Open-access Realidade da Doença Inflamatória Intestinal em mulheres grávidas brasileiras (2007/2024)

Contexto:   As Doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa) vêm aumentando de forma alarmante no Brasil. Elas afetam principalmente pessoas jovens em idade reprodutiva, o que é extremamente preocupante em um país com população majoritariamente jovem. Até o momento, não há estudos que demonstrem como essas doenças podem afetar essa população, incluindo os efeitos colaterais dos medicamentos e a evolução dos filhos de pacientes brasileiras ao longo do tempo.

Objetivos:   O estudo teve como objetivo analisar os efeitos colaterais das medicações utilizadas por pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII) durante a gestação; avaliar o impacto da atividade da doença no curso da gravidez e no desenvolvimento fetal; e monitorar o desenvolvimento destas crianças.

Métodos:   Trata-se de um estudo retrospectivo longitudinal, com análise de pacientes registrados ao longo do período de 2007 a 2024, considerando as medicações utilizadas durante a concepção, efeitos colaterais, complicações durante a gestação e pós-parto. Todas as pacientes foram recrutadas do centro de Doenças Inflamatórias Intestinais do serviço da Clínica Scope, localizado no centro oeste do Brasil.

Resultados:   Dos 329 pacientes, 25 engravidaram (idade média de 30,38 anos); 48% estavam com atividade endoscópica da doença e 52% em remissão no momento da concepção. Todas as pacientes gravidas continuaram a terapia de base (incluindo medicamentos anti-TNF, assim como imunossupressores). A atividade da doença teve influência direta no peso dos recém-nascidos e no índice de Apgar, em comparação com as mulheres em remissão, embora não tenha sido observada prematuridade. Não foram observados efeitos adversos das medicações em nenhum dos grupos (mãe e feto), reforçando a segurança do uso desses medicamentos nessa população. No acompanhamento pós-parto, durante um período de dois anos, não foram identificadas anormalidades.

Conclusão:   Este estudo reforça a importância do acompanhamento contínuo de pacientes com doença inflamatória intestinal e da orientação quanto à manutenção das medicações e ao momento mais adequado para a concepção.

Palavras-chave:
Eventos adversos; terapia biológica; doença de crohn; gravidez; retocolite ulcerativa

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