Durante consulta ambulatorial, uma mulher de 66 anos, pesando 46 kg, com diagnóstico de bronquiectasias há 8 anos relatou tosse com pouca expectoração e fadiga há vários anos, além de sudorese noturna nos últimos 2 anos. No ano anterior, foi tratada para pneumonia, com melhora clínica. No entanto, meses depois, voltou a apresentar sudorese noturna e apresentou agravamento da fadiga. A TC de tórax revelou agravamento das bronquiectasias nodulares com densificação do parênquima circunjacente no lobo médio e língula (Figura 1). Foi realizada broncoscopia eletiva. O ensaio de PCR para micobactérias no lavado broncoalveolar foi positivo para micobactérias não tuberculosas, e a cultura revelou Mycobacterium intracellulare sensível a macrolídeos. A paciente recebeu um regime diário de azitromicina, rifampicina e etambutol durante 14 meses, com melhora substancial.
TC axial de tórax mostrando bronquiectasias nodulares com densificação parenquimatosa circunjacente no lobo médio e língula.
A síndrome de Lady Windermere é rara, correspondendo a um padrão de infecção pulmonar pelo complexo M. avium, e é uma causa de bronquiectasias.1 Em virtude de seu curso insidioso, com sintomas inespecíficos, é provavelmente subdiagnosticada.2 Embora a supressão voluntária da tosse tenha sido descrita como possível patogênese da síndrome de Lady Windermere,1 isso não foi identificado em nossa paciente.
Bronquiectasias, especialmente no lobo médio e língula, em idosas brancas imunocompetentes devem sempre levar à pesquisa de infecção micobacteriana não tuberculosa.
Referências bibliográficas
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1 Reich JM, Johnson RE. Mycobacterium avium complex pulmonary disease presenting as an isolated lingular or middle lobe pattern. The Lady Windermere syndrome. Chest. 1992;101(6):1605-1609. http://dx.doi.org/10.1378/chest.101.6.1605
» http://dx.doi.org/10.1378/chest.101.6.1605 -
2 Blanco-Conde S, Nebreda-Mayoral T, Labayru-Echeverría C, Brezmes-Valdivieso MF, López-Medrano R, Nogueira-González B. Lady Windermere syndrome in Castile and León. Enferm Infecc Microbiol Clin (Engl Ed). 2018;36(10):644-647. http://dx.doi.org/10.1016/j.eimc.2017.12.008
» http://dx.doi.org/10.1016/j.eimc.2017.12.008


