JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS A dor musculoesquelética é altamente prevalente em crianças e adolescentes e pode impactar negativamente a função física, a participação em atividades diárias e a qualidade de vida. Instrumentos confiáveis e válidos são essenciais para avaliar adequadamente a intensidade da dor e monitorar desfechos clínicos na prática clínica e em pesquisas. Embora a Escala Numérica de Dor (END) seja amplamente utilizada, ainda existem evidências limitadas sobre suas propriedades de medida em crianças e adolescentes brasileiros com dor musculoesquelética. Portanto, este estudo teve como objetivo testar as propriedades de medida relacionadas à confiabilidade e à validade de construto da Escala Numérica de Dor em crianças e adolescentes com dor musculoesquelética.
MÉTODOS Foi realizado um estudo metodológico para avaliar as propriedades de medida da END. Crianças e adolescentes com dor musculoesquelética foram recrutados em escolas públicas. Os dados foram coletados por meio de questionários de autorrelato. A confiabilidade teste-reteste foi avaliada pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI), e o erro de medida foi avaliado pelo Erro Padrão de Medida (EPM) e pela Mudança Mínima Detectável (MMD). O teste de hipóteses para validade de construto foi mensurado por meio da correlação de Pearson (r) entre a END e o Brief Pain Inventory.
RESULTADOS Uma amostra de 153 crianças e adolescentes com dor musculoesquelética, com idade média de 16,0 anos (Desvio Padrão [DP]: 2,7), foi incluída neste estudo. A confiabilidade teste-reteste apresentou CCI de 0,71 (Intervalo de Confiança de 95% [IC95%]: 0,62 a 0,78). O EPM foi de 1,74 (15,8%), com uma MMD de 3,66 pontos. O teste de hipóteses para validade de construto confirmou 90% das hipóteses previamente estabelecidas. Crianças e adolescentes com dor musculoesquelética incapacitante relataram dor mais intensa do que aqueles com dor musculoesquelética não incapacitante (diferença média de 1,9 pontos; IC95%: 1,15 a 2,65).
CONCLUSÃO A END demonstrou confiabilidade e validade de construto adequadas para avaliar a intensidade da dor em crianças e adolescentes com dor musculoesquelética, apoiando seu uso em contextos clínicos e de pesquisa no contexto brasileiro; entretanto, é necessário cautela na interpretação dos valores de MMD.
Descritores:
Adolescente; Crianças; Dor musculoesquelética; Incapacidade
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