O Comitê Internacional para a Museologia (ICOFOM/ICOM) e a relação de um coletivo internacional com os fundamentos, a disseminação e a consolidação de uma disciplina1 1 O presente artigo é um resumo de um capítulo da tese de doutorado de Luciana Menezes de Carvalho, Do museu à museologia: constituição e consolidação de uma disciplina, defendida em 2017 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), sob a orientação de Tereza Cristina Moletta Scheiner.

The International Committee for Museology (ICOFOM/ICOM) and the relations of an international collective with the theoretical bases, diffusion, and consolidation of a discipline

LUCIANA MENEZES DE CARVALHO Sobre o autor

RESUMO

O artigo apresenta a importância do Comitê Internacional do Conselho Internacional de Museus (ICOM) para fundamentar, disseminar e consolidar a Museologia como disciplina científica. A investigação tem caráter exploratório e descritivo, com suporte metodológico nas abordagens de pesquisa, revisão bibliográfica e documental, e análise de conteúdo do material pesquisado. A história do Comitê Internacional para a Museologia (ICOFOM) foi dividida em três períodos, demarcados a partir da existência de três publicações importantes pertencentes ao órgão: o Museological Working Papers (MuWoP), que construiu os fundamentos para a Museologia como disciplina científica; o ICOFOM Study Series (ISS), o periódico mais importante do ICOFOM, publicado até hoje, potencializando a amplitude e o alcance das discussões ao redor do globo e disseminando a ideia da Museologia como disciplina relevante aos museus; por fim, o Dictionnaire, resultado de antiga ideia no âmbito do ICOM que visava a criação de um glossário controlado de termos específicos para a Museologia. Essa última obra pode ser considerada como parte do processo de consolidação de uma disciplina que teve início no séculolXX e foi elaborada a partir do protagonismo de um grupo hegemônico no âmbito do Comitê Internacional do ICOM, que reivindicou para si o protagonismo dessa ação.

PALAVRAS-CHAVE:
Museologia; ICOM; ICOFOM; Disciplina científica

ABSTRACT

This paper discusses the importance of the ICOM International Committee for Museology - ICOFOM for founding, disseminating, and consolidating Museology as a scientific discipline. This exploratory and descriptive research was carried out based on a bibliographic and documentary review, and content data analysis. The history of ICOFOM was divided into three periods, based on three of its key publications: the Museological Working Papers (MuWoP) period, which laid down the theoretical bases for Museology as a scientific;discipline; the ICOFOM Study Series (ISS), ICOFOM’s most important journal, published still today, enhancing the breadth and scope of discussions worldwide, and disseminating the idea of Museology as a relevant - discipline to museums; and finally, the Dictionnaire, fruit of an old idea within ICOM of creating a controlled glossary of specific terms for Museology. The latter participated in the consolidation of a discipline first introduced in the twentieth century, based on a hegemonic group within this committee, which claimed for itself the protagonism of such action.

KEYWORDS:
Museology; ICOM; ICOFOM; Scientific discipline

[...] podemos convencer outros de que a Museologia é necessária?”.

Vinos Sofka3 3 “[...] can we also convince others that museology is needed?” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, p. 45, tradução nossa).

INTRODUÇÃO: ENTRE O NOMEAR E O EXISTIR

Para Bourdieu,4 4 Bourdieu (2008, p. 81, 85-87, grifo do autor). é ingenuo pensar que o poder das palavras está contido nelas em si. O poder das palavras, segundo ele, reside em quem as usa: “[...] o poder delegado do porta-voz cujas palavras [...] constituem no máximo um testemunho entre outros da garantia de delegação de que ele está investido”. É imprescindível ter em mente que a linguagem e as palavras são representações simbólicas de construções de realidade. Portanto, “[...] a nomeação contribui para constituir a estrutura desse mundo, de uma maneira tanto mais profunda quanto mais amplamente reconhecida (isto é, autorizada)”.

Ao buscar estabelecer se o surgimento de um termo definiria a existência de algo ao qual o termo se refere, muitas vezes nomeamos, como indivíduos ou sociedades, algo cuja existência precede o termo. Estabelecemos também conceitos para definir essas coisas pré-existentes. Outras vezes, a nomeação precede a existência, ou a nomeação existe, para trazer à existência algo que se deseja criar.

Uma disciplina que se pretende científica requer para si muito mais do que apenas a nomeação. Ela demanda uma série de ações que a legitimem. Portanto, deve-se questionar se a cientificidade ou o status de acadêmica é algo inerente a qualquer disciplina ou se ela necessita preencher requisitos do que viria a ser uma ciência, ou um campo científico, por características a ela atribuída. Ao longo desta investigação, foi considerado e analisado até que ponto mecanismos coletivos de reconhecimento seriam responsáveis por trazer à existência uma dada disciplina.

O termo “campo” é utilizado de modo recorrente nas diferentes áreas científicas e por diferentes atores ou “teóricos”. Nesse uso do termo, distintas ideias do que seja campo confluem e, muitas das vezes, divergem. Porém, é usual utilizar esse termo para nomear qualquer área do conhecimento ou disciplina. Entretanto, neste trabalho, optou-se por uma breve reflexão do conceito de campo elaborado por Pierre Bourdieu, e não pelo uso aleatório dele.

De acordo com Bourdieu,5 5 Bourdieu (1983, 2003, 2012b, p. 67). para investigar e analisar o conceito de campo, ou de um dado campo, não é necessário traçar uma investigação genealógica do conceito, mas recorrer ao pensamento relacional, considerando que nenhum campo é produzido sem qualquer intervenção do mundo social. Levando em conta a existência de diferentes campos, Bourdieu promove um exercício empírico de cunho reflexivo e prático na fronteira entre duas importantes e definidoras características de qualquer campo: a autonomia e os pontos de interseção de “homologias estruturais e funcionais” com os demais campos. Essas homologias existem sob a forma de mecanismos, tensões e disputas por posições, crenças nos produtos e produtores; além de conceitos mais gerais, como capital, investimento, entre outros, que, para cada campo, terão formas específicas. As relações objetivas no âmbito de cada campo, suas regras, seus capitais e as posições de cada sujeito nele são características fundadoras da autonomia. O que está em jogo no campo científico é a obtenção do monopólio da “competência científica” ou do “capital científico”, isto é, a capacidade e o poder de agir de forma autorizada e com autoridade, de forma legitimada e reconhecida pelo conjunto de pares.

Segundo Mairesse e Desvallées,6 6 Desvallées e Mairesse (2011, p. 347). em Handbuch der Archeologie (1830) (Manual de arqueologia), de Karl Otfried Müller, o termo museologia aparece colocado em contraponto à museografia. Segundo eles, a primeira obra que leva a palavra museologia em seu título é atribuída a Georg Rathgeber, em Aufbau der niederländischen Kunstgeschichte und Museologie (1839) (Reconstrução da história da arte e da museologia holandesa). Poucos anos depois, em 1883, o alemão Johann Georg Theodor Graesse publicava Zeitschrift für Museologie und Antiquitätenkunde sowie verwandte Wissenschaften, no qual o termo museologia também aparece no título. Nesse livro, Graesse demarcou uma possível existência da museologia já àquele tempo: “Se alguém tivesse falado ou escrito sobre Museologia como um ramo da ciência há trinta ou vinte anos, a única resposta de muitas pessoas seria um compassivo, desdenhoso sorriso”.7 7 “If somebody had spoken or written about museology as a branch of science thirty or even twenty years ago, the only response from many people would be a compassionate, contemptuous smile” (GRAESSE, 1883 apud VAN MENSCH, 1992, p. 8, tradução nossa).

A distinção entre museografia e museologia foi mantida, em 1924, por Richard Bach no Oxford Dictionary, caracterizando museography como a descrição sistemática dos conteúdos dos museus e museology como a ciência da organização dos museus. No contexto francês, o termo muséologie apareceu em 1914, conectado, primeiramente, aos museus de história natural para, logo em seguida, ser conectado ao ensino voltado a profissionais de museus.8 8 Desvallées e Mairesse (2011, p. 348).

A modernização dos museus e a busca pela profissionalização do trabalho nessas instituições - uma revolução nos museus - levou à criação, em 1889, no Reino Unido, da Museums Association, que iniciou, em 1901, o Museums Journal, a primeira publicação específica para os museus do país. Em 1908, no Museu da Pensilvânia, foi oferecido o primeiro treinamento de profissionais para museus nos Estados Unidos.9 9 Van Mensch, op. cit. Outros países seguiram o exemplo ao criar associações nacionais dedicadas à causa museológica. Como aponta Scheiner,10 10 Scheiner (2007).

uma das experiências mais emblemáticas do período foi a criação, na Escola do Louvre, de um curso de museografia (2º Ciclo), primeiro curso na França com o objetivo de qualificar e formar conservadores para os museus do país. Por este motivo, o ano de 1927 ficou conhecido na França como ‘o ano da Museologia’.

Não deve ser esquecida a experiência da Escola de Museologia - hoje pertencente à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) -, cuja origem foi justamente o Curso de Museus, criado, em 1932, no Museu Histórico Nacional,11 11 Entretanto, desde a criação do Museu Histórico Nacional, em 1922, apontou-se a necessidade de criação de uma formação técnica específica para museus (SOARES; CARVALHO; CRUZ, 2014, p. 242). o primeiro da América Latina a realizar o estudo sistemático das práticas em museus.12 12 Cf. Scheiner (2007).

Segundo Maröevic,13 13 Maröevic (2005, p. 142). a Conferência de Curadores de Museus, em Madri, em 1934, marcou o início do processo de separação entre enfoques museográficos e museológicos para o trabalho em museus. Poderíamos inferir que a criação dos cursos citados e a referida conferência entre pares teria ampliado a “reivindicação” de construção de uma área que pensasse, exclusivamente, questões pertinentes às práticas em museus e às teorias sobre o objeto “museu”. É nesse momento de consolidação de espaços dedicados à difusão do ensino sobre museus que se teria iniciado a constituição de um conhecimento específico, primeiro núcleo formador da museologia como área autônoma. Desvallées e Mairesse14 14 Desvallées e Mairesse (2011, p. 343). endossam que a premissa da museologia como o “estudo de museu”, isto é, voltada aos aspectos teóricos e epistemológicos, foi algo “confirmado” ao longo dos anos 1950.

Segundo Maröevic,15 15 Maröevic (2005). na tese Problems of Modern Museology, de 1950, Jiri Neustupný teria sido o primeiro a discutir a museologia como disciplina acadêmica. Mas Scheiner16 16 Scheiner (2005, p. 179). lembra que, ainda em 1945, Gustavo Barroso já se referia à museologia como estudo acadêmico, considerando-a como “o estudo científico de tudo o que se refere aos museus” e diferenciando museologia de museografia. Por sua vez, foi Stránský quem, baseado no pensamento de Neustupný, formulou, de modo decisivo, a orientação teórico-sintética em museologia.17 17 Cf. Van Mensch, op. cit. Assim, a partir da década de 1950, um grupo de especialistas passa a estudar “de maneira mais sistemática as bases científicas e filosóficas da museologia”, reivindicando à museologia o status de ciência aplicada.18 18 Scheiner (2005, p. 179).

No Seminário Regional da UNESCO sobre a função educativa dos museus, ocorrido no Rio de Janeiro, em 1958, a museologia foi definida como “o ramo do conhecimento ligado ao estudo dos objetivos e organização de museus”, definição adotada, em Copenhague, em 1974, na 11ª Assembleia Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM). Na década de 1960, houve uma tentativa de vincular a museologia às ciências humanas e sociais não como saber específico, mas ligada à história, sociologia, antropologia, educação e, até mesmo, à recém-criada ciência da informação, por exemplo, durante simpósio ocorrido, em 1964, na Alemanha Oriental, que definiu a museologia como ciência da documentação.19 19 Scheiner (2005, p. 179).

Van Mensch20 20 Van Mensch, op. cit. considera como fase “pré-científica” o estágio no qual o termo museologia ainda estaria ligado intimamente ao trabalho em museus. Identifica, ademais, que “a emancipação da museologia como disciplina acadêmica está conectada com o processo de profissionalização do trabalho em museus” - e isso não seria coincidência. Em trabalhos anteriores, destacamos que a museologia se desenvolve e “ganha corpo”21 21 Scheiner (2005, p. 87). a partir de meados da década de 1950, refletindo sobre o museu, algumas vezes apresentado como instituição, outras como fenômeno. Assim como Neustupný, teóricos como Stránský, Gregorová, Klausewitz, Maröevic alinhavam as discussões apresentando a museologia como disciplina científica e não como ciência. Essa ideia seria disseminada, homologada e legitimada pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) e pelo Comitê Internacional do ICOM para a Museologia (ICOFOM).

Assim, para compreensão do ICOFOM, de sua produção e de sua importância para a museologia como disciplina do campo científico, dividimos a história dele em três períodos, demarcados a partir da existência de três publicações importantes pertencentes ao órgão: o período Museological Working Papers (MuWoP), primeira e emblemática publicação, que construiu os fundamentos para a Museologia como disciplina; o ICOFOM Study Series (ISS), o periódico mais importante do ICOFOM, ainda publicado, e que, por sua vez, potencializa a amplitude e o alcance das discussões sobre o tema ao redor do globo, disseminando, assim, a ideia da Museologia como disciplina relevante aos museus; e, por fim, no terceiro período, o Dictionnaire, resultado de uma ideia antiga e internacional no âmbito do ICOM de criação de um glossário controlado de termos específicos para a museologia. Essa obra pode ser considerada como parte do processo de consolidação da Museologia como disciplina, iniciadano século XX. Porém, ela foi elaborada a partir do protagonismo de um grupo hegemônico no âmbito do Comitê, que reivindicará para si o protagonismo dessa ação. Contudo, é necessário conhecer antes a origem do ICOM e do ICOFOM, bem como os objetivos desse último.

O ICOM E UM COMITÊ INTERNACIONAL DEDICADO À MUSEOLOGIA22 22 Sob outra perspectiva, a prof.ª dr.ª Suely Cerávolo (2004, 2005) tem se debruçado sistematicamente sobre a relevância do ICOFOM para a museologia.

Depois do fim da Segunda Guerra, iniciaram-se movimentos internacionais que visavam estabilizar a “ideia de paz”. Como espaços dedicados às memórias de dada coletividade, imaginou-se que os museus poderiam assumir um papel nesse cenário. Para tanto, por meio de iniciativa de Chauncey J. Hamlin e outros diretores de museus, foi criado, no Museu do Louvre, em 12 de novembro de 1946, o Conselho Internacional de Museus, conhecido internacionalmente por sua sigla ICOM.23 23 Where ICOM from (2016).

Vinculado à Unesco desde 1947, o ICOM é um espaço de produção, acumulação e difusão de conhecimento referente ao âmbito dos museus, formando ambiente propício à geração de informações especializadas sobre a área. Com base nos fatos ocorridos no mundo dos museus, é a partir das discussões e publicações realizadas e organizadas pelo Conselho que se constrói um ambiente de produção de conhecimento e de conceitos sobre essas instituições e sobre a museologia.24 24 Cerávolo (2004, p. 12). A reunião inaugural do ICOM focou a atenção numa prioridade especial: o estatuto e a evolução da profissão específica de museus, incluindo sua formação, tema recorrente durante toda a história do Conselho.

Até a década de 1970, os Comitês Internacionais do ICOM eram voltados para o museu em sua forma institucionalizada. Foi nesse momento que

[...] um grupo de profissionais - Jan Jelínek, Wolfgang Klausewitz, Andreas Gröte, Irina Antonova, Vinos Sofka entre outros - percebendo o potencial da Museologia para articular-se como campo do conhecimento, julgaram necessário estabelecer um comitê dedicado essencialmente à Museologia. Um dos primeiros objetivos foi o de identificar o objeto de estudo desta disciplina, considerada por estes especialistas como uma área específica do conhecimento.25 25 Scheiner (2000, p. 2).

Assim, em 1976, Jan Jelínek apresentou ao Comitê Consultivo do ICOM a proposta de criação de um comitê voltado ao estudo da museologia. Nela, Jelínek propôs a criação de um comitê que servisse de “consciência do ICOM”.26 26 Sofka (1995, p. 19). O estabelecimento desse novo comitê internacional, dedicado ao estudo da museologia, o ICOFOM, se deu em 15 de junho de 1976. OComitê Consultivo do ICOM apresentou, no mês seguinte, documento intitulado “O estabelecimento de um novo comitê internacional na Museologia”, no qual dizia que “todo ramo de atividade profissional necessita ser estudado, desenvolvido, e adaptado para as mudanças das condições contemporâneas - e inclui a museologia”.27 27 “Every branch of professional activity needs to be studied, developed, and adapted to changing contemporary conditions - and not least that of museology” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983, p. 30, tradução nossa).

Conforme Klausewitz,28 28 Klausewitz, [198-?]. muitos comitês do ICOM votaram contra a criação do ICOFOM, tratando-se de uma “decisão puramente política” do Comitê Executivo da instituição. Contudo, a existência do ICOFOM foi oficializada em maio de 1977, em Moscou, na 12ª Assembleia Geral do ICOM. Foi nessa conferência, entre os dias 18 e 22, que ocorreu o primeiro encontro do ICOFOM.29 29 Internacional Council of Museums (1977). Simultaneamente, o Programa Trienal do ICOFOM foi adotado como tópico do Programa Trienal do ICOM (1977-1980).

Segundo Sofka, embora o termo museologia ou ciência do museu ainda estava em aberto, departamentos de museologia e de museum studies eram criados, cada vez em maior número, ao redor do mundo, desenvolvendo pesquisas sobre a área. Em documento escrito por Sofka à Unesco, o futuro presidente do ICOFOM declarou que a criação do órgão foi um marco para o ICOM em relação à consciência da importância da Museologia e dos estudos teóricos-metodológicos da área. Ademais, afirmou que, por meio de um inventário de caráter mundial, o Comitê se dedicava a investigar, conceituar, discutir e avaliar, de forma sistemática, a Museologia.30 30 International Committee for Museology (1985, p. 19).

Um dos motivos que levou Klausewitz31 31 “[...] to find out whether the museology is a real scientific discipline or not” (KLAUSEWITZ, [198-?], tradução nossa). a participar do ICOFOM foi seu interesse em “[...] descobrir se a museologia é realmente uma disciplina científica ou não”. Segundo ele, o ICOFOM tinha interesse em dar cursos sobre “o sistema da museologia” em universidades ou instituições afins, mas antes era necessário saber o que era museologia e como ela poderia ser definida. De acordo com Jelínek, “a política que [...] propus, aceita pelo Conselho Executivo [do] Comitê, foi ajudar e apoiar a criação de bases teóricas para nossa profissão e encorajar o desenvolvimento da museologia como um ramo científico especial”.32 32 “The policy I proposed, accepted by the Executive Board of our Committee, was to help and to support the creation of a theoretical basis for our profession and to encourage the development of museology as a special scientific brand” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983, p. 16, tradução nossa).

Nas palavras de Jelínek, todos os membros do ICOFOM eram estimulados a participar “[...] em avançar a teoria da museologia, as bases filosóficas de nossa profissão”.33 33 “[...] in advancing the theory of museology, the philosophical basis of our profession” (International Committee for Museology, 1981-1982, p. 3, tradução nossa). Portanto, os autores eram estimulados a apresentar suas definições de museologia, mesmo que não fosse de forma definitiva, além de quais aspectos se enquadrariam no conhecimento museológico: científico, filosófico, pragmático, técnico, entre outros.34 34 International Committee for Museology (1983, p. 3).

PERÍODO MUWOP: POR FUNDAMENTOS PARA A MUSEOLOGIA

Segundo Sofka, por não haver clareza sobre o que era a museologia, o objetivo do Comitê, voltado para as questões práticas das “ideias modernas museológicas”, conforme previsto nos seus primórdios, não se sustentava. Assim, o próprio Comitê estabeleceu, no âmbito das “Regras do ICOFOM”, em 1979, que um dos seus objetivos seria “estabelecer a museologia como disciplina científica”,35 35 “[...] to establish museology as a scientific discipline” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983, p. 36, tradução nossa). o que, além de o diferenciar dos demais comitês do ICOM, o colocava, não intencionalmente, como protagonista no estabelecimento da Museologia no mundo. Para tanto, conforme Sofka, os membros levaram em consideração uma profunda conexão entre a museologia e o próprio comitê. Para eles, a concepção do que era museologia, disciplina em formação, suas características, objetos de estudo e tendências, poderia afetar as próprias atividades e tarefas do Comitê. Ademais, o estímulo a constantes pesquisas na museologia seria condição para o “sucesso” do Comitê.36 36 International Committee for Museology (1983, p. 38).

Assim, durante o terceiro encontro do ICOFOM, foi aprovada a criação de um periódico [journal] de debates sobre os “problemas fundamentais da museologia”: o Museological Working Papers (MuWoP), pioneiro nas discussões teóricas constitutivas da museologia. Vinos Sofka, então curador do Museu Histórico Nacional (Statens Historiska) de Estocolmo foi convidado para ser o editor do MuWoP. No ano seguinte, foi publicada a primeira edição do MuWoP, com textos gerados a partir das discussões dos três primeiros encontros do ICOFOM, que ainda renderiam textos para a segunda edição do periódico.37 37 International Committee for Museology (1983, p. 26).

Nesse período, que incluiu principalmente o início da década de 1980, o MuWoP era a principal publicação do ICOFOM, sendo a característica primeira do Comitê a promoção da existência e da fundamentação da Museologia como disciplina científica. Contudo, o comitê queria ir além do estudo das necessidades disciplinares contemporâneas. Queriam estabelecer e difundir as bases da disciplina por meio de profunda reflexão sobre seu objeto de estudo.

A necessidade de desenvolver uma teoria de museu por si mesma como uma base para todas as atividades profissionais de museu, por meio de uma pesquisa científica séria em museologia, tem sido movida para primeiro plano cada vez mais, e o papel de protagonista ativo do ICOFOM tem sido marcado nessa conexão. A necessidade de procurar plataformas para contínuas trocas internacionais de ideias museológicas, [a] níveis teóricos e metodológicos, tem sido enfatizada. A publicação do periódico Museological Working Papers, sob a editoração do ICOFOM, foi uma das mais importantes conquistas nesta conexão.38 38 “The need to develop museum theory itself as a basis for all the professional museum activities, by serious scientific research in museology has moved to the foreground more and more, and ICOFOM’s active and leading role in this connection has been stressed. The need of procuring platforms for a continuous international exchange of museological ideas on theoretical and methodological levels has been emphasized. The publishing of the journal Museological Working Papers, under the editorship of ICOFOM, was one of the most important achievements in this connection” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983, p. 30, tradução nossa).

No editorial do primeiro número, Vinos Sofka apresenta o MuWoP como se estivesse anunciando um nascimento: “Uma nova chegada é anunciada na comunidade internacional de museus. Apelido: MuWoP. Tamanho: 67 páginas. Peso: 203 g.”.39 39 “A new arrival is announced in the international museum community. Nickname: MuWoP. Size: 67 pages. Weight: 203 g.” (SOFKA, 1980, p. 3, tradução nossa). O objetivo da existência do MuWoP era ser um fórum aberto e permanente de discussão sobre as questões fundamentais da museologia, que, de acordo com um programa previamente definido, ocorreria sob a forma de temas, podendo ser alterado pela comunidade que conforma o ICOFOM. Outra razão para a existência do MuWoP seria a de se tornar um fórum para o desenvolvimento de uma terminologia específica para a Museologia.

Nas duas primeiras edições do MuWoP, estão estudos baseados nas perguntas que originaram a busca pela “delimitação conceitual do campo”40 40 Cerávolo (2004, p. 159). e que permeavam o ICOFOM desde sua criação, ou até antes. No início do volume 1, “Museologia: ciência ou apenas trabalho prático em museus?”, cada membro do Corpo Editorial41 41 O Corpo Editorial do MuWoP era composto por Vinos Sofka, Villy Toft Jensen, Wolfgang Klausewitz e Awraam M. Razgon. apresentou sua definição de museologia. Destaca-se também a definição do alemão Wolfgang Klausewitz,42 42 Klausewitz (1980, p. 11). que percebe a “museologia como um campo de investigação do museu como fenômeno sociocultural”; a do francês André Desvallées, que a definiu como processo criativo, com leis e características próprias e ligado à linguagem museológica - baseando-se nisso, a museologia não seria uma ciência, mas uma arte; a da tcheca Anna Gregorová, que, a partir do tcheco Zbynek Z. Stránský, o primeiro a usar esse conceito em seu país, define a museologia como uma nova disciplina científica que estuda as relações específicas do homem com a realidade; e o próprio Stránský, quando afirma que o termo museologia, ou teoria museológica, abrange uma área de um campo específico de estudo, focado no fenômeno museu, e que se constitui como uma disciplina científica específica.

Para Sofka, o grupo de autores do volume 1 do MuWoP poderia ser dividido em dois: os que definiram a museologia como uma disciplina, uma ciência - ou melhor, uma ciência emergente -; e os que a definiram como uma ciência e trabalho prático - simultaneamente, uma arte ou uma ciência aplicada. Considerando essa premissa, os autores do volume 2, intitulado “Interdisciplinaridade na museologia”, a partir de seus pontos de vista sobre museologia, apontaram suas inferências sobre os limites e fronteiras dela e o quanto ela é ou não interdisciplinar.

Na perspectiva do tcheco Josef Beneš, o domínio dos museus era uma especialidade da cultura;43 43 Beneš (1981, p. 10-12). a norte-americana Flora S. Kaplan considerou a museologia como uma ciência social;44 44 Kaplan (1981, p. 14-15). Stránský45 45 Stránský (1981, p. 19-21). afirmou que um especialista, ou um teórico, desprovido de experiência pessoal com a realidade dos museus e sua prática não poderia resolver questões relativas à problemática da museologia como sendo ou não ciência, colocando, portanto, a experiência com o fenômeno museu como importante para análise da própria museologia; o polonês Jerzy Swieciemski enunciou que os problemas dos museus poderiam ser vistos por meio de abordagens cientifico-analíticas, ou seja, o entendimento de práticas de museus à luz de aspectos científicos particulares - história da cultura, ramos específicos da filosofia, teoria da arte e outros.46 46 Swieciemski (1981, p. 22-24).

O norte-americano G. Ellis Burcaw47 47 Burcaw (1981, p. 29-30). explica a diferença entre “multi” e “inter”. “Multi” significa “mais de uma” e “inter” significa “entre”. Afirma que a “ciência da museologia” funciona basicamente em conexão com outras ciências, tendo como base a multi e a interdisciplinaridade. Em uma perspectiva também mais pragmática, a israelense Michaela Dub48 48 Dub (1981, p. 30-31). assegurou que, para cada tipo de museu, é necessário um conjunto de conhecimentos específicos de sua temática; assim, como exemplo de interdisciplinaridade em museu, mencionou a elaboração e montagem de uma exposição, que, por sua vez, requer a atuação de vários profissionais de diferentes áreas do conhecimento.

Para a tcheca Anna Gregorová49 49 Gregorová (1981, p. 33-36). a museologia é uma ciência interdisciplinar tanto do ponto de vista da prática de museus como da museologia em si (1) dado o fato de que as atividades de museus são conduzidas e influenciadas por uma variedade de disciplinas científicas sociais e naturais; e que (2) a museologia, como a área que estuda a relação do homem com a realidade, pode se relacionar com outras disciplinas científicas, como ontologia, gnosiologia, psicologia, axiologia, ética, pedagogia e sociologia. A alemã Ilse Jahn50 50 Jahn (1981, p. 37-38). destacou que, se existe uma “interdisciplinaridade”, é pressuposta a existência de uma disciplina “museologia”, uma “ciência real”, e de um conhecimento especificamente museológico. A interdisciplinaridade funcionaria como troca de conhecimentos para solucionar determinado problema que não pode ser resolvido com um conhecimento específico. Assim, a relação de interdisciplinaridade na museologia deve ser examinada por meio da natureza da museologia em si, como apontou Kaplan,51 51 Kaplan (1981, p. 40). mas também poderia ser encontrada na prática em museus, no qual “cada profissional de museu participa da natureza interdisciplinar da museologia”.

O canadense Louis Lemieux52 52 Lemieux (1981, p. 41-42). trabalhou com o conceito de disciplina como campo de estudo, porém, considerando que, se a prática profissional, como a medicina, requer conhecimento de outras disciplinas, essa profissão é multidisciplinar; e, quando várias disciplinas interagem no sentido da realização de uma meta comum, a ação é interdisciplinar. No caso museal, a exposição mais uma vez é citada como um exemplo de atividade interdisciplinar.

Por meio de estudos de caso em museus da Catalunha, Domènec Miquel i Serra e Eulàlia Morral i Romeu53 53 Miquel i Serra e Morrai i Romeu (1981, p. 44-45). destacaram o conceito de pluridisciplinaridade, isto é, a coexistência de distintas disciplinas, indo em direção à interdisciplinaridade, como duas dimensões complementares. Seguindo uma linha parecida, o tcheco Jirí Neustupný54 54 Neustupný (1981, p. 46). declarou que o caráter do trabalho do museu e da museologia é “multivariado e heterogêneo”, e que a museologia tem aplicado teorias e métodos de outras disciplinas para o trabalho de museus.

O norte-americano Robert W. Ott55 55 Ott (1981, p. 48-50). destacou a importância da interdisciplinaridade no contexto de exposições de museus de arte. Segundo ele, para entender a interdisciplinaridade nos museus é necessário um entendimento básico de várias filosofias de interpretação e crítica nas artes, como crítica mecanicista, contextualística, organística e formalista. Para o russo Awraam M. Razgon,56 56 Razgon (1981, p. 51-53). qualquer esforço para interpretar a museologia como disciplina científica conterá, inevitavelmente, a necessidade de determinar a natureza de sua pesquisa especificamente museológica. O francês Georges Henri Rivière57 57 Rivière (1981, p. 54-55). abordou a dinâmica do papel da interdisciplinaridade na instituição museu. A brasileira Waldisa Rússio58 58 Rússio Guarnieri (1981, p. 56-57). afirmou que a interdisciplinaridade deve ser um método para pesquisa e ação na Museologia, no trabalho para museus e nos cursos de formação em Museologia para profissionais de museus.

Klaus Schreiner59 59 Schreiner (1981, p. 58-59). assegurou que toda disciplina científica examina “[...] certo campo da realidade e suas leis específicas”, e que a museologia examina o “[...] processo complexo de aquisição, documentação, conservação, identificação, pesquisa, exposição e comunicação de objetos originais da natureza e sociedade”. Mesmo com sua especialidade, para ele, qualquer campo de atividade de uma ciência inclui a conexão e efeitos recíprocos de outros campos do conhecimento. O iugoslavo Tibor Sekelj60 60 Sekelj (1981, p. 60-61). também mencionou como exemplo a exposição como instância de cooperação interdisciplinar em museus. Para o polonês Jerzy Swieciemski,61 61 Swieciemski (1981, p. 62). a discussão sobre interdisciplinaridade na museologia surge no mesmo momento da discussão sobre o caráter disciplinar da museologia.

É importante ressaltar que nenhuma disciplina em si é interdisciplinar. O que traz nela o fenômeno da interdisciplinaridade são os sujeitos e as práticas incluídas como parte do objeto de estudo da disciplina. A interdisciplinaridade ora é o esgotamento desse recorte, ora é a justificativa para características peculiares dadas a museologia.

Visando a possível publicação, um piloto do volume 3 do MuWoP chegou a ser analisado pelo ICOM. Além do novo tema, “O objeto da museologia”, também havia o convite para comentar sobre os temas anteriores. O ICOM, no entanto, informou que não teria recursos para publicar a edição em razão da extensão do manuscrito. Houve falta de entendimento do Executivo do ICOM em relação à publicação, para a qual Sofka insistiu por qualquer ajuda, mesmo que simbólica. Por sua vez, essa ajuda significaria também o aval do ICOM para a publicação. A situação de não ter apoio do ICOM para a publicação do volume 3 do MuWoP, denominado pelo ICOFOM de “o único periódico internacional de teoria museológica”, gerou desconforto e desagrado no Board do ICOFOM. No entanto, o próprio ICOM destacou a importância do MuWoP para a profissão de museus como um todo, enfatizando que deveria ser utilizado como instrumento para educadores e estudantes de museologia.62 62 International Committee for Museology (1984, p. 4, 10, 37, 1985).

A nível profissional e/ou científico, o ICOFOM se propunha, dentre os objetivos definidos em 1983, a lutar para ser um fórum apolítico de discussões teóricas, um espaço para desenvolver teorias no âmbito do campo museal, bem como para tornar única e independente a profissão de museus. O primeiro objetivo do ICOFOM era desenvolver a museologia como uma disciplina científica independente. Para isso, propôs como métodos a reivindicação de que o conhecimento museológico fosse mundialmente verificado pela prática; o encorajamento de colaboradores para se aprofundarem nas questões teóricas da museologia, em especial, os jovens profissionais de museus; a confrontação do conhecimento teórico por meio das discussões e o alcance por meio de uma ampla plataforma científica mundial de conclusões teóricas principais sobre questões básicas da museologia e sua teoria. De forma pragmática, isso era previsto ocorrer por meio dos eventos e publicações. Para fortalecer o ensino teórico e o vínculo com as instituições museológicas preocupadas com as questões específicas da museologia, o ICOFOM propunha ainda o trabalho cooperativo com centros de treinamento. De acordo com os estatutos do ICOM, o comitê deveria constituir um corpo de especialistas e fonte de profissionais competentes no seu tema.63 63 International Committee for Museology (1984, p. 18-22, 29).

A ideia de neutralidade que resulta na circulação internacional de textos, que, por sua vez, tem suas condições históricas de origem esquecidas, produz uma “universalização aparente”, pois

“[...] esses lugares-comuns da grande vulgata planetária transformados, aos poucos, pela insistência midiática em senso comum universal chegam a fazer esquecer que têm sua origem nas realidades complexas e controvertidas de uma sociedade histórica particular, constituída tacitamente como modelo e medida de todas as coisas”.64 64 Bourdieu (2012, p. 18).

Reiteramos que o ICOFOM tinha a ambiciosa missão de “estabelecer a museologia como disciplina científica”, fortalecendo tanto o ensino sobre museologia quanto encorajando a análise crítica sobre os temas a ela pertinentes.65 65 International Committee for Museology (1983, p. 20).

Segundo Decarolis:66 66 “In Argentina it has greatly helped to develop museological knowledge. Since 1982 ‘MuWoP’ issues have been incorporated as basic bibliography for students of Museological tertiary level. The topic ‘Museology: Science or practical work...?’ has been studied and discussed for the first time by the Chair holder. Many documents published by ICOFOM have been translated and used to further the formation of museum professionals and Museology students. Moreover, those papers have been also used at national workshops and meetins [sic] as guidelines for further discussiones [sic]” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989, p. 58, tradução nossa).

[O MuWoP] tem sido de grande ajuda na Argentina para desenvolver o conhecimento museológico. Desde 1982, a publicação “MuWoP” tem sido incorporada como bibliografia básica para estudantes de museologia de nível superior. O tópico “Museologia: ciência ou trabalho prático...?” tem sido estudado e discutido, pela primeira vez, pela cadeira titular. Muitos documentos publicados pelo ICOFOM são traduzidos e usados para preencher a formação de profissionais de museus e estudantes de museologia. Além disso, esses artigos são usados como diretrizes para ampliar as discussões em seminários e encontros nacionais.

Para Sofka,67 67 Sofka (1995, p. 2-3). e muito promovido por ele mesmo, o ICOFOM ia muito além de uma mera reunião de profissionais com interesses comuns. Ele o denominava como um ambiente em que se prezava pelo “espírito familiar e de amizade”, principalmente considerando o ambiente de tensão ainda existente no final da década de 1970 e ao longo dos anos 1980. O ICOFOM constituía um fórum no qual profissionais do Leste e do Oeste se encontravam e trocavam ideias, com um objetivo em comum. Sofka também afirmou que, desde 1983, o ICOFOM se concentrou no estudo sistemático dos fundamentos da museologia, e que suas “[...] conclusões são desenhadas com o objetivo de estabelecer e desenvolver a museologia como disciplina científica”.68 68 “[...] and conclusions are drawn with the aim to establish and further develop museology as a scientific discipline” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, p. 43, tradução nossa).

Examinamos as contribuições para os dois primeiros volumes do MuWoP, as tentativas de definir características científicas à Museologia, suas interfaces e seus fundamentos - que não atingiram consenso, já que, apesar da pergunta “ciência ou trabalho prático?”, apenas uma resposta interessava ao ICOFOM, que, por sua vez, e por meio do MuWoP, estava estabelecendo mundialmente as bases teóricas para uma disciplina em construção, isto é e no entendimento daquele momento, as bases de uma ciência.

PERÍODO ISS: POR UMA DISSEMINAÇÃO DA MUSEOLOGIA

O ICOFOM Study Series (ISS), que havia começado como uma impressão simples, despretensiosa e que visava divulgar, de forma dinâmica, sem qualquer edição, avaliação ou revisão, os textos e as reflexões de seus membros sobre Museologia, bem como os temas apresentados nos simpósios do ICOFOM, tornou-se a principal publicação do ICOFOM.69 69 International Committee for Museology (1984, p. 44). Segundo Sofka,70 70 Sofka (1995, p. 2). de impressões pré-encontros, o ISS se tornou o instrumento mais importante de divulgação de pesquisas desenvolvidas na Museologia. O ICOFOM atingiria seu objetivo principal por meio de um estudo coordenado que visava a disseminação da museologia, sua teoria, métodos, metodologia e lugar nas ciências.71 71 International Committee for Museology (1986, p. 27). Desenvolvia também “[...] esforços para ampliar e aprofundar a colaboração com comitês do ICOM e instituições profissionais e organizações no campo da museologia, tal como de outras ciências, especialmente com universidades e seus departamentos de museum studies”.72 72 “[...] efforts to increase and deepen collaboration with ICOM Committees and professional institutions and organizations in the field of museology, as weIl as other sciences, especially with universities and their departments of museum studies” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1986, p. 36, tradução nossa).

Esse período da hegemonia dos ISS pode ser datado a partir de meados da década de 1980. Ao apresentar o ICOFOM dez anos após sua criação, em 1987, Sofka reforçou o objetivo do Comitê de estabelecer a museologia como disciplina científica:

Os objetivos do Comitê [incluem] estabelecer a museologia como uma disciplina científica [...]. O contínuo crescimento eminente do grupo de pessoal de museu de diferentes partes do mundo apoia uma conquista excepcionalmente entusiástica para estabelecer, passo a passo, as fundações da museologia como ciência.73 73 “The Committee’s aims are to establish museology as a scientific discipline [...] A continuously increasing group of eminent museum people from different parts of the world stands behind an exceptionally enthusiastic achievement to lay, step by step, the foundations for museology as science” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, tradução nossa).

Para Sofka, esse objetivo foi alcançado em 1987, quando afirmou que a “museologia agora está finalmente conseguindo o lugar, no pensamento global sobre museu, que corresponde a seus objetivos e razão de ser”.74 74 “Museology is now finally getting in the global museum thinking the place which corresponds to its aims and raison d’être [...]” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, tradução nossa). Isso também estaria associado ao crescimento da quantidade de membros do ICOFOM, que, naquele momento, já era o terceiro comitê do ICOM em quantidade de membros.

Mas, mesmo no âmbito do ICOFOM, questionou-se o desejo de reivindicar a existência da museologia. Para Spielbauer,75 75 Spielbauer (1981) apud Van Mensch, op. cit. essa ideia se fundamenta no fato de que “se a museologia tem um lugar na universidade, os museólogos ganharão prestígio, apoio e posição no âmbito da profissão de museu e da comunidade em geral”,76 76 “If museology has a place in the university, museologists will gain in prestige, support and position within the museum profession and the community at large” (SPIELBAUER, 1981 apud VAN MENSCH, op. cit., p. 15, tradução nossa). isto é, a reivindicação pela existência de uma disciplina estaria profundamente ligada à reivindicação por um status profissional ou, até mesmo, por uma necessidade de existência dessa profissão específica no âmbito acadêmico. Também considerando essa premissa, para Van Mensch,77 77 “The status of museum training programmes very much depends on the degree in which museum work is considered a profession and the degree in which museology is recognised as a more or less autonomous discipline” (VAN MENSCH, op. cit., p. 15, tradução nossa). “[...] o status de programas de capacitação em museus depende muito do grau em que o trabalho em museus é considerado uma profissão e o grau em que a museologia é mais ou menos reconhecida como uma disciplina autônoma”. Ademais, ele aponta que a resistência em relação à museologia ser uma disciplina aplicada pode estar relacionada à manutenção de seu status quo; afirmações que, no ICOFOM, foram, muitas vezes, recebidas com hostilidade.

Em seus respectivos países, os principais atores do ICOFOM se empenhavam no estabelecimento da museologia como disciplina acadêmica por meio da criação de cursos de museologia ou museum studies e do fortalecimento dessa disciplina de acordo com os parâmetros definidos pelo ICOFOM. Segundo Van Mensch, o ICOFOM desenvolveu um papel crucial no desenvolvimento da museologia como disciplina acadêmica, não apenas como fórum de discussão, mas por ser catalisador para a distribuição de ideias. O ICOFOM, nos primeiros dez anos, era composto primordialmente de europeus, tanto do Oeste quanto do Leste, cenário que passaria posteriormente por mudanças.78 78 International Committee for Museology (1989, p. 43-48).

Para Beneš, “podemos dizer com segurança que a década de 1980 é a nova era no desenvolvimento da museologia, tanto quantitativa quanto qualitativamente, de forma diferente dos períodos anteriores”.79 79 “We can safely say that the 1980’s is a new era in the development of museology, both quantitatively and qualitatively different from the previous period” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989, p. 49, tradução nossa). O próprio autor admite o protagonismo do ICOFOM quando afirma:

Durante os anos 1970, indivíduos pioneiros do pensamento museológico tentaram promover um novo enfoque para a realidade dos museus separadamente e sob condições limitadas de seus países. A atividade do ICOFOM tem resultado no estabelecimento de um fórum internacional para trocas frequentes de ideias e enfoques para o mundo dos museus. Tudo tem sido realizado graças, especialmente, a profissionais de centros de ensino museológico nas universidades, por quem o estabelecimento da museologia como sistema científico foi a pré-condição base para seus respectivos trabalhos, e de quem, portanto, precisou da ciência muito mais que os profissionais de museus orientados para a prática.80 80 “While in the 1970’s individual pioneers of muzeological [sic] thinking tried to promote the new approach to museum reality separately and under limited conditions of their countries. The activity of lCOFOM has resulted in the establishment of an international forum for frequent exchanges of ideas and approaches to the world of museum. AIl that has been realized especially thanks to workers of museological teaching centres in universities, for whom the establishment of museology as a scientific system was the basic precondition of their work, and who therefore needed the science much more thon museum workers oriented pragmatically” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989, p. 49, tradução nossa).

É possível perceber que, independentemente se a Museologia conseguiria atingir certos preceitos que a pudessem qualificar como ciência, para Spielbauer e Beneš, apesar das divergências sobre o significado de museologia, o estabelecimento dela como disciplina científica era extremamente necessário para os acadêmicos do campo dos museus. Beneš81 81 International Committee for Museology (1989, p. 52). reforça essa premissa quando aponta que o futuro da museologia não depende dos profissionais da prática, e sim de enfoques científicos internacionais, isto é,

[...] criar a museologia requererá a união de forças ao redor do mundo, o que significa alcançar representação proporcionalmente aceitável de todos os continentes, de forma que a pesquisa não se torne um tema exclusivo de interesse de cientistas europeus e norte-americanos.82 82 “To create museology will require joining forces from all over the world, which means to reach a proportionally acceptable representation of all continents, so that the research will not be an exclusive matter of interest of European and North American scientists” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989, p. 51, tradução nossa).

Desvallées83 83 Desvallées (2015, p. 146). também destaca que o ICOFOM era composto, desde seus primórdios, por uma maioria de acadêmicos: “Durante os anos 1980, grandes personalidades da museologia, emanando notadamente do mundo universitário, se interessaram pela museologia no quadro do nosso comitê, trazendo sua reflexão em nossas publicações”. Ele também aponta que essa relação é fundamental tanto para a museologia enquanto disciplina quanto para o próprio ICOFOM:

Enfim, depois dos anos 1980, a museologia se instalou na universidade e se desenvolveu quase que se distanciando dos museus. Como se ela jamais tivesse precisado deles. É certamente um perigo para o desenvolvimento dessa disciplina o de se desenvolver estando dissociada do seu objeto (o museu). Mas é igualmente perigoso para o museu, e para o nosso comitê, não conseguir manter os acadêmicos em seu seio. Seria extremamente prejudicial à museologia e ao ICOFOM se ambos não souberem tirar proveito da oportunidade de ouvir e de estender a mão aos acadêmicos, adotando os métodos de trabalho deles.84 84 Ibid., p. 148.

Assim, o ISS cumpriria sua função de disseminar a existência de uma disciplina científica nomeada museologia, além de servir de base tanto para a criação de cursos de museum studies, ou museologia, quanto para reforçar e legitimar os já existentes, pois o periódico também facilitava a participação do maior número de membros interessados:

O fato de que os membros que não estão pessoalmente nos encontros podem realmente participar por meio da apresentação de textos previamente enviados é a chance que o ICOFOM dá para eles contribuírem, mesmo ausentes, para as discussões, que são enriquecidas por pensamentos multiculturais no âmbito das publicações do ICOFOM.85 85 “The fact that the members do not have to the in person at the meetings to really participate by presenting beforehand their papers in the chance ICOFOM gives to its members to contribute in absentia to discussions that are enriched by multi-cultural thoughts into the ICOFOM publications” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989, p. 65, tradução nossa).

Essa premissa permitia aos membros do ICOFOM a disseminação de ideias entre os membros presentes e ausentes, bem como atuar como catalisador do que se produzia sobre Museologia no mundo.

Para Stránský,86 86 International Committee for Museology (1989, p. 84). é também nesse período que o protagonismo de Vinos Sofka87 87 Para conhecer mais sobre Vinoš Sofka, leia: Soares (2019). é reconhecido, tanto no processo de tornar a Museologia conhecida quanto em a consolidar, bem como o próprio ICOFOM. Segundo Van Mensch,88 88 “[...] as academic discipline and ICOFOM as the main international platform for the museology discourse” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1991, p. 1, tradução nossa). Sofka teve papel importante na aceitação mundial da Museologia “[...] como disciplina acadêmica e o ICOFOM como a principal plataforma para o discurso museológico”.

O Comitê tem como política estreitar e criar relações com centros acadêmicos de ensino de Museologia. Stránský aponta uma relação direta entre o ICOFOM e a Escola Internacional de Verão de Museologia,89 89 As instituições envolvidas no estabelecimento da Escola de Verão de Museologia (ISSOM) foram o Museu Morávio, a Universidade J. E. Purkyneˇ, em Brno, os Ministérios da Educação e da Cultura da Tchecoslováquia e o Comitê Tchecoslovaco de Cooperação com a UNESCO. O curso teve sua aula inaugural em agosto de 1987 (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR THE TRAINING OF PERSONNEL, 1987, p. 19). por exemplo,

o Centro Museológico, em Brno, foi uma iniciativa do estabelecimento do ICOFOM; desde o começo, profissionais desse centro imediatamente contribuíram para as atividades dessa Comissão. Eles estavam bem cientes do fato de que a execução não é, e nem pode ser, assunto para somente um time restrito de profissionais a nível regional ou nacional, mas que requer uma base internacional no verdadeiro sentido da palavra. Essas atividades passadas do ICOFOM confirmam completamente nossa opinião. [...] Desde o primeiro ano do I[nternational] S[ummer] S[chool] o[f] M[useology], os professores foram escolhidos dentre os membros do ICOFOM, e, com o passar dos anos, esse número tem aumentado consideravelmente.90 90 “The museological centre in Brno was initiative when establishing the ICOFOM; from the beginning the workers of this centre immediately contributed to the activities of this commission. They were weIl aware of the fact that the enforcement of museology is not, and cannot be, the matter of only a narrow national or regional team of workers, but that it will require an international base in the true sense of the word. These past ICOFOM activities fully confirm our opinion. [...] From the first year of the ISSOM, the teachers ranked from among the ICOFOM members and over the past years their number has considerably increased” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989, p. 125-126, tradução nossa).

Pensar na museologia como ciência parecia ser uma necessidade, segundo Mairesse e Desvallées,91 91 Mairesse e Desvallées (2011, p. 362, 371). para posicionar a museologia como disciplina no “seio do sistema universitário”. As definições mais teóricas e epistemológicas sobre Museologia compartilhadas no seio do ICOFOM são exceções fora desse espectro entre os profissionais de museus ou de universidades.

“Museologia: uma extravagância intelectual ou uma ferramenta útil e necessária para o trabalho de museus e outras instituições que lidam com o patrimônio do homem?”92 92 “Museology: an intellectual extravagance or a useful and needed tool for the work of museums and other institutions in handling the heritage of man?” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, p. 46, tradução nossa). Essa foi uma pergunta feita por Vinos Sofka dissertando sobre o tema para o Encontro do ICOFOM, em 1987, em Helsinque e Estocolmo.93 93 Sofka mencionou que a Finlândia teve suas primeiras experiências com a Museologia, demonstrando, portanto, o enfoque que o país queria dar à Museologia, não se limitando em divulgá-la, mas torná-la “necessária”. Mas, se era um comitê de construção de um arcabouço teórico para uma disciplina, por que ainda falar do trabalho prático em museus? Ora, na perspectiva de Sofka, era possível perceber que, se fosse apenas uma disciplina totalmente teórica, voltada para questões epistemológicas e conceituais de fenômenos observáveis, que poderiam ser denominados museu, musealia, musealidade, entre outros, ela não só não teria adeptos, como poderia ser considerada dispensável. Apesar de todos os esforços de elaboração de teorias, metodologias, terminologia ou, até mesmo, sistemas para a museologia, ela só poderia ser aceita por aqueles que a desconheciam se estivesse vinculada a algo “palpável”, conhecido - e por isso a manutenção do vínculo entre museu e instituição. O próprio Stránský94 94 “Theory and Practice: Or Museology as an Inevitable Base for Museum Work” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, p. 46, tradução nossa). também ressalta essa premissa quando intitulou sua fala para o mesmo evento de “Teoria e prática: ou museologia como base inevitável para o trabalho em museus”.

Nesse mesmo evento, foi proposta uma mesa intitulada “A necessidade da Museologia no mundo”, com membros da África, Ásia, América do Norte e América Latina. Os nomes sugeridos foram referências na área em seus respectivos continentes e regiões : Alpha Konaré (África), Soichiro Tsuruta e Vasant H. Bedekar (Ásia), Flora Kaplan e Judith Spielbauer (América do Norte) e Nelly Decarolis e Teresa Scheiner (América Latina). Sofka concluiu que, caso as pessoas fossem “convencidas” sobre a necessidade da museologia, o ICOFOM poderia auxiliar a Associação Finlandesa de Museus a colocar em prática o projeto de “[...] estabelecer e desenvolver a Museologia no país”. Ademais, uma cadeira de Museologia foi criada na Universidade de Umea, na Suécia, e o ano de 1988 passou a ser considerado o ano da Museologia no país.95 95 Ibid., p. 84.

Bedekar96 96 Ibid., p. 119. destaca que “museologia” e “formação em museus” são, na Ásia, termos quase intercambiáveis, e, ao tratar de Museologia, traça paralelo entre ela e sua existência, ou reconhecimento, como disciplina acadêmica ou ciência “independente”97 97 O termo independente, aqui, está conectado a uma autonomia científica que se desdobra na forma acadêmica. -. Essa perspectiva se replica em Kaplan.98 98 Apesar de aliar museologia à existência de uma área acadêmica, Kaplan a percebe como interdisciplinar, pois configura diferentes disciplinas em seu escopo (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987, p. 123-128). No número 11 do Museological News, foram publicados vários textos sobre o ensino da museologia na Índia, indicando a importância do fenômeno para a própria museologia icofomiana. Constava do Programa Trienal do Comitê para 1990-1992 que o Board entraria em contato com universidades e institutos “no campo da museologia” para iniciar projetos sobre “assuntos museológicos”, priorizando “a enorme literatura produzida”,99 99 International Committee for Museology (1990, p. 3). sendo possível afirmar que a própria produção do ICOFOM estaria incluída nessa literatura.

Foi na transição entre décadas, precisamente no Encontro Anual ocorrido na Conferência do ICOM de 1989, em Haia, que o ICOFOM começou a pensar em grupos de trabalho regionais, considerando a dimensão numérica do Comitê, que tinha, naquele momento, quase oitocentos membros, garantindo assim, de forma eficaz, sua presença mundial. Durante a sessão plenária do evento, Tsuruta propôs a criação de um Grupo de Trabalho (GT) asiático. Também foi sugerido o estudo para a criação de um GT latino-americano. Ademais, cogitou-se a possibilidade de apoiar a existência de GTs nacionais em países com grande quantidade de membros, como nos Estados Unidos, na França e no Brasil.100 100 Ibid., p. 2, 4.

Em 1989, no Encontro Anual ocorrido na Zâmbia, Decarolis e Scheiner101 101 International Committee for Museology, (1991, p. 2). informaram que haviam criado um GT para a América Latina e o Caribe, ficando na responsabilidade de suas coordenadoras o contato com os membros do ICOFOM pertencentes a região. O objetivo desse grupo seria “[...] promover, dinamizar e documentar, na América Latina, o estudo e a investigação da teoria museal”.102 102 “[...] to promove, dynamize and document, in Latin America, the study and investigation of museum theory” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1991, p. 5, tradução nossa). Em 1992, o GT latino-americano já aparece, nos documentos do ICOFOM, com a denominação ICOFOM-LAM.103 103 Primeiro, como Grupo de Trabalho do ICOFOM para a América Latina e Caribe, para, em 1998, receber a denominação de Subcomitê Regional do ICOFOM para a América Latina e Caribe (Sigla ICOFOM LAM, atualmente ICOFOM LAC - desde 2020).

Percebe-se, portanto, esforços sistemáticos para a difusão mundial da ideia e da existência da Museologia como disciplina, tendo o ICOFOM como o protagonista desse processo. Entretanto, mesmo no âmbito desse Comitê - que muitas das vezes foi denominado de “família” pelos membros -, disputas por espaços de poder e protagonismo foram identificadas, e uma tomada de dianteira ocorre nas décadas seguintes (anos 1990 e 2000), como será visto a seguir.

PERÍODO DICTIONNAIRE: POR UMA CONSOLIDAÇÃO DA MUSEOLOGIA E POR UM PROTAGONISMO NA DISCIPLINA EM ASCENSÃO

Segundo Desvallées,104 104 Desvallées (2015, p. 146). “depois da criação do ICOFOM, já fazem trinta e cinco anos, os termos ‘muséologie’ ou ‘museology’ deram a volta ao mundo”. Por sua vez, Stránský105 105 Stránský (2008, p. 101). tinha uma ambição: de que, para uma efetiva contribuição teórica da Museologia não bastariam apenas opiniões e pontos de vista individuais sobre o assunto, mas um sistema de conhecimento, fruto de um “amplo esforço profissional”. Assim, ele apontou um caminho: é preciso “permitir o tempo necessário para a criação de uma base de publicações”. De acordo com Decarolis,106 106 “[...] tranformer la muséologie en une discipline scientifique et académique, destinée au développement des musées et de la profession muséale à travers la recherche, l’étude et la diffusion des principaux courants de la pensée muséologique” (DECAROLIS, 2011, p. 11, tradução nossa). o ICOFOM, em sintonia com o ICOM, tem tido como meta principal “[...] transformar a museologia em uma disciplina científica e acadêmica, destinada ao desenvolvimento dos museus e da profissão museal por meio da pesquisa, estudo e difusão das principais correntes de pensamento museológico”.

Já na década de 1990, o ICOFOM tinha gerado um volume de capital social relevante para aqueles que faziam parte do Comitê. Essa premissa se sustenta se lembrarmos que, para Bourdieu,107 107 Bourdieu (2012, p. 68-69). “capital social” é o conjunto de recursos conectados “[...] à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionais em que os agentes se reconhecem como pares ou como vinculados a determinado(s) grupo(s)”. Esses agentes têm propriedades comuns: “[...] o volume do capital social que um agente individual possui depende da extensão da rede de relações que pode ou consegue mobilizar e do volume do capital (econômico, cultural ou simbólico) que é posse exclusiva de cada um daqueles a quem está ligado”.108 108 Ibid. (2012, p. 10). É escusado dizer que essa rede de relações não é um dado natural, pois se constitui por meio de “atos sociais de instituição”, cujo grupo delegará a cada membro seu capital social, mas em graus diferenciados, podendo inclusive ser de posse de um único agente.

O “habitus”, conceito bourdieusiano, levou o ICOFOM a dar continuidade às mesmas práticas e intenções: “o habitus, isto é, o organismo do qual o grupo se apropriou e que é apropriado ao grupo, funciona como o suporte material da memória coletiva: instrumento de um grupo, tende a reproduzir nos sucessores o que foi adquirido pelos predecessores, ou, simplesmente, os predecessores nos sucessores”.109 109 Ibid., p. 112-113, grifo do autor.

A linguagem de especialidade, ou linguagem profissional, assume um caráter relevante nas definições das fronteiras e dos integrantes de determinada área. Segundo Lima,110 110 Lima (2008, p. 182). a linguagem, associada aos agentes individuais e institucionais é instrumento de legitimação de um campo e “do ‘capital cultural’ da área”.111 111 Cf. Costa e Lima (2013). O uso de uma terminologia específica é um dos pontos que permite estabelecer as diferenças entre a língua comum e a linguagem especializada.112 112 Cabré (1993). Gil113 113 Gil (2003, p. 115, 128). explica a distinção entre a “língua comum” e a “linguagem”, ou a “língua de especialidade”. Para ela, “língua comum” é o conjunto de “regras, unidades e restrições” conhecidas e utilizadas pela maioria dos falantes de uma língua natural. Por sua vez, “linguagem de especialidade” é uma espécie de subcódigo linguístico, com características especiais que o distinguem da “língua comum” em função de fatores como a temática, o tipo de interlocutores e a situação comunicativa. Uma “linguagem de especialidade” não é exógena ao sistema total de dada língua, ou a uma “língua comum”, mas é o subsistema que, como tal, recorre ao “material lexical, sintáctico e semântico que a língua disponibiliza”, mesmo que de forma parcial.

No âmbito das “linguagens de especialidade”, estão incluídas as “línguas científicas” - campos de experiência que têm objeto e métodos de investigação próprios; “línguas técnicas” - campos de experiência, práticos, de aplicação de conhecimentos teóricos; e “línguas profissionais”, ou “de ofícios” - abrangem campos de ocupação e atuação de profissionais de caráter “técnico ou mecânico”. No entanto, assim como a “língua comum”, a “linguagem de especialidade” também se constitui pela alteridade e intersubjetividade - isto é, é mutável e se constrói constantemente.114 114 Baseada em Galisson e Coste (1983) apud Gil, op. cit., p. 116-117). É importante frisar que essas classes mencionadas por Gil foram apresentadas, pela primeira vez, por Descamps.

Segundo Bourdieu:115 115 Bourdieu (2008, p. 131-132).

Produzidas e reproduzidas por corpos de especialistas mediante uma alteração sistemática da língua comum, as línguas especiais são (a exemplo de qualquer outro discurso) o produto de um compromisso entre um interesse expressivo e uma censura constituída pela própria estrutura do campo onde o discurso é produzido e também circula. Mais ou menos “bem-sucedida” conforme a competência específica do produtor, esta “formação de compromisso”, como diria Freud, é o resultado de estratégias de eufemização que consistem ao mesmo tempo em dar forma e em ajustar às formas.

Retomando o cenário ICOM/ICOFOM, o projeto do ICOM sobre um “Tratado de museologia”116 116 Projeto do ICOM durante as décadas de 1970 e 1980 que envolveu diversos comitês internacionais, inclusive o ICOFOM. Tratava-se de um projeto que visava elaborar um compêndio/dicionário de termos e conceitos tanto para a Museologia quanto para o universo dos museus. gerou, no âmbito do ICOFOM, o estabelecimento de um grupo de trabalho homônimo.117 117 Stránský (1984, p. 1). Para Stránský,118 118 Ibid., p. 2. o GT do ICOFOM deveria se concentrar na produção da história da Museologia e ampliar conceitos sobre o pensamento museológico. Em meados dos anos 1980, Stránský propôs a renomeação do GT de “Tratado da Museologia” para “Teoria da Museologia”, que trataria (1) das fundações metateóricas da museologia como ciência; e (2) da história da museologia.119 119 International Committee for Museology (1985, p. 26-27). Durante um período, o projeto de formulação do compêndio de todos os conceitos/termos que poderiam existir no âmbito da Museologia ou do museum studies foi interrompido, mas não deixou de ser uma ambição do ICOFOM.

No encontro Anual do ICOFOM, realizado na Grécia, em 1993, foi criado e estabelecido pelo ICOFOM o projeto “Termos e Conceitos da Museologia”, que passou a ser coordenado por André Desvallées. Desde então, os estudos terminológicos se transformaram-se numa das mais consistentes e relevantes vertentes de pesquisa da teoria museológica em todo o mundo.120 120 No Brasil, o projeto “Termos e conceitos da museologia” teve lugar, principalmente, na Unirio. Hoje está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS-UNIRIO-MAST), em que, desde 1993, Tereza Scheiner faz parte. O GT “Termos e Conceitos da Museologia”, formado inicialmente por Maröevic, van Mensch, Schaerer, Scheiner, Stránský e coordenado por André Desvallées, caracterizava-se por ser multidisciplinar, dedicado em analisar criticamente uma “terminologia museal”, debruçando-se sobre conceitos que poderiam ser considerados fundamentais a Museologia enquanto disciplina.121 121 Decarolis (2011, p. 11).

Em 1995, a lista de termos analisados sob a coordenação de Desvallées122 122 Desvallées (1995). tinha como temas principais: realidade; museu; museologia; museografia; espaço museal; preservação; coleção; conservação; mediatização; evocação; linguagem de exposição; visualização; sinalização; semiótica; educação; públicos; sociedade; identidade; comunicação; segurança e ética; cada um deles com suas respectivas entradas no resultado prévio. Conforme a metodologia proposta, havia a primeira parte, chamada de “Thesaurus museologicum”. Sob a responsabilidade de Desvallées, ela constituiria o desenvolvimento e a história dos termos e conceitos principais da Museologia, comparando os distintos usos de cada termo em diferentes idiomas. A segunda parte, sob a responsabilidade de Stránský, tinha o formato de dicionário, reagrupando definições que seriam correlacionadas. Até aquele momento, o título da obra seria Ideias museológicas de base (Idées muséologiques de base/Museological Basic Ideas).

Contudo, em paralelo, já existia outro projeto de dicionário de museologia, o Encyclopaedia of Museology. Coordenado por Stránský,123 123 “[...] to cover the development, state and theoretical profile of museology, from the perspective of its scientific system, formed and reviewed in the course of more than 30 years of teaching thereof at the Department of Museology of the Faculty of Arts and at the International Summer School of Museology” (STRÁNSKÝ, 1996, p. 1, tradução nossa). esse dicionário visava “[...] cobrir o desenvolvimento, estado e perfil teórico da museologia na perspectiva do seu sistema científico, formado e revisado desde mais de trinta anos de ensino no Departamento de Museologia da Faculdade de Artes e da Escola Internacional de Verão de Museologia”, ambos na Universidade de Masaryk. Diferentemente da proposta do “Termos e conceitos da museologia”, para Stránský, a Encyclopaedia seria voltada para o meio acadêmico, isto é, para o ensino da Museologia -, constituindo-se na base para produção teórica no âmbito do pensamento museológico. Em 1996, o projeto de Stránský já tinha em seu catálogo mais de seis mil termos extraídos do mundo dos museus, desenvolvidos desde a participação de Stránský no Dictionarium museologicum, de 1986,124 124 Fruto do projeto “Tratado de museologia”, o Dictionarium museologicum foi publicado em 1986 na Hungria pelo GT de Terminologia do Comitê Internacional do ICOM para Documentação (CIDOC). A partir dele, o Dictionarium, que contém 1632 termos selecionados do universo dos museus e da museologia, foi traduzido para vinte idiomas (DESVALLÉES, 1995, p. 1). Apesar de tomar o inglês como “língua oficial”, os termos foram escolhidos do alemão. Em 1983, quatro versões foram apresentadas na Conferência Geral do ICOM (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1985, p. 35). e no Dictionary of Literary and Museum Communication, de 1981.

No relatório apresentado por Desvallées no encontro do ICOFOM de 1995, o resultado desse projeto apresentaria estrutura similar do atual Dictionnaire,125 125 Publicação que ainda será apresentada e explorada neste artigo. considerando a existência também de um artigo sobre cada termo escrito por dois ou três autores. Ademais, a obra seria publicada em dois idiomas - Desvallées, o coordenador do grupo, sugeriu que primeiro idioma fosse o francês, a tradução, em inglês. Naquele momento, a ideia era seguir um enfoque enciclopédico apenas no sentido de considerar a apresentação alfabética, e não em um sentido “global” - o que seria resolvido com a escolha de Thesaurus museologicus para o título da obra. Essa, por sua vez, consideraria apenas o que denominaram de “conceitos essenciais da Museologia”, para que fosse um trabalho mais viável.126 126 Desvallées (1995, p. 2).

Conforme Rusconi, os membros do ICOFOM analisaram e debateram os resultados. Por falta de consenso sobre os objetivos comuns do projeto, decidiram dedicar mais tempo para análise dele.

Assim, em 11 de outubro de 1996, na reunião de Brno, na ocasião do colóquio organizado no décimo aniversário do ISSOM, Zbynek Stránský apresentou algumas modificações do projeto. Stránský havia proposto realizar a tarefa analisando uma lista de termos maior que a sugerida por André Desvallées. Nesse caso, a amplitude da seleção terminológica e de seus correlatos e derivados impunha a necessidade de acompanhar cada termo com uma breve definição segundo a estrutura de redação de um dicionário. Sem sombra de dúvida, essa proposta dificilmente seria combinada à anterior, pois seu ponto de vista e finalidade eram diferentes. A existência de dicionários temáticos para Museologia não era nova e a proposta de Stránský parecia reproduzir experiências anteriores nas quais se havia tentado traduzir palavra por palavra, termos de referência a termos correntes, deixando para uma segunda parte a essência da proposta de André Desvallées que enfatizava a importância de incluir as nuances com que os usos e os contextos socioculturais modificavam a definição dos termos.127 127 “Así el 11 de octubre de 1996 en la reunión de Brno, en ocasión del coloquio organizado en el décimo aniversario del ISSOM, Zbyneck Stransky presentó algunas modificaciones al proyecto. Stransky proponía realizar la tarea analizando una lista de términos más amplia que la sugerida por André Desvallées. En ese caso, la amplitud de la selección terminológica y de sus correlatos y derivados imponía la necesidad de acompañar cada término con una breve definición según la estructura de redacción de un diccionario. Sin lugar a dudas esta propuesta era difícilmente fusionable con la anterior pues su punto de partida y su finalidad eran diferente. La existencia de Diccionarios temáticos para Museología no era nueva y la propuesta de Stransky parecía reproducir experiencias anteriores dónde se había intentado traducir palabra por palabra, términos de referencia a términos corrientes, dejando para una segunda parte la esencia de la propuesta de André Desvallées que subrayaba la importancia de incluir los matices con que los usos y los contextos socioculturales modificaban la definición de los términos” (RUSCONI, [entre 1993-2010], tradução nossa).

Por conta das divergências, Rusconi diz que, por um tempo, se cogitou fazer uma publicação que permitisse apresentar, em uma parte, um dicionário e, na outra, uma enciclopédia. Essa ideia não foi cooptada e, durante a década de 1990, o projeto do ICOFOM se desenvolvia voltado para a etimologia e as definições dos vocábulos, por meio de desenvolvimentos conceituais que privilegiavam a história dos termos e seus diferentes usos nas práticas de distintas línguas. Para tal, optou-se por uma metodologia de trabalho conjunta para facilitar “[...] a recuperação e difusão de uma linguagem museológica homologada, que é a que hoje fortalece a continuidade desta proposta e que, desde 1995, conta com aportes da América Latina e do Caribe”.128 128 “[...] la recuperación y difusión de un lenguaje museológico homologado, que es la que hoy fortalece la continuidad de esta propuesta y que desde 1995 cuenta con aportes de América Latina y El Caribe” (RUSCONI, [entre 1993-2010], tradução nossa).

Sobre a proposta de Stránský, Desvallées129 129 “Il fut notamment proposé une autre liste de termes, plus longue, et difficile à fusionner avec la première, et complétée de définitions plus courtes. La conception étant différente, il fut un temps envisagé de faire une publication en deux parties, l’une consistant en une sorte d’encyclopédie, l’autre une sorte de dictionnaire. À ce jour, il n’a pas été donné suite à la proposition de Zbynek Stránský” (DESVALLÉES, 2000, p. 8, tradução de Caliane Bessa). comentou que:

De modo notável, foi proposta outra lista de termos, mais longa e difícil de juntar à primeira, repleta de definições mais curtas. Pela concepção ser diferente, pensou-se em fazer uma publicação dividida em duas partes, uma que consistia em um tipo de enciclopédia, a outra um tipo de dicionário. Desde então, não foi dado seguimento à proposta de Zbynek Stránský.

De fato, a própria Rusconi aponta que a proposta de André Desvallées nunca foi, por si mesma, questionada. A questão foi que, por haver uma segunda proposta apresentada por um ator importante como Stránský, o próprio ICOFOM se viu diante de um impasse. Nos últimos anos, o grupo se dedicou a fazer artigos preliminares em que uma versão dos 21 termos foi apresentada, em 2009, em Liège e Mariemont, no Simpósio Anual do ICOFOM.130 130 Desvallées e Mairesse (2011, p. 15). Segundo Desvallées e Mairesse,131 131 Ibid., loc. cit. dois nomes ganharam destaque ao se somar à empreitada do projeto de “Termos e conceitos”: Norma Rusconi e François Mairesse.

O projeto gerou dois livros: o Dictionnaire encyclopédique de muséologie (Dicionário enciclopédico de museologia), no qual só a definição de Museologia é apresentada em cinco diferentes vertentes de entendimento; e Conceitos-chave da museologia, livreto publicado em 2010, durante a Conferência Geral do ICOM em Shanghai, antes da edição completa. Nele, são apresentadas versões resumidas dos 21 verbetes do Dictionnaire.

Para Anfruns,132 132 Anfruns (2011, p. 9-10). o Dictionnaire trata-se de uma obra monumental que mereceria um status particular entre os profissionais de museus no âmbito das normas e diretrizes para a comunidade museal internacional. A obra também poderia ser vista como uma junção de diversos termos que poderiam definir uma linguagem de compreensão compartilhada e um vocabulário comum de referência aos profissionais. Segundo os organizadores:

O Dictionnaire encyclopédique de muséologie visa apresentar, em um volume, alguns dos “germes da ciência” evocados por Diderot e que se referem aqui ao campo museal. A obra compreende duas partes distintas: uma parte enciclopédica, composta de 21 artigos apresentando, em ordem alfabética, os principais conceitos e noções utilizadas na museologia; uma parte remetendo às utilizações da primeira parte. Cada um dos 21 termos compreendem diferentes partes: (1) um quadro definindo as diferentes acepções da palavra; (2) histórico ou apresentação sucinta da evolução do termo e das outras principais noções que lhe são adjuntas; e (3) os desafios atuais nos quais está conectada a noção evocada.133 133 “L’objet de ce Dictionnaire encyclopédique de muséologie vise à presenter, em un volume, quelque-uns de ces ‘germes de science’, évoques par Diderot et se référant ici au champ muséal. L’ouvrage comprend deux parties distinctes: une partie encyclopédique, composée de vingt-et-um articles présentant, selon un ordre alphabétique, les principaux concepts et notions utilisés en museólogie ; une partie renvoyant à leur utilization dans la première partie. Chacun des vignt-et-um termes comprend différentes parties: (1) un encadré définissant les différentes acceptions du mot, (2) l’historique ou une présentation succincte de l’évolution du terme et des principales autres notions qui lui sont adjointes, ainsi que (3) les enjeuxs actuels auxquels est liée la notion évoquée” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2011, p. 14, tradução nossa).

Para apresentar o termo “museologia” no Dictionnaire, os autores, Mairesse e Desvallées,134 134 Mairesse e Desvallées (2011, p. 343). fizeram primeiro o mapeamento de distintas acepções dele, identificando cinco. A primeira trataria da identificação de museologia como totalmente relativa aos museus, inclusive as suas práticas. No âmbito dessa acepção, ao longo do século XX foi construída, mesmo com fronteiras frágeis e um tanto confusas, uma diferenciação entre museologia e museografia. A segunda acepção seria a que legitima a existência da Museologia como disciplina no campo universitário. Nessa acepção, os autores associaram Museologia ao que os falantes de língua inglesa chamam de museum studies, por serem “reticentes face à invenção de novas ‘ciências’”. Sobre um panorama de cursos de museu (ou museum studies) e Museologia ao redor do mundo, Desvallées e Mairesse135 135 “Cependant une évolution réelle est à l’œuvre, suivant peut-être en cela l’ouverture d’un certain nombre de cours de muséologie ou d’études muséales de par le monde. Certes, des cours étaient professés depuis les années 1920 dans un certain nombre de musées ou d’universités (au Louvre, à Harvard, à Newark, etc.). Le premier enseignement “muséographique”, à l’École du Louvre, est donné à partir de 1929. [...] C’est cependant à partir des années 1960 que l’on voit surgir des formations universitaires nettement plus ambitieuses (mastère, cursus complets, etc.), notamment à Brno (1963), Leicester (1966), Paris (1970) et Leiden (1976). Sans doute les ambitions de ces cursus imposent-elles un effort de theorization sur les savoir formulés” (MAIRESSE; DESVALLÉES, 2011, p. 353, tradução de Camila Bessa). descrevem que

uma evolução real está acontecendo. Seguindo essa evolução, vemos a abertura de uma série de cursos de museologia ou de estudos museais [museum studies] em todo o mundo. Sabemos que alguns cursos são ministrados, desde a década de 1920, numa série de museus e universidades (Louvre, Harvard, Newark etc.). A primeira aula de museografia na École du Louvre foi ministrada em 1929. [...] No entanto, foi a partir de 1960 que vemos surgir formações universitárias significativamente mais ambiciosas (mestrados, currículos completos etc.), especialmente em Brno (1963), Leicester (1966), Paris (1970) e Leiden (1976). Sem dúvida as ambições destes cursos os obrigam a efetuar um esforço de teorização sobre o conhecimento formulado.

Considerando as acepções que apontam a Museologia como o estudo dos aspectos teóricos relativos aos museus, tem sido “lógica” a nomenclatura “museologia” para os cursos da área.136 136 Ibid., p. 355. Entretanto, para que a disciplina pudesse se desenvolver “mais facilmente”, o ICOM desenvolveu uma plataforma para reunir profissionais e professores de Museologia: o ICOFOM.137 137 Ibid., loc. cit. Segundo Mairesse e Desvallées,138 138 Ibid., p. 356. com a criação do ICOFOM, a disciplina Museologia não evolui somente em relação ao termo, mas em relação ao próprio conceito de Museologia.

Como caminho para a terceira acepção, apontam uma Museologia que surgiu “do outro lado da cortina de ferro”, isto é, a Museologia do Leste,139 139 Ibid., p. 358. que, por sua vez, orientou toda uma perspectiva do que vinha a ser Museologia no próprio ICOFOM: uma ciência em formação.140 140 Ibid., p. 359.

Sobre a terceira acepção, Mairesse e Desvallées141 141 Desvallées e Mairesse (2013, p. 62). apontam que, a partir dos anos 1960, tal perspectiva surge progressivamente no Ocidente, defendendo a Museologia “como um verdadeiro campo científico de investigação do real (uma ciência em formação) e como disciplina independente”. Entretanto, ao tratar antes da “museologia do Leste”, Mairesse e Desvallées afirmam que ela foi apresentada ao Ocidente nos anos 1970 e 1980, dando a entender que tal ideia de Ocidente não incluía o Leste europeu. Mas, ao destrinchar essa terceira acepção, marcam notadamente que seu início se deu especificamente em Brno - deixando o leitor confuso sobre a acepção de Ocidente que ora inclui, ora exclui.

Tal acepção traz à perspectiva de Brno sobre uma museologia como saber que se debruça sobre o humano face a sua realidade. Essa perspectiva, apresentada principalmente por Gregorová, foi assimilada rapidamente por outros pesquisadores, como Rússio e Waidacher. Outras tentativas de teorização seriam incluídas, nomeadas como “patrimoniologia” por Schreiner e Sola, em 1982, e, também por esse último, como “mnemosofia”.142 142 Ibid., p. 360-361. Mas, para Desvallées e Mairesse, “a assimilação da museologia a uma ciência - ainda em formação - foi progressivamente abandonada, à medida que nem o seu objeto e nem os seus métodos respondem verdadeiramente aos critérios epistemológicos de uma abordagem científica específica”.143 143 Desvallées e Mairesse (2013, p. 162).

A quarta acepção apresenta a nova museologia, movimento nomeado nos anos 1980 por André Desvallées e que defendia mudanças tanto na concepção quanto nas práticas dos museus, privilegiando a sociedade e/ou comunidade ao redor. A quinta e última acepção dá à Museologia um caráter de campo que incluiria todo o conjunto de reflexões e tentativas teóricas sobre o que os franceses denominam de “campo museal”.144 144 Ibid., p. 63. Essas duas acepções são apresentadas de forma separada na primeira parte do verbete, mas, quando os autores aprofundam a questão, não são apresentadas como distintas acepções.145 145 No artigo, a “contagem” termina na quarta acepção. Essas duas últimas acepções surgem justamente no contexto francês, que, no caso da nova museologia, é amplamente conhecida e difundida; e, na última, é mais recente e, portanto, desconhecida.

Na segunda parte do verbete, ao tratar da quarta acepção, os autores também apresentam o conceito de “filosofia do museal”, cuja perspectiva coloca a intuição e a apreensão sensível como protagonistas no princípio de formação dos museus. Na perspectiva do francês Bernard Deloche,146 146 Mairesse e Desvallées (2011, p. 366). a Museologia seria a filosofia do campo museal, ou “o conjunto de tentativas de teorização ou de reflexão crítica ligado ao campo museal”147 147 “l’ensemble des tentatives de théorisation ou de réflexion critique liées à ce champ muséal” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2011, p. 372, tradução nossa). e “ética do museal”.148 148 Ibid., p. 380.

Como então apresentar uma acepção como sendo de um panorama sobre Museologia quando ela não é conhecida, ou melhor, reconhecida entre os pares? Diferentemente das acepções anteriores, essa última tem sido forjada por atores franceses que, além de defenderem sua autoria, a difundem pelo mundo por meio do Dictionnaire e do Conceitos-chave. Ademais, as cinco acepções apresentadas por Mairesse e Desvallées são colocadas de forma linear, isto é, da primeira, em tempo e espaço, para a mais recente, que seria a acepção elaborada pelos franceses. Embora não seja ainda reconhecida entre os pares, essa perspectiva poderia ser, no mínimo, conhecida e legitimada por meio do Dictionnaire - legitimada no sentido de que o Dictionnaire é fruto da ação coletiva do Comitê, que tem seu espaço no cenário mundial de reflexão sobre Museologia. Mesmo considerando que as contribuições presentes no ICOFOM não sejam amplamente conhecidas nos cursos de museum studies ou valorizadas nos cursos de Museologia, no caso desses últimos, elas servem, no mínimo, como contraponto para novas acepções de museologia que surgem fora do cenário do ICOFOM, como a sociomuseologia149 149 Para conhecimento do que venha a ser a sociomuseologia e sua linguagem de especificidade, leia: Britto (2021). ou museologia social, muito difundida no Brasil.150 150 Em relação à museologia social, em especial no cenário brasileiro, leia: Britto (2019). Vale destacar que a versão reduzida do Dictionnaire, o Conceitos-chave de museologia, está traduzido para onze idiomas, inclusive o português.151 151 Esse livreto e suas traduções foram feitas em cooperação com os comitês nacionais do ICOM dos países falantes dos idiomas traduzidos, e não pelo próprio ICOFOM. A versão portuguesa está disponível em: https://bit.ly/3JydZrq. Acesso em: 24 mar. 2021.

Sobre a via francófona no ICOFOM, segundo os próprios editores do Dictionnaire, na redação propriamente dita, foram escolhidos autores de francófonos (belgas, canadenses, franceses e suíços). Como argumento, o primeiro deles foi a necessidade de escolha de um dos idiomas do ICOM que, considerando a nacionalidade do primeiro organizador, André Desvallées, levou ao francês. O segundo deles argumentou que os pesquisadores francófonos, quando comparados aos anglófonos, leem, no mínimo, outras duas línguas, o que facilitaria a leitura da produção em distintos idiomas.152 152 Desvallées e Mairesse (2011, p. 16).

Entretanto, esses argumentos não se sustentam uma vez que os GTs Termos e Conceitos, do Brasil e da Argentina, gerados como desdobramentos do projeto desde o início, poderiam facilmente inserir no Dictionnaire a produção latino-americana, traduzindo seus produtos tanto para o inglês quanto para o francês.153 153 Na última década, um desdobramento do projeto está em desenvolvimento no Japão, sob a coordenação de Eiji Misushima, membro do ICOFOM. Nele, termos como “museu” e “museologia” são analisados e descritos em quatro línguas asiáticas. Mais que uma homogeneidade idiomática, percebe-se que o bloco francófono almejava uma homogeneidade de pensamento e de lugar de fala. E, ao não convidar para que pesquisadores de outros idiomas pudessem fazer o mesmo exercício, fica claro que a intenção era de estabelecer o protagonismo francófono na publicação. Ao tratar da justificativa de não tradução de contribuições ao Dictionnaire, os autores, deliberadamente, denunciam suas intenções: “Temos consciência de que essa obra não seria a mesma se houvesse sido escrita originalmente em espanhol, em inglês ou em alemão, tanto [na] sua estrutura e na escolha dos termos quanto do ponto de vista da perspectiva teórica adotada!”.154 154 Aqui foi usada a versão reduzida em português do mesmo texto do Dictionnaire, publicada nos Conceito-chave de museologia (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 20).

Para os autores, o pensamento teórico requer uma rigorosa escolha de palavras, que, por sua vez, refletem a estrutura de pensamento de dado autor, influenciada pela estrutura de sua língua materna.155 155 Desvallées e Mairesse (2011, p. 17). Quando se apresentam como aqueles que privilegiam “o ensaio e a reflexão teórica” em detrimento dos anglófonos, segundo eles, voltados para questões pragmáticas, os editores francófonos se comparam aos do Leste europeu, mesmo ao relativizar a “caricatura” dos pesquisadores de países de língua inglesa.156 156 Id., 2013, p. 20.

O leitor pode se surpreender ao ver aparecer, pelo menos em francês, muitas referências a autores que participam do nosso livro. O que pode parecer à primeira vista como autocitação, é explicada pelo fato de que a museologia é uma disciplina ainda jovem, tanto no meio francófono quanto nos demais. Estamos em uma situação na qual podemos recorrer somente às publicações editadas existentes, apesar das referências que poderíamos fazer às publicações editadas em outros idiomas.157 157 “Le lecteur sera peut-être surpris de voir apparaître, du moins em français, de nombreuses références à des auteurs participant à notre ouvrage. Ce qui pourrait apparaître au premier regard comme de l’autocitation s’explique par le fait que la muséologie est une discipline jeune, dans le milieu francofone comme dans les autres. Nous nous sommes trouvés dans la situation oú nous ne pouvions recourir qu’à l’existant, nonobstant les renvois que nous pouvions faire à des publications éditées em d’autres langues” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2011, p. 17, tradução de Camila Bessa).

Ora, se os próprios autores alegaram conhecimento de outras línguas, há toda uma vasta produção sobre Museologia ao longo do século XX que poderia ter sido melhor examinada em uma obra dessa importância. Segundo Desvallées,158 158 Desvallées (2015, p. 145). quando entrou no ICOFOM, “o comitê era composto por alemães, da Alemanha Ocidental e Oriental, russos, tchecos, dinamarqueses, holandeses e brasileiros. E de um japonês. Os franceses eram minoria! [...] Em seguida, o comitê se enriquece com a entrada de alguns outros franceses, de um espanhol e de vários latino-americanos”. Apesar da atual presença de pessoas oriundas de países onde o termo museum studies é mais usado que Museologia, o ICOFOM nunca abriu mão desse termo para denominar a disciplina dos museus.

Eu [Desvallées] acredito verdadeiramente que é melhor que os outros aprendam aquilo que nós - do ICOFOM - pensamos, senão teremos dois ICOFOMs em um: de um lado, aqueles que pensam museologia (isto é, os francófonos europeus e africanos, os italianos, os espanhóis, os portugueses e os latino-americanos, os tchecos, os eslavos em geral, os escandinavos também, eu acho), e, [do] outro lado, aqueles que pensam... para dizer a verdade, eu não sei muito bem em que pensam esses que se recusam a fazer uma teoria do museu e que seriam, talvez, apenas os ingleses e os habitantes dos Estados Unidos, e, talvez, os chineses até que tenham aprendido outras línguas.159 159 Ibid., p. 148.

É possível afirmar que o bloco do Leste europeu se dedicou a refletir sobre as bases epistemológicas para uma possível disciplina científica. Mas foi o bloco francófono que, de certa forma, assumiu o protagonismo sobre um pensamento sobre a Museologia ao redigir uma obra de impacto mundial como o Dictionnaire encyclopédique de muséologie.160 160 Entretanto, é necessário ressaltar que os editores do Dictionnaire reconheciam que “[...] as fundações teóricas, no contexto europeu, foram elaboradas do outro lado do muro de Berlim, a partir dos anos 1960” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 21). Pode não ter sido intencional, mas os membros desse bloco inscreveram seus nomes, línguas e pensamentos na história da Museologia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: O ICOFOM PARA A MUSEOLOGIA

De acordo com Bourdieu:161 161 Bourdieu (2008, p. 125, grifo do autor).

Tudo leva a supor que o efeito de teoria - podendo ser exercido na própria realidade por agentes e organizações capazes de impor um princípio de divisão, ou melhor, de produzir ou reforçar simbolicamente a tendência sistemática para privilegiar certos aspectos do real e ignorar outros - será tanto mais poderoso e sobretudo duradouro quanto mais a explicitação e a objetivação estiverem fundadas na realidade, fazendo com que as divisões pensadas correspondam mais exatamente às divisões reais. Em outros termos, a força potencial mobilizada pela constituição simbólica será tanto mais importante quanto mais amplamente as propriedades classificatórias pelas quais um grupo se caracteriza explicitamente e nas quais ele se reconhece recobrirem as propriedades de que são objetivamente dotados os agentes constitutivos do grupo (e que definem sua posição na distribuição dos instrumentos de apropriação do produto social acumulado).

Para nossa a análise, baseada em Bourdieu, é importante tratar as relações sociais presentes no ICOFOM como “interações simbólicas”, que, por sua vez, são “[...] relações de comunicação que implicam o conhecimento e o reconhecimento”. Nesse processo, é importante ter clareza de que não existem palavras “neutras” e “inocentes”. Essas relações, ou interações, no âmbito de uma comunidade que almeja uma língua comum, constituem “[...] a condição da instauração de relações de dominação linguística”. Em outras palavras, para Bourdieu, não se trata apenas de comunicação, mas de fazer reconhecer, por meio do “novo vocabulário político”, novos discursos de autoridade.162 162 Ibid., p. 23-24, 32.

Como produção simbólica que deve sua existência às condições sociais de produção (que, neste caso, a fundamental foi o ICOFOM), o Dictionnaire, como um conjunto de signos convencionados na forma de elaboração de um discurso, tem como resultado um produto que demanda ser recebido com “respeito pelas formas que ostenta”,163 163 Ibid., p. 133. além de ser parte da “constituição da experiência oficial e legítima do mundo social em um dado momento do tempo”.164 164 Bourdieu (2012, p. 143, grifos do autor). Afinal, no âmbito da ciência, nenhum discurso é considerado por si mesmo, mas necessita estar em acordo com as condições sociais no qual a obra (da qual o discurso pertence) foi produzida, além de dar importância às “[...] posições ocupadas por seus autores no campo de produção - e, por outro lado, ao mercado para o qual foram produzidas [...] e, eventualmente, aos mercados sucessivos de recepção de tais obras”.165 165 Bourdieu (2008, p. 129). Ademais,

resultado exemplar desse trabalho de codificação e normatização, o dicionário reúne, pelo registro erudito, a totalidade dos recursos linguísticos acumulados ao longo do tempo e, em particular, todas as utilizações possíveis da mesma palavra [...], justapondo usos socialmente estranhos e até mesmo exclusivos [...]. Desse modo, o dicionário oferece uma imagem bastante justa da língua no sentido que lhe confere Saussure, ‘soma dos tesouros de língua individuais’, tendentes a preencher as funções de código ‘universal’.166 166 Ibid., p. 34-35, grifo do autor.

O que os autores francófonos do Dictionnaire adquiriram para si foi um “lucro de distinção” ligado, em parte, à “raridade do produto” oferecido.167 167 Ibid., p. 42. Esse produto, cujo destino será se tornar “referência obrigatória”, conferirá aos autores “um poder sobre a língua” e, pela mesma via, na perspectiva de Bourdieu,168 168 Ibid., p. 45. também “sobre os simples usuários da língua bem como sobre seu capital”. Tornaram-se, também, ‘porta-vozes’ do grupo chamado ICOFOM, mesmo que esse próprio grupo seja inconsciente disso. Contudo, ao viabilizar e autorizar a produção do Dictionnaire, permitiu que sua personificação tivesse uma voz francesa. Mais que “o ICOFOM sou eu”,169 169 Referência a frase “o Estado sou eu”, atribuída a Luís XIV, rei da França. fica evidente que, apesar da sutileza dos autores do Dictionnaire, “o mundo da museologia”, do ponto de vista deles, “é minha representação”.170 170 Ibid., p. 83.

O porta-voz autorizado consegue agir com palavras em relação a outros agentes e, por meio de seu trabalho, agir sobre as próprias coisas, à medida que sua fala concentra o capital simbólico acumulado pelo grupo que lhe conferiu o mandato do qual ele é, por assim dizer, o procurador.171 171 Ibid., p. 82.

O Dictionnaire conferiu aos autores o poder de ter “[...] em potência o uso exclusivo ou privilegiado de bens ou serviços formalmente disponíveis a todos: o poder dá o monopólio de certos possíveis, formalmente inscritos no futuro de todo agente”.172 172 Bourdieu (2012, p. 96).

Entretanto não se pode, de maneira alguma, ver o Dictionnaire como uma produção somente específica do ponto de vista e da perspectiva francófona - tal análise está condenada “ao fracasso” quando não se estabelece relações com as propriedades do discurso nele apresentado, as propriedades do enunciador e “as propriedades da instituição que o autoriza a pronunciá-lo”173 173 Id., 2008, p. 82. que, no caso, foi tanto o ICOM quanto o ICOFOM.174 174 Vide os prefácios escritos por Julien Anfruns (2011), então Diretor Geral do ICOM, e por Nelly Decarolis (2011), então Presidente do ICOFOM. Em relação ao impacto mundial dessa obra, o discurso ali impetrado não necessita apenas ser compreendido, mas, para exercer efeito próprio, ser reconhecido.175 175 Ibid., p. 91. Esse impacto somente poderá ser medido, de fato, a partir das novas gerações de estudantes de Museologia ou museum studies.

Por ora, o que podemos notar no período pós-Dictionnaire é o protagonismo ou a relevância consolidada do ICOFOM frente às discussões emblemáticas do ICOM, como a atual discussão sobre a definição de museus. Visando propiciar fundamentos e atuar como catalisador e difusor de discussões sobre a definição de museus, o ICOFOM promove, desde 2017, encontros sobre essa temática,176 176 As publicações desses encontros, que ocorreram, respectivamente, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires, Paris e St. Andrews, estão disponíveis em: https://bit.ly/3D1ngWt. Acesso em: 26 ago. 2021. incluindo outros encontros específicos do ICOFOM LAC.177 177 O tema do XXVIII Encontro do ICOFOM LAM, ocorrido em 2020, foi “Em direção a uma definição de museu na perspectiva da América Latina e do Caribe: fundamentos epistemológicos”.

No que tange à consolidação e ao protagonismo do Comitê na discussão da definição de museus do ICOM, o ICOFOM participou da primeira constituição do Comitê Permanente para a Definição de Museus (Museum Definition, Prospects and Potentials, MDPP) e integra a atual configuração dele, rebatizado, em 2020, de ICOM Define, presidido pelo atual presidente do ICOFOM, o prof. dr. Bruno Brulon Soares,178 178 Prof. Dr. Bruno Brulon Soares é docente da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Apesar de ser brasileiro, não é possível afirmar que esse ator faz parte de um bloco “brasileiro/lusófono” no ICOFOM, já que sequer existe um, isto é, de proporção similar ao bloco francófono. que, por sua vez, promove e incentiva a atuação dos membros do ICOFOM no processo. Em razão de sua atuação e posicionamentos críticos na discussão da definição anterior de museus, bem como durante a Assembleia Extraordinária do ICOM, realizada em Kyoto, em 2019, Soares passou a ser reconhecido como ator de destaque no processo, quando recebeu indicação à presidência do novo comitê e, indiretamente, levando o nome do ICOFOM ao centro da mais importante discussão do ICOM atualmente.

Assim, como está no nome do ICOFOM (Comitê Internacional para a Museologia), não se trata de uma organização mundial “da Museologia”, mas que existe “para a Museologia”, buscando, a todo custo, fundamentar, disseminar e consolidar a existência dela, a qual a existência do ICOFOM é dependente. Em outras palavras, não ser “da Museologia”, que implicaria num erro estratégico por parte do próprio ICOFOM, mas ser “para” a Museologia, o coloca como produtor de fundamentos, disseminador e catalisador de uma produção mundial do que viria a ser uma disciplina específica denominada Museologia. Portanto, independente das inúmeras concepções que venham a existir sobre ela,179 179 Segundo Desvallées e Mairesse (2013, p. 54), a Museologia pode ser percebida como um conjunto de saberes que abarca distintas tentativas de “teorização ou de reflexão crítica sobre o campo museal”, isto é, englobaria todas as demais acepções do que venha a ser museologia (“estudos sobre museus”, “nova museologia”, “museologia crítica”, “relação do humano com a realidade”, “filosofia do museal”, entre outras). Como apontou Bourdieu (2013), essas diferentes acepções que compõem o que pode ser Museologia nos lembram que cada uma delas só pode ser pensada e analisada na relação com as demais. Ao admitir as diferentes nomenclaturas dessas distintas visões, sua existência e seu ponto de vista são reconhecidos - e essa luta pela imposição de dado ponto de vista faz parte da realidade objetiva científica. a existência de uma disciplina é a garantia da existência do ICOFOM.

FONTES IMPRESSAS

  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques. Amsterdam, n. 1-2, 1981-1982.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 3, 1983.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 5, 1984.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 6, 1984.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 8, 1985.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 9, 1986.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 10, 1987.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 13, 1990.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 14, 1991.
  • INTERNATIONAL COMMITTEE FOR THE TRAINING OF PERSONNEL. ICOM International Committee on the Training of Personnel Newsletter Bulletin d’Information, [Cidade de publicação], n. 8, May 1987.
  • INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS. Atas da 11ª Conferência Geral. Paris: Arquivo ICOM/ICOFOM, 1977.
  • RUSCONI, Norma. El universo sociocultural del lenguaje museológico. [S. l.]: ICOFOM LAM, [entre 1993-2010].
  • STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. Encyclopaedia of Museology. Brno: Masaryk University Brno, 1996.
  • STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. Working Group: Treatise on Museology. In: MEETING OF ICOFOM, 7., 1984, Leiden. Leiden: ICOFOM, 1984.

LIVROS, ARTIGOS E TESES

  • ANFRUS, Julien. Préface. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.
  • BENEŠ, Josef. A Contribution Towards Clarifying the Conception of Museology. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 10-12, 1981.
  • BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. 2. ed. Porto Alegre: Zouk, 2013.
  • BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 2008.
  • BOURDIEU, Pierre. Escritos de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012a.
  • BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: Bourdieu: sociologia. São Paulo: Ática, 1983. p. 122-155. (Grandes Cientistas Sociais, 39). Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3N7C3Uh Acesso em: 20 maio 2021.
    » https://bit.ly/3N7C3Uh
  • BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012b.
  • BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia crítica do campo científico. São Paulo: Editora Unesp, 2003.
  • BRITTO, Clovis Carvalho. “As palavras continuam com os seus deslimites”: reflexões sobre sociomuseologia e linguagem de especialidade. In: PRIMO, Judite Santos; MOUTINHO, Mario (org.). Teoria e prática da sociomuseologia. Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 2021. v. 1, p. 65-86.
  • BRITTO, Clóvis Carvalho. “Nossa maçã é que come Eva”: a poética de Manoel de Barros e os lugares epistêmicos das museologias indisciplinadas no Brasil. 2019. Tese (Doutorado em Museologia) - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2019.
  • BURCAW, G. Ellis. Comments on MuWoP N.º 1. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 83-84, 1981.
  • CABRÉ, Maria Teresa. La terminología: teoría, metodología, aplicaciones. Barcelona: Antártida, 1993.
  • CERAVOLO, Suely Moraes. Da palavra ao termo: um caminho para compreender Museologia. 2004. Tese (Doutorado em Biblioteconomia e Documentação) - Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
  • CERÁVOLO, Suely Moraes. Delineamentos para uma teoria da Museologia. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 12, 2004.
  • CERÁVOLO, Suely Moraes. Museologia: retrospectiva sobre a formação da área e método de pesquisa para delimitar um domínio conceitual. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 4., 2005, Florianópolis. Anais... Florianópolis: [s. n.], 2005.
  • COSTA, Ludmila L. Madeira da; LIMA, Diana Farjalla Correia. Termo/conceito Museólogo: identificando e definindo sua atuação em coleções de artistas plásticos contemporâneos. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14., 2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: [s. n.], 2013.
  • DECAROLIS, Nelly. Avant-propos. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.
  • DESVALLÉES, André. Entrevista com André Desvallées: depoimento. [30 de março, 2012]. Anais do Museu Histórico Nacional: Rio de Janeiro, v. 47, p. 131-150, 2015.
  • DESVALLÉES, André. ICOFOM discussions on the long-term Project on Basic Museological Terms Thesaurus Museologicus. Stanvanger: ICOFOM, jul. 1995. Coleção Tereza Scheiner.
  • DESVALLÉES, André. Pour une terminologie muséologique de base. ICOFOM Study Series, Paris, n. 8, p. 8-9, 2000.
  • DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Conceitos-chave de museologia. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2013.
  • DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.
  • DUB, Michaela. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 31-32, 1981.
  • GIL, Isabela Teresa Morais. Algumas considerações sobre línguas de especialidade e seus processos lexicogénicos. Máthesis, Lisboa, v. 12, p. 113-130, 2003.
  • GREGOROVÁ, Anna. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 33-36, 1981.
  • JAHN, Ilse. Interdisciplinarity in Museology: Presuppositions and Requisites. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 37-38, 1981.
  • KAPLAN, Flora S. Towards a Science of Museology: Comments and Supposition. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 14-15, 1981.
  • KLAUSEWITZ, Wolfgang. The First Historical Phase of ICOFOM: A Review with Personal Reflections. Paris: Arquivo ICOM/ICOFOM, [198-?].
  • KLAUSEWITZ, Wolfgang. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 1, p. 11, 1980.
  • LEMIEUX, Louis. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 41-42, 1981.
  • LIMA, Diana Farjalla Correia. Ciência da informação e museologia em tempo de conhecimento fronteiriço: aplicação ou interdisciplinaridade? In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 9., 2008, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ECA-USP, 2008.
  • MARÖEVIC, Ivo. Towards a New Definition of a Museum. In: MAIRESSE, François (org.). Defining the Museum. Morlanwez: Musée royal de Mariemont, 2005. p. 135-145. Original.
  • MAIRESSE, François; DESVALLÉES, André. Muséologie. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.
  • MIQUEL I SERRA, Domènec; MORRAL I ROMEU, Eulàlia. From Pluridisciplinarity to Interdisciplinarity: The Experience of Local Museums in Catalonia. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 43-45, 1981.
  • NEUSTUPNÝ, Jirí. On the Homogeneity of Museology. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 46-47, 1981.
  • NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio. Uma sociologia da produção do mundo cultural e escolar. In: BOURDIEU, Pierre. Escritos de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012, p. 7-15.
  • OTT, Robert W. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 48-50, 1981.
  • RAZGON, Awraam. Multidisciplinary Research in Museology. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 51-53, 1981.
  • RIVIÈRE, Georges Henri. The Dynamics of the Role of Interdisciplinarity in the Museum Institution. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 54-55, 1981.
  • RÚSSIO GUARNIERI, Waldisa. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 56-57, 1981.
  • SCHEINER, Tereza. Do curso de museus ao mestrado em Museologia e Patrimônio: 75 anos de ensino de museologia no Brasil. Texto da conferência de abertura do Seminário Comemorativo aos 75 Anos do Ensino da Museologia no Brasil. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2007. Original.
  • SCHEINER, Tereza. Museologia e pesquisa: perspectivas na atualidade. In: Museu de Astronomia e Ciências Afins (Brasil). MAST Colloquia - Museu: Instituição de Pesquisa. Rio de Janeiro, v. 7, p. 85-100, 2005.
  • SCHEINER, Tereza. The many faces of ICOFOM. ICOFOM Study Series, Paris, n. 8, p. 2, 2000.
  • SCHREINER, Klaus. An Outline for Museology: Its Multidisciplinary Aspects. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 58-59, 1981.
  • SEKELJ, Tibor. Interdisciplinary Cooperation: A Step Towards the Integrated Museum. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 60-61, 1981.
  • SOARES, Bruno Brulon (ed.). A History of Museology: Key Authors of Museological Theory. Paris: ICOFOM, 2019. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3ueUD49 Acesso em: 24 mar. 2021.
    » https://bit.ly/3ueUD49
  • SOARES, Bruno Brulon; CARVALHO, Luciana Menezes de; CRUZ, Henrique de Vasconcelos. O nascimento da museologia: confluências e tendências do campo museológico no Brasil. In: MAGALHÃES, Aline Montenegro; BEZERRA, Rafael Zamorano. 90 anos do Museu Histórico Nacional: em debate (1922-2012). [Rio de Janeiro]: [Museu Histórico Nacional], 2014. p. 244-262.
  • SOFKA, Vinos. Introductory Summary by the Editor. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 1, p. 15, 1980.
  • SOFKA, Vinos. My Adventurous Life with ICOFOM, Museology, Museologists, and Anti-museologists, Giving Special Reference to ICOFOM Study Series. ICOFOM Study Series, Paris, v. 1, p. 22, 1995.
  • STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. Sobre o tema “Museologia - ciência ou apenas trabalho prático?” (1980). Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, 2008. p. 101-105.
  • STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 19-21, 1981.
  • SWIECIEMSKI, Jerzy. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 22-24, 1981.
  • SWIECIEMSKI, Jerzy. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 62, 1981.
  • VAN MENSCH, Peter. Towards a Methodology of Museology. 1992. Tese - Universidade de Zagreb, Zagreb, 1992.

FILMES

  • WHERE ICOM from. Direção: BIRD - Agence d’ingénierie historique. Paris, 2016. 1 vídeo mp4 (27 min).

  • 1
    O presente artigo é um resumo de um capítulo da tese de doutorado de Luciana Menezes de Carvalho, Do museu à museologia: constituição e consolidação de uma disciplina, defendida em 2017 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), sob a orientação de Tereza Cristina Moletta Scheiner.
  • 3
    “[...] can we also convince others that museology is needed?” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris., p. 45, tradução nossa).
  • 4
    Bourdieu (2008BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 2008., p. 81, 85-87, grifo do autor).
  • 5
    Bourdieu (1983BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: Bourdieu: sociologia. São Paulo: Ática, 1983. p. 122-155. (Grandes Cientistas Sociais, 39). Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3N7C3Uh . Acesso em: 20 maio 2021.
    https://bit.ly/3N7C3Uh...
    , 2003BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia crítica do campo científico. São Paulo: Editora Unesp, 2003., 2012bBOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012b., p. 67).
  • 6
    Desvallées e Mairesse (2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 347).
  • 7
    If somebody had spoken or written about museology as a branch of science thirty or even twenty years ago, the only response from many people would be a compassionate, contemptuous smile” (GRAESSE, 1883 apud VAN MENSCH, 1992VAN MENSCH, Peter. Towards a Methodology of Museology. 1992. Tese - Universidade de Zagreb, Zagreb, 1992., p. 8, tradução nossa).
  • 8
    Desvallées e Mairesse (2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 348).
  • 9
    Van Mensch, op. cit.
  • 10
    Scheiner (2007SCHEINER, Tereza. Do curso de museus ao mestrado em Museologia e Patrimônio: 75 anos de ensino de museologia no Brasil. Texto da conferência de abertura do Seminário Comemorativo aos 75 Anos do Ensino da Museologia no Brasil. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2007. Original.).
  • 11
    Entretanto, desde a criação do Museu Histórico Nacional, em 1922, apontou-se a necessidade de criação de uma formação técnica específica para museus (SOARES; CARVALHO; CRUZ, 2014SOARES, Bruno Brulon; CARVALHO, Luciana Menezes de; CRUZ, Henrique de Vasconcelos. O nascimento da museologia: confluências e tendências do campo museológico no Brasil. In: MAGALHÃES, Aline Montenegro; BEZERRA, Rafael Zamorano. 90 anos do Museu Histórico Nacional: em debate (1922-2012). [Rio de Janeiro]: [Museu Histórico Nacional], 2014. p. 244-262., p. 242).
  • 12
    Cf. Scheiner (2007SCHEINER, Tereza. Do curso de museus ao mestrado em Museologia e Patrimônio: 75 anos de ensino de museologia no Brasil. Texto da conferência de abertura do Seminário Comemorativo aos 75 Anos do Ensino da Museologia no Brasil. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2007. Original.).
  • 13
    Maröevic (2005MARÖEVIC, Ivo. Towards a New Definition of a Museum. In: MAIRESSE, François (org.). Defining the Museum. Morlanwez: Musée royal de Mariemont, 2005. p. 135-145. Original., p. 142).
  • 14
    Desvallées e Mairesse (2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 343).
  • 15
    Maröevic (2005MARÖEVIC, Ivo. Towards a New Definition of a Museum. In: MAIRESSE, François (org.). Defining the Museum. Morlanwez: Musée royal de Mariemont, 2005. p. 135-145. Original.).
  • 16
    Scheiner (2005SCHEINER, Tereza. Museologia e pesquisa: perspectivas na atualidade. In: Museu de Astronomia e Ciências Afins (Brasil). MAST Colloquia - Museu: Instituição de Pesquisa. Rio de Janeiro, v. 7, p. 85-100, 2005., p. 179).
  • 17
    Cf. Van Mensch, op. cit.
  • 18
    Scheiner (2005SCHEINER, Tereza. Museologia e pesquisa: perspectivas na atualidade. In: Museu de Astronomia e Ciências Afins (Brasil). MAST Colloquia - Museu: Instituição de Pesquisa. Rio de Janeiro, v. 7, p. 85-100, 2005., p. 179).
  • 19
    Scheiner (2005SCHEINER, Tereza. Museologia e pesquisa: perspectivas na atualidade. In: Museu de Astronomia e Ciências Afins (Brasil). MAST Colloquia - Museu: Instituição de Pesquisa. Rio de Janeiro, v. 7, p. 85-100, 2005., p. 179).
  • 20
    Van Mensch, op. cit.
  • 21
    Scheiner (2005SCHEINER, Tereza. Museologia e pesquisa: perspectivas na atualidade. In: Museu de Astronomia e Ciências Afins (Brasil). MAST Colloquia - Museu: Instituição de Pesquisa. Rio de Janeiro, v. 7, p. 85-100, 2005., p. 87).
  • 22
    Sob outra perspectiva, a prof.ª dr.ª Suely Cerávolo (2004CERAVOLO, Suely Moraes. Da palavra ao termo: um caminho para compreender Museologia. 2004. Tese (Doutorado em Biblioteconomia e Documentação) - Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004., 2005CERÁVOLO, Suely Moraes. Museologia: retrospectiva sobre a formação da área e método de pesquisa para delimitar um domínio conceitual. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 4., 2005, Florianópolis. Anais... Florianópolis: [s. n.], 2005.) tem se debruçado sistematicamente sobre a relevância do ICOFOM para a museologia.
  • 23
    Where ICOM from (2016WHERE ICOM from. Direção: BIRD - Agence d’ingénierie historique. Paris, 2016. 1 vídeo mp4 (27 min).).
  • 24
    Cerávolo (2004CERÁVOLO, Suely Moraes. Delineamentos para uma teoria da Museologia. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 12, 2004., p. 12).
  • 25
    Scheiner (2000SCHEINER, Tereza. The many faces of ICOFOM. ICOFOM Study Series, Paris, n. 8, p. 2, 2000., p. 2).
  • 26
    Sofka (1995SOFKA, Vinos. My Adventurous Life with ICOFOM, Museology, Museologists, and Anti-museologists, Giving Special Reference to ICOFOM Study Series. ICOFOM Study Series, Paris, v. 1, p. 22, 1995., p. 19).
  • 27
    Every branch of professional activity needs to be studied, developed, and adapted to changing contemporary conditions - and not least that of museology” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 3, 1983., p. 30, tradução nossa).
  • 28
    Klausewitz, [198-?].
  • 29
    Internacional Council of Museums (1977INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS. Atas da 11ª Conferência Geral. Paris: Arquivo ICOM/ICOFOM, 1977.).
  • 30
    International Committee for Museology (1985INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 8, 1985., p. 19).
  • 31
    “[...] to find out whether the museology is a real scientific discipline or not” (KLAUSEWITZ, [198-?]KLAUSEWITZ, Wolfgang. The First Historical Phase of ICOFOM: A Review with Personal Reflections. Paris: Arquivo ICOM/ICOFOM, [198-?]., tradução nossa).
  • 32
    The policy I proposed, accepted by the Executive Board of our Committee, was to help and to support the creation of a theoretical basis for our profession and to encourage the development of museology as a special scientific brand” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 16, tradução nossa).
  • 33
    “[...] in advancing the theory of museology, the philosophical basis of our profession” (International Committee for Museology, 1981-1982INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques. Amsterdam, n. 1-2, 1981-1982., p. 3, tradução nossa).
  • 34
    International Committee for Museology (1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 3).
  • 35
    “[...] to establish museology as a scientific discipline” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 36, tradução nossa).
  • 36
    International Committee for Museology (1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 38).
  • 37
    International Committee for Museology (1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 26).
  • 38
    The need to develop museum theory itself as a basis for all the professional museum activities, by serious scientific research in museology has moved to the foreground more and more, and ICOFOM’s active and leading role in this connection has been stressed. The need of procuring platforms for a continuous international exchange of museological ideas on theoretical and methodological levels has been emphasized. The publishing of the journal Museological Working Papers, under the editorship of ICOFOM, was one of the most important achievements in this connection” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 30, tradução nossa).
  • 39
    A new arrival is announced in the international museum community. Nickname: MuWoP. Size: 67 pages. Weight: 203 g.” (SOFKA, 1980SOFKA, Vinos. Introductory Summary by the Editor. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 1, p. 15, 1980., p. 3, tradução nossa).
  • 40
    Cerávolo (2004CERÁVOLO, Suely Moraes. Delineamentos para uma teoria da Museologia. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 12, 2004., p. 159).
  • 41
    O Corpo Editorial do MuWoP era composto por Vinos Sofka, Villy Toft Jensen, Wolfgang Klausewitz e Awraam M. Razgon.
  • 42
    Klausewitz (1980KLAUSEWITZ, Wolfgang. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 1, p. 11, 1980., p. 11).
  • 43
    Beneš (1981BENEŠ, Josef. A Contribution Towards Clarifying the Conception of Museology. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 10-12, 1981., p. 10-12).
  • 44
    Kaplan (1981KAPLAN, Flora S. Towards a Science of Museology: Comments and Supposition. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 14-15, 1981., p. 14-15).
  • 45
    Stránský (1981STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 19-21, 1981., p. 19-21).
  • 46
    Swieciemski (1981SWIECIEMSKI, Jerzy. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 22-24, 1981., p. 22-24).
  • 47
    Burcaw (1981BURCAW, G. Ellis. Comments on MuWoP N.º 1. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 83-84, 1981., p. 29-30).
  • 48
    Dub (1981DUB, Michaela. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 31-32, 1981., p. 30-31).
  • 49
    Gregorová (1981GREGOROVÁ, Anna. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 33-36, 1981., p. 33-36).
  • 50
    Jahn (1981JAHN, Ilse. Interdisciplinarity in Museology: Presuppositions and Requisites. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 37-38, 1981., p. 37-38).
  • 51
    Kaplan (1981KAPLAN, Flora S. Towards a Science of Museology: Comments and Supposition. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 14-15, 1981., p. 40).
  • 52
    Lemieux (1981LEMIEUX, Louis. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 41-42, 1981., p. 41-42).
  • 53
    Miquel i Serra e Morrai i Romeu (1981MIQUEL I SERRA, Domènec; MORRAL I ROMEU, Eulàlia. From Pluridisciplinarity to Interdisciplinarity: The Experience of Local Museums in Catalonia. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 43-45, 1981., p. 44-45).
  • 54
    Neustupný (1981NEUSTUPNÝ, Jirí. On the Homogeneity of Museology. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 46-47, 1981., p. 46).
  • 55
    Ott (1981OTT, Robert W. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 48-50, 1981., p. 48-50).
  • 56
    Razgon (1981RAZGON, Awraam. Multidisciplinary Research in Museology. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 51-53, 1981., p. 51-53).
  • 57
    Rivière (1981RIVIÈRE, Georges Henri. The Dynamics of the Role of Interdisciplinarity in the Museum Institution. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 54-55, 1981., p. 54-55).
  • 58
    Rússio Guarnieri (1981RÚSSIO GUARNIERI, Waldisa. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 56-57, 1981., p. 56-57).
  • 59
    Schreiner (1981SCHREINER, Klaus. An Outline for Museology: Its Multidisciplinary Aspects. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 58-59, 1981., p. 58-59).
  • 60
    Sekelj (1981SEKELJ, Tibor. Interdisciplinary Cooperation: A Step Towards the Integrated Museum. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 60-61, 1981., p. 60-61).
  • 61
    Swieciemski (1981SWIECIEMSKI, Jerzy. [Sem título]. MuWoP: Museological Working Papers/DoTraM: Documents de Travail en Muséologie, Stockholm, v. 2, p. 62, 1981., p. 62).
  • 62
    International Committee for Museology (1984INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 5, 1984., p. 4, 10, 37, 1985INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 8, 1985.).
  • 63
    International Committee for Museology (1984INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 6, 1984., p. 18-22, 29).
  • 64
    Bourdieu (2012BOURDIEU, Pierre. Escritos de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012a., p. 18).
  • 65
    International Committee for Museology (1983INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 4, 1983., p. 20).
  • 66
    “In Argentina it has greatly helped to develop museological knowledge. Since 1982 ‘MuWoP’ issues have been incorporated as basic bibliography for students of Museological tertiary level. The topic ‘Museology: Science or practical work...?’ has been studied and discussed for the first time by the Chair holder. Many documents published by ICOFOM have been translated and used to further the formation of museum professionals and Museology students. Moreover, those papers have been also used at national workshops and meetins [sic] as guidelines for further discussiones [sic]” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 58, tradução nossa).
  • 67
    Sofka (1995SOFKA, Vinos. My Adventurous Life with ICOFOM, Museology, Museologists, and Anti-museologists, Giving Special Reference to ICOFOM Study Series. ICOFOM Study Series, Paris, v. 1, p. 22, 1995., p. 2-3).
  • 68
    “[...] and conclusions are drawn with the aim to establish and further develop museology as a scientific discipline” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris., p. 43, tradução nossa).
  • 69
    International Committee for Museology (1984INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 6, 1984., p. 44).
  • 70
    Sofka (1995SOFKA, Vinos. My Adventurous Life with ICOFOM, Museology, Museologists, and Anti-museologists, Giving Special Reference to ICOFOM Study Series. ICOFOM Study Series, Paris, v. 1, p. 22, 1995., p. 2).
  • 71
    International Committee for Museology (1986INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 9, 1986., p. 27).
  • 72
    “[...] efforts to increase and deepen collaboration with ICOM Committees and professional institutions and organizations in the field of museology, as weIl as other sciences, especially with universities and their departments of museum studies” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1986INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 9, 1986., p. 36, tradução nossa).
  • 73
    “The Committee’s aims are to establish museology as a scientific discipline [...] A continuously increasing group of eminent museum people from different parts of the world stands behind an exceptionally enthusiastic achievement to lay, step by step, the foundations for museology as science” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris., tradução nossa).
  • 74
    “Museology is now finally getting in the global museum thinking the place which corresponds to its aims and raison d’être [...]” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris., tradução nossa).
  • 75
    Spielbauer (1981) apud Van Mensch, op. cit.
  • 76
    “If museology has a place in the university, museologists will gain in prestige, support and position within the museum profession and the community at large” (SPIELBAUER, 1981 apud VAN MENSCH, op. cit., p. 15, tradução nossa).
  • 77
    The status of museum training programmes very much depends on the degree in which museum work is considered a profession and the degree in which museology is recognised as a more or less autonomous discipline” (VAN MENSCH, op. cit., p. 15, tradução nossa).
  • 78
    International Committee for Museology (1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 43-48).
  • 79
    We can safely say that the 1980’s is a new era in the development of museology, both quantitatively and qualitatively different from the previous period” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 49, tradução nossa).
  • 80
    “While in the 1970’s individual pioneers of muzeological [sic] thinking tried to promote the new approach to museum reality separately and under limited conditions of their countries. The activity of lCOFOM has resulted in the establishment of an international forum for frequent exchanges of ideas and approaches to the world of museum. AIl that has been realized especially thanks to workers of museological teaching centres in universities, for whom the establishment of museology as a scientific system was the basic precondition of their work, and who therefore needed the science much more thon museum workers oriented pragmatically” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 49, tradução nossa).
  • 81
    International Committee for Museology (1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 52).
  • 82
    To create museology will require joining forces from all over the world, which means to reach a proportionally acceptable representation of all continents, so that the research will not be an exclusive matter of interest of European and North American scientists” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 51, tradução nossa).
  • 83
    Desvallées (2015DESVALLÉES, André. Entrevista com André Desvallées: depoimento. [30 de março, 2012]. Anais do Museu Histórico Nacional: Rio de Janeiro, v. 47, p. 131-150, 2015., p. 146).
  • 84
    Ibid., p. 148.
  • 85
    The fact that the members do not have to the in person at the meetings to really participate by presenting beforehand their papers in the chance ICOFOM gives to its members to contribute in absentia to discussions that are enriched by multi-cultural thoughts into the ICOFOM publications” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 65, tradução nossa).
  • 86
    International Committee for Museology (1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 84).
  • 87
    Para conhecer mais sobre Vinoš Sofka, leia: Soares (2019SOARES, Bruno Brulon (ed.). A History of Museology: Key Authors of Museological Theory. Paris: ICOFOM, 2019. Disponível em: Disponível em: https://bit.ly/3ueUD49 . Acesso em: 24 mar. 2021.
    https://bit.ly/3ueUD49...
    ).
  • 88
    “[...] as academic discipline and ICOFOM as the main international platform for the museology discourse” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1991INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 14, 1991., p. 1, tradução nossa).
  • 89
    As instituições envolvidas no estabelecimento da Escola de Verão de Museologia (ISSOM) foram o Museu Morávio, a Universidade J. E. Purkyneˇ, em Brno, os Ministérios da Educação e da Cultura da Tchecoslováquia e o Comitê Tchecoslovaco de Cooperação com a UNESCO. O curso teve sua aula inaugural em agosto de 1987 (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR THE TRAINING OF PERSONNEL, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR THE TRAINING OF PERSONNEL. ICOM International Committee on the Training of Personnel Newsletter Bulletin d’Information, [Cidade de publicação], n. 8, May 1987., p. 19).
  • 90
    “The museological centre in Brno was initiative when establishing the ICOFOM; from the beginning the workers of this centre immediately contributed to the activities of this commission. They were weIl aware of the fact that the enforcement of museology is not, and cannot be, the matter of only a narrow national or regional team of workers, but that it will require an international base in the true sense of the word. These past ICOFOM activities fully confirm our opinion. [...] From the first year of the ISSOM, the teachers ranked from among the ICOFOM members and over the past years their number has considerably increased” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1989INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 12, 1989., p. 125-126, tradução nossa).
  • 91
    Mairesse e Desvallées (2011MAIRESSE, François; DESVALLÉES, André. Muséologie. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 362, 371).
  • 92
    “Museology: an intellectual extravagance or a useful and needed tool for the work of museums and other institutions in handling the heritage of man?” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris., p. 46, tradução nossa).
  • 93
    Sofka mencionou que a Finlândia teve suas primeiras experiências com a Museologia, demonstrando, portanto, o enfoque que o país queria dar à Museologia, não se limitando em divulgá-la, mas torná-la “necessária”.
  • 94
    “Theory and Practice: Or Museology as an Inevitable Base for Museum Work” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Call of papers, 1987. Arquivo ICOM/ICOFOM, Paris., p. 46, tradução nossa).
  • 95
    Ibid., p. 84.
  • 96
    Ibid., p. 119.
  • 97
    O termo independente, aqui, está conectado a uma autonomia científica que se desdobra na forma acadêmica.
  • 98
    Apesar de aliar museologia à existência de uma área acadêmica, Kaplan a percebe como interdisciplinar, pois configura diferentes disciplinas em seu escopo (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1987INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 10, 1987., p. 123-128).
  • 99
    International Committee for Museology (1990INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 13, 1990., p. 3).
  • 100
    Ibid., p. 2, 4.
  • 101
    International Committee for Museology, (1991INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 14, 1991., p. 2).
  • 102
    “[...] to promove, dynamize and document, in Latin America, the study and investigation of museum theory” (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1991INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 14, 1991., p. 5, tradução nossa).
  • 103
    Primeiro, como Grupo de Trabalho do ICOFOM para a América Latina e Caribe, para, em 1998, receber a denominação de Subcomitê Regional do ICOFOM para a América Latina e Caribe (Sigla ICOFOM LAM, atualmente ICOFOM LAC - desde 2020).
  • 104
    Desvallées (2015DESVALLÉES, André. Entrevista com André Desvallées: depoimento. [30 de março, 2012]. Anais do Museu Histórico Nacional: Rio de Janeiro, v. 47, p. 131-150, 2015., p. 146).
  • 105
    Stránský (2008STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. Sobre o tema “Museologia - ciência ou apenas trabalho prático?” (1980). Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, 2008. p. 101-105., p. 101).
  • 106
    “[...] tranformer la muséologie en une discipline scientifique et académique, destinée au développement des musées et de la profession muséale à travers la recherche, l’étude et la diffusion des principaux courants de la pensée muséologique” (DECAROLIS, 2011DECAROLIS, Nelly. Avant-propos. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 11, tradução nossa).
  • 107
    Bourdieu (2012BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012b., p. 68-69).
  • 108
    Ibid. (2012NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio. Uma sociologia da produção do mundo cultural e escolar. In: BOURDIEU, Pierre. Escritos de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012, p. 7-15., p. 10).
  • 109
    Ibid., p. 112-113, grifo do autor.
  • 110
    Lima (2008LIMA, Diana Farjalla Correia. Ciência da informação e museologia em tempo de conhecimento fronteiriço: aplicação ou interdisciplinaridade? In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 9., 2008, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ECA-USP, 2008., p. 182).
  • 111
    Cf. Costa e Lima (2013COSTA, Ludmila L. Madeira da; LIMA, Diana Farjalla Correia. Termo/conceito Museólogo: identificando e definindo sua atuação em coleções de artistas plásticos contemporâneos. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14., 2013, Florianópolis. Anais... Florianópolis: [s. n.], 2013.).
  • 112
    Cabré (1993CABRÉ, Maria Teresa. La terminología: teoría, metodología, aplicaciones. Barcelona: Antártida, 1993.).
  • 113
    Gil (2003GIL, Isabela Teresa Morais. Algumas considerações sobre línguas de especialidade e seus processos lexicogénicos. Máthesis, Lisboa, v. 12, p. 113-130, 2003., p. 115, 128).
  • 114
    Baseada em Galisson e Coste (1983) apud Gil, op. cit., p. 116-117). É importante frisar que essas classes mencionadas por Gil foram apresentadas, pela primeira vez, por Descamps.
  • 115
    Bourdieu (2008BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 2008., p. 131-132).
  • 116
    Projeto do ICOM durante as décadas de 1970 e 1980 que envolveu diversos comitês internacionais, inclusive o ICOFOM. Tratava-se de um projeto que visava elaborar um compêndio/dicionário de termos e conceitos tanto para a Museologia quanto para o universo dos museus.
  • 117
    Stránský (1984STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. Working Group: Treatise on Museology. In: MEETING OF ICOFOM, 7., 1984, Leiden. Leiden: ICOFOM, 1984., p. 1).
  • 118
    Ibid., p. 2.
  • 119
    International Committee for Museology (1985INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 8, 1985., p. 26-27).
  • 120
    No Brasil, o projeto “Termos e conceitos da museologia” teve lugar, principalmente, na Unirio. Hoje está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS-UNIRIO-MAST), em que, desde 1993, Tereza Scheiner faz parte.
  • 121
    Decarolis (2011DECAROLIS, Nelly. Avant-propos. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 11).
  • 122
    Desvallées (1995DESVALLÉES, André. ICOFOM discussions on the long-term Project on Basic Museological Terms Thesaurus Museologicus. Stanvanger: ICOFOM, jul. 1995. Coleção Tereza Scheiner.).
  • 123
    “[...] to cover the development, state and theoretical profile of museology, from the perspective of its scientific system, formed and reviewed in the course of more than 30 years of teaching thereof at the Department of Museology of the Faculty of Arts and at the International Summer School of Museology” (STRÁNSKÝ, 1996STRÁNSKÝ, Zbynek Zbyslav. Encyclopaedia of Museology. Brno: Masaryk University Brno, 1996., p. 1, tradução nossa).
  • 124
    Fruto do projeto “Tratado de museologia”, o Dictionarium museologicum foi publicado em 1986 na Hungria pelo GT de Terminologia do Comitê Internacional do ICOM para Documentação (CIDOC). A partir dele, o Dictionarium, que contém 1632 termos selecionados do universo dos museus e da museologia, foi traduzido para vinte idiomas (DESVALLÉES, 1995DESVALLÉES, André. ICOFOM discussions on the long-term Project on Basic Museological Terms Thesaurus Museologicus. Stanvanger: ICOFOM, jul. 1995. Coleção Tereza Scheiner., p. 1). Apesar de tomar o inglês como “língua oficial”, os termos foram escolhidos do alemão. Em 1983, quatro versões foram apresentadas na Conferência Geral do ICOM (INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY, 1985INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY. Museological News/Nouvelles Muséologiques, Amsterdam, n. 8, 1985., p. 35).
  • 125
    Publicação que ainda será apresentada e explorada neste artigo.
  • 126
    Desvallées (1995DESVALLÉES, André. ICOFOM discussions on the long-term Project on Basic Museological Terms Thesaurus Museologicus. Stanvanger: ICOFOM, jul. 1995. Coleção Tereza Scheiner., p. 2).
  • 127
    “Así el 11 de octubre de 1996 en la reunión de Brno, en ocasión del coloquio organizado en el décimo aniversario del ISSOM, Zbyneck Stransky presentó algunas modificaciones al proyecto. Stransky proponía realizar la tarea analizando una lista de términos más amplia que la sugerida por André Desvallées. En ese caso, la amplitud de la selección terminológica y de sus correlatos y derivados imponía la necesidad de acompañar cada término con una breve definición según la estructura de redacción de un diccionario. Sin lugar a dudas esta propuesta era difícilmente fusionable con la anterior pues su punto de partida y su finalidad eran diferente. La existencia de Diccionarios temáticos para Museología no era nueva y la propuesta de Stransky parecía reproducir experiencias anteriores dónde se había intentado traducir palabra por palabra, términos de referencia a términos corrientes, dejando para una segunda parte la esencia de la propuesta de André Desvallées que subrayaba la importancia de incluir los matices con que los usos y los contextos socioculturales modificaban la definición de los términos” (RUSCONI, [entre 1993-2010]RUSCONI, Norma. El universo sociocultural del lenguaje museológico. [S. l.]: ICOFOM LAM, [entre 1993-2010]., tradução nossa).
  • 128
    “[...] la recuperación y difusión de un lenguaje museológico homologado, que es la que hoy fortalece la continuidad de esta propuesta y que desde 1995 cuenta con aportes de América Latina y El Caribe” (RUSCONI, [entre 1993-2010]RUSCONI, Norma. El universo sociocultural del lenguaje museológico. [S. l.]: ICOFOM LAM, [entre 1993-2010]., tradução nossa).
  • 129
    Il fut notamment proposé une autre liste de termes, plus longue, et difficile à fusionner avec la première, et complétée de définitions plus courtes. La conception étant différente, il fut un temps envisagé de faire une publication en deux parties, l’une consistant en une sorte d’encyclopédie, l’autre une sorte de dictionnaire. À ce jour, il n’a pas été donné suite à la proposition de Zbynek Stránský” (DESVALLÉES, 2000DESVALLÉES, André. Pour une terminologie muséologique de base. ICOFOM Study Series, Paris, n. 8, p. 8-9, 2000., p. 8, tradução de Caliane Bessa).
  • 130
    Desvallées e Mairesse (2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 15).
  • 131
    Ibid., loc. cit.
  • 132
    Anfruns (2011ANFRUS, Julien. Préface. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 9-10).
  • 133
    L’objet de ce Dictionnaire encyclopédique de muséologie vise à presenter, em un volume, quelque-uns de ces ‘germes de science’, évoques par Diderot et se référant ici au champ muséal. L’ouvrage comprend deux parties distinctes: une partie encyclopédique, composée de vingt-et-um articles présentant, selon un ordre alphabétique, les principaux concepts et notions utilisés en museólogie ; une partie renvoyant à leur utilization dans la première partie. Chacun des vignt-et-um termes comprend différentes parties: (1) un encadré définissant les différentes acceptions du mot, (2) l’historique ou une présentation succincte de l’évolution du terme et des principales autres notions qui lui sont adjointes, ainsi que (3) les enjeuxs actuels auxquels est liée la notion évoquée” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 14, tradução nossa).
  • 134
    Mairesse e Desvallées (2011MAIRESSE, François; DESVALLÉES, André. Muséologie. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 343).
  • 135
    “Cependant une évolution réelle est à l’œuvre, suivant peut-être en cela l’ouverture d’un certain nombre de cours de muséologie ou d’études muséales de par le monde. Certes, des cours étaient professés depuis les années 1920 dans un certain nombre de musées ou d’universités (au Louvre, à Harvard, à Newark, etc.). Le premier enseignement “muséographique”, à l’École du Louvre, est donné à partir de 1929. [...] C’est cependant à partir des années 1960 que l’on voit surgir des formations universitaires nettement plus ambitieuses (mastère, cursus complets, etc.), notamment à Brno (1963), Leicester (1966), Paris (1970) et Leiden (1976). Sans doute les ambitions de ces cursus imposent-elles un effort de theorization sur les savoir formulés” (MAIRESSE; DESVALLÉES, 2011MAIRESSE, François; DESVALLÉES, André. Muséologie. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 353, tradução de Camila Bessa).
  • 136
    Ibid., p. 355.
  • 137
    Ibid., loc. cit.
  • 138
    Ibid., p. 356.
  • 139
    Ibid., p. 358.
  • 140
    Ibid., p. 359.
  • 141
    Desvallées e Mairesse (2013DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Conceitos-chave de museologia. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2013., p. 62).
  • 142
    Ibid., p. 360-361.
  • 143
    Desvallées e Mairesse (2013DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Conceitos-chave de museologia. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2013., p. 162).
  • 144
    Ibid., p. 63.
  • 145
    No artigo, a “contagem” termina na quarta acepção.
  • 146
    Mairesse e Desvallées (2011MAIRESSE, François; DESVALLÉES, André. Muséologie. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 366).
  • 147
    l’ensemble des tentatives de théorisation ou de réflexion critique liées à ce champ muséal” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 372, tradução nossa).
  • 148
    Ibid., p. 380.
  • 149
    Para conhecimento do que venha a ser a sociomuseologia e sua linguagem de especificidade, leia: Britto (2021BRITTO, Clovis Carvalho. “As palavras continuam com os seus deslimites”: reflexões sobre sociomuseologia e linguagem de especialidade. In: PRIMO, Judite Santos; MOUTINHO, Mario (org.). Teoria e prática da sociomuseologia. Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 2021. v. 1, p. 65-86.).
  • 150
    Em relação à museologia social, em especial no cenário brasileiro, leia: Britto (2019BRITTO, Clóvis Carvalho. “Nossa maçã é que come Eva”: a poética de Manoel de Barros e os lugares epistêmicos das museologias indisciplinadas no Brasil. 2019. Tese (Doutorado em Museologia) - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2019.).
  • 151
    Esse livreto e suas traduções foram feitas em cooperação com os comitês nacionais do ICOM dos países falantes dos idiomas traduzidos, e não pelo próprio ICOFOM. A versão portuguesa está disponível em: https://bit.ly/3JydZrq. Acesso em: 24 mar. 2021.
  • 152
    Desvallées e Mairesse (2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 16).
  • 153
    Na última década, um desdobramento do projeto está em desenvolvimento no Japão, sob a coordenação de Eiji Misushima, membro do ICOFOM. Nele, termos como “museu” e “museologia” são analisados e descritos em quatro línguas asiáticas.
  • 154
    Aqui foi usada a versão reduzida em português do mesmo texto do Dictionnaire, publicada nos Conceito-chave de museologia (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Conceitos-chave de museologia. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2013., p. 20).
  • 155
    Desvallées e Mairesse (2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 17).
  • 156
    Id., 2013, p. 20.
  • 157
    Le lecteur sera peut-être surpris de voir apparaître, du moins em français, de nombreuses références à des auteurs participant à notre ouvrage. Ce qui pourrait apparaître au premier regard comme de l’autocitation s’explique par le fait que la muséologie est une discipline jeune, dans le milieu francofone comme dans les autres. Nous nous sommes trouvés dans la situation oú nous ne pouvions recourir qu’à l’existant, nonobstant les renvois que nous pouvions faire à des publications éditées em d’autres langues” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2011DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011., p. 17, tradução de Camila Bessa).
  • 158
    Desvallées (2015DESVALLÉES, André. Entrevista com André Desvallées: depoimento. [30 de março, 2012]. Anais do Museu Histórico Nacional: Rio de Janeiro, v. 47, p. 131-150, 2015., p. 145).
  • 159
    Ibid., p. 148.
  • 160
    Entretanto, é necessário ressaltar que os editores do Dictionnaire reconheciam que “[...] as fundações teóricas, no contexto europeu, foram elaboradas do outro lado do muro de Berlim, a partir dos anos 1960” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Conceitos-chave de museologia. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2013., p. 21).
  • 161
    Bourdieu (2008BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 2008., p. 125, grifo do autor).
  • 162
    Ibid., p. 23-24, 32.
  • 163
    Ibid., p. 133.
  • 164
    Bourdieu (2012BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012b., p. 143, grifos do autor).
  • 165
    Bourdieu (2008BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 2008., p. 129).
  • 166
    Ibid., p. 34-35, grifo do autor.
  • 167
    Ibid., p. 42.
  • 168
    Ibid., p. 45.
  • 169
    Referência a frase “o Estado sou eu”, atribuída a Luís XIV, rei da França.
  • 170
    Ibid., p. 83.
  • 171
    Ibid., p. 82.
  • 172
    Bourdieu (2012BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012b., p. 96).
  • 173
    Id., 2008, p. 82.
  • 174
    Vide os prefácios escritos por Julien Anfruns (2011ANFRUS, Julien. Préface. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.), então Diretor Geral do ICOM, e por Nelly Decarolis (2011DECAROLIS, Nelly. Avant-propos. In: DESVALLÉES, A.; MAIRESSE, F. (ed.). Dictionnaire encyclopédique de muséologie. Paris: Armand Colin, 2011.), então Presidente do ICOFOM.
  • 175
    Ibid., p. 91.
  • 176
    As publicações desses encontros, que ocorreram, respectivamente, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires, Paris e St. Andrews, estão disponíveis em: https://bit.ly/3D1ngWt. Acesso em: 26 ago. 2021.
  • 177
    O tema do XXVIII Encontro do ICOFOM LAM, ocorrido em 2020, foi “Em direção a uma definição de museu na perspectiva da América Latina e do Caribe: fundamentos epistemológicos”.
  • 178
    Prof. Dr. Bruno Brulon Soares é docente da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Apesar de ser brasileiro, não é possível afirmar que esse ator faz parte de um bloco “brasileiro/lusófono” no ICOFOM, já que sequer existe um, isto é, de proporção similar ao bloco francófono.
  • 179
    Segundo Desvallées e Mairesse (2013DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François (ed.). Conceitos-chave de museologia. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2013., p. 54), a Museologia pode ser percebida como um conjunto de saberes que abarca distintas tentativas de “teorização ou de reflexão crítica sobre o campo museal”, isto é, englobaria todas as demais acepções do que venha a ser museologia (“estudos sobre museus”, “nova museologia”, “museologia crítica”, “relação do humano com a realidade”, “filosofia do museal”, entre outras). Como apontou Bourdieu (2013BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. 2. ed. Porto Alegre: Zouk, 2013.), essas diferentes acepções que compõem o que pode ser Museologia nos lembram que cada uma delas só pode ser pensada e analisada na relação com as demais. Ao admitir as diferentes nomenclaturas dessas distintas visões, sua existência e seu ponto de vista são reconhecidos - e essa luta pela imposição de dado ponto de vista faz parte da realidade objetiva científica.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Maio 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    04 Abr 2021
  • Aceito
    18 Fev 2022
Museu Paulista, Universidade de São Paulo Rua Brigadeiro Jordão, 149 - Ipiranga, CEP 04210-000, São Paulo - SP/Brasil, Tel.: (55 11) 2065-6641 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: anaismp@usp.br