Os encontros entre povos que deram margem a tantas elaborações acerca de mestiçagens, hibridismos e crioulizações são atravessados por relações entre homens e mulheres que colocam no centro da mestiçagem uma espécie de amor colonial. Narrativas coloniais e nacionais fizeram desses encontros um valor, mesmo quando tomavam a forma explícita da violência e perversão sexual. Este texto é uma elaboração teórica inicial que pretende pensar em “outras histórias” que tornem possível se desvincular desse ponto nevrálgico das relações de gênero em contextos nos quais a mistura, na forma da mestiçagem/crioulização, se tornou um ponto de celebração. Para isso, tentarei pensar através do que aprendi com mulheres makhuwa-naharás da Ilha de Moçambique entre 2019 e 2020, bem como da bibliografia pertinente, nas noções de sedução e respeito, como formas de relação que oferecem alternativas ao amor colonial.
Palavras-chave:
gênero; colonialidade; Moçambique; makhuwa