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Open-access Alea: Estudos Neolatinos

Publicação de: Programa de Pos-Graduação em Letras Neolatinas, Faculdade de Letras -UFRJ
Área: Lingüística, Letras E Artes
Versão impressa ISSN: 1517-106X
Versão on-line ISSN: 1807-0299
Creative Common - by 4.0

Sumário

Alea: Estudos Neolatinos, Volume: 28, Número: 2, Publicado: 2026

Alea: Estudos Neolatinos, Volume: 28, Número: 2, Publicado: 2026

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Dossiê
Palavras dos editores convidados: Luto e história na cultura brasileira - da redemocratização aos nossos dias Moura, Fadul Canarinos, Ana Karla Cruz, Lua Gill da Tonus, Leonardo
Dossiê
Enlutados ou desmemoriados: crítica literária, democratização e o fim da Nova República Fernandes de Miranda, Gabriel

Resumo em Português:

Resumo O artigo revisita intervenções críticas de Silviano Santiago, Flora Süssekind e Davi Arrigucci Jr. acerca da transição da última ditadura para a redemocratização no Brasil, destacando modos de articulação entre crítica, cultura e luto. A partir desse enquadramento, propomos a hipótese de uma interdição da figuração do trauma ditatorial na literatura da década de 1970, em favor de uma política cultural desmemoriada, conforme caracterizada por Santiago. Por fim, busca-se ler o romanceAgora agora, de Carlos Eduardo Pereira, como elaboração de um luto do bloco institucional e cultural erigido a partir dos anos 1980 e como contraponto ao otimismo que acompanhou a abertura política.

Resumo em Espanhol:

Resumen El artículo revisita intervenciones críticas de Silviano Santiago, Flora Süssekind y Davi Arrigucci Jr. acerca de la transición entre la última dictadura y la redemocratización en Brasil, destacando modos de articulación entre crítica, cultura y duelo. Desde este marco, proponemos la hipótesis de una interdicción de la figuración del trauma dictatorial en la literatura de la década de 1970, en favor de una política cultural desmemoriada, tal como la caracteriza Santiago. Finalmente, se busca leer la novela Agora agora, de Carlos Eduardo Pereira, como elaboración de un duelo del bloque institucional y cultural erigido a partir de los años 1980 y como contrapunto al optimismo que acompañó la apertura política.

Resumo em Inglês:

Abstract This article revisits some critical interventions by Silviano Santiago, Flora Sussekind and Davi Arrigucci Jr. regarding the transition from Brazil’s last dictatorship to its democratization, highlighting the modes of articulation between criticism, culture and mourning. Through this framework, we propose the hypothesis of an interdiction on the figuration of trauma from the dictatorship in the 1970s literature in favor of forgetful cultural politics, as characterized by Silviano Santiago. Finally, the article seeks to read the novel Agora agora, by Carlos Eduardo Pereira, as an elaboration of mourning for the institutional and cultural block established from the 1980s onward, and as a counterpoint to the optimism that accompanied the political opening.
Dossiê
Formas da vida interrompida: a conformação do luto em Glosa e Aos meus amigos Mariano, Fábio Roberto

Resumo em Português:

Resumo Partindo do enlace entre luto e alegoria proposto por Avelar (1999), este artigo propõe uma leitura comparativa dos romances, Glosa, de Juan José Saer (1985), e Aos meus amigos, de Maria Adelaide Amaral (1992). Em ambos, a ideia de uma vida individual interrompida enseja a investigação de uma temporalidade que também teria sido quebrada. A partir disso, pensa-se uma espécie de luto em múltiplos vetores, conectados pela dimensão alegórica: o que se perde não é apenas uma pessoa, mas a possibilidade de se localizar no mundo compartilhado por ela e pelos enlutados. Tal comparação requer, por um lado, a compreensão do processo amplo de integração da América Latina aos mercados internacionais; e, por outro, atenção às especificidades de Brasil e Argentina. Partindo dessa premissa, a hipótese de leitura apresentada é a de que ambos os romances buscam uma forma à altura desse luto complexo, permitindo que ele seja de fato processado.

Resumo em Espanhol:

Resumen Desde el enlace entre duelo y alegoría propuesto por Avelar (1999), este artículo propone una lectura comparativa de las novelas, Glosa, de Juan José Saer (1985), y Aos Meus Amigos, de Maria Adelaide Amaral (1992). En ambas, la idea de una vida individual interrumpida da lugar a la investigación de una temporalidad también rota. Habría pues una especie de duelo en múltiples vectores, conectados por la dimensión alegórica: lo que se pierde no es solo una persona, pero la posibilidad de ubicarse en el mundo compartido por ella y los dolientes. La comparación requiere tanto el entendimiento del proceso amplo de integración de Latinoamérica a los mercados internacionales como atención a las especificidades de Brasil e Argentina. La hipótesis de lectura presentada es la de que ambas novelas buscan darle una forma digna a ese duelo complejo, permitiendo que sea de hecho procesado.

Resumo em Inglês:

Abstract Avelar (1999) proposes a link between mourning and allegory. Taking this as a starting point, this article presents a comparative reading of Juan José Saer’s Glosa (1985) and Maria Adelaide Amaral’s Aos Meus Amigos (1992). In both novels, the idea of an individual’s interrupted life lends itself to speculations over the fracturing of a specific temporality. Mourning must thus be understood in multiple vectors, bound to the allegorical dimension: what is lost is not only a person, but the possibility of placing oneself in the world they shared with the grieving. Such a comparison demands both an understanding of the broad process of integration of Latin America to world markets and attention to the specificities of Brazil and Argentina. Building on this premise, the argument proposed is that both novels attempt to find a form that matches the complexity of such mourning, allowing it to be in fact processed.
Dossiê
Fantasmagoria e neoliberalismo no romance Onde andará Dulce Veiga?: um romance B, de Caio Fernando Abreu Rocha, Aline

Resumo em Português:

Resumo Este trabalho propõe uma leitura de Onde andará Dulce Veiga? (1990), de Caio Fernando Abreu. Considerando que o período de publicação corresponde ao da pós-redemocratização, marcado pela consolidação de políticas neoliberais que impactaram o cenário econômico e cultural, as análises pontuam como o romance constrói uma cartografia afetiva e política da experiência urbana no Brasil do final do século XX, quando a promessa democrática convive com a intensificação da desigualdade e da instabilidade laboral. Articulando fantasmagoria, precariedade e desejo, e tendo em vista reflexões de Cámara (2017), Derrida (1994) e Moraña (2017), Dulce Veiga é pensada enquanto figura espectral, cujo desaparecimento mobiliza temporalidades e processos de elaboração do luto. A investigação do paradeiro da cantora transforma-se em percurso subjetivo do narrador, no qual se sobrepõem perdas íntimas e coletivas. Ao final, o canto afirma a literatura como espaço de convivência com os fantasmas, onde criação e sobrevivência permanecem indissociáveis.

Resumo em Espanhol:

Resumen Este trabajo propone una lectura de Onde andará Dulce Veiga? (1990), de Caio Fernando Abreu. Considerando que el período de publicación corresponde al de la posredemocratización, marcado por la consolidación de políticas neoliberales que impactaron el escenario económico y cultural, los análisis señalan cómo la novela construye una cartografía afectiva y política de la experiencia urbana en el Brasil de finales del siglo XX, cuando la promesa democrática convive con la intensificación de la desigualdad y de la inestabilidad laboral. Articulando fantasmagoría, precariedad y deseo, y tomando en cuenta las reflexiones de Cámara (2017), Derrida (1994) y Moraña (2017), Dulce Veiga es concebida como una figura espectral cuyo desaparecimiento moviliza temporalidades y procesos de elaboración del duelo. La investigación sobre el paradero de la cantante se convierte en un recorrido subjetivo del narrador, en el cual se superponen pérdidas íntimas y colectivas. Al final, el canto afirma la literatura como un espacio de convivencia con los fantasmas, donde creación y supervivencia permanecen indisolubles.

Resumo em Inglês:

Abstract This paper proposes a reading of Onde andará Dulce Veiga? (1990) by Caio Fernando Abreu. Considering that the period of its publication corresponds to Brazil’s post-redemocratization era, marked by the consolidation of the neoliberal policies that reshaped the economic and cultural landscape, the analysis highlights how the novel constructs an affective and political cartography of urban experience in late twentieth-century Brazil, in which the democratic promise coexists with the intensification of inequality and labor instability. Bringing together phantasmagoria, precarity, and desire, as well as drawing on reflections by Cámara (2017), Derrida (1994), and Moraña (2017), Dulce Veiga is examined as a spectral figure whose disappearance mobilizes temporalities and processes of mourning. The investigation into the singer’s whereabouts becomes a subjective journey for the narrator, where intimate and collective losses overlap. In the end, song affirms literature as a space for coexisting with ghosts, where creation and survival remain inseparable.
Dossiê
“Imagem justa”: écfrase e compartilhamento do luto por desaparecidos da ditadura militar em romances brasileiros do século XXI Lemos, Marcela

Resumo em Português:

Resumo Este artigo investiga a utilização da écfrase como estratégia para introdução de fotografias de desaparecidos em O amor, esse obstáculo, de Micheliny Verunschk (2018), O corpo interminável, de Claudia Lage (2019), e Sobre o que não falamos, de Ana Cristina Braga Martes (2023), romances que compõem a literatura de memória da ditadura militar brasileira no século XXI. Partindo das fotografias ecfrásticas que Barthes (1984) inclui em A câmara clara, bem como das discussões de Derrida (2003), Cury (2021) e Vecchi (2021) sobre o luto pelo desaparecido e de Benjamin (1987) e Seligmann-Silva (2009) sobre a desaparição da/na fotografia, argumento que aquilo que chamo de fotografia ecfrástica traz ao público, seja ele o leitor, seja a esfera pública e política, uma “imagem justa”, nos termos de Barthes, da experiência do luto pelo desaparecido político. Sugiro, finalmente, que, através dessas imagens, os romances colocam a coletividade como participante e herdeira do luto infinito pelo desaparecido.

Resumo em Espanhol:

Resumen Este artículo investiga el uso de la écfrasis para introducción de fotografías de desaparecidos en O amor, esse obstáculo, de Micheliny Verunschk (2018), O corpo interminável, de Claudia Lage (2019), y Sobre o que não falamos, de Ana Cristina Braga Martes (2023), que componen la literatura de memoria de la dictadura militar brasileña, siglo XXI. Partiendo de las fotografías ecfrásticas que Barthes (1984) incluye en La cámara lúcida, así como de las discusiones de Derrida (2003), Cury (2021) y Vecchi (2021) sobre el duelo por los desaparecidos, y de Benjamin (1987) y Seligmann-Silva (2009) sobre la desaparición de/en la fotografía, sostengo que lo que propongo llamar la fotografía ecfrástica ofrece al público, ya sea el lector o la esfera pública y política, una “imagen justa,” en términos de Barthes, de la experiencia del duelo por los desaparecidos políticos. Finalmente, sugiero que, a través de estas imágenes, las novelas posicionan al colectivo como participante y heredero del duelo interminable por los desaparecidos.

Resumo em Inglês:

Abstract This article investigates the use of ekphrasis as a strategy for introducing the photographs of the disappeared in Micheliny Verunschk’s O amor, esse obstáculo (2018), Claudia Lage’s O corpo interminável (2019), and Ana Cristina Braga Martes’s Sobre o que não falamos (2023), novels included in the 21st-century literary memory of the Brazilian military dictatorship. Departing from the ekphrastic photographs included by Barthes (1984) in Camera Lucida, as well as from discussions by Derrida (2003), Cury (2021), and Vecchi (2021) on mourning the disappeared, and by Benjamin (1987) and Seligmann-Silva (2009) on the disappearance of/in photography, I argue that what I am calling ekphrastic photography brings to the public - be it the reader or the public and political sphere - a “just image,” in Barthes’s terms, of mourning for the politically disappeared. Finally, I suggest that through these images the novels position the collective as a participant in and heir to the endless mourning for the disappeared.
Dossiê
A água como arquivo do luto: maternidade, nação e contratemporalidade em A água é uma máquina do tempo, de Aline Motta Baliana, Francielly

Resumo em Português:

Resumo Este artigo analisa A água é uma máquina do tempo (2022), de Aline Motta, como um livro-montagem que converte arquivo, fotografia e escrita em um dispositivo estético de reinscrição histórica. Partindo da hipótese de que na obra o luto funciona como método de acesso ao arquivo e às suas lacunas, investiga-se o modo como a narrativa produz uma contratemporalidade que desmonta as linearidades de uma genealogia nacional e evidencia violências que estruturam pertencimentos, filiações e apagamentos. Em diálogo com Achille Mbembe, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, o texto compreende o arquivo como campo de disputa, e a maternidade aparece, então, como um operador crítico para pensar a nação e suas formas de interromper vidas. Mobilizando ainda Saidiya Hartman e Leda Maria Martins, o artigo lê a obra como contra-arquivo que reabre, por imagens e palavras, aquilo que a história oficial brasileira tende a silenciar.

Resumo em Espanhol:

Resumen Este artículo analiza A água é uma máquina do tempo (2022), de Aline Motta, como un libro-montaje que convierte archivo, fotografía y escritura en un dispositivo estético de reinscripción histórica. Partiendo de la hipótesis de que, en la obra, el luto funciona como método de acceso al archivo y a sus brechas, se investiga cómo la narrativa produce una contratemporalidad que desarma las linealidades de la genealogía nacional y evidencia las violencias que estructuran pertenencias, filiaciones y borramientos. En diálogo con Achille Mbembe, Lélia Gonzalez y Sueli Carneiro, el texto comprende el archivo como un campo de disputa, y la maternidad aparece entonces como operador crítico para pensar la nación y sus modos de interrumpir vidas. Movilizando también a Saidiya Hartman y Leda Maria Martins, el artículo lee la obra como un contraarchivo que reabre, por medio de imágenes y palabras, aquello que la historia oficial brasileña tiende a silenciar.

Resumo em Inglês:

Abstract This article analyzes A água é uma máquina do tempo (2022), by Aline Motta, as a montage-book that turns archive, photography, and writing into an aesthetic device for historical reinscription. Starting from the hypothesis that, in the work, mourning functions as a method of accessing the archive and its lacunas, the article investigates how the narration produces a counter-temporality that dismantles the linearities of national genealogy and reveals the manyfold violence that structures belonging, filiations, and erasures. In dialogue with Achille Mbembe, Lélia Gonzalez, and Sueli Carneiro, the text understands the archive as a field of dispute, and maternity then emerges as a critical operator for thinking the nation and its ways of interrupting lives. Also drawing on Saidiya Hartman and Leda Maria Martins, the article reads the literary work as a counter-archive that reopens, through images and words, what official Brazilian history tends to silence.
Dossiê
Antes do passado: entre a vontade genocidária e o poder do reliquat Silva, Luís Henrique de Almeida Pereira da

Resumo em Português:

Resumo O presente artigo propõe, através da leitura e da análise da narrativa de memória Antes do passado: o silêncio que vem do Araguaia (2012), de Liniane Haag Brum, uma reflexão sobre a possibilidade do luto da família Brum em relação à desaparição forçada de Cilon Cunha Brum, guerrilheiro do Araguaia, pela via da literatura, uma vez que a obra é constituída pela hibridez composicional (Seligmann-Silva, 2009) na condição de produção testemunhal. No entanto, para além da literatura, há uma interdição do luto na questão do massacre da Guerrilha do Araguaia por ser circunscrito pela “vontade genocidária” (Nichanian, 2012), que impede a historicização do evento (Vecchi, 2014), havendo então uma tensão entre a possibilidade e a impossibilidade de atravessar esse sangrento episódio da recente história nacional.

Resumo em Francês:

Resumé Le présent article propose, à travers la lecture et l’analyse du récit de mémoire Antes do passado - o silêncio que vem do Araguaia (2012), de Liniane Haag Brum, une réflexion sur la possibilité du deuil pour la famille Brum face à la disparition forcée de Cilon Cunha Brum - guérillero de l'Araguaia - par le biais de la littérature, puisque l’œuvre est constituée par une hybridité compositionnelle (Seligmann-Silva, 2009) en sa qualité de production testimoniale. Cependant, au-delà de la littérature, il existe une interdiction du deuil concernant le massacre de la Guérilla de l’Araguaia, car celui-ci est circonscrit par la «volonté génocidaire » (Nichanian, 2012) qui empêche l'historicisation de l’événement (Vecchi, 2014), créant ainsi une tension entre la possibilité et l'impossibilité de traverser cet épisode sanglant de l'histoire nationale récente.

Resumo em Inglês:

Abstract This article proposes, through the reading and analysis of the memoir Antes do passado - o silêncio que vem do Araguaia (2012) by Liniane Haag Brum, a reflection on the possibility of the Brum family’s mourning process regarding the forced disappearance of Cilon Cunha Brum - an Araguaia guerrilla fighter - by means of literature, since her work is constituted by a compositional hybridity (Seligmann-Silva, 2009) in its status as testimonial production. However, beyond literature, there is an interdiction of mourning concerning the Araguaia Guerrilla massacre, as it is circumscribed by a “genocidal will” (Nichanian, 2012) that prevents the historicization of the event (Vecchi, 2014), resulting in a tension between the possibility and the impossibility of coping with this bloody episode of recent national history.
Dossiê
Trabalho de luto/trabalho de memória: a instância do estrangeiro Najarro Guzmán, Christy Beatriz

Resumo em Português:

Resumo A memória é a costura de elementos coletivos e individuais, cuja articulação compõe uma linearidade histórica, que constrói os alicerces daquilo que considerávamos obsoleto, mas que mais uma vez volta a nos assombrar no umbral da segunda década do século XXI, a saber, a identidade nacional. Levando isso em consideração, percebemos que o romance Azul corvo (2010) de Adriana Lisboa, nos transporta a um universo em que essa identidade se vê questionada a partir da experiência de morte, desafiando não apenas a identidade nacional, mas também um certo direito de hospitalidade.

Resumo em Espanhol:

Resumen La memoria es la unión de elementos colectivos e individuales, cuya articulación compone una linealidad histórica que cimienta lo que considerábamos obsoleto, pero que nos acecha de nuevo en el umbral de la segunda década del siglo XXI: la identidad nacional. Teniendo esto en cuenta, nos damos cuenta de que la novela Azul corvo (2010) de Adriana Lisboa nos transporta a un universo donde esta identidad se cuestiona a través de la experiencia de la muerte, cuestionando no solo la identidad nacional, sino también cierto derecho a la hospitalidad.

Resumo em Inglês:

Abstract Memory is the stitching together of collective and individual elements, whose articulation composes a historical linearity that builds the foundations of what we considered obsolete, but which once again haunts us on the threshold of the second decade of the 21st century, namely, national identity. Taking this into account, we perceive that Adriana Lisboa’s novel Azul-Corvo (2010) takes us to a universe where this identity is questioned through the experience of death, challenging not only national identity, but also a certain right to hospitality.
Dossiê
Lutos interditados e violência política na literatura brasileira contemporânea: a escrita como trabalho de rastros e ruínas Fonseca, Ester Cordeiro da Cavalheiro, Juciane dos Santos

Resumo em Português:

Resumo Este artigo discute o modo como a literatura brasileira enfrenta lutos que, mesmo após a redemocratização, permaneceram sem reconhecimento e sem elaboração coletiva. A leitura de “A noite da espera” e “Pontos de fuga”, de Milton Hatoum (2017, 2019), sustenta que o luto não é apenas tema, mas princípio formal: a escrita organiza-se como arquivo precário de rastros e ruínas e faz do silêncio, da espera e do retorno fantasmático modos de narrar uma experiência histórica que insiste no presente. As epígrafes, pensadas como mediações de leitura, abrem a narrativa para uma rede de vozes e tradições (Outeirinho, 1991; Moretti, 2000) e reforçam a dimensão dialógica do romance (Bakhtin, 2011, 2015, 2017). Em diálogo com Freud (2011), Ginzburg (2010, 2012), Gagnebin (2009) e Agamben (2007), entre outros, argumenta-se que a ausência materna de Martim figura uma perda íntima que se expande para lutos coletivos da ditadura, elaborando-se uma escrita resistente à desmemória.

Resumo em Espanhol:

Resumen Este artículo discute cómo la literatura brasileña enfrenta duelos que, incluso después de la redemocratización, han permanecido hasta hoy sin reconocimiento ni elaboración colectiva. La lectura de A noite da espera y Pontos de fuga, de Milton Hatoum (2017, 2019), sostiene que el duelo no es solo un tema, sino un principio formal: la escritura se organiza como un archivo precario de rastros y ruinas, y convierte el silencio, la espera y el retorno fantasmal en modos de narrar una experiencia histórica que insiste en el presente. Los epígrafes, concebidos como mediaciones de lectura, abren la narrativa a una red de voces y tradiciones (Outeirinho, 1991; Moretti, 2000) y refuerzan la dimensión dialógica de la novela (Bakhtin, 2011, 2015, 2017). En diálogo con Freud (2011), Ginzburg (2010, 2012), Gagnebin (2009) y Agamben (2007), entre otros, se argumenta que la ausencia materna de Martim figura una pérdida íntima que se expande hacia duelos colectivos de la dictadura, elaborándose una escritura resistente al olvido de la memoria.

Resumo em Inglês:

Abstract This article discusses how Brazilian literature confronts forms of mourning that, even after the return to democracy, have remained without recognition and collective reckoning to this day. Our reading of Milton Hatoum’s stories “A noite da espera” and “Pontos de fuga” (2017; 2019) argues that mourning is not merely a theme, but a formal principle: The writing is organized as a precarious archive of traces and ruins, and it turns silence, waiting, and ghostly return into ways of narrating a historical experience that persists in the present. The epigraphs, understood as mediations of reading, open the narration onto a network of voices and traditions (Outeirinho, 1991; Moretti, 2000) and reinforce the novel’s dialogic dimension (Bakhtin, 2011; 2015; 2017). In dialogue with Freud (2011), Ginzburg (2010; 2012), Gagnebin (2009), and Agamben (2007), among others, it is argued that the character Martim’s maternal absence portrays an intimate loss that expands into the dictatorship’s collective mourning, shaping a mode of writing that resists cultural amnesia.
Dossiê
A ausência, a ofensa, o luto e o lapso: revisitando K. - Relato de uma busca 15 anos depois, em outro instante de perigo Pereti, Emerson Cardoso, Maria Clara de Sousa

Resumo em Português:

Resumo Este texto se concentra nos expedientes narrativos do romance K. - Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski (2014), por meio de uma revisão crítica movida pelos eventos políticos que se seguiram à sua publicação. Em outro instante de perigo, o passado-presente instaurado pela ditadura voltou a oscilar, trazendo os espectros mais pavorosos do antigo regime autocrático. Nesse contexto, a obra de Kucinski é ressignificada. Em questão está a polissemia que envolve a experiência da falta, em seus sentidos de ausência, lapso e ofensa.

Resumo em Espanhol:

Resumen Este texto se centra en los recursos narrativos de la novela K. - Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski (2014), a través de una revisión crítica motivada por los acontecimientos políticos que siguieron a su publicación. En otro momento de peligro, el pasado-presente instaurado por la dictadura volvió a oscilar, trayendo consigo los espectros más aterradores del antiguo régimen autocrático. En este contexto, la obra de Kucinski adquiere un nuevo significado. Se trata de la polisemia que envuelve la experiencia de la falta, en sus sentidos de ausencia, lapso y ofensa.

Resumo em Inglês:

Abstract This text focuses on the narrative devices used in Bernardo Kucinski’s novel K. - Relato de uma busca (2014), through a critical review prompted by the political events that followed its publication. In another moment of danger, the past-present established by the dictatorship began to waver again, bringing back the most terrifying specters of the old autocratic regime. In this context, Kucinski’s work takes on new meaning. At issue is the polysemy that surrounds the experience of loss in its senses of absence, lapse, and offense.
Dossiê
Morro como um país: a interdição do luto sob o signo da permanência da morte Peruchi, Camila Hespanhol

Resumo em Português:

Resumo Este artigo analisa o monólogo Morro como um país (2013), da Kiwi Companhia de Teatro (hoje Coletivo Comum), como uma intervenção crítica no debate sobre memória, luto e permanência do autoritarismo no Brasil pós-ditadura. Partindo do diagnóstico de que o luto histórico permanece interditado em um contexto no qual a violência de Estado não foi interrompida, o texto sustenta a hipótese de que a peça elabora essa interdição por meio de operações formais específicas, centradas no princípio de montagem. Articulando documentos históricos, testemunhos, música e dispositivos cênicos heterogêneos, a dramaturgia rompe com a linearidade temporal e subverte a forma subjetivizante do monólogo, deslocando-a para o plano do coletivo. O interesse do artigo reside em compreender como essa montagem não apenas tematiza a ditadura, mas faz emergir, no próprio funcionamento estético da obra, a exposição reiterada da não superação do luto, concebida como problema histórico e político ainda ativo no presente.

Resumo em Espanhol:

Resumen Este artículo analiza el monólogo Morro como un país (2013), de la compañía Kiwi, como una intervención crítica en el debate sobre memoria, duelo y persistencia del autoritarismo en el Brasil contemporáneo. Partiendo de la idea de que el duelo histórico permanece bloqueado en un contexto donde la violencia de Estado no ha sido interrumpida, el texto sostiene la hipótesis de que la obra elabora dicha interdicción a través de operaciones formales centradas en el principio de montaje. Mediante la articulación de documentos históricos, testimonios, música y dispositivos escénicos heterogéneos, la dramaturgia rompe con la linealidad temporal y subvierte la forma subjetivizante del monólogo, desplazándola hacia una dimensión colectiva. El interés del artículo reside en demostrar cómo la obra hace emerger, desde su propia configuración estética, la no superación del duelo como un problema histórico y político aún vigente.

Resumo em Inglês:

Abstract This article examines the monologue Morro como um país (2013), by the Kiwi Theatre Company, as a critical intervention in contemporary debates on memory, mourning, and the permanence of authoritarian structures in post-dictatorship Brazil. Departing from the premise that historical mourning remains interdicted in a context where state violence has not been effectively interrupted, the article advances the hypothesis that the play stages this interdiction through specific formal operations centered on the principle of montage. By articulating historical documents, testimonies, music, and heterogeneous theatrical devices, the dramaturgy disrupts linear temporality and subverts the subjectivizing form of the monologue, reorienting it toward a collective horizon. The article’s interest lies in showing how the montage functions not merely as an aesthetic strategy, but as a mode of historical thought, through which the play exposes the repeated lack of closure in mourning as an ongoing political problem.
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Programa de Pos-Graduação em Letras Neolatinas, Faculdade de Letras -UFRJ Av. Horácio Macedo, 2151, Cidade Universitária, CEP 21941-97 - Rio de Janeiro RJ Brasil , - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: alea.ufrj@gmail.com
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