A experiência da Oficina Permanente de Educação Alimentar e em Saúde (OPEAS): formação de profissionais para a promoção da alimentação saudável nas escolas

The experience of the Permanent Workshop on Health and Nutrition Education - OPEAS: training of professionals for the promotion of healthy nutrition in schools

Claudia Ridel Juzwiak Paula Morcelli de Castro Sylvia Helena Souza da Silva Batista Sobre os autores

Resumos

Este artigo tem por objetivo apresentar a experiência da Oficina Permanente de Educação Alimentar e em Saúde, um espaço de articulação dos profissionais envolvidos na promoção da alimentação saudável na escola. Em 2009, foram realizadas 10 oficinas com nutricionistas, diretores/assistentes de direção, coordenadores pedagógicos, professores e graduandos de nutrição, tendo como referências Paulo Freire e Pichon-Riviére. Os dados coletados foram analisados por meio da metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo. Ao iniciar a participação na OPEAS, a relação entre os profissionais era distante e poucas atividades interdisciplinares eram desenvolvidas. Apreendeu-se como centrais na promoção da alimentação saudável: comunicação entre a equipe escolar; realização do trabalho conjunto; envolvimento de toda a comunidade escolar; inclusão da educação alimentar e nutricional no currículo e oferta de alimento como a ferramenta central de educação nutricional. Na avaliação somativa, foram apreendidas quatro ideias centrais situando a OPEAS como: aquisição de conhecimento, espaço para reflexão, oportunidade de integração e ideias para a prática. Espaços de Educação Permanente devem ser construídos com os profissionais para apoiar e fomentar as ações de promoção da alimentação saudável na escola.

Alimentação escolar; Educação continuada; Educação alimentar e nutricional


This article analyzes the experience of the Permanent Workshop on Nutrition and Health Education, which provides ongoing education on health and nutrition for school nutritionists and educators. In 2009, nutritionists, principals/management assistants, pedagogical coordinators, teachers and nutrition undergraduates attended 10 workshops, which were based on Freire and Pichon-Rivière´s framework theories. Data analysis was performed using the Discourse of the Collective Subject method. At the beginning of their participation in the OPEAS, the relationship between educators and nutritionists was distant and few interdisciplinary activities were conducted. Communication among the school team, collaborative work with involvement of the whole school community, inclusion of food and nutrition education in the curricula, and provision of food as the central pedagogical tool were considered central to the promotion of healthy nutrition. In the final evaluation four central ideas were highlighted defining OPEAS as being important for knowledge acquisition, a setting for reflection, an opportunity for integration and a platform for putting ideas into practice. Ongoing education should be implemented with school professionals aiming to foster actions to promote healthy nutrition at school.

School nutrition; Education; Ongoing education; Food and nutrition education


ARTIGO ARTICLE

A experiência da Oficina Permanente de Educação Alimentar e em Saúde (OPEAS): formação de profissionais para a promoção da alimentação saudável nas escolas

The experience of the Permanent Workshop on Health and Nutrition Education - OPEAS: training of professionals for the promotion of healthy nutrition in schools

Claudia Ridel JuzwiakI; Paula Morcelli de CastroII; Sylvia Helena Souza da Silva BatistaI

IUniversidade Federal de São Paulo – Campus Baixada Santista. Rua Silva Jardim 136, Vila Matias. 11015-020 Santos SP. claudia.juzwiak@unifesp.br

IICentro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar, UNIFESP

RESUMO

Este artigo tem por objetivo apresentar a experiência da Oficina Permanente de Educação Alimentar e em Saúde, um espaço de articulação dos profissionais envolvidos na promoção da alimentação saudável na escola. Em 2009, foram realizadas 10 oficinas com nutricionistas, diretores/assistentes de direção, coordenadores pedagógicos, professores e graduandos de nutrição, tendo como referências Paulo Freire e Pichon-Riviére. Os dados coletados foram analisados por meio da metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo. Ao iniciar a participação na OPEAS, a relação entre os profissionais era distante e poucas atividades interdisciplinares eram desenvolvidas. Apreendeu-se como centrais na promoção da alimentação saudável: comunicação entre a equipe escolar; realização do trabalho conjunto; envolvimento de toda a comunidade escolar; inclusão da educação alimentar e nutricional no currículo e oferta de alimento como a ferramenta central de educação nutricional. Na avaliação somativa, foram apreendidas quatro ideias centrais situando a OPEAS como: aquisição de conhecimento, espaço para reflexão, oportunidade de integração e ideias para a prática. Espaços de Educação Permanente devem ser construídos com os profissionais para apoiar e fomentar as ações de promoção da alimentação saudável na escola.

Palavras-chave Alimentação escolar, Educação continuada, Educação alimentar e nutricional

ABSTRACT

This article analyzes the experience of the Permanent Workshop on Nutrition and Health Education, which provides ongoing education on health and nutrition for school nutritionists and educators. In 2009, nutritionists, principals/management assistants, pedagogical coordinators, teachers and nutrition undergraduates attended 10 workshops, which were based on Freire and Pichon-Rivière´s framework theories. Data analysis was performed using the Discourse of the Collective Subject method. At the beginning of their participation in the OPEAS, the relationship between educators and nutritionists was distant and few interdisciplinary activities were conducted. Communication among the school team, collaborative work with involvement of the whole school community, inclusion of food and nutrition education in the curricula, and provision of food as the central pedagogical tool were considered central to the promotion of healthy nutrition. In the final evaluation four central ideas were highlighted defining OPEAS as being important for knowledge acquisition, a setting for reflection, an opportunity for integration and a platform for putting ideas into practice. Ongoing education should be implemented with school professionals aiming to foster actions to promote healthy nutrition at school.

Key words School nutrition, Education, Ongoing education, Food and nutrition education

Introdução

A promoção de práticas alimentares e estilo de vida saudável para crianças e adolescentes tem se tornado prioridade em políticas de saúde em todo o mundo, principalmente diante do panorama de transição epidemiológica, nutricional e demográfica1-3. No Brasil, segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar 2008/094, vem ocorrendo aumento da prevalência de excesso de peso nesta população, embora ainda sejam identificados casos de desnutrição.

O ambiente escolar é considerado excelente para o desenvolvimento de ações voltadas à promoção de saúde, pois permite não só que tais ações sejam implementadas desde a educação infantil, de forma contínua e por longo período, mas também, por permitir a inclusão da comunidade familiar e escolar neste processo3,5-9.

Na perspectiva da Educação Alimentar e Nutricional, a escola propicia o processo por meio do fornecimento da alimentação, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), cujo caráter universal permite que cerca de 46 milhões de estudantes, das creches ao ensino médio e de jovens adultos sejam atendidos10, além das oportunidades de ensino-aprendizagem nas diferentes áreas do currículo.

Em 2006, foi publicada a Portaria Interministerial nº1010, cujo principal objetivo foi o de instituir diretrizes para a promoção da alimentação saudável nas escolas de Educação Infantil, Fundamental e Ensino Médio, a fim de favorecer a adoção de hábitos saudáveis no ambiente escolar. Para este fim, foi indicada a necessidade de incorporação do tema "alimentação saudável" no projeto pedagógico da escola, perpassando todas as áreas de estudo e propiciando experiências no cotidiano11.

Esta diretriz foi reforçada com a sanção da Lei 11.947, em junho de 2009 e a publicação da Resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE no. 38, em julho do mesmo ano12,13. Segundo a Lei 11.947, a promoção da educação alimentar e nutricional, sanitária e ambiental nas escolas, deve ser fruto da ação conjunta dos profissionais da educação e do responsável técnico, o nutricionista12.

Estes marcos regulatórios constituíram em importantes indutores para a criação dos Centros Colaboradores em Alimentação e Nutrição Escolar – CECANE, em Universidades Públicas Federais, cujo objetivo é apoiar ações que resultem na promoção da alimentação saudável e da segurança alimentar e nutricional na escola13, abrangendo a formação de profissionais da saúde, da educação e outros atores envolvidos com a alimentação escolar (cozinheiras, conselheiros do Conselho de Alimentação Escolar, dentre outros). Dentre essas ações, um dos seus principais focos, é o desenvolvimento de atividades de Educação Permanente em Saúde, dirigidas à equipe envolvida na alimentação escolar.

Neste sentido, ainda que produzida em outro contexto, destaca-se a importante sinalização apresentada por Batista e Batista14:

A construção de um plano de trabalho para a área de Educação Permanente, passa, necessariamente, pela compreensão de que diversos saberes e práticas que se cruzam e se alimentam, possibilitando pensar e realizar diferentes entradas no campo da aprendizagem e da formação dos diferentes sujeitos envolvidos na complexa tarefa de concretizar a alimentação do escolar como uma estratégia de democratização e transformação das relações sociais.

O objetivo do presente artigo é apresentar a experiência em Educação Permanente na forma de oficinas (Oficina Permanente de Educação Alimentar e em Saúde - OPEAS) sobre educação nutricional para educadores, nutricionistas da alimentação escolar e graduandos de nutrição.

Métodos

Contexto, histórico e metas do projeto

Considerando a importância da formação contínua dos atores envolvidos na promoção da alimentação saudável na escola, a Oficina Permanente em Educação Alimentar e em Saúde - OPEAS (A OPEAS está inserida na Subcoordenação de Educação Permanente do CECANE/UNIFESP e, portanto, recebeu fomento do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação) iniciou suas atividades em abril de 2007, sendo registrada como projeto de extensão do Campus Baixada Santista junto à Pro Reitoria de Extensão da Universidade Federal de São Paulo.

Desde sua criação, a OPEAS teve como objetivos estabelecer-se como espaço de: 1) Articulação dos profissionais envolvidos no processo de promoção da alimentação saudável na escola; 2) Formação do graduando em Nutrição em atividade de extensão junto aos profissionais da rede de ensino e da alimentação escolar; 3) Promoção e atualização do conhecimento dos profissionais para o fortalecimento do papel da escola na formação de hábitos alimentares saudáveis; 4) Geração de subsídios para a elaboração de projetos em alimentação no ambiente escolar e 5) Desenvolvimento de metodologias para o trabalho em educação continuada e permanente na área de Educação Alimentar e Nutricional do escolar.

Em 2007/08, as atividades foram direcionadas apenas aos nutricionistas da alimentação escolar e graduandos do Curso de Nutrição da UNIFESP Baixada Santista. Nessa etapa, o grupo relatou a falta de apoio da gestão das escolas e a falta de entrosamento com os professores, o que dificultava a realização de projetos de educação alimentar e nutricional nas escolas.

Como fruto do processo avaliativo, identificou-se demanda para um trabalho mais integrado com os educadores. Assim, para 2009 outros atores envolvidos no processo de promoção da alimentação saudável (diretores, assistentes de direção, coordenadores e professores) foram convidados a participar das atividades da OPEAS.

Referencial teórico

A construção da proposta da OPEAS/2009 baseou-se na produção teórica de Pichon-Rieviére e Paulo Freire, sendo que ambos enfatizam em seus trabalhos, a prática e o ser humano como protagonista do processo de conhecimento15-17.

De Pichon-Riviére partiu-se do conceito de Grupo Operativo. Embora esta técnica tenha sido aplicada inicialmente com grupos de pacientes psicóticos, é considerada potente para abordagem de outras situações, dentre elas as de aprendizagem. Os Grupos Operativos levam seus participantes a pensar, focando em tarefas concretas e partindo do explicito, ou seja, do que é consciente, para identificar o implícito, o inconsciente, desenvolvendo a capacidade do grupo em solucionar as situações16,18. Nesta perspectiva, o Grupo Operativo permite encontrar a solução para situações rígidas, medo de mudanças e barreiras de relacionamento, levando os participantes a chegarem juntos à ação que desenvolverão, rompendo barreiras para a transformação16,18.

De Freire, adotou-se a proposta de diálogo horizontal que favorece a troca de experiências e a participação democrática, além da importância de se encontrar significado naquilo que se aprende17. Assim como as rodas de conversa/círculos de cultura propostos por Freire, esperava-se que o grupo ampliasse, por meio da troca, seu olhar sobre a promoção da alimentação saudável na escola.

Público alvo e planejamento

Para as quatro primeiras oficinas do 1º semestre de 2009 (Bloco A), foram convidados nutricionistas da alimentação escolar, diretores/assistentes de direção, coordenadores pedagógicos dos 9 municípios que compõem a Baixada Santista e graduandos do Curso de Nutrição da UNIFESP. Para o semestre subsequente (Bloco B) foram convidados nutricionistas, graduandos de nutrição e professores da rede municipal. As oficinas tiveram duração de 4 horas e aconteceram mensalmente às quintas-feiras.

Foram disponibilizadas 50 vagas. Para composição do grupo, foram convidados inicialmente os nutricionistas da alimentação escolar que apresentaram maior frequência de participação na OPEAS/2008. Das vagas oferecidas, 15 foram para alunos da graduação de nutrição, 15 para educadores e 20 para nutricionistas. Para a participação dos diretores, coordenadores pedagógicos e assistentes de direção realizou-se contato com a Secretaria da Educação e o convite divulgado no Diário Oficial de Santos19, além do envio por mala direta a cada uma das escolas de um dos municípios.

A demanda foi maior e, assim, inscreveram-se 66 pessoas, sendo 3 diretores, 13 coordenadores pedagógicos, 12 assistentes de direção, 21 nutricionistas e 17 graduandos. A frequência média foi de 31 participantes por oficina (mínimo 23, máximo 43).

Tendo como foco norteador "Como Promover a Alimentação Saudável na Escola - A Responsabilidade de Todos os Atores Envolvidos no Processo", os temas definidos para as quatro oficinas do Bloco A no 1º semestre de 2009 foram: 1º) Sensibilização sobre o papel de cada um dos atores envolvidos na promoção da alimentação saudável na escola; 2º) Autoavaliação: Como você percebe seu papel na promoção da alimentação saudável na escola? e apresentação da portaria interministerial 1010/200611; 3º) Alimentação saudável pela perspectiva da antropologia, conhecendo a experiência de um município no trabalho conjunto de nutricionistas e professores na promoção da alimentação saudável na escola; e 4º) Os dez passos para a promoção da alimentação saudável na escola de acordo com a Portaria 1010/200611 – ideias e práticas.

Para o período de dispersão entre as Oficinas, foi criado um fórum online no qual todos os participantes recebiam notícias, matérias, respondiam a enquetes, além de trocarem informações e comentarem as matérias apresentadas.

Para as seis oficinas subsequentes, realizadas no 2o semestre de 2009 (Bloco B), foram convidados professores da rede pública de ensino, além dos nutricionistas e alunos de graduação do curso de nutrição que já estavam inscritos para o Bloco A. Além do convite no Diário Oficial de Santos19 e por mala direta, os gestores e coordenadores que participaram do Bloco A indicaram professores para participar desta segunda etapa. Para cada Oficina, foi realizado contato telefônico e por correio eletrônico com os inscritos para a confirmação da data, local e participação.

Para o Bloco B, inscreveram-se 56 participantes, sendo 15 professores, 24 nutricionistas e 17 graduandos, tendo comparecido, em média, 21 participantes por oficina (mínimo 17, máximo 26). Compareceram representantes de todos os nove municípios da Baixada Santista.

Tendo como foco norteador "Como Promover a Alimentação Saudável nas Escolas - A Importância da Parceria Professor-Nutricionista para o Sucesso nas Ações", os objetivos das oficinas realizadas no 2º semestre de 2009 foram: 1) Identificar e sensibilizar os participantes, a respeito do seu papel no processo de promoção da alimentação saudável nas escolas; 2) Sensibilizar os participantes quanto à importância do trabalho em parceria (professor-nutricionista) para o sucesso das ações de promoção da alimentação saudável na escola; 3) Realizar a integração dos professores e nutricionistas para o desenvolvimento de atividades conjuntas de educação alimentar e nutricional na escola; e 4) Discutir as dificuldades encontradas para promoção de hábitos alimentares saudáveis no ambiente escolar.

Estratégias utilizadas

Com o objetivo de desenvolver o pensamento crítico e a reflexão sobre o papel de cada participante no contexto da alimentação escolar, além de estimular o trabalho em conjunto, foram selecionadas diversas estratégias para o desenvolvimento dos temas. As principais foram: a) Dinâmicas de integração e comunicação; b) Exposições dialogadas, utilizando diferentes recursos audiovisuais, para fornecer subsídios para as discussões; c) Estudo dirigido por meio de leitura de textos/artigos seguindo questões norteadoras, em pequenos grupos, para posterior compartilhamento; d) Relatos de experiências dos participantes ou de convidados para a discussão sobre as dificuldades enfrentadas no cotidiano e as possibilidades; e) Brainstorming e mapa conceitual: reflexão sobre determinada problemática com a participação de todo o grupo, exposição das principais ideias, registradas em forma de diagramas (mapas) indicando suas relações; e f) Fórum on line para a integração e troca entre os participantes durante os intervalos das oficinas.

Ao longo da OPEAS foram aplicadas avaliações diagnóstica, formativa e somativa, que permitiram o planejamento de novas atividades e redefinição de temas, metodologias e estratégias, além da avaliação de sua eficácia.

Para este estudo foram escolhidos os dados relativos a duas avaliações que permitem a reflexão sobre a contribuição da OPEAS:

1. Avaliação diagnóstica (registro escrito em grupo) na qual os participantes indicaram sua reflexão e percepção quanto ao seu papel na promoção da alimentação saudável;

2. Avaliação somativa (registro escrito individual) realizada ao final, na qual os participantes indicaram como a participação na OPEAS contribuiu para a atuação como promotores da alimentação saudável no ambiente escolar.

Adotou-se a metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo para a análise, que se constituiu na organização das falas obtidas durante as OPEAS, identificação de expressões-chave, correspondentes a ideias centrais, que geraram discursos-síntese20.

Foram respeitados todos os procedimentos éticos para o desenvolvimento desta ação, tanto em relação à Instituição de Ensino Superior e às escolas, como em relação aos participantes. Estes procedimentos abrangeram as autorizações dos participantes, bem como foram feitas as devolutivas a todos os envolvidos na OPEAS, obedecendo todas as exigências para credenciamento de projetos de extensão na UNIFESP.

Resultados

Na avaliação diagnóstica, os participantes foram separados em grupos, de acordo com suas atividades para responder a uma questão norteadora (Qual meu papel no contexto da promoção da alimentação saudável no ambiente escolar?), cujas respostas estão resumidas no Quadro 1.


Cada grupo escolheu um coordenador e um relator. Ao final, a conclusão de cada grupo foi levada em plenária para o fechamento. Os participantes apontaram como principais conclusões: 1) A comunicação foi apontada como um dos principais problemas, considerando que a atuação de cada um é feita individualmente, gerando dificuldades para a efetivação das ações de promoção da alimentação saudável; 2) O trabalho conjunto, estimulado na OPEAS, deve acontecer também no ambiente escolar e que essas ações conjuntas podem ocorrer em diferentes etapas do processo educativo; 3) Para que a promoção da alimentação saudável ocorra é essencial o envolvimento da comunidade. Porém, existem algumas dificuldades como a falta de comunicação e o desconhecimento da comunidade sobre a participação do nutricionista no ambiente escolar e a falta de participação dos pais em reuniões. Os atores na escola devem estar preparados para trabalhar a educação nutricional para diferentes públicos-alvo; e 4) A importância da inclusão da educação nutricional no currículo; e 5) A oferta de alimento como a ferramenta central de educação nutricional.

Na última oficina de cada bloco, profissionais (nutricionista n = 8, coordenadores pedagógicos n = 1, diretores/assistentes de direção n = 4, professores n = 3) e graduandos de nutrição (n = 13) avaliaram a contribuição da participação na OPEAS para sua atuação como promotores da alimentação saudável nas escolas. Para análise foram identificadas quatro ideias centrais: aquisição de conhecimento, espaço para reflexão, oportunidade de integração e ideias para a prática como indicado no Quadro 2.


Discussão

Dentre os vários desafios para o êxito da promoção da saúde nas escolas, destaca-se a integração entre os profissionais da educação e da saúde envolvidos no processo21.

A criação da OPEAS como fórum permanente de discussão de temas de educação alimentar e nutricional foi uma iniciativa inovadora. A principal missão da OPEAS foi sensibilizar o grupo para o trabalho conjunto e, a partir das avaliações realizadas, pode-se concluir que essa meta foi alcançada.

Uma das limitações das nossas ações foi a adesão irregular dos participantes. Já havia sido observada uma tendência à redução dos participantes do primeiro para o segundo semestre nos outros anos de sua realização, porém, em 2009, a baixa adesão se acentuou. Alguns fatores explicam esses números. No caso dos professores, o dia da semana, acordado, coincidia com o dia de reunião de Hora de Trabalho Pedagógico (HTP) em alguns municípios. Além disso, apesar da divulgação em Diário Oficial do município, não houve a liberação oficial desses profissionais, o que dificultou sua vinda aos encontros, sendo que o mesmo ocorreu no caso dos nutricionistas. Em contrapartida, os graduandos se mostraram extremamente interessados e houve grande procura por esse público.

A avaliação diagnóstica identificou que um dos pontos de estrangulamento das ações para promoção da alimentação saudável na escola era o relacionamento entre os atores do PNAE e que, embora todos os participantes estivessem conscientes da importância do seu papel no processo de promoção da alimentação saudável no ambiente escolar, não percebiam a importância do "outro" e assim, a relação entre educadores e nutricionistas era distante e a interdisciplinaridade não ocorria. Neste aspecto, cabe ressaltar o que diz Bovo22:

(...) a ação pedagógica da interdisciplinaridade aponta para a construção de uma escola participativa que deriva da formação do sujeito social em articular saber, conhecimento e vivência... A interdisciplinaridade perpassa todos os elementos do conhecimento pressupondo a integração entre eles.

Observou-se inicialmente uma tendência dos nutricionistas a valorizarem sua atividade na gestão do programa. Os nutricionistas, embora reconhecessem a importância da educação alimentar e nutricional para toda a comunidade escolar, relataram realizar poucas ações na área, despendendo maior tempo às questões da gestão do programa. Essa realidade também foi verificada por Honório23 que, ao entrevistar nutricionistas da alimentação escolar, encontrou a educação nutricional como uma das atividades consideradas mais importante por esses profissionais, mas pouco executada pelo pouco tempo disponível devido ao excesso de trabalho na gestão do programa. É fundamental que o papel relatado pelas nutricionistas no sentido de sensibilizar a comunidade escolar para a alimentação saudável se concretize. Costa et al.24 enfatizam a importância de o nutricionista romper o modelo tecnicista tradicional para o estabelecimento de uma relação de diálogo entre o saber popular e o técnico. Reforça-se que o desenvolvimento de atividades educativas para a promoção da saúde e da alimentação saudável deve envolver a sala de aula, o ambiente escolar, a família e a comunidade24,25.

Além da ênfase à sensibilização e envolvimento de toda a comunidade escolar, os nutricionistas ressaltaram a importância do conhecimento da atribuição dos outros atores, principalmente no que ser refere à atuação do professor, com vistas a estreitar os laços de vivência para melhoria do relacionamento, buscando objetivos comuns.

Em contrapartida, tanto diretores quanto coordenadores pedagógicos indicaram ser os intermediadores e articuladores dessas ações, tanto com a comunidade, quanto com os outros atores do PNAE envolvidos nesse processo. O grupo concluiu que a comunicação entre todos os atores envolvidos deve ser estimulada para que os papéis identificados possam ser efetivos. Os coordenadores pedagógicos e professores apresentaram fala similar quando relataram a necessidade de sensibilização de todo o corpo docente da escola para que ocorra a promoção da alimentação saudável neste ambiente e destacaram a troca de experiências como importante para o aprendizado de todos os atores.

A participação dos graduandos do curso de nutrição nos dois momentos permitiu que vivenciassem o tema Educação Alimentar e Nutricional e Alimentação Escolar pelo contato com os profissionais, o que garantiu uma formação diferenciada, saindo dos modelos tradicionais dos currículos da graduação26.

Tendo o trabalho conjunto para a promoção da alimentação saudável no ambiente escolar como tarefa prioritária do grupo operativo, pôde-se observar, assim como relatado por Gayotto et al.18 o que foi estimulado pela condução dos encontros de maneira a propiciar a troca de experiências, o diálogo horizontal. Enquanto na avaliação diagnóstica é necessário identificar os Discursos do Sujeito Coletivo guiados pelas atividades profissionais, na avaliação somativa, esse discurso toma uma voz independente da formação/atuação profissional, reforçando a ideia de que a OPEAS atingiu seu objetivo.

Na avaliação final, ressaltou-se a contribuição da OPEAS para a aprendizagem sobre a temática alimentação escolar e educação alimentar e nutricional para todos os grupos. Voos27 em estudo sobre a atuação de nutricionistas no PNAE identificou que 65,5% dos nutricionistas atuando nesta área não tinham formação especifica e destes, 95% ressaltaram a necessidade de qualificação complementar nessa área. E espera-se que esses nutricionistas passem a enxergar a alimentação escolar oferecida como além de veículo de nutrientes, mas como representação cultural e social e ferramenta pedagógica13,28.

Entre os professores, ressaltou-se que é essencial ter grande informação sobre o assunto e estudos demonstram a importância da atualização dos docentes e dos materiais didáticos por eles utilizados29-32. Boog28, por sua vez, discute que mais do que dominar o tema, o professor precisa:

[...] estar comprometido com a busca ativa: do direito ao acesso a uma alimentação saudável para si e para a coletividade, da valorização da alimentação de boa qualidade no cotidiano escolar e do conhecimento pertinente, isto é, de conhecimentos de aspectos técnicos e sociais da alimentação que possibilitem trabalhar com esse tema além do senso comum.

Marinho et al.33 reforçam a importância da capacitação permanente de gestores e coordenadores pedagógicos, além da mudança do "olhar biológico" da alimentação.

Perez-Rodrigo et al.34 sugerem a construção de grupos multidisciplinares de especialistas que facilitem o desenvolvimento de programas/projetos de promoção da saúde e alimentação saudável, e ressaltam a importância do envolvimento de todos os atores em ações de educação permanente. O discurso sobre a oportunidade de integração durante as OPEAS confirma a importância da adoção dessas estratégias.

Ao avaliar a contribuição da OPEAS como oportunidade de reflexão e o relato das ideias para prática, entende-se que o grupo encerrou sua participação no projeto preparado para, segundo Boog28, a partir da ideia do inédito-viável de Freire17, "adotar pequenas transformações no cotidiano que, somadas, podem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática".

Nutricionistas e educadores devem interagir e a eficácia de suas ações dependerá de sua capacitação técnico-científica e habilidade em modular as mensagens à realidade do grupo a fim de prover significado àquilo que é aprendido.

Considerações Finais

O processo de avaliação da OPEAS permitiu identificar que: 1) A relação entre educadores e nutricionistas se apresentava distante e, portanto, não se realizavam atividades interprofissionais/interdisciplinares no ambiente escolar; 2) A interação promovida pela OPEAS, por meio da troca de experiências e conhecimento, gerou estímulo ao trabalho em parceria; 3) A OPEAS contribuiu para a formação diferenciada de graduandos em nutrição na área de alimentação escolar e educação alimentar e nutricional; e 4) Espaços de Educação Permanente devem ser disponibilizados para os profissionais da escola a fim de fornecer apoio constante às ações de promoção da alimentação saudável no ambiente escolar.

Todos os profissionais envolvidos no processo de construir uma cultura de alimentação saudável nas escolas devem estar sensibilizados para produzir e desenvolver estratégias de formação do aluno. Nesse contexto, nutricionistas tornam-se mediadores junto à comunidade escolar; gestores constituem facilitadores das ações e professores exercem papel de modelo aos estudantes, assumindo a alimentação saudável na perspectiva transversal.

Colaboradores

CR Juzwiak participou da concepção do projeto, aplicação das oficinas, organização e análise dos dados e redação do artigo. PM Castro participou da concepção do projeto e aplicação das oficinas. SHSS Batista participou da redação do artigo.

Agradecimentos

Agradecemos a professora Cristina Pereira Gaglianone e aos nutricionistas Diogo Thimoteo da Cunha e Daniel Paduan Joaquim por todo o envolvimento e apoio que favoreceram a realização da OPEAS.

Artigo apresentado em 05/01/2013

Aprovado em 08/01/2013

Versão final apresentada em 11/01/2013

ERRATA

p. 1015

onde se lê:

Ao avaliar a contribuição da OPEAS como oportunidade de reflexão e o relato das ideias para prática, entende-se que o grupo encerrou sua participação no projeto preparado para, segundo Boog 28 , a partir da ideia do inevitável-viável de Freire 17 , "adotar pequenas transformações no cotidiano que, somadas, podem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática "

leia-se:

Ao avaliar a contribuição da OPEAS como oportunidade de reflexão e o relato das ideias para prática, entende-se que o grupo encerrou sua participação no projeto preparado para, segundo Boog 28 , a partir da ideia do inédito-viável de Freire 17 , "adotar pequenas transformações no cotidiano que, somadas, podem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática".

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    07 Maio 2013
  • Data do Fascículo
    Abr 2013

Histórico

  • Recebido
    05 Jan 2013
  • Aceito
    08 Jan 2013
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