Open-access Divulgação científica imuniza contra desinformação

A pandemia do vírus Sars-Cov-2 colocou a ciência no centro do debate público. A discussão sobre medicamentos, vacinas, fake news e medidas de prevenção à Covid-19 ultrapassou os muros das universidades e instituições de pesquisa e passou a fazer parte do cotidiano da população1. Em um cenário dominado pelas redes sociais e marcado por um volume exorbitante de informações, ganhou notoriedade o trabalho de divulgadores científicos que conseguiram atrair audiência, sanar dúvidas elementares da população e tornar mais fácil o entendimento de conceitos complexos, por meio de uma linguagem simples, acessível e objetiva.

O conhecimento científico ganhou relevante audiência na pandemia porque mentiras sobre a Covid-19 ameaçam a vida da população. Faz muito tempo que a humanidade não enfrentava uma doença de mortalidade tão elevada em âmbito global. A pandemia exigiu que revistas científicas assegurassem a publicação rápida das evidências disponíveis, garantindo a qualidade da informação e a identificação de vieses que pudessem comprometê-la2, uma vez que esses trabalhos são a matéria-prima essencial para combater fake news, desinformação e teorias da conspiração, que prejudicam a adesão da população às medidas necessárias ao enfrentamento da pandemia.

Nesse sentido, a Ciência & Saúde Coletiva assumiu sua responsabilidade como periódico premiado e com 25 anos de trajetória, despontando como referência em reflexão crítica e divulgação científica sobre a pandemia. O corpo editorial tem escrutinado aproximadamente quatro mil artigos originais por ano para encontrar o que há de mais substancial na produção científica nacional acerca de saúde pública.

Em uma infodemia1, naturalmente, as notícias fantasiosas, incríveis, que apelam às emoções e parecem mais fenomenais do que a própria realidade, ganham repercussão. A divulgação científica sobre a Covid-19 se tornou uma resposta objetiva dos cientistas ao movimento negacionista3, que coloca em dúvida a eficácia das vacinas, sabota as medidas de prevenção e propaga curas milagrosas.

Para além da divulgação científica, do ponto de vista infodemiológico, é necessário continuar a interpretar a ignorância e o anticientificismo não somente como derivados da falta de informação, mas como pressupostos que são formulados intencionalmente, por razões econômicas, políticas e ideológicas, para criar dúvidas sobre consensos científicos que são tão bem fundamentados por evidências que são considerados fatos incontroversos3. Nesse ponto e diante do clima de disputa narrativa, importante lembrar que a ciência não se propõe a ser verdade absoluta, é apenas um meio para a redução das incertezas4.

Em situações epidemiológicas como a que a humanidade atravessa agora, a ciência é a única esperança factível. Para a pandemia de uma doença ainda desconhecida, sem medicamento eficaz disponível, o melhor remédio continua sendo a informação verdadeira, confiável, simples e acessível ao grande público. Nesse sentido, os divulgadores científicos podem continuar prestando relevante serviço à sociedade e fazendo valer a confiança depositada no método científico para a superação de grandes desafios epidemiológicos.

Referências

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Nov 2021
  • Data do Fascículo
    2021
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