RESUMO
Na área da Linguística Aplicada (LA), empregamos uma variedade de ferramentas metodológicas para buscar explorar e compreender a complexidade dos fenômenos linguísticos em diversos contextos, abrangendo tanto abordagens qualitativas quanto quantitativas, bem como suas combinações. Em meio a uma vasta gama de opções metodológicas disponíveis, neste artigo destaco a pesquisa documental como um recurso metodológico efetivo para estudos nessa área. Para tanto, apresento sua definição, aponto alguns exemplos de uso e sinalizo os principais procedimentos envolvidos em sua condução. Por fim, apresento dados referentes à utilização de pesquisa ou análise documental em estudos científicos brasileiros em LA desenvolvidos no período de 1983 a 2023, resultado de uma pesquisa documental ilustrativa para este estudo. Os resultados evidenciam temáticas recorrentes, tais como processos de ensinar e aprender línguas em sala de aula, práticas docentes e formação de professores, temas que continuam a ocupar uma posição de destaque na agenda da LA nas últimas quatro décadas.
Palavras-chave:
linguística aplicada; metodologia de pesquisa; pesquisa documental
ABSTRACT
In the field of Applied Linguistics (AL), a variety of methodological tools are employed to explore and comprehend the complexity of linguistic phenomena across diverse contexts, encompassing both qualitative and quantitative approaches, as well as their combinations. Amidst a wide array of available methodological options, this article highlights documentary research as an effective methodological resource for studies in this area. To this end, I provide its definition, delineate some examples of its application, and outline the primary procedures involved in its conduct. Finally, I present data concerning the utilization of documentary research or analysis in Brazilian scientific studies in AL conducted from 1983 to 2023, as the result of an illustrative documentary research for this study. The findings reveal recurrent themes, such as language teaching and learning processes in the classroom, teaching practices, and teacher education, themes that have continued to hold a prominent position on the AL agenda over the past four decades.
Keywords:
Applied linguistics; methodology; documentary research
1. Introdução
Na área da Linguística Aplicada (LA), a ciência que se ocupa, em linhas gerais, de questões da língua em uso em contextos diversos, é comum que, atualmente, pesquisadores utilizem diversas ferramentas metodológicas em suas investigações, haja vista a complexidade de variáveis imbricadas em fenômenos dessa área de conhecimento. Desse modo, a fim de obtermos uma compreensão mais abrangente de um fenômeno linguístico em estudo, utilizamos dados provenientes do uso de métodos de base qualitativa e quantitativa. Esse posicionamento paradigmático complementar, embora possa parecer óbvio em uma leitura contemporânea, já foi tema de debate acalorado em diferentes áreas das ciências humanas. Esse é um ponto compreensível se pensarmos que diversos estudos na LA da década de 1960, por exemplo, eram desenvolvidos majoritariamente via paradigma quantitativo (Cohen, 1989). O objetivo deste estudo não é resgatar esse debate histórico, mas destacar, ainda que brevemente, como esses dois paradigmas podem ser compreendidos na atualidade e, especialmente, como a pesquisa documental tem sido utilizada como ferramenta metodológica nessa área.
Em um estudo predominantemente qualitativo, busca-se ressaltar a natureza socialmente construída da realidade, assumindo-se a íntima relação entre pesquisadores e seus objetos de estudo (Denzin & Lincoln, 2006). Nesse paradigma, considera-se, sobretudo, que “[...] o conhecimento vem de algum lugar: o/a pesquisador(a) e sua subjetividade são fundamentais. [...] os modos de falar, sentir, sofrer, gozar etc. são inseparáveis do ato de pesquisar” (Moita Lopes & Fabrício, 2019, p. 713). Por outro lado, em um estudo predominantemente quantitativo, privilegia-se a coleta de dados a partir de medições, quantificações e noções estatísticas, cujos resultados, de modo geral, permitem generalizações.
Nesse sentido, contemporaneamente na LA, valemo-nos de dados provenientes de métodos de base qualitativa e quantitativa, tendo em vista que a dicotomia quantitativo-qualitativo foi superada nas ciências humanas há, pelo menos, três décadas2. Ao investigarmos práticas sociais desempenhadas por indivíduos em suas comunidades de prática, metodologias de natureza qualitativa costumam ser as mais utilizadas, embora análises estatísticas e tratamentos numéricos também sejam amplamente usados e auxiliem na compreensão de dado fenômeno. Em outras palavras, busca-se, em geral, compreender e/ou atuar sobre um fenômeno socialmente construído, trabalhando com o que Minayo (2002) denomina “universo de significados”: “[...] motivos, aspirações, crenças, valores, atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (Minayo, 2002, p. 21-22).
Ademais, em alinhamento ao proposto por Celani (2005, p.106), estudos em LA orientados pelo paradigma quantitativo e/ou paradigma qualitativo preocupam-se com “a produção de conhecimento, com a compreensão dos significados, com a qualidade dos dados; ambos os paradigmas têm por valores fundamentais a confiança, a responsabilidade, a veracidade, a qualidade, a honestidade e a respeitabilidade”. Dito isso, diante da diversidade metodológica resultante da combinação desses paradigmas, buscarei apresentar neste estudo a pesquisa documental como ferramenta de pesquisa em LA de alta relevância, explorando conceitos e potencialidades dessa modalidade de pesquisa na contemporaneidade. Ciente de que a metodologia de pesquisa em LA é um campo bem estabelecido e com uma ampla gama de literatura, a motivação para o desenvolvimento deste artigo é a escassez de publicações em língua portuguesa que abordem explicitamente a temática em questão. Além disso, compreendo, em conformidade com o proposto por Moita Lopes (2006) e Pennycook (2001), que discussões e questionamentos constantes sobre a natureza teórico-metodológica e política da LA constituem-na como área autorreflexiva e transgressiva e, portanto, um papel que cabe a todos nós, linguistas aplicados.
2. A pesquisa documental: definição e possibilidades de uso para estudos em LA
Expandindo a discussão acerca da relação paradigmática complementar iniciada na introdução deste artigo, é possível notar a predominância de estudos desenvolvidos a partir do paradigma qualitativo em ciências humanas, que pode ser justificada pelo fato de que este não é exclusivo de uma área de conhecimento, isto é, tal paradigma pode ser empregado em diversas disciplinas e, por isso, é considerado “um terreno de múltiplas práticas interpretativas” (Denzin & Lincoln, 2006, p. 20). Nesse paradigma, há, naturalmente, maior flexibilidade para usar diferentes métodos e práticas investigativas e isso permite que pesquisadores compreendam um fenômeno sob diferentes perspectivas.
Para Gergen e Gergen (2006, p. 367) “o domínio da investigação qualitativa proporciona algumas das mais ricas e compensadoras explorações disponíveis na ciência social contemporânea”. Há diferentes tipos de pesquisa qualitativa, tais como o estudo de caso, a pesquisa narrativa, a etnografia, a pesquisa-ação, a pesquisa bibliográfica e a documental. O objetivo deste estudo é apresentar como este último tipo de pesquisa tem sido utilizado na LA, explicitando sua definição e possibilidades de uso. Para avançarmos nessa direção, é fundamental ressaltar que pesquisa bibliográfica e pesquisa documental são tipos de pesquisa qualitativa distintos, embora ambos sejam utilizados em diversos estudos.
A pesquisa bibliográfica é fundamental para qualquer pesquisa, uma vez que tem por finalidade contextualizar o objeto de estudo selecionado e apresentar o que já foi investigado sobre tal objeto. Nesse sentido, espera-se que os autores de dado estudo apresentem referências adequadas e, portanto, significativas relacionadas ao tema que pretende explorar. Apesar de poucos trabalhos mencionarem o papel do bibliotecário na gestão de dados, esses profissionais atuam como curadores de informações e podem contribuir tanto com revisões sistemáticas sobre determinado tema quanto com a organização de meta-análises (a sumarização de estudos anteriores com o intuito de fornecer o estado da arte em determinado tópico) (Lima et al., 2020). É fundamental salientar, conforme indica Paiva (2019), que a mera compilação de informações sobre um tema não é suficiente para caracterizar essa modalidade de pesquisa, pois é preciso que o/a pesquisador(a) resuma, avalie e relacione as informações encontradas de maneira coesa e crítica, inserindo explicações quando julgar necessário.
Já a pesquisa documental caracteriza-se pelo uso de materiais que possam auxiliar em determinada investigação, “seja complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema” (Lüdke & André, 1986, p. 38). São exemplos de documentos: leis, manuais, panfletos, regulamentos, normas, pareceres, jornais, revistas, livros, discursos, registros de diários, tabelas estatísticas, fotografias, dentre outros. Lüdke e André (1986), citando Caulley (1981), asseveram que o objetivo dessa modalidade é identificar informações factuais em documentos a partir de questões de interesse e/ou hipótese previamente delimitadas. Um exemplo mencionado pelos autores é a coleta de evidências em um documento do tipo circular escolar, distribuída a professores acerca de uma reunião pedagógica, cujo principal interesse de pesquisa seja o tema autoridade no espaço escolar.
Ao compararmos esses dois tipos de pesquisa, a principal diferença reside no fato de que na pesquisa documental utilizamos fontes primárias de informação em documentos, isto é, que não são necessariamente produzidos para fins de pesquisa, e, assim, caberá aos pesquisadores investigá-las analiticamente. Na pesquisa bibliográfica utilizamos fontes secundárias de informações, isto é, valemo-nos de obras científicas desenvolvidas sobre o objeto de estudo que buscamos compreender. Para Gil (2008) a única diferença entre ambas é justamente a natureza das fontes, levando em consideração o seguinte:
O desenvolvimento da pesquisa documental segue os mesmos passos da pesquisa bibliográfica. Apenas há que se considerar que o primeiro passo consiste na exploração das fontes documentais, que são em grande número. Existem, de um lado, os documentos de primeira mão, que não receberam qualquer tratamento analítico, tais como: documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. De outro lado, existem os documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc. (Gil, 2008, p. 51)
Tendo esclarecido a distinção entre esses dois tipos de pesquisa, cabe recuperar a proposta de Scott (1990), expandida em Flick (2008), sobre os diferentes tipos de documentos. Estes, em geral, são constituídos por uma combinação de duas dimensões, a autoria e a acessibilidade, conforme ilustrado na Figura 1:
Ao combinarmos essas duas dimensões, autoria e acessibilidade, é possível encontrar doze combinações de documentos. Iniciando a leitura a partir da dimensão autoria, que refere-se a quem produziu o documento, diferencia-se em documentos pessoais e oficiais, sendo este último distinguido em documentos públicos ou privados. A dimensão acessibilidade diz respeito ao tipo de acesso: fechado, como os registros médicos em um hospital; restrito, a exemplo de registros jurídicos que são de acesso exclusivo de um grupo de advogados; acesso aberto e acesso de publicação aberta (todos os documentos são acessíveis a qualquer parte interessada).
O conhecimento acerca dos tipos de documentos é fundamental no processo da pesquisa documental, por ser considerado uma fase principal no delineamento desse tipo de investigação. Caberá aos responsáveis em dada pesquisa averiguar cada dimensão do(s) tipo(s) de documento selecionado em relação à compatibilidade e exequibilidade para o cumprimento dos objetivos da investigação. Esse passo é significativamente importante em referência à dimensão acessibilidade, posto que eventuais solicitações para uso de certos documentos demandam, em geral, procedimentos burocráticos junto ao(s) órgão(s) responsável(is) pela elaboração e/ou divulgação de tais documentos. Pedidos de autorização podem, inclusive, envolver instâncias universitárias, como o Comitê de Ética de Pesquisa, cujo tempo de análise deve ser considerado quando da elaboração do cronograma de pesquisa. Além disso, é fundamental considerar outras dimensões referentes à acessibilidade:
Às vezes existem guardiões que não deixam que o pesquisador prossiga na utilização dos documentos de que precisa. Em outros casos, algumas pessoas podem bloquear o acesso a documentos que se referem direta ou indiretamente a elas. Por exemplo, os arquivos dos serviços secretos da antiga Alemanha Oriental foram abertos após a reunificação das duas partes da Alemanha. Pessoas de certo interesse público (como os antigos Chanceleres da Alemanha Ocidental) podem impedir o acesso a arquivos que digam respeito a elas por parte de pessoas interessadas (jornalistas, pesquisadores etc.) em obter essas informações. A publicação desse material poderia causar danos à memória dessas pessoas ou gerar certo clamor público. (Flick, 2008, p. 234).
Na esteira dessa discussão, Flick (2008) resgata uma vez mais a proposta de Scott (1990), notadamente em relação à avaliação da qualidade dos documentos a partir de quatro critérios principais: autenticidade, credibilidade, representatividade e significação. Ao buscarmos corresponder a esses parâmetros, contaremos com materiais autênticos, sem erros ou distorções e, também, representativos de seu tipo em uma linguagem clara e acessível. Ademais, o autor supracitado adverte que o/a pesquisador(a) deve sempre questionar-se sobre o objetivo da elaboração de um documento e os envolvidos em sua produção.
Diante do exposto, compreendemos que tanto o delineamento do tipo do documento quanto dos critérios a serem utilizados em determinada pesquisa são passos cruciais para a construção de um corpus de pesquisa (Flick, 2008). Esses dois passos constituem a fase inicial de uma pesquisa documental, organizada em seis fases principais, representadas graficamente na Figura 2:
A fase 1 (um) refere-se ao estabelecimento do tipo de documento a ser utilizado em uma pesquisa. Nessa fase, pesquisadores precisam atentar-se para a dimensão acessibilidade, conforme mencionamos anteriormente, uma vez que o acesso a documentos restritos, por exemplo, exigirá prévia autorização da instituição à qual o documento pertence. Um exemplo desse procedimento no âmbito da LA é o estudo de Conceição (2010). A autora buscou investigar representações do papel de professores de português como língua materna em documentos originados no âmbito do Exame Nacional de Cursos - uma iniciativa do Ministério da Educação na década de 1990 para avaliar os cursos de Letras. Assim, a autora obteve autorização do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) para analisar os posicionamentos de diferentes acadêmicos dos cursos de letras registrados em textos escritos por eles a respeito do objeto de estudo em questão. Nesse artigo, encontramos o número do ofício emitido pelo órgão, o que revela um processo sistematizado de requerimento e posterior autorização.
A fase 2 (dois) é referente ao estabelecimento de filtros para seleção de documentos, isto é, os resultados da busca podem ser filtrados por relevância, data, instituição responsável, dentre outros critérios que devem ser consoantes ao que se pretende compreender e/ou resolver em uma investigação. A recentidade de publicações acerca de questões de ética em LA foi um critério elencado por Celani (2005) para compreender, em linhas gerais, como esse tema estava sendo discutido e apontar aspectos que considerou problemáticos. Vale pontuar que a maioria das bases de dados, tais como o Google Acadêmico, Scielo e Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), conta com mecanismos de filtro de buscas que auxiliam pesquisadores na seleção de resultados apropriados.
É importante notar que a fase 2 (dois) pode ser complementar ou concomitante à fase 1 (um), especialmente em relação à dimensão acessibilidade. Pesquisas que envolvem obrigatoriedade de solicitação de acesso a documentos podem obter maior sucesso a partir da definição de filtros, posto que auxilia o/a investigador(a) a elaborar um requerimento claro e objetivo à instituição responsável por tal registro, como também obter dados que sejam proveitosos para seu estudo.
Após a seleção do tipo de documento e os critérios para filtragem da informação, o próximo passo, a fase 3 (três), consiste na definição do tipo de codificação (também conhecida como classificação), que dependerá da natureza do problema/tema, dos objetivos da pesquisa, do tipo de análise e do arcabouço teórico. A codificação envolve, inicialmente, a busca por regularidades e temas que possibilitem a formação de códigos e não é um processo exclusivo da pesquisa documental. Em transcrições de entrevistas resultantes de etnografias, por exemplo, é possível selecionar trechos relacionados ao(s) tema(s) da pesquisa, previamente estabelecido(s) a partir do(s) objetivo(s) e pergunta(s) de pesquisa, com o intuito de organizar essas informações em unidades gerenciáveis e sintetizá-las para a fase de análise.
Gibbs (2008) indica algumas abordagens para geração de códigos, dentre as quais selecionamos a codificação aberta e a codificação não-aberta. O autor esclarece que elas não são excludentes e que a maioria dos pesquisadores transita entre ambas durante a análise. A primeira possibilidade de geração de códigos (aberta) é realizada sem a necessidade de uma lista pré-definida de códigos, isto é, um processo de “codificação aberta, talvez porque se tente fazê-la com a mente aberta.” (Gibbs, 2008, p. 67). Assim, o autor afirma que, embora tenhamos expectativas sobre o que pode acontecer, é possível não iniciar a pesquisa com visões preconcebidas ou o que Holliday (2007) chama de “colocar entre parênteses”, “[...] ou seja, deixar de lado pressupostos, preconceitos e ideias preliminares em relação aos fenômenos [...]. “[U]ma abordagem tábula rasa não é realista. A questão é que, na medida do possível, deve-se tentar tirar dos dados o que de fato significam, e não impor uma interpretação com base em teorias preexistentes.” (Gibbs, 2008, p. 68). Já a codificação não-aberta refere-se à construção de códigos a partir de categorias ou conceitos pré-estabelecidos, oriundos da revisão bibliográfica sobre o tema, tópicos do roteiro da entrevista ou itens de questionário, dentre outros.
Para ilustrar o processo da fase 3 (três), novamente no âmbito da LA, Araújo e Silva (2022) buscaram investigar nas quatro últimas edições da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental, documento do tipo público e aberto, a (re)construção do eixo análise linguística. Embora as autoras não tenham explicitado um processo de codificação no referido estudo, é possível considerá-lo quando afirmam ter percebido padrões nesses documentos que resultaram na descoberta de continuidades e singularidades entre as versões analisadas. Dessa maneira, entendo que as autoras selecionaram o eixo análise linguística como o código principal a ser identificado em uma ou mais passagens do texto do documento. O modo como elas realizaram esse processo de análise e registro não foi explicitado, embora saibamos, conforme pontuam Lüdke e André (1986), que há inúmeros modos de realizar esse procedimento, a depender do volume e formato dos dados.
A maneira de registrar e organizar as informações de um estudo é o que caracteriza a fase 4 (quatro) da pesquisa documental. Atualmente, há diversos software desenvolvidos para auxiliar o processo de análise qualitativa, como o Atlas.ti, cujo principal objetivo é dar suporte ao armazenamento, organização e manipulação dos registros coletados e, ao mesmo tempo, uma ferramenta para auxiliar no processo de análise de dados qualitativos (Friese, 2014) a partir da leitura, citação, criação e manipulação de códigos de maneira sistemática.
Cabe esclarecer que programas como o supracitado auxiliam na mecanização e organização de documentos, mas não podemos considerá-los como instrumentos de análise de dados, isto é, cabe aos pesquisadores envolvidos lerem e relerem os registros em busca de padrões significativos, recorrências, e/ou “agrupamentos de todas as passagens do texto que tenham algo em comum (Bauer & Gaskell, 2008, p. 395) para a codificação.
A leitura e releitura para detecção de temas recorrentes - e posterior codificação - são ações comuns à quinta fase da pesquisa documental. É recomendável que esse passo seja realizado mais de uma vez, em um movimento circular de leitura (conforme sugerido na ilustração da figura 2) e releitura para análise dados, uma vez que, a cada nova leitura, diferentes perspectivas sobre um determinado fenômeno podem surgir. Esse movimento de expansão com vistas ao aprimoramento do volume, densidade e complexidade dos dados é característico da pesquisa qualitativa (Gibbs, 2008).
A sexta e última fase da pesquisa documental é o processo de análise. No paradigma qualitativo, é possível adotar diferentes maneiras de interpretar os dados. As análises indutiva e dedutiva, por exemplo, são comumente utilizadas, de maneira combinada ou não. Em uma abordagem indutiva de análise, pesquisadores não se limitam a conduzir suas investigações a partir de categorias herméticas ou codificações fixas antes da análise, ao contrário, partem da leitura reflexiva de diversos registros que permitem identificar a presença de regularidades e frequências para a codificação. Para Gibbs (2008, p. 19), a indução caracteriza-se pela
produção e a justificação de uma explicação geral com base no acúmulo de grandes quantidades de circunstâncias específicas, mas semelhantes. Dessa forma, observações específicas e repetidas de que os torcedores de times de futebol que estão em uma boa fase ou em uma fase muito ruim são mais envolvidos com a torcida do que os de times que se mantêm na faixa intermediária do campeonato sustentam a afirmação geral de que o apoio dos torcedores é maior quando seus times estão em extremos. (Gibbs, 2008, p. 19).
Por outro lado, em uma abordagem dedutiva de análise, é necessário partir de dimensões e ou aspectos pré-selecionados dentro de categorias previstas em um determinado escopo teórico. O pesquisador, geralmente, tem de enquadrar suas análises dentro de categorias pré-determinadas. Esse tipo de abordagem é comumente utilizado quando se trabalha com questionários estruturados, com opção de marcação de múltipla escolha, tendo em vista que os itens já foram previamente delineados em critérios ou recorte teórico (Patton, 2012). Nessa abordagem, “uma hipótese é deduzida a partir de uma lei geral, e isso é testado em relação à realidade, procurando-se circunstâncias que a confirmem ou refutem.” (Gibbs, 2008, p. 20).
Como referido anteriormente, é comum a combinação das abordagens indutiva e dedutiva na pesquisa qualitativa, considerando-se que certas questões de pesquisa podem ser determinadas dedutivamente, enquanto outras podem ser deixadas suficientemente abertas para permitir diferentes análises. Essa flexibilização é sinalizada por Patton (2012) da seguinte maneira:
[...] durante um período de pesquisa, uma investigação pode fluir de abordagens indutivas, para descobrir quais são as questões e variáveis importantes (trabalho exploratório), para testes dedutivos de hipóteses ou medição de resultados com o objetivo de confirmar e/ou generalizar descobertas exploratórias, então volta-se à análise indutiva para procurar hipóteses rivais e fatores imprevistos ou não medidos. (Patton, 2012, p. 56-57, tradução minha3).
A flexibilidade proposta pelo autor supracitado é apropriada, especialmente no contexto brasileiro de pesquisa em LA. De modo geral, projetos de pesquisa são elaborados com o apoio de uma prévia fundamentação teórica, condizente com os propósitos da pesquisa e, nesse sentido, rejeitar quaisquer quadros teóricos antes da realização do estudo parece-me um procedimento ficcional, para não dizer improdutivo.
Diante do exposto, na seção seguinte apresento aos leitores as principais etapas e resultados oriundos da pesquisa documental que conduzi acerca do uso desta ferramenta metodológica em estudos brasileiros no âmbito da LA nos últimos quarenta anos (1983-2023).
3. A pesquisa documental na prática: da idealização à materialização
Apresento nesta seção os principais procedimentos utilizados no desenvolvimento da pesquisa documental, cujo foco é o uso desta ferramenta metodológica no âmbito da Linguística Aplicada, em consonância com o modelo proposto por Lüdke e André (1986), que abrange as fases da pesquisa documental. Inicialmente, optei por desenvolver este estudo apenas com documentos digitais, isto é, registros digitais originalmente concebidos nesse formato, bem como registros digitais resultantes de procedimentos de digitalização. O estabelecimento desse tipo de documento ocorreu devido à facilidade de acesso, considerando o acesso aberto a pesquisas acadêmicas em diferentes bases de dados. Assim, a seleção do tipo de documento pode ser sintetizada a partir da leitura da Figura 3:
Optei por documentos de autoria pessoal (artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado) públicos, inseridos em portais acadêmicos de acesso aberto e publicação aberta, contemplando, desse modo, a fase 01 da pesquisa documental. O próximo passo foi delimitar uma estratégia de busca4 para ser utilizada no campo “pesquisa” ou “busca” da base de dados selecionada para o estudo que correspondessem aos filtros de seleção previamente elencados. Assim, optamos5 pela seguinte combinação:
(“pesquisa documental” OR “análise documental” OR “document analysis” OR documento OR documentos OR documents OR document) AND (“applied linguistics” OR “linguística aplicada”) AND (brasil OR brazil).
A formatação da referida estratégia envolve o uso de operadores booleanos que permitem a visualização de resultados concernentes ao tema principal deste estudo, qual seja, o desenvolvimento de estudos científicos no âmbito da Linguística Aplicada que tenham sido desenvolvidos com o apoio de pesquisa documental em território brasileiro. Por esse motivo, incluímos os termos “pesquisa” e “análise” documental com o intuito de obter o maior número possível de resultados, bem como termos relacionados e sinônimos (“documento”; “documentos”; “documents”).
Outro filtro de busca selecionado nas bases de dados foi o temporal, selecionando documentos criados no período de 1983 até 2023, haja vista que o objetivo desta investigação foi explorar o uso da pesquisa documental na contemporaneidade, isto é, nos últimos quarenta anos. Utilizei a estratégia de busca indicada na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e obtive quatrocentos e treze (413) resultados. Nessa base de dados é possível exportar os resultados com a indicação das seguintes informações:
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Título de trabalho acadêmico
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Autor(es)
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Colaboradores/Orientadores
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Assunto
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Instituição
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Departamento
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Programa (Pós-graduação)
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Tipo (dissertação; tese)
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Acessibilidade (aberta ou fechada)
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Data de publicação
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Endereço eletrônico do trabalho
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Formato (dissertação; tese)
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Língua(s)
A exportação dos resultados fornecidos pela BDTD foi realizada com o objetivo de organizar essas informações e, consequentemente, facilitar a execução das fases subsequentes. Após a exportação dessa planilha, havia pensado em selecionar, para as próximas fases, apenas os estudos que explicitassem inserção na área de LA, informação que julguei estar disponível nos metadados exportados desses documentos. Contudo, tive de descartar esse procedimento ao perceber que a afiliação à LA poderia estar disponível somente no resumo e não nos dados fornecidos pela referida plataforma. Assim, além de contar com a planilha exportada, que continha os principais dados dos 413 trabalhos, tive de criar um arquivo, em formato DOCX, e inserir informações como autoria, título do trabalho e resumo. Esse procedimento demandou um extenso período de trabalho, já que foi necessário acessar individualmente os 413 resultados iniciais encontrados na base para ter acesso ao resumo e/ou palavras-chave, mas foi crucial para acessar as informações necessárias para condução deste estudo.
Concomitante a esse passo, revisei as informações na planilha BDTD que não foram exportadas com sucesso, notadamente em relação a informações como título, instituição onde o trabalho foi desenvolvido e palavras-chave. Durante essa revisão, constatei alguns problemas relacionados à atualização/disponibilização dos documentos: trabalhos duplicados, endereços eletrônicos desatualizados, arquivo original indisponível. Em função dessas irregularidades, de 413 resultados iniciais, pude trabalhar apenas com 395 trabalhos, visto a necessidade de eliminação de 7 trabalhos duplicados e 11 indisponíveis.
O processo de exportação e organização de informações foi realizado levando em consideração a delimitação desta pesquisa e a previsão de compatibilidade com uma codificação não-aberta, isto é, procedimento pelo qual a análise é conduzida a partir de uma lista de códigos previamente delimitada, neste caso, originada do tema “pesquisa documental na área da LA no Brasil”. Dessa maneira, os principais códigos a serem identificados nos documentos foram “pesquisa documental”, “análise documental” e “Linguística Aplicada”. Diante disso, ao visualizarmos a figura 2, fases da pesquisa documental, fica claro que não se trata de um processo linear, ao contrário, a fase 03, isto é, a definição do tipo de codificação, impacta a maneira como os dados serão organizados e disponibilizados para execução dos passos posteriores.
Após a seleção do tipo de documento, o estabelecimento dos critérios de seleção para filtragem da informação, a definição do tipo de codificação e a organização do dados, avancei para a fase de leitura e releitura dos dados. Constatei que em 83 dos 395 trabalhos acadêmicos selecionados para este estudo houve explicitação do uso do termo “Análise documental”, dentre os quais 39 explicitam afiliação à LA; em 35 trabalhos, relataram ter utilizado a “pesquisa documental”, dentre os quais 21 documentos explicitam afiliação à LA. As ocorrências desses termos, isolados e combinados, são disponibilizados na Tabela 1.
Com base nesses resultados preliminares, é perceptível que, dentre as 395 obras acadêmicas em análise, apenas 115 apresentaram explícita referência ao uso de pesquisa ou análise documental. É relevante ressaltar que o processo de (re)leitura e análise foi conduzido exclusivamente a partir dos resumos destes trabalhos e, portanto, não é possível afirmar que esse seja um número definitivo, uma vez que seria imprescindível a leitura integral das obras para confirmá-lo. Ciente dessa limitação, optei por centralizar a investigação nos resultados que explicitaram o uso de pesquisa e/ou análise documental filiados à LA, buscando identificar e sintetizar os temas de pesquisa mais prevalentes dessa área a partir das 60 obras elencadas para análise.
Essa delimitação é justificada pela necessidade de focar em resultados que estejam diretamente relacionados ao objetivo da pesquisa, que é analisar o uso de pesquisa ou análise documental em obras acadêmicas no contexto da LA. Assim, ao optar pela concentração nas 60 obras que explicitamente mencionaram esse uso, pude executar uma análise mais aprofundada e relevante para o propósito da pesquisa. Com base nessa coleção de resumos, utilizei a função de geração de nuvem de palavras oferecida pelo ATLAS.ti, o que me permitiu obter a Figura 4.
Nuvem de palavras acerca dos termos mais prevalentes nas pesquisas em LA que utilizaram análise/pesquisa documental
Em linhas gerais, esse mecanismo propicia a identificação de termos mais frequentes6 em determinado acervo de documentos e, inclusive, permite a exclusão de palavras de categorias gramaticais pouco relevantes para os objetivos desta investigação, tais como preposições, artigos, pronomes e conectivos. Essa decisão também foi tomada em consonância com os objetivos específicos deste estudo a fim de facilitar a identificação dos temas mais pesquisados em LA, bem como diminuir o ruído visual e, consequentemente, proporcionar maior clareza na representação imagética.
Na nuvem de palavras da Figura 4, os termos mais frequentes aparecem em tamanhos maiores, facilitando, desse modo, a identificação de tópicos de destaque em trabalhos acadêmicos que explicitaram filiação à LA na recentidade com uso de pesquisa ou análise documental. A Tabela 2 sinaliza os dez termos mais frequentes do escopo selecionado e suas respectivas frequências.
É possível delimitar ainda mais o escopo de análise e trabalhar com um volume de dados menor, mas extremamente valioso do ponto de vista representativo. Um exemplo disso foi operar apenas com as palavras-chave dos 60 estudos filiados à LA. Desse modo, criei um novo documento com tais palavras, separando-as conforme os autores desses estudos apontaram, e com a ajuda do recurso de formação de nuvem de palavras gerada pelo Atlas.ti obtive a Figura 5.
Para facilitar a identificação das palavras-chave mais recorrentes, na Tabela 3 sinalizo os dez termos mais frequentes e suas respectivas frequências.
De modo geral, os resultados obtidos a partir de investigações em LA que empregaram análise ou pesquisa documental, assim como da seleção das palavras-chave desses estudos, revelam a persistência de temas recorrentes. Dentre esses temas, destacam-se o processo de ensino e aprendizado de línguas, o estudo da língua propriamente dita, a dinâmica da sala de aula, as estratégias pedagógicas e a formação de professores, para citar apenas alguns exemplos. Essas temáticas têm mantido uma posição de destaque na agenda de pesquisa da Linguística Aplicada ao longo das últimas quatro décadas.
4. Algumas considerações
Neste estudo busquei, primeiramente, destacar a pesquisa documental como um recurso metodológico efetivo para estudos em LA, apresentar sua definição e sinalizar procedimentos basilares para sua execução. Para ilustrar esse processo, indiquei, sistematicamente, os passos seguidos em uma pesquisa documental, notadamente acerca do uso de pesquisa/análise documental em estudos filiados à LA desenvolvidos no período de 1983 a 2023. Ao fazê-lo, apresentei dados preliminares que, embora possam servir de base para estudos subsequentes, foram, sobretudo, destinados ao cumprimento do objetivo central estabelecido. Estou otimista de que, ao cumpri-lo, ofereci uma visão abrangente desse processo, identificando tendências e áreas de interesse preponderantes em nosso campo de atuação.
Cabe destacar, ao encerrar esta seção, que esta pesquisa foi desenvolvida especialmente a partir da minha experiência como formadora de professores em uma instituição pública de ensino superior no Brasil, local em que observei a necessidade de muitos discentes em traduzir a teoria sobre metodologia de pesquisa em prática efetiva. Desejando contribuir para essa transição, por meio deste artigo espero ter colaborado, ainda que modestamente, para promover visibilização e discussão em torno da pesquisa documental como uma ferramenta que nos permite compreender os fenômenos relacionados à língua(gem) em uso em diferentes esferas sociais.
Referências
- André, M. (2012). Etnografia da prática escolar. 18. ed. Papirus, 128 p.
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Araujo, D. L. de, & Silva, J. R. (2022). eixo Análise Linguística na BNCC. Revista E-Curriculum, 20(3), 1360-1391. https://doi.org/10.23925/1809-3876.2022v20i3p1360-1391
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Celani, M. A. A. (2005). Questões de ética na pesquisa em Lingüística Aplicada. Revista Linguagem & Ensino, 8(1), 101-122. https://doi.org/10.15210/rle.v8i1.15605
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Conceição, Rute. (2010). As representações do papel do professor de português. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, 10(3), 681-698. https://doi.org/10.1590/s1984-63982010000300010
» https://doi.org/https://doi.org/10.1590/s1984-63982010000300010 - Denzin, N. K., Lincoln, Y. S., & Sandra Regina Netz. (2006). O planejamento da pesquisa qualitativa teorias e abordagens. Tradução de Sandra Regina Netz. 2. ed. Artmed.
- Fabrício, B. F. (2006). Linguística Aplicada como espaço de “desaprendizagem”: redescrições em curso. In L. P. Moita Lopes (Ed.), Por uma Linguística Aplicada Indisciplinar (pp. 45-65). Parábola Editorial.
- Gibbs, G. (2009). Analise de dados qualitativos: Coleção Pesquisa Qualitativa. Artmed Editora.
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Lima, J. S., Pinto, V. B., & Farias, M. G. G. (2020). O bibliotecário na gestão de dados de pesquisa: uma revisão sistemática. Em Questão, 26(3), 43-69. https://doi.org/10.19132/1808-5245263.43-69
» https://doi.org/https://doi.org/10.19132/1808-5245263.43-69 - Lüdke, M., & André, M. (1986). Métodos de coleta de dados: observação, entrevista e análise documental. In Pesquisas em educação: abordagens qualitativas (pp. 35-44). Epu.
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Minayo, M. C. de S., & Sanches, O. (1993). Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? Cadernos de Saúde Pública, 9(3), 237-248. https://doi.org/10.1590/s0102-311x1993000300002
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Moita Lopes, L. P. D., & Fabrício, B. F. (2019). Por uma “proximidade crítica” nos estudos em Linguística Aplicada. Calidoscópio, 17(4). https://doi.org/10.4013/cld.2019.174.03
» https://doi.org/https://doi.org/10.4013/cld.2019.174.03 - Scaramucci, M. V. R. (1995) A dicotomia quantitativo/qualitativo na pesquisa em linguística aplicada: paradigmas opostos. In I. Signorini, & S. B. Terzi (Eds.), Anais do IV Congresso Brasileiro de Lingüística Aplicada (pp. 510-518). Universidade Estadual de Campinas.
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2
Minayo e Sanches (1993), Scaramucci (1995) e André (2012) são autoras brasileiras que defendem a complementaridade dos paradigmas qualitativo e quantitativo.
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3
Trecho original: In practice, these approaches are often combined. Some evaluation or research questions may be determined deductively, while others are left sufficiently open to permit inductive analyses based on direct observations. While the quantitative/experimental approach is largely hypothetical-deductive and the qualitative/naturalistic approach is largely inductive, a study can include elements of both strategies. Indeed, over a period of inquiry, an investigation may flow from inductive approaches, to find out what the important questions and variables are (exploratory work), to deductive hypothesis-testing or outcome measurement aimed at confirming and/or generalizing exploratory findings, then back again to inductive analysis to look for rival hypotheses and unanticipated or unmeasured factors. (Patton, 2012, p. 56-57).
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4
Essa estratégia de busca foi utilizada no dia 26 de junho de 2023.
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Para configuração dessa estratégia de busca, contei com o auxílio de um bibliotecário que atua junto à Biblioteca Central da Universidade de Brasília.
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6
A condensação de termos mais frequentes não substitui, evidentemente, uma leitura cuidadosa e aprofundada das obras elencadas em questão, apenas indica, dentre outros usos, a potencial relevância desse conjunto para determinada área de estudo.
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Conflito de interesses
A autora declara não ter qualquer conflito de interesse, em potencial, neste estudo e assume responsabilidade total pelo conteúdo do artigo.
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Disponibilidade de dados
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação à autora correspondente, Tábata Quintana Yonaha. O conjunto de dados não está publicamente disponível, pois foram processados no software Atlas.ti e contêm informações organizadas em códigos e categorias específicas, necessitando de consulta direta para acesso integral.
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação à autora correspondente, Tábata Quintana Yonaha. O conjunto de dados não está publicamente disponível, pois foram processados no software Atlas.ti e contêm informações organizadas em códigos e categorias específicas, necessitando de consulta direta para acesso integral.






Fonte: elaboração da autora a partir de Scott (1990) e Flick (2008)
Fonte: elaboração da autora a partir da obra de
Fonte: elaboração própria
Fonte: Elaboração própria com auxílio do Atlas.ti
Fonte: Elaboração própria com auxílio do Atlas.ti