USO ENERGÉTICO DE RESÍDUOS MADEIREIROS NA PRODUÇÃO DE CERÂMICAS NO ESTADO DE SÃO PAULO

ENERGY USE OF WOOD RESIDUES IN PRODUCTION OF CERAMICS IN THE STATE OF SAO PAULO

Guilherme de Andrade Lopes José Otávio Brito Luiz Fernando de Moura Sobre os autores

RESUMO

O uso da biomassa florestal é uma importante alternativa de fonte energética renovável, econômica, técnica e ambientalmente viável, disputando espaço com outras fontes energéticas, mais caras ou não renováveis, tais como gás natural, óleo diesel e GLP. Dentro do setor industrial, maior consumidor de energia a partir de biomassa, destaca-se o segmento de cerâmicas vermelhas, tradicional consumidor de lenha para a produção de energia. Uma considerável parcela de empresas deste setor recentemente passou a utilizar, como alternativa de energia, cavacos produzidos a partir de resíduos madeireiros diversos. A opção por esse tipo de biomassa se deve a quatro principais razões: maior disponibilidade desse material para aquisição no mercado; envolver um importante aspecto ambiental, uma vez que se trata de um material de origem renovável; por proporcionar uma maior homogeneidade durante a combustão, quando comparado com a lenha; e possibilita a automação da alimentação dos fornos. O presente estudo teve por objetivo caracterizar e descrever o segmento de cerâmicas vermelhas no Estado de São Paulo quanto ao consumo de resíduos madeireiros para fins energéticos. A pesquisa por amostragem coletou dados regionais sobre a quantidade e eficiência do uso de resíduos madeireiros como fonte de geração de energia no setor, bem como aspectos tecnológicos, econômicos e logísticos associados ao uso desta biomassa. Estima-se que o uso de cavacos de madeira vem sendo adotado atualmente por cerca de 80% das cerâmicas de porte médio no Estado de São Paulo. Os cavacos são originados de resíduos de serrarias, operações da colheita florestal de pinus e eucalipto, poda de arborização urbana e reciclagem de produtos madeireiros em geral. O raio médio de distância para suprimento dos cavacos até as cerâmicas é de aproximadamente 200 km. As cerâmicas avaliadas compram os cavacos de terceiros a um preço médio em torno de R$ 43,00 por m³. A eficiência média apurada foi de 1,4 m³ de cavaco para cada milheiro de peças acabadas produzidas. As cerâmicas expressaram a necessidade de maior regularidade na qualidade deste biocombustível, que normalmente varia a cada carga recebida.

Palavras-chave:
energia; biomassa; bioenergia; mercado

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