CLINICAL AND HEMATOLOGIC PARAMETERS OF CAPRINE REPRODUCERS NATURALLY INFECTED BY CAPRINE ARTHRITIS ENCEPHALITIS VIRUS DURING THE TRANSITION FROM THE DRY TO THE RAINY SEASON IN THE STATE OF CEARÁ, BRAZIL
aib
Arquivos do Instituto Biológico
Arq. Inst. Biol.
0020-3653
1808-1657
Instituto Biológico
ABSTRACT
Caprine arthritis encephalitis (CAE) is a specific infectious disease of caprines. It usually leads to a chronic disease, being characterized by a long incubation period and a slow and progressive clinical evolution. The aim of this work was to evaluate the clinical and hematologic parameters of bucks naturally infected by the CAE virus, as well to verify the influence of the transition from the dry to rainy season in the state of Ceará, Brazil, on these parameters. The work was carried out at the Brazilian Agricultural Research Corporation – Goats in Sobral, state of Ceará. A total of 8 bucks positive for CAE were used, maintained in a semi-intensive raising system and submitted to biweekly clinical exams and complete blood count monthly, from September 2006 to February 2007. The data were expressed as means and analyzed using the software Staview with 5% of probability. A significant increase of the heart rate was observed during the rainy station (90.09 ± 16.21 bpm). An articular clinical index superior to 7, considered as a clinical indication of arthritis, was verified in 3 animals during the experiment, although the climatic season did not influence this parameter. A significant increase was observed in the absolute count of eosinophiles (90.09 ± 16.21 /µL) and monocytes (100.91 ± 21.12 /µL) during the rainy season. We conclude that the climatic season did not alter the physical parameters of the CAEV-infected bucks studied in this experiment in the north of the state of Ceará, Brazil. However, the rainy station provides climatic and environmental conditions that alter the monocyte and eosinophile count of these bucks.
INTRODUÇÃO
A síndrome artrite-encefalite caprina (CAE) é uma enfermidade multissistêmica crônica de caprinos, causada por um retrovírus não-oncogênico (CAEV), caracterizando-se por um longo período de incubação e evolução clínica longa e progressiva. Os animais infectados passam a ser portadores permanentes do vírus. A CAE pode manifestar-se por meio de cinco quadros clínicos principais: poliartrite crônica, mamite, encefalite em animais jovens, pneumonia e emagrecimento crônico (FRANKE, 1998).
O CAEV pertence à família Retroviridae, apresenta em cada vírion duas cópias de RNA de filamento único que se replica pela formação de um ácido desoxirribonucléico (DNA) dependente da transcriptase reversa, o que permite a integração viral ao genoma do hospedeiro. O vírus apresenta tropismo principalmente pelas células do sistema monocíticofagocitário que funcionam como meio de distribuição e replicação viral. ‘‘A replicação restrita’’ permite que o vírus permaneça latente nos monócitos do hospedeiro e não seja detectável pelo sistema imune (PUGH, 2004). A replicação viral geralmente é limitada por determinados fatores, entre os quais destaca-se a restrição da replicação viral mediada por interferon, produzido por linfócitos ativados durante sua interação com os macrófagos infectados. Contudo, é o tropismo do vírus por células do sistema imune, particularmente monócitos e macrófagos, o principal fator responsável pela habilidade dos lentivírus em causar infecções crônicas, que persistem por toda a vida do animal (PINHEIRO, 2001).
Embora geralmente assintomática, a infecção pelo CAEV pode causar patologias multissistêmicas de evolução geralmente crônicas, com agravamento progressivo das lesões, perda de peso e debilidade até a morte (CALLADO et al., 2001). A viremia observada na infecção está associada à disseminação viral realizada célula a célula, sendo a principal fonte de transferência dentro do hospedeiro (PINHEIRO, 2001).
A manifestação da CAE em reprodutores e matrizes de alto valor genético tem acarretado grandes problemas sanitários, pois, além da transmissão horizontal, o vírus pode estar presente no sêmen de animais infectados (WHATHALL, 1995). Assim, as medidas para controlar a doença, como o sacrifício destes animais, representam grande prejuízo econômico e genético, tanto na perda do indivíduo quanto do potencial dos seus descendentes. Entretanto, foi observado que o uso de tecnologias reprodutivas podem ser utilizadas na obtenção de crias livres oriundas de pais portadores do CAEV (PINHEIRO et al., 2005; AL-QUDAH et al., 2006). Entre estas tecnologias, destacam-se a colheita e transferência de embriões de cabras infectadas e a seleção de amostras de sêmen livres do vírus pelanested polymerase chain reaction, visto que ainda não foram desenvolvidos protocolos de tratamento que eliminem o CAEV do sêmen (ANDRIOLI, 2001).
Como o desenvolvimento da CAE tem caráter insidioso, progredindo lentamente por meses ou anos, estes reprodutores poderiam ser preservados para reprodução, desde que previamente fixado o período da eliminação destes do rebanho e seguidos todos os cuidados sanitários para impedir a transmissão horizontal do vírus. Além disso, é importante que os animais estejam em condições clínicas adequadas, não manifestem sinais de sofrimento e que os parâmetros de fertilidade permaneçam normais, considerando também o estresse térmico ao qual estão submetidos no Nordeste do Brasil.
Ademais, a avaliação da viabilidade da manutenção destes animais é dificultada pela escassez de dados acerca de parâmetros clínicos e hematológicos de bodes naturalmente infectados pelo vírus da CAE, bem como a influência da estação do ano sobre estes. Desse modo, o objetivo deste trabalho foi avaliar os parâmetros clínicos e hematológicos de reprodutores infectados naturalmente pelo vírus da CAE, bem como verificar a influência da transição das estações seca e chuvosa no Ceará sobre eles.
MATERIAL E MÉTODOS
Período de execução e dados climáticos
O experimento foi realizado no período de setembro de 2006 a fevereiro de 2007. Neste trabalho, os meses de setembro e outubro de 2006 foram considerados como pertencendo à estação seca, o período de transição foi compreendido pelos meses de novembro e dezembro de 2006 verificado pelo aumento da umidade relativa do ar, proporcionando melhor conforto ambiental aos animais), enquanto a estação chuvosa foi representada pelos meses de janeiro e fevereiro de 2007. Durante o experimento foram observados os dados de precipitação (mm3) (Fig. 1), temperatura média (ºC) (Fig. 2) e umidade relativa do ar (%) (Fig. 3). As médias mensais dos parâmetros climáticos foram obtidas com a unidade meteorológica local da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Caprinos.
Fig. 1
Precipitação média (mm3) durante os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007 no Município de Sobral, CE.
Fig. 2
Temperatura média (ºC) durante os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007 no Município de Sobral, CE.
Fig. 3
Umidade relativa do ar (%) média durante os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007 no Município de Sobral, CE.
Localização e seleção dos animais
O experimento foi conduzido na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Caprinos, localizada no Município de Sobral, na região norte do Estado do Ceará (latitude 3º 45’0,5" sul, longitude 40º 20’45,8" oeste, 111 metros de altitude). Foram selecionados oito reprodutores naturalmente infectados pelo CAEV após comprovação de, no mínimo, dois testes de imunodifusão em gel de ágar (IDGA) positivos com intervalos de 60 dias e um resultado positivo pela nested polymerase chain reaction (Nested-PCR) no sangue. Os animais pertenciam ao rebanho experimental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Caprinos, sendo três reprodutores da raça Saanen e cinco da raça Anglo Nubiana, apresentando idades entre 3 a 4 anos e peso médio de 43,87 kg. Os machos caprinos foram alojados em baias e mantidos em um sistema semi-intensivo de criação, com área de lazer isolada por cerca dupla, recebendo ração balanceada, sal mineral, volumoso no coxo e água ad libitum.
Este trabalho foi oriundo do projeto MP3 N° 032535, o qual está de acordo com os princípios éticos na experimentação animal, adotados pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (COBEA). Durante todo o período experimental, os animais foram avaliados por junta de médicos veterinários, a acomodação e tratamento dispensado aos animais experimentais foram realizados de forma humanitária e, quando necessário, foi estabelecida terapêutica medicamentosa com a finalidade de evitar qualquer tipo de sofrimento.
Avaliação dos parâmetros clínicos
Quinzenalmente, os animais foram submetidos a exame clínico no qual foram verificadas a presença de movimentos ruminais, auscultação pulmonar, coloração das mucosas orais e oculares, e palpados os linfonodos superficiais (PUGH, 2004). Os parâmetros de freqüência cardíaca (bpm) e freqüência respiratória (mpm) foram avaliados com auxílio de estetoscópio, enquanto a temperatura retal (°C) foi aferida com termômetro clínico. Por ocasião do exame clínico, os animais tiveram o peso corporal (kg) mensurado e o escore corporal (0-5) avaliado segundo a metodologia descrita por RIBEIRO (1997). Os animais foram ainda submetidos à avaliação articular constituída pela observação de claudicação e dor e cálculo do índice articular clínico (IAC), segundo PINHEIRO et al. (2005).
Avaliação dos parâmetros hematológicos
O sangue dos animais experimentais foi coletado mensalmente por venipunção da jugular e avaliados os seguintes parâmetros hematológicos: contagem de hemácias em câmaras hematrimétricas (milhões/µL), microhematócrito (%), hemoglobina pelo método da cianometahemoglobina (g/dL), VCM (fL), HCM (pg), CHCM (%), assim como contagem de leucócitos em câmaras hematrimétricas (milhares/µL) e contagem diferencial de leucócitos em esfregaços corados por panótico rápido, os quais foram classificados como metamielócitos (/µL), neutrófilos bastonetes (/µL), neutrófilos segmentados (/µL), eosinófilos (/µL), basófilos (/µL), linfócitos (/µL) e monócitos (/µL) (PUGH, 2004).
Análise estatística
Os dados foram expressos na forma de média e erro padrão e analisados pelo teste tde Student, exceto para o escore corporal e os valores do leucograma nos quais foi utilizado o teste de Kruskal Wallis utilizando o software Staview 5.0 (SAS, 2001). As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas quando P < 0,05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados referentes às condições climáticas durante o experimento estão apresentados nas Figuras 1 a 3. A partir do mês de janeiro foi observado um aumento da precipitação com conseqüente decréscimo na temperatura em fevereiro. A umidade relativa do ar alcançou o valor máximo no mês de fevereiro, quando também foi observado um valor máximo de precipitação, condições que caracterizam o início da estação chuvosa.
Os animais experimentais apresentaram condição corporal média (peso e o escore) estável durante todo o período de avaliação, não diferindo, estatisticamente entre as estações climáticas (Tabela 1), revelando que os animais apresentaram boa adaptação a alimentação oferecida, e adequado planejamento nutricional, não sofrendo influência da estação climática. Neste trabalho, os animais não apresentaram alteração significativa do peso e escore corporal em relação à média do grupo ou individual, contudo revelaram condição corporal abaixo do desejável e metade destes apresentaram algum grau de redução no peso e escore corporal o que poderia ser atribuída tanto à condição clínica de emagrecimento crônico provocada pela CAE (FRANKE, 1998), quanto ao parasitismo gastrintestinal (SILVA, 1996).
Tabela 1
Parâmetros clínicos (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa*.
Parâmetro
Estação seca
Período de transição
Estação chuvosa
Freqüência Cardíaca (bpm)
80,69 ± 4,28ab
81,13 ± 2,52a
90,09 ± 2,87b
Freqüência Respiratória (mpm)
35,45 ± 2,81a
34,06 ± 3,06a
36,81 ± 3,33a
Temperatura Retal (°C)
38,89 ± 0,20a
38,33 ± 0,13b
39,15 ± 0,09a
Índice Articular Clínico (cm)
6,32 ± 0,11a
6,27 ± 0,12a
6,30 ± 0,13a
Peso (kg)
51,66 ± 3,64a
46,86 ± 3,71a
42,91 ± 3,61a
Escore corporal (1-5)
2,54 ± 0,13a
2,69 ± 0,14a
2,31 ± 0,12a
*
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
Os valores de IAC apresentados pelos reprodutores não sofreram influência da estação climática, sendo os animais clinicamente considerados suspeitos de artrite segundo FRANKE (1998). Entretanto, três reprodutores apresentaram IAC igual ou superior a 7 durante o período de avaliação, porém sem apresentar evidentes manifestações de dor ou claudicação. Estes três animais apresentaram ainda alguma outra alteração da condição clínica concomitante ao aumento do IAC em algum momento do período de avaliação, como hipocromia de mucosas. Simultaneamente, um destes apresentou corrimento nasal no período de transição entre as estações, sendo submetido à terapia antibiótica com remissão do sinal clínico, e alteração da ausculta pulmonar (som úmido), sugestiva da presença de pneumonia, na estação chuvosa (CALLADO et al., 2001).
Apenas um reprodutor apresentou alteração estatisticamente significativa do IAC, em que foi observada uma redução significativa do parâmetro aferido na estação chuvosa quando comparado à estação seca (Tabela 2). Durante o experimento outro reprodutor caprino apresentou claudicação de uma das patas, observada no final da estação chuvosa, quando o animal apresentava um IAC de 6,0 cm. Esse mesmo animal apresentou alteração na ausculta pulmonar no mês anterior, sugestivo da presença de pneumonia.
Tabela 2
Índice articular clínico individual (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa*.
No do brinco
Raça
Estação seca
Período de transição
Estação chuvosa
17
Saanen
6,13 ± 0,13a
5,75 ± 0,14ab
5,50 ± 0,00b
45
Anglo Nubiana
6,88 ± 0,38a
6,88 ± 0,13a
7,00 ± 0,20a
283
Anglo Nubiana
5,88 ± 0,13a
5,75 ± 0,14a
6,13 ± 0,13a
296
Saanen
5,50 ± 0,00a
5,38 ± 0,13a
5,50 ± 0,00a
1317
Anglo Nubiana
6,08 ± 0,08a
6,13 ± 0,13a
6,13 ± 0,24a
1318
Anglo Nubiana
6,50 ± 0,46a
7,25 ± 0,14a
7,00 ± 0,29a
1408
Anglo Nubiana
6,88 ± 0,32a
6,75 ± 0,25a
7,00 ± 0,35a
3580
Saanen
6,13 ± 0,13a
6,25 ± 0,14a
6,13 ± 0,13a
*
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
A artrite é um achado comum em animais infectados pelo vírus da CAE, embora entre as principais apresentações clínicas sejam observadas ainda a pneumonia intersticial e a perda de peso progressiva em caprinos adultos (AL-QUDAH et al., 2006; FRANKE, 1998). Outros autores descreveram a pneumonia intersticial como um sinal subclínico habitualmente observado em caprinos infectados em qualquer idade, deste modo a doença respiratória crônica poderia ser o sinal mais freqüente na maioria dos casos (DAWSON; WILESMITH, 1985).
Tabela 3
Parâmetros hematológicos (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa*.
Parâmetro
Estação seca
Período de transição
Estação chuvosa
Hemácias (milhões/µL)
971,80 ± 88,31a
840,88 ± 76,22a
863,44 ± 73,36a
Ht (%)
24,00 ± 1,06a
21,88 ± 1,17a
21,63 ± 1,36a
Hb (g/dL)
7,85 ± 0,33a
6,92 ± 0,33a
7,44 ± 0,38a
VCM (fL)
23,49 ± 0,83a
25,13 ± 1,29a
26,66 ± 1,62a
HCM (pg)
7,65 ± 0,26a
5,41 ± 0,78b
9,28 ± 0,63c
CHCM (%)
32,79 ± 0,66ab
31,78 ± 0,70a
34,94 ± 1,07b
Leucócitos (milhares/mm3)
9363,33 ± 1020,89a
8603,50 ± 1030,32a
10962,50 ± 930,31a
Neutrófilos bastonetes (/µL)
90,47 ± 24,75a
168,75 ± 127,20a
55,53 ± 24,24a
Neutrófilos segmentados (/µL)
5045,77 ± 597,96a
5120,06 ± 770,88a
6437,28 ± 659,34a
Eosinófilos (/µL)
437,60 ± 129,66a
535,75 ± 107,28a
1017,34 ± 173,19b
Basófilos (/µL)
22,50 ± 12,07a
30,75 ± 14,85a
0,0 ± 0,0a
Linfócitos (/µL)
3730,53 ± 467,14a
2709,78 ± 325,51a
3351,44 ± 335,58a
Monócitos (/µL)
36,47 ± 17,44a
38,41 ± 15,76a
100,91 ± 21,12b
*
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
A freqüência cardíaca foi significativamente superior na estação chuvosa em comparação ao período de transição, enquanto a temperatura retal foi significativamente superior no período de transição (Tabela 1). A variação encontrada no parâmetro freqüência cardíaca pode ser oriunda da anemia verificada nos reprodutores infectados pelo CAEV durante o período de execução do experimento. Todavia, os valores de batimentos cardíacos por minuto mantiveram-se dentro da faixa de normalidade da espécie durante todo o experimento (PUGH, 2004) em concordância com as observações de PINHEIRO; ALVES (2000), em experimento conduzido com cabras infectadas pelo CAEV apresentado a forma artrítica da doença.
Ao exame clínico os animais apresentaram movimentos ruminais aparentemente normais a auscultação durante todo o período de avaliação. Do mesmo modo, apresentaram linfonodos normais à palpação, exceto um reprodutor que apresentou discreto aumento unilateral do linfonodo pré-crural somente em um dos exames do período de transição entre as estações.
As mucosas dos reprodutores foram inspecionadas ao exame clínico, sendo observada a presença de mucosas hipocoradas em três reprodutores na estação seca, em seis animais no período de transição e em cinco na estação chuvosa. Na avaliação do sistema respiratório, além do animal que apresentou alteração no período de transição e foi tratado, anteriormente comentado, outros três reprodutores apresentaram sons anormais na ausculta da região pulmonar caracterizado por som úmido, sugestivo da presença de pneumonia, segundo CALLADO et al. (2001). Entre estes quatro animais que apresentaram alteração na ausculta pulmonar, dois apresentaram freqüência respiratória igual ou superior a 50 mpm e os restantes apresentaram os demais parâmetros clínicos normais. Segundo PUGH (2004), na pneumonia progressiva ovina, causada pelo vírus MAEDI-VISNA, os ovinos mantêm o apetite e a temperatura normais embora possam apresentar taquipnéia. Na CAE, os animais podem apresentar tosse crônica profunda produtiva nos estágios iniciais e nos estágios finais, taquipnéia, dispnéia e ruídos pulmonares anormais. O aumento dos linfonodos locais pode contribuir para o aparecimento de estridor, disfagia e timpanismo (PUGH, 2004).
Em relação ao eritrograma, não foi observada influência da estação sobre a contagem de hemácias, hematócrito, hemoglobina e VCM (Tabela 3). Contudo, a contagem de hemácias apresentou-se inferior e o VCM superior ao considerado normal para a espécie caprina durante todo o período de avaliação segundo GARCIA-NAVARRO; PACHALY (1994). Do mesmo modo, no período de transição e na estação seca, o hematócrito esteve abaixo dos valores normais para caprinos, contudo não foi observada influência da estação climática. O HCM variou significativamente em todas as estações climáticas observadas, apresentando valores acima da faixa normal nas estações seca e chuvosa e valores inferiores ao normal para a espécie no período de transição (PUGH, 2004).
A contagem de leucócitos, neutrófilos bastonetes, neutrófilos segmentados e linfócitos apresentaramse dentro da faixa de normalidade para a espécie (JAIN, 1993) e não sofreram influência da estação climática (Tabela 3). Os números de eosinófilos, basófilos e monócitos foram estatisticamente superiores na estação chuvosa. Entretanto, os valores destas células estiveram dentro da faixa de normalidade para caprinos, exceto para os eosinófilos quando os valores aferidos durante a estação seca estiveram elevados em relação ao normal para a espécie (Tabela 3).
Durante o período de avaliação, os animais apresentaram valores no eritrograma abaixo da faixa de normalidade para caprinos, estando de acordo com o achado de mucosas hipocoradas ao exame clínico, sendo indicativo de anemia verificada em reprodutores infectados pelo CAEV (CRAWFORD; ADAMS, 1981; PINHEIRO; ALVES, 2000), associado ao parasitismo gastrintestinal, contudo só foram observados indícios de parasitismo, elevada contagem de ovos de parasitos por grama de fezes (OPG), bem como valores na contagem de eosinófilos superiores a faixa de normalidade na estação chuvosa.
Em relação ao aumento do HCM, a presença de reticulócitos (eritrócitos imaturos) no sangue periférico sugere a tentativa de reposição de hemácias durante um curto espaço de tempo, assim como a elevação do CHCM pode ser devida à perda de hemácias associada a anemia (GARCIA-NAVARRO; PACHALY, 1994).
Durante o processo inflamatório, os monócitos migram para o sítio problema juntamente com os linfócitos, atuando como macrófagos, a fim de fagocitar partículas como microrganismos, células necrosadas e neutrófilos mortos pela ação de suas próprias enzimas ou pelo CAEV. Durante todo o experimento não foi verificada monocitose, muito provavelmente pela migração constante destes para os focos de infecção da CAE. Porém, existe descrição de monocitose associada a doenças de natureza crônica e de longa duração, como por exemplo CAE, tuberculose e brucelose (GARCIA-NAVARRO; PACHALY, 1994).
Geralmente, os eosinófilos estão ausentes na fase aguda da doença, reaparecendo com a evolução do processo. A eosinofilia verificada durante a estação chuvosa pode-se dever ao reaparecimento destas células no término da fase aguda da inflamação, ou ainda devido a infecções parasitárias, principalmente naquelas em que há lesão tecidual, como nas parasitoses intestinais que foram verificadas com maior intensidade na estação chuvosa (GARCIA-NAVARRO; PACHALY, 1994).
CONCLUSÕES
A estação climática não altera os parâmetros físicos de reprodutores caprinos infectados pelo CAEV explorados na região norte do Estado do Ceará. Todavia, a estação chuvosa propicia condições climáticas e ambientais que alteram a contagem de monócitos e eosinófilos desses reprodutores.
Machos caprinos de alto valor zootécnico e econômico, infectados naturalmente pelo CAEV, podem apresentar condições clínicas condizentes com um possível aproveitamento para a reprodução, contudo necessitam de constante observação e atenção veterinária, para pronto atendimento e utilização de medicação de suporte, a fim de evitar o desenvolvimento de restrições clínicas decorrentes da enfermidade.
AGRADECIMENTOS
À Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FUNCAP e ao Banco do Nordeste - BNB pelo apoio financeiro; e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Caprinos pela estrutura e apoio técnico.
REFERÊNCIAS
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Medidas carpo-metacarpianas como índice articular clínico em caprinos
Revista Brasileira de Medicina Veterinária
27
4
170
173
2005
PUGH, D.G. Clínica de ovinos e caprinos. São Paulo: Roca, 2004. 513p.
PUGH
D.G
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2004
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RIBEIRO, S.D.A. Caprinocultura: criação racional de caprinos. São Paulo: Nobel, 1997. 318p.
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S.D.A
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Nobel
1997
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SAS. SAS user’s guide statistic. SAS Inst., Inc., Cary, NC., 2001.
SAS
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SAS Inst
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Cary, NC
2001
SILVA, R.R. Sistema agroindustrial da caprinocultura leiteira no Brasil. 1996. 38f. Trabalho de Graduação (Monografia, Especialização em Agribusiness) Universidade Federal da Paraiba, Campina Grande, 1996.
SILVA
R.R
Sistema agroindustrial da caprinocultura leiteira no Brasil
1996
38f
Trabalho de Graduação (Monografia, Especialização em Agribusiness)
Universidade Federal da Paraiba
Campina Grande
1996
WHATHALL, A.E. Embryo transfer and disease transmission in livestock a review of recent research. Theriogenology, v.43, p.81-88, 1995.
WHATHALL
A.E
Embryo transfer and disease transmission in livestock a review of recent research
Theriogenology
43
81
88
1995
Authorship
N.R.O. Paula E-mail: neyromulo@hotmail.com
Universidade Estadual do Ceará, Laboratório de Virologia, Av. Paranjana,1700, Campus do Itaperi, CEP 60740-000, Fortaleza, CE, Brasil.Universidade Estadual do CearáBrasilFortaleza, CE, BrasilUniversidade Estadual do Ceará, Laboratório de Virologia, Av. Paranjana,1700, Campus do Itaperi, CEP 60740-000, Fortaleza, CE, Brasil.
*
Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, PPGCV, UECE.
Universidade Estadual do Ceará, Laboratório de Virologia, Av. Paranjana,1700, Campus do Itaperi, CEP 60740-000, Fortaleza, CE, Brasil.Universidade Estadual do CearáBrasilFortaleza, CE, BrasilUniversidade Estadual do Ceará, Laboratório de Virologia, Av. Paranjana,1700, Campus do Itaperi, CEP 60740-000, Fortaleza, CE, Brasil.
Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, PPGCV, UECE.
**
Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia – RENORBIO.
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Universidade Estadual do Ceará, Laboratório de Virologia, Av. Paranjana,1700, Campus do Itaperi, CEP 60740-000, Fortaleza, CE, Brasil.Universidade Estadual do CearáBrasilFortaleza, CE, BrasilUniversidade Estadual do Ceará, Laboratório de Virologia, Av. Paranjana,1700, Campus do Itaperi, CEP 60740-000, Fortaleza, CE, Brasil.
Tabela 1
Parâmetros clínicos (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa**
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
.
Tabela 2
Índice articular clínico individual (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa**
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
.
Tabela 3
Parâmetros hematológicos (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa**
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
.
imageFig. 1
Precipitação média (mm3) durante os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007 no Município de Sobral, CE.
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imageFig. 2
Temperatura média (ºC) durante os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007 no Município de Sobral, CE.
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imageFig. 3
Umidade relativa do ar (%) média durante os meses de setembro de 2006 a fevereiro de 2007 no Município de Sobral, CE.
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table_chartTabela 1
Parâmetros clínicos (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa**
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
.
Parâmetro
Estação seca
Período de transição
Estação chuvosa
Freqüência Cardíaca (bpm)
80,69 ± 4,28ab
81,13 ± 2,52a
90,09 ± 2,87b
Freqüência Respiratória (mpm)
35,45 ± 2,81a
34,06 ± 3,06a
36,81 ± 3,33a
Temperatura Retal (°C)
38,89 ± 0,20a
38,33 ± 0,13b
39,15 ± 0,09a
Índice Articular Clínico (cm)
6,32 ± 0,11a
6,27 ± 0,12a
6,30 ± 0,13a
Peso (kg)
51,66 ± 3,64a
46,86 ± 3,71a
42,91 ± 3,61a
Escore corporal (1-5)
2,54 ± 0,13a
2,69 ± 0,14a
2,31 ± 0,12a
table_chartTabela 2
Índice articular clínico individual (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa**
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
.
No do brinco
Raça
Estação seca
Período de transição
Estação chuvosa
17
Saanen
6,13 ± 0,13a
5,75 ± 0,14ab
5,50 ± 0,00b
45
Anglo Nubiana
6,88 ± 0,38a
6,88 ± 0,13a
7,00 ± 0,20a
283
Anglo Nubiana
5,88 ± 0,13a
5,75 ± 0,14a
6,13 ± 0,13a
296
Saanen
5,50 ± 0,00a
5,38 ± 0,13a
5,50 ± 0,00a
1317
Anglo Nubiana
6,08 ± 0,08a
6,13 ± 0,13a
6,13 ± 0,24a
1318
Anglo Nubiana
6,50 ± 0,46a
7,25 ± 0,14a
7,00 ± 0,29a
1408
Anglo Nubiana
6,88 ± 0,32a
6,75 ± 0,25a
7,00 ± 0,35a
3580
Saanen
6,13 ± 0,13a
6,25 ± 0,14a
6,13 ± 0,13a
table_chartTabela 3
Parâmetros hematológicos (média ± ep) de bodes naturalmente infectados pelo vírus da artrite encefalite caprina durante a transição da estação seca para a chuvosa**
Letras diferentes na mesma linha diferem significativamente (P < 0,05).
.
Parâmetro
Estação seca
Período de transição
Estação chuvosa
Hemácias (milhões/µL)
971,80 ± 88,31a
840,88 ± 76,22a
863,44 ± 73,36a
Ht (%)
24,00 ± 1,06a
21,88 ± 1,17a
21,63 ± 1,36a
Hb (g/dL)
7,85 ± 0,33a
6,92 ± 0,33a
7,44 ± 0,38a
VCM (fL)
23,49 ± 0,83a
25,13 ± 1,29a
26,66 ± 1,62a
HCM (pg)
7,65 ± 0,26a
5,41 ± 0,78b
9,28 ± 0,63c
CHCM (%)
32,79 ± 0,66ab
31,78 ± 0,70a
34,94 ± 1,07b
Leucócitos (milhares/mm3)
9363,33 ± 1020,89a
8603,50 ± 1030,32a
10962,50 ± 930,31a
Neutrófilos bastonetes (/µL)
90,47 ± 24,75a
168,75 ± 127,20a
55,53 ± 24,24a
Neutrófilos segmentados (/µL)
5045,77 ± 597,96a
5120,06 ± 770,88a
6437,28 ± 659,34a
Eosinófilos (/µL)
437,60 ± 129,66a
535,75 ± 107,28a
1017,34 ± 173,19b
Basófilos (/µL)
22,50 ± 12,07a
30,75 ± 14,85a
0,0 ± 0,0a
Linfócitos (/µL)
3730,53 ± 467,14a
2709,78 ± 325,51a
3351,44 ± 335,58a
Monócitos (/µL)
36,47 ± 17,44a
38,41 ± 15,76a
100,91 ± 21,12b
How to cite
Paula, N.R.O. et al. CLINICAL AND HEMATOLOGIC PARAMETERS OF CAPRINE REPRODUCERS NATURALLY INFECTED BY CAPRINE ARTHRITIS ENCEPHALITIS VIRUS DURING THE TRANSITION FROM THE DRY TO THE RAINY SEASON IN THE STATE OF CEARÁ, BRAZIL. Arquivos do Instituto Biológico [online]. 2008, v. 75, n. 2 [Accessed 3 April 2025], pp. 141-147. Available from: <https://doi.org/10.1590/1808-1657v75p1412008>. Epub 16 July 2021. ISSN 1808-1657. https://doi.org/10.1590/1808-1657v75p1412008.
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São Paulo -
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