As interações sociais e sexuais de adolescentes e jovens foram fortemente impactadas pela pandemia de COVID-19 e aprofundaram os obstáculos para discutir, no espaço escolar, temas relativos à prevenção e à educação para a sexualidade. Este artigo aborda o processo de socialização da sexualidade, em meio à pandemia de COVID-19, a partir dos resultados de duas pesquisas articuladas com jovens de 16-19 anos, estudantes de ensino médio e moradores de regiões periféricas em São Paulo. Utilizamos métodos mistos para a produção de dados: a) observação das interações entre jovens e colaboração nos espaços escolares; b) questionário, respondido antes da pandemia (2019) e após reabertura das escolas (2022); c) 40 entrevistas individuais em profundidade (2022). O contexto escolar é cenário de experimentações e aprendizados de gênero e sexualidade, capaz de acolher tanto a reiteração da cisheteronormatividade, mas também a expressão da não binaridade sexual e de gênero. A pandemia acirrou um processo de domesticação da sexualidade, servindo tanto como estratégia de prevenção como de adaptação ao contexto pandêmico. Assédio e consentimento nas relações afetivo-sexuais são temas de forte interesse dos/as jovens e precisam ser incorporados em programas de intervenção e de prevenção voltado ao público juvenil.
Palavras-chave:
COVID-19; Escolas; Jovens; Sexualidade
Thumbnail
Fonte: Arquivo pessoal dos pesquisadores.