Profissionais de saúde constituem uma categoria fundamental para orientar a população sobre diversos problemas de saúde e medidas eficazes de prevenção. Apesar disso, até o momento não foram identificados estudos no Brasil que analisem conhecimentos e orientações realizadas sobre o vírus Zika por profissionais de saúde. Objetivou-se compreender as percepções, os conhecimentos e as orientações desenvolvidas por profissionais de saúde de Salvador-Bahia sobre o vírus Zika no contexto pós-epidemia. Trata-se de um estudo qualitativo, desenvolvido através de 13 entrevistas semiestruturadas. Os dados demonstraram que os profissionais de saúde tinham a percepção de não estar adequadamente preparados, mesmo no pós-epidemia, para o enfrentamento do vírus Zika. Situação evidenciada por insuficiências no conhecimento sobre aspectos importantes desta arbovirose. Ademais, as orientações no curso da epidemia responsabilizaram a população por mitigar o risco de infecção, restringindo-se à reprodução dos discursos das autoridades sanitárias, desconsiderando as vulnerabilidades socioambientais. Para além da capacitação dos profissionais e das recomendações apropriadas em saúde, é necessário que os determinantes sociais que propiciam distintos níveis de suscetibilidade ao adoecimento sejam efetivamente transformados.
Palavras-chave:
Zika vírus; Profissional da saúde; Conhecimento