Open-access OS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS E A DEMOCRACIA: O QUE A PRODUÇÃO CIENTÍFICA EVIDENCIA?

Estudiantes universitarios y democracia: ¿Qué muestra la producción científica?

Resumo

A despeito dos importantes avanços, a democracia brasileira está novamente envolta em dilemas e impasses. Os permanentes ataques ao sistema democrático evidenciam que parte da sociedade e das lideranças políticas não legitima e defende o arcabouço legal e institucional do Estado Democrático de Direito. As crises políticas recentes motivaram a realização de um estudo sobre o papel das instituições educacionais para a formação da cultura democrática. Enquanto parte de um estudo mais amplo sobre a percepção dos jovens universitários sobre o sistema democrático brasileiro, o presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre as produções científicas sobre o tema publicadas em sete indexadores bibliométricos (SciELO, Portal Periódico CAPES, Catálogo de Teses e Dissertações CAPES, Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações, Scopus, Web of Science e Diretory of Open Access Journal (DOAJ). O processo de tratamento e análise qualitativa dos dados foi feito por meio da técnica da análise de conteúdo. O estudo evidenciou, entre outros resultados, que a produção científica (i) cresceu significativamente a partir de 2015, um contexto marcado por profunda instabilidade política no país; (ii) está concentrada em algumas áreas do conhecimento, como as Ciências Sociais e a Psicologia; (iii) prioriza temas como direitos humanos e movimentos sociais e, (iv) reflete diferentes concepções e abordagens teórico-metodológicas. A pesquisa aponta que há um longo caminho a ser percorrido para o fortalecimento da democracia em diversos países e no Brasil em particular.

Palavras-chave:
democracia; cultura política; estudantes universitários

Abstract

Despite important advances, Brazilian democracy is once again surrounded by dilemmas and impasses. The ongoing attacks on the democratic system show that some members of society and political leaders do not legitimize and defend the legal and institutional framework of the Democratic Rule of Law. Recent political crises prompted a study on the role of educational institutions in the formation of democratic culture. As part of a broader study on the perception of young university students about the Brazilian democratic system, this article presents the results of research on scientific productions on the topic published in seven bibliometric indexes (Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal Periódico CAPES, Catálogo de Teses e Dissertações CAPES, Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scopus, Web of Science, and Directory of Open Access Journal (DOAJ). The qualitative data were treated and analyzed using content analysis. The study showed, among other results, that scientific production (i) grew significantly from 2015 onwards, a context marked by deep political instability in the country; (ii) it is concentrated in some areas of knowledge, such as Psychology and Social Sciences; (iii) prioritizes themes such as human rights and social movements and, (iv) reflects different conceptions and theoretical-methodological approaches. The research indicates that there is a long way to go in strengthening democracy in various countries, particularly in Brazil.

Keywords:
education; democracy; political culture; college students

Resumen

A pesar de importantes avances, la democracia brasileña está nuevamente rodeada de dilemas y callejones sin salida. Los constantes ataques al sistema democrático demuestran que parte de la sociedad y de los líderes políticos no legitiman ni defienden el marco legal e institucional del Estado Democrático de Derecho. Las recientes crisis políticas motivaron la realización de un estudio sobre el papel de las instituciones educativas en la formación de la cultura democrática. Como parte de un estudio más amplio sobre la percepción de jóvenes universitarios sobre el sistema democrático brasileño, este artículo presenta los resultados de una investigación sobre las producciones científicas sobre el tema publicadas en siete índices bibliométricos (Scientific Electronic Libray Online (SciELO), Portal Periódico CAPES, Catálogo de Teses e Dissertações CAPES, Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scopus, Web of Science and Diretory of Open Access Journal (DOAJ). El proceso de tratamiento y análisis de datos cualitativos se realizó mediante la técnica de análisis de contenido. El estudio mostró, entre otros resultados, que la producción científica (i) creció significativamente a partir de 2015, un contexto marcado por una profunda inestabilidad política en el país; (ii) se concentra en algunas áreas del conocimiento, como Psicología y Ciencias Sociales; (iii) prioriza temas como los derechos humanos y los movimientos sociales y, (iv) refleja diferentes concepciones y enfoques teórico-metodológicos. La investigación señala que hay un largo camino por recorrer para el fortalecimiento de la democracia en diversos países y en Brasil en particular.

Palavras clave:
democracia; cultura política; estudiantes universitarios

1 INTRODUÇÃO

Nas palavras de Levitsky e Ziblatt (2023, p. 31), “quando os partidos aprendem a perder, a democracia cria raízes. E quando a democracia cria raízes a alternância no poder se torna tão rotineira que as pessoas passam a contar com ela”. O problema surge quando o processo de amadurecimento e de consolidação da democracia é ameaçado ou interrompido. Nesse caso, ocorre o que a literatura acadêmica tem chamado de crise ou de impasse. De acordo com Avritzer (2016, p. 9), pode-se afirmar a existência de impasses quando a evolução e a sedimentação da cultura democrática são profundamente prejudicadas; quando há “[…] uma crise de crescimento e de evolução da cultura democrática no país”. Na interpretação do autor, , os impasses da democracia brasileira têm se evidenciado com mais clareza e intensidade nos anos recentes, decorrentes de alguns fatores fundamentais como: (i) a crise do modelo de presidencialismo de coalizão praticado desde a promulgação da Constituição Federal; (ii) a corrupção sistêmica que tem permeado as relações entre os poderes executivo e legislativo; (iii) a sensação, por parte do eleitor, que o funcionamento e a performance do sistema político democrático “vira as costas” para a vontade popular expressa por meio do voto; (iv) as consequências da perda de status das classes médias e, (v), o novo papel do judiciário na política (Avritzer, 2016).

Os referidos fatores ajudam a compreender a emergência – sobretudo a partir de 2013 – dos discursos antissistema, antipolítica, anti-institucional e anticorrupção, feitos por grupos e partidos políticos denominados de “direita e de extrema direita” (Pinelli, 2021; Chaloub; Perlatto, 2016; Casimiro, 2016). Nos últimos anos, a “nova direita” brasileira passou a defender a descontinuidade do sistema político democrático, o retorno do regime civil-militar, a destruição das estruturas sociais do Estado e o desmonte das principais políticas sociais, sobretudo nas áreas de educação, saúde, assistência social e meio ambiente (Avrtizer, 2021; Rocha; Solano, 2021;). A eleição de Jair Bolsonaro como presidente da República em 2018, e o crescimento do número de governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores identificados com a “nova direita”, evidenciam que as pautas (neo)conservadoras e antidemocráticas encontram eco e são apoiadas por amplos setores da sociedade.

Os ataques de 08 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes em Brasília contra as três principais instituições (Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal) responsáveis pelo funcionamento do Estado Democrático de Direito evidenciam que o autoritarismo segue enraizado na cultura política brasileira. Os valores democráticos não estão consolidados em amplos setores da sociedade. Os frequentes questionamentos sobre as urnas eletrônicas evidenciam que parte do eleitorado não confia plenamente na lisura das instituições responsáveis pela eleição periódica dos ocupantes dos cargos dos poderes legislativo e executivo em âmbito federal, estadual e municipal (Levitsky; Ziblatt, 2023; Matos, 2023; Melo, 2024). Como destaca Avritzer (2016, 2018), o país continua carecendo de uma sólida cultura democrática no plano institucional e na esfera das relações sociais e políticas.

Nos últimos anos, em particular, a democracia brasileira tem se movido em ritmo pendular, ora na perspectiva da consolidação, ora em retrocesso. O país tem oscilado entre o entusiasmo democrático – caracterizado pela ampliação da soberania popular e dos direitos sociais – as inversões antidemocráticas Nas palavras de Avritzer (2018, p. 277), “[…] as estruturas de defesa de direitos no Brasil são frágeis e vinculadas não às garantias institucionais, mas a um arranjo intra-elites que trocou uma estrutura de direitos por uma ideia de cordialidade que implodiu na crise atual”). A existência dos direitos e a observância da lei é a espinha dorsal da democracia. Como destaca Bobbio (2004), sem direitos reconhecidos não há democracia e sem democracia não há solução pacífica dos problemas.

Nessa mesma perspectiva, o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho (2008) afirma que o entrelaçamento entre a democracia e os direitos no Brasil ainda esbarra – a despeito dos grandes avanços obtidos na Constituição de 1988, a partir da qual a “cidadania virou gente” – na existência de uma cultura política estatista ancorada numa democracia frágil. Segundo ele, “se há algo importante a fazer em termos de consolidação da democracia, é reforçar a organização da sociedade para dar embasamento social ao político, isto é, para democratizar o poder” (Carvalho, 2008, p. 227). A defesa e a garantia dos direitos de cidadania permitem a concretização de uma democracia participativa (Brabo, 2021).

Os contínuos impasses do sistema democrático brasileiro estão estreitamente relacionados à estrutura desigual de nossa sociedade. As tensas e as conflituosas relações entre democracia e capitalismo nos países situados na periferia do “sistema mundo” como o Brasil, limitam e comprometem as políticas de redução das desigualdades sociais. Como destaca Miguel (2022), as democracias são de “fachada” quando não desafiam a reprodução das desigualdades sociais. A democracia é constantemente tensionada pelas desigualdades que o sistema capitalista produz. Segundo o autor:

Para entender o funcionamento das democracias realmente existentes, é preciso entender qual o significado da acomodação entre suas regras e a vigência de profundas desigualdades – de riqueza, de classe, de gênero, de raça e outras – que impactam a capacidade de ingresso na esfera pública e de produção e defesa dos próprios interesses (Miguel, 2022, p. 12).

Os impasses da democracia brasileira estão também relacionados à frágil cultura democrática. Além do fortalecimento da institucionalidade democrática é fundamental investir na formação de uma cultura democrática baseada na observância dos direitos humanos e no fortalecimento das relações igualitárias entre cidadãos e cidadãs. De acordo com Brabo (2021, p. 130):

Tudo isso evidencia a importância da educação tanto para a cidadania quanto para a democracia. Compreendida como a apropriação do saber historicamente produzido, a educação é o recurso que as sociedades dispõem para que a produção cultural da humanidade não se perca, passando de geração para geração.

A formação de personalidades democráticas é, neste sentido, um fator essencial para o fortalecimento das dimensões normativa e processual. A democracia não se restringe à processualidade e à observância das “regras do jogo”; ela também diz respeito a um conjunto amplo de valores, ideias, intenções e práticas (Avritzer, 1996; Bobbio, 1997; Habermas, 1997).

As crises que o sistema democrático enfrenta no Brasil e em inúmeros outros países reintroduz, entre outros desafios, a necessidade de repensar o papel das instituições educacionais – sobretudo as escolas e as universidades – na formação da cultura democrática. Como tão bem destacaram John Dewey (1979) e Anísio Teixeira (1971), as instituições educacionais são micro sociedades onde a democracia pode/deve ser vivenciada/experienciada enquanto um modo de vida.

As escolas e as universidades, neste sentido, não podem se limitar a formar as crianças e os jovens para o mercado de trabalho; elas precisam ser continuamente desafiadas a cumprirem um papel no campo da formação dos valores democráticas e da cidadania (Saviani, 1999). Como destacam Laval (2004) e Apple (2013), as instituições educacionais não são empresas; elas não podem ser subservientes ao mercado e estarem a serviço dos ideários neoliberais e neoconservadoras.

Esse contexto motivou a realização de uma pesquisa sobre o papel das instituições educacionais para a formação da cultura democrática. Enquanto parte de um estudo mais amplo sobre a percepção dos jovens universitários acerca do sistema democrático brasileiro, o presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre as produções científicas acerca da temática, publicadas nos sete principais indexadores bibliométricos: Scientific Electronic Libray Online (SciELO), Portal Periódico CAPES, Catálogo de Teses e Dissertações CAPES, Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scopus, Web of Science e Diretory of Open Access Journal (DOAJ). A investigação procurou, mais especificamente: (i) identificar os principais temas e subtemas presente na produção científica; (ii) analisar a evolução temporal da produção científica ao longo do período analisado; (iii) averiguar em quais áreas e campos do conhecimento a temática tem sido trabalhada; (iv) categorizar a produção de acordo com as modalidades de publicação e, (v) identificar as principais metodologias adotadas.

Com tais propósitos, o “estado do conhecimento” (Morosini; Kohls-Santos; Bittencourt, 2021) ora apresentado cumpre, neste sentido, uma dupla finalidade. Além de oferecer elementos para a compreensão dos aspectos teóricos e metodológicos predominantes no interior dos estudos sobre o tema, ele ajuda a compreender a historicidade do objeto. O conjunto das dissertações, teses, artigos e livros sobre o tema refletem, neste sentido, as dimensões históricas, sociológicas, políticas e institucionais do processo de consolidação da democracia brasileira nas últimas décadas. A produção científica é, parafraseando Kosik (1969), parte de uma totalidade concreta mais ampla, no âmbito da qual a pesquisa é um produto das relações e das contradições da realidade sócio-histórica. Os estudos meta-analíticos ajudam a compreender, deste modo, os objetos/temas/campos de estudos a partir de sua historicidade. Eles evidenciam as relações dialéticas entre a ciência e a história.

A dialética entre a produção científica e o todo concreto é a problemática de fundo que motivou a realização da pesquisa. Os estudos meta-analíticos sobre o estado do conhecimento são relevantes na medida em que ajudam a compreender os objetos/temas/campos de estudos a partir de sua historicidade. A análise da produção científica revela a evolução e as principais características (epistemológicas, teóricas e metodológicas) que a pesquisa assumiu ao longo do tempo. Como título de organização o artigo segue o seguinte itinerário. Na primeira apresentamos a metodologia adotada para o desenvolvimento do estado do conhecimento. A segunda parte contempla os resultados da análise de conteúdo realizada juntos aos indexadores bibliométricos. Por fim, a título de conclusão, apresentamos as considerações finais com algumas perspectivas para a construção da cultura democrática entre os jovens.

2 PERCURSO METODOLÓGICO E UNIVERSO DE PESQUISA

Para a realização da presente pesquisa utilizamos o método de pesquisa qualitativo de natureza bibliográfica (Silva, 2013; Lima; Mioto, 2007), do tipo estado do conhecimento (Morosini, Kohls-Santos; Bittencourt, 2021) ou, mais especificamente, estado da questão (Plá, 2022).

Os estudos denominados como “estado do conhecimento” (Morosini; Kohls-Santos; Bittencourt, 2021) ou “estado da questão” (Plá, 2022), permitem compreender as temáticas a partir da historicidade, mais precisamente, a partir das suas características epistemológicos, teóricos e metodológicos.

Segundo Morosini, Kohls-Santos e Bittencourt (2021, p. 19-20), o estado de conhecimento é:

[...] é identificação, registro, categorização que levam à reflexão e síntese sobre a produção científica de uma determinada área, em um determinado espaço de tempo, congregando periódicos, teses, dissertações e livros sobre uma temática específica.

De acordo com Plá (2022), os estudos denominados como “estado da questão” auxiliam na elaboração do problema de pesquisa contribuem para definir e delimitar o objeto de forma clara, e identificar os avanços e as lacunas que caracterizam os diferentes campos de pesquisa.

Tendo em vista essas definições, o levantamento dos dados foi realizado por meio das sete principais bases de dados bibliométricos da produção científica no país e no exterior: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal de Periódicos CAPES, Catálogo de Teses e Dissertações CAPES, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scopus; Web of Science e Directory of Open Access Journals (DOAJ). Para a catalogação dos itens foram consideradas todas as produções sobre o tema em língua portuguesa e nos demais idiomas O levantamento dos dados priorizou o período entre 1999 (ano da publicação primeiro estudo sobre o tema disponível nas bases) e 2023. A busca foi feita por meio dos operadores booleanos e comandos (Silva, 2013).

De acordo com Souza (2019), os operadores booleanos são baseados na teoria dos conjuntos, fazendo uso das terminologias “AND”, “OR”, “NOT” para ampliar ou reduzir as buscas. Além desses operadores, as aspas também serviram enquanto comandos para a acurácia das pesquisas, em razão de ser um comando que reduz significativamente as buscas ao procurar pelo descritor exato e não suas variantes (Souza, 2019).

O quadro a seguir apresenta o quantitativo dos itens localizados isoladamente em cada uma das bases bibliométricas.

Quadro 1
Total de itens identificados nas diferentes bases bibliométricas no período entre 1999 e 2023

Em relação ao protocolo adotado para o refinamento (termos e strings de busca), aplicamos o operador booleano “AND” com os descritores “democracia” e “estudantes universitários”. Nas bases de língua portuguesa (SciELO, Portal de Periódicos CAPES, Catálogo de Teses e Dissertações CAPES e BDTD) utilizamos os termos “Democracia” AND “Estudantes universitários”. Para os indexadores internacionais – Scopus, Web of Science e DOAJ – aplicamos o comando: ("Democracy" AND "College Students") NOT Database: Research Commons. A utilização das aspas nos strings (descritores) foi deliberada e teve como intuito buscar pelos termos exatos e não outras variantes semânticas da palavra.

O quadro 2 sintetiza o primeiro cruzamento de dados realizado nos indexadores bibliométricos.

Quadro 2
Relação dos itens obtidos por meio da pesquisa booleana sobre a produção científica no período entre 1999 e 2023.

Os itens acima foram, em seguida, analisados a partir dos critérios de inclusão de exclusão descritos no quadro 3. A leitura dos resumos de cada trabalho selecionado foi imprescindível para a aplicação dos critérios listados abaixo.

Quadro 3
Relação dos critérios de inclusão e exclusão dos itens da produção científica selecionada

O quadro a seguir detalha os critérios de inclusão e exclusão utilizados para a seleção final dos trabalhos a serem analisados.

A aplicação dos critérios resultou na definição do corpus documental da pesquisa, formado por trinta e um trabalhos, sendo vinte e cinco artigos, três dissertações e três teses.

O fluxograma a seguir, modelo Prisma 2020, detalha o processo de seleção dos trabalhos analisados, desde a identificação inicial nas bases de dados bibliométricos, até a fase final da especificação dos 31 estudos incluídos.

Figura 1
Fluxograma adotado para a identificação e seleção do corpus documental da pesquisa (PRISMA 2020)

O fluxograma adotado definiu, por fim, a relação das produções científicas submetidas ao processo de análise de conteúdo.

Quadro 4
Relação das produções científicas submetidas à análise de conteúdo

Após esse processo inicial de tratamento dos itens obtidos, foi realizada a leitura das produções na íntegra, conforme proximidade com a temática em estudo.

Procedeu-se, em seguida, à categorização, interpretação e análise do material bibliográfico selecionado mediante a utilização de análise de conteúdo (Moraes, 1999). A leitura evidenciou que a produção científica publicada versa sobre seis temáticas centrais:(i) Direitos humanos; (ii) Movimento estudantil; (iii) Cultura política; (iv) Valores psicossociais; (v) Participação política e (vi) Representações sociais da democracia.

3 ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Trata-se de um rol de pesquisas desenvolvidas sobre o Brasil e inúmeros outros países, como o Chile, Venezuela, Estados Unidos (EUA), Hungria, Irã, entre outros. Tendo em vista a heterogeneidade dos contextos sociais, políticos e culturais descritos e analisados pelas produções selecionadas, apresentamos a seguir uma descrição e análise sucinta dos aspectos principais (objetivos, metodologia e resultados) dos trabalhos analisados.

A pesquisa evidenciou, em primeiro lugar, que cerca de 19,35% dos trabalhos foram publicados na SciELO, 19,35% na Scopus, 16,13% no Portal Periódicos CAPES 16,13% no Catálogo de Teses e Dissertações CAPES, 16,13% na Web of Science, 9,68% no DOAJ e 5,88% na BDTD.

O gráfico 1 apresenta a evolução temporal da produção científica analisada. Observa-se um aumento da produção – sobretudo dissertações e teses – a partir de 2015, com maior destaque para os anos de 2019 e 2020. O trabalho mais antigo catalogado foi publicado em de 1999, na forma de dissertação.

Gráfico 1
Evolução das produções sobre o tema no período entre 1999-2023

Quanto aos campos disciplinares que integram as áreas de conhecimento, o estudo evidenciou que 40% dos trabalhos analisados são das Ciências Sociais; 26% da Psicologia; 19% da Educação; 6% da área Interdisciplinar e 3% das áreas de História, Ciências Sociais Aplicada e Jornalismo.

A análise dos registros evidenciou a predominância de, ao menos, seis temas centrais.

Quadro 5
Principais temáticas analisadas pela produção científica no período 1999-2023

Embora as três temáticas iniciais apresentam os mesmos percentuais de recorrência, decidimos iniciar a análise qualitativa pelo tema dos direitos humanos.

3.1 Direitos humanos

Uma das temáticas mais abordadas nos estudos é direitos humanos, com cerca de 22,60% dos trabalhos (quatro artigos, duas teses e uma dissertação). Apesar das diferentes naturezas dessas pesquisas, todas elas se relacionam, de algum modo, ao campo dos direitos humanos.

Os artigos de Álvarez-Rojas (2013) e Silva (2016) exploram o debate das desigualdades sociais a partir de diferentes prismas. O primeiro realizou uma pesquisa conceitual sobre as desigualdades socioespaciais e a justiça social dos estudantes universitários e sua relação com a mobilidade social no Chile. A pesquisa apontou que o crescimento econômico e o acesso ao consumo tendem a ocultar as desigualdades sociais existentes, afetando os estudantes, desde o acesso aos bens simbólicos da cidade até as relações mais amplas de igualdade e democracia. O segundo trabalho, desenvolvido por Silva (2016), também discute a temática das desigualdades, mais precisamente os temas da democracia racial, o conceito de preconceito sutil e aderência ao fascismo. Por meio da utilização de um questionário do tipo Likert com estudantes universitários, a pesquisa indicou a correlação entre adesão aos preceitos do fascismo com o preconceito sutil contra os negros.

Já os artigos de Akirav (2023) e Porto e Vidigal (2016) abordam a temática dos direitos humanos sob outras perspectivas. O primeiro investigou os efeitos da educação cívica baseada em projetos em uma sociedade multiétnica (Akirav, 2023). Sua pesquisa, com universitários israelenses de medicina em 2016 e 2017, demonstrou que essa abordagem melhora o engajamento político e as noções de accountability e direitos civis/humanos. O segundo, Porto e Vidigal (2016), analisou o mito da democracia racial e seu impacto nas opiniões dos universitários relacionadas às ações afirmativas em universidades públicas. A partir de um questionário aplicado em duas universidades públicas federais brasileiras, o estudo evidenciou que o mito da democracia racial deprecia os atributos raciais como fatores explicativos das desigualdades, fazendo a oposição às cotas raciais ser maior se comparado às cotas sociais (Porto; Vidigal, 2016).

A tese de doutorado de Batista (2019), da área da educação, estudou as relações e interações raciais entre universitários negros e brancos. O objetivo do estudo foi entender como ocorreu o processo de reconfiguração identitária no contexto acadêmico enquanto estudante cotista e a partir das interações desses agentes. Por meio de um estudo de caso e utilizando como instrumentos questionários e entrevistas, o autor evidenciou que as identidades raciais são construídas nas relações e interações sociais e raciais permeadas por relações de poder. Essas relações não se limitam à dominação, mas contemplam uma força contra-hegemônica da própria luta antirracista (Batista, 2019). Além disso, os resultados apontaram para a construção identitária baseada nas múltiplas noções de identidade e como os estudantes universitários transitam entre elas.

O trabalho de Grisolia (2020), por outro lado, buscou entender como os jovens das classes populares se sentem atraídos pela possibilidade de acesso à universidade e como a vivenciam. Tendo como método o uso de grupos focais e entrevistas, a pesquisa evidenciou a importância da família nesse processo. Entretanto, o autor mostrou que há contradições e conflitos nessas decisões principalmente relacionadas à classe e à precariedade da escolarização precedente que impacta na educação superior. Além disso, a pesquisa indicou que estudantes das classes populares veem a universidade como uma possibilidade de mobilidade social, ainda que entendam que o diploma não é a sua garantia.

Por fim, a dissertação de Vaz (2019) é da área de direitos humanos e de políticas públicas, e buscou entender a relação entre saúde mental e a educação, especificamente dos estudantes universitários. Para isso, a autora realizou um estudo bibliográfico e documental, abordando os conteúdos disponíveis nos sites das universidades selecionadas. A pesquisa indicou um aumento expressivo nas demandas de saúde mental pelos estudantes e que impactaram diretamente no desempenho acadêmico. Como resultado, o estudo alude para a importância de se traçar um ponto transversal entre saúde mental e educação e que seja pautado em uma abordagem inclusiva e de equidade educacional visando a promoção de uma sociedade democrática.

3.2 Movimento estudantil

O movimento estudantil é a segunda temática mais estudada, correspondente a 22,60% (seis artigos e uma dissertação). O ponto de convergência entre essas quatro pesquisas está na centralidade da análise do movimento estudantil universitário para a compreensão da democracia.

Os artigos de Blanco (2018), Tarazona e Alonso (2015) e Guido e Sánchez (2015) analisam o movimento estudantil com os meios de comunicação. A partir de uma abordagem da história da educação, Blanco (2018) aponta para a visão estereotipada dos movimentos estudantis promovidas pelas mídias que os caracterizaram como violentos. Na análise do autor, o movimento dos estudantes estava preocupado com a luta em tornar visível os problemas sociais, o que não corrobora com o argumento da imprensa que os invisibiliza ou tentou associá-los ao aumento violência.

Tarazona e Alonso (2015) também partem de uma perspectiva histórica, indicando que os meios de comunicação transpõem a visão dos estudantes guerrilheiros colombianos dos anos sessenta e setenta para o presente, sem considerar as transformações históricas. Para os autores esse movimento contribuiu para a visão subversiva dos estudantes universitários promovidos pelos veículos midiáticos. Essa análise vai ao encontro com a pesquisa de Guido e Sánchez (2015) com os jovens do México. Esses autores analisaram as mudanças dos jovens de espectadores a agentes participantes na vida social e política. Como resultado, o estudo indicou que os jovens e as transformações do sistema midiático corroboraram com a ampliação da participação política e com a ânsia pela democratização das mídias.

Por outro prisma, Meneses-Rocha, Ortega-Gutiérrez e Urbina-Cortés (2017) averiguaram as práticas políticas online e offline dos universitários durante o surgimento do movimento #YoSoy132 na Cidade do México. A pesquisa survey evidenciou que o meio digital favoreceu a participação política híbrida (Online/offline) dos estudantes.

Zhang, Narayanan e Sun (2023), e Desposato e Wang (2020) abordam o movimento estudantil na China. Os primeiros analisaram a questão da falta de movimentos estudantis anti-regime ou pró-democracia no país (Zhang, Narayanan e Sun, 2023). Por meio de uma pesquisa em 35 universidades durante 2015 a 2018, indicaram que os universitários chineses apresentam um alto grau de aprovação ao status quo do país e que, ao contrário das gerações das décadas de 1980, parecem estar menos propensos a mudanças políticas. Já Desposato e Wang (2020) averiguaram o impacto de longo prazo dos movimentos sociais nas atitudes democráticas. Enfocando o movimento estudantil chinês de 1989 e o incidente de Tiananmen e por meio de uma metodologia de descontinuidade de regressão difusa aplicado a dois grupos de ex-estudantes universitários, o estudo indicou diferenças significativas entre as atitudes dos estudantes que estavam na universidade durante o movimento e aqueles que ingressaram após. Os que foram expostos ao movimento apresentaram maior apoio à democracia e ao sistema de direitos.

A dissertação desenvolvida por Navarro (2020), ao contrário das pesquisas anteriores em que o foco foi a relação entre os veículos midiáticos e o movimento estudantil, fez um estudo comparado dos estudantes universitários do Brasil e da Venezuela através da análise de conteúdo de teses e dissertações, sendo 23 trabalhos desenvolvidos no Brasil e cinco na Venezuela. A pesquisa apontou as aproximações das experiências ditatoriais e democráticas em ambos os países, apesar de ocorrerem em períodos contextuais diferentes. Dessa forma, elementos como participação política dos estudantes universitários em marchas e assembleias e na própria comunidade em geral evidenciaram-se enquanto parte da ação dos estudantes em prol de suas reivindicações sociais.

3.3 Cultura política

A categoria cultura política abarca cerca de 22,60% das produções selecionadas (sete artigos). Os artigos procuram entender o conceito de democracia, tendo como amostra os estudantes universitários a partir do arcabouço conceitual da cultura política.

O artigo de González (2006) analisou os valores “credo democrático” de estudantes universitários de Salvador, mostrou o que os estudantes consideram mais importante sobre o sistema democrático, como o envolvimento com a justiça social e a liberdade de expressão. No entanto, a autora destacou que os pesquisados atribuem pequena importância ao funcionamento institucional, o que é “[…] um fenômeno preocupante em termos da consolidação da democracia, pois pode vir a favorecer a aceitação de modelos de democracia mais autoritários […]” (González, 2006, p. 437). Além disso, houve uma forte crença dos jovens no mito da igualdade de oportunidades. De maneira geral, a pesquisa de González (2006) destacou que as concepções de democracia dos estudantes universitários se aproximam do modelo liberal, ou seja, da democracia representativa, apesar de rejeitarem as suas limitações como, por exemplo, impedimentos ao igualitarismo.

O artigo de Valenzuela, Park e Kee (2009) buscou entender se o uso Facebook está relacionado ao aumento de capital social (Robert Putnam) entre os estudantes. Por meio de um questionário aplicado com 2.603 universitários do Texas no ano de 2007, o estudo evidenciou uma relação positiva entre o uso da rede social e a confiança social, engajamento cívico e participação política. No entanto, os autores ressaltam que a associação entre o uso do Facebook e o capital social foram reduzidas. Em outro contexto, o artigo de Jahangiri, Sardarnia e Alizadeh (2016) investigou a relação entre capital social e tolerância política. A partir de um survey aplicado com 390 universitários iranianos, o estudo indicou que a maioria dos estudantes tem tolerância política média ou baixa. Apontou, ainda, que variáveis como envolvimento comunitário, conscientização e confiança social, local de nascimento e gênero tiveram uma relação significativa com a confiança política (Jahangiri, Sardarnia e Alizadeh, 2016).

Sieriakova e Kokoza (2019) analisaram as experiências de engajamento cívico de estudantes na Ucrânia. Através de um estudo qualitativo com questionário e grupo focal com vinte e quatro participantes da Kyiv National Linguistic University (KNLU), o estudo indicou que os estudantes que participam das atividades cívicas por motivação intrínseca (pessoal), apresentaram melhorias na sua capacidade de comunicação e trabalho em equipe se comparado aos estudantes com motivação extrínseca. Os autores associam o engajamento cívico com o aprimoramento das experiências políticas entre os universitários. De outra perspectiva, o artigo de Liévano (2014) aborda o ensino do direito e a formação ética-cidadã entre os estudantes. A partir da pesquisa-ação de John Elliott aplicada em 2012, o estudo concluiu que as técnicas presentes no Teatro do Oprimido de Augusto Boal, sobretudo o envolvimento do corpo e das emoções contribuem para a aprendizagem de questões jurídicas e pavimentação de uma educação ético-cidadã entre os estudantes universitários.

Já o estudo de Hoffmann (2015) sobre o conceito de democracia entre os estudantes universitários corroborou com o indício positivo que o ensino de democracia ocasiona nas concepções democráticas dos jovens. O autor desenvolveu seu estudo por meio de um questionário fechado e em dados do Latinobarómetro. Ao todo, 42 estudantes de duas universidades – uma pública e a outra privada – foram pesquisados. A partir da utilização do conceito de cultura política presente na obra de José Álvaro Moisés, o autor concluiu que “[…] não se observou uma rejeição aos valores e princípios democráticos, mas um aumento da criticidade em relação a como o regime democrático está estabelecido e gera seus frutos para a sociedade” (Hoffmann, 2015, p. 17). Por fim, o artigo de Delfino, Benbenaste e Zubieta (2005) também trata da conceituação que os estudantes fazem da democracia. Através de um questionário aplicado no início dos anos 2000 com 1070 universitários argentinos, o estudo indicou, no que se refere a qualidade da democracia, uma menor avaliação do regime/sistema político, alicerçado em variações importantes no conceito de democracia nos diferentes cursos. Destacando que os estudantes de carreiras técnicas-econômicas tendem a uma maior valorização da iniciativa individual e privada.

3.4 Valores psicossociais

A temática dos valores psicossociais responde por 12,90% das produções analisadas (três artigos e uma tese). Todas são da área da Psicologia e utilizam a teoria dos valores psicossociais para analisar os valores democráticos dos estudantes.

Os artigos de Pereira, Lima e Camino (2001) e Pereira, Torres e Barros (2004) utilizam a teoria sobre valores psicossociais, alterando apenas a seleção amostral. Nesse sentido, ambos os artigos utilizam a Hierarquia de Valores de Milton Rokeach (1918-1988), a escala de Tipos Motivacionais de Shalom Schwartz (1940-), e a tese dos Valores Materialistas e Pós-Materialistas de Ronald Inglehart (1934-2021). Como instrumento para a coleta dos dados, utilizaram o questionário de Valores Psicossociais e a Escala de Atitudes em relação à democracia. Ambas as pesquisas mostraram que os estudantes possuem uma visão hegemônica da democracia, com destaque aos valores do sistema hedonista, religioso, valores materialistas (bem-estar social, individual e profissional) e pós-materialistas (autoridade, riqueza, lucro, status).

Perreira, Torres e Barros (2004) destacam a importância de uma reinterpretação da teoria de Inglehart sobre os valores materialistas e pós-materialistas. Isso acontece pois, para Inglehart, os valores materialistas estão associados a sociedades que ainda não resolveram os problemas sociais básicos. De outro lado, as sociedades que já superaram esses problemas focam nos valores pós-materiais. A crítica a essa ideia está atrelada ao pressuposto de que os países em desenvolvimento os problemas estão aumentando, o que culmina na defesa dos valores materialistas. Além disso, essa relação bipolar, a adesão aos valores pós-materialistas não implica redução dos valores materialistas, pelo contrário. Uma não pressupõe a negação da outra (Perreira, Torres e Barros, 2004). Apesar dessas especificidades, apontam que o pós-materialismo é o momento ideal para um ambiente cultural favorável à participação democrática. Já o materialismo se apresenta como essencial nas culturas onde há vigência de sistemas antidemocráticos (Pereira, Torres e Barros, 2004).

Já o trabalho de Barros, Torres e Pereira (2009), explora de forma mais enfática a questão do autoritarismo. Com o auxílio do Questionário de Valores Psicossociais (QVP-24) e uma amostra de 284 universitários de Goiânia, o estudo apontou uma concordância com os estudos psicossociais nos quais o autoritarismo é algo que se altera a depender dos contextos políticos. Grosso modo, os valores psicossociais apresentam-se em quatro grupos: hedonista, religioso, materialista e pós-materialista, bem-estar individual e bem-estar profissional (Barros; Torres; Perreira, 2009).

Por fim, Villagran (2012) procurou - a partir do referencial de Piaget e Kohlberg, procurou conhecer se o projeto de formação dos profissionais com valores, atitudes e comportamentos, desenvolveu nos estudantes chilenos mudanças nos seus comportamentos, atitudes e valores. A partir da articulação entre as metodologias qualitativas e quantitativas, a pesquisa evidenciou que os estudantes tiveram avanços parciais nos seus sistemas de valores e em sua cultura política e responsabilidade social. Nesse sentido, a autora aponta que apesar de existir uma tomada de consciência por parte dos pesquisados, ela não se traduziu em responsabilidade social global mais ampliada (Villagran, 2012).

3.5 Participação política

A temática da participação política responde por 12,90% das produções analisadas (quatro artigos). Apresenta uma variação de perspectivas metodológicas e contextos de análise.

O artigo de Sebestyén (2020) analisa a relação entre a mobilização político-partidária na Hungria e o papel que ela exerce no incentivo ao envolvimento político dos estudantes. A partir de dados da pesquisa surveyActive Youth in Hungary” realizada em 2019 com 800 universitários, o estudo mostrou que os partidos desempenham um papel importante na participação política dos jovens, ainda que não de forma isolada, mas permeados por outras instituições, como a familiar. Já o estudo de Fassett et al. (2018) analisou a participação de estudantes universitários em atividades de engajamento cívico em 24 instituições entre 2013 e 2017, com base em dados da National Survey of Student Engagement (NSSE) indicou três tipos de estudantes, (i) ativistas que são altamente engajados em atividades cívicas; (ii) não-ativistas, com menor envolvimento e engajamento cívico; e (iii) aliados, os quais eram informados sobre engajamento cívico ainda que com pouco envolvimento em suas atividades.

Por outro lado, Hurtado et al. (2002) investigou a maneira como as experiências pré-universitárias dos estudantes predispuseram as atitudes democráticas. Por meio da análise de um survey aplicado em três universidades americanas no início dos anos 2000, os dados indicaram que a participação em discussões, clubes e trabalho voluntário são preditores importantes de atitudes democráticas. Ainda que existam desafios consideráveis no que concerne a resolução de conflitos em uma democracia diversa.

O artigo de Calduch et al. (2020) se debruça sobre a participação estudantil e a governança. Por meio de uma pesquisa-estudo realizada em dezoito instituições de diferentes países ibero-americanos, o estudo indicou diferenças significativas na forma de participação política dos estudantes, sobretudo pela questão etária, de classe e/ou pertencente a grupos minoritários. O que coloca um desafio ao aumento da participação estudantil nas esferas de governança.

3.6 Representações sociais da democracia

Por fim, a temática das representações sociais da democracia corresponde a cerca de 6,40% das produções analisadas (um artigo e uma dissertação). A teoria das representações sociais proposta por Serge Moscovici é a base teórica principal desses estudos.

O artigo de Ruiz-Perez e Pineda-Silva (2021) apresenta os resultados de um estudo sobre as representações sociais da democracia em estudantes ibero-americanos de cinco países da América Latina. Com base na Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici (1925-2014), os autores sustentam que esses estudantes associavam as representações da democracia a um núcleo central que abarcava “liberdade”, “justiça” e “igualdade”. Apesar da consistência e similaridade dos resultados obtidos nos cinco países analisados, os autores evidenciam a existência de pequenas variações acerca da centralidade do assunto da democracia, especificamente no que se refere aos diferentes contextos analisados (Ruiz-Perez; Pineda-Silva, 2021).

A dissertação de Brizola (1999) também parte dessa mesma base referencial, mas adiciona autores das Ciências Sociais. Seu objetivo foi investigar as representações e os comportamentos políticos e sociais de estudantes universitários, tais como: atitude face ao autoritarismo, falas sobre democracia e política; os valores para a construção de uma sociedade ideal; a participação política e nos grupos de caráter informal, etc. A autora utilizou questionários e entrevistas para a coleta dos dados.

Como resultado, Brizola (1999) destaca que houve a predominância da preferência pela democracia entre os estudantes, ainda que com variações quanto ao seu conteúdo e forma. A presença dos valores de igualdade e liberdade foi expressiva nas respostas. Brizola (1999) aponta que os estudantes percebem a cultura política como sendo autoritária no país, atribuindo dois fatores negativos à democracia: ao baixo desempenho dos políticos e das instituições; e o baixo otimismo acerca das perspectivas de futuro do país. No entanto, um dado importante da pesquisa da autora foi que 70 % dos estudantes votariam, mesmo que o voto não fosse obrigatório.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A chegada ao poder de líderes identificados com as agendas autoritárias e antidemocráticas em diversos países nos últimos anos – Viktor Orbán (Hungria), Donald Trump (USA), Rodrigo Duterte (Filipinas), Iván Duque (Colômbia), Jair Messias Bolsonaro (Brasil), Lacalle Pou (Uruguai), Giorgia Meloni (Itália), Javier Milei (Argentina) e Nicolas Maduro (Venezuela) – e as recentes eleições para o Parlamento Europeu (junho de 2024) e para a Assembleia Nacional da França (julho de 2024) evidenciaram que a cultura e os valores democráticos não estão tão sedimentados como costumeiramente supomos. Acontecimentos políticos recentes, sobretudo a invasão ao Capitólio nos Estados Unidos em janeiro de 2021, os atos terroristas na Praça dos Três Poderes em Brasília em 08 de janeiro de 2023 e a atual crise política na Venezuela, mostram que as regras que disciplinam o sistema democrático vêm sendo questionadas tanto por setores à direita, quanto à esquerda do espectro político. A expansão do regime democrático pelos continentes, fenômeno que o cientista político Samuel Huntington denominou, no início dos anos 90, de “democracias de terceira onda” (Huntington, 1994) parece ter estagnado e estar sob suspeita.

Esse conjunto de crises evidenciou que a democracia está longe de ser um patrimônio político consolidado. As polarizações extremas, como destacam Levitsky, Ziblatt (2018, p. 20), são capazes de “matar as democracias”. Assim como todo e qualquer ser vivo, a democracia precisa ser vigiada, cuidada e nutrida. Os dilemas atuais reintroduzirem o debate sobre o papel da educação escolar e superior na formação dos valores democráticos. Embora a educação esteja longe de ser o único e o mais eficiente antídoto para a crise, ela contribui para manter vivos e factíveis os ideários de uma sociedade democrática, cujo pilar é a resolução dos conflitos por meio do diálogo, da negociação e da observância das regras. O futuro da democracia depende, deste modo, da cultura política partilhada pelas instituições e pelos cidadãos cotidianamente, tanto na esfera privada quanto no espaço público (Levitsky; Ziblatt, 2023; Avritzer, 2023; Melo, 2024; Bobbio, 1997).

Dentre as hipóteses da pesquisa e levando em consideração a pluralidade de contextos políticos, sociais e culturais, a produção científica analisada neste estudo reflete, de certo modo, o entusiasmo que prevaleceu na opinião pública nas últimas décadas. Desde a promulgação da Constituição Federal (CF) de 1988 a democracia tem sido tratada como algo inexorável e em contínuo processo de consolidação e aprimoramento. O baixo número e a irregularidade dos trabalhos publicados no período pode indicar um reduzido interesse da comunidade acadêmica pelo tema. O primeiro trabalho catalogado é de 1999, cerca de uma década após a aprovação da CF. Além disso, não identificamos produções científicas em diversos anos da série histórica analisada. Constata-se um pequeno crescimento a partir de 2015, o que nos levar a concluir que as manifestações de junho de 2013 e as crises políticas que se seguiram – resultando no impeachment da então presidenta Dilma Rousseff em 2016 e na eleição de Jair Bolsonaro em 2018 – fizeram aumentar o interesse da comunidade acadêmica pelo tema.

Chama a atenção, em segundo lugar, o reduzido número de trabalhos produzidos pela área de educação (19%). A maioria dos estudos foi desenvolvida pelas Ciências Sociais (40%) e pela Psicologia (26%). A tomar por esses dados, uma das hipóteses é a de que as relações entre educação superior e democracia parece despertar pouco interesse entre os programas de pós-graduação e os pesquisadores da área de educação.

O estudo evidenciou, em terceiro lugar, que a produção científica analisada tem priorizado temas como direitos humanos (22,60%), movimentos sociais (22,60%) e cultura política (22,60%). Os estudos sobre valores psicossociais e participação política respondem ambos por 12,90% das produções. Por outro lado, as representações sociais da democracia, detém o menor percentual (6,40%) das produções. Uma das hipóteses para essa distribuição de abordagens da democracia é de que o interesse pelos temas que dizem respeito especificamente aos aspectos institucionais do sistema/regime democrático é reduzido e encontra-se diluído entre os subtemas analisados.

No que tange aos aspectos metodológicos, o estudo evidenciou, em quarto lugar, o uso de diferentes concepções e abordagens teórico-metodológicas. O método qualitativo, associado ao uso de questionários, é predominante. Além disso, a articulação entre as metodologias e as diferentes técnicas de pesquisa mostraram-se alinhadas à clareza do referencial teórico, corroborando com o argumento de Plá (2022) relacionado a importância do método no processo de indagação e análise dos referentes empíricos.

No que diz respeito as debilidades do estudo, a seleção de trabalhos em “acesso aberto” foi um dos maiores limitantes da pesquisa. Além disso, em decorrência da heterogeneidade dos contextos nacionais, uma análise mais profunda e detalhada sobre as especificidades institucionais de cada país ficou comprometida. Por fim, o número reduzido de trabalhos analisados – trinta e um – impede a tecitura de generalizações. Trata-se, portanto, de algumas indicações do que a produção científica mais recente evidencia sobre os estudantes universitários. Cabe a novas pesquisas se desafiarem nessa temática, especialmente na área da educação.

Similar às fotografias, as meta-análises sobre a produção científica ajudam a revelar o que nós somos, mais precisamente, o que temos pensado e proposto sobre o tema ao longo dos anos. As presenças e, particularmente, as lacunas e as ausências destacadas acima nos ajudam a repensar o papel da ciência e da educação. Como destacam Levitsky e Ziblatt (2023), as crises políticas e os ataques contra a democracia devem ser respondidos com mais democracia. Ainda que imperfeito, o regime democrático continua sendo o sistema mais adequado para proteger as sociedades contra o autoritarismo. Como sentenciou Paulo Freire (2000, p. 136), “[…] nós estamos ainda no processo de aprender como fazer democracia. E a luta por ela passa pela luta contra todo tipo de autoritarismo”. O medo, a resignação e o silêncio não protegem o conjunto dos direitos que formam a base normativa e institucional da democracia.

DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS

Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão disponíveis no artigo.

REFERÊNCIAS

  • AKIRAV, Osnat. Active civic education using project-based learning: Israeli college students’ attitudes towards civic engagement. IU Libraries Journals, Bloomington, v. 17, n. 1, 2023. Disponível em: https://scholarworks.iu.edu/journals/index.php/ijpbl/article/view/32354/39468 Acesso em: 04 set. 2025.
    » https://scholarworks.iu.edu/journals/index.php/ijpbl/article/view/32354/39468
  • ÁLVAREZ-ROJAS, Ana María. (Des) igualdad socio espacial y justicia espacial: nociones clave para una lectura crítica de la ciudad. Polis, Santiago, v. 12, n. 36, p. 265-287, dez. 2013. Disponível em: https://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-65682013000300012 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-65682013000300012
  • APPLE, Michael Whitman. Creating democratic education in neoliberal and neoconservative times. Portal de revistas académicas y científicas de la UNLPam V. XVII, p. 48-55, 2013. Disponível em: https://share.google/M2Aijms9AAXfzLOAo Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://share.google/M2Aijms9AAXfzLOAo
  • AVRITZER, Leonardo. Erosão democrática e processo eleitoral. In: AVRITZER, Leonardo; SANTANA, Eliara; BRAGATTO, Rachel. Eleições 2022 e a reconstrução da democracia no Brasil Belo Horizonte: Autêntica, 2023.
  • AVRITZER, Leonardo. Impasses da democracia no Brasil Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.
  • AVRITZER, Leonardo. A moralidade da democracia: ensaios em teoria habermasiana e teoria democrática. São Paulo: Perspectiva/Editora UFMG, 1996.
  • AVRITZER, Leonardo. O pêndulo da democracia no Brasil: uma análise da crise 2013-2018. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, v. 37, n. 1, p. 273–289, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/nec/a/c3T5mk68ngn7PQ5chVkbhrS/?format=pdf⟨=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/nec/a/c3T5mk68ngn7PQ5chVkbhrS/?format=pdf⟨=pt
  • AVRITZER, Leonardo. Política e antipolítica nos dois anos do governo Bolsonaro. In Avritzer, Leonardo, Kerche, Fábio & Marona, Marjorie (orgs). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política Belo Horizonte: Autêntica, 2021.
  • BARROS, Thaís Santiago; TORRES, Ana Raquel Rosas; PEREIRA, Cícero. Autoritarismo e adesão a sistemas de valores psicossociais. Psico-USF, v. 14, n. 1, p. 47–58, jan. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusf/a/BFRPGcBcF89qWfLKFWCjLTB/abstract/?lang=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/pusf/a/BFRPGcBcF89qWfLKFWCjLTB/abstract/?lang=pt
  • BATISTA, Michelangelo Henrique. Relações e interações raciais entre universitários negros e brancos no curso de pedagogia e direito da UFMT: (Re) Construção de Identidades na contemporaneidade. 2019. Tese (Doutorado) - Curso de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, 2019. Disponível em: https://ri.ufmt.br/handle/1/2240 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://ri.ufmt.br/handle/1/2240
  • BLANCO, P. T. Malas Relaciones: prensa y Movimiento Estudiantil Universitario em Chile a fines de La Dicyadura e inicios de la Transición Democrática (C. 1988-C. 1998). História da Educação, Porto Alegre, v. 22, n. 54, p. 135–153, jan. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/heduc/a/FMCjTn7PTGMPNzjVGW9MdHf/abstract/?lang=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/heduc/a/FMCjTn7PTGMPNzjVGW9MdHf/abstract/?lang=pt
  • BOBBIO, Norberto. A era dos direitos Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
  • BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Uma defesa das regras do jogo. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
  • BRABO, Tânia Suely Antonelli Marcelino. Democracia, Direitos humanos, gênero e cidadania: teoria, políticas e cotidiano das escolas públicas. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2021.
  • BRIZOLA, Ana Lídia Campos. Sistema democrático e relações autoritárias: um estudo entre universitários. 1999. Dissertação (mestrado) - Curso de Psicologia, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1999. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/80930?locale-attribute=pt_BR Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/80930?locale-attribute=pt_BR
  • CALDUCH, Isaac et al. Gobernanza y universidad: estudio iberoamericano sobre la participación estudiantil en las Instituciones de Educación Superior. Revista Iberoamericana de Educación, Madrid, v. 83, n. 1, p. 187–209, 2020. DOI: 10.35362/rie8313839. Disponível em: https://rieoei.org/RIE/article/view/3839 Acesso em: 7 set. 2025.
    » https://doi.org/10.35362/rie8313839» https://rieoei.org/RIE/article/view/3839
  • CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
  • CASIMIRO, Flávio H. C. A nova direita no Brasil: aparelhos de ação político-ideológica e a atualização das estratégias de dominação burguesa (1980-2014). 2016. Tese (Doutorado) - Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História Social, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016. Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFF-2_d97fb1ab447ef96841ca85b81e39b967 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFF-2_d97fb1ab447ef96841ca85b81e39b967
  • CHALOUB, Jorge; PERLATTO, Fernando. A nova direita brasileira: ideias, retórica e prática política. Revista Insight Inteligência, Rio de Janeiro, n. 72, p. 25-41, 2016. Disponível em: https://bibliotecadigital.tse.jus.br/xmlui/handle/bdtse/11862 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://bibliotecadigital.tse.jus.br/xmlui/handle/bdtse/11862
  • DELFINO, Gisela I.; BENBENASTE, Narciso; ZUBIETA, Elena M.. Democracia, instituciones cívico-políticas y desarrollo individual: un estudio con estudiantes universitarios. Anu. investig, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, v. 12, p. 79-86, 2005. Disponível em: <https://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1851-16862005000100007&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1851-16862005000100007&lng=es&nrm=iso
  • DESPOSATO, Scoot; WANG, Gang. The long term impact of social movements and repression on democratic atitudes. Journal of East Asian Studies, Cambridge, v. 20, n. 3, 2020. Disponível em: https://www-cambridge-org.ez372.periodicos.capes.gov.br/core/journals/journal-of-east-asian-studies/article/longterm-impact-of-social-movements-and-repression-on-democratic-attitudes/AE117D5475DB0ACDCD5A8B54EAE71FE2 Acesso em: 04 set. 2025.
    » https://www-cambridge-org.ez372.periodicos.capes.gov.br/core/journals/journal-of-east-asian-studies/article/longterm-impact-of-social-movements-and-repression-on-democratic-attitudes/AE117D5475DB0ACDCD5A8B54EAE71FE2
  • DEWEY, John. Democracia e educação: introdução a filosofia da educação. São Paulo: Editora Nacional, 1979.
  • GONZÁLEZ, Maria Victória. O “Credo democrático” dos Jovens universitários de Salvador: liberdade, igualdade, tolerância e propensão para o diálogo. Caderno CRH, Salvador, v. 17, n. 42, 2006. DOI: 10.9771/ccrh.v17i42.18503. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/view/18503 Acesso em: 1 jan. 2024.
    » https://doi.org/10.9771/ccrh.v17i42.18503» https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/view/18503
  • GRISOLIA, Felipe Salvador. Jovens de camadas populares em instituições de ensino superior de prestígio: dinâmicas e contradições na construção de uma trajetória universitária. Rio de Janeiro, 2020. Tese (Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020.
  • GUIDO, Laura Lizeth Campos; SÁNCHEZ, Juan Antonio. Comunicação, democracia e consumo de mídia: o despertar das audiências juvenis. Chasqui, Quito, n. 128, p. 253-267, 2015. Disponível em: https://revistachasqui.org/index.php/chasqui/article/view/2308 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://revistachasqui.org/index.php/chasqui/article/view/2308
  • FASSETT, K. T. et al. Activists, Non-activists, and allies: civic engagement and student types at msis. Front. Educ, New Jersey, v. 3, n,103, 2018. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/education/articles/10.3389/feduc.2018.00103/full Acesso em: 04 set. 2025.
    » https://www.frontiersin.org/journals/education/articles/10.3389/feduc.2018.00103/full
  • FREIRE, Paulo. A educação na cidade São Paulo: Cortez, 2000.
  • HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia. Entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.
  • HOFFMANN, Carlos A. K. O conceito de democracia entre estudantes universitários. Revista Sociais e Humanas, Santa Maria, v. 28, n. 1, p. 56–74, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/sociaisehumanas/article/view/15243 Acesso em: 1 jan. 2024.
    » https://periodicos.ufsm.br/sociaisehumanas/article/view/15243
  • HUNTINGTON, Samuel. A terceira onda. A democratização no final do século XX. Rio de Janeiro: Ática, 1994.
  • HURTADO, Sylvia et al. Students' Precollege Preparation for Participation in a Diverse Democracy. Research in Higher Education, New York, v. 43, n. 2, 2002. Disponível em: https://link-springer-com.ez372.periodicos.capes.gov.br/article/10.1023/A:1014467607253 Acesso em: 04 set. 2025.
    » https://link-springer-com.ez372.periodicos.capes.gov.br/article/10.1023/A:1014467607253
  • JAHANGIRI, Jahangir; SARDARNIA, Khalilallah; ALIZADEH, Ghasem.The Study of Relationship between Social Capital and Political Tolerance (Case Study: Shiraz University). Journal of Social Development, Ahvaz, v. 10, n. 3, p. 67-82, 2016. Disponível em: https://doaj.org/article/bb7fb30dfa514725a930061b07abae4b Acesso em: 07 set. 2025.
    » https://doaj.org/article/bb7fb30dfa514725a930061b07abae4b
  • KOSIK, Karel. Dialética do concreto São Paulo: Paz e Terra, 1969.
  • LAVAL, Christian. A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. Londrina: Editora Planta, 2004.
  • LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
  • LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como salvar a democracia Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
  • LIÉVANO, Betsy Perafán. Variaciones para una ciudadanía rococó. REDU. Revista de Docencia Universitaria, Valencia, v. 12, n. 3, p. 335-363, 2014. Disponível em: https://polipapers.upv.es/index.php/REDU/article/view/5499/5490 Acesso em: 07 set. 2025.
    » https://polipapers.upv.es/index.php/REDU/article/view/5499/5490
  • LIMA, Telma Cristiane Sasso; MIOTO, Regina Célia T. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Katalysis, Florianópolis, v. 10 n. esp. p. 37-45, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/HSF5Ns7dkTNjQVpRyvhc8RR/abstract/?lang=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/rk/a/HSF5Ns7dkTNjQVpRyvhc8RR/abstract/?lang=pt
  • MATOS, Alisson. O plano dos bolsonaristas após os atos de terrorismo em Brasília. Carta Capital, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 1, jan. 2023. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/o-plano-dos-bolsonaristas-apos-os-atos-de-terrorismo-em-brasilia/ Acesso em: 15 fev. 2023.
    » https://www.cartacapital.com.br/politica/o-plano-dos-bolsonaristas-apos-os-atos-de-terrorismo-em-brasilia/
  • MELO, Carlos Ranulfo. Democracia, direita e “Lula 3”: a eleição de 2022 e seus desdobramentos. Caderno CRH, Salvador, v. 37, p. 1-15, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ccrh/a/tzjDfP8c4p5hXsbLNbGQrwb/?lang=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/ccrh/a/tzjDfP8c4p5hXsbLNbGQrwb/?lang=pt
  • MENESES-ROCHA, María Elena; ORTEGA-GUTIÉRREZ, Enedina; URBINA-CORTÉS, Gustavo. Youth and Political Participation: #YoSoy132 and the Struggle for Freedom of Expression in Mexico. Communication & Society, Pamplona, v. 30, n. 1, p. 87–105, 2017. DOI: 10.15581/003.30.35801. Disponível em: https://revistas.unav.edu/index.php/communication-and-society/article/view/35801 Acesso em: 5 set. 2025.
    » https://doi.org/10.15581/003.30.35801» https://revistas.unav.edu/index.php/communication-and-society/article/view/35801
  • MIGUEL, Luiz Felipe. Democracia na periferia capitalista: impasses do Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.
  • MORAES, Roque. Análise de conteúdo. Revista Educação, Porto Alegre, v. 22, n. 37, p. 7-32, 1999. Disponível em: http://pesquisaemeducacaoufrgs.pbworks.com/w/file/fetch/60815562/Analise%20de%20conte%C3%BAdo.pdf Acesso em: 10 mar. 2026.
    » http://pesquisaemeducacaoufrgs.pbworks.com/w/file/fetch/60815562/Analise%20de%20conte%C3%BAdo.pdf
  • MOROSINI, Marília; KOHLS-SANTOS, Pricila; BITTENCOURT, Zoraia. Estado do conhecimento Curitiba: Editora CRV, 2021.
  • NAVARRO, Luis Jesus Teneud. Estudo comparado dos movimentos estudantis universitários no brasil e na venezuela, a partir das teses de doutorado e dissertações de mestrado apresentados no século XXI 2020. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2020.
  • PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, London, v. 372, n. 71, 2021. Doi:10.1136/bmj.n71. Disponível em: https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://doi.org/10.1136/bmj.n71» https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71
  • PEREIRA, Cícero; LIMA, Marcos Eugênio; CAMINO, Leoncio. Sistemas de valores e atitudes democráticas de estudantes universitários de João Pessoa. Psicologia: reflexão e crítica, Porto Alegre, v. 14, n. 1, p. 177–190, 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prc/a/YMx7z5wVVm8RFB8J9zMNBsf/?lang=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/prc/a/YMx7z5wVVm8RFB8J9zMNBsf/?lang=pt
  • PEREIRA, Cícero; TORRES, Ana Raquel Rosas; BARROS, Thaís Souza. Sistemas de valores e atitudes democráticas de estudantes universitários. Psicologia: teoria e pesquisa, Brasília, v. 20, n. 1, p. 1–10, jan. 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/cQFYbbSwcSgVckgVfCgLHSp/?lang=pt Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.br/j/ptp/a/cQFYbbSwcSgVckgVfCgLHSp/?lang=pt
  • PINELLI, Laís V. Expressões da nova direita na política educacional brasileira. In: JORNADA INTERNACIONAL POLÍTICAS PÚBLICAS, 10., 2021, São Luís. Anais [...]. São Luís: UFMA, 2021. p. 1-12. Disponível em: https://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2021/images/trabalhos/trabalho_submissaoId_438_438610477f63013d.pdf Acesso em: 21. out. 2024.
    » https://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2021/images/trabalhos/trabalho_submissaoId_438_438610477f63013d.pdf
  • PLÁ, Sebastian. Investigar la educación desde la educación Cuidad do México/Madrid: Morata, 2022.
  • PORTO, Nathalia F. F.; VIDIGAL, Robert. Racial democracy myth and the (non) support for race-targeted policies in Brazil: evidences from a survey list-experiment. ENCUENTROS LATINOAMERICANOS, Montevidéu, v. 3, n. 2, 2016. Disponível em: https://www-webofscience-com.ez372.periodicos.capes.gov.br/wos/alldb/full-record/WOS:000411341700006 Acesso em: 04 set. 2025.
    » https://www-webofscience-com.ez372.periodicos.capes.gov.br/wos/alldb/full-record/WOS:000411341700006
  • ROCHA, Camila; SOLANO, Esther. A ascensão de Bolsonaro e as classes populares. In: AVRITZER, Leonardo, KERCHE, Fábio; MARONA, Marjorie (org). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. Belo Horizonte: Autêntica, 2021. p. 45-56.
  • RUIZ-PEREZ, José Ignacio; PINEDA-SILVA, Angélica. Representaciones sociales de la Democracia en estudiantes universitarios iberoamericanos. Revista de Psicologia, Lima, v. 39, n. 2, p. 745-775, jul. 2021. Disponível em: https://revistas.pucp.edu.pe/index.php/psicologia/article/view/23940 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://revistas.pucp.edu.pe/index.php/psicologia/article/view/23940
  • SAVIANI, Demerval. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. Campinas: Autores Associados, 1999.
  • SEBESTYÉN, A. The mobilization potential of political parties among hungarian students. intersections. East European Journal of Society and Politics, Budapest, v. 6, n. 4, 2020. DOI: 10.17356/ieejsp.v6i4.590. Disponível em: https://intersections.tk.mta.hu/index.php/intersections/article/view/590 Acesso em: 5 set. 2025.
    » https://doi.org/10.17356/ieejsp.v6i4.590» https://intersections.tk.mta.hu/index.php/intersections/article/view/590
  • SILVA, Eugénio Alves da. As metodologias qualitativas de investigação nas ciências sociais. Revista Angolana de Sociologia, Luanda, n. 12, p. 77–99, 2013. Disponível em: https://journals.openedition.org/ras/740 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://journals.openedition.org/ras/740
  • SIERIAKOVA, Iryna; KOKOZA, Ganna. Civic education in Ukraine: a qualitative stdy od students' experiences of civic engagement (on the example of Kyiv National Linguistic University). Advanced Education, Kiev, v. 3, n. 13, p. 36-43, 2019. Disponível em: http://ae.fl.kpi.ua/article/view/157613 Acesso em: 07 set. 2025.
    » http://ae.fl.kpi.ua/article/view/157613
  • SILVA, Luis Guilherme Galeão. Adesão ao fascismo e preconceito sutil contra negros: um estudo com universitários na cidade de São Paulo. Revista Gestão & Políticas Públicas, São Paulo, v. 6, p. 1-19, 2016. Disponível em: https://revistas.usp.br/rgpp/pt_BR/article/view/144103 Acesso em: 09 mar. 2026.
    » https://revistas.usp.br/rgpp/pt_BR/article/view/144103
  • SOUZA, L. F. Gestão da informação e do conhecimento: dicas para a pesquisa acadêmica. Revista Interdisciplinar Curitiba, v. 12, n. 1, p. 154-162, 2019. Disponível em: https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/28136/1/Gesta%cc%83o%20da%20Informac%cc%a7a%cc%83o%20e%20do%20conhecimento.pdf Acesso em: 22 abr. 2024.
    » https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/28136/1/Gesta%cc%83o%20da%20Informac%cc%a7a%cc%83o%20e%20do%20conhecimento.pdf
  • TARAZONA, Álvaro Azevedo; ALONSO, Gabriel David Samaca. Entre la movilización estudiantil y la lucha armada en Colombia. De utopías y diálogos de paz. Anu.hist.reg.front., Bucaramanga, v. 20, n. 2, p. 157-182, Jul. 2015. Disponível em: https://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0122-20662015000200007 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0122-20662015000200007
  • TEIXEIRA, Anísio. Pequena introdução à filosofia da educação: escola progressista ou a transformação da escola. São Paulo: Editora Nacional, 1971.
  • VALENZUELA, S.; PARK, Namsu; KEE, Kerk F. Is there social capital in a social network Site?: Facebook use and college students' life satisfaction, trust, and participation. Journal of Computer-Mediated Communication, Oxford, v. 14, n. 4, 2009. Disponível em: https://www-scopus-com.ez372.periodicos.capes.gov.br/pages/publications/68849095723 Acesso em: 04, set. 2025.
    » https://www-scopus-com.ez372.periodicos.capes.gov.br/pages/publications/68849095723
  • VAZ, Beatriz Gomes. Políticas educacionais inclusivas como expressão dos direitos humanos: um estudo sobre a saúde mental na educação superior. 2019. Dissertação (Mestrado) - Curso de Direitos Humanos e Políticas Públicas, Escola de Educação e Humanidades, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2019. Disponível em: https://pergamum-biblioteca.pucpr.br/acervo/348741 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://pergamum-biblioteca.pucpr.br/acervo/348741
  • VILLAGRAN, Paula Boero. Formação em responsabilidade social na Universidade: análise de uma experiência. 2012. Tese (Doutorado) - Curso de Psicologia, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/002291399 Acesso em: 10 mar. 2026.
    » https://repositorio.usp.br/item/002291399
  • ZHANG, W.; NARAYANAN, S.; SUN, F. Why there has been no anti-regime movement on college campus in china for three decades? A survey study at thirty-five universities (2015–2018) and Its Implications. Journal of Current Chinese Affairs, Hamburgo, v. 52, n. 1, p. 89-118, 2023. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/epdf/10.1177/18681026221145393?src=getftr&utm_source=scopus&getft_integrator=scopus Acesso em: 04 set. 2025.
    » https://journals.sagepub.com/doi/epdf/10.1177/18681026221145393?src=getftr&utm_source=scopus&getft_integrator=scopus
  • Editora de Seção: Milena Pavan Serafim | Editora de Layout: Silmara Pereira da Silva Martins

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    22 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    23 Out 2024
  • Aceito
    09 Mar 2026
  • Revisado
    31 Mar 2026
location_on
Publicação da Rede de Avaliação Institucional da Educação Superior (RAIES), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da Universidade de Sorocaba (UNISO). Rodovia Raposo Tavares, km. 92,5, CEP 18023-000 Sorocaba - São Paulo, Fone: (55 15) 2101-7016 , Fax : (55 15) 2101-7112 - Sorocaba - SP - Brazil
E-mail: revistaavaliacao@uniso.br
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error