Open-access Problemas emocionales y de comportamiento en preadolescentes clasificados como recién nacidos de riesgo

ape Acta Paulista de Enfermagem Acta Paul Enferm 0103-2100 1982-0194 Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo Resumen Objetivo Identificar la prevalencia de problemas emocionales y de comportamiento en preadolescentes clasificados al nacer como recién nacidos de riesgo y factores asociados. Métodos Estudio transversal anidado de cohorte, realizado con 155 preadolescentes (edad entre diez y 12 años) incluidos al nacer en el Programa de Vigilancia del Recién Nacido de Riesgo de Maringá y sus respectivas madres/responsables. Se utilizaron datos iniciales de la cohorte, referentes al nacimiento y alimentación en los primeros seis meses de vida y datos actuales, recopilados en 2019 y 2020. Se aplicó el Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) para verificar los problemas emocionales y de comportamiento. Para el análisis de los datos, se utilizó la estadística descriptiva, y se aplicaron las pruebas de Ji cuadrado y exacta de Fisher para verificar asociaciones entre las variables. Resultados La puntuación del SDQ indicó problemas emocionales y de comportamiento en el 20,0 % de los preadolescentes, con mayor prevalencia entre los niños (25,3 %), mayor frecuencia de problemas de conducta (20 %) e hiperactividad (26,7 %). En las preadolescentes del sexo femenino se observó una mayor prevalencia de clasificación anormal en el SDQ relacionada con síntomas emocionales (41,3 %) y en las relaciones con compañeros (21,3 %). La puntuación de SDQ alterada estuvo asociada con color/raza negra/parda e historial de anomalías congénitas. Entre los factores actuales, se observó una asociación de SDQ alterado con diagnósticos de Trastorno de Déficit de Atención, Hiperactividad, uso de psicotrópicos y reprobación escolar. Conclusión La prevalencia de problemas emocionales y de comportamiento en la población estudiada está considerada alta y presenta una asociación con factores sociodemográficos, perinatales y condiciones actuales de vida. Introdução Nos últimos anos tem se observado aumento da prevalência de transtornos mentais nas populações de países em desenvolvimento, constituindo importante problema de saúde pública com consequências marcantes para a sociedade, bem como alto custo social e econômico.(1)Os transtornos mentais estão relacionados ao sofrimento e deficiência funcional, que podem ter consequências dramáticas para as pessoas afetadas e também para suas famílias e seus ambientes sociais e de trabalho.(2) Nesse cenário, se observa aumento do início dos transtornos mentais na infância e adolescência, com implicações no desenvolvimento cognitivo e capacidade de aprendizado.(3) Em revisão sistemática, na qual foram incluídos estudos de 19 países de todas as regiões do mundo, estimou-se prevalência de transtornos mentais comuns entre adolescentes de 31%.(4) No Brasil, entre os adolescentes, a depressão é a terceira doença mais prevalente e o suicídio, a segunda principal causa de morte.(5) A adolescência, segundo a Organização Mundial da Saúde, é o período compreendido entre 10 e 19 anos e pode ser subdividida em pré-adolescência (dez a 14 anos) e adolescência propriamente dita (15 aos 19 anos). Essa fase é caracterizada por intensas mudanças, que podem ter impacto positivo ou negativo, a depender do indivíduo e contexto social no qual o mesmo está inserido.(5) Pesquisa realizada no interior do estado de São Paulo, evidenciou contextos de sofrimento intenso, sentimento de desespero, medo, descontrole, inferioridade e desvalor, confusão mental e angústia entre adolescentes que vivenciaram crises de saúde mental, que culminaram em pensamentos de morte, ideação e tentativas de suicídio e/ou apresentação de sintomas psicóticos.(6) Aspectos perinatais e relacionados ao período intrauterino, como idade e situação de saúde materna, realização de pré-natal, nível socioeconômico, peso ao nascer, prematuridade e malformação congênita, têm surgido como fatores que influenciam o crescimento e desenvolvimento das crianças, gerando alterações imediatamente perceptíveis ao nascimento, como também problemas que serão observados ao longo do desenvolvimento, durante a idade escolar e anos posteriores, incluindo a adolescência.(7,8) Estudo realizado com prematuros acompanhados no Ambulatório de Crianças de Risco do Hospital das Clínicas da UFMG constatou que, na idade escolar, 31% deles apresentavam problemas emocionais e comportamentais, e este achado teve associação com a idade gestacional ao nascer.(9)Em revisão sistemática que buscou avaliar e sintetizar estudos sobre a relação entre o peso ao nascer e a função cognitiva na idade avançada, verificou-se que a mesma é influenciada pela nutrição e pelo ambiente no início da vida. Tanto o peso ao nascer quanto a situação socioeconômica estiveram associados à função cognitiva da infância até a idade adulta.(8) Consultando a literatura científica sobre o tema, identifica-se lacunas sobre fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de transtornos mentais entre adolescentes de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.(8,10) Nos últimos cinco anos, os estudos publicados sobre o tema no cenário nacional foram realizados com dados da coorte de nascimento de Pelotas e abordaram a relação entre transtornos mentais com amamentação e fatores de risco maternos e perinatais.(10,11) Frente ao exposto, a ampliação da investigação de fatores de risco e a detecção precoce de problemas de saúde mental no contexto brasileiro revelam-se importantes. A compreensão da etiologia dos transtornos mentais da infância e adolescência pode fornecer novas perspectivas, não apenas sobre como melhorar o bem-estar nestes períodos do desenvolvimento, mas também como prevenir resultados adversos a longo prazo.(12) Desta forma questiona-se: qual a prevalência de problemas emocionais e comportamentais em pré-adolescentes, que foram considerados RN de risco, e quais fatores podem estar relacionados a esses problemas? Para respondê-los definiu-se como objetivo identificar a prevalência de problemas emocionais e comportamentais em pré-adolescentes classificados ao nascimento como recém-nascidos de risco e os fatores associados. Métodos Estudo transversal, descritivo e analítico realizado com mães/responsáveis e pré-adolescentes, com idade entre dez e 12 anos, classificados ao nascimento como RN de risco. O estudo integra uma coorte iniciada em 2008, com RN de Maringá-PR, que foram incluídos no Programa de Vigilância do Recém-Nascido de Risco (PVRNR). No ano de 2008 foram incluídos no PVRNR 802 crianças, das quais 249 compuseram a coorte. Na presente etapa, executada entre 2019 e 2020, permaneceram 158 participantes (64,5%), agora na fase da pré-adolescência, e suas respectivas mães/responsáveis. As perdas decorreram da não localização após tentativas de contato telefônico e visita ao endereço (58), recusa (17), mudança de município de residência (14) e óbito (2). Além das perdas, optou-se por não incluir nesta análise três pré-adolescentes com limitações neurológicas graves, decorrentes de paralisia cerebral, que impediram a aplicação do instrumento de pesquisa utilizado, totalizando 155 participantes pré-adolescentes. A coleta de dados foi realizada em visitas domiciliares, iniciadas em fevereiro de 2019 e interrompidas em março de 2020, devido às medidas de distanciamento social impostas pela pandemia da COVID-19. Elas só foram retomadas em outubro de 2020, com a flexibilização das medidas, e encerradas em novembro de 2020. Destaca-se que do total de pré-adolescentes incluídos na análise, em 33 deles as visitas foram realizadas após esta flexibilização. Foram utilizadas variáveis coletadas previamente, que estavam registradas no banco de dados da coorte, a saber: Raça/cor, Idade Materna no nascimento do filho(a), Sexo, Peso ao nascer, Idade gestacional, Apgar no 5º minuto de vida, Tipo de parto e Aleitamento Materno Exclusivo (AME) até seis meses de vida. Na fase da pré-adolescência foi aplicado às mães/responsáveis o Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) para identificação de problemas emocionais e comportamentais, e outro questionário que abordava as variáveis situação conjugal materna/responsável, escolaridade materna/responsável, classificação socioeconômica, presença de transtorno psiquiátrico materno, presença de transtorno psiquiátrico paterno, diagnóstico prévio de Transtorno de Déficit de Atenção do(a) filho(a), de Hiperatividade e de distúrbio emocional/ansiedade, história de reprovação escolar e uso de medicamentos psicotrópicos (informações e diagnósticos relatados pelas mães/responsáveis). Aos pré-adolescentes foi aplicada a Escala de Faces de Andrews, que avalia o bem-estar psicológico. Foi considerada variável de desfecho a presença de problemas emocionais e comportamentais, identificada de acordo com a pontuação total obtida com a aplicação do instrumento SDQ. O SDQ é amplamente utilizado para rastrear problemas emocionais e comportamentais dos quatro aos 17 anos, com índices satisfatórios de validade e fidedignidade.(13)Foi utilizada a versão do SDQ aplicada a pais/responsáveis, que é útil na identificação de sintomas de saúde mental em crianças e adolescentes, que poderiam, por constrangimento, omitir a realidade acerca de suas condutas. Este instrumento está disponível gratuitamente em mais de 40 idiomas, incluindo o português. É composto por 25 questões, sendo dez sobre capacidades, 14 sobre dificuldades e uma neutra, distribuídas em cinco subescalas, referentes a sintomas emocionais, problemas de conduta, hiperatividade, problemas de relacionamento e comportamento pró-social. Para cada uma das cinco subescalas a pontuação pode variar de zero a dez, sendo a pontuação do escore total de dificuldades gerada pela soma dos resultados de todas as subescalas, exceto a de sociabilidade, que pode variar de zero a 40 pontos. Para fins de análise, escores totais acima de 17 pontos foram considerados anormais.(13) Destaca-se que as respostas do SDQ devem levar em consideração o comportamento nos últimos seis meses,(13) no entanto, no caso das entrevistas realizadas após o período de distanciamento social pela COVID-19, foi solicitado às mães/responsáveis que baseassem as respostas nas condições dos pré-adolescentes no período anterior à pandemia. O bem-estar psicológico foi avaliado por meio da Escala de Faces de Andrews que contém sete figuras representativas de expressões faciais que variam de extrema felicidade até extrema tristeza.(14) Para aplicação da escala foi solicitado ao pré-adolescente que assinalasse a figura que mais se assemelhava à maneira como se sentia a respeito da sua vida. Para fins de análise, as respostas foram categorizadas de forma binária, de modo que as faces 1, 2 e 3 representaram bem-estar, e as faces 4, 5, 6, 7, bem-estar prejudicado. A análise dos dados foi realizada no software SPSS, versão 20.0, utilizando distribuição de frequência absoluta e relativa das variáveis por total de dificuldades. Calculou-se a prevalência de problemas emocionais e comportamentais por sexo (número de pré-adolescentes com classificação anormal de SDQ/ total de pré-adolescentes no grupo analisado x 100). Para verificação da associação entre as variáveis independentes e SDQ, as classificações “limítrofe” e “anormal” do SDQ foram agrupadas na categoria “alterado”, e foi aplicado o teste de qui-quadrado para heterogeneidade nos casos em que o menor valor esperado foi maior do que cinco. Nas demais situações foi utilizado o Teste Exato de Fisher. Valores de p menores que 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. O estudo obedeceu aos preceitos éticos para pesquisas envolvendo seres humanos e foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição proponente (Parecer nº 2.797.330 – No início da coorte Parecer nº 451/2008). Todos os responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias, e os pré-adolescentes o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido. Resultados Os pré-adolescentes tinham idades entre 10 e 12 anos e mais da metade (51,6%) era do sexo masculino. Na análise dos resultados do SDQ, o escore absoluto médio referente ao total de dificuldades foi 11,61 com desvio padrão de 6,74 escore mínimo de zero e máximo de 33 pontos (Tabela 1). Tabela 1 Média, desvio padrão (DP), mínimo e máximo do escore total de dificuldades (SDQ) e subescalas Subescalas Média±DP Máximo Mínimo SDQ* - Total de dificuldades 11,61±6,74 33 0 Sintomas emocionais 4,17±2,46 10 0 Problemas de conduta 1,85±2,26 10 0 Hiperatividade 3,91±3,04 10 0 Problemas de relacionamento com os colegas 1,69±1,86 9 0 Comportamento pro-social 8,75±1,96 10 1 * SDQ – Strengths and difficulties questionnaire Entre os 155 pré-adolescentes em estudo, 101(65,2%) apresentaram escore total de dificuldades (SDQ) classificado como normal, 23(14,8%) limítrofe e 31(20%) anormal, o que indica problemas emocionais e comportamentais. Ressalta-se que não foi observada diferença significativa entre os resultados de pré-adolescentes visitados antes da pandemia e aqueles visitados após a flexibilização das medidas de distanciamento social. Inclusive, a média de dificuldades nestes foi menor (9,97) do que nos anteriores (12,06) (dados não apresentados em tabela). Foi observada maior prevalência de classificação anormal de dificuldades entre os meninos (25,3%), assim como nas subescalas problemas de conduta (20%) e hiperatividade (26,7%). Em contrapartida, meninas apresentaram maior prevalência de classificação anormal nas subescalas de sintomas emocionais (41,3%) e relacionamento com colegas (21,3%) (Figura 1). Figura 1 Prevalência (%) de escore anormal para problemas emocionais e comportamentais, segundo sexo, em pré-adolescentes classificados como recém-nascidos de risco ao nascimento Em relação às variáveis socioeconômicas, destaca-se que 113 adolescentes estudavam em escolas públicas e 42 em escolas privadas (dados não apresentados em tabela). Na tabela 2 observa-se associação significativa (p<0,05) entre cor/raça preta/parda e alteração no total de dificuldades. Tabela 2 Fatores socioeconômicos e familiares, e associação com alterações no escore de dificuldades Variáveis Total n(%) Escore de dificuldades – SDQa p-value b Normal Alterado* n(%) n(%) Raça/cor Branca/amarela 104(67,1) 74(71,2) 30(28,8) 0,025 Preta/parda 51(32,9) 27(52,9) 24(47,1) Idade materna** ≥ 18 anos 116(74,8) 74(63,8) 42(36,2) 0,538 < 18 anos 39(25,2) 27(69,2) 12(30,8) Situação conjugal da mãe ou responsável Com companheiro 123(79,4) 84(68,3) 39(31,7) 0,109 Sem companheiro 32(20,6) 17(53,1) 15(46,9) Escolaridade materna/responsável ≥ 8 anos de estudo 111(71,6) 72(64,9) 39(35,1) 0,902 < 8 anos de estudo 44(28,4) 29(65,9) 15(34,1) Classificação socioeconômica (ABEP)c A, B1, B2 77(49,7) 51(66,2) 26(33,8) 0,781 C1, C2, D-E 78(50,3) 50(64,1) 28(35,9) Transtorno psiquiátrico materno Não 142(91,6) 94(66,2) 48(33,8) 0,371 Sim 13(8,4) 7(53,8) 6(46,2) Transtorno psiquiátrico paterno Não 151(97,4) 100(66,2) 51(33,8) 0,088 Sim 4(2,6) 1(25,0) 3(75,0) *somatório de classificação limítrofe e anormal; ** idade na época do nascimento do pré-adolescente; a) SDQ – Strengths and difficulties questionnaire; b) Teste de qui-quadrado de heterogeneidade; c) ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas Na tabela 3, a seguir estão apresentados os dados relacionados aos fatores perinatais e as condições atuais dos participantes e suas associações. Tabela 3 Fatores perinatais e condições atuais dos participantes e associação com alterações no total de dificuldades (SDQ) Variáveis Escore de dificuldades – SDQa p-value b Total Normal Alterado* n(%) n(%) n(%) Fatores perinatais Sexo Masculino 75(48,4) 48(64,0) 27(36,0) 0,769 Feminino 80(51,6) 53(66,3) 27(33,8) Peso ao nascer ≥ 2500g 82(52,9) 51(62,2) 31(37,8) 0,411 < 2500g 73(47,1) 50(68,5) 23(31,5) Idade gestacional ≥37s 67(43,2) 46(68,7) 21(31,3) 0,425 <37 88(56,8) 55(62,5) 33(37,5) Apgar no 5º minuto de vida ≥ 7 141(91,0) 89(63,1) 52(36,9) 0,140c < 7 14(9,0) 12(85,7) 2(14,3) Anomalia Não 148(95,5) 99(66,9) 49(33,1) 0,05c Sim 7(4,5) 2(28,6) 5(71,4) Tipo de parto Normal 41(26,5) 27(65,9) 14(34,1) 0,914 Cesárea 114(73,5) 74(64,9) 40(35,1) Aleitamento materno exclusivo até 6 meses Sim 50(32,3) 30(60,0) 20(40,0) 0,352 Não 105(67,7) 71(67,6) 34(32,4) Condições atuais Bem-estar psicológico (escala de faces, n=137) Sim 126(92,0) 83(65,9) 43(34,1) 0,516c Não 11(8,0) 6(54,5) 5(45,5) Tempo de tela (n=128) ≤2 horas/dia 42(32,8) 27(64,3) 15(35,7) 0,926 >2 horas/dia 86(67,2) 56(65,1) 30(34,9) TDAH diagnosticado Não 142(91,6) 97(68,3) 45(31,7) 0,007 Sim 13(8,4) 4(30,8) 9(69,2) Distúrbio emocional/ Ansiedade Diagnosticados Não 135(87,1) 94(69,6) 41(30,4) 0,002 Sim 20(12,9) 7(35,0) 13(65,0) Reprovação escolar Não 120(77,4) 84(70,0) 36(30,0) 0,019 Sim 35(22,6) 17(48,6) 18(51,4) Uso de medicamentos psicotrópicos Não 137(88,4) 95(69,3) 42(30,7) 0,003 Sim 18(11,6) 6(33,3) 12(66,7) * somatório de classificação limítrofe e anormal; a) SDQ – Strengths and difficulties questionnaire; b) Teste de qui-quadrado de heterogeneidade; c) Teste Exato de Fisher. Percebe-se associação positiva entre a presença de anomalia ao nascimento com maior escore total de dificuldades no SDQ na fase da pré-adolescência (p-valor=0,05). Entre aqueles com anomalia, 74% apresentaram escore SDQ alterado. As anomalias congênitas identificadas foram: hidrocefalia (3), fenda palatina (1), síndrome genética (1), polidactilia (1) e genitália ambígua (1). Em relação às condições atuais, foi identificada, ainda, associação positiva do uso de medicamentos psicotrópicos com SDQ alterado, sendo que dentre os participantes, 18 pré-adolescentes (11,6%) utilizavam estes medicamentos, e destes, nove (5,8%) para Transtorno de Déficit de Atenção e Aprendizagem (TDAH), principalmente o metilfenidato. Ainda, foi observada associação entre escore total de dificuldades (SDQ) alterado e reprovação escolar (p-valor=0,019). Discussão Os resultados do presente estudo apontaram que 20,0% dos pré-adolescentes apresentavam um escore total de dificuldades, segundo instrumento SDQ, classificado como anormal. Evidencia-se que a prevalência de problemas emocionais e comportamentais nessa faixa etária foi superior aos resultados encontrados em outros estudos no Brasil(15,16) e no cenário internacional.(17,18) O estudo de base populacional realizado com crianças nascidas em Pelotas, por exemplo, também utilizou o instrumento SDQ, e encontrou prevalência de 14,2% de dificuldades em níveis anormais.(15) Já em Belo Horizonte, estudo com 124 pré-adolescentes (idades entre 12 e 14 anos), a prevalência de dificuldades em níveis anormais identificada foi de 7,3%.(16) Porém, é importante destacar que este foi realizado apenas com alunos de escola privada, população geralmente com melhores condições socioeconômicas, enquanto no presente estudo os incluídos eram alunos de escolas públicas e privadas. Pesquisa realizada na Índia identificou que 13,6% dos adolescentes de 11 a 19 anos apresentaram total de dificuldades anormal, entretanto os autores ressaltaram que o estudo foi realizado nas escolas e a taxa de evasão escolar no país é alta, com variações de 20-30%. Neste caso, os autores acreditam que as dificuldades podem ter sido subestimadas, pois a população socioeconomicamente desfavorecida não foi incluída.(17,18) Em análise de série temporal realizada com dados de 34 países da América do Norte e da Europa, foi encontrada relação positiva entre nível socioeconômico e sintomas psicológicos, com diferença progressivamente maior ao longo do tempo.(19) No mesmo sentido, dados da Coorte de estudos BELLA (módulo de saúde mental do National Health Interview and Examination Survey para Crianças e Adolescentes – KiGGS), da Alemanha, apontam que adolescentes com baixo nível socioeconômico são mais suscetíveis a problemas psicológicos.(20) Neste estudo, foi observado maior prevalência de alteração nos resultados de SDQ entre os meninos, com destaque aos problemas de conduta e hiperatividade. Em contrapartida, nas meninas foi maior a prevalência de classificação anormal em relação aos sintomas emocionais e de relacionamento com colegas. Enfatiza-se que diferenças entre os sexos já são relatadas na literatura científica, que apontam maior ocorrência de transtornos de humor no sexo feminino, enquanto transtornos comportamentais são mais frequentes no sexo masculino.(17, 21-23) Na Eslováquia, encontrou-se pontuação SDQ anormal aos 13 anos em 12,1% dos meninos e 16,2% das meninas, com alteração aos 15 anos para 10,4% e 19,6%, respectivamente. Esses dados indicam diferença entre os sexos e uma piora na escala de problemas comportamentais e emocionais entre as meninas no decorrer da adolescência.(18) Nesta direção, em estudo chinês realizado com 6400 crianças e adolescentes, os meninos expuseram maior propensão do que as meninas de apresentarem dificuldades totais elevadas, assim como problemas de conduta, de relacionamento com colegas, hiperatividade, e comportamento pró-social, enquanto meninas tiveram maior propensão para problemas emocionais.(22) Quanto à cor/raça, foi encontrada associação com problemas emocionais e comportamentais, corroborando resultados de estudo em Pelotas/RS, no qual foi encontrada maior prevalência de problemas em pré-adolescentes pretos/pardos.(23) A relação entre transtornos mentais e fatores étnicos e raciais é multideterminada e complexa, estando sujeita a diversas interpretações que podem mesclar ciência, ideologia e racismo estrutural. É preciso reconhecer o racismo como um dos determinantes sociais do processo de saúde e doença, produzindo diversas formas de mal-estar emocional e ainda a possibilidade de que formas de sofrimento social sejam reduzidas a transtornos mentais, individualizando e despolitizando problemas mais abrangentes.(24) Em relação à prematuridade e baixo peso ao nascer, não foram identificadas associações significativas com problemas emocionais e comportamentais, resultado diferente de outras pesquisas.(9,25) Ressalta-se que diferenças no cenário socioeconômico e consequentemente no ambiente pós-natal, têm impacto no resultado comportamental e podem superar a morbidade neonatal, o que enfatiza a importância do período pós-natal como fator de proteção contra o desenvolvimento de distúrbios comportamentais.(26) O único fator perinatal que apresentou associação com sintomas emocionais e comportamentais na pré-adolescência foi possuir anomalia congênita. As dificuldades familiares em caso de anomalias podem ter início antes da percepção do próprio indivíduo acometido. A chegada de um bebê com malformação congênita produz uma ruptura relacionada à ideia do nascimento perfeito, com sentimentos negativos, não só para os pais, mas para toda a família. Após o nascimento, é comum a preocupação materna diante do preconceito dos outros, medo da não aceitação social dos filhos ao longo da vida, sentimento de vergonha, e comparação do “normal” com o “anormal” e do perfeito com o imperfeito. O enfrentamento e a elaboração da realidade ocorrem sem maiores prejuízos quando o diagnóstico é realizado de maneira precoce, ainda durante a gestação, e se tem apoio familiar.(27) Considerando que o RN vivencia juntamente com a mãe os sentimentos, é possível que esse período de adaptação materna ao diagnóstico influencie a saúde emocional dos filhos futuramente. Além disso, na pré-adolescência é comum insegurança a respeito de imagem corporal, e alterações físicas resultantes de anomalias congênitas podem prejudicar a percepção de imagem corporal e saúde emocional nessa fase.(28) Além dos problemas emocionais, atualmente se observa um aumento dos transtornos comportamentais, com destaque ao TDAH. Segundo o relato das mães/responsáveis, 8,4% dos pré-adolescentes possuíam diagnóstico médico prévio deste transtorno, que teve associação significativa com escore SDQ alterado. Alguns estudos apontam associação do desenvolvimento de TDAH com tempo elevado de exposição a telas e uso excessivo de mídias digitais na infância e adolescência,(29,30) entretanto não foi identificada essa associação no presente estudo. Analogamente ao aumento dos problemas emocionais e comportamentais, a utilização de medicamentos psicotrópicos é cada vez mais observada entre crianças e adolescentes. Estudo sobre a medicalização entre escolares, realizado em três municípios do Paraná, identificou que a prevalência de uso de medicamentos para tratamento do TDAH foi de 4% a 5,21% entre os estudantes do ensino fundamental,(31) resultado próximo ao encontrado neste estudo. Apesar da crescente preocupação em relação ao aumento do uso de medicamentos psicotrópicos entre crianças e adolescentes, este pode ser reflexo do maior acesso ao diagnóstico e tratamento dos problemas emocionais e cognitivos, e sabe-se que os tratamentos para transtornos mentais são mais eficazes se iniciados no início do curso da doença. Dessa forma, quando corretamente indicado, o tratamento medicamentoso é importante para garantir melhores resultados a longo prazo.(32) Na Espanha, a progressão dos sintomas em crianças com TDAH foi avaliada com o uso do metilfenidato, e os resultados indicaram que a hiperatividade melhora ao longo do primeiro ano de tratamento, os sintomas emocionais e os problemas comportamentais melhoram durante os primeiros seis meses e os sintomas pró-sociais melhoram lentamente ao longo de dois anos.(33) Ademais, a reprovação escolar esteve significativamente associada à alteração no SDQ. Estudo de caso controle que investigou a associação entre reprovação escolar e sintomas emocionais e comportamentais em adolescentes matriculados nos anos finais do ensino fundamental, constatou que aqueles com histórico de reprovação escolar são mais propensos ao isolamento social, além de apresentarem comportamentos identificados como anormais, sobretudo na escala de ansiedade/depressão, em comparação aos alunos sem o mesmo histórico.(34) Isso aponta que a reprovação escolar quando associada aos sintomas emocionais e comportamentais não pode ser avaliada de forma isolada. Por fim, o panorama encontrado em relação a problemas emocionais e comportamentais nos pré-adolescentes induz a reflexão sobre a necessidade de planejamento de ações e estratégias de acompanhamento destas crianças consideradas, ao nascimento, como recém-nascidos de risco durante o seu desenvolvimento bem como de apoio aos futuros adolescentes. Esta é uma responsabilidade de profissionais e gestores da saúde, incluindo enfermeiros que têm papel essencial no cuidado a crianças e adolescentes promovendo um crescimento e desenvolvimento saudável. A pré-adolescência é uma subdivisão da adolescência, uma fase da vida de intensas demandas sociais, familiares e emocionais, e o cuidado neste ciclo é fundamental para a qualidade de vida futura destes adolescentes. Como limitações do estudo, destaca-se a ocorrência da pandemia por COVID-19 e seus desdobramentos no decorrer da coleta de dados, que podem ter influenciado os resultados do SDQ, mesmo que se tenha ressaltado aos entrevistados que as respostas deveriam ser baseadas nas condições dos pré-adolescentes no período anterior à pandemia. Conclusão A prevalência de problemas emocionais e comportamentais em pré-adolescentes classificados ao nascimento como RN de risco foi de 20%, sendo observada associação significativa entre o total alterado de dificuldades e fatores sociodemográficos, perinatais e condições atuais de saúde. Embora de forma não significativa estatisticamente, a frequência de dificuldades foi maior entre os meninos, que apresentaram mais problemas de conduta e hiperatividade, enquanto as meninas tiveram maior frequência de sintomas emocionais e dificuldades de relacionamento com colegas. Como implicações para a prática destaca-se a importância de precaver as complicações na gestação, parto e nascimento para prevenir o nascimento de recém-nascidos de risco e, somado a isso, investimentos são necessários no acompanhamento destas crianças no período de desenvolvimento, atentando às suas demandas de cuidados especiais para melhor qualidade de vida na adolescência e vida adulta. 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Corresponding author: Pamela dos Reis E-mail: pamdosreis@gmail.com Associate Editor (Peer review process): Thiago da Silva Domingos (https://orcid.org/0000-0002-1421-7468) Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Conflict of interest: nothing to declare. Abstract Objective To identify the prevalence of emotional and behavioral problems in pre-adolescents classified at birth as at-risk newborns and associated factors. Methods This is a cross-sectional study nested in a cohort, carried out with 155 pre-adolescents (aged between 10 and 12 years) included at birth in the Newborn at Risk Surveillance Program in Maringá and their mothers/guardians. Initial cohort data referring to birth and feeding in the first six months of life and current data collected in 2019 and 2020 were used. The Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) was applied to verify emotional and behavioral problems. Descriptive statistics were used for data analysis, and chi-square and Fisher’s exact tests were applied to verify the association between variables. Results SDQ scores indicated emotional and behavioral problems in 20.0% of pre-adolescents, with a higher prevalence among boys (25.3%), a higher frequency of conduct problems (20%) and hyperactivity (26.7%). In female pre-adolescents, a higher prevalence of abnormal classification on the SDQ related to emotional symptoms (41.3%) and peer relationships (21.3%) was observed. The altered SDQ score was associated with black/brown color/race and history of congenital anomalies. Among the current factors, an association of altered SDQ with diagnoses of Attention Deficit Disorder, hyperactivity, use of psychotropic drugs and school failure was observed. Conclusion The prevalence of emotional and behavioral problems in the population studied is considered high and is associated with sociodemographic and perinatal factors and current living conditions. Adolescent health Adolescent behavior Mental health Infant, newborn Risk factors Introduction There has been an increase in the prevalence of mental disorders in populations in developing countries, constituting an important public health problem with marked consequences for society as well as a high social and economic cost.(1)Mental disorders are related to suffering and functional disability, which can have dramatic consequences for affected people and also for their families and their social and work environments.(2) In this scenario, there is an increase in the onset of mental disorders in childhood and adolescence, with implications for cognitive development and learning ability.(3) In a systematic review, which included studies from 19 countries from all regions of the world, a prevalence of common mental disorders among adolescents was estimated at 31%.(4) In Brazil, among adolescents, depression is the third most prevalent disease, and suicide, the second leading cause of death.(5) Adolescence, according to the World Health Organization, is the period between 10 and 19 years and can be subdivided into pre-adolescence (ten to 14 years) and adolescence itself (15 to 19 years). This phase is characterized by intense changes, which can have a positive or negative impact, depending on the individual and social context in which they are inserted.(5) Research carried out in the countryside of the state of São Paulo showed contexts of intense suffering, feelings of despair, fear, lack of control, inferiority and worthlessness, mental confusion and anguish among adolescents who experienced mental health crises, which culminated in thoughts of death, suicidal ideation and attempts and/or presentation of psychotic symptoms.(6) Perinatal and intrauterine-related aspects, such as age and maternal health status, prenatal care, socioeconomic level, birth weight, prematurity and congenital malformation, have emerged as factors that influence the growth and development of children, generating changes immediately perceptible at birth, as well as problems that will be observed throughout development, during school age and later years, including adolescence.(7,8) A study carried out with premature infants followed up at the Outpatient Clinic of Children at Risk of the Hospital das Clínicas at UFMG found that, at school age, 31% of them had emotional and behavioral problems, and this finding was associated with gestational age at birth.(9)In a systematic review that sought to assess and synthesize studies on the relationship between birth weight and cognitive function in advanced age, it was found that it is influenced by nutrition and the environment at the beginning of life. Both birth weight and socioeconomic status were associated with cognitive function from childhood to adulthood.(8) Consulting the scientific literature on the subject, gaps are identified on risk factors related to the development of mental disorders among adolescents from underdeveloped and developing countries.(8,10) In the last five years, studies published on the topic in the national scenario were carried out with data from the birth cohort of Pelotas and addressed the relationship between mental disorders with breastfeeding and maternal and perinatal risk factors.(10,11) Considering the above, the expansion of investigation of risk factors and early detection of mental health problems in the Brazilian context prove to be important. Understanding the etiology of childhood and adolescent mental disorders may provide new insights, not only on how to improve well-being at these developmental periods, but also on how to prevent adverse long-term outcomes.(12) Thus, the question is: what is the prevalence of emotional and behavioral problems in pre-adolescents, who were considered at-risk newborns, and what factors may be related to these problems? To answer them, we set as objective to identify the prevalence of emotional and behavioral problems in pre-adolescents classified at birth as at-risk newborns and associated factors. Methods This is a cross-sectional, descriptive and analytical study conducted with mothers/guardians and pre-adolescents, aged between 10 and 12 years, classified at birth as at-risk newborns. The study is part of a cohort initiated in 2008, with newborns from Maringá, Paraná, who were included in the Risk Newborn Surveillance Program (PVRNR - Programa de Vigilância do Recém-Nascido de Risco). In 2008, 802 children were included in the PVRNR, of which 249 were part of the cohort. In the present stage, carried out between 2019 and 2020, 158 participants (64.5%) remained, now in the pre-adolescence phase, and their respective mothers/guardians. Losses resulted from not being located after attempts at telephone contact and visiting the address (58), refusal (17), change of city of residence (14) and death (2). In addition to the losses, it was decided not to include in this analysis three pre-adolescents with severe neurological limitations, resulting from cerebral palsy, which prevented the application of the research instrument used, totaling 155 pre-adolescent participants. Data collection was carried out in home visits, which started in February 2019 and ended in March 2020, due to the social distancing measures imposed by the COVID-19 pandemic. They were only resumed in October 2020, with the flexibility of the measures, and closed in November 2020. It is noteworthy that, of the total number of pre-adolescents included in the analysis, in 33 of them visits were carried out after this flexibility. Previously collected variables were used, which were registered in the cohort database, namely: race/color, maternal age at birth, sex, birth weight, gestational age, 5-minute Apgar, type of childbirth and exclusive breastfeeding (EBF) up to six months of age. In the pre-adolescence phase, the Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) was applied to mothers/guardians to identify emotional and behavioral problems, and another questionnaire, which addressed maternal/guardian marital status, maternal/guardian education, socioeconomic classification, presence of maternal psychiatric disorder, presence of paternal psychiatric disorder, previous diagnosis of Attention Deficit Disorder in the child, hyperactivity and emotional/anxiety disorder, history of school failure and use of psychotropic medications (information and diagnoses reported by mothers/guardians). The Andrews Faces Scale was applied to pre-adolescents, which assesses psychological well-being. The presence of emotional and behavioral problems was considered an outcome variable, identified according to the total score obtained with the application of SDQ. The SDQ is widely used to track emotional and behavioral problems from ages four to 17, with satisfactory levels of validity and reliability.(13)The SDQ version applied to parents/guardians was used, which is useful in identifying mental health symptoms in children and adolescents, who could, out of embarrassment, omit the reality about their behavior. This instrument is available free of charge in more than 40 languages, including Portuguese. It consists of 25 questions, ten about capabilities, 14 about difficulties and one neutral, distributed into five subscales, referring to emotional symptoms, conduct problems, hyperactivity, relationship problems and prosocial behavior. For each of the five subscales, the score can vary from zero to ten, and the total score of difficulties generated by the sum of the results of all subscales, except for sociability, which can vary from zero to 40 points. For analysis purposes, total scores above 17 points were considered abnormal.(13) It is noteworthy that SDQ responses should take into account the behavior in the last six months;(13)however, in the case of interviews carried out after the period of social distancing by COVID-19, mothers/guardians were asked to base their responses on pre-adolescents’ conditions in the period before the pandemic. Psychological well-being was assessed using the Andrews Faces Scale, which contains seven figures representing facial expressions ranging from extreme happiness to extreme sadness.(14) To apply the scale, pre-adolescents were asked to mark the figure that most resembled the way they felt about their lives. For analysis purposes, the responses were categorized in a binary way, so that faces 1, 2 and 3 represented well-being, and faces 4, 5, 6, 7, impaired well-being. Data analysis was performed using SPSS software, version 20.0, using absolute and relative frequency distribution of variables by total difficulties. The prevalence of emotional and behavioral problems was calculated by sex (number of pre-adolescents with abnormal SDQ classification/total of pre-adolescents in the analyzed group x 100). To verify the association between independent variables and SDQ, SDQ “borderline” and “abnormal” classifications were grouped in the “altered” category, and the chi-square test for heterogeneity was applied in cases where the lowest expected value was greater than five. In other situations, Fisher’s exact test was used. P-values lower than 0.05 were considered statistically significant. The study complied with ethical principles for research involving human beings, and was approved by the proposing institution’s Research Ethics Committee (Opinion 2,797,330 – At the beginning of the cohort, Opinion 451/2008). All guardians signed the Informed Consent Form in two copies, and pre-adolescents signed the Informed Assent Form. Results Pre-adolescents were aged between 10 and 12 years and more than half (51.6%) were male. In the analysis of the SDQ results, the mean absolute score for the total difficulties was 11.61 with a standard deviation of 6.74 minimum score of zero and maximum score of 33 points (Table 1). Table 1 Mean, standard deviation (SD), minimum and maximum of the total difficulty score (SDQ) and subscales Subscales Mean ± SD Maximum Minimum SDQ* - Total difficulties 11.61±6.74 33 0 Emotional symptoms 4.17±2.46 10 0 Conduct problems 1.85±2.26 10 0 Hyperactivity 3.91±3.04 10 0 Peer relationship problems 1.69±1.86 9 0 Prosocial behavior 8.75±1.96 10 1 * SDQ – Strengths and Difficulties Questionnaire. Among the 155 pre-adolescents in the study, 101 (65.2%) had a total difficulty score (SDQ) classified as normal, 23 (14.8%) borderline and 31 (20%) abnormal, which indicates emotional and behavioral. It is noteworthy that no significant difference was observed between the results of pre-adolescents visited before the pandemic and those visited after the flexibility of social distancing measures. In fact, the mean of difficulties in these was lower (9.97) than in the previous ones (12.06) (data not shown in table). A higher prevalence of abnormal classification of difficulties was observed among boys (25.3%) as well as in the conduct problems (20%) and hyperactivity (26.7%) subscales. In contrast, girls had a higher prevalence of abnormal classification in the subscales of emotional symptoms (41.3%) and peer relationship (21.3%) (Figure 1). Figure 1 Prevalence (%) of abnormal score for emotional and behavioral problems according to sex in pre-adolescents classified as at-risk newborns at birth Regarding socioeconomic variables, 113 adolescents studied in public schools and 42 in private schools (data not shown in table). In table 2, there is a significant association (p<0.05) between color/black/brown race and change in total difficulties. Table 2 Socioeconomic and family factors, and association with alterations in the difficulty score Variables Difficulty score – SDQa p-valueb Total n(%) Normal Altered* n(%) n(%) Race/color White/yellow 104(67.1) 74(71.2) 30(28.8) 0.025 Black/brown 51(32.9) 27(52.9) 24(47.1) Maternal age** ≥ 18 years 116(74.8) 74(63.8) 42(36.2) 0.538 < 18 years 39(25.2) 27(69.2) 12(30.8) Mother’s or guardian’s marital status With a partner 123(79.4) 84(68.3) 39(31.7) 0.109 Without a partner 32(20.6) 17(53.1) 15(46.9) Mother’s or guardian’s education ≥ 8 years of study 111(71.6) 72(64.9) 39(35.1) 0.902 < 8 years of study 44(28.4) 29(65.9) 15(34.1) Socioeconomic classification (ABEP)c A, B1, B2 77(49.7) 51(66.2) 26(33.8) 0.781 C1, C2, D-E 78(50.3) 50(64.1) 28(35.9) Maternal psychiatric disorder No 142(91.6) 94(66.2) 48(33.8) 0.371 Yes 13(8.4) 7(53.8) 6(46.2) Paternal psychiatric disorder No 151(97.4) 100(66.2) 51(33.8) 0.088 Yes 4(2.6) 1(25.0) 3(75.0) *sum of borderline and abnormal classification; ** age at the time of pre-adolescents’ birth; a) SDQ – Strengths and Difficulties Questionnaire; b) Chi-square test of heterogeneity; c) ABEP – Brazilian Association of Research Companies. In table 3, data related to participants’ perinatal factors and current conditions and their associations are presented below. Table 3 Participants’ perinatal factors and current conditions and association with alterations in total difficulties (SDQ) Variables Total Difficulty score – SDQa p-valueb Normal Altered* n(%) n(%) n(%) Perinatal factors Sex Male 75(48.4) 48(64.0) 27(36.0) 0.769 Female 80(51.6) 53(66.3) 27(33.8) Birth weight ≥ 2500g 82(52.9) 51(62.2) 31(37.8) 0.411 < 2500g 73(47.1) 50(68.5) 23(31.5) Gestational age ≥37s 67(43.2) 46(68.7) 21(31.3) 0.425 <37 88(56.8) 55(62.5) 33(37.5) 5-minute Apgar ≥ 7 141(91.0) 89(63.1) 52(36.9) 0.140c < 7 14(9.0) 12(85.7) 2(14.3) Anomaly No 148(95.5) 99(66.9) 49(33.1) 0.05c Yes 7(4.5) 2(28.6) 5(71.4) Type of childbirth Vaginal 41(26.5) 27(65.9) 14(34.1) 0.914 Caesarean section 114(73.5) 74(64.9) 40(35.1) Exclusive breastfeeding up to 6 months Yes 50(32.3) 30(60.0) 20(40.0) 0.352 No 105(67.7) 71(67.6) 34(32.4) Current conditions Psychological well-being (face scale, n=137) Yes 126(92.0) 83(65.9) 43(34.1) 0.516c No 11(8.0) 6(54.5) 5(45.5) Screen time (n=128) ≤2 hours/day 42(32.8) 27(64.3) 15(35.7) 0.926 >2 hours/day 86(67.2) 56(65.1) 30(34.9) Diagnosed ADHD No 142(91.6) 97(68.3) 45(31.7) 0.007 Yes 13(8.4) 4(30.8) 9(69.2) Diagnosed emotional disorder/anxiety No 135(87.1) 94(69.6) 41(30.4) 0.002 Yes 20(12.9) 7(35.0) 13(65.0) School failure No 120(77.4) 84(70.0) 36(30.0) 0.019 Yes 35(22.6) 17(48.6) 18(51.4) Use of psychotropic drugs No 137(88.4) 95(69.3) 42(30.7) 0.003 Yes 18(11.6) 6(33.3) 12(66.7) *sum of borderline and abnormal classification; a) SDQ – Strengths and Difficulties Questionnaire; b) Chi-square test of heterogeneity; c) Fisher’s exact test. There is a positive association between the presence of anomaly at birth with a higher total score of difficulties in the SDQ in the pre-adolescence phase (p-value=0.05). Among those with anomaly, 74% had altered SDQ score. Congenital anomalies identified were hydrocephalus (3), cleft palate (1), genetic syndrome (1), polydactyly (1) and ambiguous genitalia (1). Regarding current conditions, a positive association between the use of psychotropic drugs and altered SDQ was also identified, and, among participants, 18 pre-adolescents (11.6%) used these drugs, and of these, nine (5.8%) for Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), mainly methylphenidate. Also, an association was observed between altered total score of difficulties (SDQ) and school failure (p-value=0.019). Discussion The results of the present study showed that 20.0% of pre-adolescents had a total score of difficulties, according to the SDQ instrument, classified as abnormal. It is evidenced-that the prevalence of emotional and behavioral problems in this age group was higher than the results found in other studies in Brazil(15,16) and in the international scenario.(17,18) The population-based study carried out with children born in Pelotas, for instance, also used SDQ, and found a prevalence of 14.2% of difficulties at abnormal levels.(15) In Belo Horizonte, in a study with 124 pre-adolescents (ages between 12 and 14 years), the prevalence of difficulties at abnormal levels identified was 7.3%.(16) However, it is important to note that this was carried out only with students from private schools, a population that is generally better socioeconomically, whereas in the present study, those included were students from public and private schools. Research carried out in India identified that 13.6% of adolescents aged 11 to 19 years had abnormal total difficulties, however, the authors emphasized that the study was carried out in schools and the school dropout rate in the country is high, with variations of 20-30%. In this case, the authors believe that the difficulties may have been underestimated, as the socio-economically disadvantaged population was not included.(17,18) In a time series analysis carried out with data from 34 countries in North America and Europe, a positive relationship between socioeconomic status and psychological symptoms was found, with a progressively greater difference over time.(19) In the same sense, data from the BELLA Cohort of studies (mental health module of the German Health Interview and Examination Survey for Children and Adolescents – KiGGS) point out that adolescents with low socioeconomic status are more susceptible to psychological problems.(20) In this study, a higher prevalence of alteration in SDQ results was observed among boys, with emphasis on conduct and hyperactivity problems. On the other hand, in girls, the prevalence of abnormal classification in relation to emotional symptoms and peer relationship was higher. It is emphasized that differences between the sexes are already reported in the scientific literature, which indicate a higher occurrence of mood disorders in females, while behavioral disorders are more frequent in males.(17, 21-23) In Slovakia, abnormal SDQ scores were found at 13 years in 12.1% of boys and 16.2% of girls, with changes at 15 years for 10.4% and 19.6%, respectively. These data indicate a difference between the sexes and a worsening in the scale of behavioral and emotional problems among girls during adolescence.(18) In this direction, in a Chinese study carried out with 6400 children and adolescents, boys exposed a greater propensity than girls to present high total difficulties, as well as problems of conduct, peer relationship, hyperactivity, and prosocial behavior, while girls had a greater propensity for emotional problems.(22) As for color/race, an association was found with emotional and behavioral problems, corroborating the results of a study in Pelotas, Rio Grande do Sul, in which a higher prevalence of problems was found in black/brown pre-adolescents.(23) The relationship between mental disorders and ethnic and racial factors is multidetermined and complex, being subject to different interpretations that can mix science, ideology and structural racism. It is necessary to recognize racism as one of the social determinants of health and disease, producing various forms of emotional discomfort and also the possibility that forms of social suffering are reduced to mental disorders, individualizing and depoliticizing broader problems.(24) Regarding prematurity and low birth weight, no significant associations with emotional and behavioral problems were identified, a result that is different from other studies.(9,25) It is noteworthy that differences in the socioeconomic scenario and, consequently, in the postnatal environment, have an impact on the behavioral outcome and can overcome neonatal morbidity, which emphasizes the importance of the postnatal period as a protective factor against the development of behavioral disorders.(26) The only perinatal factor associated with pre-adolescent emotional and behavioral symptoms was congenital anomaly. The family difficulties in the case of anomalies may start before the affected individual is aware of it. The arrival of a baby with a congenital malformation causes a rupture related to the idea of the perfect birth, with negative feelings, not only for the parents, but for the whole family. After birth, it is common for mothers to worry about the prejudice of others, fear of social non-acceptance of their children throughout life, feelings of shame, and comparison of “normal” with “abnormal” and between perfect and imperfect. Coping with and elaborating on reality occurs without major damage when the diagnosis is made early, even during pregnancy, and if there is family support.(27) Considering that newborns experience feelings together with the mother, it is possible that this period of maternal adaptation to the diagnosis influences children’s emotional health in the future. Moreover, in pre-adolescence, insecurity about body image is common, and physical alterations resulting from congenital anomalies can impair the perception of body image and emotional health at this stage.(28) In addition to emotional problems, there is currently an increase in behavioral disorders, especially ADHD. According to the reports of mothers/guardians, 8.4% of pre-adolescents had a previous medical diagnosis of this disorder, which was significantly associated with an altered SDQ score. Some studies indicate an association between the development of ADHD and long exposure to screens and excessive use of digital media in childhood and adolescence;(29,30) however, this association was not identified in the present study. Analogously to the increase in emotional and behavioral problems, the use of psychotropic drugs is increasingly observed among children and adolescents. A study on medicalization among schoolchildren, carried out in three municipalities in Paraná, identified that the prevalence of medication use for the treatment of ADHD was 4% to 5.21% among elementary school students,(31) a result close to that found in this study. Despite growing concern about the increased use of psychotropic drugs among children and adolescents, this may reflect greater access to diagnosis and treatment of emotional and cognitive problems, and treatments for mental disorders are known to be more effective if started early in the course of the disease. Thus, when correctly indicated, drug treatment is important to ensure better long-term results.(32) In Spain, symptom progression in children with ADHD was assessed with the use of methylphenidate, and the results indicated that hyperactivity improves over the first year of treatment, emotional symptoms and behavioral problems improve during the first six months, and prosocial symptoms slowly improve over two years.(33) Furthermore, school failure was significantly associated with alterations in SDQ. A case-control study that investigated the association between school failure and emotional and behavioral symptoms in adolescents enrolled in the final years of elementary school found that those with a history of school failure are more prone to social isolation, in addition to presenting behaviors identified as abnormal, especially on the anxiety/depression scale, compared to students without the same history.(34) This indicates that school failure when associated with emotional and behavioral symptoms cannot be assessed in isolation. Finally, the overview found in relation to emotional and behavioral problems in pre-adolescents induces reflection on the need to plan actions and follow-up strategies for these children considered at birth as at-risk newborns during their development as well as support for future adolescents. This is a responsibility of health professionals and managers, including nurses who play an essential role in the care of children and adolescents, promoting healthy growth and development. Pre-adolescence is a subdivision of adolescence, a phase of life with intense social, family and emotional demands, and care in this cycle is essential for the future quality of life of these adolescents. As the study limitations, we highlight the occurrence of the COVID-19 pandemic and its consequences during data collection, which may have influenced the SDQ results, even though it was pointed out to the interviewees that the responses should be based on pre-adolescents’ conditions in the period before the pandemic Conclusion The prevalence of emotional and behavioral problems in pre-adolescents classified at birth as at-risk newborns was 20%, with a significant association between the total altered difficulties and sociodemographic and perinatal factors and current health conditions. Although not statistically significant, the frequency of difficulties was higher among boys, who had more conduct problems and hyperactivity, while girls had a higher frequency of emotional symptoms and difficulties in peer relationships. As implications for practice, we highlighted the importance of preventing complications during pregnancy, childbirth and birth to prevent the birth of at-risk newborns. In addition to this, Investments are necessary in the monitoring of these children in the development period, paying attention to their demands for special care for a better quality of life in adolescence and adulthood. Acknowledgments To the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), for granting PhD scholarship to Reis P.
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