Estolomimus (Coleoptera, Cerambycidae, Desmiphorini): novas espécies e chave

Estolomimus (Coleoptera, Cerambycidae, Desmiphorini): new species and key

Resumo

New species described from Brazil: Estolomimus maculatus (Minas Gerais and São Paulo), E. transversus (Espírito Santo), E. lichenophorus (São Paulo), and from Bolivia: E. abjunctus (Beni). A key to the species is added.

Cerambycidae; Desmiphorini; Estolomimus; taxonomy


Cerambycidae; Desmiphorini; Estolomimus; taxonomy

ESTOLOMIMUS (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE, DESMIPHORINI): NOVAS ESPÉCIES E CHAVE

Ubirajara R. Martins1 1 . Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo; Caixa Postal 42594; 04299-970 São Paulo, SP, Brasil. , 3 1 . Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo; Caixa Postal 42594; 04299-970 São Paulo, SP, Brasil.

Maria Helena M. Galileo2 1 . Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo; Caixa Postal 42594; 04299-970 São Paulo, SP, Brasil. , 3 1 . Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo; Caixa Postal 42594; 04299-970 São Paulo, SP, Brasil.

ABSTRACT

ESTOLOMIMUS (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE, DESMIPHORINI): NEW SPECIES AND KEY. New species described from Brazil: Estolomimus maculatus (Minas Gerais and São Paulo), E. transversus (Espírito Santo), E. lichenophorus (São Paulo), and from Bolivia: E. abjunctus (Beni). A key to the species is added.

KEYWORDS. Cerambycidae, Desmiphorini, Estolomimus, taxonomy.

INTRODUÇÃO

O gênero Estolomimus foi estabelecido por Breuning (1940) para única espécie do nordeste brasileiro, E. marmoratus Breuning, 1940. Martins & Galileo (1997), ao revisarem o gênero, sinonimizaram Neoestola Breuning, 1940 e Estolomimus, descreveram novas espécies e fizeram novas combinações; consideraram seis espécies, todas com distribuição na Mata Atlântica.

O material do Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZSP) e do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ), enviado para estudo por M. A. Monné, contém novas espécies que são descritas; uma delas, E. abjunctus, amplia a distribuição do gênero para a Floresta Amazônica. Incluímos também nova chave para identificação das espécies.

Estolomimus maculatus sp. nov.

(Fig. 1)

Tegumento avermelhado. Vértice com pontos grandes, profundos e próximos. Lobos oculares superiores largos, com sete fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores grandes (quádruplo da área malar) ocupam quase todo lado da cabeça. Antenas não alcançam as extremidades dos élitros. Antenômeros com anéis estreitos de pubescência esbranquiçada na base e no ápice. Antenômero IV um terço mais longo do que o III e com o dobro do comprimento do V. Pronoto com três pequenos aglomerados de cerdas curtas: um à frente do escutelo e dois, um de cada lado, no terço posterior do pronoto. Poucas cerdas no restante da superfície pronotal. Élitros com manchas de cerdas amareladas (fig. 1) mais concentradas antes do meio; pontos do dorso, da base ao meio, não-organizados em fileiras. Lados do metasterno microesculturados. Fêmures e metatíbias unicolores, sem anel de tegumento amarelado. Lados do metasterno e urosternitos lisos e pubescentes.

Dimensões em mm, respectivamente, / . Comprimento total, 5,0/5,1; comprimento do protórax, 1,2/1,2; maior largura do protórax, 1,5/1,5; comprimento do élitro, 3,4/3,4; largura umeral, 1,9/2,0.

Material-tipo. Holótipo , BRASIL, São Paulo: São Paulo (Saúde), 3.I.1915, Melzer col. (MZSP). Parátipo , Minas Gerais: Viçosa, XII.1944, Wygodzinsky col. (MZSP).

Discussão. O colorido de E. maculatus lembra o de E. distinctus Martins & Galileo, 1997, mas E. maculatus tem lobos oculares superiores maiores e mais próximos; a borda anterior dos pontos do vértice e do pronoto não têm cerdas brancas; os élitros não têm faixa basal de pubescência amarelada; as manchas de pubescência amarelada dos élitros são mais numerosas; os pontos elitrais do dorso da região central não estão organizados em fileiras; os fêmures são unicolores, revestidos por pubescência uniforme, esbranquiçada; os lados do metasterno e os urosternitos têm pubescência uniforme e não são pontuados e as metatíbias são inteiramente avermelhadas. Em E. distinctus, os lobos oculares superiores têm cinco fileiras de omatídios e estão separados por distância equivalente ao dobro da largura de um lobo; os pontos do vértice e do pronoto têm uma cerda branca na borda anterior; a base dos élitros tem faixa transversal estreita de pubescência amarelada; as manchas amareladas dos élitros são menos numerosas; os pontos do dorso da região central dos élitros estão organizados em fileiras longitudinais; a metade apical dos fêmures tem pubescência amarelada entremeada por pontos contrastantes; os lados do metasterno e os urosternitos são pontuados e têm pubescência amarelada e as metatíbias têm anel central de tegumento amarelado.

Estolomimus transversus sp. nov.

(Fig. 2)

Tegumento castanho-avermelhado. Vértice e pronoto densamente pontuados, os pontos sem cerdas. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores com o quádruplo da área malar. Base e ápice dos antenômeros III-X revestidos por estreito anel de pubescência esbranquiçada. Pronoto sem áreas pubescentes. Escutelo revestido por densa pubescência amarelo-ouro. Élitros (fig. 2) com manchas de pubescência amarelo-ouro, mais ou menos organizadas em duas faixas transversais, que não tocam a sutura: uma no terço anterior, outra no terço posterior; mancha mais conspícua anteapical; pontuação entre as faixas organizada em fileiras longitudinais. Fêmures com pubescência esbranquiçada e sem pontos. Metatíbias unicolores. Metasterno e urosternitos I-IV microesculturados e sem pontos. Urosternito V () com alguns pontos.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 5,4-5,6; comprimento do protórax, 1,1-1,2; maior largura do protórax, 1,6-1,7; comprimento do élitro, 3,8-4,0; largura umeral, 2,3-2,4.

Material-tipo. Holótipo , BRASIL, Espírito Santo: Linhares (Parque Sooretama), X.1967, F. M. Oliveira col. (MNRJ). Parátipo , mesmos dados do holótipo (MZSP).

Discussão. Estolomimus transversus apresenta as metatíbias unicolores como E. maculatus e difere pelos caracteres mencionados na chave. O padrão de colorido dos élitros (fig. 2) é característico.

Estolomimus abjunctus sp. nov.

(Fig. 3)

Tegumento de maneira geral avermelhado, mais escuro na cabeça. Fronte densamente pontuada. Lobos oculares superiores com três fileiras de omatídios, tão afastados entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Lobos oculares inferiores apenas mais longos do que a área malar. Antenas com tegumento amarelado: antenômeros III, VI, VIII, X, exceto no extremo apical, castanho-escuros; metade basal dos antenômeros IV, V, VII e IX; antenômero XI inteiramente acastanhado. Escapo com 2/3 do comprimento do antenômero III. Metade posterior do pronoto com raras e pequenas manchas de pubescência clara. Élitros (fig. 3) com o terço anterior brilhante e os 2/3 apicais recobertos por escamas branco-amareladas; terço anterior praticamente sem pubescência. Mesepisternos com pontos grandes em toda superfície. Metasterno e urosternitos densamente pontuados em toda superfície com lados providos de pubescência amarelada. Tíbias com largo anel central, amarelado.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 5,0; comprimento do protórax, 1,1; maior largura do protórax, 1,4; comprimento do élitro, 3,5; largura umeral, 1,9.

Material-tipo. Holótipo ">, BOLÍVIA, Beni: Rurrenabaque (175 m), X.1956, L. Peña col. (MNRJ).

Discussão. Estolomimus abjunctus caracteriza-se pelo colorido das antenas. O padrão de colorido dos élitros é semelhante ao de E. apicale Martins & Galileo, 1997, mas E. abjunctus distingue-se, além do colorido das antenas, pelo pronoto com manchas raras e pequenas de pubescência clara; pela parte recoberta por pubescência clara ocupar os dois terços apicais dos élitros; pela presença de pubescência amarelada na metade apical dos fêmures, nos lados do metasterno e dos urosternitos.

Estolomimus lichenophorus sp. nov.

(Fig. 4)

Tegumento de maneira geral avermelhado. Antenas com tegumento amarelado na metade basal do artículo IV; nos antenômeros VI, VIII, X, menos no ápice; XI com anel central castanho. Cabeça revestida por pubescência esbranquiçada. Lobos oculares superiores com quatro fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Lobos oculares inferiores pouco mais longos que a área malar. Protórax quase inteiramente revestido por pubescência esbranquiçada. Élitros com uma faixa transversal de pubescência esbranquiçada que reveste a declividade basal; o restante do terço anterior tem escassa pilosidade; os 2/3 apicais (fig. 4) revestidos por pubescência esbranquiçada com tonalidade discretamente esverdeada. Lados do metasterno revestidos por pubescência esbranquiçada entremeada por raros pontos unicolores.

Dimensões em mm, respectivamente /. Comprimento total, 4,4-5,2/6,0; comprimento do protórax, 1,0-1,1/1,2; maior largura do protórax, 1,4-1,5/1,6; comprimento do élitro, 3,0-3,8/4,4; largura umeral, 1,8-2,0/2,4.

Material-tipo. Holótipo , BRASIL, São Paulo: Peruíbe, I.1945, Coleção H. Zellibor (MNRJ). Parátipos: São Paulo (Cantareira), , 10.IV.1941, Coleção H. Zellibor (MZSP); (Jabaquara), , 4.X.1953, Coleção H. Zellibor (MNRJ).

Discussão. E. lichenophorus assemelha-se à E. curtus (Breuning,1940), mas se distingue principalmente pela pubescência corporal que é mais densa e, nos élitros, tem colorido branco-esverdeado. Em E. curtus a pilosidade da base dos élitros é mais amarelada.

Chave para as espécies de Estolomimus

1. Metatíbias unicolores com tegumento escuro...............................................2

Metatíbias com anel central de tegumento branco............................................7

2(1). Antenômero III unicolor com tegumento escuro......................................3

Antenômero III bicolor, amarelado na base.....................................................6

3(2). Élitros em grande parte recobertos por pubescência esbranquiçada, amarelada ou branco esverdeada....................................................................4

Élitros sem grandes áreas cobertas por pubescência clara................................5

4(3). Pubescência elitral esverdeado-clara; sem faixa de pubescência branca no meio dos élitros; (fig. 4). Brasil (São Paulo)....................................................E. lichenophorus sp. nov.

Pubescência elitral amarelada; com faixa de pubescência esbranquiçada no meio dos élitros. Brasil (Espírito Santo ao Rio Grande do Sul)................................E. curtus (Breuning, 1940)

5(3). Escutelo revestido por escassa pubescência esbranquiçada; pontos do dorso da metade apical dos élitros não-organizados em fileiras; pubescência elitral branco-amarelada organizada em manchas em toda a metade anterior; (fig. 1). Brasil (Minas Gerais, São Paulo)...................................................................E. maculatus sp. nov.

Escutelo revestido por densa pubescência amarelo-ouro; pontos do dorso da metade apical dos élitros organizada em fileiras; pubescência elitral amarelo-ouro mais concentrada em duas faixas transversais e estreitas (fig. 2). Brasil (Espírito Santo)..........................................................................................................E. transversus sp. nov.

6(2). Metade apical dos élitros salpicada de máculas de pubescência alaranjada; anel basal do antenômero III com tegumento branco. Brasil (Santa Catarina).E. pulvereus Martins & Galileo, 1997

Metade apical dos élitros marmoreada por pubescência amarelada; terço basal do antenômero III com tegumento alaranjado. Brasil (Ceará).............................E. marmoratus Breuning, 1940

7(1). Pontos da região central do dorso dos élitros não-organizados em fileiras; metade ou terço apical dos élitros revestidos por pubescência densa, branco-amarelada ou amarelada...............................................................................8

Região dorso-central dos élitros com pontos alinhados em fileiras longitudinais; metade apical dos élitros com manchas pequenas de pubescência amarelada. Brasil (Espírito Santo)...................................................................................E. distinctus Martins & Galileo, 1997

8(7). Antenômero III amarelado com ponta preta; áreas de pubescência clara na metade posterior do pronoto, raras e pequenas; na região apical dos élitros inicia-se pouco à frente do meio; (fig. 3). Bolívia.....................................................E. abjunctus sp. nov.

Antenômero III preto com anel basal amarelo; metade posterior do pronoto com áreas mais numerosas de pubescência branco-amarelada; a pubescência clara na região apical dos élitros inicia-se depois do meio............................................9

9(8). Base dos élitros concolor com o terço anterior, sem faixa transversal de pubescência; terço apical recoberto por pubescência compacta, esbranquiçada; lobos oculares superiores largos, com 6 fileiras de omatídios; lobos oculares inferiores com o dobro do comprimento da área malar. Brasil (Espírito Santo).E. apicale Martins & Galileo, 1997

Base dos élitros com faixa transversal de pubescência amarelada interrompida pelos pontos; terço apical dos élitros recoberto por pubescência amarelada, compacta; lobos oculares superiores estreitos, com 4 fileiras irregulares de omatídios; lobos oculares inferiores com a metade do comprimento da área malar. Brasil (Rio de Janeiro a Santa Catarina)..........................................................E. solidus (Breuning, 1940)

Agradecimentos. Ao colega M. A. Monné (MNRJ) pelo empréstimo de material; a Rejane Rosa (Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul) pela execução das figuras.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Recebido em 07.11.2001; aceito em 27.03.2002

2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul; Caixa Postal 1188; 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil.

3. Pesquisador CNPq.

  • Breuning, S. 1940. Novae species Cerambycidarum. VIII. Folia zool. hydrobiol., Riga, 10:37-85.
  • Martins, U. R. & Galileo, M. H. M. 1997. Revisão dos gêneros Pseudestola Breuning, Estolomimus Breuning e Euestola Breuning (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae, Desmiphorini). Revta bras. Zool., Curitiba, 14(1):99-112.

  • 1
    . Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo; Caixa Postal 42594; 04299-970 São Paulo, SP, Brasil.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Set 2002
  • Data do Fascículo
    Jun 2002

Histórico

  • Aceito
    27 Mar 2002
  • Recebido
    07 Nov 2001
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