Abelhas (Hymenoptera, Apidae sensu lato) do Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil

Checklist of bees (Hymenoptera, Apidae sensu lato) from Mato Grosso do Sul state, Brazil

Felipe Varussa de Oliveira Lima Rogério Silvestre Sobre os autores

RESUMO

Apresentamos aqui a lista de espécies de abelhas registradas para o estado de Mato Grosso do Sul, disponíveis em banco de dados de Coleções Científicas e registradas na literatura, além de coletas próprias realizadas em várias localidades no estado, englobando diferentes fitofisionomias. O total de espécies de abelhas registradas para Mato Grosso do Sul é de 386 espécies, incluindo morfoespécies, distribuídas em 107 gêneros e cinco subfamílias. A subfamília mais diversa é Apinae, seguida de Megachilinae, Halictinae, Colletinae e Andreninae. Acrescentamos para o Mato Grosso do Sul novos registros de distribuição de 97 espécies de abelhas.

PALAVRAS-CHAVE
Apifauna; Chaco brasileiro; domínio do Cerrado; Região Neotropical; Programa Biota-MS

ABSTRACT

In this paper a current list of the bee species from Mato Grosso do Sul State, Brazil is presented and available in the online database of collections and reported in the literature, besides own collections held in different localities in the state, encompassing different vegetation types. The total number of bee species recorded for Mato Grosso do Sul, including morphospecies, is 386 species, distributed in 107 genera and five subfamilies. The most diverse subfamily is Apinae, followed by Megachilinae, Halictinae, Colletinae and Andreninae. We added new distribution records of 97 species of bees to Mato Grosso do Sul.

KEYWORDS
Bee fauna; Cerrado domain; Brazilian Chaco; Neotropical Region; Biota-MS Program

No mundo são descritas 16.000 espécies de abelhas ( Michener, 2007Michener, C. D. 2007. The Bees of the World. Baltimore, Johns Hopkins University Press. 953p.), sendo estimadas 20.000 ( Pedro & Camargo, 2000Pedro, S. R. M. & Camargo, J. M. F. 2000. Apoidea Apiformes. In: Brandão, C.R.F. & Cancello, E. M. eds. Biodiversidade do Estado de São Paulo. Síntese do conhecimento ao final do século XX. Ribeirão Preto, FAPESP, vol. 5. p.197-211. ). De acordo com Roubik (1989Roubik, D. W. 1989. Ecology and Natural History of tropical bees. New York, Cambridge University Press. 514p.), considerando proporcionalmente as novas espécies enquadradas em grupos sob revisão, possivelmente atingiríamos 40.000 espécies de abelhas. Para a Região Neotropical são registradas 5.600 espécies de abelhas ( Roubik, 1995Roubik, D. W. ed. 1995. Pollination of cultivated plants in the tropics. FAO Agricultural Services Bulletin118:1-198. ) e para o Brasil, Pedro & Camargo (2000Pedro, S. R. M. & Camargo, J. M. F. 2000. Apoidea Apiformes. In: Brandão, C.R.F. & Cancello, E. M. eds. Biodiversidade do Estado de São Paulo. Síntese do conhecimento ao final do século XX. Ribeirão Preto, FAPESP, vol. 5. p.197-211. ) estimam existir 3.000 espécies.

Fatores como a supressão de áreas dos ecossistemas naturais tem aumentado a preocupação dos especialistas com relação à conservação da biodiversidade, realidade do Brasil e especificamente do estado de Mato Grosso do Sul, em função de intensos conflitos e conversão no uso do solo nas últimas décadas. No que tange às abelhas, no mundo, reforça-se esta preocupação com criação da Iniciativa Internacional de Polinizadores, que tenta reverter este quadro, enfatizando que a humanidade é altamente dependente dos serviços ambientais prestados pelas abelhas ( Ehrlich & Ehrlich, 1992 Ehrlich, P. R. & Ehrlich, A. H. 1992. The value of biodiversity. Ambio 21:219-226.; Lasalle & Gauld, 1993Lasalle, J. & Gauld, I. D.1993. Hymenoptera and Biodiversity. London, CAB Int. 232p.; Matheson et al., 1996Matheson, A.; Buchmann, S. L.; O’Toole, C.; Westrich, P. & Williams, I. H. eds. 1996. The conservation of bees. London, Academic Press for The Linnean Society of London, International Bee Research Association. 254p.; Constanza et al., 1997Constanza, R.; D’Arge, R.; De Groot, R.; Farber, S.; Grasso, M.; Hannon, B.; Limnurg, K.; Naeem, S.; O’Neil, R. V. O.; Paruelo, J.; Rasking, R. G.; Sutton, P. & Van den Belt, M. 1997. The value of the world’s ecosystem services and natural capital. Nature 387:253-260. ; Bernier, 2002Bernier, E. 2002. The conservation of Native Bees. The Mellon Minority Undergraduate Fellowship Journal 2002:79-83. ; Williams & Kremen, 2007Williams, N. & Kremen, C. 2007. Floral resource distribution among habitats determines productivity of a solitary bee, Osmia lignaria, in a mosaic agricultural landscape. Ecological Applications 17:910-921.).

Para Melo & Gonçalves (2005Melo, G. A. R. & Gonçalves, R. B.2005. Higher-level bee classifications (Hymenoptera, Apoidea, Apidae sensu lato). Revista Brasileira de Zoologia 22(1):153-159.), a diversidade faunística de abelhas está restrita a uma única família (Apidae) e cinco subfamílias ocorrem no Brasil: Andreninae, Apinae, Colletinae, Halictinae e Megachilinae, sendo que abrigam 42 tribos e 219 espécies. O número de gêneros conhecidos no Brasil para cada subfamília de Apidae é: Halictinae (34), Colletinae (30), Andreninae (30), Megachilinae (28) e Apinae 27 (+70), considerando a inclusão de Anthophoridae ( Silveira et al., 2006Silveira, F. A.; Pinheiro-Machado, C.; Alves-dos-Santos, I. Kleinert, A. M. P.& Imperatriz-Fonseca, V. L.2006. Taxonomic constraints for the conservation and sustainable use of wild pollinators - the Brazilian wild bees. In: Kevan, P. G. & Imperatriz-Fonseca, V. L.eds. Pollinating Bees: the conservation link between agriculture and nature. 2ed. Brasília, Ministério do Meio Ambiente, p. 41-50.).

O nosso objetivo foi determinar as ocorrências atuais de espécies de abelhas (Hymenoptera: Apidae sensu lato) que ocorrem no estado de Mato Grosso do Sul, considerando tanto os registros em banco de dados de coleções científicas, disponibilizados on-line, fazendo uma revisão bibliográfica da literatura referente a inventários faunísticos realizados no estado. Incluímos nesta lista as informações de distribuição das espécies de abelhas obtidas em inventários recentes, em diferentes fitofisionomias dos biomas Cerrado, Chaco Brasileiro e Mata Atlântica, representados no estado. A base principal dos dados registrados nos inventários refere-se à pesquisas realizadas em áreas da Serra da Bodoquena ( Lima, 2010Lima, F. V. O. 2010. Abelhas do Parque Nacional da Serra da Bodoquena (Hymenoptera: Apidae s. lato). Dissertação de Mestrado. Dourados, Universidade Federal da Grande Dourados. ) e em formações chaquenhas da região de Porto Murtinho.

MATERIAL E MÉTODOS

Os dados da fauna de abelhas registradas para o MS são compilados do catálogo de Moure et al. (2007Moure, J. S.; Urban, D. & Melo, G. A. R.eds. 2007. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region. Curitiba, Sociedade Brasileira de Entomologia. 1058p., 2012 Moure, J. S.; Urban, D. & Melo, G. A. R.eds. 2012. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region- online version. Disponível em: < Disponível em: http://www.moure.cria.org.br/catalogue >. Acessado em: 27/08/2012.
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) para a Região Neotropical. Neste catálogo descobrimos alguns holótipos e parátipos de espécies de abelhas descritas como material examinado de Mato Grosso do Sul, alguns inclusive depositados em instituições estrangeiras.

Para a elaboração desta lista das espécies de abelhas, utilizamos informações do Museu da Biodiversidade da UFGD-MuBio, Coleção Hymenoptera, que inclui dados das seguintes localidades: Serra da Bodoquena, Chaco de Porto Murtinho, Dourados, Maracajú e Corumbá. Esta coleção científica contabiliza cerca de 1.000 espécimes depositados no período de 2004 até 2012. Adicionamos informações à lista de cerca de 3.400 espécimes de abelhas de outros levantamentos no estado citados em artigos, teses e dados on-line, de três coleções que possuem especialistas na identificação de abelhas DZUP - Hymenoptera, Coleção Entomológica Pe. Jesus Santiago Moure; CEPANN Coleção Entomológica Paulo Nogueira-Neto - IB/USP; e RPSP Coleção Camargo - FFCLRP/USP, obtidas do specie sLink (http://splink.cria.org.brSpecies link. 2012. Disponível em:< Disponível em: http://splink.cria.org.br >. Acessado em: 27/08/2012.
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) e no catálogo Moure ( Moure et al., 2007Moure, J. S.; Urban, D. & Melo, G. A. R.eds. 2007. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region. Curitiba, Sociedade Brasileira de Entomologia. 1058p., 2012 Moure, J. S.; Urban, D. & Melo, G. A. R.eds. 2012. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region- online version. Disponível em: < Disponível em: http://www.moure.cria.org.br/catalogue >. Acessado em: 27/08/2012.
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). As seguintes fontes da literatura foram consultadas: Gonçalves & Melo (2012_____. 2012. Phylogeny and revision of the bee genus Rhinocorynura Schrottky (Hymenoptera, Apidae, Augochlorini), with comments on its female cephalic polymorphism. Revista Brasileira de Entomologia 56(1): 29-46.), Ferreira et al. (2011Ferreira, M. G.; Pinho, O. C.; Balestieri, J. B. P. & Faccenda, O. 2011. Fauna and stratification of male orchid bees (Hymenoptera: Apidae) and their preference for odor baits in a forest fragment. Neotropical Entomology 40(6):639-646. ), Ramos & Melo (2010Ramos, K. S. & Melo, G. A. R.2010. Taxonomic revision and phylogenetic relationships of the bee genus Parapsaenythia Friese (Hymenoptera, Apidae, Protandrenini), with biogeographic inferences for the South American Chacoan subregion. Systematic Entomology 35:449-474.), Pinho et al. (2010Pinho, O. C.; Manente- Balestieri, F. C. L. & Balestieri, J. B. P.2010. Respostas de colônias de Plebeia catamarcensis Holmberg (Hymenoptera, Apidae, Meliponina) à orfandade. Revista Brasileira de Biociências 8(2):201-207.), Brizola-Bonacina (2009Brizola-Bonacina, A. K. 2009. Presença de Apis mellifera L. em uma região de Cerrado em Dourados (MS) e sua relação com a fauna de abelhas nativas. Tese de doutorado. Rio Claro, UNESP.), Vieira et al. (2008Vieira, G. H. C.; Marchini, L. C.; Souza, B. A. & Moreti, A. C. C. C. 2008. Fontes florais usadas por abelhas (Hymenoptera, Apoidea) em área de cerrado no município de Cassilândia, Mato Grosso do Sul, Brasil. Ciência e Agrotecnologia 32(5):1454-1460. ), Boff et al. (2008Boff, S.; Graciolli, G.; Boaretto, A. G. & Marques, M. R. 2008. Insetos visitantes de gomas exsudadas por Terminalia argentea Mart e Zucc (Combretaceae). Revista Brasileira de Entomologia 52(3):477-479. ), Almeida (2008Almeida, E. A. B. 2008. Revision of the Brazilian species of Pseudaugochlora Michener 1954 (Hymenoptera: Halictidae: Augochlorini). Zootaxa 1679:1-38. ), Aguiar & Melo (2007Aguiar, A. J. C. & Melo, G. A. R. 2007. Taxonomic revision, phylogenetic analysis, and biogeography of the bee genus Tropidopedia (Hymenoptera, Apidae, Tapinotaspidini). Zoological Journal of the Linnean Society 151:511-554. ), Ramos (2006Ramos, K. S. 2006. Revisão taxonômica e relações filogenéticas das espécies de Parapsaenythia Friese, 1908 (Hymenoptera, Apidae s. l., Protandrenini). Dissertação de Mestrado. Curitiba, Universidade Federal do Paraná. ), Gonçalves & Melo (2006Gonçalves, R. B. & Melo, G. A. R.2006. Revision of the bee genus Thectochlora Moure. Zootaxa 1331:1-30.), Aoki & Sigrist (2006Aoki, C. & Sigrist, M. R. 2006. Visitantes Florais. In: Pagotto, T. C. S. & Souza, P. R. eds. Biodiversidade do Complexo Aporé-Sucuriú: subsídios à conservação e ao manejo do Cerrado: área prioritária 316 Jauru. Campo Grande, UFMS. p.264-288. ), Roig-Alsina (2003Roig-Alsina, A. 2003. The bee genus Doeringiella Holmberg (Hymenoptera: Apidae): a revision of the subgenus Pseudepeolus Holmberg. Journal of Hymenoptera Research 12(1):136-147. ), Pedro & Camargo (2003Pedro, S. R. M. & Camargo, J. M. F. 2003. Meliponini neotropicais: o gênero Partamona Schwarz, 1939 (Hymenoptera, Apidae). Revista Brasileira de Entomologia 47(Supl. 1):1-117.), Silveira et al. (2002Silveira, F. S.; Melo, G. A. R.&. Almeida, E. A. B 2002. Abelhas Brasileiras, Sistemática e Identificação. Belo Horizonte, Fernando A. Silveira. 253p.), Moure (2002_____. 2002. O subgênero Centris ( Schisthemisia) Ayala: notas complementares e descrição de uma nova espécie (Hymenoptera, Apoidea). Revista Brasileira de Entomologia 46(4):89-493., 2000_____. 2000. As espécies do gênero Eulaema Lepeletier, 1841 (Hymenoptera, Apidae, Euglossinae). Acta Biologica Paranaense 29(1-4):1-70.), Manente-Balestieri (2000Manente-Balestieri, F. C. L. 2000. Espécies de plantas visitadas por Melipona favosa orbignyi (GUERIN), Trigona chanchamayoensis Scharwrz (Hymenoptera, Meliponinae) e Apis mellifera (Hymenoptera, Apinae) para a obtenção dos recursos florais, em Corumbá, Mato Grosso do Sul. Tese de doutorado. Rio Claro, Universidade de São Paulo. ), Moure (1999_____. 1999. Novas espécies e notas sobre Euglossinae do Brasil e Venezuela (Hymenoptera, Apidae). Revista Brasileira de Zoologia 16(Supl. 1):91-104.), Urban (1998Urban, D. 1998. Espécies novas de Melissoptila Holmberg da América do Sul e notas taxonômicas (Hymenoptera, Anthophoridae). Revista Brasileira de Zoologia15(1):1-46., 1968Urban, D. 1968. As espécies do gênero Melissoptila Holmberg, 1884 (Hymenoptera, Apoidea). Revista Brasileira de Entomologia13:1-94.) e Moure (1942Moure, J. S. 1942. Abelhas de Salobra (Hym. Apoidea). Papéis Avulsos do Departamento de Zoologia 2(21):291-321.).

Além das informações de outras coleções e da literatura, incluímos registros obtidos em inventários recentemente realizados pelos autores em uma extensa região do estado, que abrange várias fitofisionomias em diversos biomas representados no estado como o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Chaco Brasileiro ( Tab. II). Os vouchers estão depositados na Coleção de Hymenoptera do MuBio-UFGD, seguindo a numeração MuBio-Hym00001-A a Hym0748-A. Alguns espécimes foram doados para a coleção DZUP (UFPR), diretamente ao Prof. Dr. Gabriel A. R. Melo.

Tab. I.
Localidades no estado de Mato Grosso do Sul, Brasil onde são registradas a ocorrência de abelhas, depositadas coleções científicas ( species Link) e mencionadas em publicações para o Mato Grosso do Sul.

Tab. II.
Localidades amostradas no estado de Mato Grosso do Sul, Brasil.

Em todas as expedições de coletas realizadas pelos autores foram feitas coletas ativas com rede entomológica (qualitativas). A busca de abelhas foi feita em trilhas na mata, flores, nas margens de rios e córregos, e diretamente nos ninhos. Os exemplares foram mortos com frasco mortífero contendo acetato de etila. Nas coletas quantitativas realizadas na Serra da Bodoquena e no Chaco foram empregadas 50 bandejas amarelas (Armadilha de Möerick) dispostas em transectos de 500 m com distância de 10 m entre bandejas. As armadilhas foram recolhidas após 24 horas, sendo os exemplares transferidos para o álcool a 96%. Quatro armadilhas de Malaise foram armadas rente ao solo em cada área, disposta por um período de cinco dias. Utilizamos ainda 20 garrafas “pet” contendo essências atrativas para as abelhas da subtribo Euglossina, com cineol (eucaliptol), salicilato de metila e eugenol (cravo) e vanilina (baunilha) nos pontos VI, X, XIII e XIV.

RESULTADOS

O número total de espécies registradas para o estado de Mato Grosso do Sul é de 386, incluindo os dados das coleções científicas, de literatura e de inventários recentes ( Apêndice 1). O número de gêneros e espécies em cada subfamília é apresentado na Tabela III.

Tab. III.
Número de gêneros e espécies por subfamília de Apidae amostrados em Mato Grosso do Sul, Brasil.

Na Tabela IV consta uma comparação entre número de espécies e gêneros registrados para diferentes biomas no Brasil, sendo o Cerrado o principal domínio representativo da Região Centro-Oeste.

Tab. IV
Comparação entre o número de espécies de Apidae sensu lato amostrados na Serra da Bodoquena e outras localidades amostradas em outros biomas (adaptado de Zanella, 2000Zanella, F. C. V. 2000. The bees of the Caatinga (Hymenoptera, Apoidea, Apiformes): a species list and comparative notes regarding their distribution. Apidologie 31:579-592.; *, dados obtidos de Zanella, 2000Zanella, F. C. V. 2000. The bees of the Caatinga (Hymenoptera, Apoidea, Apiformes): a species list and comparative notes regarding their distribution. Apidologie 31:579-592.).

Em números absolutos, foram coletados 800 espécimes de abelhas nos inventários recentes. Registramos 170 espécies, em 73 gêneros de cinco subfamílias de Apidae sensu lato; sendo Apinae (103 espécies/47 gêneros), Megachilinae (31/11), Halictinae (28/nove), Colletinae (seis/três) e Andreninae (três/três). Noventa e sete espécies e morfoespécies são registradas pela primeira vez no Mato Grosso do Sul, ampliando assim os registros de distribuição da fauna de Apidae sensu lato na Região Neotropical.

A amostragem realizada na Serra da Bodoquena foi a mais consistente e representativa da fauna de abelhas, em função da adoção de metodologias complementares e do extenso período de coleta. Todas as subfamílias de Apidae que ocorrem no Brasil foram amostradas na região do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, sendo que Apinae foi a mais rica com 61 espécies, das quais 14 (22,95%) correspondam às abelhas sem ferrão (Meliponina). As demais subfamílias, em ordem decrescente de riqueza foram Halictinae (29 espécies em nove gêneros), Megachilinae (13 espécies em sete gêneros), Colletinae (cinco espécies em dois gêneros) e Andreninae (duas espécies em dois gêneros).

Para o Mato Grosso do Sul, os gêneros com maior riqueza registrados foram Megachile (32 spp.), Centris (17), Augochloropsis (16) e Augochlora com (13); na Serra da Bodoquena, as espécies mais abundantes foram Tetragonisca fiebrigi com 43 indivíduos coletados, seguida de Scaptotrigona depilis com 36 indivíduos, e Plebeia grupo droryana e Dialictus sp. com 19 indivíduos. Os gêneros mais ricos em espécies na Serra da Bodoquena foram: Augochlora (oito), Augochloropsis (oito), Megachile (seis), Ceratina (seis), Exomalopsis (cinco) e Hylaeus, Tetrapedia, Paratetrapedia, Trigona, Augochlorella, Habralictus (quatro).

DISCUSSÃO

As abelhas não estão imunes à “crise da biodiversidade” e isto representa um sério problema, pois, cerca de 30% da alimentação humana deriva de plantas polinizadas por abelhas ( O’toole, 1993O’Toole, C. 1993. Diversity of native bees and agroecossystems. In: Lasalle, J.& Gauld, I. D. eds. Hymenoptera and biodiversity. Wallingford, CAB International. p.168-196.). Deste modo, o estudo e conhecimento da identidade deste grupo e de outros insetos, tais como os himenópteros, possibilita a análise de informações que corroborem com decisões para fundamentar programas de conservação. De acordo com Ab’Saber (2003Ab’Saber, A. N. 2003. Os domínios de natureza no Brasil. Potencialidades paisagísticas. São Paulo, Ateliê Editorial. 159p.), deveríamos proteger e tratar especialmente a região cárstica do Brasil Central, apontando a necessidade da elaboração de um documento integrado em defesa da região do Pantanal.

Pinheiro-Machado et al. (2002Pinheiro-Machado, C.; Santos, I. A.; Imperatriz-Fonseca, V. L. Kleinert, A. M. P. & Silveira, F. A. 2002. Brazilian Bee Surveys. State of Knowledge, Conservation and Sustainable Use. In: Kevan, P. & Imperatriz-Fonseca, V. L.eds. Pollinating Bees - The Conservation Link Between Agriculture and Nature. Brasília, Ministry of Environment. p.115-129. ) apresentaram o estado da arte das comunidades de abelhas do Brasil e concluíram que existe grande variação da riqueza entre as localidades e que os valores mais altos estão entre 100-200 espécies. Silveira et al. (2006Silveira, F. A.; Pinheiro-Machado, C.; Alves-dos-Santos, I. Kleinert, A. M. P.& Imperatriz-Fonseca, V. L.2006. Taxonomic constraints for the conservation and sustainable use of wild pollinators - the Brazilian wild bees. In: Kevan, P. G. & Imperatriz-Fonseca, V. L.eds. Pollinating Bees: the conservation link between agriculture and nature. 2ed. Brasília, Ministério do Meio Ambiente, p. 41-50.) apontaram que o número total de espécies registradas para cada subfamília, em 46 inventários realizados no Brasil, não é algo que possa ser facilmente avaliado e a falta deste conhecimento acarreta num impedimento à conservação e uso das abelhas. A lista de espécies resultante de toda comunidade de abelhas destes inventários somam mais de 3.000 nomes, sendo que somente 1.000 deles correspondem a espécies identificadas. O restante de toda comunidade (4%), são espécies identificadas como ( confers - “cf” ou affinis - “aff”) que não puderam ser corretamente identificadas e cerca de 64% que não puderam ser determinadas até espécie (nome do gênero acompanhado de “sp.”). Temos avançado muito neste sentido com a publicação de um catálogo com uma versão impressa e outra on-line para as espécies de abelhas conhecidas da Região Neotropical ( Moure et al., 2007Moure, J. S.; Urban, D. & Melo, G. A. R.eds. 2007. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region. Curitiba, Sociedade Brasileira de Entomologia. 1058p., 2012 Moure, J. S.; Urban, D. & Melo, G. A. R.eds. 2012. Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region- online version. Disponível em: < Disponível em: http://www.moure.cria.org.br/catalogue >. Acessado em: 27/08/2012.
http://www.moure.cria.org.br/catalogue...
).

O conhecimento existente da diversidade de abelhas concentra-se nas regiões Sul, Sudeste e Norte do Brasil, com uma carência enorme de estudos nas regiões Centro-Oeste e Nordeste; correspondentemente, o número de inventários de diversidade recentes nas macro-regiões Pantanal e Caatinga e no litoral nordestino é extremamente reduzido em relação aos outros grandes biomas brasileiros ( IBAMA, 2002IBAMA. 2002. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. O Estado do meio ambiente no Brasil - GEOBRASIL 2002. Disponível em: Disponível em: http://ibama2.ibama.gov.br/cnia2/download/publicacoes/geobr/Livro/cap2/biodiversidade.pdf . Acessado em 13/12/2009.
http://ibama2.ibama.gov.br/cnia2/downloa...
).

Segundo Lucio et al. (2005Lucio A. P.; Antonini, Y. & Parentoni-Martins, R. 2005. Distribuição geográfica das espécies de abelhas do Brasil. In: VII Congresso de Ecologia do Brasil. Caxambu, MG.), há uma relação significativa positiva entre o número de trabalhos publicados por estado e a riqueza de espécies (r2 = 0, 663; p > 0,0001 e β= 0,824), o que pode explicar uma maior riqueza de espécies na região Sudeste (n= 1650) e uma menor na região Centro-Oeste (n=524). A Mata Atlântica concentrou o maior número de artigos publicados (27%) e a Caatinga (23%). Valores mais baixos foram encontrados para a Floresta Amazônica (18%), Campos Sulinos (16%), Cerrado (14%) e finalmente Pantanal, com apenas (2%) dos trabalhos.

Concordamos com Silveira et al. (2006Silveira, F. A.; Pinheiro-Machado, C.; Alves-dos-Santos, I. Kleinert, A. M. P.& Imperatriz-Fonseca, V. L.2006. Taxonomic constraints for the conservation and sustainable use of wild pollinators - the Brazilian wild bees. In: Kevan, P. G. & Imperatriz-Fonseca, V. L.eds. Pollinating Bees: the conservation link between agriculture and nature. 2ed. Brasília, Ministério do Meio Ambiente, p. 41-50.) que, ainda que muitas pessoas que trabalham com biologia ou ecologia não são aptas para utilizar as chaves de identificação disponíveis, nem para nível de tribo, tornando grande a dependência de um taxonomista, considerando a falta de revisões recentes para gêneros que são frequentes nas amostragens de abelhas, principalmente nas coletas em flores. Deste modo, percebemos que com a formação de coleções regionais, contribuímos para facilitar a identificação, ainda que genérica, dos grupos; e catálogos servidos com sistemas com interface on-line, como o que existe para Bombus, acessado pela página da rede no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos; o do Laboratório de Abelhas da USP e o do Laboratório de Ecologia Comparada de Hymenoptera da UFPR, são muito importantes neste sentido.

Futuramente pode ser facilitado o levantamento da diversidade de abelhas pela contribuição e alimentação com dados pelos próprios usuários de redes sociais, o que já está sendo utilizado para outros casos, como o da dengue, melhorando, facilitando e diminuindo gastos e tempo dos pesquisadores.

De acordo com Imperatriz-Fonseca et al. (2006Imperatriz-Fonseca, V. L.; Saraiva, A. M. & de Jong, D. eds. 2006. Bees as pollinators in Brazil: assessing the status and suggesting best practices. Ribeirão Preto, Holos. 112p.), num texto advindo da proposta de Iniciativa Brasileira de Conservação dos Polinizadores, recomenda-se uma combinação de metodologias para serem utilizadas em inventários rápidos da fauna de abelhas, mas enfatizam que o esforço de amostragem para cada um destes métodos de coleta deve ser registrado. Sempre que possível, a rede entomológica deveria ser utilizada para coleta. De certo modo a rede entomológica é uma técnica de captura que sofre forte influência da experiência do coletor em conhecer situações em ambientes que sejam propícios à determinadas espécies. Armadilhas não são seletivas e capturam muitas ordens e famílias de insetos, sendo seu emprego adequado em inventários que objetivem diversificar os táxons a serem amostrados ( Hanson & Gauld, 1995Hanson, P. E. & Gauld, I. D. 1995. The Hymenoptera of Costa Rica. Oxford, Oxford University Press. 893p.).

A varredura com rede entomológica em flores no presente estudo registrou o maior número de indivíduos e espécies, sendo 78 espécies capturadas somente com essa técnica, com valores próximos ao amostrado por Krug & Alves-dos-Santos (2008Krug, C. & Alves-dos-Santos, I. 2008. O uso de diferentes métodos para amostragem da fauna de abelhas (Hymenoptera: Apoidea), um estudo em Floresta Ombrófila Mista em Santa Catarina. Neotropical Entomology37(3):265-278. ), em Mata Ombrófila, Porto União - SC, quando coletaram 83 espécies, e obtiveram uma abundância total através de vários métodos de 1.339 espécimes de abelhas correspondendo a 130 espécies. Esses autores utilizaram também ninhos-armadilha e essências.

Para Gonçalves & Brandão (2008Gonçalves, R. B. & Brandão, C. R. F. 2008. Diversity of bees (Hymenoptera, Apidae) along a latitudinal gradient in the Atlantic Forest. Biota Neotropica 8(4):051-061.), a técnica mais efetiva na captura de abelhas foi a armadilha Malaise, com 647 indivíduos de 84 espécies coletadas, seguida da varredura da vegetação com 143 indivíduos de 39 espécies; as bandejas amarelas capturaram apenas sete indivíduos de cinco espécies. O emprego da armadilha de Malaise contribui com uma informação útil sobre a fauna de abelhas de determinada localidade, mas seu emprego exclusivo possivelmente subestima a riqueza total, como já foi constatado por Fraser et al. (2008Fraser, S. E. M.; Dytham, C. & Mayhew, P. J. 2008. The effectiveness and optimal use of Malaise traps for monitoring parasitoid wasps. Insect Conservation and Diversity 1:22-31. ) para Ichneumonidae (Vespoidea). Na Serra da Bodoquena foi percebido isto pela porcentagem de espécies amostradas pela armadilha de Malaise 17,43% .

Dentre os levantamentos feitos no Brasil, apenas recentemente as bandejas amarelas foram empregadas em inventários e apontam uma eficiência relativamente maior em comparação à captura em flores ( Krug & Alves-dos-Santos, 2008Krug, C. & Alves-dos-Santos, I. 2008. O uso de diferentes métodos para amostragem da fauna de abelhas (Hymenoptera: Apoidea), um estudo em Floresta Ombrófila Mista em Santa Catarina. Neotropical Entomology37(3):265-278. ; Souza & Campos, 2008Souza, L. & Campos, M. J. O. 2008. Composition and diversity of bees (Hymenoptera) attracted by Moericke traps in an agricultural area in Rio Claro, state of São Paulo, Brasil. Iheringia, Série Zoologia 98(2):236-243. ). Essa metodologia é muito utilizada na Costa Rica e, na América do Norte, faz parte das técnicas tradicionais de amostragem em trabalhos faunísticos de Hymenoptera ( Darling & Packer, 1988Darling, D. C. & Packer, L. 1988. Effectiveness of malaise traps in collecting Hymenoptera: the influence of trap design, mesh size, and location. The Canadian Entomologist 120(8-9):787-796. ; Hanson & Gauld, 1995Hanson, P. E. & Gauld, I. D. 1995. The Hymenoptera of Costa Rica. Oxford, Oxford University Press. 893p.). Percebeu-se que na Serra da Bodoquena tal método de coleta produziu resultados satisfatórios, sendo comparado com o trabalho de Krug & Alves-dos-Santos (2008Krug, C. & Alves-dos-Santos, I. 2008. O uso de diferentes métodos para amostragem da fauna de abelhas (Hymenoptera: Apoidea), um estudo em Floresta Ombrófila Mista em Santa Catarina. Neotropical Entomology37(3):265-278. ), onde nas bandejas amarelas foram capturadas 72 espécies (cerca 44% do total), sendo 27 espécies exclusivas a esse método. No Parque Nacional da Serra da Bodoquena, de 109 espécies capturadas, 27 foram em bandejas amarelas (24,77% do total), sendo 16 exclusivas a este método.

Temos um esforço amostral satisfatório para a Serra da Bodoquena, maior contínuo de Mata Estacional Decídua da América do Sul e suas adjacências (Porto Murtinho), contemplando os remanescentes do Chaco Brasileiro, onde são empregadas metodologias complementares, num extenso período de coleta; mesmo assim, ainda existe grande lacuna no conhecimento da fauna de abelhas em diversas regiões do Mato Grosso do Sul, principalmente no Pantanal e Chaco, que são biomas que estão sujeitos a pressões antrópicas intensas

Agradecimentos.

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia, Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação. A todos os pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Hymenoptera (HECOLAB), Manoel Fernando Demétrio, Tiago H. Auko, Nelson Rodrigues da Silva, Bhrenno M. Trad pelo auxilio nas expedições de coleta, organização do material, redação dos manuscritos e outras colaborações prestadas. A coordenação do PPG em Entomologia e Conservação da Biodiversidade e a Universidade Federal da Grande Dourados. A técnica Davileide de Sousa Borges (MuBio) pelo tombamento do acervo de abelhas. A Capes pela concessão das bolsas de mestrado e bolsa do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (Procad), convênio UFGD-UFPR, nas pessoas do Prof. Marcos Gino Fernandes e Mario Antonio Navarro da Silva. Aos professores UFPR (Curitiba), Gabriel A. R. Melo, Danúncia Urban, Antonio Aguiar, Felipe Vivallo e Kelli Ramos, pela orientação e identificação das espécies de abelhas. Aos funcionários do ICMBio, em especial Fernando Vilella. Aos proprietários e funcionários das fazendas na Serra da Bodoquena que viabilizaram o acesso para as coletas.

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Apêndice 1.


Espécies de abelhas (Hymenoptera: Apidae sensu lato) registradas para o estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Dados baseados em material obtido na literatura, nas coleções científicas disponíveis online e em inventários recentes. Os números em algarismos romanos são referentes às localidades citadas na Tab. II [Referências: Lima (2010)1; Brizola-Bonacina (2009)2; Ramos (2006)3; Ramos & Melo (2010)4; Aoki & Sigrist (2006)5; Moure et al. (2012)6; Coleção Entomológica Paulo Nogueira-Neto IB/USP (CEPANN)7; Coleção Entomológica Pe. Jesus Santiago Moure (Hymenoptera) (DZUP)8; Coleção Camargo - FFCLRP/USP (RPSP)9; Ferreira et al. (2011)10; Moure (1942)11; Moure (1999)12; Moure (2000)13; Vieira et al. (2008)14; Pedro & Camargo (2003)15; Pinho et al. (2010)16; Manente-Balestieri (2000)17; Urban (1998)18; Urban (1968)19; Moure (2002)20; Roig-Alsina (2003)21; Aguiar & Melo (2007)22; Almeida (2008)23; Gonçalves & Melo (2012)24; Gonçalves & Melo (2006)25. Coleções: Coleção Zoológica da UFMS (ZUFMS); Academy of Natural Sciences, Philadelphia, Pennsylvania, USA (ANSP); American Museum of Natural History, New York, USA (AMNH); Carnegie Museum, Pennsylvania, USA (CM); Snow Entomological Collection, USA (SEMK); Coleções Taxonômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brazil, F. A. Silveira (UFMG/LSEA); Museu da Biodiversidade da UFGD (MUBIO); Coleção Entomologia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Cassilâdia].

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    2017

Histórico

  • Recebido
    26 Dez 2016
  • Aceito
    06 Fev 2017
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