Apesar dos altos e baixos políticos, desde a recuperação da democracia política, vários Estados latino-americanos avançaram em processos de inclusão cidadã e democratização em questões de gênero e sexualidade. Hoje enfrentamos tentativas discursivas e práticas nostálgicas, autoritárias e por vezes violentas, de regresso a uma ordem de género e geração menos democrática e plural, que encontram eco nos adolescentes e jovens. Como impactam as transformações nos modos de acumulação, acesso e permanência no mercado de trabalho, mobilidade social e experiências e vínculos socio-sexuais? Como são a sexualidade e a reprodução hoje, e para as gerações mais jovens, como mercadorias em circulação, produtoras de valor, capital, “marcas”? Como vivenciar a sexualidade, a reprodução, o erotismo, a amizade, sem a proteção dos espaços íntimos, sem conversas imediatas, sem tempo a perder? Ao longo do ensaio refletimos sobre estas questões num contexto marcado pela perda de referências vitais no mundo, que faz da incerteza radical a experiência universal do nosso tempo.
Palavras-chave:
Sexualidade; Reprodução; Adolescente; Política; Latin America