do instrumento de avaliação clinica MASA (Mann Assessment of Swallowing Ability) fosse menor que 178.
16. Edmiaston et al. (2010)(21,22) n=300 Fase aguda-média de 8 horas do diagnóstico do AVE Enfermeiros Itens indiretos e teste com água Estudo 1
Sensibilidade/ disfagia: 91%
Especificidade/disfagia: 74%
Sensibilidade/aspiração: 95%
Especificidade/aspiração: 68%
VPP: 54%
VPN: 95%
Se o score do MASA fosse menor que 178, considerado disfagia, MASA menor que 170, considerado risco para aspiração laringotraqueal
n=225 Fase aguda Estudo 2
Sensibilidade/disfagia: 94%
Especificidade/disfagia: 66%
VPP: 71%
VPN: 93%
Confiabilidade: κ=93,6
Sensibilidade/aspiração: 95%
Especificidade/aspiração: 50%
Comparado com videofluoroscopia, a escala The Dysphagia Outcomes Severity Scale (DOSS) foi usada para classificar a disfagia.
17. Schrock et al. (2011)(23) n=283 Não relata a fase da aplicação Enfermeiros Itens indiretos Sensibilidade: 96%;
Especificidade: 56%
Confiabilidade: 97%
Sensibilidade e especificidade para a disfagia, que foi determinada pela observação do paciente por 30 dias após a internação, sendo considerado disfagia: necessidade de videofluoroscopia com resultado alterado, necessidade de via alternativa de alimentação e adaptação da dieta, após a avaliação do fonoaudiólogo.
18. Barnard. (2011)(24) Não foi aplicado ––––––––– Itens indiretos e teste com múltiplas consistências: purê de maçã e água Estudo cita o instrumento, explicando a importância de um instrumento de rastreio no gerenciamento da disfagia. Não relata dados da aplicação.
19. Zhou et al. (2011)(25) n=107 Fase aguda até 48 horas do diagnóstico do AVE Médicos Itens indiretos e teste com água Instrumento que se baseou na junção dos testes: 3Oz e do teste CPSA.
Sensibilidade: 89,1%
Especificidade: 80,8%
Sensibilidade e especificidade para aspiração definida na videofluoroscopia como entrada de alimento abaixo da prega vocal.
20. Daniels et al. (2013)(26) Não foi aplicado ––––––––––– Itens indiretos e teste com água Refere apenas etapas da implementação, com melhora no rastreio da disfagia pós a implementação do instrumento, porém não relata dados de sua aplicação.

Dentre os instrumentos encontrados, 18 (90%) utilizaram algum tipo de oferta via oral no rastreio para disfagia, sendo que, destes, 13 (72,2%) utilizaram a água. Os parâmetros encontrados nos artigos selecionados foram agrupados por semelhança e/ou igualdade, totalizando, assim, 19 parâmetros distintos não relacionados à oferta de alimento e 12 parâmetros relacionados à oferta de alimento (Quadro 2).

Quadro 2 Frequência dos aspectos abordados nos instrumentos de rastreio para a disfagia orofaríngea em pacientes com acidente vascular encefálico, de acordo com revisão de literatura 

Itens não relacionados à oferta de alimento Frequência dos itens nos estudos (n=20) Itens relacionados à oferta de alimento Frequência dos itens nos estudos (n=20)
Nível de alerta/atenção 65% (13) Tosse/engasgo/pigarro 90% (18)
Qualidade vocal 65% (13) Voz molhada 70% (14)
Deglutição de saliva 50% (10) Escape extraoral/deficit de vedamento labial 25% (5)
Tosse voluntária 45% (9) Dificuldade para deglutir 20% (4)
Reflexo nauseoso 40% (8) Resíduo oral 15% (3)
Fala 35% (7) Desconforto respiratório/queda na saturação de oxigênio 15% (3)
Movimento/simetria/força de língua 35% (7) Deglutições múltiplas 5% (1)
Queixas de deglutição 30% (6) Atraso na resposta faríngea 5% (1)
Movimento/simetria de palato 30% (6) Redução da elevação laríngea 5% (1)
Movimento/simetria facial 25% (5) Tempo prolongado de refeição 5% (1)
Afasia/compreensão/expressão 20% (4) Dor ao deglutir 5% (1)
Respiração/fadiga 15% (3) Refluxo nasal 5% (1)
Movimento/ simetria de lábio 15% (3)
Controle de cabeça e tronco 15% (3)
História de pneumonia 10% (2)
Cooperação/colaboração 5% (1)
Histórico de intubação orotraqueal 5% (1)
Gravidade do AVE/localização 5% (1)
Redução prévia da ingesta via oral/uso de via alternativa de alimentação 5% (1)

DISCUSSÃO

O termo screening significa rastreio, e tem por finalidade identificar sujeitos com probabilidade de apresentar um problema específico(27). Logo, os instrumentos de rastreio para a disfagia orofaríngea devem identificar os indivíduos que apresentam suspeita de disfagia orofaríngea. Na presença de rastreamento positivo, é necessário confirmar o diagnóstico, por meio de uma avaliação mais abrangente da deglutição, realizada por profissional habilitado. Porém, essa terminologia “rastreio” parece ainda não estar muito bem definida na literatura, visto que os instrumentos encontrados, denominados rastreio, divergem quanto aos seus objetivos, condutas, profissionais que devem administrá-los e, também, quanto aos parâmetros que devem compô-los.

A maioria dos instrumentos desta revisão apresentou uma parte envolvendo avaliação de itens indiretos, como observação de características clínicas e dos componentes motores orais, seguida de um teste de deglutição com oferta de alimento. Alguns dos instrumentos classificaram a gravidade do distúrbio de deglutição e definiram a consistência alimentar mais segura(15,18) e, nestes casos, acabaram mesclando-se ao objetivo conhecido da avaliação clínica da deglutição.

Um ponto a ser discutido é o uso ou não de alimentos no rastreio da disfagia orofaríngea, na população com AVE. Nesta revisão, 90% dos instrumentos fizeram uso de alguma consistência alimentar, sendo o líquido a consistência mais frequente, encontrada em 72,6% dos instrumentos. Cinco instrumentos(11,15,17,18,24) incluíram outros tipos de consistências, como pastosa e sólida, apresentando variações quanto ao tipo de alimento escolhido e volumes testados. Apenas dois dos instrumentos basearam-se somente em características clínicas(20,23).

Levando em consideração as definições de rastreio e de avaliação clínica da deglutição, é preciso ter clareza sobre o que se pretende com a oferta de alimentos, ou seja: a identificação dos indivíduos com suspeita de disfagia orofaríngea; a suspeita de aspiração laringotraqueal, ou a análise da fisiologia da deglutição com identificação das possíveis causas do distúrbio. Assim, ao pensarmos na oferta de alimento, o que deve estar claro é a distinção entre os objetivos do rastreio para a disfagia, do rastreio para a aspiração laringotraqueal e da avaliação clínica da deglutição.

Na análise dos aspectos observados nos estudos após a oferta de volume via oral, verificamos que todos os 18 instrumentos que utilizaram algum tipo de alimento incluíram o sinal de tosse e/ou engasgo, sendo frequente, também, o sinal de voz molhada, encontrado em 70% dos instrumentos e menos frequentes os aspectos não relacionados diretamente à aspiração e penetração laringotraqueal, como escape extraoral, resíduo oral, tempo prolongado de refeição, entre outros. Logo, o uso frequente da água e a observação dos sinais clínicos sugestivos de penetração e aspiração laringotraqueal nos fazem refletir que os instrumentos estão mais voltados para a identificação de indivíduos com suspeita de aspiração laringotraqueal e não de disfagia orofaríngea(5,9,14,15). Apenas alguns estudos verificaram a sensibilidade e especificidade do resultado do instrumento para a disfagia(19,20). Portanto, a presença de alta sensibilidade nos resultados dos instrumentos para aspiração laringotraqueal não representa o mesmo para a disfagia, pois os indivíduos podem não ser identificados no teste de rastreio e serem disfágicos com menor grau de comprometimento.

Os parâmetros não relacionados à oferta de alimentos também foram múltiplos e variáveis, sendo encontrados, com frequência, parâmetros relacionados, principalmente, ao nível de alerta, qualidade vocal associada à capacidade de proteção de via área e observação da deglutição de saliva. Outros encontrados, porém, menos frequentes, foram a tosse voluntária, reflexo nauseoso, aspectos da fala e da linguagem, movimentos e força das estruturas orofaciais, aspectos respiratórios, questionários voltados a queixas de deglutição e fatores de risco para a disfagia.

Na literatura, o uso de fatores não relacionados à oferta de alimento no rastreio para a disfagia orofaríngea é restrito, sendo mais frequente o uso de alimentos. A água, associada a sinais de penetração e/ou aspiração, oferece, segundo a literatura, resultados mais promissores no rastreio para a disfagia e apresenta maiores índices de sensibilidade e especificidade. Já os mecanismos motores orais foram apontados como parâmetros sem evidências para o rastreio da disfagia(28). No entanto, outros estudos encontraram associação entre alguns indicadores clínicos com a disfagia orofaringea e/ou aspiração laringotraqueal(29,30), sendo que a identificação correta dos pacientes disfágicos aumentou quando o teste de deglutição isolado foi associado à características clínicas, como disartria, disfonia, deficit no reflexo de náusea e de tosse(9). Um dos instrumentos selecionados nesta revisão e que fez uso apenas de características clínicas(20) apresentou boa sensibilidade e especificidade para a identificação da disfagia orofaríngea. Na análise geral dos resultados das sensibilidades e especificidades dos instrumentos desta revisão, foi encontrada uma variação de 47% a 100% na sensibilidade e de 30% a 100% na especificidade, tendo sido possível observar ótimos valores, tanto em ferramentas que utilizaram apenas critérios clínicos, quanto naquelas que os associaram com a oferta de consistências. Apesar disso, não foi possível determinar o instrumento mais sensível ou especifico, devido às diferenças metodológicas entre os estudos. Tais diferenças envolvem, principalmente, o número de indivíduos, os testes utilizados, a definição do constructo, ou seja, o desfecho investigado (disfagia, aspiração laringotraqueal ou ambos, por exemplo), além da fase do AVE em que o instrumento foi aplicado. A maioria dos instrumentos foi aplicada na fase aguda, porém, o tempo variou de horas até meses, o que pode ter impactado a sensibilidade e a especificidade, conforme observado em um dos instrumentos(19), que foi aplicado nas fases aguda e de reabilitação e encontrou melhor sensibilidade na fase aguda do AVE.

Outro ponto controverso nos estudos é em relação aos profissionais que administraram o rastreio. Dos 17 instrumentos que citaram a aplicação, seis foram administrados por enfermeiros(11,13,17,19,21,23), quatro por médicos(10,16,20,25), quatro por profissionais distintos (fonoaudiólogos, médicos e enfer-meiros)(1,7,8,12,14,15) e três por fonoaudiólogos(5,6,9). Ao pensarmos que o rastreio para a disfagia orofaríngea deve ser realizado precocemente, é de extrema importância que qualquer profissional treinado possa fazê-lo. Contudo, a confirmação diagnóstica deve ser realizada por meio da avaliação do profissional especializado em deglutição que, no Brasil, é o fonoaudiólogo.

A literatura apresenta múltiplos instrumentos para o rastreio da disfagia orofaríngea no AVE, não havendo, assim, um consenso entre os seus parâmetros, objetivos e conceitos, nem sobre quem deve aplicá-lo, mas há evidência científica do benefício da implantação de um programa de rastreio, independente do método utilizado, quando comparado com locais que não utilizam rastreio formal(31).

É importante ressaltar que, apesar de não haver consenso entre os parâmetros indiretos e diretos existentes nesses instrumentos, alguns foram frequentes em mais de 50% dos estudos.

O rastreio da disfagia é de extrema importância, porém, é necessário que durante a escolha de um instrumento, ou na elaboração de uma nova ferramenta, sejam observados importantes atributos, como processo de validação, confiabilidade, boa sensibilidade e especificidade para o que se pretende buscar(2).

No contexto atual, essas medidas ainda podem ser consideradas falhas na maioria dos instrumentos encontrados para o rastreio do distúrbio de deglutição na população com AVE.

Acredita-se, também, que os conceitos de rastrear e avaliar devam ser mais bem definidos e mais discutidos e que, para rastrear a disfagia e não somente a aspiração laringotraqueal, é necessária a integração entre fatores de risco para a disfagia, características clínicas e motoras orais, aspectos relacionados ao desempenho cognitivo-linguístico, além dos sinais indicativos de disfagia, observados durante a ingestão via oral.

CONCLUSÃO

Não há consenso entre os estudos sobre os parâmetros que devem compor o método de rastreio para disfagia orofaríngea na população com AVE. Também não há diferenciação entre os conceitos sobre rastrear e avaliar a disfagia em alguns dos instrumentos encontrados na literatura. Assim, são necessários novos estudos, levando em consideração esse referencial teórico, visando à construção de novos instrumentos para o rastreio da disfagia orofaríngea na população com AVE.

Trabalho realizado na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Marília (SP), Brasil.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 06 de Maio de 2015; Aceito: 21 de Setembro de 2015

Endereço para correspondência: Roberta Gonçalves da Silva. Universidade Estadual Paulista (UNESP), Departamento de Fonoaudiologia. Av. Hygino Muzzi Filho, 737, Marília (SP), Brasil, CEP: 17525-900. E-mail: rgsilva@marilia.unesp.br

Conflito de interesses: Não

Contribuição dos autores:TMA responsável pela concepção e planejamento do manuscrito; PCC, LAP, HVMJ e RGS responsáveis pela revisão crítica do material e aprovação da versão final do manuscrito.

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