RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Apesar das evidências disponíveis ainda se observa falta de conhecimento e elevada prevalência de dor em diferentes contextos clínicos, com impacto negativo no bem-estar, funcionalidade e na recuperação dos pacientes. O objetivo deste estudo foi mapear na literatura as estratégias educativas e os referenciais teóricos utilizados na aplicação de intervenções educativas em dor para a equipe de enfermagem e o conteúdo ministrado.
CONTEÚDO: Revisão integrativa da literatura conduzida em sete bases de dados, a partir dos descritores “Pain” OR “Pain Management” AND “Education” OR “Education, nursing” OR “Educational Status” OR “Teaching” AND “Nursing” OR “Nursing Team”. Foram analisados estudos que descreveram intervenções educativas em dor voltados para a equipe de enfermagem, publicados nos últimos 10 anos. Trinta e três artigos foram analisados. Os referenciais teóricos utilizados nas intervenções foram: COM-B Framework, Teoria da autoeficácia; Teoria do Cuidado Humano e Pensamento crítico. Entre as estratégias educativas observou-se simulação por trilhas, aprendizagem baseada em problemas, aula invertida e aprendizagem espaçada. As intervenções foram oferecidas no formato e-learning, aula expositiva, discussões de caso, simulação, além de formatos combinados. Os principais conteúdos abordados foram: neurobiologia da dor, experiência biopsicossocial, princípios de avaliação, registro e manejo farmacológico e não farmacológico da dor.
CONCLUSÃO: Poucas intervenções educativas explicitaram o referencial teórico utilizado. As estratégias de ensino foram variadas, com predomínio de estratégias ativas de ensino e em formatos combinados. As intervenções educativas em dor parecem contribuir para aumentar a autoconfiança dos profissionais da enfermagem na avaliação e manejo da dor.
Descritores:
Dor; Educação em Enfermagem; Manejo da dor; Medição da dor
DESTAQUES
Diversas estratégias educativas têm sido combinadas em intervenções educativas para melhorar o conhecimento da equipe de enfermagem em relação ao manejo da dor.
Intervenções educativas baseadas em teoria e com estratégias ativas de ensino têm potencial para aumentar o conhecimento, modificar crenças, melhorar as atitudes e reduzir barreiras para o manejo da dor.
As intervenções educativas em dor contribuem para aumentar a autoconfiança da equipe de enfermagem para avaliação e manejo da dor.
ABSTRACT
BACKGROUND AND OBJECTIVES: Despite the available evidence, there is still a lack of knowledge and a high prevalence of pain in different clinical contexts, with a negative impact on patients’ well-being, functionality and recovery. The present study’s objective was to map the literature on educational strategies and theoretical references used in the application of educational interventions on pain for nursing staff and the content taught.
CONTENTS: Integrative literature review conducted in seven databases, using the descriptors “Pain” OR “Pain Management” AND “Education” OR “Education, nursing” OR “Educational Status” OR “Teaching” AND “Nursing” OR “Nursing Team”. Studies describing educational interventions in pain for nursing staff, published in the last 10 years, were analyzed. Thirty-three articles were analyzed. The theoretical references used in the interventions were: COM-B Framework, Self-efficacy Theory; Human Care Theory and Critical Thinking. Among the educational strategies were trail simulation, problem-based learning, flipped classroom and spaced learning. The interventions were offered as e-learning, lectures, case discussions, simulation and combined formats. The main contents covered were neurobiology of pain, biopsychosocial experience, principles of assessment, recording and pharmacological and non-pharmacological management of pain.
CONCLUSION: Few educational interventions explained the theoretical framework used. The educational strategies were varied, with a predominance of active teaching strategies and combined formats. Educational interventions on pain seem to contribute to increasing the self-confidence of nursing professionals in the assessment and management of pain.
Keywords:
Education; Nursing; Pain; Pain Management; Pain Measurement
HIGHLIGHTS
Several educational strategies have been combined in educational interventions in order to improve nursing staff’s knowledge of pain management.
Theory-based educational interventions with active teaching strategies have the potential to increase knowledge, modify beliefs, improve attitudes and reduce barriers to pain management.
Pain education interventions contribute to increase the self-confidence of nursing staff in the assessment and management of pain.
INTRODUÇÃO
A dor está presente em variados contextos clínicos, podendo ser aguda ou crônica e surgir resultante da doença em si, de processos diagnósticos ou de intervenções terapêuticas1. A equipe de enfermagem pode desempenhar papel relevante na avaliação e manejo da dor, devido ao contato contínuo com os pacientes2,3. No entanto, ainda se observa falta de conhecimento sobre manejo da dor e elevada prevalência de dor em diferentes contextos clínicos, com impacto negativo na funcionalidade e bem-estar dos pacientes4-6.
A declaração de Montreal ressaltou que entre os principais motivos para o manejo inadequado da dor está o déficit de conhecimento dos profissionais de saúde e enfatizou que o acesso ao manejo adequado da dor é um direito humano7. O Curriculum Outline On Pain for Nursing (Currículo sobre Dor para Enfermagem) da International Association of the Study of Pain (IASP - Associação Internacional para o Estudo da Dor) enfatizou o papel e a responsabilidade dos enfermeiros na avaliação e manejo da dor8.
O ensino sobre dor nos cursos de graduação e técnicos de enfermagem é deficiente, abordado de modo superficial, dentro de disciplinas variadas, sem a devida valorização, com pouco espaço na carga horária9. Estudo brasileiro concluiu que a maior parte dos acadêmicos de enfermagem não se sentem aptos para a avaliação da dor10. Treinamentos e programas educativos direcionados à equipe de enfermagem são essenciais para o aprimoramento do controle da dor no ambiente hospitalar, melhorando não apenas a compreensão dos profissionais sobre os aspectos fisiológicos da dor, mas também a adoção de medidas mais efetivas e compassivas no alívio da dor. Assim, contribuem para reduzir as barreiras enfrentadas pela equipe de enfermagem quanto à avaliação, registro e manejo da dor, aperfeiçoando a competência profissional e a qualidade do cuidado11-15. Para elaborar novas propostas de intervenções educativas em dor para a equipe de enfermagem é necessário conhecer as intervenções que têm sido utilizadas, suas bases teóricas e características. O objetivo deste estudo foi mapear na literatura as estratégias educativas e referenciais teóricos utilizados na aplicação de intervenções educativas em dor para a equipe de enfermagem, bem como o conteúdo ministrado.
CONTEÚDO
Revisão integrativa da literatura, seguindo as etapas: identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa, amostragem ou busca na literatura, extração de dados ou categorização dos estudos, análise crítica dos estudos incluídos, interpretação dos dados, apresentação da revisão integrativa16,17, conduzida segundo a recomendação do Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA - Itens Preferenciais de Relatório para Revisões Sistemáticas e Itens Preferenciais de Relatório para Revisões Sistemáticas e Meta-análises)19 para o relato da revisão, buscando responder a seguinte pergunta de pesquisa: “Quais referenciais teóricos, estratégias de ensino e conteúdo têm sido aplicados em intervenções educativas em dor para a equipe de enfermagem?”.
A organização da estratégia de busca seguiu o acrônimo PCC, sendo P para população, C para conceito e C para contexto. A População foi composta por estudos que tivessem a equipe de enfermagem como foco da intervenção educativa. O Conceito chave desta revisão foi composto por estudos que detalhassem as características das intervenções educativas em dor para a equipe de enfermagem (referenciais teóricos, estratégias educacionais e conteúdo) e o Contexto incluiu hospitais, clínicas ou ambulatórios.
A estratégia de busca teve a finalidade de localizar estudos publicados, e ocorreu em duas etapas. Na primeira foi feita uma pesquisa nas bases Medline e Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL - Índice Cumulativo de Literatura de Enfermagem e Saúde) seguida da análise das palavras dos títulos e resumos e dos descritores das publicações com os termos: “Nurses, Education and Pain”. Na segunda etapa, foi realizada uma busca com todas as palavras-chave e descritores identificados. Os descritores utilizados foram: “Pain” OR “Pain Management” AND “Education” OR “Education, nursing” OR “Educational Status” OR “Teaching” AND “Nursing” OR “Nursing Team”. Para a elaboração da estratégia de busca contou-se com a ajuda de uma bibliotecária experiente e utilizou-se vocabulário controlado modificado para cada base de dados.
Considerando o avanço do processo de ensino-aprendizagem nos últimos anos, optou-se por incluir apenas artigos publicados nos últimos 10 anos (2013-2023). A coleta de dados ocorreu entre 02 de maio e 02 de junho de 2023, nas bases de dados Pubmed/Medline, Scientific Electronic Library Online (Scielo), PsycINFO, nas bases Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) por meio do portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e nas bases CINAHL, Web of Science, Scopus e ERIC. Não foi realizada busca por literatura cinzenta.
Esta revisão incluiu estudos qualitativos e quantitativos com foco em intervenções educativas em dor voltadas à equipe de enfermagem e/ou estudantes de enfermagem sobre avaliação, registro e manejo da dor em adultos e idosos. Estudos qualitativos de quaisquer abordagens teórica e metodológica foram considerados, assim como estudos publicados em inglês, espanhol ou português, dos últimos 10 anos.
Foram excluídos estudos de revisão da literatura (revisões sistemáticas ou integrativas), relatos de profissionais, dissertações, teses, estudos que não descrevessem as características das intervenções e estudos com foco em pediatria. Os estudos que abordaram intervenções educativas voltadas ao manejo da dor em pediatria foram excluídos por se tratar de uma população com muitas especificidades em relação à avaliação, registro e manejo da dor, que exigem habilidades diferenciadas dos profissionais18.
Todos os títulos e resumos recuperados nas buscas foram agrupados no banco de dados do gerenciador de referências EndNote® para a identificação e exclusão de duplicatas. Para seleção e avaliação dos estudos da amostra foi utilizado o software de planilha Microsoft Excel. A pré-seleção dos estudos foi realizada pela leitura do título e do resumo por dois revisores de forma independente, com base nos critérios de inclusão estabelecidos. Durante a seleção dos estudos as discordâncias foram resolvidas pela discussão entre os dois revisores e, quando necessário, por um terceiro revisor.
A extração dos dados dos estudos incluídos na revisão foi realizada usando instrumento de extração de dados padronizado. Os dados gerais extraídos incluíram dados dos autores, ano de publicação, objetivos, métodos, desenho do estudo, desfechos, características da população-alvo, características da intervenção (estratégias educativas, modo de entrega, dose, interventor), modelo teórico e principais resultados da intervenção.
RESULTADOS
A busca resultou em 2881 artigos. Após a exclusão dos duplicados foi realizada a leitura de título e resumo de 2662 estudos e 63 foram selecionados, mas 7 não foram localizados, restando 56 estudos para leitura na íntegra. Nesta etapa, 23 artigos foram excluídos, por apresentar população, contexto, conceito, ou desenho do estudo inelegíveis, conforme descrito a seguir: 9 estudos com foco em profissionais da pediatria, pacientes ou familiares; 6 estudos sem descrição da intervenção educativa, 4 estudos apresentavam intervenções educativas fora do contexto da dor e 4 estudos eram revisões da literatura ou relatos de casos, restando 33 artigos para análise. Os resultados da busca e seleção estão descritos na figura 1, apresentados pelo fluxograma PRISMA-ScR19.
Entre os 33 estudos analisados, o desenho de estudo mais utilizado foi o quase-experimental (66,6%), seguido de estudos experimentais (21,2%), protocolos de estudo (9,1%) e um estudo metodológico de desenvolvimento e validação de intervenção educativa (3,1%). A análise dos 33 estudos selecionados mostrou predomínio de estudos desenvolvidos nos Estados Unidos (18%) e Irã (18%), seguidos de Brasil (9,1%) e Austrália (9,1%). China e Jordânia apareceram com 2 estudos cada e os demais países com 1 estudo (Arábia Saudita, Emirados Árabes, Etiópia, Coreia do Sul, Turquia, Finlândia, Canadá, Espanha, Taiwan e Alemanha).
Em relação à população-alvo, observou-se predomínio de intervenções voltadas aos enfermeiros (54,5%), seguidos de estudantes de enfermagem, medicina e/ou residentes das duas áreas (21,1%), auxiliares, técnicos ou equipe de enfermagem (15,2%) e enfermeiros e médicos (9,1%). A tabela 1 apresenta a síntese dos estudos analisados. O contexto de aplicação da intervenção foi bastante variado, com estudos voltados à equipe de enfermagem de centro cirúrgico, recuperação anestésica ou clínicas cirúrgicas (24,2%), estudos realizados em hospitais universitários ou hospitais gerais (21,1%), instituições de longa permanência para idosos (15,2%), Unidades de Terapia Intensiva (18,2%), oncologia e/ou cuidados paliativos (12,1%), hospital psiquiátrico (3,0%) e ambiente escolar (3,0%).
Entre os 33 estudos analisados, apenas sete descreveram o referencial teórico utilizado, entre eles observou-se Pensamento crítico21; Teoria da Autoeficácia12,13, Teoria do Cuidado Humano de Jean Watson29 e COM-B Framework12,41,42.
As estratégias de ensino utilizadas foram simulação por trilhas Branching Patch Simulations (BPS)21, aprendizagem baseada em problemas14, aula invertida13, aprendizagem espaçada41,42, vídeos educativos30,38, simulação37, software35,48, mapa mental28, discussão de casos22,39, distribuição de material impresso e eletrônico26 e simulação associada à discussão46. As intervenções analisadas aplicaram estratégias educativas em diferentes formatos: treinamento on-line, ou e-learning14,31,32,40-42,49, aulas expositivas13,23-25,47, workshops20,27,33,34,43 e palestras12, 21,29,36,44,45, além de formatos combinados.
O conteúdo das atividades educativas empregado nas intervenções foi variado, incluindo neurobiologia da dor, experiência biopsicossocial, princípios de avaliação, registro e manejo farmacológico e não farmacológico da dor. Observou-se predomínio de intervenções com foco no manejo da dor (45,5%), seguido de avaliação da dor (27,7%), conhecimentos, crenças e atitudes sobre manejo da dor (24,2%), além de intervenções com foco na avaliação e no manejo da dor (12,1%).
Na maior parte dos estudos, a atividade educativa foi realizada em grupo, exceto naqueles em que a estratégia educativa foi oferecida no formato on-line (individual). A maior parte das intervenções educativas utilizou metodologias ativas de ensino e estudos de caso de modo combinado para o treinamento da equipe de enfermagem, com destaque para os temas: avaliação, registro e manejo da dor. Os principais desfechos avaliados nos estudos analisados foram: conhecimento, atitudes e crenças dos profissionais.
DISCUSSÃO
O presente estudo se propôs a mapear os referenciais teóricos, estratégias de ensino e conteúdo de intervenções educativas sobre dor voltadas à equipe de enfermagem. A análise dos referenciais teóricos mostrou que poucos estudos explicitaram o referencial utilizado, assim como observado em estudo que analisou estratégias educativas para enfermeiros no reconhecimento da deterioração clínica50.
Dois estudos utilizaram a Teoria da Autoeficácia12,13, proposta por Albert Bandura em 1977, como base para a intervenção educativa. A Teoria da Autoeficácia explica a motivação para mudança de comportamento e a confiança na capacidade pessoal de realizar tarefas para chegar num resultado esperado51. Fortalecer a autoeficácia da equipe de enfermagem para o manejo da dor pode ser uma estratégia promissora para melhorar as habilidades de controle da dor da equipe de enfermagem51.
Os estudos analisados que utilizaram a teoria da autoeficácia13,25 mostraram que ela influenciou positivamente os comportamentos da equipe de enfermagem e consequentemente a experiência dos pacientes em relação ao alívio da dor13,25.
Três estudos utilizaram o COM-B Framework12,41,42, um modelo teórico utilizado para favorecer a mudança de comportamento em saúde que utiliza três elementos essenciais: capacidade, oportunidade e motivação. Segundo esta abordagem, a oportunidade pode influenciar a motivação e a capacidade; um novo comportamento pode alterar a capacidade e influenciar a motivação e oportunidade52.
Diversos estudos utilizaram estratégias educativas combinadas para melhorar o conhecimento dos profissionais em relação ao manejo da dor. Uma pesquisa que comparou intervenção com vídeo e sala de aula invertida com intervenção de aula expositiva constatou que os profissionais que fizeram o treinamento com vídeo e sala de aula invertida apresentaram aumento significativo do conhecimento em relação aos profissionais que receberam apenas aula expositiva13.
Outro estudo comparou a utilização de aplicativo social de mensagens online, com conteúdo educativo por duas semanas, além de duas palestras de 90 minutos. Os resultados mostraram que os enfermeiros que participaram do treinamento on-line apresentaram desempenho superior aos enfermeiros do grupo com aula presencial12.
A eficácia da estratégia educativa on-line também foi constatada por um estudo que testou intervenção educativa sobre avaliação de dor para enfermeiros especialistas em cuidados paliativos, no qual os participantes aumentaram seu conhecimento e confiança para realizar a avaliação da dor40.
Uma pesquisa que comparou a utilização de estratégia educativa on-line (e-learning) com aula tradicional mostrou que os dois grupos apresentaram aumento de conhecimento e melhores práticas e atitudes frente à dor, mas a pontuação média do grupo e-learning foi maior em relação ao grupo que recebeu aula tradicional35. Na amostra desta revisão, apenas quatro estudos compararam diferentes estratégias educativas12,13,21,35 e uma proposta foi realizada por protocolo de estudo metodológico32.
Os desfechos analisados para avaliar os resultados das intervenções educativas foram variados, mas o principal desfecho avaliado foi o conhecimento13,14,23,26,28-31,33,35-38,40,41,44,47,49, seguido das atitudes frente à dor35-37,43,44. Outros desfechos, como redução do uso de opioides e tempo médio de recuperação anestésica20; escala de pensamento crítico21; avaliação da dor22,45,46; intensidade da dor24,34; uso de morfina24; documentação da dor38,39 e conscientização sobre dor43 também foram avaliados.
Avaliar o consumo de opioides pode ser uma forma de verificar se a equipe de enfermagem está implementando todos os recursos disponíveis em termos de tratamento farmacológico prescrito, pois muitas vezes os fármacos prescritos na modalidade “se necessário” não são utilizados. Investigar o desempenho dos profissionais na avaliação e registro da dor e a intensidade média da dor de uma determinada população antes e após a aplicação de uma intervenção educativa também pode ser um indicador dos efeitos da intervenção.
Diversos estudos mostraram que os objetivos educacionais foram alcançados e o treinamento proporcionou mudanças no comportamento dos profissionais, redução da dor e melhora da experiência do paciente20,24,26,39.
Intervenções educativas baseadas em teoria e com estratégias ativas de ensino têm potencial para aumentar o conhecimento, modificar crenças, melhorar as atitudes e reduzir barreiras para o manejo da dor. Estas intervenções parecem ter impacto positivo na capacidade dos enfermeiros para realizar a avaliação e manejo da dor e devem ser testadas em futuros estudos.
As limitações do presente estudo incluem o recorte do tempo de busca nos últimos 10 anos, que pode ter limitado o acesso a estudos publicados anteriormente, a ausência de verificação das referências dos estudos analisados para localizar estudos adicionais e a inclusão de estudos com populações de diferentes contextos, além da equipe de enfermagem da área hospitalar (universidades, escola e atenção primária).
CONCLUSÃO
Os achados deste estudo mostram que diferentes estratégias educativas têm sido utilizadas para reduzir barreiras e melhorar a autoconfiança dos profissionais da enfermagem para realizar a avaliação e manejo da dor. O referencial teórico utilizado para aumentar o rigor metodológico da intervenção foi explicitado em poucos estudos, com destaque para o pensamento crítico, Teoria da autoeficácia; Teoria do Cuidado Humano e COM-B Framework. As estratégias educativas observadas foram: simulação por trilhas, aprendizagem baseada em problemas, aula invertida e aprendizagem espaçada. Os treinamentos foram oferecidos no formato e-learning, aula expositiva, discussões de caso e simulação.
Neurobiologia da dor, experiência biopsicossocial, princípios de avaliação, registro e manejo farmacológico e não farmacológico da dor foram os principais conteúdos abordados nas intervenções educativas. Os estudos que utilizaram referencial teórico para desenvolvimento da intervenção e estratégias ativas de ensino combinadas parecem ter melhores resultados e devem ser testados em futuros estudos, pois têm potencial para melhorar a assistência de enfermagem no manejo da dor.
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Fontes de fomento:
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
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Editor associado responsável:
Érica Brandão de Moraes https://orcid.org/0000-0003-3052-158X


