A FUNÇÃO DE INTERVALO DO ESPAÇO DE ACOLHIMENTO PARA PEQUENAS CRIANÇAS E SEUS PAIS

The interval function of the welcoming center for young children and their parents.

Ana Francisca Lunardelli Jacintho Maria Cristina Machado Kupfer Alain Vanier Sobre os autores

RESUMO:

No presente artigo, questionamos a função exercida por um espaço de acolhimento para crianças de até três anos e seus pais. Após uma breve descrição desse dispositivo inspirado no modelo francês da Maison Verte, criada por Françoise Dolto, discutimos o funcionamento de diferentes instituições da primeira infância e interrogamos o papel do espaço de acolhimento. Defendemos, por fim, que ele ocupa uma função denominada de intervalo, pois permite a introdução de um espaço possível no laço entre pequenas crianças e seus pais, favorecendo, assim, a separação e a emergência do sujeito do desejo.

Palavras-chave:
espaço de acolhimento; psicanálise com pequenas crianças; instituições; função paterna

Abstract:

In this paper, we question the role played by a welcoming center for children up to three years old and their parents. After a brief description of this device, which is inspired by the French model of the Maison Verte created by Françoise Dolto, we discuss the functioning of different institutions in early childhood and we question the welcoming center’s role. We defend that it occupies a function called interval, since it allows the introduction of a possible space in the bond between young children and their parents and thus favors the separation and the emergence of the subject of desire.

Keywords:
welcoming place; psychoanalysis with young children; institutions; paternal function

O ESPAÇO DE ACOLHIMENTO PARA PEQUENAS CRIANÇAS E SEUS PAIS

No presente trabalho, questionamos a função exercida por um espaço de acolhimento para crianças de até três anos e seus pais, cujo funcionamento se inspira no modelo francês da Maison Verte (Casa Verde), criada por iniciativa de Françoise Dolto em 1979. Desde seu projeto, essa estrutura teria como papel promover a socialização de crianças, a escuta dos pais e a prevenção precoce, diferenciando-se, assim, do enquadre psicoterápico (DOLTODOLTO, F. Projet de Centre de l’enfance (1977). In: Une psychanalyste dans la cité: l’aventure de la Maison verte. Paris: Gallimard, 2009., 1977/2009). Para Malandrin (2009MALANDRIN, M.-H. Éducation / psychanalyse: l’impossible nouage? In: DOLTO, F. Une psychanalyste dans la cité: l’aventure de la Maison verte. Paris: Gallimard, 2009.), trata-se de considerar o sentido dos sintomas das crianças a partir da escuta de um “discurso sem palavras”, num espaço em que elas se sentiriam respeitadas e poderiam conquistar sua própria liberdade. Além disso, esta seria, para Dolto, uma posição específica do trabalho de “psicanalistas na cidade”: “Ela ouvia o que ‘faz insistência’ no aqui e agora de um encontro sem dia seguinte com uma criança e ela assumia ter uma ‘escuta analítica’, sem a proteção de um consultório, sem a demanda de um pai” (DOLTODOLTO, F. Projet de Centre de l’enfance (1977). In: Une psychanalyste dans la cité: l’aventure de la Maison verte. Paris: Gallimard, 2009., 1977/2009, p. 49). Assumir essa escuta, identificar as manifestações clínicas das crianças, mas sem qualificar esse trabalho de psicoterapêutico: como caracterizar então as intervenções de psicanalistas nesse espaço e seu alcance possível?

Após a Maison Verte, outras estruturas desse tipo foram criadas na França, muitas delas por incentivo de políticas públicas para a primeira infância. Em estudo financiado pelo órgão do governo responsável por essas políticas (FRAIOLI; SCHEU, 2010FRAIOLI, N.; SCHEU, H. Lieux d’Accueil Enfants Parents et socialisation(s): Caisse Nationale des Allocations Familiales. Le Furet, Dossier d’Etudes, n. 133, 2010. Disponível em: http://www.caf.fr/sites/default/files/cnaf/Documents/Dser/dossier_etudes/dossier_133_- _lieux_daccueil_enfants_parents.pdf.
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), recebem a denominação de lieux-d’accueil enfants-parents (LAEP) espaço de acolhimento para crianças e pais e são definidos como equipamentos que oferecem momentos de brincadeiras e de trocas entre pais e crianças. No entanto, tal iniciativa aponta para uma outra concepção desse espaço, fundada na demanda social e distante da posição de Dolto sobre a importância de acolher a criança como sujeito do desejo, considerando o inconsciente e a escuta analítica como integrantes do trabalho. O estudo afirma que não existe, hoje, um modelo-tipo para essas estruturas, já que as equipes e os projetos diferem uns dos outros, e mostra também que a psicanálise não é mais a abordagem predominante. Todavia, os objetivos iniciais da Maison Verte, tais como o acompanhamento da socialização da criança e a promoção de um espaço de fala para os pais e de encontros com outros adultos, estão presentes na maioria dos projetos. A propósito da criação desses novos espaços, Aubourg (2009AUBOURG, F. La Maison Verte: un dispositif à la portée de l’enfant. Figures de la psychanalyse, n. 18. Paris: Erès, 2009, p. 227-240. Disponível em: https://www.cairn.info/revue-figures-de-la-psy-2009-2-page-227.htm.
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) sugere um “processo de institucionalização” do dispositivo e This (2002THIS, B. Symptôme et Maison Verte. Cahiers critiques de thérapie familiale et de pratiques de réseaux, n. 29, De Boeck Supérieur, 2002, p. 203-211.) questiona o lugar da Maison Verte como sintoma do mal-estar, num momento histórico em que passamos a escutar o sofrimento da criança.

A literatura produzida sobre essa clínica vem também crescendo, principalmente por parte dos psicanalistas que atuam nesses espaços. Alguns autores destacam o aspecto de mise en scène presente aí e a consequente importância do olhar, ao lado da escuta, diante das manifestações da criança (AUBOURG, 2009AUBOURG, F. La Maison Verte: un dispositif à la portée de l’enfant. Figures de la psychanalyse, n. 18. Paris: Erès, 2009, p. 227-240. Disponível em: https://www.cairn.info/revue-figures-de-la-psy-2009-2-page-227.htm.
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). Oferecendo-lhe um espaço de fala e de escuta de seu sintoma (OLIVIER, 2013OLIVIER, D. La prise en compte de l’inconscient dans un lieu d’accueil de tout-petit avec ses parents. In: GRANDT-GAULIARD, F. D.; TURCANU, R. (orgs.). Freud s’invite dans les lieux d’accueil parents-enfants. Paris: Erès, 2013.), permite-se o desdobramento de sua questão (MALANDRIN, 2012MALANDRIN, M.-H. Pertinence et impertinence du dispositif de la Maison verte au regard de la prévention précoce. In: OLIVIER, D. (org.). De plus en plus de lieux d’accueil, de moins en moins de psychanalyse? Paris: Erès, 2012.), num dispositivo em que o psicanalista se apresentaria como destinatário (ROUVRAYROUVRAY, C. D. Une pratique d’accueil parents-enfants, le cadre. In: GRANDT-GAULIARD, F. D.; TURCANU, R. (orgs.). Freud s’invite dans les lieux d’accueil parents-enfants. Paris: Erès, 2013., 2013). Além disso, a fala endereçada à criança e aos pais em sua presença, bem como o apaziguamento de angústias destes últimos, teriam efeitos sobre aquela. Assim, defende-se uma ética do acolhimento que se opõe à intervenção normativa por considerar o inconsciente (TURCANU, 2013TURCANU, R. A propos de l’accueil parents-enfants: éthique et lien social. In: GANDT-GAULIARD, F. D.; TURCANU, R. (orgs.). Freud s’invite dans les lieux d’accueil parents-enfants. Paris: Erès, 2013.) e por oferecer às crianças e seus pais um espaço de liberdade que produz efeitos de “abertura psíquica” (OLIVIER, 2013).

O presente trabalho decorre da experiência clínica do îlot-Bébés (JACINTHO, 2012JACINTHO, A. L. Clínica da prevenção: o olhar sobre o corpo do bebê. Estilos da Clínica, Brasil, v. 17, n. 2, 2012, p. 242-261.; JACINTHOJACINTHO, A. F. L. Psicanálise e instituições para a primeira infância: a experiência de um espaço de acolhimento. São Paulo: Escuta/Fapesp, 2019., 2019), espaço de acolhimento para bebês e crianças de até três anos acompanhados de seus cuidadores (pais, familiares ou babás) e que é informal, anônimo e gratuito. Nele, não é necessário que nenhuma dificuldade ou sintoma, da criança ou dos pais, seja evidenciado para que participem dos acolhimentos. Estes acontecem numa sala com brinquedos disponíveis a todos, sempre na presença de dois psicólogos psicanalistas. Nosso objetivo, no presente artigo, é questionar a função ocupada por esse espaço de acolhimento para as crianças e os pais que o frequentam.

AS INSTITUIÇÕES DA PRIMEIRA INFÂNCIA E SUAS FUNÇÕES

Diversos trabalhos atuais questionam a função de instituições no campo da primeira infância, principalmente a partir da posição ocupada por seus profissionais, sejam eles psicólogos clínicos, educadores ou cuidadores em geral, na relação com a criança e seus pais.

No contexto da educação infantil, Mariotto (2009MARIOTTO, R. M. M. Cuidar, educar e prevenir: as funções da creche na subjetivação de bebês. São Paulo: Escuta, 2009.) propõe investigar a forma como os educadores que se ocupam de bebês nas creches participam de seu desenvolvimento e subjetivação. Seu estudo parte de uma concepção da educação orientada pela psicanálise, segundo a qual participaria da constituição do sujeito, como proposto por Kupfer (2007KUPFER, M. C. M. Educação para o futuro: psicanálise e educação. São Paulo: Escuta, 2007. ). Mariotto defende que os profissionais das creches operam com certos elementos da “mãe simbólica”, pois consideram o bebê como sujeito, reconhecem seu grito como significante e exercem uma função de intérprete e de alternância entre presença e ausência. No entanto, eles não comparecem com seu desejo nessa relação, pois não cumprem uma função de suplência da função materna. Com efeito, o lugar ocupado pela criança no desejo dos pais está no centro de seu laço com o Outro, já que são eles os responsáveis pela “transmissão de marcas que permitem um sujeito inscrever-se numa filiação, numa linhagem” (MARIOTTO, 2009MARIOTTO, R. M. M. Cuidar, educar e prevenir: as funções da creche na subjetivação de bebês. São Paulo: Escuta, 2009., p. 136). Por outro lado, o desejo que atravessa o educador diz respeito ao trabalho que escolheu e no qual as “gratificações imaginárias afetivas” não são predominantes. Ao exercerem sua função de acolhimento, “as cuidadoras se introduzem de imediato como agentes de uma separação primordial, operando mais na condição de terceiro para a mãe do que seu suplente” (ibidem, p. 112). Através da noção de paternagem, a autora articula maternagem e função paterna, tarefa atravessada pela função de introduzir “um pai fora da mãe”.

No mesmo campo de reflexão, Bernardino (2008BERNARDINO, L. M. F. Análise da relação de educadoras com bebês em um centro de educação infantil a partir do protocolo IRDI. In: KUPFER, M. C. M.; LERNER, R. (orgs.). Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. São Paulo: Escuta, 2008.) questiona se os profissionais da creche poderiam ocupar o lugar de substitutos do Outro materno para o bebê, enquanto agentes da função materna, já que a instituição se situa na continuidade do ambiente familiar no que diz respeito à transmissão de marcas simbólicas. Partindo da distinção proposta por Freud (1914/2005) e retomada por Lacan (1964/1973) entre os campos do amor e da pulsão, Bernardino (2014BERNARDINO, L. M. F. A creche, o professor e o desejo. Congresso LEPSI IP/FE-USP 2014, 2014. Inédito.) destaca a observação clínica de Laznik (2010LAZNIK, M.-C. Godente ma non troppo: o mínimo de gozo do outro necessário para a constituição do sujeito. Psicol. Argum, v. 28 (61), 2010, p. 135-145. Disponível em: http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/pa?dd1=3561&dd99=view&dd98=pb.
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) de que a mãe opera, por vezes, uma passagem do registro erógeno ao narcísico, protegendo, assim, a criança e a si mesma. A autora sublinha, então, que a diferença entre esses dois registros - fálico/narcísico do amor e pulsional do desejo - também aparece no âmbito da creche. Para ela, se esses dois aspectos estão sempre presentes no laço do bebê com o Outro, a relação do professor com a criança seria principalmente atravessada pelo campo fálico do narcisismo. Ainda segundo Bernardino (2014), a presença do desejo do professor estaria sobretudo ligada ao seu Ideal de Eu e marcada pela sublimação presente na sua realização profissional, através do reconhecimento que lhe é dado pelo campo social. O professor pode se constituir como “interlocutor privilegiado”, ao reconhecer no bebê um sujeito, mas este é tomado como objeto de admiração e não de gozo. Além disso, o brincar participa dessa “solução sublimatória”, pois permite compartilhar uma experiência marcada pelo prazer, a surpresa e a admiração.

Por outro lado, quando o bebê chega à creche sem que a “questão pulsional” esteja instalada, devido às falhas no encontro com um agente da função materna, o professor pode vir a presentificar-se com seu desejo. Nesses casos “urgentes e excepcionais”, nos quais há risco para a constituição psíquica do bebê, ele aceita se engajar nessa relação enquanto “parceiro pulsional”. No entanto, para que possa emprestar seu próprio desejo, é necessário que um terceiro “personalizado” esteja presente e sustente essa função, o que é o caso do psicanalista na creche. Sublinhamos tratar-se de uma proposição de grande importância, já que corresponde a uma ampliação da clínica psicanalítica com bebês para além no setting clássico da psicoterapia, mas com o mesmo alcance.

No mesmo sentido, Crespin (2013CRESPIN, G. C. A emergência do sujeito no berçário institucional. In: BUSNEL, M.-C.; MELGAÇO, R. G. (orgs.). O bebê e as palavras: uma visão transdisciplinar sobre o bebê. São Paulo: Instituto Langage, 2013.) propõe, no contexto dos abrigos, uma articulação teórica sobre o lugar dos profissionais no laço com bebês separados dos pais. A autora avança que eles são chamados a comparecer aí no lugar do “outro em lugar de Outro” para a criança. Desde esta “posição de alteridade”, ele pode, no entanto, adotar diferentes posições nesse encontro. Dentre elas, a de “outro que suporta um investimento desejante” (CRESPIN, 2013CRESPIN, G. C. A emergência do sujeito no berçário institucional. In: BUSNEL, M.-C.; MELGAÇO, R. G. (orgs.). O bebê e as palavras: uma visão transdisciplinar sobre o bebê. São Paulo: Instituto Langage, 2013., p. 81) e que permite a inscrição de uma perda para a criança.

Perrusi questiona, por sua vez, a posição ocupada pela instituição que recebe bebês e mães com dificuldades psíquicas e defende que ela “pode servir como função de terceiro para a mãe e a criança” (PERRUSI, 2006PERRUSI, M. Institution mère-enfant, prévention et lien social: recherches et perspectives sur l’intervention précoce. Tese de doutorado em Psychopathologie Fondamentale et Psychanalyse, Université Paris 7 -Diderot, Paris, 2006, 417p., p. 23). Segundo a autora, o trabalho terapêutico operaria, nesse enquadre, como “prótese da psique da criança em caso de grave perturbação psíquica da mãe”, a partir da intervenção do clínico. Ela acrescenta:

O trabalho efetuado tem uma função de contenção que permite, em alguns casos, “colocar em andamento” a capacidade de rêverie materna: é a decodificação das emoções do bebê por uma terceira pessoa que poderá sensibilizá-la para este trabalho de ligação-transformação. (Idem).

Nesta perspectiva, a intervenção do analista, ao nomear as manifestações do bebê, permitiria à mãe ocupar o papel da função materna.

Boukobza (2002BOUKOBZA, C. O desamparo parental perante a chegada do bebê. In: BERNARDINO, L. M. F.; FERNANDES, C. M. (orgs.). O bebê e a modernidade: abordagens teórico-clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.) descreve, por sua vez, o dispositivo institucional da Unidade de Acolhimento Mães-Crianças de Saint-Denis, que funciona como um hospital-dia e propõe um espaço semanal para grupos de mães e filhos, além de atendimentos individuais com um psicanalista. Nos grupos, trata-se de permitir às mães encontrar ou redescobrir o prazer em cuidar de seu bebê, a partir da identificação com o olhar de outras mães e dos profissionais, operando, assim, uma mudança em seu próprio olhar sobre a criança. Além disso, uma “continuidade dos cuidados” é também oferecida pelos profissionais do acolhimento, diante da impossibilidade da mãe em fazê-lo. A autora qualifica esse trabalho de holding do holding, ao permitir sustentar a mãe para que ela possa sustentar seu filho (BOUKOBZA, 2003BOUKOBZA, C. La clinique du holding - Illustration de D.W. Winnicott. Le Coq-héron, n. 173. Paris: Erès, 2003, p. 64-71. Disponível em: https://www.cairn.info/revue-le-coq-heron-2003-2-page-64.htm.
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). Para ela, os cuidados proporcionados à mãe e o apoio oferecido à relação participariam da prevenção de uma possível patologia da criança.

Referindo-se à função de terceiro da instituição, C. Vanier descreve o papel do serviço de neonatologia do hospital Delafontaine de Saint-Denis, caracterizando-o como “simbolizador”: “Transformar as coisas em palavras no tempo mesmo da reanimação, isso resume bem a função de nossa unidade. Tentar aproximar, ‘domar’ a questão do real” (VANIER, 2013VANIER, C. Naître prématuré: le bébé, son médecin et son psychanalyste. Paris: Bayard Éditions, 2013., p. 59). Partindo da noção de “suposição do sujeito”, a psicanalista estende aos profissionais a importância do trabalho de endereçamento à criança. Ela diferencia essa posição de terceiro ocupada pela equipe quando opera uma separação protetora para a mãe e a criança da “restauração” defendida por outros profissionais e que corresponde à operação de acolhimento do bebê pela palavra, indispensável, porém insuficiente. Para ela, nas situações em que a mãe e o bebê devem ser protegidos um do outro, a equipe pode ser levada a ocupar o lugar do Outro para este último: “Não há ser que se mantenha sem ser objeto de gozo do Outro. Sem o discurso do Outro, o circuito pulsional não pode se estabelecer” (VANIER, 2006, p. 74). Com efeito, quando a mãe está impossibilitada em ocupar esse lugar, o investimento libidinal do bebê e a instalação do circuito pulsional podem se encontrar impedidos. Além disso, a psicanalista questiona:

O que se transmite de essencial habitualmente a um certo momento ao bebê, é justamente o ponto em que a mãe se furta. Mas uma máquina não se furta nunca. Então, se a pulsão vem em eco a um dizer no corpo, como é que se coloca em andamento o circuito pulsional para o bebê? Nesse meio, o recorte pulsional torna-se com efeito problemático (...). Pensamos hoje que o corte deverá ser encontrado neste ritmo, presença-ausência, do cuidador. O que vai estar em jogo nesse momento será essencial para a criança. (VANIER, 2006VANIER, C. Le bébé et la pulsion: le sourire de la Joconde quelques années plus tard. Recherches en psychanalyse, n. 6, 2006, p. 71-79., p. 77).

Deste modo, a autora observa que o serviço pode operar uma função de separação, bem como se substituir à mãe no exercício da função materna. O profissional ocupa, nesses casos, o lugar do Outro que toma o bebê como objeto de gozo, mas também opera como função simbólica, ao produzir cortes. A psicanalista destaca, ainda, a importância de se levar em conta a presença do pai da criança nesse serviço e trabalhar seu lugar com a equipe. Ela conclui sobre essa clínica: “A função do psicanalista para o bebê será então de permitir advir o bebê-sujeito” (VANIER, 2013VANIER, C. Naître prématuré: le bébé, son médecin et son psychanalyste. Paris: Bayard Éditions, 2013., p. 244). Assim, através do papel de terceiro que torna possível a separação, poderá estar assegurada a produção da perda, necessária à constituição do sujeito.

A. Vanier (2001VANIER, A. D’une dyade à plusieurs: quelques remarques à propos d’un travail avec les mères psychotiques et leur nourrisson. Psychologie Clinique, n. 12, Paris: L’Harmattan, 2001, p. 39-50.) define, por sua vez, a instituição como “agenciamento simbólico, enquadre - ‘campo de linguagem’”, retomando a concepção de Maud Mannoni. Partindo de sua prática em um serviço que recebe mulheres grávidas e mães com bebês de até três meses, afirma que ele favoreceria uma “elaboração do laço entre a mãe e a criança”. Além disso, facilitaria uma separação real, ou no sentido de permitir à mãe suportar as manifestações da criança enquanto separada e distinta dela mesma: “De qualquer forma, a separação pertence a esse laço” (p. 42), lembra. O autor sublinha, assim, a função de terceiro ocupada pela instituição para a mãe e seu filho, assegurando, ao mesmo tempo, uma proteção e um “arranjamento possível da situação”:

Esse terceiro está ausente não apenas na realidade, pois trata-se frequentemente de mães sozinhas, sem a presença de um pai que reconheça a criança, mas terceiro ausente pela própria patologia da mãe. E é à introdução desse terceiro necessário a toda estruturação de um sujeito que essa mãe não pode conduzir seu filho. De uma certa forma, e em um primeiro nível, as regras da vida da instituição, a presença dos profissionais vão fornecer alguma coisa que pode operar, ao mesmo tempo, numa vertente mediadora e simbólica para a criança, mas também como prótese do eu, sustentação narcísica para a mãe na sua relação eminentemente difícil com seu bebê. (VANIER, 2001VANIER, A. D’une dyade à plusieurs: quelques remarques à propos d’un travail avec les mères psychotiques et leur nourrisson. Psychologie Clinique, n. 12, Paris: L’Harmattan, 2001, p. 39-50., p. 46).

O autor aproxima, ainda, essa função da instituição da noção de holding, mas afirma que este termo não é suficiente para dar conta do trabalho de mediação, responsável pelo ordenamento de um lugar para o elemento terceiro na relação entre a mãe e a criança. A função da instituição será, então, de permitir que a “separação surja do interior de sua relação”, elaboração esta que terá se tornado possível graças ao enquadre. Destacamos a leitura proposta pelo autor acerca da função de terceiro ocupada pela instituição, ao avançar que, para além da produção de uma separação física protetora, ela intervém sobre o plano subjetivo da separação enquanto pertencente ao laço.

Constatamos, assim, diferentes concepções sobre o papel da instituição. A partir desses diversos olhares sobre as intervenções orientadas pela psicanálise em instituições, como conceber a função do espaço de acolhimento?

JAMILA E SUA MÃE: DA AUSÊNCIA DO PRAZER EM BRINCAR À ABERTURA DE ESPAÇOS DE DESEJO

Na primeira vez em que vem ao îlot-Bébés, Jamila tem 15 meses e apresenta uma grande inibição corporal. Sua mãe a coloca sentada no meio da sala já bem cheia de crianças e adultos, afastando-se em seguida para instalar-se. Jamila permanece imóvel, fixa seu olhar sobre nós e logo olha para as outras pessoas em sua volta, enquanto esboça um sorriso não muito convincente. Nossos comentários de que não é fácil encontrar-se sozinha num lugar desconhecido, com todas essas pessoas, não encontra resposta na mãe. Insistimos, dizendo que talvez fosse mais fácil se sua mãe estivesse ao seu lado e esta então se aproxima, iniciando um longo e detalhado relato sobre um outro espaço de acolhimento em que foram algumas vezes. Ela mora longe e tem que atravessar a cidade para vir até aqui. Enquanto fala, Jamila não se movimenta, apenas observa os outros. Propomos um brinquedo em forma de pião que ela olha com interesse, mas permanece imóvel quando perguntamos se gostaria de pegá-lo. Comentamos com sua mãe que Jamila parece interessar-se pelas outras pessoas e, enquanto responde que sua filha gosta muito de observar, tira o pião de sua frente e pega uma torre de cubos que ela mesma faz e desfaz, dizendo-lhe em seguida: “Vai, brinca!”, mas Jamila permanece paralisada. Mais tarde, nesse mesmo acolhimento, ao cruzar, de longe, o olhar de Jamila, envio-lhe uma pequena bola que ela segura com as duas mãos. Desloca-se então, sentada, até a estante em que o pião foi guardado e emite alguns sons. Quando o colocamos novamente em sua frente, sublinhando seu interesse, Jamila sorri, mas não toca o pião. Sua mãe comenta que ela não engatinha nem anda, apenas se desloca sentada, e que a segue em casa o tempo todo, repetindo várias vezes que isto não a preocupa.

Jamila nos dá a ver, de imediato, sua hipotonia e inibição corporal, determinantes em sua aparente ausência de prazer em brincar. Na semana seguinte, a mesma cena se reproduz. Sua mãe está mais presente no contato com ela e lhe propõe diversos brinquedos, mas Jamila não procura nem tocá-los. A primeira fala muito sobre sua filha neste dia, enumera tudo o que sabe fazer em casa e discorre sobre os benefícios do aleitamento materno.

Aos poucos, Jamila começa a se deslocar pelo espaço da sala. Quando se aproxima do pé de um pequeno escorregador, inclinando-se sobre seu pequeno degrau, a mãe precipita-se, afirmando que é muito perigoso, e coloca-a sentada longe dali, sem lhe dizer nada. Jamila também começa a se interessar pelos brinquedos que sua mãe lhe oferece, por vezes segurando-os ou colocando-os na boca, mas, ao constatar que ela não brinca como lhe diz para fazer, a mãe se distancia. Nesses acolhimentos, não há momentos de brincadeiras entre Jamila e sua mãe, nem com outras pessoas.

Um mês depois, a mãe evoca o fato de que sua filha ainda não anda, mas insiste em dizer que isso não é um problema, pois ela também andou tarde. Acredita que Jamila progride muito na esfera da linguagem, apesar de nunca termos escutado ela pronunciar nenhuma palavra. Por outro lado, na medida em que tentamos entrar em contato com Jamila a partir do que lhe interessa, notamos que ela responde de maneira cada vez mais expressiva, sendo, porém, frequente que sua mãe lhe retire algo que pegou para lhe propor um novo brinquedo que não a interessa. Num outro dia, aproxima-se novamente do degrau do escorregador e a mãe a retira logo dali, mas ela volta. Enfatizamos suas iniciativas, dizendo-lhe que sua mãe tem muito medo de que caia, mas que talvez possa ficar ao seu lado para que tente. Esta se aproxima e diz: “Vai, minha filha”. Jamila faz um grande esforço para subir no degrau e consegue sentar-se sobre ele. Continuamos sustentando essas pequenas iniciativas de Jamila, assim como as sugestões de sua mãe. Oferecemos também a esta um espaço de escuta, mas ainda é difícil para ela expor suas aparentes angústias em relação às dificuldades de sua filha.

Jamila deixa-se manipular por sua mãe e tem poucos gestos espontâneos, mas pode se servir cada vez mais das trocas e dos brinquedos que lhe propomos. Aos poucos, começa também a falar, mesmo que não consigamos entender sempre o que diz e que sua mãe tenha que “traduzir”. Num outro acolhimento, uma criança empurra sem querer Jamila do degrau do escorregador em que estava sentada e ela chora muito. Sua mãe, muito preocupada, precipita-se em pegá-la rapidamente no colo e instala-se no fundo da sala para amamentá-la, sem lhe dizer nenhuma palavra. Jamila mostra-se bastante atenta quando nomeamos o que havia acontecido e verbalizamos o medo de sua mãe. Na vez seguinte, Jamila sobe no degrau e tenta escalar o escorregador com dificuldade. Ao frisarmos sua vontade e sua necessidade de ajuda, a mãe se aproxima para colocá-la no alto e fazê-la escorregar. Jamila diz: “De novo!”, exprimindo um grande prazer, e sua mãe recomeça. Elas continuam a brincadeira por um tempo, no que parece ser um verdadeiro momento de prazer compartilhado e de abertura para Jamila, que, daí em diante, torna-se muito mais ativa em iniciar atividades e no seu chamado à sua mãe. Com efeito, ela pode agora se deslocar livremente pelo espaço e se interessar por novos objetos, como as bonecas com as quais brinca com sua mãe. Passam a repetir a brincadeira do escorregador no início de cada acolhimento, como um pequeno ritual necessário a ambas. Algumas semanas mais tarde, entra no îlot andando. A mãe anuncia: “Ela tem 21 meses e anda há dois dias!”. Esta pode, por fim, evocar longamente seus questionamentos em relação à aquisição da marcha de Jamila que, nesse dia, sobe e desce sozinha o escorregador.

Assistimos, assim, ao longo dos acolhimentos, à emergência em Jamila do que poderíamos chamar de “erogeneização do funcionamento do corpo”, retomando a expressão de Bergès (1995/2007), processo que só pode aparecer quando a criança se descola da motricidade da mãe. Esta, de fato, mostrava-se bastante intrusiva em relação ao corpo de Jamila, não podendo reconhecer sua alteridade, como se a função paterna, responsável por desviar a libido materna, não operasse (CULLERE-CRESPIN, 2007CULLERE-CRESPIN, G. L’épopée symbolique du nouveau-né: de la rencontre primordiale aux signes de souffrance précoce. Paris: Erès, 2007.). Jamila encontrava-se, assim, entregue à onipotência materna, como, por exemplo, no plano oral, deixando-se amamentar de forma extremamente passiva.

Esta situação clínica aponta para a questão de como podemos favorecer a separação e a emergência do desejo na criança, diante do excesso de solicitação materna e quando não há nenhuma demanda explícita por parte dos pais. Nesses casos, defendemos que é a partir do dado a ver do corpo da criança e de seu lugar no discurso parental que intervimos. Além disso, é importante salientar que não se trata de situar as dificuldades maternas como origem dos sintomas da criança, mas de trabalhar essa impossibilidade da mãe em se posicionar de outra forma no laço com sua filha, buscando produzir deslocamentos nesse sentido.

Deste modo, pudemos sustentar as iniciativas de Jamila e oferecer também à mãe a possibilidade de expressar suas angústias. Favorecendo o surgimento de um espaço entre mãe e criança, tornamos possível a inscrição da alternância entre presença e ausência, necessária à estruturação psíquica. Assim, a colagem que caracterizava essa relação deu lugar às trocas nas quais a falta estrutural pode comparecer. Jamila aproveitou a oferta desse espaço e passou a iniciar cada vez mais diferentes brincadeiras e movimentos com seu corpo, renunciando, enfim, à inibição como única resposta frente ao desejo do Outro. Por fim, defendemos que o dispositivo facilita essa abertura, a partir da qual o sujeito do desejo poderá advir.

A FUNÇÃO DE INTERVALO: INTRODUZIR UM ESPAÇO POSSÍVEL NO LAÇO

Buscando refletir sobre o que é operante na função do espaço de acolhimento, propomos que o dispositivo permite instaurar um espaço entre a criança e o agente materno, visando a emergência do sujeito do desejo. Trata-se, no campo da constituição subjetiva, da operação de separação que favorece a instauração da intervenção paterna, ao efetuar um corte. Poderíamos aproximá-la do que Lacan descreve, no Seminário V (1957-1958/1998), sobre a passagem do primeiro tempo do Édipo, marcado pela identificação da criança ao falo enquanto objeto suposto do desejo materno, ao tempo seguinte de introdução da dimensão paterna da castração, quando o desejo da mãe se volta para outro objeto, e que permite, posteriormente, o reconhecimento da Lei do pai. A separação produzida na clínica, com a introdução de um espaço possível entre a mãe e a criança, possibilita enfim que esta seja retirada do lugar de único objeto de gozo materno.

Desta forma, acreditamos que o espaço do brincar comparece como terceiro para a mãe e a criança, constituindo-se como função paterna (DOR, 1985/2002), ao operar sobre a dimensão da presença do pai no discurso da mãe. Nesse sentido, Silvia Lippi (2010LIPPI, S. Entre play et game: le lieu du père. In: VANIER, A.; VANIER, C. (orgs.). Winnicott avec Lacan. Paris: Hermann Éditeurs, 2010.) propõe uma aproximação entre o espaço do brincar em Winnicott e a função paterna em Lacan, ambos espaços de desejo, em que o objeto transicional teorizado pelo primeiro aparece como terceiro no laço entre a criança e a mãe.

No que concerne ao espaço de acolhimento, propomos chamar sua função de separação de intervalo, pois permite acompanhar e favorecer, não apenas o tempo lógico de separação propriamente dito, mas, principalmente, o espaço presente desde o estabelecimento inicial do laço entre o bebê e seu Outro, através do desejo da mãe assim referida à castração. Com efeito, trata-se, primeiramente, do intervalo introduzido pelo agente materno entre o grito do bebê e a resposta que supõe aí um chamado, intervalo que se inscreve a partir da alternância entre presença e ausência da mãe, dos silêncios que fazem surgir o enigma do desejo do Outro, das brechas do discurso (JERUSALINSKY, 2009JERUSALINSKY, J. A criação da criança: letra e gozo nos primordios do psiquismo. Tese de Doutorado em Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP, São Paulo, 2009.) a partir das quais as manifestações do sujeito poderão advir. Em seguida, as ausências da mãe passam por uma primeira simbolização, como atesta o fort-da descrito por Freud FRAIOLI, N.; SCHEU, H. Lieux d’Accueil Enfants Parents et socialisation(s): Caisse Nationale des Allocations Familiales. Le Furet, Dossier d’Etudes, n. 133, 2010. Disponível em: http://www.caf.fr/sites/default/files/cnaf/Documents/Dser/dossier_etudes/dossier_133_- _lieux_daccueil_enfants_parents.pdf.
http://www.caf.fr/sites/default/files/cn...
(1920/2001), operação que tem o objeto a como resto (LACANLACAN, J. La relation d’objet (1956-1957). Texte établi par Jacques-Alain Miller, Paris: Éditions du Seuil, 1994. (Le Séminaire, 4), 1956-1957/1994).

Assim sendo, o espaço de acolhimento favorece o encontro do sujeito com o desejo enigmático do Outro e o intervalo é pensado como espaço de liberdade, já que permite sua emergência. Isto se torna possível através da promoção de efeitos de fala enquanto efeitos de abertura. Sublinhamos aqui que se trata de uma analogia com a concepção lacaniana de intervalo entre os significantes (LACANLACAN, J. Les quatre concepts fondamentaux de la psychanalyse (1964). Texte établi par Jacques-Alain Miller, Paris: Éditions du Seuil, 1973. (Le Séminaire, 11), 1964/1973), situada na origem da operação subjetiva de separação. Propomos uma utilização do termo menos específica a esse tempo lógico, pois refere-se também à separação inerente ao laço do bebê com o Outro e presente nele desde o início, através do desejo materno e de sua função simbólica.

O intervalo favorecido pelo dispositivo corresponderia ainda, por um lado, ao espaço como distância no laço, necessário para que haja um reordenamento das posições ocupadas nele por cada um, isto é, da posição da criança frente ao desejo do Outro e do lugar que ela ocupa em seu discurso; por outro, equivale também ao intervalo como instante entre diferentes tempos do processo de constituição subjetiva da criança, ou seja, aos momentos que antecedem a retomada desse processo num tempo seguinte. Tais dimensões, espacial e temporal da função de intervalo do espaço de acolhimento, evidenciam-se ao constatarmos que ele opera, para a criança, como um espaço-tempo de passagem e de transição do Outro materno ao Outro social.

Deste modo, podemos afirmar que o dispositivo ocupa uma função de separação para a criança, mas também para o agente materno, provocando intervalos de desejo. A intervenção sobre o laço permitiria, por fim, sustentar a brecha (ARENDT, 2007ARENDT, H. La crise de la culture. Paris: Folio Essais, 2007.), necessária à sua existência como sujeito.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Set 2019
  • Data do Fascículo
    Sep-Dec 2019

Histórico

  • Recebido
    27 Fev 2017
  • Aceito
    10 Fev 2018
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