Open-access Os olhares e percepções da comunidade escolar sobre a Educação Física: um estudo do tipo etnográfico em uma escola de uma rede municipal de ensino

The views and perceptions of the school community on Physical Education: an ethnographic study in a municipal public school system

Las visiones y percepciones de la comunidad escolar sobre la Educación Física: un estudio etnográfico en una escuela de la red municipal de enseñanza

Resumo

O presente estudo se dedica a analisar a percepção da comunidade escolar sobre a prática educativa na disciplina de Educação Física em uma escola do município, no estado de Santa Catarina. Para responder o objetivo do estudo foi realizada uma pesquisa do tipo etnográfica em uma escola pública municipal. Participaram como sujeitos da pesquisa professores de diferentes disciplinas e familiares de estudantes matriculados na escola. Para o processo de coleta de dados foi utilizada a observação participante, diário de campo, questionário e entrevista semiestruturada. Foi identificado que a experiência prévia dos estudantes em relação com a comunidade escolar, e a interação com uma cultura esportiva constrói o olhar sobre a seleção dos conteúdos programáticos da Educação Física. Assim os diferentes olhares e percepções interagem com a cultura escolar do referido campo, movimentando a identidade da Educação Física na escola.

Palavras-chave
Identidade escolar; Educação Física Escolar; Percepção da comunidade escolar; Cultura escolar

Abstract

This study aims to analyze the school community’s perception of educational practice in Physical Education at a municipal school in the state of Santa Catarina. To meet the study objective, ethnographic research was conducted in a municipal public school. The study participants were teachers from different subject areas and family members of students enrolled in the school. Data were collected through participant observation, field notes, questionnaires and semi-structured interviews. The study found that students' previous experiences within the school community and their interaction with a sports culture shape perceptions of the selection of Physical Education curriculum content. Thus, the different views and perceptions interact with the school culture of the study setting, shaping the identity of Physical Education at the school.

Keywords
School identity; School Physical Education; School community perception; School culture

Resumen

Este estudio tiene como objetivo analizar la percepción de la comunidad escolar sobre la práctica educativa en la disciplina de Educación Física en una escuela municipal en el estado de Santa Catarina. Con el fin de alcanzar este objetivo, se realizó una investigación etnográfica en una escuela pública municipal. Los sujetos de investigación fueron profesores de diferentes disciplinas y familiares de estudiantes matriculados en la escuela. Para el proceso de recolección de datos, se utilizaron la observación participante, el diario de campo, el cuestionario y la entrevista semiestructurada. Se identificó que la experiencia previa de los estudiantes dentro de la comunidad escolar junto con su interacción con una cultura deportiva, moldea las percepciones sobre la selección de los contenidos de Educación Física. Así, las diferentes visiones y percepciones interactúan con la cultura escolar de este contexto, configurando la identidad de la Educación Física en la escuela.

Palabras clave
Identidad escolar; Educación Física escolar; Percepción de la comunidad escolar; Cultura escolar

1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS

Este estudo, que se origina a partir de uma dissertação de mestrado1, tem como objetivo analisar a percepção da comunidade escolar quanto ao componente curricular Educação Física na escola, partindo do entendimento de que a Educação Física se constituiu como campo educacional a partir de transformações e questionamentos quanto ao seu papel, significado e, até mesmo, sua identidade. É um esforço intelectual compreendê-la como componente curricular sistêmico no cotidiano da escola de educação básica. Esta proposta se respalda e se soma a outros estudos (Soares et al., 2012; Neira, 2019; Kunz, 1991, 2020; Bracht, 2000; Freire, 1991; Bossle; Bossle, 2018), para problematizar ou (re)pensar a Educação Física não somente como componente isolado, mas como parte de um sistema complexo (Morin, 2015) que caracteriza a práxis educativa. O estudo, portanto, parte das reflexões de Edgar Morin para analisar a cultura escolar, prática educativa e identidade docente a partir do paradigma da complexidade, bem como citando elementos importantes da cultura escolar, suas interpretações e interações com o contexto a partir das ideias propostas por Julia (2001); Geertz (2008); Molina Neto (1997) e Pérez Goméz (2001).

A partir destes diferentes olhares provenientes dos mais diferentes grupos que transitam pelo contexto escolar, observa-se que as percepções carregadas pelos sujeitos são frutos de situações vivenciadas durante seus períodos enquanto alunos do ensino regular básico, bem como do contexto escolar em que estiveram inseridos. Assim, estas informações que se cruzam dentro da unidade escolar, modificando e sendo modificadas pela cultura pré-existente neste espaço, é o que Perez Gomez (2001) chama de entrecruzamento de culturas. Para o autor, “a escola e o sistema educativo em seu conjunto podem ser entendidos como uma instância de mediação entre os significados, os sentimentos, as condutas da comunidade social e o desenvolvimento particular das novas gerações" (Perez Gomez, 2001, p.11). Reiterando a ideia de Geertz (2008), da cultura como uma ciência interpretativa através das suas teias de significados, este é um “[...] fenômeno fundamental e radicalmente interativo e hermenêutico, que requer interpretação mais do que explicação causal” (Perez Gomez, 2011, p.11). Sendo assim, conhecer e interpretar uma cultura escolar é um processo complexo e sem fim.

É importante frisar que os dados levantados nesta pesquisa serão analisados à luz do paradigma da complexidade de Edgar Morin. Cabe compreender que o olhar complexo é um fenômeno quantitativo, que não leva em consideração apenas as quantidades, mas sim as “incertezas, indeterminações, fenômenos aleatórios” (Morin, 2015, p. 35). Para o autor, qualquer aquisição ou construção de conhecimento irá selecionar os dados mais significativos e rejeitar aqueles que não são importantes para o que se deseja conhecer (Morin, 2015). A partir disto, a complexidade contribui a partir da identificação de

[...] traços e inquietantes do emaranhado, do inextricável, da desordem, da ambiguidade, da incerteza... Por isso o conhecimento necessita ordenar os fenômenos rechaçando a desordem, afastar o incerto, isto é, selecionar os elementos da ordem e da certeza, precisar, clarificar, distinguir, hierarquizar [...]

(Morin, 2015, p.13-14).

Com isso, Conceição e Molina Neto (2017, p. 828) observam que “a complexidade não é um método, mas uma maneira de pensar, uma organização sobre a forma como observamos e tratamos o objeto de estudo”. É possível “quebrar” as barreiras organizacionais e simplificadoras pelas quais o conhecimento chega até as pessoas, buscando a legitimidade dos estudos por meio da complexidade.

Por isso, concordamos em afirmar a importância de ouvir os sujeitos que transitam pelo ambiente escolar e compreender os seus olhares, percepções e complexidades, levando em consideração os diferentes contextos socioculturais do qual descendem, moldando e transformando a realidade que estão inseridos.

2 DECISÕES METODOLÓGICAS

Este estudo utilizou a etnografia dentro do contexto escolar (André, 2012), como possibilidade de compreender e construir conhecimento a partir da visão sobre as culturas que atravessam e constituem a escola, fato este que vem sendo deixado de lado por muito tempo dentro da educação e principalmente da Educação Física Escolar. Com isso o pesquisador etnográfico reconhece e caracteriza a cultura que, para Aguirre Baztán (1995), é a base para o conhecimento antropológico.

Todos os sujeitos assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido e tiveram seus nomes civis preservados. Essas decisões representam o cuidado com os aspectos éticos da pesquisa, que foi aprovada pelo Comitê de ética em Pesquisa. A unidade de ensino, que foi campo de investigação, é uma escola da Rede Municipal de Ensino do município de São José, do estado de Santa Catarina, a qual identificamos com o nome de CEM2 Liberdade.

Os sujeitos participantes desta pesquisa são membros da comunidade escolar e foram divididos em três segmentos: 1. Pais/responsáveis; 2. Professores; 3. Trabalhadores da unidade escolar. A pesquisa foi registrada e aprovada no comitê de ética da Universidade Federal de Santa Catarina3.

Inicialmente, os participantes de cada segmento receberam um questionário com questões relacionadas aos objetivos deste estudo. No total, 46 pessoas se disponibilizaram a participar da pesquisa e aceitaram os seus termos para responderem o questionário, encaminhado e formatado via Google Forms. Em seguida, foram selecionados 01 representante do segmento pais/responsáveis4; 02 representantes do segmento professores e 02 representantes do segmento trabalhadores da unidade escolar, para participar da entrevista semiestruturada.

O paradigma da complexidade de Edgar Morin teve sua importância para a análise dos dados, pois a partir da sua visão de mundo, caracterizado pela incerteza e desordem foi possível traçar estratégias com vistas à superação de uma visão simplificadora do fenômeno a que esse estudo se propôs a analisar. Nesse sentido, os dados coletados foram triangulados e analisados à luz do referencial teórico indicado na introdução deste artigo. Esse processo produziu unidades de significados e categorias analíticas exploradas no decorrer deste trabalho. Tais categorias são apresentadas nas seguintes seções: Era uma vez; Os sentidos/marcas da Educação Física na escola; A importância da Educação Física na escola.

3 ERA UMA VEZ

Esta seção tem como objetivo central identificar, através das memórias, as percepções (históricas) dos sujeitos participantes da pesquisa no período em que eram alunos do ensino básico e consequentemente participantes das aulas de Educação Física.

Levando em consideração as lembranças que tinham de suas aulas de Educação Física enquanto estudantes, os participantes da pesquisa justificam a forma como percebem o componente curricular atualmente na escola. Avista-se a importância dos currículos nesse processo perceptivo, onde Sacristan (2000, p. 165) diz que “[...] o currículo molda os docentes, mas é traduzido na prática por eles mesmos – a influência é recíproca”. Dessa forma, conseguimos perceber que a convivência enquanto alunos, ou agora enquanto membros da comunidade escolar, com as propostas curriculares, são fatores decisivos para justificar as percepções quanto ao trato do conhecimento da Educação Física.

Justifica-se esta afirmação a partir dos seguintes relatos:

Do sexto ano em diante, a Educação Física era separada, turmas de meninos e outra de meninas, trabalhava muita questão de modalidade esportiva. Então eu tinha, por exemplo, aulas que a gente trabalhava com jogos, né? Vamos hoje fazer um jogo entre equipes de vôlei, hoje vamos fazer um jogo entre equipes de futsal. Mas tinha vezes que era como se fosse o treino daquele jogo. Hoje a gente vai treinar passe, ou saque, ou chute a gol. Tinham aulas que eram mais treinos e outras mais jogos entre equipes (Diretora).

Eu participava porque eu amava a aula, apesar do professor ser ignorante, grosso, daquele jeito: é a bola para os meninos, vôlei para as meninas... Ele fazia umas atividades que creio que sejam de atletismo, prova física, de resistência mesmo. Quantos polichinelos tu aguentas? Quantas flexões de braço? Quantos daqueles agacha, levanta, agacha, levanta, agacha, levanta. E eu amava, amava, amava aquela correria. (Professora 1).

Eu lembro das brincadeiras de salto que a gente tinha, que eu vou dizer, não é quadra, era um buraco lá feito, deve ter outro nome, desculpa, não lembro agora. E a gente saltava e tinha que marcar quem saltava mais longe. Tinha bastante atletismo, eu lembro de bastante brincadeira, eu nunca fui muito fã de bola... (Professora 2).

No início era, vamos dizer, brincadeiras, né? Principalmente em épocas de chuva, a gente brincava muito, era, deixava mais livre, não tinha tanto conteúdo até teórico, né? Eram mais brincadeiras. Depois, no ensino médio, no fundamental, a gente vai tendo teorias sobre tipo de vôlei, né? Sobre a história da educação física. E tinha muito, eu me lembro que tinha muitas brincadeiras, eu não sei se seria dito como exercícios, né? Ou era brincadeira, tipo, pular, tinha um cavalete, a gente tinha que correr, parar, pular, no outro lado. São coisas que mais me recordo. (Responsável 1).

É possível perceber, a partir dos relatos, que os participantes vivenciaram diferentes épocas enquanto estudantes do ensino regular, assim como propostas curriculares diversas. Mesmo com esta distinção, é evidente a forte cultura esportiva do componente curricular Educação Física ao longo dos tempos. O que pode ser justificado por Figueiredo (2004, p. 95),

Há uma forte identificação com esportes por parte dos alunos e as instituições de ensino parecem aproveitar-se dessa predisposição, constituída socialmente, para consolidar/reproduzir o sistema esportivo, principalmente, no que se refere à seletividade para a formação de equipes escolares.

É possível visualizar no cenário atual, uma mudança que nos parece ser positiva nas formas de tratar os conteúdos dentro do componente curricular Educação Física. Mesmo que, ainda hoje, a esportivização destas propostas sejam bem aceitas por grande parte dos alunos, a modificação dos currículos, bem como a formação continuada dos professores, podem ser fatores decisivos para (re)pensar uma Educação Física visando a formação integral dos sujeitos.

Fica evidente, até mesmo na Base Nacional Comum Curricular, com todos os seus problemas e críticas que têm sido direcionadas a ela, a prioridade da expressão corporal e cultura corporal de movimento como saberes primordiais a serem apreendidos pelos estudantes, a noção de corpo como objeto de comunicação com o mundo por meio da cultura, dos gestos, dos gostos, sentimentos e significados. Assim,

o movimento humano está sempre inserido no âmbito da cultura e não se limita a um deslocamento espaço-temporal de um segmento corporal ou de um corpo todo. Logo, as práticas corporais são textos culturais passíveis de leitura e produção

(Brasil, 2017, p.171).

Podemos problematizar esta compreensão de corpo por meio do que Merleau-Ponty (1999 p.11) chama de “percepção do corpo próprio”, relacionando a partir da fenomenologia ao conceito de corporeidade. Não basta dividir o corpo em seus sistemas funcionais para poder conhecê-lo, mesmo sabendo que, dessa forma, “facilitaria” a sua compreensão. Com isso “[...] é necessário reencontrar o corpo operante e atual, aquele que não é um pedaço de espaço, um feixe de funções, que é um entrançado de visão e movimento” (Merleau-Ponty,1999, p. 19), buscando novas percepções e (re)significando o corpo.

Compreender a unidade corpo/mente é importante, pois ambos devem caminhar juntos no processo de autoconhecimento corporal, uma vez que através da representação e dos movimentos, percebe-se e compreende-se o corpo, caracterizando a corporeidade (Merleau-Ponty, 1999).

Stuart Hall (2003), por meio das diásporas5 ocorridas principalmente no período da escravidão, nos mostra que os africanos tinham em seus corpos o último capital cultural que possuíam. Esses, ao serem usurpados, fizeram (os escravistas) deles instrumentos de trabalho, interesses pessoais e políticos. Da mesma forma, aconteceu com os corpos indígenas durante as grandes navegações. Concordamos com Antonacci (2016, p. 250) que, a partir desse apoderamento corporal, “fluíram contra narrativas, contra conhecimentos, filosofias e modos de ser”, trazendo à tona “elementos de um discurso diferente em sua expressividade, musicalidade, oralidade e, sobretudo, em seu uso metafórico do vocabulário musical” (Hall, 2003, p. 341-342).

Nesse espaço chamado escola, dentro das aulas do componente curricular Educação Física, não podemos deixar de lado as discussões referentes à corporeidade humana, presente nas mais diversas situações dentro do contexto escolar. Esta, segundo Morin (2008), tem sua origem a partir da cosmogênese, surgindo de uma nuvem de fótons que se dilatou no cosmo. Assim, a corporeidade humana a partir da compreensão do paradigma da complexidade, surge como um “depósito” de toda a herança evolutiva dos corpos, compreendendo o ser humano como sujeito complexo, com suas características presentes historicamente.

Pensando os corpos, a partir de um olhar complexo, além da matéria e da mente, “[...] tenta dar conta daquilo que os tipos de pensamentos mutilante se desfaz, excluindo o que eu chamo de simplificadores e por isso ele luta, não contra a incompletude, mas contra a mutilação” (Morin 2008, p.176). Assim, da mesma forma que a corporeidade faz com que se supere a ideia do corpo apenas como matéria, a complexidade busca a “junção dos conceitos que lutam entre si” (Morin, 2008, p.192).

Percebe-se a importância de refletir culturalmente os currículos da Educação Física nas escolas, sendo que a “[..] experiência escolar é um campo aberto ao debate, ao encontro de culturas e à confluência de práticas corporais pertencentes a vários setores sociais” (Neira, 2018, p. 9). Com isso, se constitui uma escola acolhedora, com espaços para discussões, vivências, com enriquecimento da cultura corporal dos sujeitos/alunos, movimentando a identidade deste componente curricular.

Estudos realizados por Silva e Molina Neto (2014), Fabri, Rossi e Ferreira (2016), Rigoni e Daolio (2017), Marani, Sanches Neto e Freire (2017) demonstram a importância de compreender quais as percepções dos sujeitos referentes aos conteúdos tratados nas aulas de Educação Física na educação básica, refletindo na percepção que os sujeitos têm deste componente curricular.

Silva e Molina Neto (2014) nos mostram que os estudantes percebem a Educação Física como possibilidades de realização de práticas corporais relacionadas ao esporte, momentos de lazer, liberdade e compreensão para uma vida saudável. Já Fabri, Rossi e Ferreira (2016) apresentam experiências narradas pelos estudantes, com indagações aos docentes do componente curricular de Educação Física, movimentando os saberes orgânicos para saberes verbalizados, construindo uma experiência discente como um tipo de saber. Rigoni e Daolio (2017) indicam que as meninas, participantes da pesquisa, percebem a Educação Física na escola como uma maneira de educar os seus corpos por meio das práticas corporais visando às suas vidas extraescolares, percepção esta vinculada a partir de conceitos religiosos em que se baseiam. Marani, Sanches Neto e Freire (2017) indicam que o entendimento que os professores de Educação Física possuem dos currículos, interfere e transforma a ação dos docentes.

Percebemos, dessa forma, após análises das produções científicas que diretamente/indiretamente dialogam com os objetivos deste estudo, que o currículo é um fator importante para a construção e movimentação das percepções que os sujeitos participantes do contexto escolar (sejam eles professores, alunos, demais trabalhadores da unidade escolar e pais dos alunos) apresentam da Educação Física enquanto componente curricular na educação básica. No próximo tópico, iremos apresentar como estas interações com a Educação Física na escola vão estabelecer sentidos e/ou marcas históricas nos sujeitos participantes do contexto escolar.

4 OS SENTIDOS/MARCAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA

Nesta seção, demonstramos como os sujeitos participantes deste estudo constroem os sentidos da Educação Física na escola, bem como as suas marcas que se formam a partir das suas caminhadas históricas, interagindo com a suas percepções.

Nas entrevistas, observamos que os participantes não identificam algo que os marcou enquanto alunos do ensino regular no componente curricular Educação Física. Momentos positivos e negativos foram evidenciados em forma de lembranças, e até mesmo de traumas, mas não foi possível perceber que esses “bons momentos” merecem ser contemplados.

De acordo com esse dado, surgem diversos questionamentos que merecem uma reflexão como: quais os sentidos da aplicação dos seus conteúdos programáticos? Por que a Educação Física nas escolas? Como contemplar a prática esportiva? Bracht (1995) já indagava: qual seria a essência da Educação Física? Como se movimentam os olhares da prática educativa?

No que tange ao papel social da Educação Física, alguns sujeitos não percebem sua importância no processo de formação integral dos alunos, ficando evidente a necessidade de problematizar o cotidiano escolar e todas as suas interações sociais e culturais, entrecruzando com o componente curricular Educação Física.

Quando se transfere o olhar para a identidade da disciplina, nota-se, a partir dos relatos dos participantes da pesquisa, uma visão esportivizada, inclusive enquanto conteúdo programático na escola. Essa imagem (ou identidade na ótica dos entrevistados) vem caminhando ao longo dos anos, passando pelo período de estudantes, até os dias de hoje, como sujeitos atuantes na comunidade escolar.

Essas percepções carregadas pelos sujeitos, se relacionam com os processos pedagógicos utilizados pelos docentes que passaram por suas trajetórias escolares no período em que foram estudantes da educação básica. Portanto, é necessária a compreensão do que seja a pedagogia, que para Soares e colaboradores (2012, p. 14) é a síntese entre “a teoria e método que constrói os discursos, as explicações sobre a prática social e sobre a ação dos homens na sociedade, onde se dá a sua educação”, carregando consigo as teorias educacionais relacionadas a tempo ou momento histórico.

Identifica-se estas relações nas falas a seguir:

Eu participava porque eu amava a aula, apesar do professor ser o ignorante, grosso, daquele jeito é a bola para os meninos, vôlei para as meninas... ele fazia umas coisas lá de atletismo, prova física, de resistência mesmo. Quantos polichinelos tu aguentas? Quantas flexões? Quantos agacha, levanta, agacha, levanta, agacha, levanta? E eu amava, amava, amava aquela correria [...]. Eu acho que hoje em dia, caso fosse aluna, ia ser bem melhor, ia ser bem mais divertido. Se na minha época que não tinha nada de atrativo, já era divertido (Professora 1).

Eu lembro das brincadeiras de salto que a gente tinha, que eu vou dizer, não é quadra, era um buraco lá feito, deve ter outro nome, desculpa, não lembro agora. E a gente saltava e tinha que marcar quem saltava mais longe. Tinha bastante atletismo, eu lembro de bastante brincadeira, eu nunca fui muito fã de bola, mas das brincadeiras e coisas eu lembro bastante das aulas de Educação Física [...]. Tanto que nessa fase que eu não gostava de fazer Educação Física, me escondia e não queria fazer, eu acho que foi aí que eu comecei a ver a importância, né? Porque quando foi uma coisa prazerosa, era uma coisa que me dava prazer, que era gostoso fazer, né? Eu acho que foi nesse momento aí que eu comecei a despertar. Não, espera aí, Educação Física não é só um encher de linguiça, não é só mais uma matéria, é uma matéria e a importância dela, né? E hoje eu reconheço isso (Professora 2).

Eu lembro que na época dos anos iniciais eram atividades mais recreativas, então a gente tinha atividade ao ar livre, aquelas atividades de pique -esconde, pega -no -rabo, coelhinho -sai -da -toca, tinha atividades mais voltadas a recreação. Quando começou de sexto em diante, trabalhava muita questão de modalidade esportiva. Então eu tinha, por exemplo, aulas que a gente trabalhava com jogos, né? Vamos hoje fazer um jogo entre equipes de vôlei, hoje vamos fazer um jogo entre equipes de futsal. Mas tinha vezes que era como se fosse o treino daquele jogo. Hoje a gente vai treinar passe, ou saque, ou chute a gol. Tinham aulas que eram mais treinos e outras mais jogos entre equipes [...]. Eu participava porque eu gostava e eu era bem ativa na educação física. Eu achava que era um estímulo maior também para a questão do estudo, porque era um momento que a gente se descontraía, sabe? Era um momento diferente, era um momento que fazia com que a gente se sentisse melhor. Era um momento que a gente conseguia esfriar um pouco a cabeça, principalmente no ensino médio... Eu acho que hoje eu valorizo muito mais a educação física porque eu entendo o processo também pedagógico dela, né? É porque quando na época que a gente é estudante, a gente vê mais a questão da diversão, de espairecer a cabeça, de se sentir melhor. Hoje penso mais a questão da seriedade do pedagógico, aquilo que vai auxiliar na coordenação motora, aquilo que vai fazer com que o estudante também tenha uma relação com a prática do conteúdo. Então, a gente tem uma visão mais pedagógica do processo de ensino -aprendizagem também, né? Então, aquele treino de equilíbrio tem um sentido para todo o processo também da escrita, da coordenação motora, né? Então, existe um olhar mais de profissional agora, né? (Diretora).

Eu não gostava, quer dizer, na realidade, acho que não. Visualizando bem o currículo da minha época, era bem dinâmico, né? Era sempre um bimestre futsal, outro bimestre handebol, meu Deus, eu odiava handebol [...]. Naquela época de estudante eu não enxergava nenhuma importância. Hoje eu penso que eu teria essa pressão de estudo, esse cansaço que a gente já tem na vida enquanto adulto, né? A gente já precisa de atividade física para conseguir equilibrar os hormônios. Eu imagino na fase de desenvolvimento quanto é importante. Então se eu tivesse essa visão, assim, realmente da qualidade de vida e quanto aquilo vai me trazer benefícios tantos emocionais, psicológicos e físicos, talvez se eu conseguisse ter esse entendimento eu teria me esforçado mais. Hoje eu estaria mais apta a realizar outras atividades, mais interessada, uma pessoa mais movimentada se eu tivesse iniciado lá na educação física, na escola (Secretária).

Com as falas acima é possível compreender a forma como foi movimentada a identidade da Educação Física nos diferentes períodos na escola. Confirmando o que Morin (2015) chama de sistema aberto, ocorrendo entrosamento do meio externo com a realidade, tendo como consequências a incerteza, o acaso, a desordem etc. Por isso,

A realidade está, desde então, tanto no elo quanto na distinção entre o sistema aberto e seu meio ambiente. Esse elo é absolutamente crucial seja no plano epistemológico, metodológico, teórico, empírico. Logicamente, o sistema só pode ser compreendido se nele incluímos o meio ambiente, que lhe é ao mesmo tempo íntimo e estranho e o integra sendo ao mesmo tempo exterior a ele.

(Morin, 2015, p. 22).

Em determinada passagem do diálogo com os participantes, abordou-se a notabilidade da Educação Física enquanto componente curricular nas escolas, bem como a sua importância comparada aos outros componentes. Como principais respostas, tem-se:

Na época, sim, eu pensava que é, pelo menos essa não reprova, né? Na minha cabeça, né? Não entendia a complexidade e a importância da Educação do Físico, né? Mas na época eu acho que eu não pensava assim. Tanto que nessa fase que eu não gostava de fazer Educação Física, me escondia e não queria fazer, eu acho que foi aí que eu comecei a ver a importância, né? Porque quando foi uma coisa prazerosa, era algo que me dava prazer, que era gostoso fazer, né? Eu acho que foi nesse momento aí que eu comecei a despertar. Não, espera aí, Educação Física não é só um encher de linguiça, não é só mais uma matéria, é uma matéria e a importância dela, né? E hoje eu reconheço isso [...]. Eu penso que aos poucos vem mudando muito, né? Mas eu vejo assim, eu vejo pelo meu filho, né? E a preocupação de saber o conteúdo, de ler sobre o que o professor pediu, e eu penso que há famílias que incentivam isso e percebem essa importância da Educação Física, essa importância do conhecer, né? Que tal conteúdo é trabalhado, mas ainda existem aquelas famílias que é só um brincar de bola, é só uma aula livre, né? Tem famílias que penso que já mudou, que enxergam a importância da disciplina, mas ainda tem famílias que não pensam assim (Professora 2).

Eu achava que era um estímulo maior também para a questão do estudo. Eu acho que hoje eu valorizo muito mais a educação física porque eu entendo o processo também pedagógico dela, né? É porque quando a gente é estudante, a gente vê mais a questão da diversão, de espairecer a cabeça, de se sentir melhor. Hoje penso mais a questão da seriedade do pedagógico, aquilo que vai auxiliar na coordenação motora, aquilo que vai fazer com que o estudante também tenha uma relação com a prática do conteúdo. Então, a gente tem uma visão mais pedagógica do processo de ensino -aprendizagem também, né? Então, aquele treino de equilíbrio tem um sentido para todo o processo também da escrita, da coordenação motora, né? Então, existe um olhar mais de profissional agora, né? Acho que existe um equilíbrio bem grande quando a gente fala disso, porque eu acho que a gente está numa construção constante da concepção dos pais em relação à disciplina. Eu acho que tem pais que sim, que levam a sério, valorizam e acha que o filho tem que ser incentivado, estimulado, né? Mas eu acredito que tem pais que não têm ainda essa visão da disciplina de educação física. Eu acho que é uma construção constante e um estímulo muito grande ao se falar. (Diretora).

Achava. Eu achava porque, assim, eu aprendi muita coisa na época. E hoje eu carrego, tipo assim, em termos de saber sobre a teoria de vôlei, basquete, sobre os conhecimentos da história da educação física. Hoje, eu sei muita coisa porque eu aprendi. Então, foi válido, sim... Eu gostava de dançar e dançar para mim até hoje é uma das terapias que o médico até me indica porque esquenta a perna e para de doer, né? Então a dança me fez “gostar” da educação física. Então isto é um dos pontos que me chamam a atenção, do conhecimento que eu tive lá atrás que hoje eu carrego comigo e essa época do gostar, que eu gosto muito hoje de dançar. Então, eu já vinha desde aquele tempo. Então, tinha alguma coisa sempre de bom, né? (Responsável 1).

É nítido que a comunidade escolar apresenta dificuldades de compreender e identificar o objeto de estudo da Educação Física enquanto componente curricular obrigatório, resultando em diferentes percepções quanto a sua importância e, consequentemente, diferentes identidades sendo movimentadas.

5 IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA

Buscaremos apresentar, neste tópico, a importância da Educação Física dentro da unidade escolar enquanto elemento presente nos currículos escolares, na ótica dos sujeitos participantes deste estudo. Ao problematizar quais os conteúdos propostos pelo componente curricular, foram encontradas diversas situações que justificam a “crise de identidade” da Educação Física e sua importância nas escolas. Para alguns colegas professores, infelizmente, parece não estar evidente quais conteúdos devem ser lecionados nas escolas. Talvez, empiricamente falando, seja pela formação superior que tiveram ou por gostos pessoais, sendo por vezes os currículos deixados de lado.

A importância (ou falta dela) da Educação Física nas escolas está relacionada com o reconhecimento social dentro de um contexto educacional. Em nosso cotidiano, na qualidade de um saber que é evidente àqueles que estão no mesmo espaço social, a integridade e reconhecimento do ser humano se deve a padrões de “[...] reconhecimento e assentimento, pois na autodescrição dos que se veem maltratados por outros, desempenham até hoje um papel dominante de categorias morais, como as de ofensa ou de rebaixamento” (Honneth, 2003, p. 213), demonstrando todas as formas de reconhecimento que são recusadas.

Sendo assim,

Conceitos negativos dessa espécie designam um comportamento que não representa uma injustiça só porque ele estorva os sujeitos em sua liberdade de ação ou lhes inflige danos; pelo contrário, visa-se aquele aspecto de um comportamento lesivo pelo qual as pessoas são feridas numa compreensão positiva de si mesmas, que elas adquiriram de maneira subjetiva (Honneth, 2003, p. 213).

(Honneth, 2003, p. 213).

É perceptível que, por meio da nossa linguagem, ocorrem referências empíricas de assentimento por parte do outro, seja no aspecto pessoal ou profissional. É deste cruzamento entre individualização e reconhecimento que “[...] resulta aquela vulnerabilidade particular dos seres humanos, identificada com o conceito de desrespeito” (Honneth, 2003 p. 213) visto que a interação das pessoas com o desrespeito pode ser capaz de desmoronar a identidade pessoal/profissional inteira.

Sendo assim, o desrespeito e a falta de reconhecimento resultam na privação de determinadas pretensões de identidade, assim como afirma Faria e Bracht (2014 p. 310): “[...] em relação ao amor, o desrespeito se dá nas formas de maus tratos físicos e violações; nas relações jurídicas, por privações de direito e exclusão; em relação à solidariedade, nas formas de degradação e ofensa”.

Ao analisar o cotidiano da escola, levando em consideração todo o seu contexto, pode-se perceber dentro desta cultura relações muitas vezes conflituosas entre os professores e demais membros que neste espaço habitam. Assim, o interior da escola pode ser um local representativo de formas de negação do reconhecimento, com uma “tensão permanente entre o horizonte de valores construídos por um grupo inteiro, como é o caso da comunidade escolar, e processos de individuação dentro deste próprio grupo” (Faria; Bracht, 2014, p. 313).

Analisando as percepções sobre qual seria a importância e o reconhecimento social do componente curricular Educação Física, percebe-se situações em que o contexto cultural das escolas nos traz uma ideia de autonomia a partir do “livre para ensinar”, na qual o professor tem legitimada a sua ação, sem interferência da equipe gestora. Sendo assim, a “autonomia concebida dessa forma estrutura-se nas práticas de aceitação livres de coerção pelos demais membros” (Faria; Bracht, 2014, p. 319). Com isso, o olhar da comunidade escolar, bem como as suas percepções, pode associar essa forma de ministrar conteúdos como a prática pela prática, sem qualquer embasamento teórico/crítico.

Tratando do objeto de estudo da Educação Física, deve-se refletir acerca dos saberes específicos que o professor do componente tem como finalidade ao apresentá-los aos estudantes. Assim, esses conhecimentos são lecionados como “[...] tarefa pedagógica específica, cuja transmissão/tematização e/ou realização seria atribuição deste espaço pedagógico que chamamos de Educação Física” (Bracht,1996, p. 23). Cabendo, aqui, uma crítica à proposta curricular da rede de ensino pesquisada, baseada em uma abordagem desenvolvimentista. Perspectiva essa que vai de encontro ao que se entende como objetivo da apresentação destes saberes, que deveriam tratar das vivências do “se-movimentar” e da cultura corporal de movimento.

É por esses postulados que apontamos, que a importância de compreender que “[...] o objeto da Educação Física está relacionado com a função social a ela atribuída e que define, em largos traços, o tipo de conhecimento buscado na sua fundamentação” (Bracht, 1996, p. 23), resultando numa maior percepção da sua importância em determinadas atividades, observando e reconhecendo por meio das suas experiências vivenciadas, como por exemplo, o brincar, o “jogar por jogar”, as famosas “aulas livres”, dentre outros adjetivos.

6 CONSIDERAÇÕES TRANSITÓRIAS

Rememorando o objetivo central desta pesquisa, qual seja, analisar a percepção da comunidade escolar quanto ao componente curricular Educação Física na escola, apresentamos a seguir os principais achados e considerações do problema que nos propusemos a investigar. O currículo é um elemento de extrema importância para as percepções que os sujeitos, que transitam pelo contexto escolar, têm da Educação Física enquanto componente curricular na educação básica. Quanto a sua percepção, percebe-se que os sujeitos ainda enfrentam dificuldades de identificar os objetos de estudo da Educação Física, apresentando diferentes percepções quanto a sua importância e diferentes identidades formadas aos olhos dos participantes. Sua relevância, tratando dos objetos de estudo da Educação Física, trata da necessidade de refletir acerca dos saberes específicos que o professor do componente tem como finalidade, buscando um aprofundamento no tipo de conhecimento que é produzido e como este vem sendo aplicado durante as aulas.

Estudos como este não se limitam a um fim, e sim a analisar as diversas situações que perpassam o ambiente escolar, merecendo atenção e reflexão quanto a interação que ocorre no contexto das escolas.

Além disso, é importante perceber a importância de pesquisar a escola, sua rotina, seus olhares, suas percepções e interações. Sendo assim, espera-se que muitos outros estudos da/na escola sejam cada vez mais evidentes no meio acadêmico e que o cotidiano escolar seja refletido e problematizado. O que justifica a escolha pela etnografia educacional, como processo metodológico para este estudo, é a possibilidade de identificar e descrever culturalmente o fenômeno/realidade a ser investigado, oportunizando um diálogo com a autora Marli André a partir de sua obra “Etnografia da Prática Escolar.”.

Durante a análise dos dados, foi possível identificar elementos em comum em todos os entrevistados através de suas falas, em que sujeitos participantes da pesquisa e o seu objeto formam uma relação complexa. Morin (2015) diz que o sujeito irá emergir a partir da sua auto-organização, onde através da sua tomada de consciência irão aparecer os “sistemas dotados de uma capacidade tão alta de auto-organização que produzam uma misteriosa qualidade chamada consciência de si” (Morin, 2015, p. 38).

A partir disto, os participantes desta pesquisa possibilitaram diferentes imagens e formas de tratar as temáticas relacionadas a este estudo, sendo de grande importância para a análise do problema em questão. Com isso, pode-se confirmar o que Morin (2015, p. 39) diz: “o sujeito é o ruído, isto é, a perturbação, a deformação, o erro que se deve eliminar a fim de atingir o conhecimento objetivo, ou o espelho, simples reflexo do universo”.

  • FINANCIAMENTO
    O presente trabalho foi realizado sem o apoio de fontes financiadoras.
  • ÉTICA DE PESQUISA
    A pesquisa seguiu os protocolos vigentes nas Resoluções 466/12 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil e foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Santa Catarina. Parecer: 6.075.665.
  • COMO REFERENCIAR
    ANTUNES, Guilherme Dutra; CONCEIÇÃO, Victor Julierme Santos da; RAMOS, Juliana Lange. Os olhares e percepções da comunidade escolar sobre a educação física: um estudo do tipo etnográfico em uma escola de uma rede municipal de ensino. Movimento, v. 32, p. e32025, jan./dez. 2026. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.148071.
  • 1
    Este artigo é desdobramento da dissertação de ANTUNES, Guilherme Dutra. A percepção da comunidade escolar sobre a prática educativa da educação física: um estudo do tipo etnográfico em uma escola da rede municipal de ensino de São José – SC. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/251691 Acesso em: 15 maio 2025.
  • 2
    CEM – Centro Educacional Municipal
  • 3
    Sob número do parecer aprovado 6.075.665
  • 4
    Apenas 01 representante deste segmento respondeu positivamente ao convite para participar da entrevista
  • 5
    Dispersão dos povos pelo mundo seja ela forçada ou não.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.

REFERÊNCIAS

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  • SOARES, Carmen Lucia et al Metodologia do Ensino de Educação Física 2. ed. rev. São Paulo: Cortez, 2012. 200 p.

Editado por

  • RESPONSABILIDADE EDITORIAL
    Alex Branco Fraga*, Elisandro Schultz Wittizorecki*, Mauro Myskiw*, Raquel da Silveira*, Roseli Belmonte Machado*
    * Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança, Porto Alegre, RS, Brasil.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    09 Jun 2025
  • Aceito
    17 Mar 2026
  • Publicado
    14 Jul 2026
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