Atrativo para as abelhas Apis mellifera e polinização em café (Coffea arabica L.)

Attractives to africanized honey bees and pollination in coffee flowers (Coffea arabica L.)

Resumos

O presente experimento foi conduzido em Jaboticabal, SP, e teve como objetivos estudar uma cultura de café (Coffea arabica L., var. Mundo Novo), quanto à biologia floral, a freqüência e comportamento dos insetos na flor, testar o produto Bee-HereR (Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda) quanto a sua atratividade para as abelhas Apis mellifera e verificar a produção de frutos com e sem a visita dos insetos. Para isso, foram verificados o tempo do desenvolvimento e quantidade de açúcar solúvel do néctar das flores; freqüência das visitações dos insetos, no decorrer do dia, por meio de contagem do número de insetos visitando as flores, a cada 60 minutos, das 8 às 17 horas, 10 minutos em cada horário; tempo (em segundos) e tipo de coleta (néctar e/ou pólen) dos insetos mais freqüentes; perda de botões florais; porcentagem de flores que se transformaram em frutos; tempo de formação e contagem dos grãos de café, observando-se a porcentagem de frutificação em flores visitadas ou não pelos insetos. Também foram realizados testes por pulverização utilizando-se o produto Bee-HereR , diluído em xarope e em água, em diferentes horários. A flor durou, em média, cerca de 3 dias desde sua abertura até o murchamento. A quantidade de açúcares do néctar apresentou diferença significativa entre os horários, sendo maior às 8 horas (em média, 102,18 ± 8,75 mg de carboidratos totais por flor). A abelha A. mellifera foi o inseto mais freqüente nas flores de café, coletando, principalmente, néctar no decorrer do dia. A perda de botões florais causada pelas chuvas foi, em média, 26,50 ± 11,70%. O tempo para a formação do fruto foi 6 meses e o número de frutos decorrentes do tratamento descoberto foi maior (38,79% e 168,38%, em 1993 e 1994, respectivamente) que do tratamento coberto. Apesar da eficiência do produto Bee-HereR ser afetada pelas condições climáticas, ele pode ser usado para atrair as abelhas A. mellifera na cultura.

Attractives; Coffea arabica; Pollination; Apis mellifera


The present experiment was carried out in Jaboticabal, SP, Brazil, to study the frequency and behaviour of insects with respect coffee (Coffea arabica L., var. Mundo Novo) flowers, the effect insects on fruit production, forage types of more frequent bees and the effectiveness of Bee-HereR (Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda) attractant on honeybee visits. For that the time of development and the amount of soluble sugar of the nectar of the flowers were verified, frequency of the visitations of the insects in elapsing of the day by means of insects number visiting the flowers, to every 60 minutes, of 8:00 at the 17 hours, 10 minutes in every schedule; time (in seconds) and collection type (nectar and/or pollen) ; loss of floral buttons; percentage of flowers that they became fruits; time of formation and number of coffee grains, being observed the fruition percentage in visited flowers or not for the insects. Tests were also accomplished by spraying being used the product Bee-Here, diluted in syrup and in water in different schedules. The flower lasted on the average about 3 days from its opening to the withering. The amount of soluble sugar of the nectar presented significant difference among the schedules, being larger at the 8 hours (on the average, 102.18 ± 8,75 mg of glucose for flower). The most frequent insect to visit the coffee flowers was the africanized honey bees, collecting mainly nectar during the day. The number of fruits in the uncovered treatment was 38,79% and 168,38% higher in 1993 and 1994, respectively, than the covered ones. In spite of the efficiency of the product Bee-HereR to be affected by climatic conditions, it can be used to attract honeybees in coffee orchards.

Attractives; Coffea arabica; Pollination; Apis mellifera


Atrativo para as abelhas Apis mellifera e polinização em café (Coffea arabica L.)

Attractives to africanized honey bees and pollination in coffee flowers (Coffea arabica L.)

Darclet Teresinha Malerbo-SouzaI; Regina Helena Nogueira-CoutoII; Leoman Almeida CoutoIII; Julio César de SouzaII

IDepartamento de Ciências Agrárias do Centro Universitário Moura Lacerda, Ribeirão Preto - SP

IIDepartamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, Jaboticabal - SP

IIIFaculdade de Agronomia de Ituverava, Ituverava – MG

Endereço para correspondência

RESUMO

O presente experimento foi conduzido em Jaboticabal, SP, e teve como objetivos estudar uma cultura de café (Coffea arabica L., var. Mundo Novo), quanto à biologia floral, a freqüência e comportamento dos insetos na flor, testar o produto Bee-HereR (Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda) quanto a sua atratividade para as abelhas Apis mellifera e verificar a produção de frutos com e sem a visita dos insetos. Para isso, foram verificados o tempo do desenvolvimento e quantidade de açúcar solúvel do néctar das flores; freqüência das visitações dos insetos, no decorrer do dia, por meio de contagem do número de insetos visitando as flores, a cada 60 minutos, das 8 às 17 horas, 10 minutos em cada horário; tempo (em segundos) e tipo de coleta (néctar e/ou pólen) dos insetos mais freqüentes; perda de botões florais; porcentagem de flores que se transformaram em frutos; tempo de formação e contagem dos grãos de café, observando-se a porcentagem de frutificação em flores visitadas ou não pelos insetos. Também foram realizados testes por pulverização utilizando-se o produto Bee-HereR , diluído em xarope e em água, em diferentes horários. A flor durou, em média, cerca de 3 dias desde sua abertura até o murchamento. A quantidade de açúcares do néctar apresentou diferença significativa entre os horários, sendo maior às 8 horas (em média, 102,18 ± 8,75 mg de carboidratos totais por flor). A abelha A. mellifera foi o inseto mais freqüente nas flores de café, coletando, principalmente, néctar no decorrer do dia. A perda de botões florais causada pelas chuvas foi, em média, 26,50 ± 11,70%. O tempo para a formação do fruto foi 6 meses e o número de frutos decorrentes do tratamento descoberto foi maior (38,79% e 168,38%, em 1993 e 1994, respectivamente) que do tratamento coberto. Apesar da eficiência do produto Bee-HereR ser afetada pelas condições climáticas, ele pode ser usado para atrair as abelhas A. mellifera na cultura.

Palavras-chave: Atrativos. Coffea arabica. Polinização. Apis mellifera.

SUMMARY

The present experiment was carried out in Jaboticabal, SP, Brazil, to study the frequency and behaviour of insects with respect coffee (Coffea arabica L., var. Mundo Novo) flowers, the effect insects on fruit production, forage types of more frequent bees and the effectiveness of Bee-HereR (Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda) attractant on honeybee visits. For that the time of development and the amount of soluble sugar of the nectar of the flowers were verified, frequency of the visitations of the insects in elapsing of the day by means of insects number visiting the flowers, to every 60 minutes, of 8:00 at the 17 hours, 10 minutes in every schedule; time (in seconds) and collection type (nectar and/or pollen) ; loss of floral buttons; percentage of flowers that they became fruits; time of formation and number of coffee grains, being observed the fruition percentage in visited flowers or not for the insects. Tests were also accomplished by spraying being used the product Bee-Here, diluted in syrup and in water in different schedules. The flower lasted on the average about 3 days from its opening to the withering. The amount of soluble sugar of the nectar presented significant difference among the schedules, being larger at the 8 hours (on the average, 102.18 ± 8,75 mg of glucose for flower). The most frequent insect to visit the coffee flowers was the africanized honey bees, collecting mainly nectar during the day. The number of fruits in the uncovered treatment was 38,79% and 168,38% higher in 1993 and 1994, respectively, than the covered ones. In spite of the efficiency of the product Bee-HereR to be affected by climatic conditions, it can be used to attract honeybees in coffee orchards.

Key-words: Attractives. Coffea arabica. Pollination. Apis mellifera.

Introdução

Existem culturas que dependem ou se beneficiam com a polinização cruzada para a produção de frutos e sementes e que são pouco visitadas pelas abelhas. Nesses casos, seria interessante a aplicação de substâncias atrativas.

As abelhas Apis mellifera possuem uma glândula, chamada Glândula de Nasanov, a qual emite um feromônio que comunica fontes de alimento e água para as outras abelhas da mesma espécie. Essa glândula possui 7 componentes ativos, sendo que o básico é o geraniol, usado tanto para enxameagem quanto para forrageamento1.

Têm sido feitos estudos para aumentar a visitação das culturas usando feromônios sintéticos semelhantes aos produzidos pela glândula de Nasanov.

Waller2 pulverizou canteiros de alfafa (Medicago sativa) com geraniol e citral, diluídos em xarope e em água, e observou que o citral exerceu maior atração na ausência de xarope e geraniol na presença de xarope. Woyke3 observou aumento no número de abelhas, na cebola, utilizando citral e geraniol. Von der Ohe e Praagh4 também obtiveram sucesso na maçã, com esses feromônios.

Mayer, Britt e Lunden5 aplicando BeeScentÒ e BeeScent PlusÒ, em plantações de pêra, ameixa, maçã e cereja, observaram aumento no número de forrageiras e na produção de frutos. Entretanto, Ambrose et al.6 estudando o efeito da pulverização com BeeLineÒ e BeeScentÒ, não observaram aumento na atividade das abelhas e na produção de pepinos e melancia.

Currie, Winston e Slessor7 aplicaram o feromônio da glândula mandibular da rainha em plantações de maçã e pêra e encontraram aumento no número de forrageiras. Entretanto, não aumentou a produção, nem a qualidade dos frutos, nas macieiras. Na pêra, o diâmetro do fruto aumentou com o aumento da visitação, resultando num aumento estimado de US$1,055/hectare. Naumann et al.8 mostrou que a aplicação do feromônio da glândula mandibular da rainha pode aumentar a polinização em pêra mas não em cereja.

Na cultura de café (Coffea arabica L.), Amaral9,10 obteve aumentos de 13,00% e 39,00% na produção de grãos, em arbustos descobertos comparados a arbustos cobertos, onde se evitava a presença de insetos polinizadores. Sein11 obteve um aumento de 10,00%, nas mesmas condições. Amaral12 encontrou, em Piracicaba (SP), médias de produção de café cereja de 9,24 kg e 15,89 kg por cova, na ausência e na presença de insetos polinizadores, respectivamente. Badilla e Ramirez13, através de experimentos realizados na Costa Rica, obtiveram 15,85.00% mais bagas em ramos descobertos, assim como, bagas maiores e mais pesadas. Estes dados mostram a importância do emprego de colméias de A. mellifera em cafezais na época da florada, para se obter melhores safras de café, principalmente, se o número de insetos polinizadores nas imediações for pequeno.

O presente ensaio teve como objetivos estudar a polinização em café (Coffea arabica, var Mundo Novo) com a utilização de uma substância atrativa para as abelhas.

Material e Método

O presente experimento foi conduzido na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Câmpus de Jaboticabal/UNESP. A altitude é de 595 metros, com as seguintes coordenadas geográficas: 21°15'22" de latitude sul e 48°18'68" de longitude oeste, com clima subtropical temperado e temperatura média anual ao redor de 21°C. A média anual de precipitação pluviométrica é de 1.451,2 mm3.

Foram realizados ensaios, nos anos de 1993 e 1994, em uma cultura de café (Coffea arabica L.), var. Mundo Novo. A cultura ficou em observação durante o período de florescimento e frutificação, onde procurou-se estabelecer:

- tempo do desenvolvimento desde botão até o murchamento de 100 flores marcadas, com 3 repetições;

- quantidade de açúcar solúvel do néctar produzido pela flor, segundo método de Roberts14, em flores da mesma idade, coletadas, às 8, 10, 12, 14 e 16 horas, com 4 repetições;

- identificação dos insetos mais freqüentes;

- a freqüência das visitações, tipo (néctar e/ou pólen), tempo de coleta dos insetos e determinação dos mais freqüentes, no decorrer do dia, por meio de contagem do número de insetos visitando as flores, a cada 60 minutos, das 8 às 17 horas, 10 minutos em cada horário, com 4 repetições;

- perda de botões florais causados pela chuva, marcando-se galhos, antes e após chuvas, com 3 repetições;

- tempo de formação dos grãos de café, desde botão até a formação final do fruto;

- contagem dos grãos de café, observando-se a porcentagem de frutificação, marcando 10 pés de café, em 1993, sendo que 5 pés permaneceram descobertos e 5 cobertos com armações feitas com estacas revestidas com tela, para impedir a visita dos insetos. Em 1994, 6 galhos permaneceram descobertos e 6 foram cobertos, com armações de arame revestidas com tecido de náilon.

Foram realizados testes por pulverização utilizando-se o produto Bee-HereR (Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda). Em 1993, foi aplicado Bee-HereR, diluído em xarope, às 8, 10, 12 e 14 horas, com 3 repetições. Em 1994, foi pulverizado o Bee-HereR, diluído em água, às 8 e 10 horas, com 3 repetições. Para se observar a atratividade do produto, foram utilizados os tratamentos: T1=planta não pulverizada e T2=planta pulverizada com o atrativo diluído em água ou xarope. A diluição foi de 0,20% (2 ml do atrativo para 1 litro de água ou xarope).

Foi pulverizada uma planta para cada tratamento, com 3 repetições, sendo cada repetição escolhida aleatoriamente e com uma distância de, pelo menos, 10 metros uma planta da outra, evitando a interferência entre os tratamentos. O atrativo foi pulverizado com borrifadores manuais de jardinagem, sendo feitas contagens do número de abelhas presente em cada tratamento, a cada 60 minutos, 5 minutos em cada horário, das 8 às 17 horas, tanto antes como após a aplicação do produto.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado (D.I.C.). Todas as análises de variância foram feitas no programa estatístico ESTAT para comparação das médias de todas as variáveis. Além disso, foram feitas análises de regressão por polinômios ortogonais para testar cada variável (produtos atrativos pulverizados na cultura e freqüência dos insetos) no tempo. Os dados foram considerados ao nível de 5,00% de significância e utilizou-se o teste de Tukey para comparação das médias.

Resultados e Discussão

As floradas estudadas ocorreram no período de 14 a 19 de agosto de 1993 e 24 a 28 de setembro de 1994. Em 1994, a plantação se encontrava debilitada decorrente de geadas e posterior seca.

A flor durou, em média, cerca de 3 dias desde sua abertura até o murchamento. No final do 3º dia, as flores se encontravam murchas, amareladas e em início de queda.

A quantidade de açúcares do néctar apresentou diferença significativa entre os horários, sendo maior às 8 horas (em média, 102,18 ± 8,75 mg de carboidratos totais por flor) diminuindo no decorrer do dia até às 16 horas (em média, 46,78 ± 7,61mg de carboidratos totais por flor). Às 10, 12 e 14 horas, a quantidade de açúcares do néctar foi 54,10 ± 9,02 mg, 50,75 ± 6,15 mg e 54,41 ± 3,86 mg, respectivamente.

Nos 2 anos estudados, a abelha A. mellifera foi o inseto mais freqüente nas flores do cafeeiro (88,90%), seguida das Chloralictus sp (3,00%), T. spinipes (2,70%), Xylocopa sp (2,70%), Tetragonisca angustula (1,90%) e moscas, vespas e borboletas (0,80%). Badilla e Ramirez13, na Costa Rica, observaram que as abelhas da espécie A. mellifera ligustica foram os insetos mais freqüentes nas flores do café, embora outras espécies também tenham sido encontradas. Fávero15, em Campinas, observou apenas duas espécies de abelhas, sendo a A. mellifera a mais freqüente (96,00%) seguida da Xylocopa spp. (4,00%).

A freqüência das abelhas A. mellifera, coletando néctar, aumentou até às 10 horas, diminuiu até às 15 horas, aumentando em seguida até às 17 horas, quando as abelhas deixavam de visitar as flores, obedecendo a seguinte equação de 3º grau: Y = 2,25 + 1,36X - 0,20X2 + 0,07X3, onde Y é o número de abelhas e X é a hora do dia. Essas abelhas visitaram as flores, para coleta de pólen, somente até às 9 horas. Fávero15 observou que o período de atividade das abelhas ocorreu das 6 às 18 horas tendo maior freqüência das 12 às 15 horas, para as variedades Catuaí Vermelho e Mundo Novo.

No geral, as abelhas A. mellifera preferiram coletar néctar (98,20%) que pólen (1,80%). Tanto para coleta de néctar como de pólen, essas abelhas demoravam de 1 a 3 segundos na flor.

A perda de botões florais causada pelas chuvas foi, em média, 26,50 ± 11,70%.

Em 1993, o tempo para a formação do fruto foi 6 meses e o número médio de grãos procedentes dos pés de café do tratamento descoberto foi 38,79% maior (45,8 grãos por pé) que no coberto (33,0 grãos por pé). Apesar dos pés de café serem novos e pequenos, este número de grãos, em ambos os tratamentos, foi considerado baixo. Em 1994, quando foram marcados galhos, observou-se que o número médio de grãos de café foi 168,38% maior no tratamento descoberto (59,5 grãos de café por galho) que no coberto (22,17 grãos de café por galho). Amaral12 obteve aumentos de 72,00% na produção de café cereja com a presença de insetos polinizadores. Fávero (2002) verificou que a quantidade e peso dos frutos foi 17,10 e 8,10% maior no tratamento coberto para a variedade Mundo Novo e justifica que esse resultado pode ter ocorrido devido a alta infestação de doenças fúngicas que atingiram o talhão, podendo ter sido mais severo nos ramos que estavam descobertos. Na variedade Catuaí Vermelho, Fávero15 observou que o tratamento descoberto apresentou aumento de 8,40 e 7,50% na quantidade e peso dos frutos, respectivamente.

A cultura de café estava localizada ao lado de uma cultura de laranja (Citrus sinensis), que floresceu no mesmo período. Também, nessa região, ocorre o corte de cana-de-açúcar (Sacharum officcinarum), no período de maio a novembro, onde as abelhas se direcionam para coletar o melaço que extravasa das soqueiras, no momento do corte. Estas duas culturas estavam atraindo as abelhas, com muita intensidade e poucas abelhas Apis estavam visitando as flores do café. Sendo assim, o atrativo Bee-HereR foi testado no café, em diferentes horários (8, 10, 12 e 14 horas).

As médias dos 2 anos de estudo, para cada tratamento usado, estão representadas nas Figura 1 e 2. Na Figura 1, pode-se observar que, em 1993, logo após a pulverização do atrativo, em todos os horários, houve um aumento acentuado no número de abelhas nas flores do café. Entretanto, a pulverização com o xarope foi considerada prejudicial pois direcionavam as abelhas para as folhas, pétalas e ponteiros. Estes dados confirmam os obtidos por Stephen16 que pulverizando com xarope árvores de pêras e legumes e Free17 pulverizando plantações de maçã e feijão de que ocorre aumento no número de forrageiras no local, mas nas folhas, pétalas e ponteiros. Isto reduz as visitas às flores, com redução na produção de frutos.

Na Figura 2, observa-se que nas flores onde foi pulverizado o produto diluído em água, em 1994, houve o menor número de abelhas comparado à testemunha e ao tratamento onde foi pulverizado apenas o xarope. Observou-se que o tratamento que atraiu maior número de abelhas foi a testemunha, onde não tinha sido pulverizado o produto, sendo significativamente maior que os tratamentos onde foi aplicado o atrativo diluído em água, às 8 e às 10 horas, respectivamente, por meio de Teste de Tukey.

Entretanto, quando os dados de 1993 e 1994 foram analisados juntos, não apresentaram diferença significativa, por meio de Teste de Tukey. Isto mostra que nesta cultura, a aplicação do atrativo Bee-HereR não apresentou o mesmo efeito observado em cultura de laranja18, onde foi efetivo em atrair abelhas A. mellifera para o pomar, principalmente quando diluído em água.

Observou-se que o único tratamento que aumentou o número de abelhas, significativamente, no decorrer do dia, foi quando o atrativo foi aplicado às 10 horas, diluído em xarope. Por meio de Regressão Polinomial no tempo, observou-se que o número de abelhas A. mellifera aumentou até às 12 horas, diminuindo em seguida, obedecendo a seguinte equação de 2º grau : Y = 0,06 + 2,91X - 0,30X2, onde Y é o número de abelhas e X é a hora do dia.

A partir dos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que a abelha Apis mellifera foi o inseto mais freqüente nas flores do cafeeiro, nos 2 anos estudados, preferindo coletar néctar no decorrer do dia.

A polinização realizada pelas abelhas A. mellifera provocou aumento quantitativo (38,79%, em 1993 e 168,38%, em 1994) na produção de grãos de café, var. Mundo Novo.

Apesar da eficiência do produto Bee-HereR ser afetada pelas condiçÒes climáticas, ele pode ser usado como atrativo para as abelhas A. mellifera nessa cultura. Entretanto, outros experimentos são necessários utilizando novas substâncias atrativas para essas abelhas.

Agradecimentos

Agradecemos ao Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/UNESP, pela concessão da área do experimento.

Recebido para publicação: 08/11/2002

Aprovado para publicação: 06/05/2003

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  • Endereço para correspondência
    Darclet Teresinha Malerbo de Souza
    Departamento de Ciências Agrárias Centro Universitário Moura Lacerda
    Avenida Dr. Oscar de Moura Lacerda, 1520 Jardim Independência
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Abr 2004
  • Data do Fascículo
    2003

Histórico

  • Aceito
    06 Maio 2003
  • Recebido
    08 Nov 2002
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