Machado de Assis e a imitação burlesca de discursos e práticas socioculturais* * Este artigo resultou de uma pesquisa de pós-doutorado, realizada junto ao CJE (Centro de Jornalismo e Editoração), da ECA-USP, com auxílio da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (processo n. 2011/23690-7).

Machado de Assis and the burlesque imitation of socio-cultural discourses and practices

Jaison Luís Crestani Sobre o autor

Este artigo apresenta uma análise de "A sonâmbula" (1878), uma das primeiras narrativas breves, em forma dramática, publicadas por Machado de Assis nas páginas do jornal O Cruzeiro. O estudo da interação dinâmica do autor com o contexto de produção do periódico permite identificar os traços de sua inscrição singular em projetos editoriais coletivos e os resultados criativos decorrentes da apropriação do conjunto de discursos, códigos e signos que formam a cultura de seu tempo. A dominante estilística do material remetido ao jornal consiste no humor, na paródia, na experimentação formal e na irreverência crítica – aspectos que responderiam pela inscrição da literatura machadiana na tradição da sátira menipeia. Com a análise dessa narrativa, pretende-se demonstrar, portanto, que O Cruzeiro afirma-se como mediador e suporte, por excelência, dos exercícios experimentalistas que resultaram na transformação da prática criativa de Machado de Assis ao final da década de 1870.

Machado de Assis; O Cruzeiro; "A sonâmbula"; humor; paródia


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