RESUMO
O inventário qualitativo e quantitativo do bairro Centro do Município de Itaguaí, RJ, foi executado através de 30 pontos amostrais, cada um representando perto de 800 metros de calçadas. Ficou constatado a existência de uma porcentagem (0,03%) muito pequena de vegetação arbórea urbana quando comparada com as recomendações da literatura; as espécies mais encontradas foram Delonix regia, Mangifera indica e Eugenia jambolana.
SUMMARY
A survey of urban trees, based on 30 sampling points ( each point representing almost 800 meters of sidewalk), was performed on Itaguai downtown. There exist a very small percentage (0.03%) of urban trees compared with the recomended levels cited in the literature; the most commom species were Delonix regia, Magnifera indica and Eugenia jambolana.
INTRODUÇÃO
Uma área urbana pode ser entendida como um ecossistema composto por produtores primários (plantas), consumidores primários (herbívoros), consumidores secundários (carnívoros), matéria orgânica morta (detritos), água e nutrientes.inorgânicos e decompositores, O fluxo, ou ciclagem, de energía e de nutrientes percorre aqueles componentes de maneira bem definida, sendo que a quantidade de energia disponível a cada componente é, últimamente, dependente da produtividade primária. Entretanto, em ecossistemas urbanos, a tarefa de fixação de energia pelos produtores primários é parcialmente substituida pela importação de energia via combustíveis fósseis de outros ecossistemas. Quanto maior esta substituição maior é a perda dos serviços prestados pelos produtores primários, assim como maior é o efeito naqueles componentes do ecossistema que ainda dependem da produtividade primária.
REVISÃO DA LITERATURA
Os benefícios resultantes da presença de arborização urbana são variados e dependem dos objetivos das sociedades urbanas envolvidas; os benefícios frequentemente procurados são: redução de ruídos, modificação do microclima, alteração do campo visual, melhoria do habitat para pássaros e/ou outras formas de vida silvestre, recreação e educação ambiental (GREY & DENKE, 1987).
Em um sistema urbano, os organismos vegetais arbóreos competem por o já pequeno espaço compreendido pelas calçadas e passeios com: a) veículos mal estacionados e pedestres; b) fiação elétrica e telefônica; e c) redes de drenagem e esgotos (MILANO et al, 1987). Estas condições impõem diversas dificuldades não só ao estabelecimento mas também ao crescimento de vegetais arbustivos e arbóreos em sistemas urbanos (DURYEA & MALAVASI, 1993).
CARACTERIZAÇÃO GEOCLIMÁTICA DO MUNICÍPIO DE ITAGUAÍ
Localizado ao sul da bala da Guanabara, o município de Itaguaí, Estado do Rio de Janeiro, dista 70 km da capital do Estado. O município possui um clima típico de região litorânea tropical, que sofre influência de fatores topográficos e das brisas marinhas e terrestres. A altitude média na direção sudeste/nordeste é de 90 m, delimitada pela Serra do Mar, na direção nordeste/sudeste, encontram-se os maciços costeiros, com uma altitude média de 500 m, enquanto a parte sul limita-se com a bacia de Sepetiba. A temperatura média anual varia entre 20° e 27°C, sendo que a média das mínimas oscila entre 15° e 23°C e a média das máximas entre 26° e 32°C .
De acordo com a classificação climática de KOEPPEN (MATTOS et al 1989), o clima da área pode ser caracterizado como tropical chuvoso com inverno seco, tipo climático Aw. A temperatura média do mês mais frio é superior a 18°C , a diferença entre a temperatura média do mês mais quente é a do mês mais frio é inferior a 12°C , e a precipitação média anual situa-se entre 1.000 e 1.500 mm; o máximo de precipitação ocorre no verão, de março a dezembro enquanto o mínimo de precipitação ocorre no inverno, de junho a agosto. (MATTOS et al, 1989). A predominância de ventos ocorre nos quadrantes norte, sul, noroeste e sudoeste, respectivamente, que em média se apresentam com velocidades entre 4-6 m/s na maioria destes quadrantes.
As classes de solos predominantes no município estão representadas por: Podzólico Vermelho Amarelo-Aluvião Hidromórfico, Hidromórficos, Latosol Amarelo e Latosol Alaranjado, Podzólico Vermelho Amarelo-Litosol e Litosol. As fontes de poluição que afetam a zona urbana do município de Itaguaí são: complexo do porto de Sepetiba (poeira da carga e descarga de minérios), Ilha da Madeira (atividades relacionadas a pedreiras) e a Indústria Ingá (fundição de alumínio).
MATERIAL E MÉTODOS
Os pontos de amostragem utilizados foram obtidos a partir do mapa de situação do Centro do Município, em escala de 1:10.000 com o traçado das ruas (Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente 1991). Foi traçado um sistema de eixos ortogonais; um eixo ficou sobre a rua Prefeito Ismael Cavalcante, enquanto que o outra foi traçado sobre a rua Emani Santiago. O objetivo foi englobar o centro urbanizado de Itaguaí. Foram sorteados, a partir de uma tabela de números ao acaso, 30 pontos amostrais. Cada ponto correspondeu a uma quadra na qual a vegetação arbórea situada em ambas as calçadas e/ou passeios, foi inventariada.
Foram efetuadas anotações referentes a danos aos vegetais como consequência de podas, vandalismo, proximidade de construções, e de tutoramento, além de uma classificação expedita quanto a situação biológica do vegetal (usando as classes BOA, SATISFATÓRIA, RUIM E MORTA) segundo a metodologia utilizada por SANTOS & TEIXEIRA (1991).
RESULTADOS
Foram encontradas 114 vegetais nos trinta pontos de amostragem. Tomando-se a distância de 5 metros entre indivíduos vegetais arbóreos como medida aconselhável para arborização urbana (PEDROSA 1983), o número de vegetais inventariados representa 0,03% do total recomendado. Os vegetais amostrados apresentaram em média altura de 6,81 m, circunferência a altura do peito de 1,35 m, e diâmetro médio da copa de 5,32 m. Do total de vegetais amostrados, 74 apresentaram alguma forma de dano a sua integridade (Tabela 1) apesar de que a maioria (95 do total de 114) apresentaram condição biológica classificada como BOA ou SATISFATÓRIA.
As espécies mais encontradas foram Delonix regia, Mangifera indica e Eugenia jambolana (Tabela 2).
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Para os quase 24.000 m de passeios amostrados ( 30 pontos amostrais vezes 800 m de passeios por ponto) seriam necessárias 4.800 árvores de acordo com as recomendações de PEDROSA (1983). Assim, tendo em vista a existência de um déficit potencial de 4.686 árvores, na arborização urbana do bairro Centro do Município de Itaguaí, é sugerido à administração municipal que empregue todos os esforços necessários (convênios, mutirões, educação ambiental na escolas e igrejas, etc) para reverter o quadro atual de severa falta de arborização urbana naquele que é o mais antigo e urbanizado bairro do município de Itaguaí.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- DURYEA, M. L. & M. M. MALAVASI. 1993. How trees grow in the urban environment. Circular 1093. Florida Cooperative Extension Service. Institute of Food and Agricultural Services. University of Florida, Gainesville, Estados Unidos. 9p.
- GREY, G. W. & F .J. DENKE. 1987. Urban Forest. New York, John Wiley. 279 p.
- SECRETARIA DE AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE-ITAGUAI. 1991. Plano Diretor de Itaguaí. 189p.
- MATTOS, C.C.L. V., SILVA, M. A. R., BAPTISTA, I.N. & I. M.BATISTA. 1989. Caracterização climática da área da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Arquivos da UFRRJ, 12 (1, 2): 53-64.
- MILANO, M.S., SOUZA, R. C. M. & D. S. SERAFIM. 1987. Análise Quali-quantitativa da Arborização de Rúas de Céu Azul-PR. Encontro Nacional de Arborização Urbana, Maringá, Anais, p. 156-159.
- PEDROSA, J.B. 1983. Arborização de cidades e rodovias. Belo Horizonte, IEF. 64p.
