Heliantheae s.l. (Asteraceae) do Parque Estadual do Biribiri, Diamantina, Estado de Minas Gerais, Brasil1 1 Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro Autor

Heliantheae s.l. (Asteraceae) from Parque Estadual do Biribiri, Diamantina, Minas Gerais State, Brazil

Danilo Marques Jimi Naoki Nakajima Sobre os autores

Resumos

Heliantheae s.l., a terceira maior tribo da família Asteraceae, possui 48 gêneros e 379 espécies no Brasil, das quais 199 espécies são restritas ao país. A tribo está bem representada na Cadeia do Espinhaço que apresenta grande diversidade e endemismo. Neste trabalho foi realizado o tratamento florístico de Heliantheae s.l. para o Parque Estadual do Biribiri (PEB), localizado na Cadeia do Espinhaço, município de Diamantina, Estado de Minas Gerais. No tratamento é apresentada uma chave de identificação para as espécies, seguida de descrições morfológicas, comentários taxonômicos e distribuição geográfica. A tribo Heliantheae s.l. no PEB possui nove gêneros e 16 espécies: Acanthospermum, Aldama, Cosmos, Dimerostemma, Galinsoga e Melampodium (uma espécie cada), Aspilia e Bidens (três spp. cada) e Calea (quatro spp.). O PEB apresenta grande representatividade de Heliantheae s.l. quando comparado com outras áreas já estudadas no Estado de Minas Gerais. Além disso, 12,5% das suas espécies são restritas ao Estado, demonstrando a importância do Parque na conservação da flora da Cadeia do Espinhaço no Estado de Minas Gerais.

Cadeia do Espinhaço; Compositae; endemismo; florística


Heliantheae s.l., the third largest tribe in the Asteraceae family, has 48 genera and 379 species in Brazil, with 199 species restricted to this country. The tribe is very representative of Espinhaço Range flora, which presents a great diversity and endemism. This work presents the taxonomic treatment of Heliantheae s.l. of Parque Estadual do Biribiri (PEB), located in the Espinhaço Range, Diamantina municipality, Minas Gerais State. It provides an identification key, morphological description, geographic distribution, and taxonomic commentaries for each species. The tribe Heliantheae s.l. in PEB has nine genera and 16 species: Acanthospermum, Aldama, Cosmos, Dimerostemma, Galinsoga, and Melampodium (one species each); Aspiliaand Bidens (three spp. each), and Calea (four spp.). The PEB has a great number of species Heliantheae s.l.compared with other areas of Minas Gerais State, and it has 12.5% of its species restricted to Minas Gerais State, revealing the importance of this park to protect the flora of Espinhaço Range.

Compositae; endemism; Espinhaço Range; floristics


Introdução

A Cadeia do Espinhaço é reconhecida pela UNESCO (2005)Unesco. 2005. Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço: Proposta de Criação. SEMAD-MG, Belo Horizonte. como uma Reserva da Biosfera. Esse complexo montanhoso, o segundo maior do Brasil, localiza-se entre os Estados da Bahia e de Minas Gerais, com uma extensão de 1.200 km norte-sul (Giulietti & Pirani 1988Giulietti, A.M. & Pirani, J.R. 1988. Patterns of geographic distribuition of some plants species from the Espinhaço Range, Minas Gerais and Bahia, Brazil. In : W.R. Heyer & P.E. Vanzolini (eds.). Proceedings of a workshop on Neotropical Distribution Patterns. Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, pp. 39-69.). A principal vegetação dessa região é o campo rupestre, mas ocorrem também manchas de cerrado e de mata de galeria (Giulietti et al. 1987Giulietti, A.M., Menezes, N.L., Pirani, J.R., Meguro, M.L. & Wanderley, M.G.L. 1987. Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: caracterização e lista das espécies. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 9: 1-151.). Sem dúvida, a Cadeia do Espinhaço é uma das regiões mais diversificadas do mundo, com mais de 3.000 espécies vegetais, das quais muitas são endêmicas (Giulietti et al.2000Giulietti, A.M., Harley, R.M., Queiroz, L.P., Wanderley, M.G.L. & Pirani, J.R. 2000. Caracterização e endemismos nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço. In : T.B. Calvacanti & B.M.T. Walter (eds.). Tópicos Atuais de Botânica. EMBRAPA Recursos Genéticos, Brasília, pp. 311-318.).

Neste sentido, na década de 1990 foram criados diversos Parques Estaduais na Cadeia do Espinhaço com o objetivo de preservar esta rica flora, tais como o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, Parque Estadual do Rio Preto, Parque Estadual do Pico do Itambé e o Parque Estadual do Biribiri (Vitta 2002Vitta, F. 2002. Diversidade e conservação da flora nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais. In: E.L. Araújo, A.N. Moura, E.V.S.B. Sampaio, L.M.S. Gestinari & J.M.T. Carneiro (eds.). Biodiversidade, Conservação e Uso Sustentável da Flora do Brasil. Recife, Universidade Federal Rural de Pernambuco/Sociedade Botânica do Brasil, pp. 90-99.).

O Parque Estadual do Biribiri (PEB) está localizado em uma região da porção mineira da Cadeia do Espinhaço, conhecida como Platô ou Planalto de Diamantina (Rapini et al. 2002Rapini, A., Mello-Silva, R.D & Kawasaki, M.L. 2002. Richness and endemism in Asclepiadoideae (Apocynaceae) from the Espinhaço Range of Minas Gerais, Brazil -a conservationist view. Biodiversity and Conservation 11: 1733-1746.). Esta região tem uma alta taxa de endemismo para as espécies vegetais devido provavelmente às suas particularidades, principalmente climáticas, não compartilhadas por nenhuma outra região ao seu entorno (Echternacht et al. 2011Echternacht, L., Trovó, M., Oliveira, C.T. & Pirani, J.R. 2011. Areas of endemism in the Espinhaço Range in Minas Gerais, Brazil. Flora 206: 782-791.).

A família Asteraceae (Compositae) possui 1.600-1.700 gêneros e 24.000 espécies, sendo a família mais representativa entre as eudicotiledôneas (Funk et al. 2009Funk, V.A., Susanna, A., Stuessy, T.F. & Bayer, R.J.2009. Systematics, Evolution and Biogeography of Compositae. Smithsonian Institution, Washington.). No Brasil, a família é representada por 275 gêneros e 2.043 espécies, das quais 1.305 são exclusivas do Brasil (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/F...
). As Asteraceae são bem distribuídas em regiões com fisionomias montanhosas e savânicas, como as encontradas na Cadeia do Espinhaço (Leitão-Filho & Semir 1987Leitão-Filho, H.F. & Semir, J. 1987. Compositae. In : A.M. Giulietti; N.L. Menezes; M. Meguro & M.G.L. Wanderley (eds.). Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: caracterização e lista de espécies. Boletim de Botânica Universidade de São Paulo, v. 9, pp. 29-41., Hind 1995Hind, D.J.N. 1995. Compositae. In : B.L. Stannard (ed.). Flora of the Pico das Almas, Chapada Diamantina, Brazil. Royal Botanical Gardens, Kew, pp. 175-278.; 2003aHind, D.J.N. 2003a. Flora of Grão-Mogol, Minas Gerais: Compositae (Asteraceae). Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 21: 179-234., bHind, D.J.N. 2003b. Compositae. In : D.C. Zappi, E. Lucas, B.L. Stannard, E.N. Lughadha, J.R. Pirani, L.P.Queiroz, S. Atkins , D.J.N. Hind., A.M. Giulietti, R.M. Harley & A.M. Carvalho (eds.). Lista das Plantas Vasculares de Catolés, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, v. 21, n. 2, pp. 345- 398., Hatschbach et al. 2006Hatschbach, G., Guarçoni, E.A.E., Sartori, M.A. & Ribas, O.S. 2006. Aspectos fisionômicos da vegetação da Serra do Cabral - Minas Gerais - Brasil. Boletim do Museu Botânico Municipal 67: 1-33.).

Dentre as Asteraceae, a tribo Heliantheae s.l. diferencia-se por possuir geralmente folhas opostas, receptáculo geralmente paleáceo, flores usualmente amarelas, anteras em sua maioria enegrecidas e pápus geralmente aristados ou escamiformes (Karis & Ryding 1994Karis, P.O. & Ryding, O. 1994. Tribe Heliantheae. In : K. Bremer (ed.). Asteraceae: Cladistics and classification. Timber Press, Portland, pp. 559-625.). É a terceira maior tribo da família, com 189 gêneros e 2.500 espécies que se distribuem pantropicalmente, em especial no México (Karis & Ryding 1994Karis, P.O. & Ryding, O. 1994. Tribe Heliantheae. In : K. Bremer (ed.). Asteraceae: Cladistics and classification. Timber Press, Portland, pp. 559-625.). No Brasil, ocupa a quinta posição em número de espécies e está representada por cerca de 380 espécies (das quais 199 espécies restritas ao Brasil) distribuídas em 48 gêneros (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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).

Apesar da importância e representatividade das Asteraceae, ainda existem poucos estudos realizados em regiões com alta taxa de endemismo como nos campos rupestres, podendo ser citados os levantamentos florísticos de Leitão-Filho & Semir (1987)Leitão-Filho, H.F. & Semir, J. 1987. Compositae. In : A.M. Giulietti; N.L. Menezes; M. Meguro & M.G.L. Wanderley (eds.). Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: caracterização e lista de espécies. Boletim de Botânica Universidade de São Paulo, v. 9, pp. 29-41., Hind (1995Hind, D.J.N. 1995. Compositae. In : B.L. Stannard (ed.). Flora of the Pico das Almas, Chapada Diamantina, Brazil. Royal Botanical Gardens, Kew, pp. 175-278., 2003aHind, D.J.N. 2003a. Flora of Grão-Mogol, Minas Gerais: Compositae (Asteraceae). Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 21: 179-234., bHind, D.J.N. 2003b. Compositae. In : D.C. Zappi, E. Lucas, B.L. Stannard, E.N. Lughadha, J.R. Pirani, L.P.Queiroz, S. Atkins , D.J.N. Hind., A.M. Giulietti, R.M. Harley & A.M. Carvalho (eds.). Lista das Plantas Vasculares de Catolés, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, v. 21, n. 2, pp. 345- 398.), Nakajima (2000)Nakajima, J.N. 2000. A família Asteraceae no Parque Nacional Serra da Canastra, Minas Gerais. Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas., Hatschbach et al. (2006)Hatschbach, G., Guarçoni, E.A.E., Sartori, M.A. & Ribas, O.S. 2006. Aspectos fisionômicos da vegetação da Serra do Cabral - Minas Gerais - Brasil. Boletim do Museu Botânico Municipal 67: 1-33., Almeida (2008)Almeida, G.S.S. 2008. Asteraceae Dumort. nos campos rupestres do Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais, Brasil. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. e Borges et al. (2010)Borges, R.A.X., Saavedra, M.M., Nakajima J.N. & Forzza, R.C. 2010. The Asteraceae flora of the Serra do Ibitipoca: analyses of its diversity and distribution compared with selected areas in Brazilian mountains ranges. Systematics and Biodiversity 8: 471-479..

Os estudos de levantamentos florísticos e de descrições taxonômicas são necessários para conhecer a flora local e traçar planos de conservação efetivos, antes que essas espécies sejam perdidas, por causa das ocorrentes degradações nesses ambientes savânicos e consequente perda das espécies vegetais (Prance et al. 2000Prance, G.T., Beentje, H., Dransfield, J. & Johns, R.2000. The tropical flora remains undercollected. Annals of the Missouri Botanical Garden 87: 67-71.).

Dada a importância da Cadeia do Espinhaço, dos campos rupestres e da família Asteraceae para a conservação das espécies, o presente estudo tem por objetivo apresentar o tratamento florístico de Heliantheae s.l. no Parque Estadual do Biribiri, município de Diamantina, Minas Gerais.

Material e métodos

O Parque Estadual do Biribiri (PEB) está situado na região do alto vale do rio Jequitinhonha, no centro da Cadeia do Espinhaço, denominado Platô de Diamantina (figura 1), compreendido entre as coordenadas 18º14'53"-18º02'15"S e 43º39'57"43º29'36"W, a 15 km do centro do município de Diamantina, Estado de Minas Gerais, com uma área de 16.998,66 hectares, abrangendo 4,37% do município (IEF 2004IEF- Instituto Estadual de Florestas. 2004. Plano de Manejo do Parque Estadual do Biribiri. vol. 1. IEF, Curitiba.).

Figura 1
Mapa do Parque Estadual do Biribiri, Diamantina, Minas Gerais, Brasil. Retirado de: IEF 2004IEF- Instituto Estadual de Florestas. 2004. Plano de Manejo do Parque Estadual do Biribiri. vol. 1. IEF, Curitiba..

O clima da região caracteriza-se por possuir uma estação chuvosa com temperaturas elevadas e uma estação seca mais fria, com uma temperatura média anual de 18,9 °C (IEF 2004IEF- Instituto Estadual de Florestas. 2004. Plano de Manejo do Parque Estadual do Biribiri. vol. 1. IEF, Curitiba.). O solo predominante da região é o neossolo litólico psamítico típico (RLq), que é raso, pedregoso, com permeabilidade moderada, baixa fertilidade e baixa capacidade de saturação e de retenção de água (IEF 2004IEF- Instituto Estadual de Florestas. 2004. Plano de Manejo do Parque Estadual do Biribiri. vol. 1. IEF, Curitiba.).

O Parque possui diferentes formações vegetacionais incluindo áreas florestais e áreas de cerrado (IEF 2004IEF- Instituto Estadual de Florestas. 2004. Plano de Manejo do Parque Estadual do Biribiri. vol. 1. IEF, Curitiba.). As fitofisionomias predominantes no PEB são: floresta estacional semidecidual, cerrado típico, cerrado ralo, cerrado rupestre, campo limpo e campo rupestre (IEF 2004IEF- Instituto Estadual de Florestas. 2004. Plano de Manejo do Parque Estadual do Biribiri. vol. 1. IEF, Curitiba.).

Os exemplares botânicos analisados foram obtidos por meio de sete viagens de coleta com duração de cinco dias cada, realizadas em um período aproximado de um ano e meio (maio, agosto, outubro e dezembro de 2011, março, junho e setembro de 2012), abrangendo os meses chuvosos e de seca. As localidades de coleta foram definidas de modo a percorrer todo o Parque Estadual do Biribiri onde o acesso era possível por estradas principais, trilhas ou caminhadas aleatórias.

Nas expedições de coleta foram anotadas algumas características dos espécimes, tais como hábito, cor da corola, e as épocas de floração e frutificação. Os espécimes foram fotografados utilizando-se máquina fotográfica digital e as coletas foram georeferenciadas por meio de aparelho de GPS. Os exemplares com flores e/ou frutos foram prensados e secos em estufas de campo por 3 a 7 dias. A montagem e incorporação das exsicatas foram realizadas no Herbarium Uberlandense (HUFU) do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia, MG. As duplicatas serão doadas para o herbário DIAM e para outros herbários nacionais e estrangeiros com acervo representativo dos campos rupestres (herbários RB, SPF, MBM, BHCB e K, Thyers et al. 2012Thiers, B. 2012 [continuously updated]. In: Index Herbariorum: A global directory of public herbaria and associated staff. New York Botanical Garden's Virtual Herbarium. Disponível em http://sweetgum.nybg.org/ ih/ (acesso em II-2013).
http://sweetgum.nybg.org/ih/...
).

Além dos exemplares coletados foram analisadas exsicatas provenientes de empréstimos de outros herbários: DIAM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), SPF (Universidade de São Paulo), UEC (Universidade Estadual de Campinas), ESA (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz") e BHCB (Universidade Federal de Minas Gerais). Os acrônimos dos herbários estão de acordo com Thyers et al. (2012)Thiers, B. 2012 [continuously updated]. In: Index Herbariorum: A global directory of public herbaria and associated staff. New York Botanical Garden's Virtual Herbarium. Disponível em http://sweetgum.nybg.org/ ih/ (acesso em II-2013).
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.

As identificações foram realizadas e/ou confirmadas utilizando-se a bibliografia taxonômica disponível, bem como por comparação com outras exsicatas incorporadas ao acervo do HUFU ou fotos dos tipos disponíveis nas coleções virtuais dos herbários nacionais e estrangeiros, particularmente de NY, MO, US, K, L, U, W (acrônimos dos herbários de acordo com Thyers et al.2012Thiers, B. 2012 [continuously updated]. In: Index Herbariorum: A global directory of public herbaria and associated staff. New York Botanical Garden's Virtual Herbarium. Disponível em http://sweetgum.nybg.org/ ih/ (acesso em II-2013).
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), além de consulta aos especialistas, quando necessário.

Neste trabalho optou-se pela classificação de Heliantheae s.l. adotada por Karis & Ryding (1994)Karis, P.O. & Ryding, O. 1994. Tribe Heliantheae. In : K. Bremer (ed.). Asteraceae: Cladistics and classification. Timber Press, Portland, pp. 559-625.. A classificação de Heliantheae é bastante complexa e vem sofrendo grandes alterações no decorrer das décadas, sendo desmembrada em várias tribos distintas, mas ainda em aperfeiçoamento (Panero 2007Panero, J.L. 2007. Key to the tribes of the Heliantheae alliance. In : J.W. Kadereit & C. Jeffrey (eds.). The Families and Genera of Vascular Plants: Flowering Plants. Eudicots. Asterales. Springer, Berlim, v. 8, pp. 391-395., Baldwin 2009Baldwin, B.G. 2009. Heliantheae alliance. In: V.A. Funk, A. Susanna, T.F. Stuessy, R.J. Bayer (eds). Systematics, Evolution, and Biogeography of Compositae. Smithsonian Institution, Washington, pp. 689-711.). Por isso adotou-se nesse trabalho um sistema mais amplo e inclusivo.

As descrições utilizam a terminologia adaptada de Radford (1986)Radford, A. 1986. Fundamentals of plant systematics. Harper & Row, New York. e da bibliografia específica de Asteraceae (Santos 2001Santos, J.U.M. 2001. O gênero AspiliaThou. (Asteraceae-Heliantheae) no Brasil. 1 ed. Museu Paraense Emílio Goeuldi, Belém., Roque & Bautista 2008Roque, N. & Bautista, H. 2008. Asteraceae: Caracterização e morfologia. EDUFBA, Salvador., Funk et al. 2009Funk, V.A., Susanna, A., Stuessy, T.F. & Bayer, R.J.2009. Systematics, Evolution and Biogeography of Compositae. Smithsonian Institution, Washington.). Cada uma dessas descrições segue uma padronização das características dentro de cada gênero. Para possibilitar as comparações realizadas entre o número de espécies do PEB e de outras regiões de campo rupestre do Brasil foi utilizada a classificação proposta por Karis & Ryding (1994)Karis, P.O. & Ryding, O. 1994. Tribe Heliantheae. In : K. Bremer (ed.). Asteraceae: Cladistics and classification. Timber Press, Portland, pp. 559-625., já que alguns trabalhos feitos nessas regiões utilizavam outro tipo de classificação.

O tratamento florístico de Heliantheae s.l. consiste de uma chave de identificação a nível específico, descrição das espécies, seguidas de comentários taxonômicos e materiais examinados. Os comentários taxonômicos trazem distribuição geográfica, ocorrência nas fitofisionomias, épocas de floração/frutificação e características diagnósticas das espécies estudadas.

Resultados e Discussão

A tribo Heliantheae s.l. no PEB é representada por 16 espécies em nove gêneros. Os gêneros mais representativos foram Calea, com quatro espécies, seguido por Aspilia e Bidens, com três espécies cada. Os outros gêneros, Acanthospermum, Aldama, Cosmos, Dimerostemma, Galinsoga e Melampodium, estão representados com apenas uma espécie cada. Dessas espécies, Calea nitida e C. oxylepis são restritas ao Estado de Minas Gerais, o que corresponde a 12,5% do total de espécies. Além disso, a espécie Galinsoga parviflora Cav. teve sua distribuição confirmada no presente levantamento para o Estado de Minas Gerais, pois era conhecida apenas como ocorrendo no Estado de São Paulo e sul do Brasil.

    Chave para a identificação das espécies de Heliantheae s.l. do Parque Estadual do Biribiri, Diamantina, Estado de Minas Gerais
  1. 1. Lâmina foliar partida

    1. 2. Flores do raio alaranjadas, cipselas rostradas, calículo presente ...................................... 12. Cosmos sulphureus

    2. 2. Flores do raio amarelas, cipselas sem rostro, calículo ausente

      1. 3. Pápus 4-aristado, folhas pinatipartidas, 7-9 folíolos, cipselas recurvadas ..................... 5. Bidens cynapiifolia

      2. 3. Pápus 2 ou 3-aristado, folhas pinatissectas, 3-5 folíolos, cipselas não recurvadas

        1. 4. Pápus 2-aristado, flores glabras, folhas com as faces glabras, venação camptódroma ..... 7. Bidens segetum

        2. 4. Pápus 3-aristado, flores glandulosas, folhas com as faces tomentosas, venação craspedódroma ....................................................................................................................................................... 6. Bidens pilosa

  2. 1. Lâmina foliar inteira

    1. 5. Cipselas fusiformes, aristas retrorsas

      1. 6. Pápus 2-aristado, flores glabras, folhas com as faces glabras, venação camptódroma ........ 7. Bidens segetu m

      2. 6. Pápus 3-aristado, flores glandulosas, folhas com as faces tomentosas, venação craspedódroma ............................................................................................................................................................... 6. Bidens pilosa

    2. 5. Cipselas de outras formas, aristas não retrorsas

      1. 7. Flores do raio neutras

      2. 8. Invólucro subgloboso envolvido por brácteas subinvolucrais foliáceas, capítulos subradiados, cipselas aladas ............................................................................................... 13. Dimerostemma brasiliana

      3. 8. Invólucro campanulado ou cilíndrico-campanulado não envolvido por brácteas subinvolucrais, capítulos radiados, cipselas desprovidas de alas

        1. 9. Folhas alternas, nervação acródroma, brácteas involucrais lanceoladas, flores do raio 8-10-nervadas ......................................................................................................... 16. Aldama bracteata

        2. 9. Folhas opostas, nervação craspedódroma ou reticulódroma, brácteas involucrais de outras formas, flores do raio 2-3-nervadas

          1. 10. Subarbusto prostrado, folhas elípticas a ovais, nervação reticulódroma, brácteas involucrais foliáceas, cipselas vilosas, pápus paleáceo ........................................... 4. Aspilia riedelii

          2. 10. Subarbusto ereto ou arbusto, folhas lineares a lanceoladas, nervação craspedódroma, brácteas involucrais escariosas, cipselas pubescentes, pápus coroniformes

            1. 11. Ramos estrigosos, folha com face abaxial serícea .............................................. 2. Aspilia folios a

            2. 11. Ramos vilosos, folha com face abaxial lanosa ou estrigosa ............................ 3. Aspilia fruticosa

    3. 7.Flores do raio pistiladas

      1. 12. Brácteas involucrais internas adnatas ao fruto, flores do disco funcionalmente estaminadas, pápus ausente

        1. 13. Folhas deltóides, base atenuada, flores alvas, cipselas biformes, obovadas ou lineares, equinadas ................................................................................................. 1. Acanthospermum australe

        2. 13. Folhas rômbicas, base auriculada, flores amarelas, cipselas com forma única, gibosas, lisas ........................................................................................................................ 15. Melampodium perfoliatum

      2. 12. Brácteas involucrais internas não aderidas ao fruto, flores do disco monóclinas, pápus presente

        1. 14. Folhas lanceoladas a deltoides, flores do raio brancas ................................... 14. Galinsoga parviflor a

        2. 14. Folhas de outras formas, flores do raio amarelas

          1. 15. Nervação hifódroma ou campilódroma, capítulos solitários ou em dicásios simples, invólucros campanulados, 7 a 12 flores do raio

            1. 16. Folhas filiformes, base truncada, nervação hifódroma .............................. 8. Calea graminifoli a

            2. 16. Folhas ovais a elípticas, base arredonda a subcordada, nervação campilódroma ..................................................................................................................................... 9. Calea myrtifoli a

          2. 15. Nervação reticulódroma, capítulos dispostos em corimbos, invólucros cilíndricos, 2 flores do raio

            1. 17. Folhas com pecíolo 0,78-1,4 cm compr., lâmina foliar 6-6,7 cm compr., elíptica com base cuneada ............................................................................................. 10. Calea nitida

            2. 17. Folhas subsésseis, pecíolo com 0,13-0,15 cm compr., lâmina foliar 3,8-4,2 cm compr., oval com base arredondada ............................................................. 11. Calea oxylepis

1. Acanthospermum australe (Loefl.) Kuntze, Revis. Gen. Pl. 1: 303. 1891.

Figura 2 a-b

Figura 2
Representação esquemática dos gêneros de Heliantheae s.l. do Parque Estadual do Biribiri. a-b. Acanthospermum. a. Cipsela equinada. b. Detalhe da fl or aberta. c-e. Aldama. c. Bráctea involucral. d. Folhas alternas. e. Flor do raio. f-g. Aspilia. f. Flor do raio. g. Folhas opostas. h-j. Bidens. h. Pápus 4-aristado. i. Pápus 3-aristado. j. Pápus 2-aristado.

Subarbusto prostrado, 0,3-0,5 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, setosos. Folhas inteiras, opostas, pecíolo 0,2-0,7 cm compr., lâmina 2-2,6 × 0,8-2,6 cm, deltóide, ápice obtuso, margem serreada a crenada, base atenuada, faces estrigosas, glanduloso-pontuadas, nervação acródroma. Capítulos radiados, solitários, pedúnculo 0,3-1,2 cm compr.; invólucro 6,3-7 mm diam., campanulado; receptáculo convexo; páleas oblanceoladas, glabras, ápice truncado; brácteas involucrais 2 séries, foliáceas, esverdeadas, externas 4,7-5 × 2,5-3,3 mm, ovais, setosas, glanduloso-pontuadas, ápice obtuso, internas adnatas ao fruto. Flores do raio 7-10, pistiladas, corola 1,3-1,7 mm compr., liguliforme, branca, estrigosoglandulosa, 3-nervada. Flores do disco 26-28, funcionalmente estaminadas, corola 1,1-1,6 mm compr., infundibuliforme, alva, glandulosa; anteras negras, ápice obtuso, base sagitada; estilete ca. 1,6 mm compr. Cipselas do raio 4,9-5,5 mm compr., obovadas, equinadas, glandulosas; cipselas do disco 1,7-2 mm compr., lineares, lisas, glanduloso-setosas. Pápus ausente.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Estrada para Biribiri, 8-XII-1992, H.F. Leitão-Filho 27.418 (UEC); Alto da Jacuba, 18º08'32,2"S 43º36'32,2'W, 1.382 m.s.m., 14-III-2012, D. Marques et al. 428 (HUFU); São Miguel, 18º08. 780'S 43º35.252'W, 1.224 m.s.m., 14-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 392 (HUFU).

Espécie nativa da América Tropical, sendo considerada uma planta daninha (Lorenzi 2000Lorenzi, H. 2000. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 3 ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa.). No Brasil a espécie ocorre nos Estados do Pará, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). A espécie foi coletada em campo sujo, área antropizada e na transição entre campo rupestre e mata ciliar, com flores e/ou frutos em março e dezembro. Na revisão feita por Blake (1921)Blake, S.F. 1921. Revision of the genus Acanthospermum. Department of Botany, Smithsonian Institution 20: 383-392. esta espécie é diferenciada das outras espécies pertencentes ao gênero por seus frutos com várias projeções aculeadas em seus ângulos, capítulos pedunculados e frutos obtusos com um orifício no ápice. Segundo Stuessy (1970)Stuessy, T.F. 1970.Thegenus Acanthospermum(Compositae-Helinatheae - Melampodinae): Taxonomic changes and generic affinibties. Rhodora 72: 106-109 o gênero possui afinidades com Melampodium, pois ambos os gêneros possuem as brácteas involucrais internas vascularizadas aderidas ao fruto. No entanto, a espécie Melampodium perfoliatum que também ocorre no Parque dificilmente pode ser confundida com Acanthospermum, pois apresenta as folhas rômbicas, flores amarelas e cipselas gibosas e lisas (vs. folhas deltóides, flores alvas, cipselas biformes e cipsela radial equinada).

2. Aldama bracteata (Gardner) E.E. Schill. & Panero, Bot. J. Linn. Soc. 167: 322. 2011. Basiônimo: Viguiera bracteataGardner, London J. Bot. 7: 404. 1848.

Figura 2 c-e

Subarbusto ereto ou arbusto, 1-1,5 m alt., ramos cilíndricos, estriados, setosos. Folhas inteiras, alternas, sésseis a subsésseis, pecíolo ca. 0,1 cm compr., lâmina 8,8-10,4 × 0,2-0,65 cm, linear a lanceolada, ápice agudo-mucronado, margem levemente serreada, base atenuada, face adaxial estrigosa, face abaxial setosa a estrigosa, nervação acródroma. Capítulos radiados, dispostos em tirsos laxos, pedúnculo 3,3-14,1 cm compr.; invólucro 11,1-18,5 mm diam., campanulado; receptáculo convexo; páleas oblongas, glabras, ápice agudo; brácteas involucrais 4-5 séries, escariosas, marrons, externas 3,3-6,3 × 1,7-2 mm, lanceoladas, setosas, ápice agudo a acuminado, internas 7,5-8,3 × 1,7-4,5 mm, lanceoladas, setosas, ápice acuminado. Flores do raio 9-13, neutras, corola 8,1-19,3 mm compr., liguliforme, amarela, pubescente, 8-10-nervada. Flores do disco 58-70, monóclinas, corola 5-6 mm compr., infundibuliforme, amarela, base setosa; anteras negras, ápice obtuso a agudo, base sagitada; estilete 4,5-5 mm compr. Cipselas 2,5-3 mm compr., obovadas, lisas, setosas. Pápus 3,3-8,3 mm compr., 2-aristado, aristado-paleáceo, dourado.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Próximo à torre de chuva, 23-IV-2004, E.H. Silva & C.V. Mendonça 21 (HUFU, DIAM); aproximadamente 1 km da entrada principal do Parque, 18º10'72"S 43º37'16"W, 1.087 m.s.m., 17-V-2011, I.M. Araújo et al. 69 (HUFU); Salto do Mocotó, próximo ao rio Biribiri, 18º08'38,9"S 43º36'44,6"W, 1108 m.s.m., 14-III-2012, D. Marques et al. 422 (HUFU); Buracão, 18º12'17,3"S 43º37'45"W, 1.145 m, 26-VI-2012, D. Marques et al. 461 (HUFU).

Aldama bracteata ocorre nos Estados de Goiás e Minas Gerais (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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), sendo coletada no PEB em campo rupestre, cerrado rupestre e cerrado, às vezes próxima ao curso d'água, com flor e/ou fruto de março a junho. Segundo Magenta & Pirani (2014)Magenta, M.A.G. & Pirani, J.R. 2014. Novidades taxonômicas em Aldama (Asteraceae-Heliantheae). Rodriguésia 65: 175-192. A. bracteata diferencia-se das outras espécies brasileiras de Aldama por suas folhas verde-claras e pelas brácteas involucrais de distintos tamanhos em 4-5(-6) séries. Segundo Magenta (2006)Magenta, M.A.G. 2006. Viguiera Kunth (Asteraceae, Heliantheae) na América do Sul e sistemática das espécies do Brasil. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo. a espécie exibe grande variedade na forma da folha podendo ser lineares ou lanceoladas. Esta espécie pode ser confundida com as do gênero Aspilia, no entanto A. bracteata possui folhas alternas e flores do raio 8-10-nervadas enquanto o gênero Aspilia no PEB possui folhas opostas e flores radiais com 2-3-nervadas.

3. Aspilia foliosa (Gardner) Benth. & Hook., Gen. Pl. 2(1): 372. 1867.

Figura 2 f-g

Subarbusto ereto ou arbusto, 0,5-1,5 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, estrigosos. Folhas inteiras, opostas, sésseis a subsésseis, pecíolo 0,06-0,09 cm compr., lâmina 2-3,4 × 0,4-0,5 cm, linear a lanceolada, ápice agudo, margem levemente revoluta, base arredondada, face adaxial estrigosa, face abaxial serícea, nervação craspedódroma. Capítulos radiados, solitários ou dispostos em corimbos, pedúnculo 0,37-1,3 cm compr.; invólucro 8,8-13 mm diam., campanulado ou cilíndrico-campanulado; receptáculo levemente convexo; páleas obovadas, glabras, ápice agudo; brácteas involucrais 3-4 séries, adpressas a esquarrosas, escariosas, ápice verde, base marrom, externas 6,3-6,8 × 3-3,3 mm, ovais a elípticas, setosas, ápice obtuso, internas 6-6,3 × 3-3,3 mm, ovais a oblongas, setosas, ápice obtuso. Flores do raio 6-9, neutras, corola 9,8-12,6 mm compr., liguliforme, amarela, glabra, 2-3-nervada. Flores do disco 18-26, monóclinas, corola 6,7-7,6 mm compr., infundibuliforme, amarela, glabra, ápice viloso; anteras negras, ápice obtuso a agudo, base obtusa; estilete 9,7-10,3 mm compr. Cipselas 4,8-5,3 mm compr., obovadas, lisas, pubescentes. Pápus 0,33-0,5 mm compr., coroniforme, enegrecido.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Estrada para Biribiri, 18º11'59"S 43º37'24"W, 1.147 m.s.m., 30-III-2001, J.N. Nakajima & R. Romero 3086 (HUFU); Antes da descida da Serra do Gombô, 18º10'39,9"S 43º32'34,4"W, 1.277 m.s.m., 23-II-2010, I.M. Franco et al. 33 (HUFU); Lapa do Forno, 18º10'03"S 43º 32'63"W, 1.300 m.s.m., 19-V-2011 D. Marques et al. 214(HUFU); Lapa do Forno, 18º10'03"S 43º32'63"W 1.300 m.s.m., 19-V-2011, D. Marques et al. 225 (HUFU); Jatobazeiro, 18º08'25,4"S 43º34'36,3"W, 1.204 m.s.m., 28-VI-2012, D. Marques et al. 480 (HUFU); Cachoeira da Sentinela, 18º09'958"S 43º32'309"W, 1.191 m.s.m., 17-IX-2012, D . Marques et al. 492 (HUFU).

A espécie é restrita ao Brasil e ocorre apenas nos Estados de Minas Gerais e Bahia (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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), e no PEB foi encontrada em campo rupestre, às vezes próxima a cursos d'água. Coletada com flor e frutos em fevereiro, março, maio, junho e setembro. Esta espécie é semelhante à Aspilia fruticosa, que também ocorre no PEB, mas difere apenas pela face foliar dorsal com indumento seríceo, que em A. fruticosa é denso-lanoso (Santos 2001Santos, J.U.M. 2001. O gênero AspiliaThou. (Asteraceae-Heliantheae) no Brasil. 1 ed. Museu Paraense Emílio Goeuldi, Belém.). Além disso, o indumento do ramo também auxilia na diferenciação dessas duas espécies: A. foliosa apresenta ramos estrigosos enquanto A. fruticosapossui ramos vilosos.

4. Aspilia fruticosa (Gardner) Baker, Fl. Bras. 6(3): 204. 1884.

Figura 2 f-g

Subarbusto ereto ou arbusto, 0,5-2 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, vilosos. Folhas inteiras, opostas, sésseis a subsésseis, pecíolo 0,12-0,14 cm compr., lâmina 1,4-9,7 × 0,5-1,8 cm, linear a lanceolada, ápice agudo, margem levemente serreada ou crenadorevoluta, base arredondada, face adaxial estrigosa, face abaxial lanosa, raramente estrigosa, nervação craspedódroma. Capítulos radiados, solitários ou dispostos em corimbos, pedúnculo 0,82-5 cm compr.; invólucro 6,3-10,4 mm diam., campanulado ou cilíndrico-campanulado; receptáculo levemente convexo; páleas oblongas, lanceoladas, ápice viloso, ápice agudo; brácteas involucrais 3-4 séries, adpressas a esquarrosas, escariosas, ápice verde-enegrecido, base marrom, externas 5,8-6,7 × 3,2-3,3 mm, ovais, setosas, ápice obtuso, internas 7-7,5 × 2,5-3,5 mm, obovadas a oblongas, setosas, ápice agudo. Flores do raio 7-10, neutras, corola 8,4-11,2 mm compr., liguliforme, amarela, glabrescente, 2-3-nervada. Flores do disco 20-31, monóclinas, corola 5,4-6,1 mm compr., infundibuliforme, amarela, ápice viloso; anteras negras, ápice obtuso, base obtusa; estilete 7-7,4 mm compr. Cipselas 4,8-6,3 mm compr., obovadas a oblongas, lisas, pubescentes. Pápus 0,7-0,8 mm compr., coroniforme, amarronzado.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Estrada para Biribiri, 18º10'S 43º37'W, 1.098 m.s.m., 8-IV-1982, N. Hensold CFCR3159; idem, 18-IV-1987, D.C. Zappi et al. s.n (SPF47364); idem, 18º11'S 43º36'W, 1.200 m.s.m., 14-II-1991, M.M. Menezes et al. 5.049 (SPF); idem, 8-XII-1992, H.F. Leitão-Filho 27253 (HUFU, UEC); Estrada para Biribiri afloramento rochoso próximo a ponte Ribeirão das Pedras, 8-XII-1997, N. Roque et al. 391 (HUFU); Estrada para Biribiri próximo a Cachoeira da Sentinela, 18º10'56"S, 43º37'08"W, 1.200 m.s.m., 28-II-1998, J.R. Pirani et al. 4.031 (SPF, BHCB); Estrada para a Vila do Biribiri antes da Cachoeira da Sentinela, 18º11'53"S 43º37'32"W, 1.221 m.s.m., 23-II-2010, I.M. Franco et al. 24 (HUFU); Trilha para as cachoeiras a 3 km da entrada, 18º11'97"S 43º37'06"W, 1.175 m.s.m., 18-V-2011, R. Romero et al. 8485 (HUFU); 18º11'97"S 43º37'45"W, 1.145 m.s.m., 18-V-2011, D. Marques et al. 200(HUFU); 18º12'00"S 43º37'43", 1.100 m.s.m., 18-V-2011, I.M. Araújo et al. 97 (HUFU); Casa dos Ventos, 18º11.429'S 43º35.896'W, 1.487 m.s.m., 13-XII-2011, D. Marques et al. 380 (HUFU); São Miguel, 18º11.347'S 43º35.950'W, 1.188 m.s.m., 14-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 386 (HUFU); idem, 18º08.780'S 43º35.252"W, 1.224 m.s.m., 14-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 396 (HUFU); Lavrinha, 18º07.799'S 43º38.595'W, 898 m.s.m., 15-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 406(HUFU); idem, 18º09.979'S 43º32.650'W, 1.303 m.s.m., 16-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 409 (HUFU); Cachoeira da Sentinela, 18º09'04,9"S 43º36'31,7"W, 1.234 m.s.m., 19-IX-2012, D . Marques et al. 497 (HUFU); Cachoeira da Sentinela, 18º09'958"S 43º32'309"W, 1.191 m.s.m., 17-IX-2012, D . Marques et al. 493 (HUFU); Boa Vista, 18º07'50,2"S 43º36'59,1"W, 1.187 m.s.m., 18-IX-2012, D . Marques et al. 495 (HUFU).

Espécie restrita ao Brasil, A. fruticosa foi encontrada até o momento apenas nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). Os espécimes foram coletados no Parque em campo rupestre, cerrado sensu stricto, área antropizada e em regiões de transição entre campo rupestre e mata ciliar. Coletada com flor e/ou fruto em fevereiro, abril, maio, setembro e dezembro. Essa espécie é próxima de A. jolyana e de A. fruticosa (Santos 2001Santos, J.U.M. 2001. O gênero AspiliaThou. (Asteraceae-Heliantheae) no Brasil. 1 ed. Museu Paraense Emílio Goeuldi, Belém.). Aspilia foliosa é distinta de A. jolyana por apresentar brácteas involucrais curtas e eretas (vs. longas e reflexas em A. jolyana) (Santos 2001Santos, J.U.M. 2001. O gênero AspiliaThou. (Asteraceae-Heliantheae) no Brasil. 1 ed. Museu Paraense Emílio Goeuldi, Belém.). As espécies A. foliosa e A. fruticosadiferenciam-se pelas características já discutidas no comentário da espécie anterior.

5. Aspilia riedelii Baker, Fl. Bras. 6(3): 196. 1884.

Figura 2 f-g

Subarbusto prostrado, 0,2-0,6 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, setosos a vilosos. Folhas inteiras, opostas, pecíolo 0,3-0,6 cm compr., lâmina 4-5,5 × 1,8-2,8 cm, elíptica a oval, ápice agudo, raramente obtuso, margem levemente serreada, base aguda, raramente atenuada, faces setosas, nervação reticulódroma. Capítulos radiados, solitários, pedúnculo 8,8-19,2 cm compr.; invólucro 16-23,5 mm diam., campanulado; receptáculo levemente convexo; páleas espatuladas, glabras, ápice arredondado; brácteas involucrais 2 séries, esquarrosas, foliáceas, verdes, externas 11-16 × 5,5-8 mm, oval-elípticas, setosas, ápice arredondado a levemente apiculado, internas 9,5-15,3 × 5,8-6,5 mm, oval-elípticas, setosas, ápice arredondado a levemente apiculado. Flores do raio 11-12, neutras, corola 12,4-25 mm compr., liguliforme, amarela, glabra, 2-3-nervada. Flores do disco 35-56, monóclinas, corola 6-7,5 mm compr., infundibuliforme, amarela, pubescente; anteras negras, ápice obtuso, base sagitada ou obtusa; estilete 7,2-8 mm compr. Cipselas 2-3 mm compr., obcônicas a cilíndricas, lisas, vilosas. Pápus 0,6-1 mm compr., paleáceo, castanho.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, 18º12'82"S 43º37'06"W, 1.175 m alt., 17-V-2011, A.R. Rezende et al. 385 (HUFU); Alto da Jacuba, 13-XII-2011, D. Marques et al. 370 (HUFU); Duas Pontes, 18º11.347'S 43º 35.950'W, 1.249 m.s.m., 14-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 382(HUFU); Lapa do Forno, 18º09.271'S 43º32.486"W, 1.290 m.s.m., 16-XII-2011, fl., D. Marques & I.M. Araújo 413 (HUFU).

Aspilia riedelii ocorre nos Estados do Ceará, Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). No Parque, A. riedelii ocorre em campo rupestre e campo sujo. Coletada com flor e/ou fruto em maio e dezembro. Segundo Santos (2001)Santos, J.U.M. 2001. O gênero AspiliaThou. (Asteraceae-Heliantheae) no Brasil. 1 ed. Museu Paraense Emílio Goeuldi, Belém. essa espécie tem afinidades com A. reflexa que não ocorre no Parque. Aspilia riedelli diferencia-se por apresentar pecíolo e margem levemente dentada, enquanto A. reflexa apresenta folhas sésseis e folhas conspicuamente dentadas. A espécie é prontamente diferenciada das outras espécies de Aspilia do PEB pelo seu hábito prostrado, folhas elípticas a ovais, brácteas involucrais foliáceas e em duas séries, cipselas vilosas e pápus paleáceo.

6. Bidens cynapiifolia Kunth, Nov. Gen. Sp. (folio ed.) 4: 185. 1820.

Figura 2 h

Subarbusto ereto, 0,4 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, glabrescentes. Folhas pinatipartidas, 7-9 folíolos, opostas, pecíolo 0,35-0,8 cm compr., lâmina 2-3,5 × 1,7-1,9 cm, oval, ápice agudo a acuminado, margem serreada, base atenuada, faces esparsamente vilosas, nervação craspedódroma. Capítulos radiados dispostos em panículas laxas, pedúnculo 14-24,8 cm compr.; invólucro 7-11,5 mm diam., campanulado; brácteas involucrais 2 séries, foliáceas, verdes ou marrons, ápice vináceo, externas ca. 0,8 × 3 mm, lineares, tomentoso-glandulares, ápice apiculado, internas 6,7 × 1,5 mm, lanceoladas, pubescentes, ápice apiculado; receptáculo plano; páleas lineares, glandulosas, ápice agudo. Flores do raio ca. 9, neutras, liguliformes, corola 9,7-10,5 mm compr., amarela, glandulosa, 7-nervada. Flores do disco 35-38, monóclinas, corola 5,6-6,5 mm compr., infundibuliforme, amarela, glandulosa; anteras negras, ápice agudo ou obtuso, base obtusa; estilete 5,2-6,4 mm compr. Cipselas 8,7-10,5 mm compr., fusiformes, recurvadas, lisas, glabras. Pápus 2,1-3 mm compr., 4-aristado, aristas retrorsas, castanhas.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, 18º09'26"S 43º36'57"W, 15-II-2001, J.A. Lombardi 4327 (BHCB); trilha próxima a portaria do Parque, 18º13'01,5"S 43º36'11,4"W, 1.279 m.s.m., 25-IV-2012, I.M. Franco et al. 960 (HUFU).

A espécie ocorre nos Estados de Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Tocantins, Acre, Rondônia, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). De acordo com Sherff (1937)Sherff, E.E. 1937. The genus Bidens . Field Museum of Natural History, Botanical Series 16: 1-485. a espécie pode ser distinta das outras espécies de Bidens que ocorrem na América do Sul por possuir as cipselas recurvadas e quatro aristas. Além dessas características, esta espécie diferencia-se das outras espécies de Bidens do PEB por possuir as folhas pinatipartidas.

7. Bidens pilosa L., Sp. Pl. 2: 832. 1753.

Figura 2 i

Subarbusto ereto, 0,2-0,6 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, glabrescentes. Folhas inteiras ou pinatissectas, 3-5 folíolos, opostas, pecíolo 1,2-2,1 cm compr., lâmina 2-5 × 0,8-2,8 cm, oval, ápice agudo a acuminado, margem levemente serreada, base atenuada, faces esparsamente tomentosas, nervação craspedódroma. Capítulos radiados, dispostos em panículas laxas, pedúnculo 2,8-4,8 cm compr.; invólucro 4-7 mm diam., campanulado; receptáculo plano; páleas linear-lanceoladas, glabras, ápice acuminado; brácteas involucrais 2-3 séries, foliáceas, verdes ou marrons, externas 3-3,7 × 0,5-0,8 mm, oblongas, tomentosas, ápice apiculado, internas 4,2-5 × 0,5-0,6 mm, linear-lanceoladas, glabras, ápice obtuso. Flores do raio 5-6, neutras, corola 6-6,7 mm compr., liguliforme, amarela, glandulosa, 5-nervada. Flores do disco 37-40, monóclinas, corola 3,3-4,2 mm compr., infundibuliforme, amarela, glandulosa; anteras negras, ápice agudo a obtuso, base sagitada a obtusa; estilete 3,4-3,9 mm compr. Cipselas 3,1-4,1 mm compr., fusiformes, lisas, ápice viloso. Pápus 2,2-3 mm compr., 3-aristado, aristas retrorsas, amarronzadas.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Córrego da Roda, 18º10.902'S 34.891'W, 1.306 m.s.m., 23-VIII-2011, I.M. Araújo et al. 127 (HUFU); Alto da Guinda, 18º10.364'S 43º38.048'W, 1.291 m.s.m., 15-XII-2011, I.M. Araújo & D. Marques 398 (HUFU); São Miguel, 18º08'780"S 43º35'252"W, 1.224 m.s.m., 14-XII-2012, D. Marques & I.M. Araújo 393 (HUFU).

Bidens pilosa é uma espécie subespontânea originária da América Tropical (Lorenzi 2000Lorenzi, H. 2000. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 3 ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa.) que tem registro de coletas para quase todos Estados do Brasil, exceto Acre, Rondônia, Roraima e Amapá (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). Segundo Sherff (1937Sherff, E.E. 1937. The genus Bidens . Field Museum of Natural History, Botanical Series 16: 1-485.) essa espécie possui uma grande variação morfológica podendo ser confundida com diversas espécies de Bidens. No entanto, pode ser diferenciada das outras espécies do gênero que ocorrem naAmérica do Sul pelas seguintes características: erva anual, hábito ereto, folha inteira ou dividida, brácteas involucrais externas com o ápice dilatado, capítulos radiados e cipselas com mais de duas aristas (Sherff 1937Sherff, E.E. 1937. The genus Bidens . Field Museum of Natural History, Botanical Series 16: 1-485.). Bidens pilosa é distinta das outras espécies de Bidens que ocorrem no PEB pela presença de venação craspedódroma e pápus com 3 aristas. Outras características, em conjunto, podem auxiliar na identificação da espécie como suas folhas inteiras ou pinatissectas com 3-5 folíolos com ambas as faces tomentosas, flores glandulosas e cipselas com

o ápice viloso.

8. Bidens segetum Mart. ex Colla , Her. Pedem. 3: 307. 1834.

Figuras 2 j

Arbusto, ca. 1,5 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, glabros. Folhas inteiras ou raramente pinatissectas, 3 folíolos, opostas, pecíolo 1,3-2,6 cm compr., lâmina 3-6,6 × 0,8-2,2 cm, lanceolada, ápice acuminado, margem levemente serrilhada, base atenuada, faces glabras, nervação camptódroma. Capítulos radiados, dispostos em panículas laxas, pedúnculo 0,5-2,3 cm compr.; invólucro 7,9-8,6 mm diam., campanulado; receptáculo plano; páleas oblongas a lanceoladas, glabras, ápice obtuso a agudo; brácteas involucrais 2 séries, foliáceas, verde-enegrecidas, externas 4,9-6,4 × 0,9-1,1 mm, linear-lanceoladas, glabras, ápice obtuso, internas 7,2-7,3 × 1,1-1,4 mm, linear-lanceoladas, glabras, ápice obtuso. Flores do raio 5-6, neutras, corola 13-14,7 mm compr., liguliforme, amarela, glabra, 9-10-nervada. Flores do disco 11-16, monóclinas, corola 5,5-6 mm compr., infundibuliforme, amarela, glabra; anteras marrons, ápice agudo, base sagitada; estilete 7,9-8,8 mm compr. Cipselas 6,4-7,4 mm compr., fusiformes, lisas, bordas laterais vilosas. Pápus 4,8-5,1 mm compr., 2-aristado, aristas retrorsas, amarronzadas.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Alto da Jacuba, próxima a Antena, 18º12'10,6"S 43º36'12,4"W, 1.449 m.s.m., 23-IV-2012, I.M. Franco & M.M. Cota 909 (HUFU).

Bidens segetum ocorre no Distrito Federal e nos Estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). A espécie foi coletada em campo sujo próxima a uma área antropizada, com flor e fruto em abril. Na revisão do gênero (Sherff 1937Sherff, E.E. 1937. The genus Bidens . Field Museum of Natural History, Botanical Series 16: 1-485.) nota-se a difícil distinção entre B. segetum, B. rubifolia e

B. squarrosa, sendo necessários estudos adicionais para a compreensão das delimitações taxonômicas. No entanto, a espécie pode ser reconhecida pelas seguintes características em conjunto: arbusto perene escandente, folha inteira ou dividida, geralmente lanceolada, brácteas involucrais exteriores em número de 7 a 9, cipselas com 8 a 13 mm de comprimento e ciliadas (Sherff 1937Sherff, E.E. 1937. The genus Bidens . Field Museum of Natural History, Botanical Series 16: 1-485.). Esta espécie pode ser distinguida das demais espécies do gênero encontradas no Parque pelo seguinte conjunto de características: folhas geralmente inteira ou pinatissecta com 3 folíolos, venação camptódroma e pápus 2-aristado.

9. Calea graminifolia Sch. Bip. exKrasch., Bot. Mater. Gerb. Glavn. Bot. Sada R. S. F. S. R. 4: 53. 1923.

Figura 3 a-b

Figura 3
Representação esquemática dos gêneros de Heliantheae s.l. do Parque Estadual do Biribiri. a-d. Calea. a. Capítulo campanulado. b. Flor do raio. c. Capítulo cilíndrico. d. Flor do disco. e-f. Cosmos. e. Capítulo. f. Cipsela. g-i. Dimerostemma. g. Capítulo. h. Flor do raio. i. Cipsela. j. Galinsoga. Flor do raio e pálea. k. Melampodium. Cipsela.

Erva, 0,2-0,3 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, glandulosos. Folhas inteiras, opostas, sésseis, lâmina 4,2-5,9 × 0,12-0,16 cm, filiforme, ápice obtuso, margem levemente denteada, base truncada, faces glabras, raramente setosas, pontuações translúcidas, nervação hifódroma. Capítulos radiados, solitários, pedúnculo 14,4-19,6 cm compr.; invólucro 8,5-14,4 mm diam., campanulado; receptáculo convexo; páleas lanceoladas, glabras, ápice longamente acuminado; brácteas involucrais 2-3 séries, foliáceas, castanhas, externas 5,8-6,3 × 1,3-2 mm, oval-lanceoladas, margem setosa, ápice obtuso, internas 8,5-10 × 3,3-3,8 mm, oblongas, glabras, ápice arredondado. Flores do raio 7-10, pistiladas, corola 14,2-16 mm compr., liguliforme, amarela, glabra, 4-5-nervada. Flores do disco 13-17, monóclinas, corola 5,8-6,3 mm compr., infundibuliforme, amarela, glabra; anteras amarelas, ápice obtuso, base sagitada; estilete 4,2-5,8 mm compr. Cipselas 4,2-5 mm compr., prismáticas, lisas, costas setosas. Pápus 2,5-3,8 mm compr., paleáceo, creme.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Estrada para Biribiri, 22-XI-1985, J.R. Pirani et al. s.n. (SPF40204, BHCB83907); Nascente da água Limpa, 18º12'.598"S 43º36.123'W, 1.394 m.s.m., 13-XII-2011, D. Marques et al. 374 (HUFU); Vargem da Santa Polonha, 14-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 388 (HUFU).

Calea graminifolia ocorre apenas nos Estados de Minas Gerais e São Paulo (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). A espécie ocorre em áreas de campo rupestre normalmente com solo alagado. Foi coletada com flor e/ou fruto em novembro e dezembro. De acordo com Pruski (1998)Pruski J.F. 1998. Novelties in Calea(Compositae: Heliantheae) from South America. Kew Bulletin 53: 683-693. C. graminifolia forma um grupo de espécies próximas com C. coronopifolia Sch. Bip. ex Krasch., C. kirkbridei H. Rob., C. nematophylla Pruski e C. tridactylita Sch. Bip. ex Krasch. por apresentarem hábito, folhas e pápus similares. As folhas filiformes, opostas e verdes fazem com que C. graminifolia assemelhe-se mais a C. nematophylla(Pruski 1998Pruski J.F. 1998. Novelties in Calea(Compositae: Heliantheae) from South America. Kew Bulletin 53: 683-693.), mas C. graminifolia ocorre no Brasil (vs . Bolívia), possui capítulos solitários (vs . cimeiras) e limbo das flores do raio oblanceolado (vs. obovado) (Pruski 1998Pruski J.F. 1998. Novelties in Calea(Compositae: Heliantheae) from South America. Kew Bulletin 53: 683-693.). Essa espécie é prontamente diferenciada das outras espécies de Calea que ocorrem no PEB por apresentar em conjunto, folhas filiformes, glabras, base truncada, nervação hifódroma e invólucro com 8,5-14,4 mm diam.

10. Calea myrtifolia (DC.) Baker, Fl. Bras. 6(3): 260. 1884.

Figura 3 a-b

Arbusto a arvoreta, 1-2 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, puberulentos a escamiformes. Folhas inteiras, opostas, sésseis a subsésseis, pecíolo 0,1-0,2 cm compr., lâmina 1,2-4,7 × 0,7-3,4 cm, oval a elíptica, ápice obtuso, margem levemente revoluta, base arredondada a subcordada, faces glandulosas, nervação campilódroma. Capítulos radiados, solitários ou dispostos em dicásios simples, pedúnculo 2,2-4,6 cm compr.; invólucro 12,4-16,4 mm diam., campanulado; receptáculo convexo; páleas lanceoladas, glabras, ápice longamente acuminado; brácteas involucrais 3-4 séries, foliáceas, castanhas, externas 5-5,8 × 3,3-4,2 mm, ovais, glabras, ápice arredondado, internas 8,3-9,2 × 3,3-5,3 mm, glabras, oblongas, ápice longamente acuminados. Flores do raio 10-12, pistiladas, corola 11-11,7 mm compr., liguliforme, amarela, glabra, 4-6-nervada. Flores do disco 34-60, monóclinas, corola 5,3-6 mm compr., infundibuliforme, amarela, glabra; anteras amarelas, ápice agudo, base sagitada; estilete 5,8-7 mm compr. Cipselas 2,5-3,3 mm compr., prismáticas, lisas, costas vilosas. Pápus 0,83-1,5 cm compr., paleáceo, creme.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Estrada para Biribiri, 22-XI-1985, J.R. Pirani et al. s.n., (SPF40210, BHCB83906); Córrego da Roda, 18º10.902'S 43º34.891"W, 1.306 m.s.m., 23-VIII-2011, I.M. Araújo & D. Marques 116 (HUFU); Sítio do Valtinho, 18º09'379"S 43º35'778"W, 24-VIII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 225 (HUFU); Nascente da água Limpa 18º12.568'S 43º 36.123"W, 1.394 m.s.m., 13-XII-2011, D. Marques et al. 372 (HUFU); Alto da Mãe Rita atrás da Casa dos Ventos, 18º11'0,7"S 43º36'4,5"W, 1.396 m.s.m., 27-VI-2012, D. Marques et al. 498(HUFU).

Calea myrtifolia ocorre nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Paraná (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). Aespécie foi coletada em áreas de cerrado sensu stricto, campo rupestre, campo limpo, quase sempre perto de cursos d'água ou solos alagados, com flor e fruto em junho, agosto, novembro e dezembro. Calea myrtifolia, segundo Pruski & Urbatsch (1998)Pruski, J.F. & Urbatsch L.E. 1988. Five species of Calea (Compositae: Heliantheae) from Planaltine Brazil. Brittonia 40: 341-356., diferencia-se das outras Calea do complexo Calea myrtifolia por possuir folhas opostas, ovais ou elípticas, inteiras, nervação campilódroma e cipsela vilosa. A espécie assemelha-se a C. phyllolepis, porém C. myrtifolia possui as folhas com margem inteira (vs. margem serreada) (Pruski & Urbatsch 1998Pruski, J.F. & Urbatsch L.E. 1988. Five species of Calea (Compositae: Heliantheae) from Planaltine Brazil. Brittonia 40: 341-356.). No PEB C. myrtifolia é prontamente diferenciada das outras Calea por apresentar em conjunto, folhas ovais com base arredondada a subcordada, nervação campilódroma, inflorescência em dicásios simples ou solitários, invólucro com 12,4-16,4 mm diam. e 10 ou mais flores do raio.

11. Calea nitida Less., Linnaea 5(1): 158. 1830.

Figura 3 c-d

Subarbusto ereto ou arbusto, 1,3-1,8 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, glanduloso-puberulentos. Folhas inteiras, opostas, pecíolo 0,78-1,4 cm compr., lâmina 6-6,7 × 3,2-3,6 cm, elíptica, ápice obtuso a agudo, margem crenada-serreada, base cuneada, face adaxial estrigosa, face abaxial setoso-glandulosa, nervação reticulódroma. Capítulos radiados, dispostos em corimbos, pedúnculo 0,2-0,3 cm compr.; invólucro 1,9-2,3 mm diam., cilíndrico; receptáculo convexo; páleas ovais, glandulosas, ápice arredondado; brácteas involucrais 3-4 séries, foliáceas, castanhas, externas 2,2-2,7 × 1-1,5 mm, ovais, margem vilosa, ápice arredondado, internas 5,2-6 × 2-2,7 mm, elípticas, margem vilosa, ápice agudo a obtuso. Flores do raio 2, pistiladas, corola 4,5-5,2 mm, liguliforme, compr., amarela, glandulosa, 5-nervada. Flores do disco 2-3, monóclinas, corola 4,16-6,3 mm compr., infundibuliforme, amarela, glandulosa; anteras amarelo-amarronzadas, ápice obtuso, base sagitada; estilete 5,3-8 mm compr. Cipselas 4,4-5,3 mm compr., prismáticas, lisas, setosas. Pápus 1,5-2,7 mm compr., paleáceo, dourado.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, São Miguel- Trilha dentro da mata, 1.260 m.s.m., 15-IV-2005, E.H. Silva & C.V. Mendonça 317(DIAM, BHCB); Alto do Mocotó, próximo ao rio Biribiri, 18º08'42,1"S 43º36'53,8"W, 1.033 m.s.m., 13-III-2012, D. Marques et al. 420 (HUFU).

Espécie restrita ao Estado de Minas Gerais (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). No Parque, ocorre em cerrado sensu stricto e campo rupestre, e coletada com flor e fruto em março e abril. Juntamente com C. oxylepis, C. nitida faz parte da seção Lemmatium (Urbatsch et al. 1986Urbatsch, L.E., Zlotsky,A. & Pruski, J.F. 1986. Revision of Calea sect. Lemmatium (Asteraceae: Heliantheae) from Brazil. Systematic Botany 11: 501-504.). Calea nitida diferencia-se das outras espécies dessa seção por apresentar capítulos radiados, pápus livre, ápice das brácteas involucrais eretas, folhas com pecíolo evidente e base da lâmina cuneada (Urbatsch et al. 1986Urbatsch, L.E., Zlotsky,A. & Pruski, J.F. 1986. Revision of Calea sect. Lemmatium (Asteraceae: Heliantheae) from Brazil. Systematic Botany 11: 501-504.). Entre as espécies de Calea que ocorrem no Parque, C. nitidaestá mais relacionada com C. oxylepis por ambas apresentarem nervação reticulada, capítulos cilíndricos em corimbos, 2 flores do raio, invólucro com até 3,1 mm diam. Porém, C. nitida difere desta por ter maior comprimento do pecíolo e da folha, folhas elípticas com base cuneada, face adaxial foliar estrigosa e abaxial setosa-glandulosa.

12. Calea oxylepis Baker, Fl. Bras. 6(3): 254. 1884.

Figura 3 c-d

Subarbusto ereto ou arbusto, 0,6-1 m alt., ramos cilíndricos, estriados, puberulento-vilosos. Folhas inteiras, opostas, subsésseis, pecíolo 0,13-0,15 cm compr., lâmina 3,8-4,2 × 2,6-3,2 cm, oval, ápice agudo ou arredondado, margem serreada, base arredondada, às vezes atenuada, faces glandulosas, nervação reticulódroma. Capítulos radiados, dispostos em corimbos, pedúnculo 0,5-1,5 cm compr.; invólucro 3-3,1 mm diam., cilíndrico; receptáculo convexo; páleas elípticas, glandulosas, ápice arredondado; brácteas involucrais 3-4 séries, foliáceas, castanhas, externas 2,9-5,8 × 2,5-3 mm, ovais, glandulosas, margem vilosa, ápice obtuso, internas 7-10,5 × 2-2,3 mm, elípticas, glandulosas, margem vilosa, ápice obtuso. Flores do raio 2, pistiladas, corola 5,6-6,5 mm compr., liguliforme, amarela, face externa glandulosa, 5-6-nervada. Flores do disco 3-4, monóclinas, corola 5,8-6,4 mm compr., infundibuliforme, amarela, glabra; anteras amarelas, ápice obtuso, base sagitada; estilete 5,7-7,5 mm compr. Cipselas 6,1-7,7 mm compr., prismáticas, lisas, costas setosas. Pápus 2,4-3,5 mm compr., paleáceo, bege. Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Próximo à torre de celular, 23-IV-2004, E.H. Silva & C.V. Mendonça 51 (BHCB); Arredores da Casa dos Ventos, 18º11'10,7"S 43º36'2,4"W, 1.419 m.s.m., 14-III-2012, D. Marques 440 (HUFU).

Espécie restrita ao Estado de Minas Gerais (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/F...
). No Parque, C. oxylepis foi coletada em cerrado sensu stricto e campo rupestre com flor e fruto em março e abril. Segundo Urbatsch et al. (1986)Urbatsch, L.E., Zlotsky,A. & Pruski, J.F. 1986. Revision of Calea sect. Lemmatium (Asteraceae: Heliantheae) from Brazil. Systematic Botany 11: 501-504. C. oxylepis é distinta das outras espécie de Calea da seção Lemmatium por apresentar capítulos radiados, pápus livre e folhas sésseis ou subsésseis com um pecíolo menor que 3 mm de comprimento. Calea oxylepsis é distinta de todas as outras Calea do Parque por apresentar folhas ovais com base arredondada, nervação reticulada, pecíolos inconspícuos e folhas com faces glandulosas, 2 flores do raio e capítulos cilíndricos em corimbos.

13. Cosmos sulphureus Cav., Icon. 1(3): 56, pl. 79. 1791. Basiônimo: Bidens sulphurea (Cav.) Sch. Bip., Bot. Voy. Herald 308. 1856.

Figura 3 e-f

Erva, 0,2 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, glabrescentes. Folhas pinatipartidas, 5-9 folíolos, opostas, pecíolo 1,1-2 cm compr., lâmina 3-4,5 × 2,5-3 cm, oval, ápice acuminado, margem serreada, base atenuada, faces glabras, nervação craspedódroma. Capítulos radiados dispostos em dicásios laxos, pedúnculo 4,6-14,2 cm compr.; invólucro 11-17 mm diam., campanulado; receptáculo plano; páleas oblongas, glabras, ápice agudo; calículo verde; brácteas involucrais 2 séries, foliáceas, amarronzadas, externas ca. 6,7-8,2 × 1,1-1,7 mm, lineares ou linear-lanceoladas, ápice agudo, glabras, internas 8,1 × 9,7 mm, elípticas, ápice obtuso, glabras. Flores do raio ca. 8, neutras, corola 16,5-17 mm compr., liguliforme, alaranjada, glabrescente, 3-nervada. Flores do disco 25-32, monóclinas, corola 7,5-8,3 mm compr., infundibuliforme, amarelo-alaranjada, glabra; anteras marrons, ápice agudo ou retuso, base sagitada; estilete 8,5-9,2 mm compr. Cipselas 7,3-10,1 mm compr., fusiformes, rostradas, lisas, puberulentas. Pápus 3,8-4,4 mm compr., 2-aristado, aristas retrorsas, beges.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, Mendanha, PEB, Córrego do Marimbeiro, 18º9'138,4"S 43º33'36"W, 653 m.s.m., 29-VI-2012, D. Marques et al. 486 (HUFU).

A espécie subespontânea é originária do México (Lorenzi 2000Lorenzi, H. 2000. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 3 ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa.) e ocorre em todos os Estados brasileiros, exceto Amazônia (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). No PEB foi coletada em áreas antropizadas. No Brasil ocorrem três espécies de Cosmos: C. bipinnatus Cav., C. caudatus Kunth. e C. sulphureus Cav. (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). Sherff (1932)Sherff, E.E. 1932. Revision of the genus Cosmos . Publications of the Field Columbian Museum, Botanical Series 8: 399-448. diferencia C. sulphureus das outras duas espécies brasileiras por suas flores do raio alaranjadas ou muito amareladas. Cosmos sulphureus é próxima das espécies de Bidenspor possuir cipselas fusiformes, aristas retrorsas e flores do raio neutras. No entanto, diferencia-se facilmente por apresentar calículo, flores do raio alaranjadas e cipselas rostradas.

14. Dimerostemma brasilianum Cass., Bull. Soc. Philom. Paris 58. 1818.

Figura 3 g-i

Subarbusto ereto, 0,4 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, viloso-glandulosos. Folhas inteiras, opostas, pecíolo 0,22-0,37 cm compr., lâmina 2,8-3,2 × 2,6-3 cm, cordiformes, às vezes ovais, ápice agudo, margem levemente crenado-serreada, base subcordada, faces glanduloso-vilosas, nervação acródroma. Capítulos subradiados solitários, pedúnculo 5,5-7,8 cm compr.; invólucro 8,3-11,1 mm diam., subgloboso, envolvido por brácteas subinvolucrais foliáceas; receptáculo plano; páleas ovais, ápice glabro, apiculado; brácteas involucrais 3-4 séries, escariosas, marrons, externas 4-4,5 × 1,5-3,2 mm, ovais a oblongas, vilosas, ápice apiculado ou obtuso, internas 3,7-6 × 1,2‑1,4 mm, oblongas, glabras, ápice apiculado. Flores do raio, 4-5, neutras, corola 4,3-5 mm compr., liguliforme em transição para tubulosa, amarela, glandulosa, 3-nervada. Flores do disco 28-36, monóclinas, corola 4,5-4,8 mm compr., infundibuliforme, amarela, pubescente; anteras negras, ápice agudo, base sagitada; estilete 6-7,5 mm compr. Cipselas 2,5-3 mm compr., ovais, lisas, glabras, aladas. Pápus 5-6 mm compr., 2-aristado, bege.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Alto da Jacuba, 18º08'32,2"S 43º36'32,2"W, 1.382 m.s.m., 14-III-2011, D. Marques et al. 426(HUFU).

A espécie ocorre apenas no Distrito Federal e nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo (Nakajima et al. 2012aNakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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). No Parque, foi coletada em campo sujo com flor e fruto em março. Segundo Moraes & Semir (2009)Moraes, M.D. & Semir, J. 2009. A revision of Brazilian Dimerostemma (Asteraceae, Heliantheae, Ecliptinae), with a new species and taxonomic adjustments. Brittonia 61: 341-365. a espécie diferencia-se das outras Dimerostemma brasileiras por não possuir flores do raio ou quando presentes as flores radiais são pequenas e em transição para flores tubulosas. Essa diferença nas flores do raio aproxima D. brasilianum de D. retifolium (Baker) S.F. Blake. No entanto, D. brasilianum apresenta folhas geralmente opostas (vs. alternas), subcartáceas (vs. coriáceas) e base foliar arredondada, truncada ou subcordada (vs. cuneada) (Moraes & Semir 2009Moraes, M.D. & Semir, J. 2009. A revision of Brazilian Dimerostemma (Asteraceae, Heliantheae, Ecliptinae), with a new species and taxonomic adjustments. Brittonia 61: 341-365.). No PEB, Dimerostemma brasilianum é facilmente reconhecida por possuir invólucro subgloboso envolvido por brácteas foliáceas, capítulos subradiados, flores do raio em transição para forma tubulosa e cipselas aladas.

15. Galinsoga parviflora Cav., Icon. 3(2): 41-42, pl. 281. 1794.

Figura 3 j

Erva prostrada, ca. 0,2 m alt.; ramos cilíndricos, estriados, estrigosos. Folhas inteiras, opostas, pecíolo ca. 0,3-0,5 cm compr., lâmina 1,4-2 × 1-1,2 cm, lanceolada a deltóide, ápice agudo, margem levemente denteada, base atenuada, faces glanduloso-estrigosas, nervação acródroma. Capítulos radiados, dispostos em dicásios laxos, pedúnculo 0,6-2,4 cm compr.; invólucro 3,8-5,3 mm diam., campanulado; receptáculo convexo; páleas lanceoladas, glabras, ápice agudo; brácteas involucrais 2 séries, foliáceas, esverdeadas, externas ca. 1,7 × 1 mm, elípticas, glabras, ápice obtuso, internas ca. 3,4 × 1,7 mm, ovais, glabras, ápice agudo. Flores do raio 7, pistiladas, corola 2-2,5 mm compr., liguliforme, branca, glabra, 4-nervada. Flores do disco 21, monóclinas, corola 0,8-1,3 mm compr., infundibuliforme, amarela, setosa; anteras marrons, ápice obtuso, base obtusa; estilete ca. 1,7 mm compr. Cipselas ca. 1,5 mm compr., obovadas, lisas, setosoglandulosas. Pápus ca. 1,5 mm compr., paleáceo, bege.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, São Miguel, 18º08.780'S 43º35.252'W, 1.224 m.s.m., 14-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 394 (HUFU).

Espécie de origem subespontânea nativa da costa oeste da América do Sul (Lorenzi 2000Lorenzi, H. 2000. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 3 ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa.). No PEB foi encontrada em áreas antropizadas, com flor e fruto em dezembro. De acordo com Nakajima et al. (2012a)Nakajima, J., Loeuille, B., Heiden, G., Dematteis, M., Hattori, E.K.O., Magenta, M., Ritter, M.R., Mondin, C.A., Roque, N., Ferreira, S.C., Teles, A.M., Borges, R.A.X., Monge, M., Bringel Jr., J.B.A., Oliveira, C.T., Soares, P.N., Almeida, G., Schneider, A., Sancho, G., Saavedra, M.M., Liro, R.M., Souza-Buturi, F.O., Pereira, A.C.M. & Moraes, M.D. 2012a. Asteraceae. In : Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em http://floradobrasil. jbrj.gov.br/2012/FB000055 (acesso em XII-2012).
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, ocorre nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, mas o presente levantamento bem como o de Almeida (2008)Almeida, G.S.S. 2008. Asteraceae Dumort. nos campos rupestres do Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais, Brasil. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa., relataram a espécie para o Estado de Minas Gerais. Galinsoga parviflora é similar a Galinsonga quadriradiata Ruiz & Pav. que também ocorre no Brasil (Canne 1977Canne J.M.1977. Revision of the genus Galinsoga (Compositae: Heliantheae). Rhodora 79: 319-389.). Porém, G. parviflora é distinta dessa última por seu indumento pouco piloso ou ausente (vs. densamente piloso), brácteas involucrais externas em número de 2 a 4 (vs . 1‑2), brácteas involucrais internas e páleas persistentes (vs . caducas) e flores do raio ausente ou quando presente 1,5(-2) mm compr. (vs. presente com 2,5 mm compr.) (Canne 1977Canne J.M.1977. Revision of the genus Galinsoga (Compositae: Heliantheae). Rhodora 79: 319-389.). Galinsoga parvifl orajuntamente com Acanthospermum australe são as únicas espécies do PEB que possuem flor do raio branca, mas G. parviflora difere por suas cipselas lisas, as brácteas internas livres das cipselas e presença de pápus.

16. Melampodium perfoliatum (Cav.) Kunth, Nov. Gen. Sp. (folio ed.) 4 (17): 215. 1820.

Figura 3 k

Subarbusto ereto, ca. 0,5 m alt.; ramos achatados, estriados, esparsamente estrigosos. Folhas inteiras, opostas, sésseis, lâmina 7,5-10 × 6,3-9,1 cm, rômbica, ápice agudo, margem esparsamente serreada, base auriculada, faces estrigosas, glanduloso-pontuadas, nervação acródroma. Capítulos radiados, solitários, pedúnculo 3,2-5,5 cm compr.; invólucro 24-31 mm diam., largamente campanulado; receptáculo convexo; páleas elípticas, glabras, ápice agudo; brácteas involucrais 2 séries, foliáceas, esverdeadas ou alvas, externas 9,5-15,4 × 5,6-6,9 mm, elípticas, glabras, ápice arredondado, internas adnatas ao fruto. Flores do raio ca. 9, pistiladas, corola ca. 7,5 mm compr., liguliforme, amarela, estrigoso-glandulosa, 14-16-nervada. Flores do disco ca. 55, funcionalmente estaminadas, corola ca. 4,2 mm compr., infundibuliforme, amarela, glandulosa; anteras marrons, ápice agudo, base sagitada a obtusa; estilete ca. 6-6,4 mm compr. Cipselas do raio 5-5,5 mm compr., gibosas, lisas, glabras; cipselas do disco ausentes. Pápus ausente.

Material examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina, PEB, Alto da Guinda, 18º10.364'S 43º38.048'W, 1.291 m.s.m., 15-XII-2011, D. Marques & I.M. Araújo 407 (HUFU).

Segundo Lorenzi (2000)Lorenzi, H. 2000. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 3 ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa., é originária do México. A espécie foi coletada em área antropizada próximo a cerrado, com flor e fruto em dezembro. As flores do raio amarelas, ambas as faces foliares estrigosas, brácteas involucrais externas com margem membranácea e folhas conspicuamente perfoliadas diferem M. perfoliatum de todas as outras espécies de Melampodium de acordo com Stuessy (1972)Stuessy, T.F. 1972. Revision of the genus Melampodium (Compositae: Heliantheae). Rhodora 74: 1-70.. No Parque, Melampodium perfoliatum é de fácil identificação por apresentar folhas rômbicas com base auriculada.

Considerações Finais

A tribo Heliantheae s.l., apesar de aparentemente possuir poucas espécies no Parque Estadual do Biribiri, apresenta grande riqueza quando comparada com outras regiões de campos rupestres estudadas no Brasil.

No Parque Nacional da Serra da Canastra e na Chapada dos Veadeiros a tribo está representada por 37 e 29 espécies, respectivamente (Munhoz & Proença 1998Munhoz, C.B.R. & Proença, C. 1998. Composição florística do município de Alto Paraíso de Goiás na Chapada dos Veadeiros. Boletim do Herbário Ezechias Heringer 3: 102-150., Nakajima 2000Nakajima, J.N. 2000. A família Asteraceae no Parque Nacional Serra da Canastra, Minas Gerais. Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.). Essa representatividade é elevada quando comparada com as demais regiões estudadas: Catolés, BA, com 18 espécies (Hind 2003bHind, D.J.N. 2003b. Compositae. In : D.C. Zappi, E. Lucas, B.L. Stannard, E.N. Lughadha, J.R. Pirani, L.P.Queiroz, S. Atkins , D.J.N. Hind., A.M. Giulietti, R.M. Harley & A.M. Carvalho (eds.). Lista das Plantas Vasculares de Catolés, Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, v. 21, n. 2, pp. 345- 398.); Serra do Cabral, MG, com 17 espécies (Hatschbach et al. 2006Hatschbach, G., Guarçoni, E.A.E., Sartori, M.A. & Ribas, O.S. 2006. Aspectos fisionômicos da vegetação da Serra do Cabral - Minas Gerais - Brasil. Boletim do Museu Botânico Municipal 67: 1-33.); Parque Estadual do Biribiri, MG, com 16 espécies; Pico das Almas, BA, com 15 espécies (Hind 1995Hind, D.J.N. 1995. Compositae. In : B.L. Stannard (ed.). Flora of the Pico das Almas, Chapada Diamantina, Brazil. Royal Botanical Gardens, Kew, pp. 175-278.); Parque Estadual do Itacolomi, MG, com 14 espécies (Almeida 2008Almeida, G.S.S. 2008. Asteraceae Dumort. nos campos rupestres do Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais, Brasil. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa.); Serra do Cipó, MG, com 13 espécies (Leitão-Filho & Semir 1987Leitão-Filho, H.F. & Semir, J. 1987. Compositae. In : A.M. Giulietti; N.L. Menezes; M. Meguro & M.G.L. Wanderley (eds.). Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: caracterização e lista de espécies. Boletim de Botânica Universidade de São Paulo, v. 9, pp. 29-41.); Grão-Mogol, MG, com oito espécies (Hind 2003aHind, D.J.N. 2003a. Flora of Grão-Mogol, Minas Gerais: Compositae (Asteraceae). Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 21: 179-234.); Mucugê, BA, com sete espécies (Harley & Simmons 1986Harley, R.M. & Simmons, N.A. 1986. Florula of Mucugê, Chapada Diamantina, Bahia, Brazil. Royal Botanic Gardens, Kew.) e Parque Estadual do Ibitipoca, MG, com seis espécies (Borges et al. 2010Borges, R.A.X., Saavedra, M.M., Nakajima J.N. & Forzza, R.C. 2010. The Asteraceae flora of the Serra do Ibitipoca: analyses of its diversity and distribution compared with selected areas in Brazilian mountains ranges. Systematics and Biodiversity 8: 471-479.) (figura 4).

Figura 4
Número de espécies de Heliantheae s.l. ocorrentes nas regiões de campo rupestre do Brasil.

Isto pode ser explicado pelo fato de Heliantheae s.l. ter uma maior diversidade específica no escudo central brasileiro do que ao longo da Cadeia do Espinhaço nos Estados de Minas Gerais e Bahia.

No entanto, a comparação da representatividade de Heliantheae s.l.apenas para as regiões de campos rupestres que ocorrem no Estado de Minas Gerais indica que a tribo no Parque ocupa a terceira posição. É precedida apenas pelo Parque Nacional da Serra da Canastra e Serra do Cabral que possuem áreas bem maiores, 79.525 ha e 250.000 ha, respectivamente, quando comparadas com o tamanho do PEB com 16.998,66 ha (figura 4). A mesma posição é ocupada pelo PEB, quando a comparação é feita entre as regiões da Cadeia do Espinhaço, mas neste caso a primeira e segunda posições são ocupadas por Catolés e Serra do Cabral, respectivamente. Catolés também possui uma área superior a do PEB, com cerca de 80.000 ha (figura 4).

Importante destacar também que apesar do levantamento florístico realizado neste trabalho ter sido conduzido em uma Unidade de Conservação, observa-se habitats degradados dentro do PEB. Essa degradação é evidenciada pela existência de espécies ruderais ou exóticas de Heliantheae s.l., como Acanthospermum australe, Bidens pilosa, Cosmos sulphureus, Galinsoga parviflora e Melampodium perfoliatume (Lorenzi 2000Lorenzi, H. 2000. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 3 ed. Instituto Plantarum, Nova Odessa.), que representam uma ameaça para as espécies nativas da área, sobretudo as espécies endêmicas.

Finalmente, o Cerrado e o Estado de Minas Gerais possuem os maiores números de espécies de Asteraceae ameaçadas de extinção do Brasil (Nakajima et al. 2012bNakajima, J.N., Junqueira, T.V., Freitas, F.S., Teles, A.M.2012b. Comparative analysis of red lists of the Brazilian flora: Asteraceae. Rodriguésia 63: 39-54.). Para que haja sua conservação, devem continuar a ser realizados trabalhos de inventários florísticos, para complementação das informações sobre as espécies pouco conhecidas, proporcionando assim bases científicas para a conservação das áreas ameaçadas.

  • 1
    Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro Autor

Agradecimentos

Ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da Universidade Federal de Uberlândia, pelo auxílio às viagens de coleta e visitas a herbários; à CAPES, pela concessão da Bolsa de Mestrado ao primeiro Autor (PROTAX proc. 562290/2010-9); ao Instituto de Botánica del Nordeste, pelo apoio técnico. O segundo Autor agradece à CAPES, pela Bolsa de Pós-Doutorado (BEX proc. 9612/12-6). Os autores agradecem ao CNPq, CAPES, FAFs (REFLORAproc. 563541/2010-5, PROTAX proc. 562290/2010-9), por financiarem os estudos com a família Asteraceae no Brasil; à ilustradora Laura Simón que, gentilmente, preparou as ilustrações aqui apresentadas.

Literatura citada

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Mar 2015

Histórico

  • Recebido
    12 Mar 2014
  • Aceito
    07 Ago 2014
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