Realizamos uma revisão crítica e síntese estruturada sobre a migração reprodutiva e as prováveis áreas de desova de Calophysus macropterus (Lichtenstein 1819) na Bacia Amazônica, integrando múltiplas linhas de evidência. Três hipóteses foram comparadas: H1, desova no sopé dos Andes (600 – 200 m acima do nível do mar) com migração longitudinal; H2, estratégia mista com núcleos regionais; H3, movimentos principalmente locais/laterais. A análise heurística mostrou suporte convergente para H1: (i) ausência recorrente de fêmeas maduras nas terras baixas da Amazônia central, em contraste com vários evidencias de fêmeas com ovos maduros em tributários do sopé dos Andes ocidentais; (ii) picos larvais/juvenis em rios da Amazônia ocidental, como o Marañón, o Ucayali e o Beni/Madre de Dios, no final da estação seca - início da cheia, compatíveis com desova rio acima e deriva rio abaixo; e (iii) plausibilidade eco-hidrológica e geomorfológica dos ambientes fluviais no sopé das montanhas, consistente com o pulso de inundação. A triangulação entre linhas independentes e as análises de sensibilidade (ponderações alternativas e exclusão de estudos de baixa qualidade) mantiveram a hierarquia H1>H2>H3. Um modelo de migração em quatro fases é proposto para C. macropterus. Lacunas de informação permanecem, mas todas as previsões derivadas são testáveis. Em termos de gestão, os resultados reforçam a necessidade de conservar a conectividade Andes-Amazônia e a integridade funcional do sopé das montanhas, onde gargalos reprodutivos podem ter repercussões a jusante para C. macropterus e também para os grandes bagres migratórios da família Pimelodidae.
Palavras-chave:
Sopé andino; Potamódromos; Piracatinga; Heurística; Migração reprodutiva.
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