Open-access OCORRÊNCIA DE BACTERIOSES EM RÚCULA NO BRASIL

OCCURRENCE OF BACTERIOSIS IN ROCKET SALAD IN BRAZIL

RESUMO

Em plantios de rúcula localizados na região de Campinas, SP, vêm sendo observadas lesões foliares na forma de manchas pequenas e em grande número, com 1-2 mm de diâmetro, grosseiramente circulares, deprimidas e de coloração escura. Em alguns casos essas lesões podem coalescer, atingindo grandes porções do limbo foliar. Dessas lesões foram isoladas bactérias do gênero Pseudomonas, espécie P. syringae (LOPAT - - - - +), diferindo de P s. pv. maculicola. Outro tipo de sintoma que vem sendo observado em plantas de rúcula é a podridão mole da parte aérea, ocasionado por Erwinia carolovora subsp. carolovora, ocorrendo tanto em condições de campo quanto em pós-colheita, inviabilizando a sua comercialização. Freqüentemente esses dois patógenos ocorrem associados. De acordo com a literatura disponível, trata-se do primeiro relato de P syringae e de Erwinia carolovora subsp. carolovora em rúcula, no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE:
Rúcula; Eruca vesicaria saliva, bacterioses.

ABSTRACT

Plants of rocket salad, cultivated in Campinas county, state of São Paulo, Brazil, showed small leaf spots, sharply round, depressed, dark in colour and about 1-2 mm in diameter. Sometimes spots may coalesce, causing extensive necrotic areas. From these spots was isolated a bacterium, characterized as Pseudomonas syringae. Another kind of symptom, characterized by a soft rot of the leaves and stems in field and post-harvest conditions was also observed. From the materials showing soft rot was isolated Erwinia carolovora subsp. carolovora. Both pathogens occur frequently associated. According to the literature, this is the first report of P syringae and E. e. subsp. carolovora in rocket salad, in Brazil.

KEY WORDS:
Rocket salad; Eruca vesicaria saliva, bacteriosis.

INTRODUÇÃO

A rúcula (Eruca vesicaria saliva (Mill) Thell.) é uma importante hortaliça, cujas folhas são consumidas principalmente na forma de salada, sendo que a integridade e aspecto visual das folhas constituem importantes fatores na obtenção de preço de mercado. Vêm sendo observadas em folhas dessa olerícola, cultivada na região de Campinas, SP, lesões foliares na forma de manchas pequenas e em grande número, com 1-2 mm de diâmetro, grosseiramente circulares, deprimidas e de coloração escura. Em alguns casos essas lesões podem coalescer, atingindo grandes porções do limbo foliar (Fig. 1). Outro tipo de sintoma que vem sendo observado em plantas de rúcula é a podridão mole da parte aérea, ocorrendo tanto em condições de campo quanto em pós-colheita, inviabilizando a sua comercialização (Fig. 2). Nestes dois tipos de sintomas verificou-se a associação com bactérias. No Brasil, estão assinaladas em diversas crucíferas a ocorrência de Xanthomonas campeslris pv. campestris, agente causal da podridão negra; de Pseudomonas syringae pv. maculicola e P cichorii, responsáveis por manchas em folhas; e de bactérias pectinolíticas do gênero Erwinia (RODRIGUES NETO & MALAVOLTA JR., 1995; MALAVOLTA JR. el al., 1998). Entretanto, em rúcula, o único registro de doença bacteriana é o de HENZ el al. (1987) que assinalaram a ocorrência de Xanthomonas campestris pv. campestris, não existindo nenhum outro relato a nível mundial (BRADBURY, 1986). Vi-sando caracterizai u(.;1 patógeno(s) envolvido(s) no " 11 <J-:'rn <:intomatológico que vêm ocorrendo na região de Campinas, foi realizado o presente trabalho.

MATERIAL E MÉTODOS

Os isolamentos, utilizando pequenas porções de tecidos foliares apresentando manchas 011 podridão mole, foram realizados separadamente em meio nutriente agar e B de King. As colônias bacterianas predominantes, a partir de cada tipo de lesão, foram selecionadas, purificadas e caracterizadas através de testes bioquímicos, culturais e fisibl6gicos, relacionados por LELLIOTT & STEAD -(1987) ou por DICKEY (1979). Os testes de patogenicidade foram realizados em casa-de vegetação, através da inoculação por aspersão de suspensão bacteriana com concentração aproximada de 108 UFC/mL, em folhas sadias de rúcula. Após a inoculação, as plantas foram mantidas em condições de câmara úmida por 72 horas. As plantas testemunhas foram inoculadas com água destilada esterilizada.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os isolamentos realizados mostraram, após 24-72 horas, predominância de colônias convexas, de coloração creme, sendo que algumas delas apresentavam fluorescência sob luz ultra-violeta em meio BK. Os resultados dos testes empregados para a caracterização permitiram identificar as bactérias fluorescentes isoladas das lesões foliares como Pseudomonas syringae, grupo IA de LELLIOTT et al. (1966), com resultados LOPAT + (Tabela 1). As bactérias não fluorescentes, encontradas nos isolamentos efetuados a partir de materiais apresentando sintomas de podridão mole, foram caracterizadas como Erwinia carotovora subsp. carotovora, estando os resultados apresentados na Tabela 2. Foi observada freqüentemente a ocorrência simultânea desses dois patógenos na mesma planta, agravando o quadro sintomatológico. Testes de patogenicidade empregandoisoladamente essas duas bactérias reproduziram os respectivos sintomas observados, sendo que as testemunhas permaneceram sadias. A bactéria caracterizada como P. syringae apresenta diferenças bioquímicas e de sintomatologia quando comparada a P. syringae pv. maculicola, já relacionada em brócolos e couve-flor no Brasil. Estudos para a determinação do patovar de P. syringae afetando a rúcula estão em andamento.

CONCLUSÕES

De acordo com a literatura disponível, não há registros até o momento desses patógenos bacterianos em rúcula, tratando-se portanto do primeiro relato de P. syringae e de Erwinia carotovora subsp. carotovora nessa olerícola.

Fig. 1
Lesões foliares em rúcula causadas por Pseudomonas syringae.

Fig. 2
Sintomas de podridão mole da parte aérea em plantas de rúcula decorrentes de infecção por Erwinia carotovora subsp. carotovora.

Tabela 1
Comparação entre os testes LOPAT de isolados de rúcula e outras bactérias do gênero Pseudomonas fluorescentes e patogên ic as.1
Tabela 2
Caracterização dos isolados de Erwinia obtidos de rúcula, comparados com os dados relativos a Erwinia carotovora subsp. atroseptica, E. e. subsp. carotovora e E. chrysanthemi.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BRADBURY, J.F. Guide to plant pathogenic bacteria. Kew: C.A.B. International, 1986. 332 p.
  • DICKEY, R.S. Erwinia chrysanthemi: a comparative study of phenotypic properties of strains from several hosts and other Erwinia species. Phytopathol., v. 69, n. 4, p. 324-329, 1979.
  • HENZ, G.P.; REIFSCHNEIDER, F.J.B.; BRITO, L.B. Ocorrência de Xanthomonas campestris pv. campestris em mostarda branca (Sinapsis alba) e rúcula (Eruca sativa) no Distrito Federal. Fitopatol. Eras., v.12, n. 2, p. 139, 1987.
  • LELLIOTT, R.A. & STEAD, D.E. Methods for the diagnosis of bacterial diseases of plants. In: LELLIOTT, R.A. & STEAD, D.E. Methods in plant pathology. Oxford: Blackwell Sei. Publ., 1987. v.2. 216p.
  • LELLIOTT, R.A.; BILLING, E.; HAYWARD, A.C. A determinative scheme for the fluorescent plant pathogenic pseudomonads. J. Appl. Bacteriol., V. 29,n. 3,p.470-489, 1966.
  • MALAVOLTA JR., V.A.; ALMEIDA, I.M.G.; MALAVOLTA, V.M.A.; BERIAM, L.O.S. Grave surto de Pseudomonas syringae pv. maculicola no Estado de São Paulo. Biológico, São Paulo, V. 60, n. 1, p. 81-83, 1998.
  • RODRIGUES NETO, J.; MALAVOLTA JR., V.A. Doenças causadas por bactérias em cruciferas. lnf Agropec., v. 17, n. 183, p. 56-59, 1995.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Mar 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1999

Histórico

  • Recebido
    16 Dez 1998
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