Open-access Cirurgia bariátrica e sexualidade feminina: há melhora da função sexual após a perda de peso?

RESUMO

Introdução:  A obesidade severa é mais eficazmente tratada com a cirurgia bariátrica. Espera-se que a perda de peso resultante melhore as condições relacionadas à obesidade, incluindo disfunção sexual.

Objetivo:  Avaliar a função sexual de mulheres com obesidade mórbida submetidas a cirurgia bariátrica através de um questionário validado em três momentos: pré-operatório, seis e doze meses após.

Método:  Estudo quantitativo, descritivo e analítico, do tipo corte transversal, quasi-experimental, realizado com amostra de conveniência composta por mulheres com idade maior que 18 anos, com obesidade grau III, submetidas ao by-pass gástrico em Y de Roux. O questionário adotado foi o Índice de Função Sexual Feminino (FSFI), o qual avalia seis domínios: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor. Escores acima de 26,55 traduzem função sexual satisfatória e inferiores definem disfunção sexual.

Resultados:  Foram 74 mulheres avaliadas de 36,2 ± 8,3 anos, IMC antes da operação de 42,7 ± 4,0, após seis meses de 31,8 ± 3,5 e após 12 meses 30,0 ± 3,6. A média do escore total do FSFI obtida no pré-operatório foi de 20,7. Após seis meses de 27,7 (p < 0,01), e após 12 meses, 29,4 (aumento de 42,0% em comparação ao pré-operatório. Tanto no que refere ao escore total como aos domínios isolados do FSFI, observou-se associação entre a melhora da função sexual e a redução do IMC.

Conclusão:  Houve melhora significativa na função sexual logo aos seis meses da operação, assim como dos outros domínios isoladamente.

PALAVRAS-CAHVE:
Disfunção sexual; Obesidade mórbida; Cirurgia bariátrica

RESUMO VISUAL

ABSTRACT

Introduction:  Severe obesity is most effectively treated with bariatric surgery. The resulting weight loss is expected to improve obesity-related conditions, including sexual dysfunction.

Objective:  To evaluate the sexual function of morbidly obese women undergoing bariatric surgery using a questionnaire validated at three time points: preoperatively, six months and twelve months later.

Method:  A quantitative, descriptive and analytical cross-sectional, quasi-experimental study was carried out with a convenience sample of women over 18 years of age, with class III obesity, submitted to Roux-en-Y gastric bypass. The questionnaire adopted was the Female Sexual Function Index (FSFI), which evaluates six domains: desire, arousal, lubrication, orgasm, satisfaction and pain. Scores above 26.55 translate satisfactory sexual function and lower scores define sexual dysfunction.

Results:  A total of 74 women were evaluated from 36.2 ± 8.3 years, BMI before surgery was 42.7 ± 4.0, after six months 31.8 ± 3.5 and after 12 months 30.0 ± 3.6. The mean total FSFI score obtained in the preoperative period was 20.7. After six months, 27.7 (p < 0.01), and after 12 months, 29.4 (increase of 42.0% compared to the preoperative period). Both in terms of the total score and the isolated domains of the FSFI, an association was observed between improved sexual function and reduced BMI.

Conclusion:  There was a significant improvement in sexual function as early as six months after surgery, as well as in the other domains alone.

KEYWORDS:
Sexual dysfunction; Morbid obesity; Bariatric surgery

VISUAL ABSTRACT

INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos anos, tem havido crescente interesse pela qualidade de vida dos indivíduos devido à sua relação com a saúde e doenças crônicas. Acentuado número de pesquisas investigou a relação de qualidade de vida com condições de saúde específicas, incluindo a obesidade.

Na outra extremidade da escala de desnutrição, a obesidade é flagrante problema de saúde pública, crescente, porém ainda negligenciado e atingiu proporções epidêmicas globalmente, com pelo menos 2,8 milhões de pessoas morrendo a cada ano como resultado das consequências advindas. Anteriormente associada a países de alta renda, a obesidade agora também presente nos países de baixa e média renda. A prevalência da obesidade cresce de forma significativa nas últimas décadas transformando-se em grave problema de saúde pública, atingindo, indistintamente, qualquer faixa etária, etnia e sexo.

Durante muito tempo na história da humanidade, o ganho de peso, bem como o acúmulo de gordura, era visto como sinais de saúde e prosperidade. Hoje, contudo, a obesidade é considerada como doença crônica e com elevado risco para uma série de outras doenças crônicas, incluindo diabete, doenças cardiovasculares e câncer. O sobrepeso e a obesidade também estão associados a distúrbios psicológicos, incluindo depressão, alimentares, imagem corporal distorcida e baixa autoestima. As prevalências de ansiedade e depressão são de três a quatro vezes mais altas entre indivíduos obesos. Além disso, indivíduos obesos também são estigmatizados e sofrem discriminação social.1

A obesidade também está associada a problemas sexuais específicos, incluindo a falta de desejo, baixo desempenho, baixa fertilidade, redução na frequência e até resistência a encontros sexuais, afetando negativamente a vida sexual.2 As altas taxas de comorbidades associadas a obesidade mórbida integram o mecanismo multifatorial subjacente a disfunção sexual. A maioria das candidatas femininas à cirurgia bariátrica apresenta tal disfunção, sendo que as mulheres obesas enfrentam maiores dificuldades nesse âmbito quando comparadas aos homens.

A qualidade de vida é considerada construção multidimensional que inclui vários aspectos. Quando discutida em relação à obesidade, saúde e peso, sendo são as dimensões mais utilizadas. Particularmente relevantes para pessoas com obesidade mórbida e aqueles que são submetidos a cirurgia bariátrica são imagem corporal e funcionamento sexua.3

A operação é considerada medida terapêutica importante para a redução de peso em caso de falha documentada do tratamento clínico em pacientes com grau de obesidade severa e/ou associado a graves doenças.3,4 Entre as técnicas utilizadas para este procedimento, o by-pass gástrico em Y de Roux é realizado com baixas taxas de mortalidade e demonstra alta eficiência, especialmente se o impacto na perda de peso e controle de comorbidades for levado em consideração.5 Tal procedimento visa reduzir o peso e favorecer a perda de peso através da restrição de ingestão ou má absorção de alimentos, ou pela combinação desses.4

Ao reduzir o peso os indivíduos relatam melhorias no estado psicossocial6, elevando sua autoestima e maior interação na sociedade bem como melhora da função sexual. Após a cirurgia bariátrica, os indivíduos referem benefícios estatisticamente e clinicamente significativas na qualidade de vida relacionada à saúde e ao peso. Muitas dessas melhorias são relatadas durante o período de rápida redução ponderal e antes que os pacientes atinjam sua perda máxima de peso.7

Analisar a função sexual (FS) feminina de pacientes com obesidade mórbida é importante, por ser pouco estudada, pouco relatada na literatura, principalmente no Brasil. Também importante é avaliar o papel da cirurgia bariátrica no impacto da perda de peso na função sexual destas mulheres em nosso meio.8

O objetivo deste trabalho foi avaliar a função sexual de mulheres com obesidade mórbida submetidas à cirurgia bariátrica através de um questionário validado em três momentos: pré-operatório, seis e 12 meses após by-pass gástrico em Y de Roux.

MÉTODO

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Feira de Santana, em Feira de Santana, BA, Brasil, sob o parecer de número 1.033.680/2015 e CAAE de número 39234214.1.0000.0053. Todos os pacientes somente foram admitidos no estudo após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Trata-se de estudo quantitativo, descritivo e analítico, do tipo coorte transversal, quasi-experimental, realizado com amostra de conveniência composta por mulheres com obesidade grau III, com aplicação do Índice de Função Sexual Feminino (FSFI).

Foram selecionadas mulheres com idade superior a 18 anos submetidas ao bypass gástrico em Y de Roux pelo Serviço de Cirurgia da Obesidade de Feira de Santana, BA, nos hospitais São Matheus e Unimed e que aceitaram responder aos questionários propostos, após assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Responderam a um questionário de análise da disfunção sexual (FS) validado referente ao seu gênero, o Índice de Função Sexual Feminino (FSFI, do inglês Female Sexual Function Index).9 O FSFI avalia a função sexual feminina por meio de 19 questões graduadas de 0 a 5, contemplando seis domínios: desejo (questões 1 a 2), excitação (questões 3 a 6), lubrificação (questões 7 a 10), orgasmo (questões 11 a 13), satisfação (14 a 16) e dor (questões 17 a 19). Ao todo, os pontos obtidos podem alcançar o máximo de 95, sendo os valores de cada domínio submetidos a pesos distintos para a obtenção de um escore final. Escores acima de 26,55 traduzem função sexual satisfatória e escores inferiores a esse valor, disfunção sexual (DS).10

Por meio de tais ferramentas, procedemos a uma análise em três tempos. No primeiro momento, referente à fase pré-operatória, os pacientes sob regime ambulatorial responderam a dois questionários - o FSFI e outro estruturado constando os dados clínicos pré-operatórios - autoaplicados em sala reservada, apenas numerados e, posteriormente, inseridos em urna de coleta. Estes mesmos questionários foram reaplicados após seis meses da cirurgia, o que constituiu o segundo momento da análise. E por fim, os mesmos questionários foram aplicados 12 meses pós-operatótios.

Os critérios de inclusão foram: ser mulher, ter indicação de cirurgia bariátrica; ter comparecido às consultas de acompanhamento pré-cirúrgico e pós-cirúrgico; concordar em participar da pesquisa e ter assinado o TCLE.

Os critérios de exclusão foram: recusa em participar da pesquisa, submissão a operações e/ou radioterapia pélvica prévia ou em curso; histórico de doenças neurológicas; inatividade sexual nos últimos seis meses; preenchimento inadequado (em branco ou deixado quaisquer itens sem resposta); ou a não adesão ao seguimento por, pelo menos, seis meses pós-operatórios.

Análise estatística

Os dados foram processados eletronicamente através do programa estatístico Social Package for the Social Sciences - SPSS for Windows, versão 22.0.

RESULTADOS

Foram avaliadas 74 mulheres, com idade de 36,2 ± 8,3 anos, IMC antes da operação 42,7 ± 4,0, após seis meses de 31,8 ± 3,5 e após 12 meses 30,0 ± 3,6, mostrando mudança na classificação desses pacientes com obesidade grau III para grau I. A maioria dos indivíduos (68,5%) era casada ou encontrava-se em união estável. No que tange à religião, 41 eram católicas (55,4%). O perfil étnico compreendia 32 pardas (43,2%), 17 negras (23,0%) e 25 brancas (33,8%). Referente à escolaridade, a maior parte tinha nível superior completo equivalente a 33,8%, seguindo com 32,4% em nível médio completo (Tabela 1).

TABELA 1
Características sociodemográficas e clínicas das 74 mulheres submetidas à cirurgia bariátrica.

A média do escore total do FSFI obtida no pré-operatório foi de 20,7, traduzindo o quadro de disfunção sexual. Após seis meses da operação, observou-se ascensão do escore a 27,7, isto é aumento de 33,8% em comparação ao pré-operatório, o que já se configura melhora da função sexual (p < 0,01). Após 12 meses o FSFI correspondia a 29,4, o que equivale a 42,0% a mais que o período pré-operatório. Tanto no que refere ao escore total como aos domínios isolados do FSFI, observou-se associação entre a melhora da função sexual e a redução do IMC.

Todos os domínios após seis e 12 meses da operação quando comparados ao pré-operatório, foram estatisticamente significantes, ou seja, p < 0,05. Ao analisar cada um individualmente, o domínio desejo obteve a maior variação nos dois momentos pós- operatórios em comparação ao pré-operatório, correspondendo à melhora de 44,9% após seis meses e 55,1% após 12. Excitação tem o segundo melhor valor, com melhora de 40,6% e 53,1% nos dois momentos estudados (Tabela 2 e Figura 1).

TABELA 2
Média dos valores das variáveis e FSFI analisadas antes, após seis e 12 meses da cirurgia bariátrica

FIGURA 1
Média dos valores dos domínios analisados antes, após seis e 12 meses da cirurgia bariátrica

Quando questionadas sobre a sua percepção em relação à sua FS nos momentos estudados, a maioria (n = 19) no pré-operatório, correspondendo a 26% da amostra, avaliaram como muito insatisfeita. Outras 19% (n = 14) demonstraram estar razoavelmente insatisfeitas; 16% (n = 12) mostraram-se indiferentes; 28% (n = 21) razoavelmente satisfeitas; e 11% (n = 8) informaram estar muito satisfeitas (Figura 2).

Após seis e 12 meses da cirurgia bariátrica, houve diminuição da quantidade de mulheres que se consideraram muito insatisfeitas, 10% (n = 7) e 5% (n = 4) respectivamente. Houve redução também para o item razoavelmente insatisfeita, correspondendo 7% (n = 5) em ambos os momentos. Para aquelas que informaram indiferença da sua FS, após seis meses houve redução para 9% (n = 7), enquanto o valor aumentou para 19% (n = 14) aos 12 meses do estudo. Os valores foram mais expressivos quanto a melhora da função sexual: 39% (n = 29) informaram como razoavelmente satisfeitas aos seis meses enquanto 31% (n = 23) após 12 meses da cirurgia bariátrica. Para aquelas que se auto avaliaram como muito satisfeitas, elas corresponderam a 35% (n = 26) aos seis meses e 38% (n = 28) aos 12 meses (Figuras 3 e 4).

FIGURA
2 - Autoavaliação sobre sua função sexual no pré-operatório das 74 mulheres estudadas

FIGURA 3
Autoavaliação sobre sua função sexual após seis meses da operação bariátrica (n = 74)

FIGURA 4
Autoavaliação sobre sua função sexual após 12 meses da operação bariátrica (n = 74)

DISCUSSÃO

Este estudo demonstra que mulheres com obesidade mórbida apresentam elevada prevalência de disfunção sexual, e há melhora significativa dela após a operação bariátrica. Os dados mostram que o efeito após 12 meses é ainda maior que após os seis.

Atualmente estudos sobre a relação entre peso corporal e funcionamento sexual são mínimos.11 Embora existam poucas análises que investigam a associação entre o funcionamento sexual feminino e a obesidade, o presente estudo mostra que a cirurgia bariátrica tem grande impacto na melhora da função sexual e mulheres com obesidade mórbida o qual coincide com outras pesquisas realizadas.4,6,12 Estes pacientes experimentam melhora importante da perda de peso com melhora de diversos aspectos físicos, de doenças, bem-estar, e de qualidade de vida.4

Kim et al.13 conduziram um estudo de oito semanas com 46 mulheres com sobrepeso ou obesidade que receberam medicação para redução de peso (sibutramina), juntamente com terapia comportamental e utilizaram o FSFI para análise da função sexual. A redução de peso foi significativamente associada à melhora do funcionamento sexual, especificamente nos escores de excitação e orgasmo (p < 0,05). Este estudo corrobora com a ideia de que a redução do peso afeta positivamente na função sexual.

Kolotkin et al.14 realizaram estudo transversal com 1.158 participantes com obesidade antes do tratamento para perda de peso, a fim de examinar a associação entre a qualidade de vida sexual e a obesidade. Os resultados revelaram correlação negativa estatisticamente significante entre a qualidade de vida sexual. Este estudo também demonstra a disfunção sexual na amostra pré-operatória.

No estudo de Sarwer et al.3 em coorte prospectiva de 106 mulheres avaliadas através do FSFI no pré-operatório e após dois anos da operação, mostrou aumento de 20, 3 para 24, 8 na média do escore total do FSFI, bem como melhora em todos os domínios. Dois domínios, orgasmo e dor, não alcançaram significância estatística. Neste estudo, as mulheres reportaram também melhora nestes domínios. Embora com pequena diferença na média da idade no estudo referido - 40,5 anos - em comparação a esta pesquisa que consistiu em mais jovens com 36,2 anos, as diferenças nos resultados dos domínios devem ser reflexo das particularidades de cada amostra analisada.

Goitein et al.15 que avaliaram 34 mulheres, comparando os escores do FSFI antes e seis meses depois da operação, também não alcançou relevância estatística em todos os domínios. Verificou-se avaliadas melhora de 25% na média do escore total (p = 0,006), 17% no domínio desejo (p = 0,18), 29% em excitação (p = 0,025), 24% em orgasmo (p = 0,046), 35% em satisfação (p = 0,001), 23% em lubrificação (p = 0,011) e 34% em dor (p = 0,027). Diferentemente, este estudo encontrou significância estatística em todos os domínios. Tal disparidade pode estar associada ao fato de o estudo supracitado apresentar amostra expressivamente menor, bem como, possivelmente, por diferenças culturais, haja vista o estudo compreende indivíduos de Israel, cujo meio cultural, historicamente, é marcado por menor liberdade sexual.

Bond et al.16 avaliaram 54 mulheres em dois momentos: pré e seis meses após realização by-pass gástrico em Y de Roux por videolaparoscopia. A média de idade foi de 43,3 anos e o método de análise da função sexual foi o FSFI. Quando analisado o momento antes da operação, 63% tinham disfunção sexual. Depois, 68% apresentaram melhora da função sexual, e apenas uma piorou. Considera-se assim, que há melhora importante no período de seis meses após o procedimento, o que coincide com os valores encontrados neste trabalho. Houve melhora em todos os domínios, mas somente desejo e lubrificação atingiram significância estatística, mostrando que a melhora da função sexual parece ser independente da técnica cirúrgica.16

Em publicação de Efthymiou et al.17 foi realizada análise da função sexual e da evolução do IMC de 80 pacientes - 50 mulheres e 30 homens. A análise em questão realizou-se em quatro tempos após a operação: T1, referente ao pré-operatório; T2, a um mês após; T3, a seis meses após; e T4, a um ano após. Para as mulheres, foi aplicado o questionário FSFI cujos domínios apresentaram, em sua totalidade, melhora com significância estatística entre T1 e T4. Nesse período, as médias dos escores apresentaram melhora de: 45% no domínio desejo, 43% em excitação, 34% em lubrificação, 39% em orgasmo, 34% em satisfação, 33% em dor e de 28% na satisfação total. Este estudo demonstra resultados equivalentes mostrando que o domínio desejo tem maior melhora comparada as demais, seguindo do domínio excitação.

O FSFI é o instrumento mais aceito no diagnóstico de disfunções sexuais femininas em pesquisas. Porém este questionário visa somente o contexto sexual, permitindo graduar as disfunções sexuais e também comparar os resultados antes e depois de intervenções terapêuticas clínicas e ou cirúrgicas. Porém não identificam os fatores que possam interferir negativamente ou positivamente no escore.

Existem fortes evidências de ligação entre o peso corporal e os distúrbios mentais, dentre uma série de fatores que influenciam a relação entre transtornos mentais comuns e obesidade, tais como depressão e ansiedade.14 Estes devem ser estudados, analisando o grau de satisfação dessas mulheres com esse aspecto de sua vida, além da função sexual em longo prazo. Esclarecer essas vias é necessário para informar as diretrizes de tratamento para a prática clínica em indivíduos com sobrepeso ou obesidade que sofrem de problemas de saúde mental e/ou comprometimento do funcionamento sexual.

É importante também realizar avaliação mais precisa acerca do impacto das comorbidades e das alterações na melhora da função sexual. É sabido que distúrbios vasculares também interferem no desempenho sexual e análises laboratoriais e suas associações fisiopatológicas podem somar ainda mais no entendimento das causas de disfunção sexual.

Os resultados desta pesquisa podem ter implicações importantes na política e na prática da saúde pública e colocar a função sexual em posição mais alta na agenda para ajudar a reduzir a obesidade. É importante ressaltar que esta é temática ainda pouco retratada na literatura brasileira principalmente no concernente ao sexo feminino.

A relação entre funcionamento sexual e obesidade é altamente complexa, e embora haja fortes evidências para apoiar associação entre essas duas variáveis, estudos analisando o impacto da obesidade no funcionamento sexual para ilustrar a interação complexa entre essas duas variáveis, é muito necessária

CONCLUSÃO

Esta pesquisa demonstra elevada prevalência de disfunção sexual em mulheres com obesidade mórbida no pré-operatório, e melhora significativa na função sexual aos seis e 12 meses da cirurgia bariátrica, assim como melhora em todos os domínios isoladamente. A função sexual ainda apresenta melhores resultados aos 12 meses. Mais estudos são necessários para melhor avaliar a relação dos componentes físicos, clínicos e psicológicos com a função sexual feminina.

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  • Mensagem Central
    A obesidade é associada a problemas sexuais específicos, incluindo a falta de desejo, baixo desempenho, baixa fertilidade, redução na frequência e até resistência a encontros sexuais, afetando negativamente a vida sexual. As altas taxas de comorbidades associadas a obesidade mórbida integram o mecanismo multifatorial subjacente a disfunção sexual. A maioria das candidatas à cirurgia bariátrica apresenta tal disfunção, sendo que as mulheres obesas enfrentam maiores dificuldades nesse âmbito quando comparadas aos homens.
  • Perspectiva
    Avaliar a função sexual de mulheres com obesidade mórbida submetidas à cirurgia bariátrica em três momentos: pré-operatório, seis e 12 meses do pós-operatório após by-pass gástrico em Y de Roux.
  • Como citar este artigo
    Leite Filho H, de Oliveira DV, Palermo M, Ribeiro RJS, Piatanesi P, Nassif PAN. Cirurgia bariátrica e sexualidade feminina: há melhora da função sexual após a perda de peso? BioSCIENCE. 2026;84:e00004. https://doi.org/10.55684/2026.84.pt.e00004
  • Financiamento:
    Nenhum
  • Disponibilidade de dados:
    Dados disponíveis junto ao autor correspondente, mediante solicitação fundamentada

Editado por

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    20 Jan 2026
  • Aceito
    18 Fev 2026
  • Publicado
    27 Fev 2026
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