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Dialogando com a obra de István Jancsó: algumas considerações sobre a contribuição desse historiador do Brasil para os debates recentes da historiografia

Establishing a Dialogue with the Work of István Jancsó: some Considerations on the Contribution of this Brazilian Historian to the Recent Debates of Historiography

Resumo

O objetivo do presente artigo é destacar as principais reflexões, contribuições conceituais e metodológicas que marcaram os trabalhos historiográficos de István Jancsó.

Palavras-chave:
Historiografia; István Jancsó; História do Brasil; sedição colonial; formação do Estado-nação; pátrias luso-americanas; Independências; Portugal atlântico

Abstract

My goal with the present article is to highlight the main thoughts, conceptual and methodological contributions that have marked the historiographical works of István Jancsó.

Keywords:
Historiography; István Jancsó; Brazilian history; colonial sedition; Nation-State building; Luso-American homelands; Independences; Atlantic Portuguese Empire

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  • 1
    Produzido em final da década de 1970 (como tese de livre docência), mas modificado e publicado muito tempo depois, este trabalho foi crucial para entendermos o conjunto de reflexões que acompanhou o autor nas suas obras posteriores. Muito do que István Jancsó desenvolveu encontra-se de algum modo anunciado, ainda que de forma embrionária, neste seu magnífico livro. Veja-se Na Bahia contra o Império: História do Ensaio de Sedição de 1798. São Paulo: Hucitec / Salvador: EDUFBA, 1996.
  • 2
    Deixo de lado, aqui, os outros aspectos positivos de sua personalidade e atividade intelectual: o István Jancsó professor, permanente incentivador do trabalho coletivo entre colegas e alunos (o Projeto Temático dos últimos anos é expressão disso), empreendedor e, diria mesmo, "visionário" (referindo-me ao seu gigantesco esforço para trazer a "Biblioteca Mindlin" para a Universidade de São Paulo). Sua generosidade e simplicidade cativantes no trato foram conhecidas de todos que conviveram com ele. Fatos surpreendentes de sua biografia, como a vinda de sua família para o Brasil, os tempos de USP, o exílio, a volta e a militância política, podem ser conhecidos no recente e belo trabalho que reuniu seus depoimentos a Marco Morel, Andréa Slemian e André Nicacio Lima, por eles organizados e publicados sob o título Um Historiador do Brasil: István Jancsó. São Paulo: Hucitec, 2010.
  • 3
    JANCSÓ, István. "A sedução da liberdade: cotidiano e contestação política no final do século XVIII". In: SOUZA, Laura de Mello e (org.). História da Vida Privada no Brasil: Cotidiano e Vida Privada na América Portuguesa. Vol. 01. Coleção dirigida por Fernando A. Novais. São Paulo: Cia das Letras, 1997. p.387-437.
  • 4
    Ibidem, p.390.
  • 5
    Ibidem, p.388.
  • 6
    Ibidem, p.389.
  • 7
    JANCSÓ, István. Na Bahia contra o Império... Op. Cit., p.157-201.
  • 8
    Ibidem, p.204.
  • 9
    Ibidem, p.205.
  • 10
    ISTVÁN, Jancsó. A sedução da liberdade... Op. Cit., p.434.,
  • 11
    Refiro-me às descrições que faz do pensamento e do cotidiano de alguns sediciosos cujas trajetórias estudou minuciosamente, e os quais não se encontravam nem entre os letrados, nem eram parte das elites. Veja-se, em especial, os seus comentários sobre as valiosas anotações deixadas pelo soldado granadeiro Luís Gonzaga das Virgens e Veiga, personagem atípico na sedição da Bahia, de 1798, mas que acabaria sendo trazido para o centro dos acontecimentos. Ibidem, p.394-398.
  • 12
    István lembra que tal expressão genérica - "continente do Brasil" - designava, na época, a realidade espacial da América portuguesa, de contorno político ainda bastante indefinido e em relação a qual o longínquo norte amazônico permanecia estranho.
  • 13
    Este artigo em parceria foi publicado, no ano de 2000, simultaneamente, na Revista de História das Ideias, Coimbra, vol.21, p.389-439 e na coletânea organizada por MOTA, Carlos Guilherme (org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000): formação e histórias. São Paulo: Senac, p.127-176.
  • 14
    JANCSÓ, István. "Independência, independências". In: ___ (org.). Independência: história e historiografia. São Paulo: Hucitec/ FAPESP, 2005. p.17-48.
  • 15
    Os termos entre aspas no parágrafo aparecem todos na sua "Apresentação" à primeira coletânea organizada sobre os temas aqui tratados. Ver: JANCSÓ, István (org.). Brasil: formação do Estado e da nação. São Paulo: Hucitec/Fapesp/E. Unijuí, 2003. p.23 e p.25. Os mesmos termos serão retomados e aprofundados na segunda coletânea, de 2005. Ver Idem. "Independência, independências"... Op. Cit., p.19.
  • 16
    Ibidem, p.26.
  • 17
    JANCSÓ, István. Na Bahia contra o Império... Op. Cit., p.211 e p.212.
  • 18
    JANCSÓ, István. "Brasil e brasileiros: notas sobre modelagem de significados políticos na crise do Antigo Regime português na América". Estudos Avançados, São Paulo, vol.22, p.257-274. A discussão estará mais desenvolvida neste último artigo publicado - veja-se as p.266-267.
  • 19
    JANCSÓ, István. Brasil: formação do Estado... Op. Cit., p.25.
  • 20
    Ibidem, p.26.
  • 21
    JANCSÓ, István. Na Bahia contra o Império... Op. Cit., p.206.
  • 22
    JANCSÓ, István. "Independência, independências"... Op. Cit., p.42.
  • 23
    Há mais referências sobre isso no artigo de István "Brasil e brasileiros..." Op. Cit., p.257-274. Além de suas observações ao longo do artigo "Independência, independências", há que se ressaltar aqui, também, as contribuições de Cecília Helena de Salles Oliveira e Ana Rosa Cloclet da Silva, nessa mesma coletânea. Tratando respectivamente dos casos dos projetos políticos do Rio de Janeiro e das identidades políticas surgidas em Minas, no período, ambas as autoras aportam importantes contribuições à discussão encaminhada por István. Veja-se: OLIVEIRA, Cecilia Helena Salles. 7 de setembro de 1822: a Independência do Brasil. São Paulo: Lazuli e Cia. Editora Nacional, 2005 e SILVA, Ana Rosa Cloclet da. Inventando a nação: intelectuais, ilustrados e estadistas luso-brasileiros na crise do Antigo Regime Português (1750-1822). São Paulo, Hucitec/Fapesp, 2006.
  • 24
    JANCSÓ, István. "Brasil e brasileiros... Op. Cit., p.266.
  • 25
    Logo depois, Carlos Guilherme Mota, em seu Atitudes de inovação no Brasil, 1789-1801, também se ocupará desses paradigmas.
  • 26
    Não seria demais lembrar que desde o texto de István sobre a sedição escrito para a História da Vida Privada no Brasil, há referências claras do seu uso de Kosselleck, cuja obra (Crítica y crisis del mundo burgués. Madrid: Rialp, 1965) é, inclusive, citada na bibliografia do artigo. Especialmente esclarecedora é a curta passagem em que define a sedição como "a revolução desejada, o futuro anunciado, a política do futuro nos interstícios do presente". Ver JANCSÓ, István. "A sedução da liberdade..." Op. Cit., p.389.
  • 27
    Este tema é por ele desenvolvido com maestria. Veja-se Na Bahia contra o Império... Op. Cit., p.205 e "A sedução da liberdade..." Op. Cit., p.427-428.
  • 28
    Ibidem, p.429-430 e p.435.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Dez 2011

Histórico

  • Recebido
    01 Jun 2011
  • Aceito
    30 Jun 2011
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