RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A dor crônica no ombro de atletas arremessadores é uma queixa comum no cotidiano do esporte. Apesar do número crescente de publicações sobre o tema, não está claro se esses atletas apresentam hiperalgesia mecânica associada a dor, o que poderia alterar as abordagens de tratamento realizadas. O objetivo da presente pesquisa foi sintetizar os resultados das principais evidências encontradas sobre o limiar de dor a pressão no ombro, comparando estes resultados em esportistas de diversas modalidades.
MÉTODOS: Para esta revisão integrativa, as buscas eletrônicas ocorreram nas bases de dados Pubmed/Medline, PEDro, SPORTDiscuss, Web of Science e Scielo, verificando estudos em inglês ou português. As palavras-chave pressure pain threshold; athletes; shoulder; pressure algometry e suas derivações foram pesquisadas em ambas as linguagens. Os artigos deveriam incluir atletas de esportes com gestos esportivos no membro superior e que avaliassem o limiar de dor a pressão no ombro. Cinco estudos foram incluídos para análise.
RESULTADOS: Atletas com dor no ombro apresentaram menor limiar de dor a pressão. Em nadadores, as alterações na sensibilidade mecânica a dor parecem estar relacionadas com horas de treino semanais, anos de prática esportiva e faixa etária. As competições esportivas aparentemente possuem influência na redução do limiar de dor a pressão em tenistas amadores.
CONCLUSÃO: Atletas de natação apresentam menor limiar de dor a pressão, o qual se relaciona com o volume e tempo de treinamento na modalidade. Essa variável parece ser esporte-dependente, e a ausência de um maior número de estudos em esportes como tênis e basquete em cadeiras de rodas limita conclusões acerca do assunto.
DESTAQUES
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Dor no ombro é uma condição comum em atletas overhead e atletas com dor no ombro apresentam alterações no limiar de dor a pressão (LDP).
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Na natação, o LDP parece sofrer influência do volume de treinamento semanal, de anos de prática da modalidade e da faixa etária.
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Alterações no LDP em tenistas e jogadores de basquete em cadeira de rodas ainda carecem de dados mais conclusivos.
Descritores:
Atletas; Hiperalgesia; Ombro; Pontos-gatilho
ABSTRACT
BACKGROUND AND OBJECTIVES: Chronic shoulder pain in throwing athletes is a common complaint in everyday practice. Despite the growing number of publications, it is unclear whether these athletes have mechanical hyperalgesia associated with pain, which could alter the treatment options undertaken. The aim of the study was to summarize the results of the main evidence found on the pressure pain threshold in the shoulder, to compare these results in athletes of different sports.
METHODS: Electronic search via PubMed/Medline, PEDro, SPORTDiscuss, Web of Science and Scielo databases was done verifying studies in English or Portuguese. The keywords: pressure pain threshold; athletes; shoulder; pressure algometry and its derivations were searched in both languages. The articles should have included athletes from sports that use upper limbs and that assess the pressure pain threshold in the shoulder. Five studies were included for analysis.
RESULTS: Athletes with shoulder pain had a lower pressure pain threshold. In swimmers, changes in mechanical sensitivity to pain seem to be related to weekly training hours, years of sports practice and age group. Sports competitions apparently have an influence on the reduction of pressure pain threshold in amateur tennis players.
CONCLUSION: Swimming athletes have a lower pressure pain threshold and this is related to the volume and time of training in the modality. This variable seems to be sport-dependent, and the absence of a greater number of studies in sports such as tennis and wheelchair basketball limits conclusions on this subject.
Keywords:
Athletes; Hyperalgesia; Shoulder; Trigger points
HIGHLIGHTS
Shoulder pain is a common condition in overhead athletes, and athletes with shoulder pain have changes in pressure pain threshold (PPT).
In swimming, PPT seems to be influenced by weekly training volume, years of practice, and age group.
PPT changes in wheelchair tennis and basketball players still lack more conclusive data.
INTRODUÇÃO
A dor crônica (DC) do ombro é uma condição comumente relatada por atletas que realizam esportes overhead1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. Em atletas adolescentes de judô, handebol e basquetebol, há uma prevalência de 63,8% de lesões por sobrecarga no ombro9, sendo que uma alta taxa também está presente em atletas com mais de 5 anos de prática esportiva em nível universitário8. Já em atletas profissionais, a DC do ombro representa aproximadamente 19% das lesões do voleibol10 e entre 52% e 58% das queixas em algum momento da temporada no handebol11,12.
A dor é considerada crônica quando for persistente por período superior a três meses13, sendo definida como primária quando não explicada pela presença de outra condição clínica, ou doença crônica, relacionando-se com sofrimento emocional ou incapacidade funcional13,14. Em contrapartida, a DC secundária geralmente está relacionada a outro evento patológico, sendo inicialmente um sintoma, mas persistente mesmo após ao tratamento bem-sucedido da doença de base13.
Alterações da sensibilização neural são descritas em quadros álgicos e geralmente são respostas naturais a uma lesão15. A sensibilização periférica pode ser definida como aumento da resposta nociceptiva periférica em decorrência a um estímulo em seus campos receptivos, apresentando, em nervos sensibilizados, potenciais de ação alterados, mas condução nervosa normal16. Já a sensibilização central (SC) é representada por aumento da resposta neuronal no sistema nervoso central em função de um estímulo doloroso afferente16 ou de estímulos geralmente não dolorosos induzindo respostas álgicas exacerbadas e difusas17.
Uma das formas de estimar a sensibilidade mecânica à dor é a avaliação do limiar de dor a pressão (LDP), que corresponde ao momento em que a pressão exercida em um tecido se torna um estímulo doloroso18,19. Em casos de dor unilateral no ombro, um baixo LDP no membro afetado em comparação com o não afetado indica a presença de sensibilização periférica15. Em contrapartida, baixo LDP em tecidos remotos ao local afetado (tibial anterior, membro superior contralateral) sugere a presença de sensibilização central15, um dos mecanismos sugeridos para o desenvolvimento da DC15,20.
Em uma revisão sistemática com meta-análise que avaliou estudos envolvendo pacientes com DC de diversas etiologias, o LDP nessas populações foi inferior em relação aos grupos controles assintomáticos, mostrando hiperalgesia mecânica generalizada nos pacientes com DC21. Assim, revisões sobre a presença de LDP em pacientes com DC no ombro já estão disponíveis22,23, mostrando que pacientes com tendinopatia ou lesão por sobrecarga em membros superiores apresentaram hipersensibilidade bilateral durante a mensuração do LDP, quando comparados a assintomáticos, sendo esse achado de baixa a moderada qualidade de evidência23. Além disso, pacientes com dor no ombro não apresentaram alterações no LDP, somente alterações no supralimiar de dor ao calor (hipersensibilidade) quando comparados a assintomáticos22.
Em atletas, no entanto, o LDP ainda é uma variável que deve ser mais bem explorada, pois com o crescente número de publicações sobre o tema existe a necessidade de organizar os resultados das principais evidências encontradas.
O objetivo deste estudo foi sintetizar os principais resultados das pesquisas existentes acerca do LDP no ombro de atletas e comparar os resultados de LDP em esportistas de diversas modalidades.
MÉTODOS
Foi realizada uma revisão integrativa com o objetivo de identificar os trabalhos existentes na literatura nacional e internacional sobre a temática “LDP no ombro em atletas”. Sem fltros para determinar o período, foram feitas buscas nas bases de dados Pubmed, PEDro, Scielo, SPORTDiscus e Web of Science. Foram utilizadas as combinações de MeSH terms e palavras-chave pressure pain threshold AND athletes; pressure pain threshold AND shoulder; pressure algometry AND shoulder; pressure algometry AND athletes. Nas buscas na base de dados Scielo, também foram utilizadas as combinações de palavras-chave em português: limiar de dor a pressão AND atletas; limiar de dor a pressão AND ombro; algometria por pressão AND ombro; e algometria por pressão AND atletas.
Foram incluídos artigos científicos publicados em inglês ou português, que avaliassem o LDP na região do ombro e que envolvessem atletas de todos os níveis competitivos, de esportes que tivessem predominância de uso dos membros superiores no gesto esportivo e que, por consequência disso, apresentassem altas prevalências de lesões no ombro, como natação24, voleibol25, rugby26, handebol27, tênis28,29 e beisebol30. Foram excluídos os estudos que avaliaram o LDP em outro segmento corporal de atletas ou o LDP no ombro de não atletas, ou ainda que utilizaram outras formas de avaliação da dor em atletas que não o LDP. As mensurações de LDP em pontos distais ao ombro, para avaliar a presença ou ausência de dor em atletas, não foram consideradas um fator de exclusão.
A busca pelos estudos ocorreu na seguinte ordem: busca nas bases de dados por meio de MeSH terms e palavras-chave, leitura dos títulos, seleção e leitura dos resumos dos estudos pré-selecionados. Na sequência, os trabalhos que se encaixaram nos critérios de inclusão foram selecionados para leitura completa. A extração dos dados da leitura completa foi realizada para preenchimento de uma tabela com os critérios de elegibilidade; após a seleção final dos estudos foi realizada uma revisão integrativa com análise crítica dos resultados.
RESULTADOS
Inicialmente, foram encontrados 1.374 estudos, sendo que 19 estudos duplicados foram excluídos de forma manual, restando um número de 1.355 estudos. Destes, 1.341 foram excluídos na fase de leitura de títulos e resumos. Restaram 14 estudos para apreciação completa do texto. Destes, um total de nove foram excluídos por avaliarem o LDP em outros segmentos corporais de atletas ou por avaliarem a sensibilidade térmica em atletas ao invés da sensibilidade mecânica a dor. Ao final desta revisão, foram incluídos cinco estudos que preencheram os critérios de elegibilidade (Figura 1).
Dos estudos incluídos, três estavam presentes nas bases de dados Pubmed, SPORTDiscus e Web of Science, um estava presente nas bases Pubmed e Web of Science e um estava presente somente na Web of Science.
As publicações datam do período de 2011 a 2020, com estudos da Espanha, Bélgica, Brasil e Turquia. Foram avaliados atletas de natação31, 32, 33, basquete em cadeira de rodas34 e tênis35. Quanto ao nível competitivo, dois estudos avaliaram atletas de elite33,34, um avaliou desportistas competitivos31, outro avaliou desportistas competitivos e amadores32, e um outro estudo avaliou atletas universitários amadores35 (Tabela 1).
O nível competitivo dos participantes dos estudos foi definido de modo diferente em cada publicação. Para nadadores, foram considerados competitivos aqueles que treinassem, pelo menos, 4 horas por semana e tivessem participado de competições em nível regional, nacional e/ou internacional31 – bem como aqueles que treinassem, pelo menos, 3 vezes por semana, nadando pelo menos 4000 metros por dia, e que tenham participado em alguma competição profissional por, pelo menos, um ano32. Um dos estudos classificou nadadores de elite como sendo aqueles que tenham treinado por, pelo menos, 2,5 anos com supervisão de um treinador e que nadassem mais de 6 horas por semana33. Ainda, foram considerados amadores os nadadores que praticassem o esporte no máximo 2 vezes por semana32.
Para atletas de basquete em cadeira de rodas, a classificação como atleta de elite foi determinada pela classificação funcional da International Wheelchair Basketball Federation, baseada no desempenho funcional, motor e cognitivo dos atletas34. Já no estudo que avaliou tenistas, não foram descritas as características que determinavam o nível competitivo, foi apenas relatado que todos praticavam o esporte de forma amadora em nível universitário35.
A tabela 2 apresenta a caracterização dos estudos incluídos e seus principais desfechos. A presença de pontos-gatilho ativos foi um achado comum em atletas com dor no ombro33,34.
Em relação ao LDP, apenas um dos estudos em nadadores relatou redução do limiar, com presença de sensibilização central e periférica nessa população com e sem dor no ombro33, definida pela presença de baixos valores de LDP no músculo tibial anterior ou em tecidos remotos ao membro doloroso33,34. Jogadores de basquetebol em cadeira de rodas com dor no ombro apresentaram redução do LDP e presença de sensibilização central e periférica em comparação aos atletas do mesmo esporte e atletas de basquetebol tradicional assintomáticos34.
O LDP também foi avaliado ao longo de quatro dias consecutivos de competição amadora de tênis35 e houve redução do LDP ao longo da competição.
DISCUSSÃO
Limiar de dor a pressão, volume de treinamento e competições esportivas
O volume de treino em nadadores competitivos foi diretamente proporcional ao LDP31. Assim, nadadores com mais horas de treino semanais apresentaram maior LDP, o que indica menor sensibilidade mecânica a dor e possível hipoalgesia induzida pelo próprio treino da modalidade31. Em não atletas, o exercício aeróbico reduz a sensibilidade à dor mecânica em adultos saudáveis36, bem como exercícios aeróbicos, isométricos e de resistência apresentam efeitos transitórios na redução da dor dessa mesma população37. Vale ressaltar que a dose adequada de exercícios para induzir hipoalgesia não é clara37,38, sugerindo-se que para pacientes com DC seja mais efetivo aumentar a frequência das sessões de exercícios semanais38.
Apesar das altas cargas de treinamento estarem associadas a maiores riscos de lesões39, especialmente quando há aumento rápido das cargas de treinamento40, o LDP foi superior em nadadores que treinaram mais horas por semana39. Um treinamento físico é baseado no princípio de sobrecarga, de forma que, para aumentar o desempenho do atleta, a sua performance deve ultrapassar a capacidade adaptativa da carga tolerada40. Contudo, a carga deve ser manejada adequadamente para evitar os efeitos negativos do treinamento que, quando excessivo, pode levar a overtraining e fadiga; mas, quando insufficiente, leva ao despreparo do atleta para a competição40. Possivelmente, o treinamento realizado no estudo com nadadores tenha sido adequado para desenvolver as capacidades físicas que potencializaram o desempenho e atuaram de maneira preventiva nas lesões39.
Os efeitos da sobrecarga também podem ser observados durante competições esportivas em dias consecutivos. Um dos estudos incluídos35 mensurou o LDP durante uma competição amadora de tênis com duração de quatro dias. Após o segundo, terceiro e quarto dias de competição, houve redução do LDP no epicôndilo lateral, trapézio e deltoide, além de redução do LDP no supraespinhal após terceiro dia de competição no grupo feminino e após o quarto dia no grupo masculino. Houve também redução da força de preensão palmar após segundo, terceiro e quarto dias de competição em atletas mulheres e após o terceiro e quarto dias em atletas masculinos. Neste mesmo período, em ambos os grupos houve aumento da intensidade de dor35. Considerando a menor massa muscular em mulheres41,42, é provável que esse acúmulo de partidas sequenciais em dias consecutivos provavelmente gerou maior dano muscular nos membros superiores das mulheres atletas, comparadas aos homens, o que reduziu o LDP.
Estudos avaliando amplitude de movimento do ombro em tenistas em duas partidas consecutivas no mesmo dia, identificaram redução da amplitude de movimento das rotações e também redução da força de rotadores mediais e laterais no membro dominante43. Esses resultados sugerem o acúmulo de fadiga com ausência de recuperação durante uma competição esportiva, especialmente em atletas do sexo feminino, o que pode predispor lesões.
A fadiga pode ser compreendida quando analisados os conceitos de carga aguda e crônica. A carga aguda é considerada como a carga total de treinos e/ou jogos que os atletas participaram durante uma semana, enquanto a carga crônica é o estado de condicionamento do atleta, representando as últimas três a seis semanas de treinamento físico44. Quando existe elevação da carga aguda somada com uma carga crônica baixa (baixo condicionamento), o atleta tende a estar em um estado de fadiga muscular39. Assim, a carga aguda elevada durante o período de competição pode levar a um estado de fadiga na sequência dos dias de jogos, o que pode ser demonstrado pela redução do LDP e da força de preensão, e pelo aumento da intensidade de dor em tenistas35.
Limiar de dor a pressão em nadadores
Além do estudo que correlacionou volume de treino com LDP em nadadores, dois outros estudos avaliaram esta população. Esses estudos obtiveram resultados confitantes, enquanto jovens nadadores com idade entre 8 e 15 anos sem queixas não apresentaram alterações na sensibilidade mecânica a dor32, nadadores entre 18 e 28 anos com e sem dor no ombro apresentaram sensibilização central e periférica, indicando uma possível hiperalgesia mecânica devido às demandas exigidas na prática esportiva33.
O resultado em jovens nadadores sem queixas32 é contrário ao encontrado em uma revisão sistemática recente45, que mostrou em nadadores adolescentes competitivos maior prevalência de dor no ombro, com evidência moderada para associação com volume de treino de natação. Essa menor sensibilização nesses atletas pode ser explicada pelo menor tempo de prática do esporte, sendo que nadadores com dor no ombro possuem média de 11,6 anos de prática, já os sem dor no ombro uma média de 8,9 anos de treino33. Esses dados corroboram uma pesquisa prévia que encontrou relação positiva entre anos de treinamento de natação competitiva e redução da espessura do tendão do supraespinhal, que são medidas autorreferidas de dor e função no ombro46.
Adaptações musculoesqueléticas como redução do espaço subacromial e aumento da postura de anteriorização do ombro47, desequilíbrios musculares na cintura escapular, aumento da força de rotadores internos e redução da força dos rotadores externos e supraespinhal são relatados em nadadores48. Em longo prazo, estas alterações podem favorecer as lesões por sobrecarga no ombro47,49, 50, 51, o que pode explicar a sensibilização central e periférica encontrada em nadadores quando comparados com atletas saudáveis de outros esportes33.
Limiar de dor a pressão e basquetebol
Atletas de basquetebol em cadeira de rodas com dor no ombro apresentaram redução do LDP em todas as áreas testadas, além da presença maior de número de pontos-gatilho (trigger points) ativos em comparação a atletas do mesmo esporte e atletas de basquetebol tradicional34. A dor no ombro é uma condição comum nestes atletas52, sendo que em homens há associação da dor no ombro e maior idade, menores habilidades funcionais e mais anos de experiência na modalidade, enquanto em mulheres o maior tempo de prática tende a moderar a dor no ombro53.
Limiar de dor a pressão e presença de pontos-gatilho
A presença de pontos-gatilhos (PG) ativos é comum em jogadores de basquete profissional com dor unilateral no ombro54, semelhante ao que foi encontrado em praticantes de basquetebol em cadeira de rodas e nadadores com dor no ombro, que apresentam ainda uma redução do LDP e presença de sensibilização central e periférica33,34. Assim, é possível que haja relação entre presença de PG ativos, dor no ombro e baixo LDP.
A presença de PG ativos pode estar relacionada à presença de sensibilização central54 e periférica18 nos atletas pesquisados. Em pacientes com a síndrome do impacto subacromial unilateral, a presença de PG ativos bilaterais e aumento da dor miofascial no membro acometido foi relacionada à presença de sensibilização periférica18. Em sujeitos com cefaleia tensional, foi estabelecida uma relação entre o número de PG ativos nas regiões cervical e do ombro e a sensibilidade a dor difusa (sensibilização central)54.
Como limitações do estudo, podem ser citados o pequeno número de publicações incluídas na revisão, além dos estudos incluídos não avaliarem atletas de uma mesma modalidade, havendo predomínio de estudos com nadadores de faixas etárias e níveis competitivos variados. Além disso, identificou-se um número limitado de publicações acerca do tema, difficultando a realização desta revisão, mesmo levando em conta as limitações inerentes à metodologia utilizada em uma revisão integrativa.
Este estudo contribui para melhor compreensão da dor e seus determinantes em atletas, especialmente nos nadadores. Novas pesquisas devem ser realizadas, especialmente nas modalidades esportivas que envolvem o membro superior em posição overhead, considerando a prevalência e incidência já relatada em estudos prévios acerca da dor de ombro em praticantes das modalidades referidas, tanto adolescentes quanto adultos.
CONCLUSÃO
Atletas com dor no ombro apresentam menor LDP. No entanto, o LDP em atletas apresenta resultados confitantes nos esportes, indicando a possibilidade de ser esporte-dependente. Em nadadores, alterações na sensibilidade mecânica a dor parecem estar relacionados com horas de treino semanais, anos de prática esportiva e faixa etária. Em tenistas amadores, dias consecutivos de competição contribuíram para a redução do LDP no ombro e cotovelo.
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Fontes de fomento: não há.
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