Estilo de vida e fatores de risco associados ao aumento da gordura corporal de mulheres

Lifestyle and risk factors associated to body fat increase in women

Resumos

Os objetivos eram descrever a associação entre índice de massa corporal (IMC, kg/m²), porcentagem de gordura e fatores de risco para doenças metabólicas; observar a prevalência da síndrome metabólica e relacionar às características de mulheres com sobrepeso e obesas. As voluntárias (n=50; IMC=31±6; idade=36±11 anos) eram avaliadas quanto ao exame clínico, medidas antropométricas, coletas de sangue e urina, gasto energético de repouso e registro alimentar. Fases em que se tornaram obesas em ordem decrescente: idade adulta, gravidez, adolescência, depois dos 40 anos e depois do casamento. O odds de ter um ou mais familiares obesos era de 316%. Eram ansiosas (60%), depressivas (12%), compulsivas (34%) e com distúrbios do sono (32%). O odds para dislipidemia era 28%, hipertensão, 25% e para glicemia acima de 100 mg/dL era de 35%. Elas estavam em déficit calórico, mas o balanço nitrogenado era positivo. A síndrome metabólica era presente em 25% delas e estava positivamente correlacionada a indicadores da gordura corporal e idade. A obesidade destas mulheres era multifatorial com influência familiar, podendo ter contribuições genéticas e ambientais. O equilíbrio físico/emocional parece ter influenciado neste processo.

IMC; Síndrome metabólica; Fatores emocionais; Gasto energético de repouso; Balanço nitrogenado


The objectives were to describe the association between body mass index (BMI, kg/m²), body composition and risk factors to metabolic diseases; observe the prevalence of metabolic syndrome and list the characteristics of overweight and obese women. Voluntaries (n=50; BMI=31±6; age=36±11 years old), were evaluated regarding clinical examination, anthropometrics measurements, samples of blood and urine, resting energy expenditure and food register. Phases in which they become obese in descending order: adulthood, pregnancy, adolescence, over 40 years old and after marriage. The odds to have one or more obese family members were 316%. They were anxious (60%), depressives (12%), compulsives (34%) and had sleep disturbance (32%). The odds to dyslipidemia was 28%, to hypertension was 25% and to glucose over 100 mg/dL 35%. They were in caloric deficit, but, nitrogen balance was positive. The metabolic syndrome was present in 25% of these women and was positively correlated with body fat indicators and age. The obesity of these women seems to be multifactorial with a family influence that could be caused by genetics and environment contributions. The emotional/physical balance should be influenced on this process.

BMI; Metabolic syndrome; Emotional factors; Resting energy expenditure; Nitrogen balance


ARTIGO ARTICLE

Estilo de vida e fatores de risco associados ao aumento da gordura corporal de mulheres

Lifestyle and risk factors associated to body fat increase in women

Carlos Alexandre FettI; Waléria Christiane Rezende FettII; Júlio Sérgio MarchiniII; Rosane Pilot Pessa RibeiroIII

IFaculdade de Educação Física da Universidade Federal de Mato Grosso Av. Fernando Correa da Costa s/n, Campus. 78068-900 Cuiabá MT. cafett@hotmail.com

IILaboratório de Espectrometria de Massa, Divisão de Nutrologia do Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo

IIIEscola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública, Universidade de São Paulo

ABSTRACT

The objectives were to describe the association between body mass index (BMI, kg/m2), body composition and risk factors to metabolic diseases; observe the prevalence of metabolic syndrome and list the characteristics of overweight and obese women. Voluntaries (n=50; BMI=31±6; age=36±11 years old), were evaluated regarding clinical examination, anthropometrics measurements, samples of blood and urine, resting energy expenditure and food register. Phases in which they become obese in descending order: adulthood, pregnancy, adolescence, over 40 years old and after marriage. The odds to have one or more obese family members were 316%. They were anxious (60%), depressives (12%), compulsives (34%) and had sleep disturbance (32%). The odds to dyslipidemia was 28%, to hypertension was 25% and to glucose over 100 mg/dL 35%. They were in caloric deficit, but, nitrogen balance was positive. The metabolic syndrome was present in 25% of these women and was positively correlated with body fat indicators and age. The obesity of these women seems to be multifactorial with a family influence that could be caused by genetics and environment contributions. The emotional/physical balance should be influenced on this process.

Key words: BMI, Metabolic syndrome, Emotional factors, Resting energy expenditure, Nitrogen balance.

RESUMO

Os objetivos eram descrever a associação entre índice de massa corporal (IMC, kg/m2), porcentagem de gordura e fatores de risco para doenças metabólicas; observar a prevalência da síndrome metabólica e relacionar às características de mulheres com sobrepeso e obesas. As voluntárias (n=50; IMC=31±6; idade=36±11 anos) eram avaliadas quanto ao exame clínico, medidas antropométricas, coletas de sangue e urina, gasto energético de repouso e registro alimentar. Fases em que se tornaram obesas em ordem decrescente: idade adulta, gravidez, adolescência, depois dos 40 anos e depois do casamento. O odds de ter um ou mais familiares obesos era de 316%. Eram ansiosas (60%), depressivas (12%), compulsivas (34%) e com distúrbios do sono (32%). O odds para dislipidemia era 28%, hipertensão, 25% e para glicemia acima de 100 mg/dL era de 35%. Elas estavam em déficit calórico, mas o balanço nitrogenado era positivo. A síndrome metabólica era presente em 25% delas e estava positivamente correlacionada a indicadores da gordura corporal e idade. A obesidade destas mulheres era multifatorial com influência familiar, podendo ter contribuições genéticas e ambientais. O equilíbrio físico/emocional parece ter influenciado neste processo.

Palavras-chave: IMC, Síndrome metabólica, Fatores emocionais, Gasto energético de repouso, Balanço nitrogenado

Introdução

A obesidade é o acúmulo de energia em excesso sob a forma de gordura, pela maior ingestão do que o gasto, influenciada por um complexo de interações genéticas, fatores ambientais e comportamentais1,2. Está associada a várias doenças crônicas, como doenças arteriocoronarianas (DAC), hipertensão arterial, diabetes tipo 2, hiperlipidemia, ácido úrico aumentado1, câncer, distúrbios do sono3 e fatores emocionais4. É estimado que, em 2020, dois terços do gasto global com doenças serão atribuídos a doenças crônicas não transmissíveis, por falta de exercícios e consumo calórico excessivo5.

A disponível oferta de alimentos palatáveis, calóricos e de baixo custo e a pouca atividade física da atualidade desencadearam a epidemia mundial de obesidade1. Ainda, a proporção dos macronutrientes na alimentação parece influenciar o desenvolvimento da obesidade6,7, mas este é um assunto controverso na literatura8,9. Ainda, para redução de peso corporal, é necessário estar em balanço calórico negativo, sendo utilizada a atividade física e a restrição calórica para tal. Entretanto, embora tenhamos acumulado nos últimos trinta anos investimentos e conhecimentos para o seu tratamento, a obesidade aumentou de forma importante neste mesmo período10. Além disso, entre 90 e 95% das pessoas que perdem peso não conseguem mantê-lo em longo prazo11.

Portanto, a complexa interação entre o estilo de vida e alterações da composição corporal exige uma abordagem que não pode ser reduzida a variáveis puramente quantitativas. A orientação determinista, baseada unicamente no conceito de balanço energético, tem demonstrado ser ineficiente no controle da obesidade em nível populacional, exigindo uma reflexão além desta orientação12. Então, investigar os aspectos comportamentais contemplando questões filosóficas e emocionais do obeso e do ato de comer poderá contribuir para um entendimento mais amplo do que o levou a se tornar obeso e, talvez, melhor controlar esta situação.

Então, os principais objetivos deste estudo foram verificar a interação, associação, prevalência eodds da obesidade destas mulheres quanto: 1) à obesidade de seus familiares; 2) à fase da vida em que a obesidade se desenvolveu; 3) à proporção dos macronutrientes, total calórico e a quantidade ingerida de leite/café ingeridos; 4) ao gasto energético de repouso e total; 5) aos desconfortos físicos e emocionais; e, por último, 6) aos fatores de risco para DAC e para síndrome metabólica.

Metodologia

Voluntárias

Cinquenta mulheres participaram deste estudo, com idades entre 18 e 64 anos e índice de massa corporal (IMC, kg/m2) entre 25 e 57 (Tabela 1). O recrutamento foi feito pela divulgação de cartazes no campus da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto. O estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRPUSP) e todas assinaram documento de consentimento livre e esclarecido.

Exame clínico

O exame clínico foi realizado sempre no HCFMRPUSP, pelo mesmo médico da equipe de Nutrologia do Departamento de Clínica Médica. Foram coletadas informações sobre a história médica, antecedente de doenças, obesidade de parentes próximos (pai, mãe e irmão(ã)(s)), exame físico geral e específico, aspectos emocionais, consumo de café e/ou leite, informados pela voluntária ao médico. A pressão arterial foi medida após dez minutos de repouso na posição sentada.

Antropometria

A massa corporal (precisão de 0,1 kg) foi avaliada, pela manhã em jejum, sem sapatos, usando roupão (Filizola® Eletrônica ID 1500). A estatura (precisão de 0,5 cm) foi obtida com a voluntária em pé e descalça, encostada na parede. Foram medidas as pregas cutâneas do tríceps sobre o músculo e na parte média entre o acrômio e o olecrano, da supra-ilíaca dois centímetros acima da crista ilíaca ântero-superior, da coxa entre a articulação do quadril e a patela, sobre o músculo reto femoral e a do abdômen a dois centímetros a direita da cicatriz umbilical. A circunferência do abdômen foi obtida na posição anatômica, paralelamente ao solo, sobre a cicatriz umbilical e a do quadril sobre o trocanter maior (precisão de 0,1 cm), com uma fita metálica inextensível13. Eram então classificadas a circunferência do abdômen (zona de alerta = 80-88 cm; zona de risco >88 cm)14 e, o índice abdômen/quadril (IAQ), (>0,90)11 para risco de doenças metabólicas.

Coleta de urina e nitrogênio urinário (NU)

Para coleta de urina de 24 horas, era desprezada a primeira urina da manhã e então coletada toda a urina expelida até a primeira da manhã seguinte. A dosagem do NU foi feita pelo método Kjeldahl de 1883, no Laboratório de Espectrometria de Massa da FMRPUSP. O balanço nitrogenado (BN) foi estimado subtraindo o total do nitrogênio ingerido menos o nitrogênio excretado, assumindo-se que cada grama de N representa 6,25 g de proteína15

Coleta de sangue

O sangue foi coletado em jejum de doze horas na rotina do Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMRPUSP. Os triglicérides, HDL-colesterol e colesterol total foram dosados por métodos enzimáticos, seguindo as orientações dos manuais dos cartuchos de reagentes Flex®, no Laboratório de Nutrição. O LDL-colesterol foi calculado pela fórmula: LDL = Colesterol total HDL triglicérides/5. A glicemia foi dosada pela adaptação do método da Hexokinase-glicose-6-fosfato no Laboratório Central.

Síndrome metabólica

A síndrome metabólica era classificada quando existiam três ou mais das cinco condições a seguir: circunferência do abdômen >88 cm; triglicérides >150 mg/dL; HDL <50 mg/dL; pressão arterial >130 (sistólica)/85 (diastólica) mmHg; glicose de jejum >110 mg/dL2. Ainda, foi utilizado um escore dos fatores para síndrome metabólica de zero a cinco. Era atribuído zero quando havia ausência de qualquer fator para síndrome metabólica e uma unidade para cada item presente. Este escore foi utilizado para correlacionar a outros fatores de risco.

Gasto energético de repouso (GER)

O GER foi medido após jejum de doze horas (Vmáx. 29 Sensor Medics®). Elas repousavam por trinta minutos sentadas, trinta minutos deitadas e permaneciam para ser medida a calorimetria por mais trinta minutos. Elas deviam ficar em repouso absoluto, evitando inclusive conversar, mas não era permitido dormir. O GER diário foi calculado pela equação de Weir16.

Ingestão alimentar

As voluntárias foram orientadas por nutricionista do Hospital das Clínicas da FMRPUSP para fazerem o registro alimentar de uma semana. Para conversão das medidas caseiras em gramas dos alimentos ingeridos, foi utilizada a tabela para avaliação de consumo alimentar em medidas caseiras e, em seguida, convertidas para composição química dos alimentos17. Estes valores foram utilizados para o cálculo do balanço nitrogenado.

Tratamento estatístico e avaliação dos resultados

Este foi um estudo observacional do tipo série de casos. Foi calculado o oddspara diversas variáveis, dividindo-se a probabilidade, que é o número de casos positivos de uma determinada condição, pelo número total de casos menos o número de casos positivos:

odds = P : (1 - P),

sendo P a probabilidade. A ingestão de leite e/ou café, consumo e gasto energético e balanço nitrogenado não sofreram tratamento estatístico específico, sendo apresentado na forma de porcentagem de voluntárias. Para análise da associação do escore dos fatores para síndrome metabólica a outros fatores de risco, foi utilizada a correlação linear de Pearson, a 5% de significância e intervalo de confiança de 95%18.

Resultados

Características gerais

As principais características das voluntárias estão na Tabela 1. Elas estavam classificadas como obesas tanto pelo IMC quanto pela porcentagem de gordura corporal13. Os valores da bioquímica sanguínea estavam em valores considerados normais.

Início da obesidade

Durante o exame clínico, foi investigada a fase da vida mais precoce em que a voluntária se tornou obesa. Não eram computadas na categoria as que estavam obesas caso tivessem se tornado obesas em uma fase anterior da vida. Ordem decrescente das fases: idade adulta, gravidez, adolescência, acima de 40 anos e depois do casamento (Tabela 2).

Desconforto emocional/físico

Os principais sintomas de desconforto emocional e físico que foram relatados no exame clínico estão listados na Tabela 3. A maioria era ansiosa, sendo este o distúrbio emocional que mais apareceu. Entre os desconfortos físicos, a lombalgia foi o de maior expressão.

Ingestão de leite e/ou café

No exame clínico, foi feito um levantamento do quanto era ingerido de leite e/ou café por dia pelas voluntárias, procurando conhecer a relação entre um alimento que poderia estar causando relaxamento, no caso o leite, ou ser um estimulante, no caso, o café19. A Tabela 4 indica a faixa de volume diário ingerido destas duas bebidas em número de voluntárias. Cinquenta por cento delas ingeriam mais de 500 ml de café/dia contra 24% das voluntárias que ingeriam este volume de leite.

Dislipidemias, glicemia e obesidade central

Foram avaliados fatores de risco para doenças metabólicas e DAC, como a concentração de lipídios circulante, hipertensão arterial e obesidade central. O valor de corte para glicemia foi de 100 mg/dL, sendo considerado valores maiores que este fator de risco aumentado para o diabetes20. Havia importante odds para quase todos os fatores de risco (Tabela 5).

História familiar de obesidade

Foi observado o número de familiares obesos de cada voluntária, considerando pai, mãe e irmãos. Trinta e quatro por cento das voluntárias tinham um familiar obeso, outros 34% tinham dois e 8% tinham três. No somatório, 76% tinham um ou mais familiares obesos. Para este grupo de mulheres, havia oddsde 316% de terem um ou mais familiar(es) obeso(s).

Síndrome metabólica

Quarenta e quatro voluntárias tinham todos os dados para avaliação da síndrome metabólica e 11 (25%) foram classificadas positivamente, sendo o odds de 33%. Para cada faixa do escore dos fatores para síndrome metabólica, o número de voluntárias era (escore dos fatores para síndrome metabólica=n): 0=3; 1=15; 2=15; 3=9; 4=1; 5=1. O resultado do escore dos fatores para síndrome metabólica foi correlacionado a(o): IAQ (r=0,27; P=0,076); IMC (r=0,51; P=0,000); idade (r=0,40; P=0,008); circunferência do pescoço (r=0,37; P=0,014); prega cutânea do tríceps (r=0,41; P=0,006); e prega cutânea do abdômen (r=0,49; P=0,001).

Consumo alimentar e gasto energético

Para análise do consumo calórico, foram escolhidas aleatoriamente sete mulheres a fim de se obter uma amostra. O registro alimentar anotado por elas era de uma semana e foram avaliados 28 dias de alimentação, contemplando sempre um dia do final de semana e três durante a semana. Sendo assim, cada voluntária tinha quatro registros. O consumo calórico médio aproximado era de 1.900±300 kcal/d e o gasto energético de repouso de 1.550±250 kcal/d.

Balanço nitrogenado

Para estimativa do balanço nitrogenado, foram avaliadas catorze amostras de urina sorteadas entre as voluntárias, sendo o resultado de 5±4 gN/d.

Discussão

Foi observada influência familiar e comportamental no desenvolvimento da obesidade destas mulheres. Os distúrbios emocionais e físicos tinham prevalência importante entre as voluntárias. A fase adulta e durante a gravidez são períodos da vida em que predomina o sedentarismo e, no caso da maioria destas mulheres, foi quando se tornaram obesas. Existia importante prevalência de dislipidemias, síndrome metabólica e 92% tinham obesidade abdominal. O escore dos fatores para síndrome metabólica foi positivamente correlacionado às variáveis antropométricas e à idade, com exceção do IAQ, que apresentou apenas tendência.

A prevalência para obesidade familiar era de 75% e havia elevado odds de ter um ou mais deles obeso(s). Resultados similares foram observados quanto à obesidade de adolescentes obesos em Pelotas (RS), associados positivamente aos pais com IMC>30 kg/m2 21. Outros estudos demonstraram relação positiva causa/efeito da obesidade e hiperlipidemia de crianças a obesidade dos pais22 e de crianças e adolescentes com a obesidade das mães23, comparados aos pais e mães de peso corporal normal respectivamente. Adultos de peso normal, mas com história familiar de obesidade, têm oxidação lipídica pós prandial reduzida e baixos níveis de insulina. Estes fatores podem predizer precocemente o ganho de peso e são provavelmente determinados geneticamente24.

O desenvolvimento da obesidade destas mulheres foi principalmente na fase adulta e após a gravidez (56% das voluntárias). Outra fase importante para a obesidade destas mulheres foi a adolescência. O meio ambiente influenciado pelos aspectos culturais e sociais é importante no desenvolvimento da obesidade, confundindo a relação puramente genética25. Fases da vida em que há tendência à redução da atividade física devido a outros interesses, como namorar e festas na adolescência, trabalho e família na fase adulta, medo e falta de orientação específica durante a gravidez, entre outros, devem ter contribuído para o elevado odds de se tornarem obesas nestas três fases. As reduções das atividades físicas com a evolução da vida têm demonstrado coincidir com o aumento da obesidade26.

Outro aspecto relevante observado no presente estudo foi à elevada prevalência de distúrbios emocionais, sendo o oddspara ansiedade de 150%. Distúrbios emocionais podem levar à compensação alimentar hiperfágica, redução da energia pessoal e do estímulo para fazer atividades físicas27. Indivíduos com excesso de peso e portadores destes distúrbios apresentam baixa auto-estima e uma visão negativa de seu próprio corpo28. Ainda, em outro estudo, a hiperfagia na falta de comportamentos compensatórios era significantemente associada ao aumento da obesidade, sobrepeso, sintomas de desordens alimentares, ansiedade, depressão, ataque de pânico, episódios depressivos, insônia, menarca precoce e redução da satisfação de viver4.

Foi observado que em torno de um terço destas mulheres apresentavam distúrbios relativos ao sono. Isto pode levar ao aumento do consumo de estimulantes para compensar a falta de recuperação física e mental, que é propiciada pelo sono de boa qualidade. O consumo de café era maior que o de leite, sendo que 70% delas consumiam mais de 200 ml e 50%, mais de 500 ml de café por dia. O alto consumo de cafeína, associado à falta de relaxamento, realimenta o estresse físico e mental e pode desencadear alguma compensação emocional em busca de alimentos como conforto e não por necessidade nutricional27.

Por outro lado, foram estudados o consumo e o gasto energético destas mulheres na tentativa de explicar o sobrepeso e a obesidade. Era observado que elas consumiam em torno de 300 kcal/dia a mais que o GER. É estimado que o GER contribua com até 75% do gasto energético total10, sendo, portanto, de aproximadamente 2.130 kcal/dia para estas mulheres. Isso daria um déficit calórico teórico ao redor de 230 kcal/dia, sendo esperado nesta situação que elas estivessem perdendo peso, o que não ocorria. Provavelmente havia omissão de alimentos do registro alimentar. Heitmannet al.29 reforçam que obesos tendem a sonegar no registro alimentar parte dos alimentos ingeridos. Algumas dietas do presente estudo continham apenas entre 400 e 800 kcal/dia, o que não correspondia à condição de sobrepeso e obesidade da maioria delas. Além disso, o balanço nitrogenado era positivo, o que sugere que o aporte calórico e protéico era suficiente para suportar a síntese em vez do catabolismo protéico, que seria esperado em situações de déficit calórico30.

Outro aspecto abordado foi a seleção dos macronutrientes que parece influenciar no efeito térmico dos alimentos (ETA). As proteínas podem consumir até 20% do seu total calórico para serem metabolizadas, os carboidratos, 6-8% e as gorduras, 2-3%6. Vários estudos têm apontado para o aspecto qualitativo da alimentação rica em lipídios, além do montante calórico total6,7. Além disso, o poder de saciedade dos macronutrientes do maior para o menor têm a seguinte ordem: proteínas > carboidratos > gorduras31. Desta maneira, as gorduras estão relacionadas à obesidade por elevarem o consumo passivo de calorias32, devido à alta palatabilidade e textura características33, e terem menor ETA que outros macronutrientes6,7. Nesse sentido, como a maioria delas consumiam suas refeições em lanchonetes, que são alimentos ricos em gordura1,5, era esperado que isso pudesse explicar, ao menos em parte, o sobrepeso e obesidade destas mulheres, o que não ocorreu.

Dados similares foram encontrados por Sartorelli34, observando que uma população com sobrepeso e obesidade grau I, de São José do Rio Preto, apresentava característica da alimentação ocidental. Têm sido demonstrada mudança nos hábitos alimentares do brasileiro, o que, em parte, poderia ser responsável pelo aumento da obesidade no país. Dos consumos alimentares avaliados, apenas 35% compunham a alimentação típica do brasileiro, à base de arroz, feijão, carne e uma salada, que pode ter um aspecto de proteção no desenvolvimento da obesidade35. A alimentação típica do brasileiro está associada com mais baixo risco de desenvolver sobrepeso e obesidade comparada à alimentação ocidental, ajustada por modelo logístico para dieta, idade, atividade física de lazer e ocupação35.

Todavia, a média das amostras das dietas analisadas apresentou apenas 24% das calorias vindas das gorduras, não justificando esta associação em nosso estudo. Dados brasileiros33 e norte-americanos36 demonstraram ingestão de 30% e 40% das calorias advindas das gorduras em mulheres obesas, respectivamente. Além disso, foi observado que indivíduos com sobrepeso e obesos, consumindo dieta ocidental, tinham consumo alimentar hipercalórico e hiperlipídico (>30% das calorias)34. Novamente, é possível ter havido sonegação qualitativa das informações das dietas destas voluntárias.

Entretanto, foi observado que obesos da cidade do Rio de Janeiro consumiam calorias relativas às gorduras de forma semelhante à observada no presente estudo (mulheres, 28%; homens, 27%)9. Além disso, ao contrário de outros estudos, Trichopoulou et al.37 concluíram que as proteínas mais que os outros macronutrientes estavam associadas positivamente ao IMC e conduziam à obesidade. Já Suen et al.8 não observaram diferença no ETA de obesas mórbidas seguindo dieta hipocalórica com diferentes concentrações de macronutrientes. Em outro estudo, o consumo moderado de gorduras (33%) apresentou melhor efeito sobre o perfil lipídico e proteção do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, quando comparado ao baixo consumo de gorduras (18%)38. Não se pode esperar, portanto, que a simples seleção de macronutrientes possa explicar a obesidade destas mulheres. Ainda, além do total calórico dos macronutrientes ingeridos, talvez seja necessário avaliar a sua qualidade, como, por exemplo, a proporção de gorduras poli/monosaturadas, saturadas, trans, ômegas 3, 6 e 97,11,39.

Talvez a característica em comum que mais explique a obesidade destas mulheres seja o sedentarismo. Evidências têm sido acumuladas quanto à importância da preocupação não apenas contra o acúmulo de gordura corporal per se, mas antes, devido à pouca atividade física praticada pela população40, que está associada ao aumento de morbi/mortalidade, independentemente do aumento de peso41. No presente estudo, todas as voluntárias eram sedentárias, sugerindo que este fator era determinante na obesidade delas. Vários resultados da literatura têm demonstrado que a falta de atividade física regular talvez seja mais importante no desenvolvimento da obesidade que o excesso alimentar42. Além disso, a predominância do sedentarismo em obesos favorece o início do ciclo que reduz a energia pessoal e consequentemente prejudica a recuperação e disposição, aumentando o estresse, estimulando a compensação alimentar, o ganho de peso e reduzindo ainda mais a capacidade para atividades físicas27.

Todavia, outros estudos não encontraram associação entre o nível de atividade física e obesidade21, nem mesmo quanto à ingestão calórica43. Mais uma vez, os resultados indicam que dieta e exercício físico são importantes na gênese e controle da obesidade, mas não podem servir de explicação absoluta para o crescente aumento global da doença.

Uma parcela importante delas apresentava desconforto físico devido a dores osteo-articulares. Esta condição impede ou prejudica a participação em programas de atividade física. Além do aspecto favorável sobre o metabolismo muscular e nos depósitos de lipídios, a atividade física parece exercer importante papel no controle do apetite e na auto-estima dos indivíduos. Ainda, estudos têm demonstrado que parece existir um ponto de ajuste do peso corporal e, quando este é mantido por certo período de tempo, tende a ser mantido. Isto justifica, em parte, porque a maioria dos obesos recupera o peso perdido. A atividade física é uma forma de ajustar este ponto para valores mais baixos11,13. Portanto, faz-se necessário tratar os problemas relacionados à estrutura musculoesquelética, comuns nos obesos13, para efetividade dos programas de redução da gordura corporal e melhora do estado emocional destes indivíduos.

Mudanças na ingestão de gordura e atividade física estão positiva e inversamente associadas às mudanças do IMC44, IAQ e triglicérides (Tg), respectivamente, melhorando o perfil de risco cardíaco45. Embora outros estudos relacionem o aumento do IAQ a doenças metabólicas11, somente esta variável não teve correlação significativa com a síndrome metabólica. O IMC2 e a circunferência do pescoço46 estão associados positivamente ao aumento de fatores de risco e, no presente estudo, foram associados à síndrome metabólica. As medidas de espessura de gordura do tríceps do abdômen e a idade também tiveram associação positiva com a síndrome metabólica. Portanto, algumas medidas simples podem auxiliar no diagnóstico da obesidade e riscos associados e ainda avaliar a evolução de programas de redução de gordura corporal46.

A prevalência de dislipidemias no presente estudo era de 22% e outros 22% estavam com valores limítrofes. Associado a isso, a grande maioria delas apresentava obesidade abdominal, que é um fator risco independente para as DAC2. Outros estudos mostram associação positiva da obesidade às dislipidemias e a vários fatores de risco para o desenvolvimento de DAC47, como os observados no presente estudo.

Por outro lado, os preceitos e normas traçados quanto aos ideais estéticos da sociedade moderna sugerem que o indivíduo deve se adaptar a eles ou ser excluído12. Esta condição aumenta ainda mais os desequilíbrios emocionais do obeso, fortalecendo o ciclo virtuoso da doença. Indivíduos que não atingem sucesso em sua empreitada para perda e controle do peso corporal, que é a maioria dos casos11, são vistos como indolentes e indisciplinados13, trazendo consigo uma sensação de fracasso. Como consequência, o indivíduo piora sua auto-estima, diminuindo a importância do controle de peso, tornando esta meta cada vez mais distante de sua realidade, o que pode ter sido a realidade de várias voluntárias do presente estudo. A incorporação ética de um programa de atividade física e alimentação deveriam considerar em primeiro lugar o aspecto de saúde e não simplesmente o estético. Para tanto, as regras deveriam ser flexíveis e adaptadas às necessidades da corporeidade singular, compreendendo as vivências do indivíduo relacionadas ao conhecimento e reflexões sobre seus conflitos internos e ambivalências12. No presente estudo, a alta prevalência de distúrbios emocionais caracterizava este desconforto.

Vários fatores interagiram para o desenvolvimento da obesidade destas mulheres, como a ocidentalização dos hábitos, sedentarismo e possivelmente fatores genéticos. Embora estes fatores, tratados isolados ou em conjunto, possam ser associados ao aumento do risco ou agravo de doenças crônicas não transmissíveis, nenhum é necessário, suficiente ou necessário e suficiente para explicá-las. A epidemiologia das doenças crônicas não transmissíveis é incompleta e complexa48, sendo necessária abordagem global e multidisciplinar da vida do indivíduo, reduzindo a dicotomia quantitativo-qualitativa das avaliações de saúde12. Deve-se observar a alimentação como um aspecto social e psicológico holístico, constituindo uma dimensão ampla do ser humano e não limitada ao aspecto mecânico e mensurável. Dar ao obeso uma dimensão corpo/espírito enquanto unidade é talvez mais adequado do que apenas avaliar o aspecto quantitativo e punitivo do controle calórico48.

Em resumo, a obesidade destas mulheres parece ter múltiplos fatores e consequências, considerando-se influências genéticas, fatores ambientais e comportamentais. O equilíbrio físico/emocional com abordagem orgânica e filosófica para alteração de hábitos relacionados ao estilo de vida parece ser necessário no tratamento da obesidade e comorbidades. Este complexo tema pode ser resumido pela observação de Friedman49: "Em seus esforços para perder peso, indivíduos obesos talvez estejam lutando em um poderoso jogo evolucionário estabelecido em um ambiente drasticamente diferente do atual".

Colaboradores

CA Fett e WCR Fett participaram da escrita do projeto, coleta e tratamento dos dados e do texto; JS Marchini orientou todas as etapas do trabalho e RPP Ribeiro revisou a estatística e texto final.

Artigo apresentado em 12/03/2006

Aprovado em 27/06/2007

Versão final apresentada em 09/09/2007

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Fev 2010
  • Data do Fascículo
    Jan 2010

Histórico

  • Aceito
    27 Jun 2007
  • Recebido
    12 Mar 2006
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