Resumo:
Investigou-se a magnitude dos acidentes de trabalho e os fatores associados entre entregadores de mercadorias atuando no território nacional por meio de websurvey, cujo link para o questionário foi divulgado por mídias sociais e presencialmente. Estimaram-se as prevalências de acidentes de trabalho e a regressão de Cox para estudos de corte transversal forneceu razões de prevalência brutas e ajustadas para investigação da associação entre características sociodemográficas, ocupacionais e acidentes de trabalho. Participaram da websurvey 563 entregadores. Constatou-se relevante prevalência de acidentes de trabalho no último ano, correspondente a 44,1%, que chegou a 54,6% naqueles com até 28 anos de idade, 50% entre quem trabalha a jornada máxima de sete dias por semana e 49,1% entre quem trabalha mais de dez horas por dia. Aqueles que viveram situação de conflito com clientes das empresas-plataforma de entrega tiveram prevalência de acidentes de trabalho de 51,3%. Tal elevada magnitude, não encontrada em estudos com outras categorias profissionais, evidencia a acidentalidade imposta pelo trabalho precário contemporâneo em empresas-plataforma de entrega, executado nas ruas, haja vista que 82,8% dessas ocorrências foram acidentes de trânsito. Dentre outros fatores do trabalho, conflitos com clientes das empresas, escassez de apoio das empresas-plataforma de entrega e ritmo acelerado se associaram aos acidentes de trabalho de forma relevante. A alta magnitude, a associação com as características do trabalho e a natureza dos eventos no espaço das ruas são resultados deste estudo que exigem a intersetorialidade para sua prevenção, com abordagem do trabalho precário em empresas-plataforma de entrega, para promoção do trabalho decente.
Palavras-chave:
Acidentes de Trabalho; Riscos Ocupacionais; Ambiente Externo de Trabalho; Saúde do Trabalhador; Motociclistas
Abstract:
This study investigated the magnitude of occupational accidents and associated factors among delivery workers working in Brazil via a web survey. The link to the questionnaire was disseminated via social media and in person. The prevalence of occupational accidents was estimated and Cox regression for cross-sectional studies provided crude and adjusted prevalence ratios to investigate the association between sociodemographic and occupational characteristics and occupational accidents. A total of 563 delivery workers took part in the web survey. A significant prevalence of occupational accidents in the last year was found, corresponding to 44.1%, which rose to 54.6% among those aged up to 28, 50% among those who work seven days per week and 49.1% among those who work more than 10 hours per day. Those who had experienced conflict with clients of delivery companies had a 51.3% prevalence of occupational accidents. This high magnitude, not found in studies of other professions, highlights the accident rate imposed by contemporary precarious work in delivery platform companies, carried out on the streets, given that 82.8% of these incidents were traffic accidents. Among other work factors, conflicts with company clients, lack of support from delivery platform companies and a fast pace were significantly associated with occupational accidents. The high magnitude, the association with the characteristics of the job, and the nature of the events on the streets are outcomes that call for intersectoral action to prevent them, addressing precarious work in delivery platform companies in order to promote decent work.
Keywords:
Occupational Accidents; Occupational Risks; Workplace Environment; Occupational Health; Motorcyclists
Resumen:
La magnitud de los accidentes laborales y los factores asociados entre los repartidores que trabajan en el territorio nacional se investigaron a partir de una encuesta en la cual se difundió el cuestionario mediante las redes sociales y presencialmente. Se estimaron las prevalencias de accidentes laborales; y la regresión de Cox en estudios transversales proporcionó razones de prevalencia brutas y ajustadas para investigar la asociación entre las características sociodemográficas, ocupacionales y de accidentes laborales. En la encuesta participaron 563 repartidores. Se encontró una prevalencia relevante de accidentes laborales en el último año aproximada del 44,1%, que llegó al 54,6% en las personas con menos de 28 años, el 50% entre las que trabajan como máximo siete días/semana y el 49,1% entre las que trabajan más de 10 horas/día. Aquellas personas que vivían en una situación de conflicto con los clientes de las empresas-plataformas de entregas tuvieron una prevalencia de accidentes laborales del 51,3%. Esta alta magnitud no se encuentra en estudios con otras categorías profesionales y muestra las precarias condiciones de accidentes laborales a que, actualmente, están expuestos los trabajadores de empresas-plataformas de reparto, realizado en las calles, dado que el 82,8% de estos incidentes fueron accidentes de tránsito. Entre otros factores de trabajo, los conflictos con los clientes de la empresa, la falta de apoyo de las empresas de plataformas de entrega y el ritmo rápido se asociaron con los accidentes laborales de manera relevante. La alta magnitud, la asociación con las características del trabajo y la naturaleza de los eventos en el espacio callejero son resultados de este estudio y requieren una acción intersectorial para su prevención desde un enfoque en el trabajo precario en empresas de reparto con el fin de promover el trabajo digno.
Palabras-clave:
Accidentes de Trabajo; Riesgos Laborales; Ambiente de Trabajo; Salud de los Trabajadores; Motociclistas
Introdução
Os entregadores de mercadorias em empresas-plataforma de entrega compõem uma categoria vulnerabilizada tendo em vista a organização do trabalho na Economia de Plataforma, desenvolvido no espaço das ruas e com veículos de duas rodas, motorizados ou não 1,2. Há evidências de que o trabalho precário favorece a ocorrência de acidentes de trabalho 3,4. Ademais, os novos arranjos organizacionais no trabalho, ainda que reproduzindo antigas formas de subordinação dos trabalhadores, implicam padrões de exposição ocupacional que devem ser investigados quanto à sua associação com acidentes de trabalho 1,3,4,5.
Os acidentes de trabalho são um problema de saúde pública de elevada morbimortalidade e sua frequente subnotificação tende a se agravar entre trabalhadores informais 6. Estudos sobre acidentes de trabalho com entregadores ainda são uma lacuna, a despeito do rápido crescimento da categoria, sobretudo em empresas-plataforma de entrega. De 2016 a 2021, estima-se um crescimento de 1.072% especificamente no número de motociclistas entregadores de mercadorias no país 7. Considerando os trabalhadores de entrega por conta própria, Lapa 8 estimou 678.527 trabalhadores de entrega no primeiro ano da pandemia e estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 9 estimou 589 mil trabalhadores em plataformas digitais de entrega em 2022.
Ainda que já fossem constatadas condições precárias da informalidade do trabalho de motoboys anteriores à expansão das empresas-plataforma de entrega, observa-se na contemporaneidade sua rápida ampliação 1. Algumas características do trabalho de entregadores indicam a ampliação dos acidentes de trabalho nessa categoria, pois esse trabalho desregulamentado não assegura as condições mínimas de proteção no curso da jornada 1. Trabalhadores com menor experiência e oportunidade de capacitação, em sua maioria, com renda insuficiente e instável, realizando um trabalho sob demanda com pagamento por entrega de baixa remuneração, encontram um cenário de desproteção social ampliada, com renda insuficiente e instável, que inclui fragilização dos mecanismos regulatórios relacionados à saúde e à segurança no trabalho 5,10.
Condições injustas no trabalho em empresas-plataforma, incluindo as empresas-plataforma de entrega, foram evidenciadas a partir da análise da remuneração, da representação, das formas de contratação, da gestão e das condições de trabalho no Brasil 11. Além disso, têm sido constatados desafios para compatibilizar o trabalho decente com o a organização do trabalho nas empresas-plataforma de entrega 12.
A investigação da magnitude dos acidentes de trabalho com entregadores é uma agenda necessária, haja vista a lacuna desse conhecimento sobre a categoria que impõe, até o momento, lidar com as evidências do problema principalmente por meio de estudos que abordam acidentes de trânsito com motociclistas em geral, sem identificar se estão ou não em situação de trabalho. Conhecer os fatores associados aos acidentes de trabalho e suas repercussões entre entregadores deve possibilitar desenvolver estratégias de vigilância em saúde do trabalhador e subsidiar intervenções com foco na prevenção. Essas ações estão alinhadas com a agenda global para o desenvolvimento sustentável, que tem o trabalho decente como um dos seus objetivos 12.
O presente estudo se propõe a investigar a magnitude dos acidentes de trabalho e os fatores associados a esses eventos entre entregadores de mercadorias.
Métodos
Procedimentos e população do estudo
Realizou-se uma websurvey, o EpisSAT Entregadores, conforme procedimentos preconizados para esse tipo de inquérito 13,14. A coleta de dados teve início em fevereiro de 2022, com duração de quatro meses.
A população do estudo foi composta por trabalhadores que realizam entrega de mercadorias, sem restrição a um tipo de relação de trabalho, no território nacional. Em vista da indisponibilidade de dados com alguma precisão relativos à população ocupada como entregadores de mercadoria no Brasil, bem como a inexistência de registro comum dessa população acessível aos pesquisadores, este estudo considerou atingir ao menos uma amostra de natureza não probabilística, adotando estratégias que viabilizassem o acesso a uma população de difícil alcance 15, o que também tornaria pouco factível um censo da categoria. Tais estratégias são inovações metodológicas diante da precarização do trabalho de entregadores, que também desestimula a resposta a questionários 15.
A participação dos entregadores foi voluntária, sem incentivos materiais ou financeiros. Buscou-se o diálogo com lideranças de entregadores desde a etapa de planejamento do inquérito em todas as regiões do Brasil. Esse procedimento possibilitou, dentre outros fatores, adequar a linguagem e o formato do questionário com a colaboração de algumas dessas lideranças, a fim de minimizar potenciais vieses de informação.
O link para acesso ao questionário foi divulgado em mídias sociais - WhatsApp, Telegram, Instagram e Facebook. Houve divulgação presencial da websurvey com envio do link do questionário ao WhatsApp fornecido presencialmente pelos entregadores em locais de concentração nas ruas, principalmente em Salvador, Bahia, Brasil. A condução de etapas híbridas de divulgação, online e presencial, foi uma ação relevante de reforço à adesão, a fim de repercutir na resposta da categoria em geral.
Do questionário online no presente estudo, foram investigadas as características sociodemográficas, ocupacionais e sobre acidentes de trabalho.
O desfecho: acidente de trabalho
Compreendido em sua concepção ampliada 6, o acidente de trabalho foi definido no instrumento de pesquisa como qualquer situação durante o trabalho como entregador (incluindo o deslocamento para o trabalho e o retorno para casa) que tenha gerado alguma lesão, machucado, trauma ou problema de saúde.
Os participantes responderam à questão: Quantos acidentes de trabalho você sofreu nos últimos 12 meses, ou seja, de um ano para cá? Ao assinalarem “nenhum”, eram direcionados para a seção subsequente do questionário. Foram considerados caso de acidentes de trabalho no último ano os participantes que assinalaram qualquer uma das demais alternativas, variando de um a cinco ou mais acidentes de trabalho. Os acidentes de trabalho foram caracterizados quanto à magnitude, à circunstância (acidente de trânsito, violência interpessoal ou outras formas de trauma), ao afastamento e sua duração, à utilização de serviço de saúde e sua natureza e quanto ao apoio recebido após a ocorrência. Os participantes foram orientados a considerar o acidentes de trabalho mais grave caso tivessem sofrido mais de um no último ano.
Covariáveis
Investigaram-se variáveis sociodemográficas (idade, sexo, raça/cor, escolaridade, Unidade da Federação e renda) e ocupacionais, como tempo de trabalho, se o trabalho como entregador é a principal atividade, se é a única atividade remunerada, quantidade de dias trabalhados na última semana, jornada diária média de trabalho na última semana, quantidade de empresas nas quais trabalha como entregador, vínculo como entregador, veículo utilizado, contribuição para a Previdência Social, utilização do capacete, ultrapassagem de sinal vermelho no trânsito e demandas psicossociais (apoio da empresa e apoio dos colegas para resolução de problemas no trabalho, ritmo acelerado, conflitos com fornecedores das mercadorias e conflitos com clientes das empresas).
Abordagem estatística dos dados
Após obtenção dos dados, procedeu-se ao controle de duplicidade de respostas mediante comparação do número Internet Protocol (IP) do dispositivo do respondente.
Na etapa descritiva, verificou-se a completude dos dados, constatando-se perdas mínimas em algumas variáveis e maior proporção de perdas para as variáveis “modalidade de inserção no trabalho de entrega” (em empresa-plataforma, freelancer/particular, em cooperativa, com carteira assinada) e “idade”, que foi submetida à imputação múltipla. Nas tabelas com os resultados descritivos, registrou-se o quantitativo (n) de cada variável, a fim de elucidar a perda que tenha havido. Foram obtidas as médias e medidas de dispersão e as medianas das variáveis quantitativas, bem como as frequências absolutas e relativas de acidentes de trabalho, de acordo com variáveis sociodemográficas e ocupacionais.
Em seguida, estimou-se a prevalência de acidentes de trabalho no último ano. O acidente de trabalho é um evento não-insidioso, frequentemente estimado em estudos de corte transversal através da medida de incidência 16. No entanto, tendo em vista a extensão do recorte temporal utilizado (o período de um ano), no qual é possível acumular casos novos e antigos para o mesmo entregador, procedeu-se à estimativa da frequência do agravo considerando-a prevalência.
Na etapa analítica, imputação múltipla com equações encadeadas foi conduzida devido à perda de 16,95% (n = 93) de respostas para a variável “idade” 17. Considerou-se que a perda de respostas não ocorreu em função dos dados não observados, sendo aceita a suposição de aleatoriedade dos dados omissos, que permite o uso da imputação. Foi empregado o método automático, com regressão linear simples com dez iterações, definindo-se os mesmos limites encontrados para a variável no banco original. Não houve diferenças substanciais nas magnitudes das associações nos modelos após a imputação múltipla.
As variáveis foram categorizadas como se segue: idade em três estratos delimitados de acordo com os tercis; raça/cor da pele, inicialmente como brancos, pretos, pardos, indígenas e amarelos e, para etapa analítica, recategorizada em pretos e não pretos, tendo em vista a prevalência de acidentes de trabalho nos estratos; escolaridade como Ensino Médio completo ou mais e até Ensino Médio completo; tempo de trabalho como entregador, que foi investigada em três categorias na etapa descritiva, até 3 anos, de 4 a 7 anos e acima de 7 anos, e recategorizada, na etapa analítica, em até 7 anos e acima de 7 anos; jornada semanal, categorizada na etapa descritiva em até 5 dias, 6 dias e 7 dias e, na etapa analítica, recategorizada em até 6 dias e 7 dias de trabalho na última semana; e jornada diária em até 8 horas, acima de 8 até 10 horas e acima de 10 horas. As características psicossociais do trabalho, sobre o uso de capacete e ultrapassagem do sinal vermelho no trânsito foram mensuradas como frequentemente, raramente e nunca. Após verificação da distribuição dos estratos originais, foram dicotomizadas como frequentemente e raramente/nunca as variáveis apoio da empresa, apoio dos colegas e ritmo acelerado no trabalho. As demais variáveis foram estratificadas como sim (frequentemente/raramente) e não (nunca).
Regressão de Cox para estudos transversais forneceu razões de prevalência brutas e ajustadas (RP). Em desfechos binários de elevada prevalência, a razão de chance fornecida pela regressão logística tende a ser superestimada. Nesse contexto, a regressão de Cox para estudos de corte transversal é de fácil execução e provê estimativas válidas da RP conforme apontado na literatura 18,19.
A investigação dos fatores associados aos acidentes de trabalho foi conduzida na análise múltipla a partir de seis modelos conforme repercussões e quantidade de ocorrências no último ano, com o fim também de identificar fatores associados à gravidade do acidente de trabalho, o que pode sugerir novas linhas de investigação e de intervenção sobre esse problema emergente. Nesses modelos, compararam-se indivíduos: acidentados uma vez no último ano com não acidentados, acidentados duas ou mais vezes no mesmo período com não acidentados, acidentados que não se afastaram do trabalho com aqueles não acidentados, bem como os acidentados que se afastaram do trabalho com aqueles não acidentados. Por fim, compararam-se acidentados que referiram ter utilizado serviços de saúde em decorrência do acidente de trabalho com aqueles não acidentados.
As variáveis independentes foram inseridas nos modelos conforme critérios de plausibilidade biológica e epidemiológico, com base na literatura ocupacional, em três blocos: sociodemográficas, ocupacionais e psicossociais.
Adotaram-se procedimentos compatíveis com a natureza não probabilística da população de estudo. Assim, a interpretação dos resultados considerou primordialmente as medidas de frequência e de associação obtidas, embora estejam disponíveis nas tabelas os intervalos de 95% de confiança (IC95%), não interpretados como indicador dicotômico de significância estatística. Ademais, dada a amostra de conveniência, os resultados da análise múltipla devem ser analisados com a cautela exigida nesses casos, em que não é possível excluir a possibilidade de algum enviesamento dos resultados 20,21,22,23.
A análise dos dados foi realizada no software estatístico IBM SPSS, versão 21.0 (https://www.ibm.com/).
Aspectos éticos
O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (protocolo nº 5.258.142), tendo seguido Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde para pesquisa envolvendo seres humanos.
Resultados
Participaram do estudo 563 entregadores, que eram predominantemente homens (96,3%), jovens, tendo metade deles menos de 33 anos e quase 80% menos de 40 anos.
Aproximadamente 70% dos entregadores eram pardos (47,3%) ou pretos (23%), e tinham o Ensino Médio completo. Houve participantes de todas as regiões do Brasil, abarcando 21 estados e o Distrito Federal, com predomínio das regiões Nordeste (46,2%) e Sudeste (36,5%) (Tabela 1).
Prevalência de acidente de trabalho de acordo com características sociodemográficas entre entregadores. EpisSAT Entregadores, Brasil, 2022 (N = 563).
Quase todos os entregadores referem utilizar o capacete (88%) durante o trabalho, entretanto, 67,6% admitem ultrapassagem do sinal vermelho no trânsito. Na jornada diária, mais de 83% dos trabalhadores não contam com o apoio da empresas-plataforma de entrega para resolução dos problemas enfrentados no trabalho. Ademais, 72% relataram conflitos com os clientes das empresas e 70,5% vivenciam conflitos com os fornecedores das mercadorias (Tabela 2).
Os entregadores mais jovens, os que trabalham sete dias por semana, os que realizam ultrapassagem do sinal vermelho e aqueles que relatam conflitos com clientes apresentaram as maiores prevalências de pelo menos um acidente de trabalho, igual ou superiores a 50%, ampliada conforme o aumento da jornada de trabalho diária (Tabelas 1 e 2).
Os entregadores realizam entregas como atividade remunerada principal (90%) ou como única atividade remunerada (78%), inseridos principalmente em empresas-plataforma de entrega (87,1%). Cerca de 70% dos entregadores trabalha seis ou sete dias por semana com jornada diária de dez horas ou mais para 50% dos participantes (Tabela 2). Entre esses, 37,2% trabalharam 12 horas ou mais na última semana (dados não apresentados em tabela). Proporção relevante dos trabalhadores ingressou na categoria há até três anos (53,8%), o que corresponde, principalmente, ao período pandêmico. Quase todos realizam entregas com motocicleta (88,4%). Cerca de metade não contribui para a Previdência Social.
Verificou-se prevalência de 44,1% de pelo menos um acidente de trabalho no último ano com entregadores. Os acidentes de trânsito representaram 82,8% desses acidentes de trabalho. As regiões corporais mais afetadas foram pernas (27,7%), braços (21,1%), mãos e dedos (19,4%) e pés (16,5%). O afastamento do trabalho devido ao acidente de trabalho foi referido por mais da metade dos entregadores acidentados (56,1%), e entre aqueles que se afastaram por 15 dias ou mais (22,2%), apenas 20% receberam benefício previdenciário. Independente do tempo de afastamento, a ajuda de familiares para custeio das despesas foi a mais relatada (38,3%). Os serviços de saúde utilizados em razão do acidente de trabalho foram quase sempre públicos (84,8%), de urgência e emergência (92,6%) (dados não apresentados em tabelas).
Dos resultados da análise múltipla, destacam-se alguns achados pela pronunciada magnitude de associação.
A experiência de conflitos com clientes das empresas-plataforma de entrega se associou a quase o dobro da ocorrência de acidentes de trabalho sem afastamento quando comparado com aqueles que negaram esses conflitos (RP = 1,96). Ter o trabalho de entregas como atividade remunerada principal e não contar com o apoio da empresa para resolução de problemas decorrentes do trabalho aumentou em 60% e em quase 50%, respectivamente, a ocorrência de acidente de trabalho sem afastamento. Outra associação com esse desfecho foi raça/cor da pele preta (RP = 1,42) (Tabela 3).
Ultrapassar o sinal vermelho no trânsito representou aumento de quase 80% na prevalência de acidentes de trabalho com afastamento, ao qual também se associou a variável idade, com entregadores com até 28 anos de idade apresentando prevalência 60% maior do que os de maior idade (Tabela 3).
Realizar entregas como atividade principal e há até sete anos representou aumento em quase 80% e 50%, respectivamente, nos acidentes de trabalho que não levaram ao uso de serviços de saúde. Ultrapassar o sinal vermelho também se associou à ocorrência do acidente de trabalho que requereu a busca por serviço de saúde (RP = 1,75) ou não (RP = 1,41). Novamente, os entregadores mais jovens se vitimaram mais por acidente de trabalho e em eventos de suposta maior gravidade por determinarem a busca de atendimento (RP = 1,65). Enquanto a experiência de conflitos com clientes das empresas se associou aos acidentes de trabalho que resultaram ou não no uso de serviço de saúde (RP = 1,46 e RP = 1,66, respectivamente), a ausência de apoio da empresa se associou, principalmente, ao acidente de trabalho que levou à busca por atendimento (RP = 1,45) (Tabela 4).
A ultrapassagem do sinal vermelho no trânsito e realizar entregas como atividade principal aumentaram a prevalência de um acidente de trabalho no último ano em, aproximadamente, 60%, mas também se associaram à ocorrência de dois ou mais acidentes de trabalho no último ano (RP = 1,53 e RP = 1,41 respectivamente). Sofrer dois ou mais acidentes de trabalho no último ano também ocorreu mais entre aqueles que trabalham sem contar com apoio da empresa (RP = 1,66), com ritmo acelerado (RP = 1,56), e que são mais jovens (RP = 1,44). Novamente, a experiência de conflito com clientes das empresas se associa à ocorrência de múltiplos acidentes de trabalho no período, quase dobrando a prevalência ao se comparar com entregadores que não viveram essa situação estressora (RP = 1,90) (Tabela 5).
Assim, foram evidenciadas como variáveis que de forma mais consistente se associaram à ocorrência de acidentes de trabalho, a experiência de conflito com clientes das empresas, o trabalho de entregas como atividade remunerada principal e a ultrapassagem de sinal vermelho no trânsito. Ademais, ser mais jovem, de raça/cor da pele preta, trabalhar como entregador há até sete anos, trabalhar em ritmo acelerado e não receber apoio da empresa para solução de problemas decorrentes do trabalho se associaram ao acidente de trabalho, seja com o evento de menor ou de suposta maior gravidade.
Discussão
O estudo evidenciou elevada prevalência de acidentes de trabalho, chegando a 54,6% entre aqueles com até 28 anos de idade, 50% entre quem trabalha sete dias por semana e 49,1% entre quem trabalha mais de dez horas por dia. Aqueles que vivenciaram conflito com clientes das empresas-plataforma de entrega tiveram prevalência de acidentes de trabalho de 51,3%. Essa elevada magnitude, não identificada em estudos com outras categorias profissionais, evidencia a alta acidentalidade imposta pelo trabalho precário em empresas-plataforma de entrega às quais se vinculam 87,1% dos entregadores deste estudo, e executado nas ruas, haja vista que 82,8% dessas ocorrências foram acidentes de trânsito com recorrência relevante.
Contrariando o discurso das empresas de que a inserção dos entregadores se daria com flexibilidade de horários e de forma complementar a outras ocupações principais, verificou-se que essa se constitui na única ou principal fonte de renda de uma grande e crescente força de trabalho no país 24,25. A magnitude desse grupo engajado no trabalho de empresas-plataforma de entrega de mercadorias já é uma realidade a exigir a regulamentação das condições de trabalho da categoria 7,9.
Essa população que labora no espaço das ruas vem se constituindo em um grupo especialmente vulnerabilizado como vítima de acidentes de trânsito. Os dados oficiais, em que pese a sua fragilidade quanto à caracterização da variável ocupação, evidenciam a alta proporção de acidentes de trânsito acometendo motociclistas, o que chega à proporção de 30% para mortalidade, com tendência crescente, particularmente, em países de média e baixa renda 2.
Estudar a ocorrência de acidentes de trabalho exige conhecer a jornada de trabalho à qual a população sob estudo está subordinada. Os nossos achados revelam a intensa exposição ocupacional sob condições adversas do trabalho precário nas ruas, resultando em repercussões relevantes na saúde e na segurança dos entregadores 4,26.
A jornada diária constatada no presente estudo é muito alta, superior às encontradas na literatura com outras categorias. E mesmo em estudo realizado no início da pandemia de COVID-19 com entregadores, evidencia-se uma jornada menos extensa àquela altura 10. Desde então, para além da discussão da jornada extenuante dessa categoria, sua tendência crescente tem sido considerada consequência do aumento da concorrência diante da ampliação do contingente de entregadores, em face das crises econômica e sanitária, mas também do rebaixamento da remuneração promovido pelas empresas-plataforma de entrega, ao monopolizarem o setor de entregas e intensificarem a dependência do entregador a esse tipo de serviço 5,10.
O trabalho no trânsito, conduzindo veículos de duas rodas, é repleto de estressores gerados em disputa das vias públicas com veículos de quatro rodas, sob ameaça constante de um acidente, haja vista a inexistência de vias segregadas para motociclistas ou de um sistema seguro que acomode, sem riscos, os deslocamentos 2. A esses estressores se somam aqueles encontrados em serviços de atendimento ao público, quando o entregador está exposto às manifestações de todo o tipo de insatisfação de um amplo e diversificado contingente de clientes das empresas 27. Nesse contexto desfavorável do trabalho nas ruas e no trânsito, destaca-se ainda a escassez de apoio da empresas-plataforma de entrega para solução dos problemas enfrentados no trabalho, ao lidarem com adversidades relativas à plataforma digital e, principalmente, na relação com clientes.
A prevalência de acidentes de trabalho encontrada no presente estudo foi mais de dez vezes aquela da população geral ocupada no Brasil 28 e superior à verificada em ambientes fechados, a exemplo de trabalhadores de saúde, cuja frequência de acidentes de trabalho com material biológico no último ano correspondeu a 3,4% 16. Entre mototaxistas, a frequência de acidentes de trabalho variou de 10,5% 29 a 26,8% 30. Estudo conduzido com entregadores motociclistas por Silva et al. 31, anteriormente à expansão das empresas-plataforma de entrega no Brasil, verificou frequência de pelo menos um acidente de trabalho no trânsito, particularmente, de 37,1%. A magnitude desses achados, que já é elevada, ainda é menor que a do presente estudo, mas reforça a condição insegura de trabalho no trânsito sob motocicletas, principalmente.
Quanto à gravidade do acidente de trabalho, mais da metade dos entregadores acidentados se afastou do trabalho. Entre aqueles com 15 dias ou mais de afastamento, 80% não tiveram o direito a um período remunerado pela Previdência Social para recuperação da incapacidade gerada pelo acidente de trabalho, em situação de desproteção social, na qual a sobrevivência se torna um desafio para esses trabalhadores. Ademais, a busca por serviços de saúde majoritariamente públicos, de urgência e emergência, dada a natureza aguda do evento, indica a ampliação da demanda e dos custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) frente às condições do trabalho plataformizado e seu impacto na saúde.
A diversidade na abordagem da gravidade dos acidentes de trabalho na literatura limita as possibilidades de comparação 31,32. É provável que a gravidade dos acidentes de trabalho, estimada no presente estudo por meio da referência ao afastamento do trabalho e ou à utilização de serviço de saúde, esteja subestimada, considerando a desproteção social e a provável menor acessibilidade aos serviços de saúde entre trabalhadores plataformizados 33. A ausência ou dificuldade de acesso ao seguro indenizatório proveniente das empresas-plataforma de entrega, e o acesso escasso à Previdência Social, podem fazer com que entregadores evitem o afastamento ou o façam por um período menor do que o recomendado para recuperação da saúde, em virtude da necessidade de auferir renda para sobreviver 5,31,32. A busca por serviços de saúde também pode ser desestimulada frente ao imperativo de seguir trabalhando 5,33. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde34 permitiram estimar que o acesso precário aos serviços de saúde é maior entre homens, pessoas com idade de 18 a 24 anos, negras, e de baixa posição socioeconômica, perfil semelhante ao dos entregadores deste estudo.
A ultrapassagem do sinal vermelho no trânsito é referida em outros estudos com entregadores, em acordo com nossos achados, relacionando-se com a pressão de tempo imposta pelas empresas-plataforma de entrega e que se torna mais efetiva por meio das tecnologias das plataformas digitais, com remuneração por entrega finalizada e um sistema de avaliação que condiciona o recebimento de novos pedidos de entrega, entre outros fatores, à agilidade do serviço prestado 5,26,32,33. No entanto, a adesão ao uso do capacete, um equipamento de proteção individual, por 88% dos entregadores no presente estudo evidencia que as condições objetivas de trabalho é que podem favorecer ou dificultar a adoção de medidas de segurança pelos trabalhadores, ou seja, nas condições reais estão os determinantes de um sistema de trabalho mais ou menos seguro 32,35.
Sob pressão de tempo, ultrapassar o sinal pode ser a única alternativa, enquanto o uso do capacete, que muitas vezes é mantido em posição na cabeça, mesmo ao sair da motocicleta para receber ou entregar a mercadoria, encontra factibilidade mesmo no trabalho intensificado.
Ser mais jovem foi associado aos acidentes de trabalho com afastamento, com uso de serviço de saúde e recorrentes no período de um ano. A associação entre trabalhadores mais jovens e acidentes de trabalho está em acordo com estudos prévios com entregadores 31,32,33. Esses achados não parecem estar vinculados à juventude em si, mas a menores oportunidades de capacitação em trabalho precário 33,35,36.
Nesse sentido, a maior susceptibilidade para intensificar o trabalho, adotar mais altas velocidades, ter menor atenção às regras de trânsito em razão da ausência de capacitação para atividade profissional com motocicleta e o menor tempo de experiência no trabalho são algumas explicações para o maior acometimento nesse segmento etário 3,33,35. Na Grécia, entregadores com 18 a 24 anos apresentaram mais que o dobro do risco (120% a mais) de ultrapassar o sinal vermelho 32. Em outro inquérito, com 1.310 entregadores com benefícios securitários concedidos após acidente motociclístico na Coreia, verificou-se que ainda que trabalhadores com menos de 20 anos apresentassem prevalência relevante de acidentes de trabalho, esta foi mais baixa que aquela entre trabalhadores com mais de 30 anos, o que sugere a subnotificação dos eventos entre os entregadores mais jovens, com menos acesso aos benefícios securitários e, portanto, sub-representados na população estudada 36.
No presente estudo, não houve diferença na frequência de acidentes de trabalho entre brancos e pardos, motivo pelo qual foram analisados, de forma combinada, como não pretos, assim como os amarelos e os indígenas, ainda que se reconheçam as desvantagens entre pretos e pardos no mundo do trabalho. Os entregadores de raça/cor da pele preta foram mais vitimados pelo acidente de trabalho que cursou sem afastamento.
Realizar entregas como atividade remunerada principal se associou, principalmente, ao acidente de trabalho de suposta menor gravidade e que não foi recorrente no período de um ano. A dependência dessa fonte de renda pode potencializar a intensificação do trabalho, culminando em extensas jornadas de trabalho que tem sido associada aos acidentes de trabalho 5. A potencialização dos efeitos dos estressores do trabalho em jornadas extenuantes e a fadiga decorrente da manutenção de posturas anômalas favorecem condições inseguras ao pilotar 26,33,37,38.
Realizar entregas há até sete anos se associou ao acidente de trabalho sem uso de serviço de saúde. Esse período coincide com a expansão das empresas-plataforma de entrega, sugerindo que não apenas o menor tempo de experiência, mas também a inserção na categoria nesse contexto de precarização ampliada pode ter comprometido a segurança no trabalho sob veículo de duas rodas 5,7,36,37.
Os estressores psicossociais no trabalho foram associados aos acidentes de trabalho, incluindo suas repercussões de maior gravidade. Quando presente, o apoio social possibilita, em alguma medida, proteger o trabalhador dos efeitos da elevada carga psicológica em condição de baixa autonomia para gestão do próprio trabalho, como ocorre na atividade de entregadores 39. Entre trabalhadores da saúde, a experiência de baixo apoio contribuiu para o aumento em 24% da ocorrência de acidentes de trabalho com material biológico, comparada com o alto apoio social 16. Associou-se, ainda, com a maior ocorrência de acidentes de trabalho no trânsito em dois de três grupos de motoristas profissionais - de ônibus urbano e interurbano 40.
O ritmo acelerado de trabalho, que se associou à recorrência do acidente de trabalho, é consequência da exigência de tempo no trabalho. A avaliação pelos clientes das empresas, um dos componentes de um escore que condiciona a oferta de serviço, inclui pontualidade na entrega a partir de tempos de deslocamentos estimados pelas empresas 33,41. Ademais, a elevada produtividade exigida, com aplicação de metas gamificadas, estimula a aceleração do ritmo de trabalho 41. Esse cenário favorece o emprego de velocidades elevadas em veículo motorizado, reconhecido fator associado aos acidentes de trânsito e à adoção de comportamentos relacionados à maior gravidade do acidente de trabalho 26,32. Chen 37 constatou que a pressão de tempo no trabalho, além de ser o maior preditor isolado do estresse, potencializou a influência da sobrecarga sobre esse agravo à saúde. Por conseguinte, isso contribuiu para desenvolvimento de comportamento considerado inseguro durante a condução no trânsito, como a ultrapassagem do sinal vermelho.
No presente estudo, a ultrapassagem do sinal vermelho foi associada aos acidentes de trabalho com maior gravidade. Conhecer as condições reais nas quais entregadores realizam suas tarefas é necessário a fim de evitar reduzir a complexidade dos achados com explicações da esfera individual e comportamental, sem identificação dos determinantes econômicos e sociais do trabalho intensificado 32.
A rua é um ambiente de trabalho inóspito, no qual os trabalhadores estão isolados e sem os recursos usualmente encontrados em ambientes de trabalho delimitados, como a fábrica ou o escritório, para lidar com situações conflituosas 6. Tendo em vista a associação verificada entre os estressores psicossociais e os diferentes desfechos relacionados ao acidente de trabalho, especialmente os conflitos com clientes, mecanismos para assegurar o apoio aos entregadores para resolução de problemas referentes ao trabalho, considerando o espaço da rua, devem ter algum efeito protetor. Esse apoio pode contribuir para a redução dos conflitos com clientes.
Houve uma concentração de acidentes de trabalho no trânsito. Outros estudos epidemiológicos devem investigar as diferentes modalidades de acidentes de trabalho e a reconhecida subnotificação da violência interpessoal enquanto acidente de trabalho no espaço da rua 6. Ademais, é possível que o medo de sofrer uma violência contribua com a ultrapassagem do sinal vermelho no trânsito, associada ao acidente de trabalho neste estudo.
Nossos resultados devem contribuir para a vigilância em saúde do trabalhador, em alinhamento com a agenda global para o desenvolvimento sustentável, que inclui entre seus objetivos o trabalho decente e a ampliação da segurança viária e redução de mortes no trânsito 12,42.
Pontos fortes e limitações do estudo
Não foram identificados estudos prévios que tenham investigado a magnitude e os fatores associados aos acidentes de trabalho e às suas repercussões, como afastamento do trabalho e uso de serviços de saúde, no Brasil. Portanto, nossas evidências apresentam uma contribuição inédita à literatura para caracterização e elucidação da magnitude dos acidentes de trabalho com entregadores, especialmente no trabalho plataformizado.
As estratégias adotadas para viabilizar o estudo são um ponto forte, tendo em vista as dificuldades de acesso a essa população e a ausência de disponibilidade das empresas-plataforma de entrega em fornecer à sociedade dados sobre essa força de trabalho 10,15.
Os procedimentos metodológicos adotados visaram minimizar potenciais vieses de informação e de seleção. É possível que entregadores afastados do trabalho devido ao acidente de trabalho não tenham acessado o link para o questionário veiculado em grupos de entregadores no WhatsApp e nas redes sociais. No entanto, a permanência e a recorrência do encaminhamento desse link nas mídias sociais da categoria por quatro meses podem ter minimizado esse possível viés de seleção, o efeito sobrevivência do trabalhador sadio.
Diante da impossibilidade de realizar um censo e da estratégia possível de seleção da amostra não probabilística, não é possível se afastar a possibilidade de haver diferenças entre os entregadores participantes e os não participantes, exigindo parcimônia na generalização dos resultados. Mas a não participação não parece ter decorrido de recusa associada a um motivo especial. Ao contrário, é o trabalho precário que desestimula a dedicação de tempo para responder à pesquisa. Nesse sentido, é provável que aqueles que tiveram a oportunidade de ouvir mais sobre o projeto, nas ações presenciais e online de divulgação, tenham se sentido mais estimulados a participar. A restrição da divulgação presencial a dois estados decorreu da ausência de financiamento da pesquisa por agências de fomento. Nesse sentido, os resultados alcançados que evidenciam a gravidade da situação de saúde desses trabalhadores compensam o grande esforço empreendido para viabilizar a pesquisa.
Agradecimentos
Os autores agradecem à equipe de coleta de dados, formada por professores e estudantes de graduação e pós-graduação em universidades públicas federais.
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